A Guerra dos Fae: Luz e Trevas

Elle Casey · Capítulo 36 de 38

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A Guerra dos Fae: Luz e Trevas

Capítulo 35

 

NO MOMENTO EM QUE FINALMENTE PEGUEI MEU prato de com ida e cheguei, a sala de Dardennes estava cheia dos m eus am igos. Finn estava sentado ao lado de Becky em um sofazinho. Dardennes e Céline estavam em sua m esa j untos. Spike e Scrum estavam em pé, enquanto com iam com seus pratos em um a m esinha – o de Scrum estava cheio de carne m ovediça e outras coisas brutas, o de Spike quase vazio. Tony acenou com um pão para m im da única cadeira posicionada em frente a Becky e Finn.

– Olá, desculpem o atraso. Foi culpa de Tim .

– Ei! – gritou ele em m eu ouvido, m as eu o ignorei.

Um a pequena vingança seria tudo que um m édico receitaria para m e anim ar, e eu não tinha problem a nenhum com a autom edicação.

– Sem problem as – disse Dardennes com um sorriso na voz. – Estávam os apenas conversando. Sugiro que com ecem os agora, contudo, e todos vocês devem se sentir livres para com er enquanto falam os. Eu sei que vocês têm trabalhado duro e precisam se assegurar de ter a energia necessária para sua form ação continuada.

Eu não via nenhum sentido em rodeios, por isso, sentei-m e ao lado de Tony e im ediatam ente com ecei a fazer perguntas.

– Prim eiro, eu gostaria de saber qual é a ligação de Céline com Maléna.

Olhei para m eu prato agindo com o se estivesse interessada em m inha com ida. Eu não queria que ela pensasse que a estava desafiando, m as estava m ais que apenas um pouco curiosa.

– Céline? – disse Dardennes. – Vou deixar essa para você, querida.

Céline pigarreou.

– Bom . Maléna é... m inha irm ã.

Olhei para ela, dizendo:

– Eu sabia. Eu sabia m esm o essa. Vocês são gêm eas? Porque você se parece m uito com ela.

Sua boca se torceu ligeiram ente, m as parecia m ais um a careta que um sorriso.

– Não. Nós não som os gêm eas. Ela é m ais nova que eu.

– Então, por que ela é... – com eçou Becky, m as depois parou com o rosto verm elho.

Olhei para Becky, vi que ela não ia term inar, e disse:

– Eu acho que o que Becky quer saber é por que Maléna é Fae das Trevas e você é Fae da Luz?

Olhei para Becky e ela acenou para m im , com o rosto ainda em cham as.

– Nós duas éram os Fae da Luz. Então ela... conheceu alguém . Um elfo prateado das trevas. Ela se apaixonou, e então... foi em bora. Ela se j untou a ele e aos Fae das Trevas.

– Que chato – disse Scrum , m ostrando a com ida m eio m astigada na boca.

– Sim – concordou Céline, lim pando a garganta novam ente. – Chato, com o você diz.

– Quem é o suj eito? – perguntou Spike com um olhar astuto para Dardennes.

Céline olhou para Dardennes.

– Anton? Acho que essa é para você.

Ela olhou para a m esa, m as não antes que eu visse a tristeza em seus olhos.

Dardennes não respondeu de im ediato. Ele suspirou, olhando para o nada por um m om ento. Então, olhou para nós, um de cada vez. Quando seus olhos caíram sobre m im , ele respondeu.

– O Fae das Trevas, elfo de prata por quem ela se apaixonou... fui eu.

As reações irrom peram pela sala.

– O quê? – disse eu, chocada, apesar de um a pequena parte de m im não ter ficado surpresa.

– Com o pode isso? – perguntou Tony, confuso.

– Ooops – disse Becky, dando de om bros.

Spike apenas sorriu, com um ar todo astuto. Ele j á devia ter percebido tudo. Ele e Valentine eram os fofoqueiros do com plexo. Anotei m entalm ente um lem brete para falar com ele sobre isso m ais tarde e descobrir o que m ais eles sabiam .

Finn apenas olhou para sua com ida, m astigando e não fazendo contato visual com ninguém .

Um a vez que todos pareciam m uito desconfortáveis para continuar, eu decidi assum ir o interrogatório.

– Então, ela era um a Fae da Luz, apaixonou-se por você, j untou-se aos Fae das Trevas, e depois? Você a deixou lá e veio para cá?

