A Grande Fome de Mao
Um Ensaio Sobre as Fontes
A maior parte das fontes vem de arquivos do partido na China e algumas
palavras sobre isso podem ajudar o leitor a compreender melhor as bases
sobre as quais este livro se assenta. Em um Estado de partido único, os
arquivos não pertencem ao público, pertencem ao partido. Com frequência
estão instalados em um edifício especial nas dependências do comitê local do
partido, em geral em terrenos exuberantes e cuidadosamente tratados,
vigiados por soldados. O acesso aos arquivos é estritamente regulamentado e
teria sido impensável uma década atrás mais ou menos, mas, nos últimos
anos, quantidades crescentes de documentos de mais de trinta anos se
tornaram disponíveis para consultas por leitores com uma carta de
recomendação. A extensão e a qualidade do material variam de lugar para
lugar, mas, em geral, a maior parte das coleções distingue entre “aberto”, ou
não confidencial, e “fechado”, ou arquivos controlados, material
verdadeiramente sensível que permanece fora do alcance, exceto dos olhos
dos mais graduados membros do partido. O próprio fato de essa distinção
afastar do escrutínio da maioria dos historiadores uma grande proporção de
informação vital indica que este livro foi escrito com material relativamente
“leve”: os futuros historiadores, esperamos, serão capazes de revelar a escala
real do que aconteceu com base em arquivos completamente abertos.
Outra complicação se apresenta no fato de que, à exceção do Ministério
das Relações Exteriores, a maioria dos arquivos centrais é de acesso
extremamente difícil. Por isso, a maior parte dos historiadores tende a se
apoiar em coleções provinciais e dos condados. Embora uma boa dúzia de arquivos de cidades e condados tenham sido usados neste trabalho, a maioria
do material vem de dez arquivos provinciais (listados na Bibliografia
Selecionada), escolhidos em ampla medida com base em sua acessibilidade.
Até agora, que seja do meu conhecimento, nenhum historiador foi capaz de
trabalhar com a era maoista nos arquivos provinciais de Anhui; a coleção em
Henan também continua altamente restrita, e, mesmo que fosse concedido, o
acesso continuaria pouco significativo, pois apenas os documentos mais
banais seriam entregues ao pesquisador, frequentemente em quantidades
aflitivamente pequenas. Outras coleções, ao contrário, têm sido
gradativamente abertas e minha seleção representa um bom leque de
províncias em termos de densidade populacional (Shandong versus Gansu),
severidade da fome (Sichuan em um extremo, Zhejiang no outro) e
localização geográfica (de Hebei, no norte, a Guangdong, no sul).
Os arquivos dentro de cada coleção provincial refletem a estrutura da
maquinaria do partido e, muitas vezes, são divididos em grupos menores, de
acordo com a instituição a que pertenciam — por exemplo, o Departamento
para Higiene ou o Departamento para Florestas. O que o historiador
encontra, então, é um material com frequência extremamente diversificado,
muito mais do que, na verdade, o puro termo “arquivos” sugere. Há cartas
escritas por pessoas comuns, pesquisas da Federação de Sindicatos da China
sobre as condições de trabalho em fábricas, investigações do Departamento
de Segurança Pública sobre casos de corrupção, roubo, assassinato, incêndio
proposital e assaltos a celeiros, comprovação detalhada de abusos cometidos
por quadros locais, compilada por equipes especiais enviadas durante
campanhas de retificação, relatórios gerais sobre resistência camponesa
durante a campanha de coletivização, pesquisas de opinião secretas. E muito
mais.
A imensa variedade de material é, apesar de tudo, de procedência oficial.
Até as cartas escritas por agricultores e trabalhadores comuns teriam sido
selecionadas para algum propósito oficial, e temos pouca alternativa a não ser
olhar a vida diária sob o prisma do Estado. Essa observação, naturalmente, é
verdadeira para todos os arquivos estatais, incluindo os da Alemanha de
Hitler e da Rússia de Stalin. Isso não significa que não possamos lê-los de forma diferente da que seria esperada. Finalmente, qualquer historiador que
mereça esse nome saberá como avaliar a autoria de relatórios oficiais, a
audiência a que se destinam, o contexto institucional que os engendrou e as
condições de sua produção. Os historiadores estão sintonizados com as
complicações que resultam da distorção da realidade social pela retórica
oficial, na medida em que expressões como “sabotagem”, “negligência”,
“traição”, “inimigo do povo” e “excessos esquerdistas” obscurecem o que
aconteceu. Mesmo assim, a pura variedade e abundância de informes sobre
resistência demonstra a persistência das estratégias rurais de sobrevivência,
enquanto o Estado em si mesmo era uma organização complexa e espalhada
que dificilmente falou alguma vez — ou informou — a uma só voz.
