A Guerra dos Fae: Luz e Trevas

Elle Casey · Capítulo 28 de 38

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A Guerra dos Fae: Luz e Trevas

Capítulo 27

 

FINALMENTE ENCONTREI FINN, MAS ELE ESTAVA MUITO longe. Ele conseguiu contatar os duendes verdes no com plexo, m as não havia um núm ero suficiente lá para fazer qualquer coisa por m im . Ele m e enviou im agens de grupos de elfos verdes e dem ônios que trabalhavam em conj unto preparando-se, m as eu não tinha nenhum a ideia de quão longe no futuro essas im agens se tornariam realidade. Enviei-lhe im agens de Tim e eu no banheiro. Ele parecia confuso, m as eu não sabia o que m ais lhe m ostrar. Lancei-lhe quadros m entais de Ben, Maléna e Leck. Esperava que ele entendesse que se visse qualquer um deles, devia atirar prim eiro e perguntar depois.

Encontrei Becky novam ente e tentei avisá-la de que eu estava bem . Tudo que eu podia sentir dela era pânico e ansiedade. Essa coisa de com unicação pela água dava m uito trabalho. Cortei a ligação, frustrada por não chegar a lugar nenhum com ela.

Os roncos de Tim m e distraíram de m inhas tentativas, de m odo que decidi desistir por enquanto. Eu havia feito tudo que podia, de qualquer m aneira. Aj eitei-m e o m elhor que pude, j untando um m onte de toalhas de papel debaixo de m inha cabeça, no chão, com o travesseiro. Finalm ente adorm eci, pensando em com o estava com fom e.

Minha m ente era um turbilhão de sons sonolentos e im agens distorcidas. Os fae e as pessoas de m eu passado se m isturavam , falando com igo, gritando, chorando e até com endo. Era com o se eu revisasse m inha vida e não houvesse tem po suficiente para passar tudo na ordem certa. Alguém havia tom ado de m im m eu pote de biscoitos de m em órias e com ido os bons, j ogando as m igalhas no chão. Agora eu podia ouvir a voz de Tony.

– Jay ne! Jay ne! É você?

Claro que sou eu. É o meu sonho.

– Jay ne, sou eu, Tony. Estou no Cinza. Você pode m e ouvir?

Tony estava ali? No Cinza? Estou no Cinza?

– Tony ?

– Oh, graças a Deus você respondeu. Estou m e proj etando no plano astral agora. Eu posso vê-la... Você pode m e ver?

– Não.

Eu não sabia se estava respondendo em voz alta ou apenas em m inha cabeça. Isso é tão confuso.

– Onde você está? Isso parece um banheiro.

– É um banheiro. Estou no com plexo dos Fae das Trevas, em algum lugar, m as não tenho ideia de onde. Os corredores estão enfeitiçados. Vi apenas um a cela esculpida na pedra e dois banheiros. Estou com O Verde nos protegendo aqui. Eu não conseguia canalizar o poder nas outras salas. Estam os aqui devido a algum as... dificuldades técnicas.

– O que quer dizer? Não se preocupe, m ais tarde você m e conta. Não é seguro eu ficar aqui. Só queria lhe dizer que Chase está chegando até aí. Ele está indo, aguente firm e.

– Com o assim Chase está vindo? Ele está bem ? Não quero que ele se m achuque!

– Escute... oh, m erda, tenho que ir. Vá com Chase, ok? Cuidam os dos problem as m ais tarde. Até...

E então, ele se foi. Eu queria gritar “Que problemas?”, m as ele não estava m ais lá. Com ecei a falar com Tim sobre Tony, m as percebi que eu ainda estava vendo im agens m alucas e m eu corpo parecia preso no cim ento. Oh, eu ainda estou dormindo. Despertei e m e espreguicei por um segundo, olhando ao redor do banheiro com o se m inha m ente inconsciente alcançasse m inha m ente desperta.

– Tim – disse eu em voz alta –, acorde. Tenho que lhe dizer algo.

Ele m e ignorou com pletam ente, ainda roncando. Decidi deixá-lo em paz e voltar a dorm ir. Se Chase chegasse, eu ouviria. Precisava descansar um pouco, ou não conseguiria agir quando m eus salvadores chegassem , fossem quem fossem .

Assim que esse pensam ento passou por m inha cabeça ouvi ruídos do lado de fora da porta novam ente. Meus ouvidos se aguçaram . Seria Chase ou Ben? Maléna ou Leck?

Quem quer que fosse, estava rindo. E depois tossiu. Então, nenhuma das opções acima.

