A Guerra dos Fae: Luz e Trevas
Capítulo 7
FALEI COMO SE NADA DE ESTRANHO ESTIVESSE acontecendo. O brilho de m eu anel se espalhava pelo salão, batendo no teto de pedra sobre nós, refletindo nas paredes e ilum inando toda a sala com um a suave luz verde.
– Vocês têm a oportunidade de acolher Tony em nossa com unidade Fae da Luz. Para isso, precisam rever a lei e perm itir que ele aceite a m udança, m esm o que j á a tenha recusado um a vez. Não se enganem – passei o olhar por todos os m em bros do Conselho e depois m e voltei para os fae reunidos. – Se vocês m antiverem a lei com o ela é, vou em bora deste lugar e nunca m ais volto. Terei prazer em m e tornar um dos Fae das Trevas se vocês m e m ostrarem hoj e que eles querem a m im e a Tony m ais que vocês. – Olhei para eles com noj o. – Não fico onde não m e querem .
Virei-m e e j oguei o anel em direção do Conselho sem m e im portar com quem o apanharia; o brilho desapareceu im ediatam ente depois que o anel deixou m inha m ão. Céline, a elfa prateada, que foi a prim eira a m e treinar e tam bém quem inicialm ente m e entrevistou quando eu ainda vivia com o hum ana na Flórida, estendeu a m ão e o pegou no ar. Ela olhou para m im com um a expressão perplexa.
Meu dedo ficou m ais leve no lugar onde ficava o am uleto antes. Era um cristal pesado em form a de pirâm ide, preso ao anel de prata por pequenas garras de ouro. Era o am uleto que eu usara para m e transform ar de hum ana em fae. Todo o m undo havia devolvido seus am uletos depois de falar as palavras que iniciavam a transform ação, m as Dardennes m e dissera para m anter o m eu. Eu m e senti um pouco nua sem ele. Queria saber se era o anel que m e m antinha ligada a m eu poder, então, estendi a m ão em um a tentativa de alcançar O Verde. Foi um alívio encontrar seu m urm úrio acolhedor ainda esperando por m im , querendo se conectar. Não m e deixei levar, contudo, porque ainda tinha que fazer m inha saída triunfal.
– Vam os, Tony. Vam os dar o fora dessa m aldita bancada.
Andei em direção ao corredor central, puxando-o atrás de m im .
– Espere! – gritou Dardennes, alto, para ser ouvido acim a do tum ulto criado por um a sala cheia de fae putos da vida.
Parei e Tony quase m e atropelou. Ele sussurrou desculpas. Eu podia sentir Chase atrás de nós tam bém . Fiquei aliviada ao saber que Dardennes não ia m e deixar sair sozinha arrastando Tony atrás de m im . Voltei-m e de novo para o Conselho.
– Jay ne – com eçou ele sorrindo pacientem ente para m im –, não creio que você perceba a m agnitude de seu pedido a este Conselho.
Várias cabeças assentiam na m esa principal.
– Oh, não – disse eu em voz alta –, acredite, eu percebo. Estou pedindo que levantem suas bundas da cadeira e acordem para o que está acontecendo do lado de fora destas paredes. Mas posso ver que estão m uito presos ao passado, m uito ocupados ignorando os sinais óbvios ao seu redor. Tudo bem , que sej a! Vou para um lugar onde m eus talentos e contribuições sej am apreciados.
Isso deixou a todos em polvorosa, especialm ente o velhote que era tão crítico em relação a m im .
– Ela não tem absolutam ente nenhum respeito por este Conselho ou pelos Fae da Luz. Deixem -na ir!
– Não! – disse um a voz no fundo da sala.
Eu observava, atônita, enquanto Jared se dirigia a passos largos ao corredor central.
– Vocês não podem deixá-la ir. Ela é um a aliada valiosa.
– Jared! O que você está dizendo? – perguntou o velho, surpreso, em um tom m agoado, com o se houvesse sido traído.
Claram ente, ele não estava feliz com o envolvim ento de Jared nessa história.
