A Grande Fome de Mao

Frank Dikötter · Capítulo 42 de 43

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A Grande Fome de Mao

Um Ensaio Sobre as Fontes

 

A maior parte das fontes vem de arquivos do partido na China e algumas

palavras sobre isso podem ajudar o leitor a compreender melhor as bases

sobre as quais este livro se assenta. Em um Estado de partido único, os

arquivos não pertencem ao público, pertencem ao partido. Com frequência

estão instalados em um edifício especial nas dependências do comitê local do

partido, em geral em terrenos exuberantes e cuidadosamente tratados,

vigiados por soldados. O acesso aos arquivos é estritamente regulamentado e

teria sido impensável uma década atrás mais ou menos, mas, nos últimos

anos, quantidades crescentes de documentos de mais de trinta anos se

tornaram disponíveis para consultas por leitores com uma carta de

recomendação. A extensão e a qualidade do material variam de lugar para

lugar, mas, em geral, a maior parte das coleções distingue entre “aberto”, ou

não confidencial, e “fechado”, ou arquivos controlados, material

verdadeiramente sensível que permanece fora do alcance, exceto dos olhos

dos mais graduados membros do partido. O próprio fato de essa distinção

afastar do escrutínio da maioria dos historiadores uma grande proporção de

informação vital indica que este livro foi escrito com material relativamente

“leve”: os futuros historiadores, esperamos, serão capazes de revelar a escala

real do que aconteceu com base em arquivos completamente abertos.

Outra complicação se apresenta no fato de que, à exceção do Ministério

das Relações Exteriores, a maioria dos arquivos centrais é de acesso

extremamente difícil. Por isso, a maior parte dos historiadores tende a se

apoiar em coleções provinciais e dos condados. Embora uma boa dúzia de arquivos de cidades e condados tenham sido usados neste trabalho, a maioria

do material vem de dez arquivos provinciais (listados na Bibliografia

Selecionada), escolhidos em ampla medida com base em sua acessibilidade.

Até agora, que seja do meu conhecimento, nenhum historiador foi capaz de

trabalhar com a era maoista nos arquivos provinciais de Anhui; a coleção em

Henan também continua altamente restrita, e, mesmo que fosse concedido, o

acesso continuaria pouco significativo, pois apenas os documentos mais

banais seriam entregues ao pesquisador, frequentemente em quantidades

aflitivamente pequenas. Outras coleções, ao contrário, têm sido

gradativamente abertas e minha seleção representa um bom leque de

províncias em termos de densidade populacional (Shandong versus Gansu),

severidade da fome (Sichuan em um extremo, Zhejiang no outro) e

localização geográfica (de Hebei, no norte, a Guangdong, no sul).

Os arquivos dentro de cada coleção provincial refletem a estrutura da

maquinaria do partido e, muitas vezes, são divididos em grupos menores, de

acordo com a instituição a que pertenciam — por exemplo, o Departamento

para Higiene ou o Departamento para Florestas. O que o historiador

encontra, então, é um material com frequência extremamente diversificado,

muito mais do que, na verdade, o puro termo “arquivos” sugere. Há cartas

escritas por pessoas comuns, pesquisas da Federação de Sindicatos da China

sobre as condições de trabalho em fábricas, investigações do Departamento

de Segurança Pública sobre casos de corrupção, roubo, assassinato, incêndio

proposital e assaltos a celeiros, comprovação detalhada de abusos cometidos

por quadros locais, compilada por equipes especiais enviadas durante

campanhas de retificação, relatórios gerais sobre resistência camponesa

durante a campanha de coletivização, pesquisas de opinião secretas. E muito

mais.

A imensa variedade de material é, apesar de tudo, de procedência oficial.

Até as cartas escritas por agricultores e trabalhadores comuns teriam sido

selecionadas para algum propósito oficial, e temos pouca alternativa a não ser

olhar a vida diária sob o prisma do Estado. Essa observação, naturalmente, é

verdadeira para todos os arquivos estatais, incluindo os da Alemanha de

Hitler e da Rússia de Stalin. Isso não significa que não possamos lê-los de forma diferente da que seria esperada. Finalmente, qualquer historiador que

mereça esse nome saberá como avaliar a autoria de relatórios oficiais, a

audiência a que se destinam, o contexto institucional que os engendrou e as

condições de sua produção. Os historiadores estão sintonizados com as

complicações que resultam da distorção da realidade social pela retórica

oficial, na medida em que expressões como “sabotagem”, “negligência”,

“traição”, “inimigo do povo” e “excessos esquerdistas” obscurecem o que

aconteceu. Mesmo assim, a pura variedade e abundância de informes sobre

resistência demonstra a persistência das estratégias rurais de sobrevivência,

enquanto o Estado em si mesmo era uma organização complexa e espalhada

que dificilmente falou alguma vez — ou informou — a uma só voz.

