A Grande Fome de Mao

Frank Dikötter · Capítulo 31 de 43

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A Grande Fome de Mao

29. Mulheres

29

 

Mulheres

 

A coletivização, destinada em parte a libertar as mulheres dos grilhões do

patriarcado, tornou as coisas piores. Embora os padrões de trabalho

variassem imensamente de um extremo a outro do país, na maior parte do

norte as mulheres raramente trabalhavam nos campos antes do Grande Salto

Adiante. Até em regiões do sul, frequentemente só mulheres pobres

juntavam-se aos homens fora de casa. Além de cuidar do trabalho doméstico,

mulheres e até crianças normalmente se empenhavam em outras ocupações e

faziam artesanato no tempo ocioso para aumentar a renda da família. Aldeias

inteiras, às vezes, se especializavam em produzir uma variedade definida de

commodities para mercados locais, de sombrinhas de papel, sapatos de tecido

e chapéus de seda a cadeiras de ratã, cestos de vime e de cipó trançado, tudo

na segurança do lar.1 Mesmo nas aldeias mais isoladas, as mulheres por

costume trabalhavam em casa: teciam, costuravam e bordavam para a família

e por dinheiro.

Mulheres que nunca haviam trabalhado nos campos, mobilizadas na

pressa de modernizar, tinham que se levantar todos os dias ao som de corneta

e marchar em grupos para arar, semear, limpar, arrancar ervas daninhas e

separar o grão da palha. Apesar do pleno emprego nas comunas, elas

recebiam menos que os homens, não importava o quanto trabalhassem. O

sistema de pontuação pelo trabalho inventado para as comunas desvalorizava

sistematicamente a contribuição delas, pois apenas homens fortes eram capazes de alcançar o topo da escala. As mulheres se juntaram à força de

trabalho coletiva, mas o Estado fez muito pouco para aliviar a carga de

trabalho em casa, e as tarefas domésticas ainda precisavam ser cumpridas,

desde remendar roupas até educar os filhos. Os jardins de infância, por

exemplo, deviam ajudar com as babás, mas, como vimos, muitos estavam

longe de ser adequados, o que significava que as mulheres com frequência

tinham que fazer malabarismos para trabalhar em tempo integral e cuidar dos

filhos.2 Como a vida familiar era agredida por campanhas constantes, as

exigências da mobilização pesavam muito sobre as mulheres e exauriam

muitas, até mesmo antes que a fome começasse a morder. Nas aldeias

drenadas de homens sãos que se juntavam ao êxodo para a cidade, as

mulheres ficavam para cuidar de parentes e dependentes.

Acima de tudo, as mulheres eram vulneráveis porque, em um regime que

trocava impiedosamente trabalho por comida, toda fraqueza levava à fome.

No incessante impulso para conseguir taxas de produção cada vez mais altas,

no forno, no campo ou no chão da fábrica, a menstruação era vista como

falha. Os tabus menstruais da religião popular, que temiam o potencial de

poluição das mulheres durante o período menstrual, foram deixados de lado,

aparentemente da noite para o dia. Faltar ao trabalho no campo era punido,

sendo a forma mais comum de retaliação a redução de pontos de trabalho por

dia de ausência. Em alguns quadros, homens abusavam das posições de poder

e humilhavam mulheres que requeriam licença do trabalho por doença. Xu

Yingjie, secretário do partido da Comuna Popular de Chengdong, em Hunan,

forçava as que pediam licença para repouso com base na menstruação a

baixar as calças e passar por inspeção instantânea. Poucas mulheres queriam

se submeter a essa humilhação e muitas ficavam doentes em consequência.