– Estou dizendo que eu estive lá fora, na linha de frente, recrutando para os Fae da Luz, reunindo candidatos para a m udança. E eu vi em prim eira m ão que m uitos Fae das Trevas estão ocupados fazendo a m esm a coisa. Mas eles não são tão seletivos e estão construindo suas forças m uito m ais rápido que nós. Precisam os de todos que puderm os conseguir; então, deixar alguém ... talentoso... com o Jay ne ir em bora seria um grande erro, em m inha opinião. Um erro que acabaria por se voltar contra nós.
– Eu concordo – disse Gregale, falando alto para ser ouvido. – Na verdade, todos os elfos cinzentos concordam . Nós tem os recursos m uito lim itados. Em bora fôssem os prim eiram ente contra a ideia de envolver crianças trocadas nos com bates contra os Fae das Trevas e suas tentativas sem pre persistentes de subm eter nossos am igos hum anos a seus proj etos. Há algum tem po nossa m ente com eçou a m udar a esse respeito, em grande parte por causa das coisas que Jay ne e seus am igos se m ostraram capazes de fazer. Sem eles, estaríam os perdendo um a parte significativa e vital de nosso arsenal.
Meu coração disparou. Jared e os elfos cinzentos eram fae im portantes e respeitados. E eles m e pareciam inteligentes para caram ba agora.
Então, Robin, d’O Verde, um elfo verde com o m eu am igo Finn, levantou-se.
– Mem bros do Conselho... Com panheiros fae... Os elfos verdes concordam por unanim idade. Nós não querem os enfrentar nossa Mãe no cam po de batalha. Nós lutam os com ela, e não contra ela. Vam os aonde ela for.
Essas palavras ditas pelo líder dos elfos verdes causaram o m aior alvoroço provavelm ente j á visto naquela sala de reuniões. Os fae foram se levantando de suas cadeiras, gritando e gesticulando. As bruxas, na parte de trás da assem bleia, balançavam seus caj ados no alto am eaçadoram ente, e os m em bros do Conselho só ficaram sentados ali, estupefatos. Um grupo de ogros subiu na plataform a onde ficava a m esa principal, posicionando-se atrás do Conselho e ficando em pé ali com o im pressionantes e assustadores seguranças, só com o precaução para o caso de algum fae arruaceiro decidir se exceder. Eu sabia exatam ente o que todos estavam pensando: com o eles poderiam segurar os Fae das Trevas se todos os seus elfos verdes guerreiros fossem em bora?
Os elfos verdes haviam j ogado duro. Eles eram os guerreiros nobres e poderosos da Floresta Verde. Sem eles, os Fae da Luz seriam alvos fáceis naquele com plexo. Olhei para Robin, tentando colocar em m eu olhar toda a gratidão e o apreço que sentia. Então, decidi que poderia fazer ainda m elhor. Enfiei a m ão n’O Verde, peguei um punhado de poder e o lancei a m eu am igo Robin, esperando que ele sentisse. Tenho certeza de que ele sentiu, porque vi seu olhar atordoado por um segundo, e tam bém o sorriso que irrom peu em seu rosto. Ele m e encarou e colocou a m ão sobre o coração, em um a saudação de elfo verde. Eu assenti. Ninguém ainda m e cham ava de Mãe oficialm ente, m as isso não im pedia que os elfos verdes acreditassem nisso. Eu é que não ia discutir com eles nesse m om ento. Eu precisava de seu apoio e não prescindiria de usar O Verde para obtê-lo. Faria o que tivesse que fazer.
Ouvi a voz de Jared gritando no m eio do tum ulto.
– Chase, o dem ônio, e eu ficam os com Jay ne. Vam os para onde ela for!
A balbúrdia dos fae tornou-se ainda m ais alta. Era com o um trovão ecoando pelo com plexo. Tony apertou m inha m ão e eu retribuí o gesto.
Então, Spike e seu treinador Valentine cam inharam até o corredor central, com Finn logo atrás. Foi Spike quem gritou.
– Os íncubos ficam com Jay ne! Nós tam bém vam os aonde ela for!
Eles pararam a m inha frente, no final do corredor central.
