A Grande Fome de Mao

Frank Dikötter · Capítulo 17 de 43

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A Grande Fome de Mao

15. Grão capitalista

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Grão capitalista

 

Quase imediatamente após a “debandada” dos especialistas soviéticos em

julho de 1960, um triunvirato formado por Chu En-lai, Li Fuchun e Li

Xiannian foi posto a cargo do comércio exterior.1 Sua resposta à ação de

Kruschev foi mudar a direção do comércio chinês com a União Soviética para

o Ocidente. No fim de agosto, o ministro do Comércio Exterior, Ye Jizhuang,

instruiu seus representantes no exterior a reduzir as importações do bloco

soviético. Todas as negociações para novos acordos comerciais com a URSS

deveriam cessar, com a exceção de alguns projetos estratégicos, como o aço da

União Soviética para a ponte de Nanquim. Nenhum novo contrato de

importação seria assinado, sob o pretexto de que o preço ou as especificações

dos bens não eram satisfatórios.2 Alguns observadores estrangeiros na época

falaram de um cruel bloqueio à China pelo campo socialista,3 mas a separação

da economia da União Soviética de seus aliados foi inteiramente iniciada por

Pequim.

No entanto, a China não podia livrar-se para sempre de parceiros

comerciais com mesquinharias sobre especificações inadequadas. Em

dezembro de 1960, com Mao recolhido, uma explicação mais plausível

finalmente foi oferecida. A versão oficial foi que a China sofria catástrofes

naturais sem precedentes que haviam devastado grande parte do campo e não

podia mais exportar alimentos para a União Soviética. Todo o comércio com

o campo socialista, à exceção da Albânia, tinha que ser reduzido.4 Além de

desviar a atenção das dimensões da fome causada pelo homem, invocar a

força da natureza tinha outra vantagem. Os acordos comerciais em geral têm

uma cláusula padrão, o artigo 33, estipulando que, no caso de circunstâncias

imprevistas, fora do controle humano, uma parte ou todo o contrato podiam

ser encerrados.5 O artigo 33 agora seria usado não apenas para diminuir o

comércio, como para cancelar uma série de acordos.6

Os quadros estatísticos apresentados no capítulo 10 mostram que as

exportações para a União Soviética caíram de 761 milhões de rublos em 1960

para 262 milhões em 1961. Queda similar marcou as importações da Europa

Oriental. Somente quando todos os atrasos de pagamento aos parceiros

comerciais tivessem sido quitados, acordos comerciais para 1961 seriam

contemplados, explicou Ye Jizhuang aos parceiros em Berlim Oriental.7 Mas a

Alemanha Oriental não somente se habituara a usar arroz, como também

dependia da China para óleos comestíveis. Tão grande foi o déficit que Walter

Ulbricht foi forçado a se voltar para Kruschev em busca de ajuda em agosto

de 1961.

A China se afastou do bloco socialista não como punição pela retirada de

especialistas soviéticos, mas porque estava falida. A melhor medida do valor

financeiro do país era o valor do yuan no mercado negro. O yuan iniciou um

declínio espetacular em 1960. Em janeiro de 1961, enquanto notícias da falta

de alimentos vazavam para o resto do mundo, o yuan mergulhou de cabeça

na maior baixa de todos os tempos, de cerca de US$ 0,75 por dez yuans, ou

cerca de um sexto do valor oficial da moeda. No geral, em junho de 1961, o

yuan caíra em 50% do valor em relação ao ano precedente.8

Parte do declínio do yuan foi causada pela necessidade de levantar moedas

fortes para pagar pelos grãos nos mercados internacionais. Uma forma de

enfrentar a inanição tinha sido movimentar os grãos das áreas com excedente

para áreas esfomeadas, mas, no outono de 1960, quando novo fracasso na

colheita piorou a fome, a estratégia teve efeito muito pequeno. Chu En-lai e

Chen Yun conseguiram convencer Mao de que os grãos tinham que ser

importados de países capitalistas. Como fizeram isso permanece obscuro, mas, provavelmente, venderam a ideia afirmando que as importações de

grãos eram um meio de reforçar as exportações para obter dinheiro. Os

primeiros contratos foram negociados em Hong Kong no fim de 1960.9 Cerca

de 6 milhões de toneladas foram compradas em 1960–61 por US$ 367

milhões (ver tabela 4). Os termos de pagamento variavam: os canadenses

pediram entrada de 25% conversíveis em libras esterlinas, ao passo que os

australianos permitiram 10% de entrada e concederam crédito para o

restante. Mas, em geral, cerca da metade tinha que ser paga em 1961.10

 

Tabela 4: Importações de grãos pela China em 1961

País exportador Milhões de toneladas Alemanha 0,250 Argentina 0,045 Austrália 2,74 Birmânia 0,3 Canadá 2,34 França 0,285

Total 5,96

Fonte: BArch, Berlim, 1962, DL2–VAN–175, p. 15; ver também Allan J. Barry, “The Chinese Food Purchases”, China Quarterly, nº 8 (out.–dez. 1961), p. 21.

