A Guerra dos Fae: Luz e Trevas

Elle Casey · Capítulo 34 de 38

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A Guerra dos Fae: Luz e Trevas

Capítulo 33

 

EM MENOS DE UM SEGUNDO ESTAVA TUDO acabado. Os elfos baixaram os arcos, m ais um a vez em conj unto, para pendurá-los em seus flancos. Robin afastou-se do grupo, colocando o arco por cim a do om bro enquanto cam inhava em m inha direção.

– O que aconteceu? – perguntei.

Eu podia ver que as setas haviam atingido os alvos distantes, m as m inha visão não era boa o suficiente para ver os detalhes.

– Não sei exatam ente. – Ele m e alcançou e fez um gesto em direção aos alvos. – Vam os, por favor.

Robin olhou para trás e cham ou o resto dos elfos com um m ovim ento de cabeça para que nos seguissem até os alvos.

A prim eira coisa que notei foi um a única flecha presa no chão cerca de cinquenta m etros antes dos alvos m ais distantes. O grupo de elfos cam inhou até ela, um de cada vez, e depois de estudar o padrão de pena na ponta, todos olharam para o elfo que eu havia escolhido, que se arrastava atrás dos outros. Seu rosto ficou m ais verm elho no segundo que se deu conta de sua realização vergonhosa.

Falco viu a seta e sorriu, apontando.

– Ei, vej a, Dav, é sua! Você perdeu!

O sorriso em seu rosto não era m alicioso, m as valeu-lhe um soco no braço.

– Ai – disse ele, esfregando o om bro e afastando-se para localizar sua própria flecha com um sorriso m al disfarçado no rosto.

Cada um dos elfos cam inhava até um alvo e arrancava um a flecha; alguns deles tiveram que usar facas que levavam no cinto para desenterrar as pontas. Falco procurou em todos os alvos e nas áreas atrás deles antes de se virar para Robin, que estava ocupado exam inando a ponta de sua flecha antes de colocá-la de volta em sua alj ava.

– Não consigo encontrar a m inha. Ela não está aqui.

Robin franziu a testa, exam inando os alvos ali, e em seguida, m ais perto de nosso ponto de partida.

Até eu podia ver que não havia m ais flechas. Todas m enos a de Falco haviam sido encontradas.

– Onde você m irou? – perguntou Robin.

Falco parecia um pouco nervoso.

– Nos alvos?

– Você está afirm ando ou perguntando? – disse Robin, um pouco severo.

Eu estava com eçando a ter as m esm as dúvidas que achava que Robin estava tendo. Falco havia pisado na bola de novo. O pobre garoto não conseguia evitar.

– Esse cara faz Scrum parecer um gênio – disse Tim , rindo.

Eu odiava dizer aquilo, m as m eio que concordava com ele. Eles tinham a m esm a personalidade – ansiosos, felizes, agradáveis. Bem , com Scrum dem orei um pouco m ais para chegar à parte agradável, m as, ainda assim , sim pático estava na lista. Mas quando se tratava de fazer seu trabalho, Scrum era bastante bom , eu tinha que adm itir. Mesm o que parecesse com um inofensivo barril de cervej a com pernas, ele podia travar um íncubo perigoso com o ninguém .

– Não, não estou perguntando, estou dizendo. Mas... – ele lim pou a garganta – ...eu poderia ter pensado em outro alvo... ao m esm o tem po...

Ele deu de om bros e abaixou a cabeça, envergonhado. Notei que seu am igo parecia um pouco m enos envergonhado e m ais alegre. Acho que a m iséria adora com panhia na sociedade elfo verde, tal com o acontece com os seres hum anos.

– Que alvo, Falco? – perguntou Robin, suspirando com um a paciência infinita.

– A Anciã... possivelm ente...

A últim a palavra saiu m ais com o um sussurro.

Todos os outros elfos olharam para ele em choque, alguns até com um pouco de m edo.

– Você... m irou... na Anciã?

Lágrim as brotaram nos olhos de Falco. Tudo que ele pôde fazer foi concordar com a cabeça.

Até o am igo de Falco parecia estupefato. Eu não era especialista em linguagem corporal, m as se estivesse lendo certo toda a cena, alguém estava atolado na m erda até os j oelhos, e sem botas. Eu ouvira Finn dizer isso um a vez, e nesse m om ento podia apreciar plenam ente com o em determ inadas situações esses provérbios dos cam poneses funcionam m uito m elhor que qualquer outra coisa.

