A Guerra dos Fae: Luz e Trevas
Capítulo 19
TONY ESTAVA DEITADO DE COSTAS NO CHÃO a m eu lado no Prado Infinito. Scrum sentou ao lado, observando a nós e à m argem da floresta, que não ficava m uito longe. Tim descansava em m eu peito, perto de m eu pescoço, em silêncio pelo m enos.
– Só para constar, gente, eu não gosto disso – disse Scrum .
Suspirei.
– Não gosta de quê? De Tony ir para o Cinza? Do prado? Do quê?
– Deste lugar. Algo parece... desligado.
Eu não deveria duvidar de seu radar de dem ônio, porque ele havia sido capaz de perceber quando eu estava em apuros com Spike antes, m as j á havia estado ali várias vezes para treinam ento e outras coisas e nunca tive nenhum problem a. Era um belo dia – o sol brilhava, o céu estava azul, e nuvens enorm es e m acias flutuavam lentam ente sobre nós. Havia até um a brisa suave que bagunçava m eu cabelo em volta do rosto. Claro que o cabelo de Scrum não se m exeu, um a vez que não havia sido lavado, tipo, nunca.
– Relaxe, cabeça de gnom o, nós vam os ficar bem . Seu radar, quer dizer, demoniodar, deve estar falhando. Fique de olho nos caras m aus.
– É o que pretendo. E só para você saber, m eu daedar, é assim que se cham a, nunca teve um a falha. Vou ficar bem aqui, e se eu disser para você entrar, basta concordar e não discutir.
Ele nos lançou o olhar m ais sério que j á foi capaz de fazer, acho.
– Juro por Deus – disse eu, revirando os olhos.
Tony olhou para m im e falou em voz baixa:
– Você não deve m esm o dificultar as coisas, Jay ne. Ele só está fazendo seu trabalho.
Mostrei a língua para ele.
– Cuide do seu, cabeça de balão.
– É o m eu. Eu posso ser o novo coordenador de treinam ento.
– Tudo bem , quando chegar sua prom oção, talvez sej a seu trabalho. Por enquanto, a única coisa com que você precisa se preocupar é encontrar esse cara no Cinza.
– Tudo bem , então m e relem bre: o que exatam ente eu vou fazer?
– Encontrar esse Goose. Ele é um irado das trevas. Pergunte a ele com o está indo com Chase.
– Onde ele m ora?
– No com plexo dos Fae das Trevas.
– Você sabe onde é? Com o é?
– Não.
– Tem algum a coisa de Goose?
Fechei a cara.
– Não, idiota, não tenho. Não costum o colecionar quinquilharias de pessoas que encontro na floresta.
– Tudo bem , fique fria, só estou perguntando. É m ais fácil encontrar alguém quando se tem algum tipo de conexão. Procurar pelo Cinza por alguém que você não conhece pode ser com plicado.
– Bem , não faça, se não puder.
Tony suspirou alto.
– Eu não disse que eu não posso. Só disse que pode ser complicado. Então, se eu o encontrar, o que devo dizer?
– Pergunte a ele com o está indo o tratam ento de Chase e se ele estará pronto para que eu venha buscá-lo em poucos dias. Tente checar o dia e a hora exata... E o lugar. Supostam ente, na grande árvore onde nos encontram os pela prim eira vez.
– Tudo bem – disse Tony apertando m inha m ão. – Aqui vou eu para o nada.
Esperei pacientem ente, segurando gentilm ente a m ão de Tony e olhando para as nuvens no céu. Vi um a que parecia um coelho e outra que parecia um a tartaruga. É engraçado. Com o na fábula. No início, elas se m oviam lentam ente pelo céu, m as depois com eçaram a se m over m ais rápido. O coelho perdeu a form a, virando um aglom erado de m anchas m enores. A tartaruga se transform ou em um orc. Parecia estar correndo no céu, perseguindo os pedaços de coelho que haviam sobrado. Irgh. A m em ória dessas criaturas noj entas não era algo que eu queria cultivar enquanto esperava no prado por notícias de Chase.
O vento continuava; não era frio, m as eu m e senti estranha. Era com o se um a tem pestade estivesse se aproxim ando. Ouvi algum a coisa perto do lim ite do prado, proveniente das árvores, e virei a cabeça para olhar para Scrum .
– Scrum , você ouviu esse barulho?
Suas palavras anteriores haviam m e deixado paranoica.
Ele não respondeu, só ficou ali parado, olhando.
– Scrum ! – perguntei m ais alto –, ouviu ou não?
Ele não disse nada. Na verdade, não teve reação nenhum a. Apenas olhava para a distância com o se estivesse em um a névoa. Ou congelado no lugar.
Sentei-m e rapidam ente e senti algo aterrissar em m eu colo. Olhei para baixo e vi que Tim estava lá, sentado, todo tenso, olhando para longe. Meus ouvidos com eçaram a zum bir e m eu cérebro tentou entender o que estava acontecendo. Movi a m ão lentam ente e levantei Tim com cuidado. Seu corpo estava quente e sua pele ainda m acia, m as ele definitivam ente não estava bem . Estava todo zumbificado por fora. Olhei para Scrum e vi que estava na m esm a condição. Olhei para Tony em pânico, m as não sabia dizer se isso estava acontecendo com ele tam bém ou se estava apenas cam inhando pelo Cinza. Fiquei com m edo de perturbá-lo, preocupada com a possibilidade de prendê-lo no Cinza ou algo assim .
Um barulho saiu das árvores de novo e eu voltei a cabeça na direção do som . Saindo da escuridão da barreira verde estavam um rapaz e um a m enina. Quase m e irritei quando vi quem era. Rapidam ente escondi Tim na frente de m inha túnica, rezando para que não o estivesse m achucando, e m e levantei de um pulo para receber a dupla.