 

Para cumprir esses compromissos, a China tinha que ganhar um excedente

em moeda conversível e isso só poderia ser feito com a redução das

importações de bens de capital e o aumento das exportações para o mundo

não comunista. Durante a fome, até então, Chu En-lai se certificara de que

entregas de ovos e carne chegassem a Hong Kong todos os dias.11 Agora, no

outono de 1960, apesar dos protestos de um desapontado Kruschev que se

queixava da falta de entrega de gêneros alimentícios para a União Soviética,

Chu resolveu redirecionar todos os gêneros alimentícios disponíveis para

Hong Kong, aumentando grandemente o comércio com a colônia da coroa.12

Algodão e produtos têxteis também partiam para Hong Kong, saltando de

HK$ 217,3 milhões em 1959 para HK$ 287 milhões no ano seguinte.13 No

geral, o comércio com Hong Kong foi a maior fonte de moeda estrangeira

para Pequim durante a fome, produzindo cerca de US$ 320 milhões em um

ano.14 Assim como em 1958, os mercados asiáticos foram inundados de

produtos baratos. Têxteis, por exemplo, embora muito necessários à

população chinesa, eram vendidos a preços abaixo do custo, o que

competidores como Índia e Japão não podiam de forma alguma igualar.

Pequim também esvaziou suas reservas, mandando barras de prata para

Londres. A China tornou-se exportadora de barras de ouro e prata no fim de

1960, enviando cerca de 50 a 60 milhões de onças troy em 1961, das quais 46

milhões, avaliadas em £ 15,5 milhões, foram compradas pela Grã-Bretanha.15

No total, se formos confiar em um relatório de Chu En-lai, por volta de US$

150 milhões foram arrecadados pela venda de ouro e prata no fim de 1961.16

Em desesperada tentativa de levantar mais moeda estrangeira, a China iniciou

um comércio sombrio pelo qual chineses que viviam fora podiam comprar

cupons especiais em troca de dinheiro vivo nos bancos de Hong Kong: esses

cupons podiam ser enviados pela fronteira aos parentes famintos, para serem

trocados por grãos e cobertores.17

 

* * *

 

Por que a China não importou grãos dos aliados socialistas? Orgulho e medo

foram os principais obstáculos. Como vimos, a liderança nunca hesitou em

colocar a reputação do país acima das necessidades da população e saqueou o

campo para cumprir acordos de exportação com parceiros estrangeiros. No

entanto, o orgulho sempre vem antes da proverbial queda e, em março de

1961, Chu En-lai teve que executar uma humilhante mudança de rumo ao

explicar aos aliados comerciais que a China não estava mais na posição de

exportar gêneros alimentícios para cumprir seus acordos comerciais de longo

prazo ou honrar vários contratos para grandes instalações industriais. A

entrega de mais de 1 milhão de toneladas de grãos e óleos comestíveis ainda

estava pendente com a União Soviética apenas para o ano de 1960, e a China

não seria capaz de atualizar os embarques de alimentos em futuro próximo.

Como explicou Chu, diplomaticamente, como poderia seu país pedir grãos

quando falhara tão feio com os aliados socialistas?18

Pequim também temia que um pedido de ajuda pudesse ser recusado por

Moscou: o Grande Salto Adiante não tinha sido destinado a mostrar que a

China era mais capaz que a União Soviética? Esse medo era, provavelmente,

justificado, embora, inicialmente, a União Soviética mostrasse boa vontade.