Finn balançava a cabeça, pensativo. Eu sabia que ele estava pensando exatam ente a m esm a coisa que eu, e não era qualquer poder sobrenatural que m e tornava capaz de ler sua m ente. Eu podia saber só de ver o olhar em seu rosto.

Robin ficou todo sério.

– Precisam os cham ar um a bruxa e investigar. Tem os que fazer isso direito.

Um dos elfos falou.

– Robin, esse pode ter sido o alvo dele, m as não significa que ele acertou. É m uito longe! Ninguém poderia vê-la daqui, nem m esm o um pássaro.

Vários outros elfos assentiram . Falco se anim ou um pouco, m as então, olhou para Robin e seu rosto voltou a cair.

Robin não acreditou.

– Ele estava ligado a’O Verde. Estava conectado com Jay ne. Receio de quando a tiverm os conosco... bem , vam os ver. Vam os lidar com as consequências com o devem os.

Eu tinha o desej o de perguntar a ele o que era a Anciã, m as quase não queria saber. Ia descobrir em breve, de m odo que segurei m inha língua, concentrando-m e em não tropeçar em raízes de árvores. Eu só esperava que ninguém houvesse m orrido por m inha culpa.

Andam os pela floresta por um a distância que parecia m uito longe para um a flecha viaj ar, m esm o que cavalgasse as ondas de energia Verde. O sol com eçava a se pôr, o ar foi ficando m ais frio e fazendo m inha pele suada se sentir m elhor com seu toque suave. Esse negócio de cam inhar por todo canto e observar cada passo para não cair era exercício de m onte. Por um lado, eu odiava, com o odiava todas as form as de exercício. Por outro lado, estava pensando em quão firm es m inhas pernas e glúteos iam ficar, e isso m e fez feliz. Sem dor, sem ganho, acho. Agora só tinha que pensar em um fio de esperança para aguentar todos os puxões de cabelo que estava levando de Tim enquanto ele tentava se segurar. A coisa ficava m uito m ais difícil quando ele ocasionalm ente gritava: “Arre m ula! Upa!”

– Continue assim , seu bostinha, e você vai para m eu sapato.

Robin olhou para m im de soslaio, m as não disse nada. Nem m e incom odei em explicar, porque teria gastado um fôlego precioso, e eu precisava dele para m e m anter consciente.

Reconheci o entorno. Estávam os chegando ao lugar onde dava a porta de gárgula, e fiquei im ediatam ente em guarda. A últim a vez que eu havia visto Maggie, ela m e entregara em bandej a de prata para o Fae das Trevas. Parei de andar e peguei Robin pela m anga, fazendo-o parar a m eu lado. Procurei em seus olhos sinais de que ele ia m e entregar ao inim igo, m as eu não vi nada além de curiosidade.

– Por que param os? – perguntou ele. – Você está cansada? Precisa descansar?

– Não. Estou apenas m e assegurando de que você não será desonesto com igo.

– Desonesto?

– É. Estou m e certificando de que você não vai m e entregar ao inim igo.

– Por que eu faria um a coisa dessas?

– Não sei. Por que você m andaria um m onte de elfos atirar em m im ? Talvez estej a sob algum feitiço.

O entendim ento passou por seus olhos.

– Ah, entendo. Não, eu não estou sendo desonesto. Estou levando-a até a Anciã para ver se a flecha de Falco atingiu seu alvo.

– E onde exatam ente fica essa Anciã?

– Logo ali.

Ele apontou para o bosque do outro lado do prado.

– É onde vive Maggie, a bruxa.

– Exatam ente.

– Ah... eu e ela não tem os a m elhor das histórias, na verdade. Talvez eu deva ficar de fora.

– Não se preocupe. Tem os alguém que vem para garantir sua segurança. E tem os...

Ele apontou para os outros elfos.

– Sim , agradeço, m as estou m ais preocupada com m inha capacidade de controlar m eu tem peram ento. Porque tenho certeza de que se eu vir aquela cara de bunda feia de novo, vou explodi-la com O Verde até o ano que vem .

Ele olhou para m im , chocado, m as não m e dissuadiu, pelo m enos.

– Ela m erece, Robin. Ela m e entregou aos fae que m e torturaram . Sem nenhum a razão.

Pensei em suas últim as barganhas com igo e m eu volum e foi aum entado até que rapidam ente se transform ou em um discurso retórico.