O hom em parecia totalm ente insensível. Olhei para seu rosto, m as ele não parecia estar com raiva; era m ais com o resignação.

– Essencialm ente, sim . Mas há m uito m ais que isso.

– Muito m ais, com o o quê? – pressionei.

– O Conselho dos Fae das Trevas m e pediu para fazer algo com que eu não concordava, o que se configurou em abandono dos m eus deveres para com eles, e pediram que eu saísse.

– O que foi que você se recusou a fazer? – perguntou Finn, agora parecendo prestar m ais atenção à conversa.

– Disseram para eu sequestrar Céline e levá-la para eles.

– Uau. Dram a de novela ruim . Colocando am ante contra am ante e irm ã de am ante – disse Spike.

Balancei a cabeça para ele. Às vezes m e assustava ver com ele se parecia com Valentine.

– Por que Maléna não veio para cá com você? A irm ã dela está aqui – disse Tony, que havia abandonado com pletam ente a pretensão de com er e tinha toda a atenção voltada para a conversa.

– Estávam os j untos com o Fae das Trevas por m uitos anos. Mas havia outros... Fae das Trevas cuj as crenças fundam entais eram diferentes das m inhas, e depois de m uito tem po, percebi que não poderia continuar a apoiar um a m issão que eu desaprovava tão fortem ente. Sequestrar Céline foi, com o se costum a dizer, a gota d’água para m im .

– Mas Maléna não se sentia assim ?

– Não. Ela não saiu... E tinha outras razões para ficar.

Parecia o casam ento dos m eus pais – estressante e infeliz. Gostaria de saber se os fae podiam se divorciar.

Céline intercedeu.

– Minha irm ã é um a pessoa m uito teim osa e brutal. Ela acredita firm em ente na superioridade dos fae com o espécie e pensa que nossa posição deve ser afirm ada por sobre a espécie hum ana para o bem de todos os fae, independentem ente dos m étodos usados. Ela j ustifica suas ações por quaisquer m eios possíveis. Nem ela nem seus com patriotas conseguem ver com o sua filosofia vai realm ente prej udicar todos os fae.

Finn falou novam ente.

– Acho que não estão claras as diferenças entre nós e eles. Tudo que ouço é que eles são os m aus e nós som os os bonzinhos, e que nos preparem os para a batalha. – Ele fez um a pausa, olhando para todos nós, crianças trocadas. – Sabem , isso m e lem bra a aula de educação cívica na sexta série, quando estudam os a Guerra Civil. Um m onte de fam ílias dilaceradas; alguns irm ãos brigando pelo Sul, outros pelo Norte. Tudo por causa de suas diferenças filosóficas.

– Finn está certo – disse Tony. – Acho que entendo o que são as diferentes filosofias por conta de m eu trabalho com os elfos cinzentos, m as não m e im portaria de ouvir um a explicação oficial de você, Dardennes, sobre o que são realm ente.

Dardennes sorriu para nós com paciência.

– Acho que, talvez, esse esclarecim ento estej a m uito atrasado. Sei que foi m encionado em certa m edida, quando lhe foi oferecida pela prim eira vez a oportunidade de fazer a m udança. Mas tantas coisas aconteceram na vida de vocês, de um a só vez, e tem sido tudo m eio esm agador... Eu ficarei feliz de explicar com m ais detalhes. – Ele olhou para Céline. – Sinta-se livre para adicionar algo a m eu discurso a qualquer m om ento.

Céline assentiu com a cabeça.

Dardennes se voltou para nós.

– Com o ex-m em bro dos Fae das Trevas e seguidor de seu credo, posso explicar isso para vocês assim : os das trevas acreditam que os fae são um a espécie superior. Que tem os habilidades sobrenaturais, estam os ligados à m agia do universo e tem os relações íntim as com os elem entos. Alguns podem até andar entre o nosso m undo do aqui e agora e os Outros Mundos. – Ele fez um a pausa para olhar para Tony e depois continuou. – Os seres hum anos não têm nenhum desses talentos, não podem fazer qualquer coisa dessas. Além desse senso natural de superioridade, os fae têm necessidades que podem , ou em alguns casos devem , ser atendidas pelos seres hum anos. Essas necessidades incluem o sustento; por exem plo, íncubos e súcubos usam a energia sexual e a vida hum ana para se alim entar; e tam bém há a necessidade de seus recursos. Há m uitos fae no m undo, m as existem ainda m ais seres hum anos. Nós dependem os deles para a m anufatura, o sistem a bancário, a agricultura... Com o m uitos de nós com em os alim entos que não são hum anos, precisam os tam bém de sua expressão artística. Alguns fae prosperam em am bientes m ais criativos, os hum anos os aj udam a ficar com os pés no chão e estáveis.