Exatamente como líderes seniores como Peng Dehuai e Mao Tsé-tung se
chocavam em suas descobertas sobre o Grande Salto Adiante, indivíduos
diferentes, unidades e organizações variavam enormemente na maneira como
informavam o que encontravam em campo.
Arquivos provinciais não apenas são bem mais ricos que as coleções
menores que podem ser encontradas em condados, cidades ou até aldeias,
mas também tendem a conservar cópias de documentos importantes que lhes
eram mandados de cima, principalmente de Pequim, ou de baixo: por
exemplo, quando condados informavam sobre assuntos importantes, como
escassez de grãos ou colapso de uma barragem. No labirinto burocrático da
China comunista, um documento dificilmente era “único”, no sentido em que
cópias eram feitas e circulavam em muitas instituições que podiam alegar ter
interesse no caso em questão. Muitos dos relatórios compilados por equipes
de trabalho, por exemplo, teriam sido enviados para várias dúzias de
membros do partido. Um documento central importante era distribuído para
cada província e condado, enquanto material mais sensível podia ser copiado
apenas para os primeiros secretários de cada província. Em outras palavras,
uma riqueza de material que não necessariamente faz parte da região em
questão pode ser encontrada em coleções provinciais, incluindo-se minutas
de discursos e encontros no mais alto nível. Essas minutas podem variar
consideravelmente, pois foram escritas por pessoas diferentes, algumas vezes
extraídas de gravações em fita. Algumas são mais detalhadas que outras. Tentei tornar tão fácil quanto possível para o leitor interessado descobrir a
procedência de cada documento. Nas notas, o primeiro número dos dados de
localização do arquivo se refere à coleção geral, cujo nome é fornecido na
relação de arquivos no fim deste livro. Por exemplo, “Hunan, 6 out. 1962,
207–1–750, p. 44–9” indica que o documento está contido em uma pasta dos
arquivos provinciais de Hunan, na coleção 207, que representa o
Departamento para Conservação da Água e Hidreletricidade.
O que aconteceu no nível mais alto, dentro dos corredores do poder em
Pequim? Até agora, para entender os políticos da corte sob Mao, os
historiadores se apoiaram em publicações oficiais, documentos internos
(neibu) ou material da Guarda Vermelha liberado durante a Revolução
Cultural. Ao contrário, prefiro usar material de arquivo tanto quanto possível
e faço isso por três razões. A primeira, frases ou parágrafos inteiros foram
suprimidos dos discursos publicados de líderes seniores, em particular, mas,
não somente, do material da Guarda Vermelha. Existem incontáveis
exemplos de pequenas mudanças estilísticas ou excisões editoriais mais
profundas e elas mudam o sentido geral de muitos desses discursos. A
segunda razão, minutas de reuniões inteiras foram censuradas, ou
oficialmente, no continente, ou no material da Guarda Vermelha
contrabandeado para fora da China durante a Revolução Cultural. E a
terceira, enquanto historiadores têm dado bastante peso a encontros que
membros da liderança do partido mais tarde comentaram, eventos e decisões
cruciais têm sido simplesmente ignorados ou censurados, até nas — se não
fosse por isso — muito confiáveis biografias oficiais de líderes, publicadas por
historiadores com acesso aos Arquivos Centrais em Pequim. Esse é o caso,
como vimos, do encontro no Hotel Jinjiang, em Xangai, em 25 de março de
1959, em que Mao sugeriu que um terço de todo o grão deveria ser
requisitado para atender aos compromissos externos.