– Ou talvez ela tenha feito isso porque alguém trocou um a asa de pixie ou um cogum elo m aldito por m inha em boscada, não sei.

Robin ergueu a m ão para m e silenciar.

– Sim . Eu entendo seus sentim entos. Se quiser ficar para trás e voltar para o com plexo, não vam os criticá-la por isso.

Todos os olhos estavam em m im . Eu sentia que m inha raiva era j ustificada, m as, ao m esm o tem po, não queria que a opinião deles sobre m im m udasse. Eles pareciam pensar que eu era alguém especial; e se eu fugisse ou agisse com o um m oleque, eles podiam m udar de ideia. Eu deveria ter dado o fora e os deixado para lá. Altas expectativas eram um a arm adilha. Elas nos fazem subir m uito alto, e isso só faz a queda ser m uito m aior e m uito m ais dolorosa. Mas decidi prosseguir com eles m esm o assim . Não queria que a velha cadela ranzinza pensasse que havia m e assustado.

– Tudo bem , eu vou. Mas é m elhor ela não m e provocar.

Robin assentiu.

– Vou m e esforçar para im pedi-la de fazer qualquer coisa que desagrade você.

Os outros elfos aquiesceram para a m inha decisão. Tentei não m e sentir m uito aquecida e frouxa por dentro por conta de sua óbvia aprovação.

Logo um bruxo carregando um caj ado se j untou a nós. Eu o havia visto no m eio da m ultidão em nossa m ais recente assem bleia. Ele parecia ser um dos m ais fracos do grupo. Não m e lem brava dele gritando ou balançando os bastões. Robin andou ao lado dele e suponho que lhe explicou a situação. O bruxo assentia enquanto Robin lhe passava as inform ações.

– Você acha que vai ser um confronto? – perguntou Tim .

Eu não saberia dizer se ele estava anim ado ou preocupado com a perspectiva.

– Espero que não. Não sei se eu seria capaz de m e controlar.

– Então, não adianta tentar. Dê-lhe o que ela m erece.

– Não sei se funcionaria. Você foi nocauteado, então, não se lem bra, m as ela conseguiu dobrar m eu escudo de energia Verde antes.

– Ah, é verdade. Ela conseguiu derrotar a bolha.

Eu m e senti um pouco ofendida com esse com entário.

– Bem , eu não diria ”derrotar”; m as sim , ela conseguiu dobrar a bolha.

– Ela é poderosa, Jay ne. Não a subestim e.

– Um dia desses você vai m e contar todos os seus segredos e todos os segredos dela, Tim .

– Eu sei. Vou lhe contar tudo dela quando voltarm os. Agora, acho que você deveria saber.

Ele convenientem ente ignorou m eu pedido de m e contar seus próprios segredos, m as eu os arrancaria dele m ais tarde.

– Legal. Estam os com binados. Agora, só precisam os sobreviver para poderm os chegar a essa parte.

Fom os interrom pidos ao chegar ao lim ite da floresta. Todo o m undo ficou quieto e se reuniu em um grupo.

– Vam os ver a Anciã agora. Por favor, fiquem próxim os e perm aneçam na visão do bruxo. Estam os entrando em território das trevas, com o todos sabem , e o Conselho foi claro sobre a necessidade de estarm os alertas e serm os cautelosos.

Robin olhou para todos até ter certeza de que concordávam os com suas condições.

– Vam os.

Seguim os o bruxo, cam inhando em pares, até que chegam os à casa de Maggie, parando cerca de trinta m etros à frente dela. A grande árvore se levantava do chão da floresta e seus ram os se espalhavam sobre nossa cabeça para alcançar profundam ente a floresta. Não era um pau-brasil nem um a sequoia, m as era tão grande quanto esse tipo de árvore – talvez m aior. A base do tronco era tão larga quanto um cam inhão gigante, ou até m esm o um a casa. De fato, a base da árvore era um a casa. A casa de Maggie. A porta da frente era um arco que fora esculpido direto na m adeira.

E essa porta tinha um a flecha presa bem no m eio.

Todos nos olham os por alguns instantes. Os olhos e cérebros tentavam digerir o que estávam os vendo. Robin fez um sinal para que Falco desse um passo adiante, e ele assim fez, trem endo. Eu podia sentir sua assinatura nervosa enviando vibrações pelo Verde. Eu puxara o poder para m im sem sequer pensar nisso. Meus instintos de sobrevivência estavam em alerta m áxim o. A linha ley que corria debaixo dessa árvore gigante fazia que fosse m uito m ais fácil eu usar m eus poderes sem esforço.