Exatamente como líderes seniores como Peng Dehuai e Mao Tsé-tung se

chocavam em suas descobertas sobre o Grande Salto Adiante, indivíduos

diferentes, unidades e organizações variavam enormemente na maneira como

informavam o que encontravam em campo.

Arquivos provinciais não apenas são bem mais ricos que as coleções

menores que podem ser encontradas em condados, cidades ou até aldeias,

mas também tendem a conservar cópias de documentos importantes que lhes

eram mandados de cima, principalmente de Pequim, ou de baixo: por

exemplo, quando condados informavam sobre assuntos importantes, como

escassez de grãos ou colapso de uma barragem. No labirinto burocrático da

China comunista, um documento dificilmente era “único”, no sentido em que

cópias eram feitas e circulavam em muitas instituições que podiam alegar ter

interesse no caso em questão. Muitos dos relatórios compilados por equipes

de trabalho, por exemplo, teriam sido enviados para várias dúzias de

membros do partido. Um documento central importante era distribuído para

cada província e condado, enquanto material mais sensível podia ser copiado

apenas para os primeiros secretários de cada província. Em outras palavras,

uma riqueza de material que não necessariamente faz parte da região em

questão pode ser encontrada em coleções provinciais, incluindo-se minutas

de discursos e encontros no mais alto nível. Essas minutas podem variar

consideravelmente, pois foram escritas por pessoas diferentes, algumas vezes

extraídas de gravações em fita. Algumas são mais detalhadas que outras. Tentei tornar tão fácil quanto possível para o leitor interessado descobrir a

procedência de cada documento. Nas notas, o primeiro número dos dados de

localização do arquivo se refere à coleção geral, cujo nome é fornecido na

relação de arquivos no fim deste livro. Por exemplo, “Hunan, 6 out. 1962,

207–1–750, p. 44–9” indica que o documento está contido em uma pasta dos

arquivos provinciais de Hunan, na coleção 207, que representa o

Departamento para Conservação da Água e Hidreletricidade.

O que aconteceu no nível mais alto, dentro dos corredores do poder em

Pequim? Até agora, para entender os políticos da corte sob Mao, os

historiadores se apoiaram em publicações oficiais, documentos internos

(neibu) ou material da Guarda Vermelha liberado durante a Revolução

Cultural. Ao contrário, prefiro usar material de arquivo tanto quanto possível

e faço isso por três razões. A primeira, frases ou parágrafos inteiros foram

suprimidos dos discursos publicados de líderes seniores, em particular, mas,

não somente, do material da Guarda Vermelha. Existem incontáveis

exemplos de pequenas mudanças estilísticas ou excisões editoriais mais

profundas e elas mudam o sentido geral de muitos desses discursos. A

segunda razão, minutas de reuniões inteiras foram censuradas, ou

oficialmente, no continente, ou no material da Guarda Vermelha

contrabandeado para fora da China durante a Revolução Cultural. E a

terceira, enquanto historiadores têm dado bastante peso a encontros que

membros da liderança do partido mais tarde comentaram, eventos e decisões

cruciais têm sido simplesmente ignorados ou censurados, até nas — se não

fosse por isso — muito confiáveis biografias oficiais de líderes, publicadas por

historiadores com acesso aos Arquivos Centrais em Pequim. Esse é o caso,

como vimos, do encontro no Hotel Jinjiang, em Xangai, em 25 de março de

1959, em que Mao sugeriu que um terço de todo o grão deveria ser

requisitado para atender aos compromissos externos.