Em resumo, todo o registro da era maoista que se reflete em fontes oficiais
publicadas internamente é um exercício habilidoso de ofuscação e, como tal,
base inadequada para a pesquisa histórica. Essa opinião bastante cética é
confirmada por uma biografia recente de Chu En-lai por Gao Wenqian. Gao,
um historiador do partido que trabalhou nos Arquivos Centrais em Pequim durante muitos anos, contrabandeou suas anotações para fora da China antes
de fugir para os Estados Unidos. O premiê descrito na biografia pioneira de
Gao é substancialmente diferente da figura icônica a que a maioria de nós está
acostumada (Gao Wenqian, Zhou Enlai: The Last Perfect Revoltionary, Nova
York: PublicAffairs, 2007 [Zhou Enlai: o último revolucionário perfeito. Rio de
Janeiro: Record, 2012]). No entanto, tendo essas deficiências em mente,
consideramos que qualquer coisa publicada pelo Escritório Central de
Pesquisa de Documentos (Zhongyang wenxian yanjiu shi), incluindo suas
volumosas e cuidadosamente referenciadas biografias de líderes, é de valor
inestimável. O problema com essas publicações é o vasto volume de
informação crucial que foi deliberadamente excluído. O mesmo pode ser dito
dos manuscritos de Mao pós-1949, publicados em uma dúzia de volumes,
como Mao Tsé-tung, Jianguo yilai Mao Zedong wengao (Manuscritos de Mao
Tsé-tung desde a fundação da República Popular da China), Pequim:
Zhongyang wenxian chubanshe, 1987–96.
A China, como todos os Estados comunistas, tem uma burocracia extensa,
em que a atenção obsessiva a detalhes diminutos — mesmo em meio à
pobreza disseminada — pode atingir dimensões absurdas, mas nem todo
pedaço de papel termina cuidadosamente preservado em um arquivo.
Fábricas, unidades do governo, até cortes de Justiça e a polícia às vezes jogam
fora seus fichários quando se mudam para novas instalações. Parte desses
documentos — confissões, relatos, diretrizes, permissões e certificados de
toda sorte — termina nos brechós deliciosamente caóticos de Guangzhou,
Xangai ou Pequim. Em muitos fins de semana, quando os arquivos estão
fechados, peneirei papéis poeirentos: alguns estavam em maços espalhados
sobre um cobertor, com o dono acocorado em uma pilha de jornais velhos;
outros são exibidos em mesas improvisadas entre objetos antigos, cartões-
postais, revistas e selos. Formei uma pequena coleção de documentos (bem
como uma pilha de cupons de ração de todos os formatos e cores, pois eles
são um dos pouquíssimos artefatos da burocracia que sobreviveram à fome),
mas citei muito poucos deles e apenas quando nada equivalente existe nos
arquivos oficiais do partido.
Uma pequena proporção das provas vem de arquivos estrangeiros, em particular da Rússia e da Alemanha Oriental, os dois países mais próximos da
China na época. De modo geral, eles são úteis para reconstruir o comércio
exterior e aspectos da política da época, embora sejam bem mais limitados
quando se referem a observações sobre a vida diária. Muitos conselheiros
estavam confinados às cidades e, por volta de 1960, até os alemães orientais —
que permaneceram simpáticos ao Grande Salto Adiante por muito mais
tempo que outros europeus orientais — estavam partindo em rebanhos.
Poucos fragmentos podem ser colhidos de relatórios para Londres, embora,
em geral, os sinólogos fictícios na embaixada britânica fossem bastante
desinformados — e mal preparados também, sem qualquer conhecimento
aparente da coletivização e seus efeitos. Um escriba de baixo escalão com
experiência na União Soviética teria feito trabalho melhor. Exatamente o
oposto poderia ser dito do estafe dos serviços secretos em Taiwan, que
compilaram relatórios extremamente detalhados e criteriosos sobre cada
aspecto da fome para Chiang Kai-shek e para alguns poucos selecionados de
seus acólitos em boletins de inteligência regulares, que podem ser
encontrados no Departamento de Investigação em Hsin-tien, na periferia de
Taipé. Os Estados Unidos recusaram-se a acreditar em Chiang Kai-shek
(como mostram os relatórios da CIA), sem dúvida por temer que o
generalíssimo os arrastasse para uma invasão do continente. No entanto, uma
vez que os arquivos do partido na China são muito mais confiáveis, não usei
absolutamente nada desse material.