Robin e Falco se aproxim aram da porta, andando calm am ente. O bruxo da luz se posicionou de lado, exam inando a área à esquerda e à direita, com o se esperasse que um Fae das Trevas saltasse das árvores a qualquer m om ento.

Falco olhou para a seta e em seguida se voltou para Robin, assentindo. Robin fez um gesto com a cabeça e Falco estendeu a m ão, pegando sua flecha pelo eixo e puxando-a da m adeira. Um galho acim a de nossa cabeça se m exeu e fez que um gem ido ecoasse pela floresta. Cada elfo involuntariam ente se abaixou um pouco, olhando para a árvore gigante que obviam ente não estava feliz.

Toquei sua energia sem sequer pensar duas vezes. Os sentim entos e as im agens que recebi m e fizeram cam balear.

Potência. Maj estade. História. Tudo isso dentro desse ser... essa coisa viva que estava ligada à floresta, aos elfos, e até a m im . Tudo. Flashes de coisas – despertares, m orte e violência, tem pestades, os gritos de bebês e de hom ens com raiva. Tudo isso envolvido nas ondas de energia que golpeavam m eu cérebro.

Por quê? Por que essas im agens m e chegavam assim ? Estendi a m ão para esta árvore antiga, essa Anciã de que os elfos falavam com tanta reverência. O que ela queria de m im e o que eu poderia fazer por ela?

O zum bido de nossa conexão aum entou de tom e volum e. Tentou m e consum ir e m e levar em bora, m as eu resisti. Eu não queria ser puxada. Queria ficar ali com o um a igual e m e com unicar. Senti que a árvore nunca havia encontrado este tipo de resistência antes. O zum bido aum entou ainda m ais, e tive que resistir à tentação de colocar as m ãos nos ouvidos. Eu sabia que não aj udaria, de qualquer m aneira, porque o som não chegava aos m eus sentidos por m eus ouvidos; além disso, eu não queria m ostrar qualquer sinal de fraqueza. Estendi a m ão para a linha ley em baixo dos m eus pés e puxei. Dois podiam j ogar esse j ogo.

Puxei O Verde para m im , m ais do que j am ais havia puxado antes, e senti as refrescantes boas-vindas e o am or que ele sem pre trazia. Meu coração disparou com um a experiência que eu nunca fora capaz de sentir em m inha vida hum ana regular. Nem a am izade, nem o abraço de nenhum a m ãe, nenhum gatinho fofinho ronronando j am ais inspirou esse tipo de conexão com o m undo antes. Mas agora não era hora de chafurdar na m aravilha. Eu tinha que m ostrar a essa árvore com quem ela estava m exendo.

Enviei m inha m ensagem à Anciã; m inha m ensagem era o poder de... do quê? Eu não sabia o que era. Senti um a m ão pegar a m inha e gentilm ente abri o olho para ver Falco ali parado, olhando para m im em pânico, com a preocupação estam pada em seu rosto. Isso m e fez sorrir. Eu tinha am igos na Floresta Verde, fae que se im portavam com igo. Um a ideia se form ou em m inha m ente, então – talvez eu soubesse o que m inha m ensagem poderia ser. O poder do amor, talvez? Mas com o era possível que o am or fosse m ais poderoso que qualquer um a das coisas que m e m ostraram , ou qualquer coisa que eu j á havia experim entado até então que haviam m e assustado ou m achucado? Eu não sabia a resposta para essas perguntas, m as tinha certeza de que essa pureza que corria através de m im e a m eu redor n’O Verde era o am or – o poder que ligava tudo a tudo.

Com a prim eira consciência de m inha m ensagem , notei que a árvore quis resistir. Seus ram os estrem eceram e endureceram . Abri os olhos com pletam ente e testem unhei essa reação ocorrendo enquanto m eus ouvidos captavam as rachaduras sinistras que saltavam das árvores vizinhas. O terreno ondulou sob nossos pés quando as raízes da árvore com eçaram a lutar com os fios de energia que chegavam , am plificados pela canalização de energia da linha ley.