– Então, se isso é verdade para todos os fae, onde está a diferença entre a luz e as trevas? – perguntou Becky.

– A diferença está na form a com o acreditam os que os seres hum anos devem ser tratados e qual papel devem desem penhar na sociedade. Os Fae da Luz acreditam que nossa m elhor chance de sobrevivência e de ter acesso aos recursos fornecidos pelos seres hum anos é ficando escondidos, para continuar a operar em suas som bras e sonhos, não em suas realidades. No entanto, os Fae das Trevas não concordam . Eles querem estar à frente dos seres hum anos, querem vivem ao ar livre, não m ais esconder quem são e o que fazem . Eles querem exercer seu poder sobre os seres hum anos e afirm ar sua dom inação fae.

– Tudo bem – disse Finn – posso entender. O que não entendo é por que não fazem isso. Por que lutar contra os Fae da Luz, afinal? Eles não precisam de nossa perm issão.

Céline entrou na conversa, e notei Tony acenando com a cabeça enquanto ela falava.

– Eles não têm Fae das Trevas suficientes para resistir a um com bate contra a espécie hum ana. Há m ilhões de seres hum anos a m ais que fae. O saldo era diferente há m uitos anos, m as, m esm o assim , havia um a preocupação com a capacidade dos Fae das Trevas de aguentar não só a resistência hum ana, m as tam bém a oposição dos Fae da Luz, que se j untariam aos hum anos. Eles supõem j ustam ente que nos uniríam os aos hum anos na luta contra eles porque acreditam os que seria a única m aneira de viverm os j untos. Um a vez que os seres hum anos se tornem conscientes dos fae, naturalm ente vão querer nos exterm inar. Som os um a espécie diferente e alienígena de m uitas m aneiras, portanto, um a am eaça que teria que fingir ser hum ana e lutar contra os Fae das Trevas apenas para sobreviver às consequências.

– Sim , m as com as habilidades sobrenaturais dos fae, não im porta que os seres hum anos tenham núm eros m aiores. Um fae vale cerca de dez seres hum anos em term os de força. Ou, em alguns casos, m ais – disse Spike olhando diretam ente para m im .

– Não – disse Scrum , m ais um a vez no m eio da m astigação. – Você tem que considerar o fator m edo dos hum anos. Isso os torna m ais fortes. Além disso, todos os seres hum anos podem ter o poder de fogo, só precisam de um a arm a.

– Ou um arco e flecha, acho – disse Spike, disparando um olhar para Finn, que inclinou a cabeça em reconhecim ento.

– O dem ônio está correto – disse Dardennes. – O tem or do sobrenatural é incrivelm ente poderoso. Os seres hum anos podem pensar que ficariam felizes de saber que vam piros e lobisom ens realm ente existem , com o um a noção rom ântica, m as se um dia forem confrontados por um que estej a tentando sugar sua vida ou até m esm o com ê-los, vão se sentir de form a diferente.

Eu ri disso.

– Eu sei que m eu prim eiro encontro com um lobisom em de verdade não foi exatam ente com o sem pre im aginei.

Becky sorriu.

– Pois é! Onde estão todos os Tay lor Lautners sem cam isa, afinal?

Os garotos olharam para nós com pontos de interrogação flutuando acim a da cabeça.

– Não im porta – disse eu voltando o olhar para Dardennes. – Então, qual é o plano? Derrotar-nos? E com o eles vão realizar seu obj etivo se todos nós estiverm os m ortos?

– O plano não é nos derrotar – disse Tony. – O plano é fazer que nos j untem os a eles, por m eio de intim idação e m edo. Mas haveria perda de vidas. Será inevitável se nos envolverm os.

– Ah...

Que chato.

– Isso é tão... errado – disse Becky. – Ir atrás de sua própria espécie assim .

– De acordo com eles, o que estam os fazendo é errado: escondendo-nos na floresta e ficando longe do que eles dizem que é o nosso legado – explicou Céline.

– Então, por que eles se autointitulam “das trevas” e nós “da luz”? – perguntei. – Quero dizer, não é porque eles concordam que são m aus por se alinharem com as trevas?