Diversas vezes por semana, a agência de imprensa oficial Xinhua
compilava um relatório de três a dez páginas chamado Referência Interna
(Neibu cankao), que era distribuído a funcionários em nível ministerial e mais
acima. Essa fonte empalidece em comparação com o material de arquivo,
porque era pesadamente censurada, mas, mesmo assim, contém fragmentos
de informação. Finalmente, algumas das memórias e recordações pessoais de
membros do partido, intérpretes, secretários e diplomatas podem ser úteis,
embora muitas sofram de autocensura e da falta de detalhes concretos. Um
lugar de honra deveria ser dado ao médico pessoal de Mao, Li Zhisui. Muito
pichado por alguns sinólogos por demasiado “sensacionalismo”, ele é um guia
muito confiável, cujas lembranças podem verificar-se, às vezes quase literalmente, nos arquivos do partido (uma observação também confirmada
por Lorenz Lüthi, que trabalhou extensivamente com documentos soviéticos;
ver Lorenz Lüthi, The Sino-Soviet Split: Cold War in the Communist World,
Princeton University Press, 2008, p. 354).
Usei um pequeno número de entrevistas para dar voz ocasionalmente a
pessoas comuns — embora, naturalmente, elas falem alto e rapidamente em
muitos documentos do partido, de pesquisas de opinião a relatórios policiais.
Cerca de cem entrevistadores foram orientados por pesquisadores
especificamente treinados por mim para este projeto durante vários anos,
frequentemente no formato a que os especialistas se referem como “insider
interviewing” [“entrevistador de dentro”], o que significa que os
entrevistadores falavam com pessoas do mesmo background social em seu
próprio dialeto, algumas vezes da mesma vila ou família, o que eliminou tanto
a presença de um entrevistador de fora (estrangeiro ou chinês urbano) quanto
de tradutor. Todas essas entrevistas foram transcritas e depositadas no Centro
de Serviços de Universidades para Estudos da China na Universidade Chinesa
de Hong Kong. Todos os nomes dos entrevistados, assim como os de um
pequeno número de pessoas que ainda podem estar vivas, foram colocados no
anonimato.
Finalmente, um breve comentário sobre fontes secundárias. Enquanto por
muitas décadas os melhores especialistas sobre a era maoista devessem ser
encontrados na Europa, Estados Unidos e Japão, o centro de gravidade
deslocou-se, decididamente, de volta para a China. Um pequeno, mas
crescente, conjunto de trabalho, tem sido publicado sobre fome por
historiadores que ocuparam seu tempo em coleções de arquivos muito
diferentes. Suas publicações nem sempre são bem-vindas na China e com
mais frequência aparecem em Hong Kong — cidade que emerge
rapidamente, uma vez mais, como interface-chave entre o continente e o
resto do mundo. Yu Xiguang é de longe o mais experiente historiador em
extrair informação vital dos arquivos, como ficou claro em sua soberba
antologia (Yu Xiguang, Dayuejin ku rizi: Shanghuji [O Grande Salto Adiante
e os anos amargos: Uma coleção de memórias], Hong Kong, Shidai chaoliu
chubanshe, 2005). Menção especial deve ser feita a Yang Jisheng, jornalista aposentado que foi um dos primeiros a usar as coleções de arquivos das
províncias (Yang Jisheng, Mubei: Zhongguo liushi niandai dajihuang jishi
[Lápide de madeira: uma história verdadeira sobre a Grande Fome na China
nos anos 60], Hong Kong: Tiandi tushu youxian gongsi, 2008. Seu trabalho
continua importante, em particular porque até agora poucos outros
historiadores foram capazes de pesquisar e publicar sobre a fome na província
de Henan. Mas seus dois volumes sofrem de inúmeras deficiências sérias. Os
que estão familiarizados com o material vão ver que o livro é mais uma
compilação de notas de fontes diferentes que um texto cuidadosamente
construído. Às vezes, se parece com uma miscelânea que simplesmente
amarra grandes pedaços de texto, alguns levantados da internet, alguns
poucos de fontes publicadas e outros transcritos de material de arquivo.