Várias morreram sob a tensão de trabalhar enquanto sofriam severas dores

menstruais ou problemas ginecológicos.3 Mulheres grávidas também eram

obrigadas a trabalhar, com frequência até o último estágio da gravidez, e

comumente eram punidas. Só em um distrito de Sichuan, 24 mulheres

abortaram depois de terem sido obrigadas a trabalhar nos campos. Chen

Yuanming, que objetou, foi chutada entre as pernas por um oficial da chefia e

ficou aleijada para o resto da vida.4

Quando quadros abusivos assumiam o poder sem oposição, as punições

podiam ir muito além. Na mesma comuna de Hunan mencionada há pouco,

mulheres grávidas que não apareciam para trabalhar eram obrigadas a se

despir no meio do inverno e quebrar gelo.5 Em Qingyuan, Guangdong,

centenas de aldeões de uma só vez foram forçados a trabalhar no meio do

inverno sem roupas acolchoadas de algodão; nenhuma exceção foi feita para

mulheres grávidas ou com crianças pequenas, e as pessoas que protestavam

ficavam sem comer.6 No condado de Panyu, nos arredores de Guangzhou,

um oficial agarrou pelos cabelos Du Jinhao, grávida de sete meses, e forçou-a

a se abaixar até o chão por não trabalhar o bastante. Ele a manteve abaixada e

gritou palavrões para ela até que ela desmaiou; seu marido gritou de medo,

mas não tinha poder para intervir. Após recobrar a consciência, ela caminhou

vacilante de volta para casa, parecendo tonta, depois caiu de joelhos, tombou

no chão e morreu.7 Algumas mulheres ficavam tão desesperadas que

preferiam morrer: Liang Xianü, grávida, mas obrigada a trabalhar no inverno,

suicidou-se saltando em um rio gelado.8

Exaustas e famintas, as mulheres ficaram tão fracas que pararam de

menstruar completamente. Isso era comum em todos os lugares, até nas

cidades, onde as mulheres recebiam cuidado médico. No distrito de Tianqiao,

no sul de Pequim, metade das trabalhadoras de uma metalúrgica sofria de

suspensão da menstruação, infecções vaginais ou prolapso uterino. Como o

único banheiro disponível estava sempre ocupado, algumas mulheres

passavam meses sem se lavar. Quando isso se combinava com horas

infindáveis em um ambiente mal ventilado, até ativistas como Yuan Bianhua

cuspiam sangue e, às vezes, ficavam sem forças para permanecer de pé

sozinhas.9 Outros estudos, feitos pela Federação das Mulheres, faziam

observações similares. Na Fábrica de Válvulas Eletrônicas em Pequim, por

exemplo, metade de todas as 6.600 mulheres tinha algum distúrbio

ginecológico. Wu Yufang, de 25 anos, chegou à fábrica saudável, em 1956,

mas, em 1961, sofria de dores de cabeça, menstruação irregular, insônia,

irritabilidade e fraqueza. Casada há cinco anos, ainda não tinha filhos — um exame médico mostrou que ela, como muitas outras trabalhadoras, sofria de

envenenamento por mercúrio.10

O declínio físico entre as mulheres do campo era tão extremo que muitas

sofriam de prolapso uterino, o que significava que o útero, seguro dentro da

pélvis por músculos e ligamentos, caíra dentro do canal vaginal. Mesmo sem

sobrecarga de trabalho e falta de comida, a fraqueza pode levar o útero a cair

ou escorregar para fora da posição normal. Isso acontece quando as mulheres

têm parto difícil ou sofrem de falta de estrogênio. Mas o termo se refere a

uma variedade de estágios diferentes, de um cérvix caído a um útero

completamente fora da vagina: este último caso foi uma síndrome observada

repetidas vezes por autoridades médicas. As estatísticas fornecidas — mesmo

confidenciais — não refletiam a realidade e variavam de 3% a 4% das

mulheres do campo nos arredores de Xangai a uma em cada cinco

trabalhadoras em Hunan.11 A incidência real deve ter sido mais alta, pois

muitas mulheres podem ter sentido vergonha de informar seu estado, muitos

quadros relutariam em informar distúrbios médicos associados à fome, e

poucos médicos treinados existiam no campo para ter sequer uma ideia clara

do que acontecia.

Um prolapso uterino era difícil de ser curado porque as causas subjacentes

— falta de comida e repouso — eram difíceis de remediar em tempos de

fome. Mesmo que tivessem dinheiro para pagar os honorários médicos,

muitas mulheres simplesmente não tinham tempo para deixar os filhos e o

trabalho e ir a um dos poucos e distantes hospitais, recorrendo, em vez disso,

aos tratamentos locais. Em Hubei, curandeiras usavam uma série de receitas,

algumas passadas de geração para geração, para assistir mulheres que sofriam

de problemas ginecológicos. Aqueciam e moíam ingredientes até virarem pó,

que depois era untado nas paredes vaginais, e misturavam ervas medicinais

para curar distúrbios menstruais. Tia Wang, como era conhecida em uma

aldeia do condado de Zhongxiang, ajudou centenas de mulheres e abrigou

frequentemente em sua casa quatro ou cinco pacientes em tratamento,

enquanto seu marido saía à cata de folhas e raízes na floresta.12 Tais remédios

tradicionais raramente eram tolerados sob a coletivização forçada e, na ausência de cuidado médico efetivo, a maior parte das mulheres

simplesmente tinha que suportar sua condição e continuar a trabalhar.

 

* * *

 

As mulheres eram vulneráveis de outros modos. Socialmente marginalizadas

em um mundo que, afinal, continuava duro e voltado para os homens, elas

eram passíveis de abuso sexual. Enorme poder era dado aos quadros locais

enquanto a fome corroía gradativamente o tecido moral da sociedade. Como

se essa combinação não fosse suficientemente ruim, muitas famílias eram

separadas ou rompidas na medida em que homens se uniam ao êxodo, se

alistavam no Exército ou trabalhavam em projetos de irrigação distantes.