Em resumo, todo o registro da era maoista que se reflete em fontes oficiais

publicadas internamente é um exercício habilidoso de ofuscação e, como tal,

base inadequada para a pesquisa histórica. Essa opinião bastante cética é

confirmada por uma biografia recente de Chu En-lai por Gao Wenqian. Gao,

um historiador do partido que trabalhou nos Arquivos Centrais em Pequim durante muitos anos, contrabandeou suas anotações para fora da China antes

de fugir para os Estados Unidos. O premiê descrito na biografia pioneira de

Gao é substancialmente diferente da figura icônica a que a maioria de nós está

acostumada (Gao Wenqian, Zhou Enlai: The Last Perfect Revoltionary, Nova

York: PublicAffairs, 2007 [Zhou Enlai: o último revolucionário perfeito. Rio de

Janeiro: Record, 2012]). No entanto, tendo essas deficiências em mente,

consideramos que qualquer coisa publicada pelo Escritório Central de

Pesquisa de Documentos (Zhongyang wenxian yanjiu shi), incluindo suas

volumosas e cuidadosamente referenciadas biografias de líderes, é de valor

inestimável. O problema com essas publicações é o vasto volume de

informação crucial que foi deliberadamente excluído. O mesmo pode ser dito

dos manuscritos de Mao pós-1949, publicados em uma dúzia de volumes,

como Mao Tsé-tung, Jianguo yilai Mao Zedong wengao (Manuscritos de Mao

Tsé-tung desde a fundação da República Popular da China), Pequim:

Zhongyang wenxian chubanshe, 1987–96.

A China, como todos os Estados comunistas, tem uma burocracia extensa,

em que a atenção obsessiva a detalhes diminutos — mesmo em meio à

pobreza disseminada — pode atingir dimensões absurdas, mas nem todo

pedaço de papel termina cuidadosamente preservado em um arquivo.

Fábricas, unidades do governo, até cortes de Justiça e a polícia às vezes jogam

fora seus fichários quando se mudam para novas instalações. Parte desses

documentos — confissões, relatos, diretrizes, permissões e certificados de

toda sorte — termina nos brechós deliciosamente caóticos de Guangzhou,

Xangai ou Pequim. Em muitos fins de semana, quando os arquivos estão

fechados, peneirei papéis poeirentos: alguns estavam em maços espalhados

sobre um cobertor, com o dono acocorado em uma pilha de jornais velhos;

outros são exibidos em mesas improvisadas entre objetos antigos, cartões-

postais, revistas e selos. Formei uma pequena coleção de documentos (bem

como uma pilha de cupons de ração de todos os formatos e cores, pois eles

são um dos pouquíssimos artefatos da burocracia que sobreviveram à fome),

mas citei muito poucos deles e apenas quando nada equivalente existe nos

arquivos oficiais do partido.

Uma pequena proporção das provas vem de arquivos estrangeiros, em particular da Rússia e da Alemanha Oriental, os dois países mais próximos da

China na época. De modo geral, eles são úteis para reconstruir o comércio

exterior e aspectos da política da época, embora sejam bem mais limitados

quando se referem a observações sobre a vida diária. Muitos conselheiros

estavam confinados às cidades e, por volta de 1960, até os alemães orientais —

que permaneceram simpáticos ao Grande Salto Adiante por muito mais

tempo que outros europeus orientais — estavam partindo em rebanhos.

Poucos fragmentos podem ser colhidos de relatórios para Londres, embora,

em geral, os sinólogos fictícios na embaixada britânica fossem bastante

desinformados — e mal preparados também, sem qualquer conhecimento

aparente da coletivização e seus efeitos. Um escriba de baixo escalão com

experiência na União Soviética teria feito trabalho melhor. Exatamente o

oposto poderia ser dito do estafe dos serviços secretos em Taiwan, que

compilaram relatórios extremamente detalhados e criteriosos sobre cada

aspecto da fome para Chiang Kai-shek e para alguns poucos selecionados de

seus acólitos em boletins de inteligência regulares, que podem ser

encontrados no Departamento de Investigação em Hsin-tien, na periferia de

Taipé. Os Estados Unidos recusaram-se a acreditar em Chiang Kai-shek

(como mostram os relatórios da CIA), sem dúvida por temer que o

generalíssimo os arrastasse para uma invasão do continente. No entanto, uma

vez que os arquivos do partido na China são muito mais confiáveis, não usei

absolutamente nada desse material.