Eu não podia im aginar que eles realm ente se cham assem entre si de “das trevas”, a m enos que fossem adoradores de Satanás ou algo assim .

Dardennes sorriu.

– Agora estam os entrando no reino teórico. Trevas, de acordo com esses fae, é apenas a ausência de luz. Trata-se, para eles, da expressão m áxim a de quem eles são e a força de suas crenças. Eles são um grupo de fae fortes e orgulhosos. Nenhum deles cham a a si m esm o de “das trevas” no sentido de “m au”. Todos eles afirm am ser os verdadeiros fae, livres das em oções e da influência hum ana. Eles consideram que nossa “luz” é nossa preocupação com os seres hum anos e nossa necessidade de protegê-los de nossa espécie. Eles veem isso com o um a fraqueza e a evitam . – Ele olhou para Céline buscando confirm ação e recebeu um aceno de concordância. – Pensem nos Fae das Trevas com o aqueles que se m antêm fiéis às nossas crenças originais e podem rastreá-las ao longo de m uitos séculos... e os Fae da Luz com o aqueles cuj as ideias e valores m udaram com o tem po, adaptando-se às realidades de nosso m undo, com partilhando com os seres hum anos suas m udanças de crenças e costum es.

Tentei captar o que diziam , m as era praticam ente claro com o lam a... o que não era surpreendente, considerando quem estava contando a história. Eu não sabia se estava conseguindo entender os conceitos básicos, m as decidi tentar um chute, de qualquer m aneira.

– Então, o que você cham a de “das Trevas” não significa m au, significa apenas “das antigas”?

Dardennes sorriu e apontou o dedo para m im .

– Exatam ente!

– E quando você diz “da Luz”, quer dizer tipo... “ilum inado”?

– Sim ! Você entendeu perfeitam ente – disse Céline, orgulhosa de m im por algum a razão.

Tanto faz. Essa m erda toda não parecia um bom m otivo para fazer um a guerra. E um a guerra que não era para erradicar ninguém , m as para m udar suas filosofias? Estranho.

Balancei a cabeça.

– Bem , vocês podem cham á-los do j eito que quiserem . Para m im , eles são os m aus e nós som os os bons. Isso é tudo que necessito saber por agora.

– Vou dizer um a coisa... Jay ne nunca nos decepciona – disse Tim com o riso na voz.

– Obrigada, Tim . Só estou tentando apontar a realidade.

Nossa atenção foi im ediatam ente tom ada pelo som da porta se abrindo e a voz de Gregale gritando:

– Anton! Céline! Venham depressa. Tivem os um a violação! Os Fae das Trevas estão aqui!

Os lábios de Céline se fecharam , form ando um a linha fina, com os cantos voltados para baixo. Estava preocupada.

– Onde? Alguém se m achucou? – perguntou Dardennes.

– Perto da porta da gárgula. E sim , um a bruxa ficou ferida.

Dardennes saiu de trás de sua m esa.

– Quantos entraram ?

– Não sabem os, Anton. Acham os que pelo m enos dois, e um deles com certeza é um a bruxa.

– Você está pensando o que eu estou pensando? – perguntou Tim .

Eu sussurrei, voltando a cabeça para o lado para que ele pudesse m e ouvir acim a da com oção geral.

– Se for Maggie, vou colocá-la em um estilingue de energia Verde e dispará-la para fora da floresta. Talvez direto até a Espanha.

– Isso eu gostaria de ver.

– Pois é. Vam os rezar para que você não vej a.

Fui m e j untar a Dardennes e aos outros reunidos ao redor da porta.

– O que quer que façam os, Dardennes? – perguntou Tony.

Estendi a m ão e ele a segurou, apertando-a de um j eito tranquilizador. Spike cham ou m inha atenção e acenou para m im , nervoso. Eu podia ver Becky deslizando para perto de Finn.

– Vão para seus quartos e aguardem novas instruções... com exceção de você, Tony. Por favor, vá para a sala de estratégia para se reunir com os elfos cinzentos.

– Obrigado, senhor – disse Tony antes de apertar m inha m ão m ais um a vez e partir.

Ele correu para fora da sala, arrastando-se atrás de um Gregale de m ovim entos rápidos. Dardennes e Céline saíram com pressa dem ais, abandonando o resto de nós na porta.

– Então, vam os voltar para os quartos? – perguntou Finn com a m ão sobre seu arco.