Com as camadas de proteção social em torno da mulher gradativamente se

esboroando, elas ficavam quase indefesas para confrontar o poder nu do

mandão local.

O estupro se espalhou como um contágio em uma paisagem moral

angustiada. Poucos exemplos irão bastar. Dois secretários do partido de uma

comuna em Wengcheng, norte de Guangzhou, violentaram ou coagiram

sexualmente 34 mulheres em 1960.13 No condado de Hengshui, Hebei, três

secretários do partido e um vice-secretário do condado eram conhecidos por

abusar sexualmente de mulheres com frequência: um deles fazia sexo com

várias dúzias.14 Mais ao norte, um secretário da aldeia de Gujiayng violentou

27 mulheres, e uma investigação mostrou que “tomara liberdades” com quase

todas as solteiras da aldeia.15 Li Dengmin, secretário do partido de Qumo,

violentou cerca de vinte mulheres, duas delas menores de idade.16 Em

Leiyang, Hunan, garotas de apenas 11 ou 12 anos eram abusadas.17 Em

Xiangtan, um oficial criou uma “equipe especial” (zhuanyedui) de dez garotas

de que abusava a seu bel-prazer.18

Mesmo quando não eram violentadas, as mulheres sofriam humilhações

sexuais específicas à medida que a coletivização varria os valores sexuais

costumeiros de autocontrole e resguardo do corpo. A China passava por uma revolução e virava de cabeça para baixo os códigos morais de

comportamento, passados de geração para geração, o que levava a perversões

impensáveis antes de 1949. Em uma fábrica no condado de Wugang, Hunan,

chefes locais obrigavam mulheres a trabalhar nuas. Em um único dia em

novembro de 1958, mais de trezentas trabalharam despidas. As que se

recusavam eram amarradas. Foi estabelecido até um sistema competitivo em

que as mulheres mais rápidas em tirar a roupa recebiam uma recompensa: o

prêmio mais alto consistia em dinheiro, 50 yuans, mais ou menos o

equivalente a um mês de salário. Se algumas mulheres podiam abraçar a

oportunidade de impulsionar a carreira, muitas, sem dúvida, resistiam,

embora ninguém ousasse dizer o que pensava. Poucas, de fato, escreveram

cartas de denúncia. Depois que algumas mulheres ficaram doentes — Hunan

pode ser terrivelmente fria durante o inverno —, várias cartas anônimas

foram enviadas a Mao Tsé-tung. Se ele realmente lia essas cartas, não

sabemos, mas alguém, em alto posto em Pequim, telefonou para o comitê

provincial em Changsha e exigiu um inquérito. Veio à luz, no curso de uma

investigação, que os líderes da fábrica aparentemente “estimulavam” as

mulheres a tirar as roupas em “espírito de emulação” que tinha por objetivo

“quebrar tabus feudais”.19 Aparentemente, qualquer coisa poderia ser

justificada em nome da emancipação.

Igualmente brutais e humilhantes eram as paradas desnudas, que

aconteciam em todo o país: mulheres, ocasionalmente homens, deviam andar

pela aldeia completamente nus. No condado de Suichang, Zhejiang, homens e

mulheres acusados de roubo eram desnudados e desfilavam. Zhou Moying,

uma avó de 60 anos de idade, foi forçada a se despir e liderar a procissão

enquanto batia em um gongo — apesar de aldeões implorarem que ela fosse

perdoada.20 Algumas mulheres que sofriam abuso ficavam envergonhadas

demais para voltar para casa. Zhu Renjiao, que foi obrigada a se despir e

desfilar por um pequeno roubo, “sentiu-se envergonhada demais para encarar

as pessoas” e pediu para ser transferida para outra aldeia. Matou-se quando

seu pedido foi negado.21 Em outra pequena aldeia em Guangdong, a milícia

despiu duas jovens, amarrou-as a uma árvore e usou uma lanterna para explorar as partes íntimas de uma das garotas e desenhar uma grande

tartaruga — símbolo do órgão sexual masculino — no corpo da outra mulher.

Ambas se mataram.22

O comércio do sexo é parte de uma tendência social que se pode distinguir

bem em qualquer fome, embora mencionado com menos frequência nos

arquivos ou em entrevistas. As mulheres concediam favores por quase nada,

de um naco de comida e trabalho melhor a uma relação regular, mas ilícita,

com um homem que oferecesse alguma sensação de segurança. A maior parte

dessas transações acontecia sem ser detectada, mas havia também um

submundo de prostituição que as autoridades tentavam monitorar. Uma

instalação correcional em Chengdu abrigava mais de cem prostitutas e

crianças delinquentes do sexo feminino. Mais de uma dúzia eram

trabalhadoras sexuais que tinham sido “reeducadas” depois da vitória

comunista em 1949, mas se recusaram a se reformar. Wang Qingzhi, que

tinha o apelido de “Mãe velha”, introduziu outras mulheres no comércio.