Os m em bros do Conselho j á estavam em pé. Mesm o os m uito velhos, tão curvados que tinham dificuldade de olhar reto para qualquer coisa, exceto o chão à frente de seus pés. Todo o m undo gesticulava e gritava. Eu podia ver gotículas de saliva saindo da boca do velho que estivera m e questionando.
Não sei exatam ente quando com eçou, m as logo tom ei consciência das m isteriosas ondas sonoras que se infiltravam pelos sons raivosos em torno de m im , e o barulho da m ultidão tornou-se quase que um eco de um pensam ento. Em poucos segundos, a única coisa que eu podia ouvir – a única coisa que eu queria ouvir – era esse novo som . Era um a canção, talvez? A voz de um a pessoa? Eu não saberia dizer. Só sabia que estava m e puxando, deixando-m e com vontade de ouvir m ais.
Em transe, vi um a figura branca que flutuava pelo corredor em direção a m im . Todos os olhos se voltaram para ver seu avanço. Era um a m ulher. Sua boca estava aberta, a m úsica encantadora que ouvíam os provinha dela. Senti um a m ão em m eu braço e olhei para ver quem estava m e tocando. Era Chase – o único que parecia não ser afetado pela voz.
– Jay ne, é a sereia. Concentre-se em m inha voz. Não olhe para ela.
O azul dos olhos de Chase, seu aperto forte em m eu braço e em seguida sua voz grave tiraram -m e do transe. Mas que diabos? Eu m e sacudi m entalm ente para lim par a névoa de m eu cérebro.
A m úsica parou. A m ultidão, que estava na im inência de um m otim , agora estava com pletam ente silenciosa. Seria possível ouvir um a gota de marshmallow caindo naquele salão. Em pé ao m eu lado estava a Dam a do Lago – um a sedutora, astuciosa e m aldita sereia desonesta quando queria, o que eu havia descoberto em algum as ocasiões.
Ela abriu a boca e todo o m undo caiu em um silêncio confuso, esperando para ouvir o que ela tinha a dizer. Sua voz era quase tão assustadora quanto sua m úsica.
– As sereias e os espíritos da água estão com Jay ne. Nós vam os aonde ela for.
Becky, então, cam inhou até o corredor para se j untar a nós. O espaço em frente à m esa principal j á estava lotado.
Os fae reunidos na plateia voltaram a gritar; m as, dessa vez, era um a m elodia diferente.
– Os elfos cinzentos estão com Jay ne! Nós vam os aonde ela for!
– Os elfos de prata ficam com Jay ne! Estam os onde ela estiver!
– Os espíritos de m adeira apoiam Jay ne!
– Os anões estão com Jay ne!
E assim continuou – todas as raças fae se aliando a m inha causa.
Meu coração estava tão pleno que tive m edo de que explodisse ali m esm o, na frente de todo o m undo. Lágrim as surgiram em m eus olhos, ainda m ais quando tentei segurá-las. Sequei os olhos rapidam ente, esperando que ninguém notasse. Olhei para Tony e seus olhos brilhavam tam bém .
Ele se inclinou e sussurrou para m im .
– Agora entendo, Jay ne. Entendo totalm ente.
Minha vida havia dado um giro com pleto. Eu havia deixado de ser ninguém , invisível, para m e tornar alguém que ninguém queria perder. Se antes eu tinha dúvidas sobre ser fae, agora haviam desaparecido com pletam ente.
Voltei-m e para olhar o Conselho; todos j á haviam retom ado seus assentos. Enchi o peito e ergui a cabeça, ficando o m ais aprum ada que pude. Olhei para o velho, o único que parecia falar pelo Conselho; as lágrim as ainda brilhavam em m eus olhos.
– Então, o que vai ser, Conselho? Meu am igo Tony pode aceitar a m udança ou não?
O velho olhou para a esquerda e para a direita, recebendo gestos de assentim ento dos outros m em bros.
Ele se voltou para m im , obviam ente chateado, m as incapaz de fazer qualquer coisa a respeito.
– Os fae falaram . O Conselho ouviu seus desej os. Concederem os um a dispensa especial da nossa legislação, o que significa que será oferecida um a segunda oportunidade de aceitar a m udança, m as apenas para essa criança trocada em potencial, Tony, e para nenhum a outra. O Conselho está dispensado.