Todos os elfos ali perto tinham expressões de pânico no rosto, incluindo Robin, que geralm ente era m uito difícil de intim idar. Soltei a m ão de Falco e segurei a m inha própria em um a m ensagem de tranquilidade, dizendo a m eus am igos em silêncio para esperar e ver o que aconteceria. Eu m e senti confiante de que m eu plano ia funcionar e que eles não estavam em perigo.

A Anciã m e em purrou com sua vontade, insistindo em m anter esse véu de escuridão sobre si m esm a e tudo a seu redor. Estávam os na Floresta Negra, e eu diria que a reticência da árvore provinha do fato de que não houve nenhum a luz ali por um tem po m uito longo. Eu sabia, m elhor que qualquer um desses elfos que tinham a sorte de nascer Fae da Luz na Floresta Verde, com o alguém pode acabar aprendendo a conviver com as circunstâncias infelizes e parar de perceber quanto são ruins. Essa árvore era m uito parecida com igo nesse ponto; ela havia se adaptado a suas circunstâncias e aceitara... perm itira que se tornassem um a parte de si. Mas eu havia encontrado outra m aneira de ver m inha vida, e a Anciã tam bém poderia – supondo que alguém se preocupasse em lhe m ostrar um a alternativa e que tivesse força para resistir ao apelo constante da com placência e da escuridão.

Em purrei de volta, certa de que o véu devia ser levantado e a luz devia entrar. Calor e tensão, raiva e poder – tudo isso bom bardeava m inha alm a através da conexão que com partilhávam os. E eu m e m antive firm e n’O Verde que m e cercava e protegia. E m e segurei firm e na ideia de que era hora de a escuridão dar espaço à luz.

A árvore gigante deu m ais um gem ido de resistência, a terra se contraiu m ais um a vez – com tanta força que m andou vários elfos para o chão –, e então a Anciã capitulou, finalm ente, de bom grado, e aceitou a m ensagem que eu estava enviando.

Recebi com o resposta um fluxo de im agens e sons – sol quente sobre as folhas, os bebês arrulhando e respondendo a sorrisos e risadas de suas m ães, o barulho do assovio dos pássaros de repente levantando voo, e a visão de m ontes de pólen preguiçosos que flutuavam sobre um glorioso prado florido. Sua alegria ilum inava m eu rosto até quase queim ar. Olhei para m eus am igos, os elfos, e os vi olhando para m im com um a expressão de choque prim eiro, e em seguida, um a tentativa de prazer. Folhas choveram sobre nossa cabeça e um galho m ais baixo da árvore gigantesca se m oveu lentam ente em m inha direção.

Os elfos e o bruxo rapidam ente se reuniram , de repente com m edo de novo. Estendi a m ão para tirar Tim de m eu om bro, m antendo m inha m ão parada na direção de Falco.

– Tim , fique aqui um segundo, sim ?

Tim não disse nada, pulando para a m ão estendida de Falco.

Fiz um gesto com o queixo para que m e deixassem .

– Vão. Eu j á vou.

O galho gigante chegou aos m eus pés e eu sabia exatam ente o que fazer. Subi nele, apoiando-m e em um galho pequeno, m as robusto, para m e equilibrar. Assim que parou de se m over, o ram o com eçou sua escalada ascendente, estendendo-se até chegar ao próxim o galho. Um por um , os braços da árvore m e elevaram m ais e m ais, até o topo do dossel da floresta, até eu poder ver acim a de tudo.

Senti a brisa e vi dois grandes gaviões circulando acim a do prado próxim o, à deriva nas correntes que subiam m uito acim a dele e em purravam contra suas asas para m antê-los no ar. Eu podia sentir o cheiro das flores e ervas, e da m adeira das árvores, o barro m ole do solo da floresta e os fungos e m usgos sobre as partes de árvores caídas e em decom posição. Puxei energia da linha ley para cim a e a com partilhei com essa árvore, e assisti em delírio quando pequenas folhas bebês se desenrolaram em seus ram os próxim os para acolher a luz do sol que desaparecia.

Ficam os assim , a árvore e eu, por um tem po. Eu assisti a um incrivelm ente belo pôr do sol com eçando à distância, conform e a Terra girava para a noite. Um a parte de m im queria ficar ali para sem pre; era m uito tranquilo e eu estava tão ligada à beleza... Nada da feiura do m undo real podia se introm eter.