Algumas trabalhadoras sexuais novas formavam bandos com ladrões homens

e vagavam pelo país, viajando para Xi’an, Pequim e Tianjin a fim de ganhar a

vida. Poucas trabalhavam independentemente, uma ou duas até entregavam

dinheiro regularmente aos pais — que fingiam não saber a fonte da renda.23

Mulheres da aldeia também se ofereciam em troca de comida depois de

fugir para a cidade, como já vimos. A extensão lógica desse comércio do sexo

era a bigamia, pois as garotas do campo mentiam acerca da idade ou do

estado civil para conseguir marido na cidade. Algumas tinham apenas 15 ou

16 anos, bem abaixo da idade legal para se casar. Outras já eram casadas, mas

cometiam bigamia para sobreviver. Poucas estavam preparadas para

abandonar os filhos do casamento anterior e nem todas deserdavam a família:

algumas voltavam para casa poucos dias depois de o casamento realizar-se.24

O comércio do sexo mal disfarçado por um pretenso casamento era ainda

mais comum no campo. Em uma aldeia de Hubei atentamente estudada, o

número de casamentos aumentou sete vezes em 1960, o pior ano da fome.

Mulheres chegavam em grandes números à aldeia, vindas de áreas atingidas, e

se casavam por bens, roupas ou comida para os parentes. Algumas tinham apenas 16 anos, outras partiam logo após o casamento. Poucas apresentavam

outros membros da família ao noivo, o que resultou em meia dúzia de casos

de bigamia.25

E havia ainda o tráfico de mulheres. Provenientes da Mongólia Interior,

por exemplo, grupos se espalhavam por todo o país e levavam de volta todo

mês centenas delas. A maior parte das mulheres vinha da faminta Gansu,

poucas de Shandong. Algumas eram meramente crianças, outras viúvas,

embora mulheres casadas também fossem traficadas. As vítimas eram de

todas as categorias sociais, inclusive estudantes, professoras e até quadros.

Poucas iam voluntariamente e algumas eram traficadas várias vezes. Em

menos da metade de um ano, 45 mulheres foram vendidas para seis aldeias.26

 

* * *

 

Sempre marginalizadas, às vezes humilhadas, invariavelmente exaustas e

frequentemente abandonadas pelos homens, as mulheres, no fim, eram as que

tinham que tomar a decisão mais cruel, principalmente de como seria

dividida a magra ração. Isso não era assim no início da fome, pois os homens

em geral estavam na chefia do lar e exigiam ser alimentados primeiro. Da

mesma forma que as mulheres recebiam sistematicamente menos pontos que

os homens na coletivização, uma sociedade patriarcal esperava que a

prioridade na alimentação fosse de todos os homens da casa. Como os

homens proviam o alimento, as mulheres toleravam o costume, imperativo

cultural que ditava que, mesmo em tempos normais, elas recebessem porção

menor de alimento. Quando a fome dominou, as mulheres foram

deliberadamente ignoradas no interesse da sobrevivência do homem, escolha

que se justificava com base em que toda a família dependia, no final das

contas, da habilidade deles para sair e encontrar alimento. Mas, quando os

homens se foram, as mulheres tiveram que suportar a agonia de ver seus

filhos passarem fome sem ter condições de ajudar. Nem todas podiam viver

com o choro constante e os pedidos de comida das crianças, e isso se tornava

ainda mais intolerável pelas escolhas cruas que tinham que fazer na distribuição de recursos escassos. Liu Xiliu, privada de comida por seis dias

como punição por estar muito doente para trabalhar, finalmente sucumbiu às

exigências da fome e devorou a ração alocada para seu bebê, que logo

começou a chorar, faminto. Incapaz de sofrer o tormento, ela engoliu soda

cáustica e pôs fim à vida.27

Não há dúvida de que o sofrimento emocional e a dor física — para não

falar do rebaixamento e da humilhação que muitas tiveram que suportar —

eram enormes, e muito disso era consequência direta da discriminação

sexual. Mas historiadores mostram que, em outras sociedades patriarcais, as

mulheres não morrem em número muito maior que os homens, por mais

problemáticas que as taxas de mortalidade possam ser. Na fome em Bengala, a

mortalidade dos homens até excedeu a das mulheres e levou a historiadora

Michelle McAlpin a escrever que “as mulheres podem ser mais capazes que os

homens para enfrentar as provações de um período de fome”.28 Como vimos

em capítulos anteriores, elas se superavam em inventar estratégias diárias de

sobrevivência, desde buscar alimento na floresta e preparar comidas

substitutas até negociar no mercado negro. No fim, as maiores vítimas da

fome eram os jovens e os idosos.