Houve um a batida na porta.

– Jay ne? Você está aí?

Levantei-m e lentam ente e m e arrastei até a porta.

– Quem é?

– Sou eu. Chase.

Em seguida, outra risadinha.

– Quem está com você? – perguntei, confusa.

Não reconheci a voz do risonho.

– Ninguém .

– Quem está rindo aí com você?

– Sou só eu. Ande logo e abra a porta. Precisam os tirá-la daqui.

Tive m edo que este fosse um truque dos Fae das Trevas. Talvez alguém estivesse proj etando a voz de Chase.

– Prove que é você.

– Você não reconhece m inha voz?

– Sim , m as não essa m aldita risada.

– Tudo bem . Lem bra quando fom os para o quarto obelisco? E tivem os que dizer qual era nosso m aior desej o?

– Sim .

– Eu ainda tenho esse m esm o desej o. Então, vam os lá.

Ele com eçou a rir de novo, só que dessa vez foi m ais um grunhido. Mas, m esm o assim , eu sabia que era Chase, não havia dúvidas. Durante nosso teste, no final, tivem os que falar nosso m aior desej o em voz alta para entrar no com plexo. O dele era cuidar de m im – então, acho que era isso que ele ainda estava fazendo. Isso que é dedicação. Minha garganta doía por conta das em oções devastadoras que de repente m e fizeram engasgar.

Enfraqueci o escudo e peguei a m açaneta da porta, abrindo-a.

Chase estava na porta, com a m ão no batente e um enorm e sorriso no rosto.

– Jay nie! – exclam ou ele entrando e m e agarrando pela cintura e m e girando. – Oh, estou tão feliz de vê-la!

Rapidam ente refiz o poder e o envolvi na bolha conosco. Depois, em purrei seu peito o m ais forte que pude. Esse cara era Chase, sim ; m as estava agindo m uito com o não Chase. Ele ainda estava “pixificado”, aparentem ente.

– Ponha-m e no chão, seu im becil.

– Você está linda – disse ele, sorrindo com o um tolo, m as colocou-m e suavem ente no chão.

Fui até Tim e o peguei.

– Acorde, dorm inhoco. Tem os um problem a dos grandes.

Chase não estava só m entalm ente enlouquecido; obviam ente havia perdido a visão. Essa era a única explicação para alguém m e achar bonita naquele m om ento.

Tim se sentou, esfregando os olhos. Seu cabelo estava desarrum ado, m as não tive coragem de lhe dizer; afinal, era tão im portante para ele.

– Oh, olá, Chase. Com o você está?

– Excelente, m eu pequeno am igo pixie, com o tem passado? Faz tem po que não o vej o.

Ele riu e colocou as m ãos nos quadris, aparentem ente esperando por um a resposta igualm ente entusiasm ada.

Tim olhou para m im com tristeza.

– Ainda não se curou, acho.

Balancei a cabeça, sem dizer nada.

– Pois bem , acho que preciso tirar vocês daqui. Goose m e disse que você está em apuros.

Abri a boca para falar, m as não pude. Fiquei im aginando Chase vendendo algum a m erda inútil em um com ercial de tevê. Aposto que ele conseguiria vender até o inferno com aquele sorriso.

– Ah, você é tão adorável, eu m al posso suportar! – gritou ele, pegando m eu rosto entre as m ãos, apertando-o e inclinando-se para beij ar m eus lábios superfranzidos. – Vam os lá, crianças, sigam -m e. Traga sua poderosa energia Verde, Jay ne. Você pode precisar dela.

Tim e eu trocam os olhares e dem os de om bros, balançando a cabeça com tristeza. Era preciso m uita coisa para deixar am bos sim ultaneam ente sem palavras, m as Chase havia conseguido.

Fom os até a porta de novo; reuni toda m inha sagacidade o m elhor que pude e cerquei-nos com O Verde. Enviei a m ensagem de que precisava que a bolha de poder se m ovesse conosco, m antendo todos nós dentro dela o tem po todo, sem deixar que nada nem ninguém entrasse. Fiz isso o m ais rápido que pude, porque Chase j á estava indo para o corredor. Incluí um a pequena cláusula em m inhas instruções, pedindo a’O Verde para bloquear qualquer ruído que fizéssem os dentro da bolha. Eu não sabia se iria funcionar, m as com certeza seria m ais fácil escapar se os Fae das Trevas não ouvissem o Sr. Risadinha enquanto saíam os.