Documentos inestimáveis são misturados com narrativas irrelevantes, o que
torna difícil para o leitor perceber o que é importante devido à grande
quantidade de detalhes. Em alguns casos, o autor ficou apenas um ou dois
dias nos arquivos e passou ao largo de documentos mais vitais e abertamente
disponíveis. Esse é o caso do capítulo sobre Guangdong, que se apoia em uma
única pasta para a fome inteira. Mas, acima de tudo, não há “linha do tempo”,
isto é, inexiste a descrição cronológica dos acontecimentos: ao dispensar uma
narrativa histórica significativa e, em lugar disso, ficar pesadamente na
carência de grãos, o autor perde uma importante dimensão do desastre. Mais
sólido é o livro magistral de Lin Yunhui, essencial para traçar o
desenvolvimento do Grande Salto Adiante. Enquanto se apoia em sua maior
parte em fontes publicadas e esteja preocupado unicamente com a política da
corte, seu simples escopo e fôlego de análise, supera todos os outros livros de
ciência política sobre o assunto (Lin Yunhui, Wutuobang yundong: Cong
dayuejin dao dajihuang, 1958–1961 [Movimento utópico: do Grande Salto
Adiante à Grande Fome, 1958–1961], Hong Kong: Xianggang zhongwen
daxue dangdai Zhongguo wenhua yanjiu zhongxin, 2008). Por último, mas
não menos importante, o trabalho de Gao Wangling sobre as formas de
resistência camponesa durante a fome é um modelo de originalidade e
percepção, e foi uma grande inspiração para este livro (Gao Wangling,
Renmin gongshe shiqi Zhongguo nongmin “fanxingwei” diaocha [Atos de resistência camponesa na China durante as comunas do povo], Pequim:
Zhonggong dangshi chubanshe, 2006).
Muito da literatura em inglês sobre a fome parece agora bastante
antiquado, mas leitores interessados em política das elites vão apreciar a
leitura de The Origins of the Cultural Revolution: The Great Leap Forward,
1958–1960, de Roderick MacFarquhar, Nova York: Columbia University
Press, 1983. Mais recente é Alfred Chan, cuja análise sobre como a visão de
Mao foi realmente implementada em Guangdong continua insuperável
(Alfred L. Chan, Mao’s Crusade: Politics and Policy Implementation in China’s
Great Leap Forward, Oxford: Oxford University Press, 2001). Existem alguns
estudos bons sobre aldeias baseados em entrevistas, embora, naturalmente,
eles tendam a se apoiar nas palavras daqueles que sobreviveram, deixando os
mortos sem voz. Um exemplo recente é Catastrophe and Contention in Rural
China: Mao’s Great Leap Forward Famine and the Origins of the Righteous
Resistance in Da Fo Village, Nova York: Cambridge University Press, 2008. O
relato de Jasper Becker sobre a fome permanece muito legível (Jasper Becker,
Hungry Ghosts: Mao’s Secret Famine, Nova York: Henry Holt, 1996). Outros
autores cujo trabalho tocaram na fome incluem David Bachman,
Bureaucracy, Economy, and Leadership in China: The Institutional Origins of
the Great Leap Forward, Cambridge: Cambridge University Press, 1991;
Thomas P. Bernstein, “Mao Zedong and the Famine of 1959–1960: A Study in
Wilfulness”, China Quarterly, no. 186 (Jun. 2006), p. 421–45 e “Stalinism,
Famine and Chinese Peasants: Grain Procurements During the Great Leap
Forward”, Theory and Society, vol. 13 (Mai. 1984), p. 339 — 77; Edward
Friedman, Paul G. Pickowicz e Mark Selden com Kay Ann Johnson, Chinese
Village, Socialist State, New Haven: Yale University Press, 1991; Jean-Luc
Domenach, The Origins of The Great Leap Forward: The Case of One Chinese
Province, Boulder: Westview Press, 1995; Penny Kane, Famine in China,
1959-61: Demographic and Social Implications, Basingstoke: Macmillan, 1988;
MacFarquhar, Roderick, The Origins of the Cultural Revolution, vol. 3: The
Coming of the Cataclysm, 1961–1966, Nova York: Columbia University Press,
1999; Frederick C. Teiwes e Warren Sun, China’s Road to Disaster: Mao,
Central Politicians and Provincial Leaders in the Unfolding of the Great Leap Forward, 1955–1959, Armonk, NY: M. E. Sharpe, 1999; Dali L. Yang,
Calamity and Reform in China: State, Rural Society, and Institutional Change
since the Great Leap Famine, Stanford: Stanford University Press, 1996.
Outros estudos úteis estão listados na Bibliografia Selecionada.