Diversas vezes por semana, a agência de imprensa oficial Xinhua

compilava um relatório de três a dez páginas chamado Referência Interna

(Neibu cankao), que era distribuído a funcionários em nível ministerial e mais

acima. Essa fonte empalidece em comparação com o material de arquivo,

porque era pesadamente censurada, mas, mesmo assim, contém fragmentos

de informação. Finalmente, algumas das memórias e recordações pessoais de

membros do partido, intérpretes, secretários e diplomatas podem ser úteis,

embora muitas sofram de autocensura e da falta de detalhes concretos. Um

lugar de honra deveria ser dado ao médico pessoal de Mao, Li Zhisui. Muito

pichado por alguns sinólogos por demasiado “sensacionalismo”, ele é um guia

muito confiável, cujas lembranças podem verificar-se, às vezes quase literalmente, nos arquivos do partido (uma observação também confirmada

por Lorenz Lüthi, que trabalhou extensivamente com documentos soviéticos;

ver Lorenz Lüthi, The Sino-Soviet Split: Cold War in the Communist World,

Princeton University Press, 2008, p. 354).

Usei um pequeno número de entrevistas para dar voz ocasionalmente a

pessoas comuns — embora, naturalmente, elas falem alto e rapidamente em

muitos documentos do partido, de pesquisas de opinião a relatórios policiais.

Cerca de cem entrevistadores foram orientados por pesquisadores

especificamente treinados por mim para este projeto durante vários anos,

frequentemente no formato a que os especialistas se referem como “insider

interviewing” [“entrevistador de dentro”], o que significa que os

entrevistadores falavam com pessoas do mesmo background social em seu

próprio dialeto, algumas vezes da mesma vila ou família, o que eliminou tanto

a presença de um entrevistador de fora (estrangeiro ou chinês urbano) quanto

de tradutor. Todas essas entrevistas foram transcritas e depositadas no Centro

de Serviços de Universidades para Estudos da China na Universidade Chinesa

de Hong Kong. Todos os nomes dos entrevistados, assim como os de um

pequeno número de pessoas que ainda podem estar vivas, foram colocados no

anonimato.

Finalmente, um breve comentário sobre fontes secundárias. Enquanto por

muitas décadas os melhores especialistas sobre a era maoista devessem ser

encontrados na Europa, Estados Unidos e Japão, o centro de gravidade

deslocou-se, decididamente, de volta para a China. Um pequeno, mas

crescente, conjunto de trabalho, tem sido publicado sobre fome por

historiadores que ocuparam seu tempo em coleções de arquivos muito

diferentes. Suas publicações nem sempre são bem-vindas na China e com

mais frequência aparecem em Hong Kong — cidade que emerge

rapidamente, uma vez mais, como interface-chave entre o continente e o

resto do mundo. Yu Xiguang é de longe o mais experiente historiador em

extrair informação vital dos arquivos, como ficou claro em sua soberba

antologia (Yu Xiguang, Dayuejin ku rizi: Shanghuji [O Grande Salto Adiante

e os anos amargos: Uma coleção de memórias], Hong Kong, Shidai chaoliu

chubanshe, 2005). Menção especial deve ser feita a Yang Jisheng, jornalista aposentado que foi um dos primeiros a usar as coleções de arquivos das

províncias (Yang Jisheng, Mubei: Zhongguo liushi niandai dajihuang jishi

[Lápide de madeira: uma história verdadeira sobre a Grande Fome na China

nos anos 60], Hong Kong: Tiandi tushu youxian gongsi, 2008. Seu trabalho

continua importante, em particular porque até agora poucos outros

historiadores foram capazes de pesquisar e publicar sobre a fome na província

de Henan. Mas seus dois volumes sofrem de inúmeras deficiências sérias. Os

que estão familiarizados com o material vão ver que o livro é mais uma

compilação de notas de fontes diferentes que um texto cuidadosamente

construído. Às vezes, se parece com uma miscelânea que simplesmente

amarra grandes pedaços de texto, alguns levantados da internet, alguns

poucos de fontes publicadas e outros transcritos de material de arquivo.