– Nem ferrando. Eu vou para a m aldita porta gárgula – disse eu.

– Jaaay y y ne... – alertou Tim .

– Shhh, Tim . Estou indo. Se quiser m anter seu corpinho de am or-perfeito no quarto, vá em frente. Mas é m elhor tom ar cuidado para não ser pisado, porque eu não vou levá-lo até lá.

– Prim eiro, com o se atreve a sugerir que eu vá andando para o quarto? – Ele fez cara de noj o. – Pixies não andam . Nós voam os ou som os levados aos lugares. E segundo, eu não estava sugerindo que nos separássem os. Estava apenas recordando-lhe que recentem ente m exeu com certo alguém que vive do lado de fora dessa porta, e que este certo alguém pode não ficar m uito feliz em vê-la agora.

– Sim , e esse certo alguém pode ir se ferrar.

– Quem pode ir se ferrar? – perguntou Becky.

– Ninguém .

Olhei para Spike e m e pareceu que ele estava prestes a dizer algo sexy, por isso, levantei a m ão.

– Guarde isso para si m esm o, Spike, guarde.

– Guardar o quê? – perguntou Finn, tão confuso quanto Becky.

Scrum se inclinou e olhou para cada um de nós.

– Acho que ela quer dizer para ele não fazer com entários picantes...

– Já chega, dem ônio – disse Spike, sorrindo e dando tapinhas nas costas de Scrum , j ogando-o para a frente e tirando-lhe o equilíbrio. – Então, qual é o plano, guerreiro? A porta Gárgula ou o quarto? Aonde você vai?

Scrum deu de om bros.

– Aonde Jay ne for, eu vou.

Essas palavras, que ouvira Chase dizer m ais de um a vez, fizeram m eu coração se apertar desconfortavelm ente por um segundo. Eu o perdera e perdera seu silêncio, sua presença forte e confiável. Seus incríveis bíceps e peitorais não eram fáceis de esquecer tam bém . Olhei para Scrum e não havia sim plesm ente nenhum a com paração. Adônis ou o barril de cervej a com pernas? Fácil. Sem ofensa para Scrum , porque ele tentava bastante, e geralm ente fazia tudo direitinho, m as eu precisava m esm o de Chase agora e desej ava ardentem ente que ele estivesse ali.

– Vam os lá, então – disse Finn. – Estou cansado de ficar atirando em alvos e brincando por aí. Eu quero a coisa de verdade.

– Quer dizer que você quer atirar em alguém ? – perguntou Becky com descrença e censura na voz.

Finn franziu o cenho.

– Não. Quero dizer que se esses cuzões vêm a nossa casa para tentar m exer conosco, eu não vou esperar deitado. E você tam bém não deveria, seu não violento espírito de água, porque esta é sua casa tam bém . Se você não lutar por ela, não vai tê-la por m uito tem po.

Becky engoliu em seco. Endireitou os om bros e disse.

– Tudo bem . Estou com vocês. Mas se eu desaparecer, não quero nenhum de vocês reclam ando e m e cham ando de covarde. Às vezes... não posso evitar. Quando eu fico com m edo e com eço a pensar em algum lugar onde gostaria de estar, às vezes acabo sim plesm ente aparecendo por lá.

Ela olhou para cada um de nós esperando a confirm ação de que não iríam os zom bar dela.

– Essa é a desculpa m ais esfarrapada e burra que eu j á ouvi. “Não posso evitar? Eu desapareço por acidente”... Nossa, vocês espíritos de água são uns m ariquinhas. – Tentei olhar para ela séria, m as a expressão ultraj ada em seu rosto m e fez rir. – Fique fria, peixinha, só estou brincando com você.

Ela fechou os lábios e piscou os olhos algum as vezes bem rápido.

– Tudo bem . Vam os – disse ela, passando por m im e saindo para o corredor.

Eu dei um passo para a frente e peguei sua m ão, ficando a sua frente e em seguida puxando-a para perto, recusando-m e a ser evitada e ignorando suas contínuas tentativas de ficar com raiva de m im . Seguim os Finn, que havia tirado o arco do om bro e deixara um a flecha preparada na corda. Eu j á o havia visto em ação, de m odo que sabia que se alguém aparecesse de um canto, ele colocaria aquela coisa para voar em um a velocidade extraordinária. Isso m e fez sentir um pouquinho m ais segura. Mas não m uito.