A Guerra dos Fae: Luz e Trevas

Elle Casey · Capítulo 37 de 38

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A Guerra dos Fae: Luz e Trevas

Capítulo 36

 

CHEGAMOS À PORTA DA GÁRGULA E NÃO vim os nada nem ninguém fora do com um . Parecia estranho estarm os reunidos novam ente nesse lugar por onde havíam os passado apressados não havia m uito tem po, fugindo da ira de Maggie.

– Devem os sair? – perguntou Finn.

– Só abrir – disse Spike – e ver se há alguém lá fora.

– Oh, que inferno, saiam do m eu cam inho.

Forcei passagem até a porta com os om bros e peguei a alça do anel, puxando-a para m im e forçando todos a recuarem . No com eço não vi nada; voltei-m e para dizer aos m eus am igos que estavam exagerando, m as depois senti: um zum bido na linha ley.

Voltei-m e para a entrada a tem po de ver um a figura vindo das árvores em direção à porta. Era Sam antha.

– É Sam antha! Para trás! –gritei em purrando-os com a bunda e fechando a porta o m ais rápido que pude.

Pouco antes de ela se fechar com pletam ente, um a força com eçou a em purrá-la no sentido contrário.

– Merda! Aj udem ! Ela pegou a porta!

Scrum e Finn correram em m eu auxílio, apoiando seus om bros contra a m adeira e em purrando com igo o m ais forte que podiam . Mas foi inútil; a porta continuava a se abrir. Houve um rangido sinistro proveniente do corredor, com o se duas forças lutassem para obter o controle.

– Ela está usando... m agia – resm ungou Scrum .

– Spike, venha aqui! – gritou Finn. – Eu vou atirar nela!

Becky gritou.

– Finn! Você não pode atirar em Sam antha! Ela é nossa am iga!

Olhei para Becky com o se ela estivesse louca.

– Ela não é am iga! Ela foi para as trevas! Ela está tentando entrar aqui para nos m achucar!

A porta estava aberta cerca de um m etro agora, m as até agora ninguém estava ali. Eu podia ver os m úsculos dos braços e das costas de Spike e Scrum lutando contra a força de Sam antha. Becky agarrou m eu braço, apertando-o enquanto im plorava.

– Ela só se j untou a eles porque foi rej eitada por Dardennes.

As lágrim as encheram seus olhos enquanto ela m e im plorava silenciosam ente.

Puxei m eu braço para trás, em purrando-a.

– Qualquer que sej a a razão, ela é quem é, e está fazendo isso para nos atacar. Você acha que ela quer entrar para tom ar um chá? Acha que ela não vai nos fazer explodir quando nos vir? Esqueceu, convenientem ente, acho, que ela era um dos m eus sequestradores?

Eu lhe lancei um olhar de raiva tão forte que acho que ela sentiu.

Becky se encolheu ao ver m inha em oção, deixando cair as m ãos ao lado do corpo.

– Não é... é dem ais... – e em seguida ela se foi. Desapareceu no ar novam ente.

– Espíritos de água do caralho! – gritei para o ar.

– Jay ne, deixe-a ir. Você tem coisas m ais im portantes com que se preocupar – aconselhou Tim , nervoso, puxando m eu cabelo com o um louco. – Você precisa pegar e explodir aquela bruxa em pedacinhos!

A porta agora estava aberta o suficiente para um fae pequeno passar. Eu tinha cerca de cinco segundos antes que fosse totalm ente aberta. Scrum e Spike não estavam conseguindo, seus pés deslizavam no chão de pedra polegada por polegada conform e iam perdendo a batalha, e no rosto m ostravam a tensão de seus esforços. Finn ficou de lado, com a flecha preparada e curvada, no ponto. Ele estava esperando o m om ento certo para soltá-la e deixá-la voar.

Eu sondava as profundezas da linha ley m ais próxim a, elaborando seu poder e deixando-o rolar sobre m im , e ao m esm o tem po bloqueando o acesso de Sam antha.Ouvia os sons provenientes do exterior da porta, m as ignorei-os na tentativa de m e concentrar no controle d’O Verde, que agora estava brotando da terra e enchendo cada célula m inha.

A porta se abriu m ais e nossos olhos receberam a visão de m uitos corpos. Não era m ais apenas Sam antha ali fora, e não estávam os m ais sozinhos na porta da gárgula.

A porta abriu o que restava de supetão e bateu contra a parede, revelando um cam po de batalha.

Finn correu para fora com a flecha preparada de novo. Scrum se m oveu para ficar perto de m im , ao m eu lado. Spike ficou para trás tam bém , para assum ir um a posição do m eu outro lado. Tim era m eus olhos e ouvidos, m ais aptos a ver o que estava acontecendo, um a vez que m uito da m inha concentração estava tom ada por m inha tentativa de acum ular e canalizar m inha energia. Fom os para o gram ado e entram os na briga.