Documentos inestimáveis são misturados com narrativas irrelevantes, o que

torna difícil para o leitor perceber o que é importante devido à grande

quantidade de detalhes. Em alguns casos, o autor ficou apenas um ou dois

dias nos arquivos e passou ao largo de documentos mais vitais e abertamente

disponíveis. Esse é o caso do capítulo sobre Guangdong, que se apoia em uma

única pasta para a fome inteira. Mas, acima de tudo, não há “linha do tempo”,

isto é, inexiste a descrição cronológica dos acontecimentos: ao dispensar uma

narrativa histórica significativa e, em lugar disso, ficar pesadamente na

carência de grãos, o autor perde uma importante dimensão do desastre. Mais

sólido é o livro magistral de Lin Yunhui, essencial para traçar o

desenvolvimento do Grande Salto Adiante. Enquanto se apoia em sua maior

parte em fontes publicadas e esteja preocupado unicamente com a política da

corte, seu simples escopo e fôlego de análise, supera todos os outros livros de

ciência política sobre o assunto (Lin Yunhui, Wutuobang yundong: Cong

dayuejin dao dajihuang, 1958–1961 [Movimento utópico: do Grande Salto

Adiante à Grande Fome, 1958–1961], Hong Kong: Xianggang zhongwen

daxue dangdai Zhongguo wenhua yanjiu zhongxin, 2008). Por último, mas

não menos importante, o trabalho de Gao Wangling sobre as formas de

resistência camponesa durante a fome é um modelo de originalidade e

percepção, e foi uma grande inspiração para este livro (Gao Wangling,

Renmin gongshe shiqi Zhongguo nongmin “fanxingwei” diaocha [Atos de resistência camponesa na China durante as comunas do povo], Pequim:

Zhonggong dangshi chubanshe, 2006).

Muito da literatura em inglês sobre a fome parece agora bastante

antiquado, mas leitores interessados em política das elites vão apreciar a

leitura de The Origins of the Cultural Revolution: The Great Leap Forward,

1958–1960, de Roderick MacFarquhar, Nova York: Columbia University

Press, 1983. Mais recente é Alfred Chan, cuja análise sobre como a visão de

Mao foi realmente implementada em Guangdong continua insuperável

(Alfred L. Chan, Mao’s Crusade: Politics and Policy Implementation in China’s

Great Leap Forward, Oxford: Oxford University Press, 2001). Existem alguns

estudos bons sobre aldeias baseados em entrevistas, embora, naturalmente,

eles tendam a se apoiar nas palavras daqueles que sobreviveram, deixando os

mortos sem voz. Um exemplo recente é Catastrophe and Contention in Rural

China: Mao’s Great Leap Forward Famine and the Origins of the Righteous

Resistance in Da Fo Village, Nova York: Cambridge University Press, 2008. O

relato de Jasper Becker sobre a fome permanece muito legível (Jasper Becker,

Hungry Ghosts: Mao’s Secret Famine, Nova York: Henry Holt, 1996). Outros

autores cujo trabalho tocaram na fome incluem David Bachman,

Bureaucracy, Economy, and Leadership in China: The Institutional Origins of

the Great Leap Forward, Cambridge: Cambridge University Press, 1991;

Thomas P. Bernstein, “Mao Zedong and the Famine of 1959–1960: A Study in

Wilfulness”, China Quarterly, no. 186 (Jun. 2006), p. 421–45 e “Stalinism,

Famine and Chinese Peasants: Grain Procurements During the Great Leap

Forward”, Theory and Society, vol. 13 (Mai. 1984), p. 339 — 77; Edward

Friedman, Paul G. Pickowicz e Mark Selden com Kay Ann Johnson, Chinese

Village, Socialist State, New Haven: Yale University Press, 1991; Jean-Luc

Domenach, The Origins of The Great Leap Forward: The Case of One Chinese

Province, Boulder: Westview Press, 1995; Penny Kane, Famine in China,

1959-61: Demographic and Social Implications, Basingstoke: Macmillan, 1988;

MacFarquhar, Roderick, The Origins of the Cultural Revolution, vol. 3: The

Coming of the Cataclysm, 1961–1966, Nova York: Columbia University Press,

1999; Frederick C. Teiwes e Warren Sun, China’s Road to Disaster: Mao,

Central Politicians and Provincial Leaders in the Unfolding of the Great Leap Forward, 1955–1959, Armonk, NY: M. E. Sharpe, 1999; Dali L. Yang,

Calamity and Reform in China: State, Rural Society, and Institutional Change

since the Great Leap Famine, Stanford: Stanford University Press, 1996.

Outros estudos úteis estão listados na Bibliografia Selecionada.