Os russos, por exemplo, ofereceram entregar 1 milhão de toneladas de grãos e

meio milhão de toneladas de açúcar em base de troca, livre de juros, e o custo

seria reembolsado ao longo de vários anos. Pequim recusou os grãos, mas

pegou o açúcar. 19 Kruschev repetiu a oferta de grãos durante encontro com

Ye Jizhuang no Kremlin, em abril de 1961. O líder soviético disse ao ministro

do Comércio Exterior chinês que tinha toda simpatia pela situação aflitiva da

China, ainda mais que a Ucrânia sofrera fome terrível em 1946. Em

lembrança crua e dita de forma bastante impensada, que só poderia ofender,

acrescentou que haviam acontecido casos de canibalismo. Depois, mudou o

tema da conversa e mencionou, como se por casualidade, que a União

Soviética estava a ponto de superar os Estados Unidos na produção de aço. Ye

Jizhuang polidamente declinou da oferta.20

Poucos meses após, quando a fome se recusou a desaparecer com a

chegada do verão, Chu En-lai abordou os russos. Em encontro com uma

delegação de Moscou em agosto de 1961, explicou por que, pela primeira vez

na história da República Popular, os grãos estavam sendo importados do

campo imperialista. Depois, Chu, de maneira bem indireta, perguntou sobre

o desejo da União Soviética de trocar 2 milhões de toneladas de cereais por

soja, cerdas e estanho, possivelmente até arroz. Apenas um terço seria pago de

entrada, e o restante nos dois anos seguintes. A ocasião do pedido foi mal

escolhida, pois veio logo após a delegação ter empacado em um déficit

comercial de 70 milhões de rublos. “Vocês têm alguma moeda estrangeira?”,

inquiriu o lado soviético abruptamente, forçando Chu a admitir que a China

não tinha nenhuma e estava vendendo prata.21 A delegação deixou o assunto

no ar e nada mais aconteceu durante vários meses, até que alguém,

finalmente, deu uma pista ao informar Deng Xiaoping de que a União

Soviética enfrentava dificuldades e não estava em posição de ajudar. A perda

de prestígio da China deve ter sido tremenda.22

Táticas de adiamento no meio da calamidade também foram adotadas por

Moscou quando Chu En-lai pediu 20 mil toneladas extras de petróleo em

julho de 1961: Kruschev esperou quatro meses, até depois do 22º Congresso

do Partido Soviético, para atender ao pedido de Pequim.23 Vantagem política

também foi extraída de uma troca de grãos acordada em junho de 1961. De

todo o trigo que Pequim comprava do Canadá, 280 mil toneladas eram

destinadas à União Soviética, que, em troca, exportava volume similar para a

China. Depois que o trigo foi embarcado diretamente do Canadá para a

Rússia, os soviéticos agiram como se a importação viesse dos Estados Unidos

e listaram, ao mesmo tempo, sua exportação de grãos para a China nas

estatísticas de comércio publicadas em 1961. Aos olhos do mundo, com

especialistas estrangeiros debruçados sobre estatísticas publicadas em busca

de sinais de um racha entre os dois gigantes socialistas, parecia que a União

Soviética estava alimentando a China.24

 

* * *

 

Nem todos os grãos comprados no exterior se destinavam ao consumo

doméstico. O arroz comprado da Birmânia, por exemplo, era embarcado

diretamente para o Ceilão a fim de cumprir compromissos importantes.

Cerca de 160 mil toneladas também seguiram para a Alemanha Oriental com

o propósito de corrigir o déficit comercial com aliados socialistas. E a China,

no meio da fome, continuou a ser generosa com os amigos. Dois

carregamentos de trigo de cerca de 60 mil toneladas foram embarcados em

portos canadenses diretamente para Tirana, como presente. Uma vez que a

Albânia tinha cerca de 1,4 milhão de habitantes, aquele volume cobria um

quinto da demanda doméstica.25 Pupo Shyti, o negociador chefe de Tirana

em Pequim, recordou mais tarde que podia ver sinais de fome em Pequim,

mas “os chineses nos davam tudo [...]. Quando precisávamos de alguma coisa,

era só pedir aos chineses [...]. Senti-me envergonhado”.26 Outros países, além da Albânia, também receberam arroz grátis no auge da fome: por exemplo, a

Guiné, recebedora de 10 mil toneladas em 1961.27

A China nunca deixou de cultivar sua imagem internacional com ajuda

liberal e empréstimos baratos para nações em desenvolvimento da Ásia e da

África. Uma razão pela qual a China aumentou as doações externas durante o

Grande Salto Adiante foi provar que havia descoberto a ponte para o futuro

comunista. Mas a principal consideração era a rivalidade com Moscou. Em

uma era de descolonização, Kruschev começou a competir pela lealdade de

nações em desenvolvimento, tentando afastá-las dos Estados Unidos e atraí-

las para a órbita soviética, mediante o fornecimento de abundante ajuda a

projetos prestigiosos, como usinas hidrelétricas e estádios. Mao queria

desafiar a liderança de Kruschev na Ásia e na África. Desprezando a noção do

Kremlin de “evolução pacífica” em que se baseavam suas relações com o

mundo em desenvolvimento, Mao estimulava, em vez disso, uma teoria

militante de revolução, e, em competição decidida com Moscou, ajudava

comunistas revolucionários em países como Argélia, Camarões, Quênia e

Uganda.