Todo um grupo de elfos da luz estava lutando contra um grupo heterogêneo de Fae das Trevas. Na frente do contingente das trevas estava Sam antha, com um a névoa cinza fina em torno de si. Vi com o várias flechas ricocheteavam nela e caíam no chão, inúteis. Havia dois Fae das Trevas no chão perto dela, com flechas saindo do corpo – ogros, pela aparência. Desgraçados, feios e grandes.

À luz m orta da noite vi Falco ao m eu lado esquerdo e, em seguida, m ais distante, Robin e m uitos outros que reconheci de nossa form ação na floresta m ais cedo. Fora nesse m esm o dia que eu estivera ali? Parecia haver se passado tanto tem po. As faixas laranj a e dourada que restavam do pôr do sol davam à batalha um ar surreal, com o se fosse apenas um sonho ruim .

– Lá está ela! – gritou Sam antha. – Derrubem -na!

Ela significava eu, aparentem ente, um a vez que cerca de quinze conj untos de arm as se voltaram em m inha direção. Vom itei um a bolha verde em volta de m im , Tim , e m eus dois guarda-costas, sem sequer pensar. Enviei um a im agem por m eio d’O Verde para Robin e rezei com o louca que ele a estivesse com unicando a seus am igos elfos. Todos eles levantaram suas flechas, cada um escolhendo um alvo.

Agora, tudo levava para esse m om ento. Esse era m eu últim o esforço para usar os poderes que eu ainda não havia aprendido a dom inar, para salvar m eus am igos e im pedir que os Fae das Trevas entrassem no nosso com plexo... e assum issem nossa vida e nos forçassem a adotar sua m aldita visão de m undo.

Enviei m eu poder para os elfos verdes que estavam ao m eu lado, cuj as assinaturas eu podia sentir, puras e leves n’O Verde, dando aos olhos de sua m ente a conexão de energia e m agia que seria necessária para encontrarem seus alvos, não im portando quão longe estivessem ou quem fossem .

Sam antha levantou os braços e vi um caj ado em um deles. Ela era apenas um a criança trocada, m as parecia um a das bruxas m ais experientes e m ais velhas. E eu sabia que a força que ela havia usado para em purrar fisicam ente nossa porta e que estava usando para se proteger das flechas m ortais não era um pequeno feitiço. Ela conhecia seus poderes de m erda e não tinha m edo de usá-los. Eu tinha que proteger m eus am igos de sua crueldade sem m ostrar nenhum a piedade.

Eu não poderia colocar a bolha em torno dos elfos, ou suas flechas não sairiam do interior e seus atacantes poderiam chegar a eles e cercá-los. Em vez disso, reforcei a bolha à volta de nós quatro – Scrum , Spike, Tim e eu. Então, encarei Robin, balançando a cabeça. Hora de lançar as flechas fodonas com os olhos da m ente e deixá-las cair onde deviam .

Vi o m ovim ento da boca de Robin, o som abafado pelo cantarolar da força de luz verde que nos m antinha protegidos. As palavras que eu sabia que ele falava – Prontos? Apontar! – o que resultou em um a linha de arm as sendo levantadas e flechas sendo puxadas para trás.

Sam antha olhou de relance para eles, finalm ente quebrando sua concentração por um segundo, para fazer um gesto m andando seus ogros ao ataque. Vi m inha oportunidade e a agarrei. Mandei um a m ensagem para Robin e o vi m udar sua traj etória para apontar para ela. Seu últim o com ando foi em itido – Lançar! – E um a chuva de flechas foi lançada para o ar e disparou sobre o espaço aberto entre nós e eles.

Sam antha se voltou para m im , m as era tarde dem ais. A flecha de Robin a encontrou parada e vulnerável a céu aberto, com sua concentração quebrada. Não sei se foi sua perda de foco ou a força especial enviada por trás dessa flecha, m as de qualquer form a, ela encontrou seu alvo.

Parte de m im se encolheu com a visão a m inha frente. Ogros caíam no chão com setas espetadas neles; alguns dos m aiores pareciam porcos-espinhos. Sam antha ficou com pletam ente im óvel, olhando para a flecha saída de seu peito. Eu sabia, sem m e aproxim ar, que no final identificaria a pena com o de Robin. Ela não estava em seu coração, m as do outro lado. Robin deliberadam ente não dera um tiro fatal, e eu não sabia se estava feliz com isso ou não.

Três elfos das trevas perm aneceram parados logo atrás e ao lado de Sam antha. Eles se adiantaram , sem j eito, com as flechas arm adas em seus arcos e apontando para o chão. Mantinham os olhos em nós enquanto tentavam olhar para ela.

Ela levantou a cabeça e m e lançou um olhar m alévolo. Encarei-a. Eu estava pronta para dar m eu últim o golpe quando um m ovim ento brusco m e cham ou a atenção pelo canto do olho.

Becky. Ela apareceu entre nós de repente, m aterializando-se no m eio do cam po. Deixei um pouco do poder cair em volta de m im porque eu precisava chegar até ela antes que Becky fizesse algo tolo, e eu não poderia ir presa nessa bolha estúpida.

– Sam antha! – gritou Becky, correndo para a frente com passos hesitantes em direção a ela. – Você j á foi atingida!