Mas eu sabia que havia beleza e am or à m inha espera lá em baixo tam bém . E eu não podia abandonar aqueles que nunca m e abandonariam . Tive m inha folga, m as agora era hora de descer e voltar para a vida, aprendizagem , carinho, luta e talvez até m esm o m orte. Eu esperava que a parte da m orte estivesse bem longe, no futuro distante.

Agradeci à árvore por com partilhar com igo e pedi que m e levasse para m eus am igos. Era necessário, e eu logo estava no chão novam ente. Tudo estava do m esm o j eito que eu havia deixado, m as, ao m esm o tem po, totalm ente diferente.

O bruxo estava atordoado, olhando para a árvore de boca aberta. Os elfos sorriam e o am igo de Falco o em purrava, até que este se virou e lhe deu um soco no peito. O am igo apenas esfregou o local, franzindo a testa, m as não revidou. Fiquei feliz de ver que a hierarquia talvez houvesse passado por alguns aj ustes. O sentido de unidade e de paz que eu havia ganhado com ungando com a Anciã desapareceu um pouco, m as sua essência perm aneceu em m eu coração. Eu ia guardar essa beleza com todas as m inhas forças.

Robin veio até m im e assentiu, esperando que eu falasse.

Hora de tirar a cabeça das nuvens e voltar para o mundo real. Inspirei profundam ente e pus tudo para fora com um grande suspiro, sorrindo para m eu am igo élfico.

– Então, a flecha era m esm o de Falco?

– Sim . Vou ter que discutir isso com os elfos cinzentos, m as se m eu palpite estiver certo, isso significa que, em alguns casos, talvez com todos os elfos verdes ou talvez com apenas alguns – ele lançou um olhar para Falco e, em seguida, olhou para m im com dúvida nos olhos –, nossa m ira se torna algo m ais que apenas a linha de visão. Torna-se conectada ao nosso olho interior.

– Uau. Olho interior. Loucura.

Ele sorriu distraidam ente.

– Sim . Pode-se dizer que sim .

Falco se aproxim ou com Tim em pé em seu om bro, pendurado em um a m echa de cabelo perto da orelha do garoto.

– Da próxim a vez eu vou com você – disse Tim com firm eza. – Não é j usto m e deixar com o cabeça de gnom o aqui. Acho que tem os m ais um daqueles fae “Eu não acredito em xam pu” aqui. Eca.

Eu sorri.

– Fechado.

Estendi a m ão para que ele saltasse, contente por ninguém além de m im poder ouvi-lo agora.

Vi o olhar chocado em seu rosto e ao m esm o tem po ouvi o barulho proveniente da frente da árvore.

– O que está acontecendo aí fora? É você, pixie? Eu posso ouvir você, sabia? Eu estava tentando dorm ir!

Era a voz de Maggie.

– Oh, caralho. É ela! – disse eu em pânico. – Eu não sabia que ela estava aí. Droga, depois de tudo isso, ela está acordando só agora? Ela deve dorm ir com o os m ortos.

– Quem ? – perguntou Robin, m om entaneam ente confuso.

O bruxo de nosso grupo finalm ente falou.

– Maggie...

Ele parecia estar se preparando para um confronto, afastando as pernas e erguendo seu bastão a sua frente com as duas m ãos.

– Oh, m erda. Isso não é bom . – Minha m ente entrou em polvorosa. Oquefazerquefazerquefazer?

– Faça algum a coisa, Jay ne – chiou Tim em m eu ouvido. – Se ela vier aqui, vai enfeitiçar todos nós! E vai saber que você m exeu com a árvore dela! E ela odeia que outros fae m exam com a árvore dela, m ais do que odeia m entira!

– Cale a boca! Estou tentando pensar!

Eu podia ver a porta da frente se abrindo, um rangido alto sinalizando a chegada im inente da bruxa raivosa. O pânico que Tim estava criando em m im tornou im possível eu m e concentrar.

E então, tive um a ideia. Sem tem po para o debate interno ou a preocupação com o arrependim ento, m andei um a m ensagem para a enorm e árvore cuj as pernas eram a casa de Maggie. Por favor, tomara que funcione.

A porta interrom peu seu m ovim ento para a frente e a direção foi abruptam ente revertida, e ela se fechou com um grande estrondo.

– Ei! – ouvim os a voz irritada de bruxa por trás da porta. – Quem está m exendo em m inha porta?! Afaste-se, antes que eu o faça lam entar o dia em que nasceu!

Voltei-m e para o bruxo da luz e os elfos, que m e olhavam com horror, e gritei:

– CORRAM!