Quanta ajuda foi dada em tempos de fome? No cômputo geral, a China

forneceu 4 bilhões de yuans a países estrangeiros de 1950 a julho de 1960, dos

quais 2,8 bilhões foram ajuda econômica gratuita e 1,2 bilhão livre de juros ou

com baixas taxas de empréstimo.28 A maior parte dessa ajuda foi concedida

de 1958 em diante. Em 1960, um novo organismo em nível de ministério,

chamado Departamento de Relação Econômica Exterior, foi criado para lidar

com doações crescentes, e a ajuda a países estrangeiros foi fixada em 420

milhões de yuans.29 No ano seguinte, Pequim recusou novos empréstimos ou

até mesmo o adiamento de pagamentos oferecidos por aliados socialistas

cientes dos apuros da China, mas cerca de 660 milhões de yuans foram

reservados para ajuda externa.30 Os beneficiários incluíram a Birmânia, em

US$ 84 milhões, e Camboja, em US$ 11,2 milhões; ao Vietnã foram

concedidos 142 milhões de rublos, e à Albânia, 112,5 milhões de rublos.31 As

somas ficaram disponíveis enquanto a renda global do Estado encolhia em

45%, para 35 bilhões de yuans, com cortes em diversas áreas, inclusive 1,4

bilhão de yuans em saúde e educação.32

Tal generosidade significava que, no local de produção, onde as pessoas

morriam de fome, os grãos continuaram a ser exportados em 1960, parte

deles gratuitamente. De fato, com uma política de “exportação acima de tudo

o mais” (chukou diyi), quase todas as províncias tinham que exportar mais

que nunca. Hunan foi instruída a exportar bens no valor de 423 milhões de

yuans, ou 3,4% do valor total da produção da província, e o produto a ser

exportado incluía 300 mil toneladas de arroz e 270 mil porcos.33

Nos cinco meses seguintes à decisão de Chu En-lai, em agosto de 1960, de

restringir a exportação de comida para o campo socialista, bem mais de 100

mil toneladas de grãos foram requisitadas de Guangdong e enviadas a Cuba,

Indonésia, Polônia e Vietnã, o que representou cerca de um quarto das 470

mil toneladas confiscadas da província naquele período. Como explicou o

chefe provincial, Tao Zhu, após o estabelecimento de relações diplomáticas

formais com o regime de Fidel Castro, em setembro de 1960, entregar grãos

ao povo de Cuba, sitiado pelo imperialismo americano, era uma questão de

“reputação internacional”.34 Trabalhadores de fábrica em Guangzhou eram

menos entusiasmados acerca da assistência abnegada ao mundo em

desenvolvimento: já amargados pela falta de algodão, exportado e posto em

liquidação em lojas de Hong Kong, perguntavam abertamente: “Por que

exportar para Cuba quando não temos o suficiente para comer?”35 Até em

lugares distantes como Gansu, aldeões protestavam por ter que passar fome

porque Mao embarcava arroz para Cuba.36 Em uma festa em Beidaihe, no

mês seguinte, a liderança decidiu enviar para Castro mais 100 mil toneladas

de arroz, no valor de 26 milhões de yuans em troca de açúcar.37

 

* * *

 

A China poderia ter aceitado ajuda em vez de gastar todas as suas divisas

estrangeiras em importações de grãos? O presidente John Kennedy observou

friamente que Pequim mandava alimentos para África e Cuba mesmo em tempo de fome e acrescentou: “Não temos nenhuma indicação dos chineses

comunistas de que receberiam bem qualquer oferta de alimentos.”38 A Cruz

Vermelha tentou realmente dar assistência, mas abordou Pequim de forma

desastrada ao inquirir primeiro sobre fome no Tibete — onde uma grande

rebelião acabara de ser esmagada pelo Exército de Libertação Popular. A

resposta foi rápida e previsível. O país testemunhara uma colheita

ineditamente rica em 1960, absolutamente não havia fome e os rumores em

contrário eram difamações. Henrik Beer, o desajeitado secretário- -geral da

Liga das Sociedades da Cruz Vermelha, jogou gasolina ao fogo ao enviar um

segundo telegrama de Genebra para perguntar se isso também era verdade

para a China. Seguiu-se uma resposta furiosa em que Pequim destacava que

Tibete e China não eram entidades separadas e sim um só país, no qual o

governo se apoiava nas muitas vantagens das comunas do povo para superar

as calamidades naturais dos dois anos anteriores.39

Mesmo que a Cruz Vermelha tivesse puxado o assunto de forma mais

diplomática, é muito provável que a ajuda estrangeira fosse recusada. Quando

o ministro das Relações Exteriores do Japão teve uma conversa sossegada com

seu colega, Chen Yi, sobre um presente discreto de 100 mil toneladas de trigo

a ser embarcado fora da vista do público, o pedido foi rejeitado.40 Até doações

de roupas escolares de crianças de Berlim Oriental, oferecidas para ajudar

Guangdong, varrida por um tufão em 1959, foram vistas como

desmoralização, e as embaixadas foram instruídas a não mais aceitar

donativos.41 A China queria apadrinhar o mundo em desenvolvimento, mas

não aceitava ajuda de ninguém.