Sam antha levantou o braço e gritou:

– Agora!

Um feixe de luz branca saiu de seu bastão e atingiu Becky direto no peito, o que a fez voar para trás e cair toda desordenada no chão. Sua perna direita ficou dobrada em um ângulo estranho e ela ficou ali, im óvel na gram a, com os olhos abertos e olhando para o céu.

– Becky ! – gritei, tentando correr até ela.

Scrum e Spike m e agarraram pelos braços.

– Não! Jay ne, você não pode ir. Fique aqui dentro onde é seguro! – gritou Scrum .

– Não, Jay ne, fique! – gritou Tim , puxando m eu cabelo o m ais forte que pôde.

Lágrim as de raiva corriam pelo m eu rosto.

– Fodam -se!

Em purrei desesperadam ente as m ãos de Scrum , que estavam tentando m e segurar. Lutei com Spike tam bém .

– Spike, deixe-m e ir. Eu preciso aj udá-la!

Ele m e segurou com seu aperto de ferro.

– Não! – rosnou. – Sam antha está esperando que você faça isso. Ela está tentando m atá-la. Fique aqui! – Em seguida, apertou-m e m ais ainda. – Vej a! Becky não está m ais lá! Ela se foi!

Ergui os olhos enquanto tentava m e libertar e vi que o corpo de Becky havia desaparecido. Eu esperava com todas as forças que aquilo não significasse que ela estava m orta. Não creio que um espírito de água poderia se teletransportar sem estar vivo, m as, ao m esm o tem po, tinha m edo de que ela houvesse ido para a vida após a m orte ou sido teletransportada por Naida ou alguém das profundezas obscuras de sua casa aquática.

Um m ovim ento perto de Sam antha cham ou m inha atenção. Vi quando três flechas partiram de trás dela em direção aos elfos verdes que haviam recarregado suas arm as e puxavam os arcos de novo para term inar o trabalho que haviam com eçado. Quer dizer, todos, exceto Falco. Ele estava olhando de boca aberta para o lugar onde Becky havia acabado de sum ir.

Vi com horror quando um a flecha voando m ais rápido do que eu poderia ter im aginado trespassou seu peito e o j ogou três passos hesitantes para trás antes que eu pudesse fazer qualquer coisa.

Gritei, colocando as m ãos no rosto, horrorizada.

– Falco! Nããão!

Estendi a m ão para ele, m as m eus pés estavam enraizados no chão de m edo e consternação.

Ele olhou para m im e depois para a flecha que saía de seu corpo, caindo lentam ente de j oelhos. Virou a cabeça, dando-m e um sorriso fraco antes de cair lentam ente de lado, com os olhos ainda abertos quando sua cabeça bateu na gram a.

A raiva brotou em m im e assum iu o controle. Senti o poder da Anciã se derram ando em m inha conexão, enchendo-m e com um a febre escura que corria e com eçava a m e queim ar por dentro. Voltei m inha atenção para Sam antha e fixei-lhe um olhar am eaçador, deixando que a bolha protetora caísse com pletam ente.

Ela ficou ali um instante, de frente para m im , com um a flecha enfiada no lado esquerdo do peito, o sangue m anchando de carm esim a frente de suas roupas. Então, ela deu dois passos para trás, para a floresta, olhando para baixo, para não tropeçar em um dos corpos espalhados pelo chão em volta dela.

– Aonde você vai? – rosnei para ela dando vários passos para a frente. – Vai correr de volta para Ben? Vai lhe dizer com o você m atou sua velha am iga Becky a sangue frio?

– Não é nada disso, Jay ne – ela latiu para m im .

– Sim ! É exatam ente isso! – gritei para ela. Baixei o volum e, deixando m inha voz cair para um tom m ais am eaçador. – Mas eu tenho um a m á notícia para você, sua puta do m al. Você não vai a lugar nenhum . Seus dias com o Fae das Trevas term inam aqui. Agora.

Um a luz verde tingida com a antiga escuridão da Anciã surgiu de m eu corpo e em m inhas m ãos. Segurei-as a m inha frente e virei as palm as das m ãos para Sam antha.

Ela levantou seu bastão e m urm urou palavras em voz baixa. Eu senti um form igam ento ao longo do pescoço, com o se houvesse um a grande quantidade de eletricidade estática no ar.

– Jay ne, pare! – gritou Tim , suplicando e puxando m eu cabelo com o um louco.

Eu nem sequer pestanej ei. Já estava além do ouvir ou obedecer.

Liberei um fluxo de energia Verde das m ãos e apontei diretam ente para ela. Eu queria explodi-la totalm ente, e m al podia esperar para ver isso acontecer. Mas, em vez disso, um raio ilum inado de cham as verm elhas saiu das árvores atrás dela, interceptando m eu raio de energia e enviando am bos os feixes para o céu em um redem oinho de luz verm elha e verde.

Que porra é essa?

E então, ouvi sua voz.

– Jay ne. Deixe estar! Você não pode vencer.

Filho da puta. Eu reconheceria essa voz em qualquer lugar.

Ben.