– Senti falta de vocês, pessoal. Este lugar é chato com C m aiúsculo. Ficam o tem po todo falando de se preparar para a guerra, com eçar a guerra, derrotar os Fae da Luz na guerra. Isso cansa.

– Por que eles disseram tudo isso para você? Não sabem que você é Fae da Luz?

– Oh, não sou m ais Fae da Luz. Sou Fae das Trevas agora.

– O quê? – m inha voz saiu estrangulada. Fiquei instantaneam ente m al do estôm ago. – Chase? – segurei seu braço para fazê-lo parar de andar. – Com o assim , você é Fae das Trevas? Você... m udou de lado?

Eu quase não pude pronunciar essas últim as palavras. Era inconcebível.

– Tive que m udar – ele deu de om bros. – Não se preocupe com igo, Jay ne. Sem pre vou cuidar de você.

Ele m e lançou um sorriso espetacular, com o se estivesse posando para um com ercial de pasta de dentes.

Lágrim as brotaram em m eus olhos e com ecei a chorar.

– Não, Chase, não! Eu não quero que você sej a um Fae das Trevas. Não vou perm itir!

Ele sorriu com o se sentisse pena de m im , dando-m e um tapinha no om bro com sua m ão enorm e.

– Ssshhh, não chore. Estou bem . Estou feliz, viu?

Deu-m e um belo sorriso, de parar o coração,e apontou para seu rosto.

– Não, você não está! Você está pixificado, seu idiota, é diferente! Esse não é você. Esse é um m aníaco, um a versão louca, drogada de você. Você vai ficar m elhor em breve, será de novo o velho Chase, eu sei que vai. Se eles não puderam curá-lo aqui, Maggie vai conseguir. Tim vai lhe dar m ais asas, não vai, Tim ?

Olhei para ele com o desespero estam pado no rosto.

A expressão de Tim não parecia m elhor que a m inha. Ele acenou com a cabeça furiosam ente.

– Claro. Assim que elas voltarem a crescer, serão suas, Chase. Todas suas.

Ele continuou balançando a cabeça, dessa vez para m im . Parecia tão assustado quanto eu.

– Vam os lá, querida – m urm urou Chase com voz calm a. – Tem os que nos m exer. Alguém pode chegar e ver o que está acontecendo. Eu não tenho m uito tem po para chegar até a porta.

– Mas você vai conosco, não é? – im plorei, lam entavelm ente até para m eus próprios ouvidos.

Mas não m e im portei. Aquilo não podia estar acontecendo. Era com o perder Tony de novo.

Ele fez um a careta divertida.

– Não, sua boba. Vou ficar aqui. Esta é m inha casa agora.

Ele cam inhou rapidam ente de novo, olhando para trás para se certificar de que eu o seguia.

– Mas quero que você saiba que se m udar de ideia, você pode ser um Fae das Trevas com igo. Eu serei seu dem ônio novam ente e as coisas voltarão a ser com o eram .

Ele riu m uito alto e em seguida tossiu, com o se tentasse controlar sua risada daquele j eito.

As lágrim as continuavam a correr pelo m eu rosto e m e engasguei com soluços que saíam do fundo do m eu coração. Tudo que eu podia pensar era que havia ferrado tudo. Muito. Entreguei m eu dem ônio de m ão beij ada – o m ais durão, m ais confiável, o suj eito m ais leal do m undo – para o inim igo. A “pixificação” havia m exido com ele, e obviam ente seu tratam ento não valia porra nenhum a; eu caíra totalm ente no papo de Goose. E, ainda por cim a, havia entregado um frasco de sangue de pixie ao Fae das Trevas, e os curandeiros haviam m e advertido que poderia ser usado em feitiços de bruxa m uito perigosos. A ideia do sangue de Tim sendo usado para conj urar arm as que poderiam ser utilizadas contra m eus am igos m e fez m al fisicam ente. Minha cabeça estava girando, e eu tive que parar e m e apoiar na parede.

– Chase! – gritou Tim . – Ela está caindo!

Seu tom era de pânico, provavelm ente porque ele estava em m eu om bro, e se eu caísse, ele iria com igo. O estúpido pixie nunca parecia se lem brar de que eu era a única pessoa que podia ouvi-lo.

– Opa, opa, Jay ne. Relaxe, peguei você.

E essa é a últim a coisa que recordo: Chase m e pegando em seus grandes, grossos e fortes braços, o cheiro de seu delicioso corpo em m eu nariz, o calor de seu abraço m e envolvendo e por um m om ento m e fazendo sentir segura.

Perdi a consciência e caí com o um a covarde inútil na escuridão acolhedora.