A Guerra dos Fae: Luz e Trevas
Capítulo 13
– O QUÊ? COMO PÔDE? QUANDO? – Jared passou a m ão pelo cabelo, frustrado. – O que posso dizer ao Conselho, Jay ne? Esta com unidade é pequena dem ais. Alguém desaparecido por tanto tem po será notado. Você sabe que isso não vai funcionar.
– Não, eu não sei disso – falei, testando-o.
Finn sugeriu.
– Você e Ivar continuam recrutando em m issões o tem po todo. Por que não partem em um a e levam um Chase im aginário j unto?
– Não tenho nenhum a program ada por enquanto, e exige m uita coordenação em preender um a. Eu sim plesm ente não posso im provisar um a desse j eito. E o Conselho está sem pre envolvido; eles saberão que algo está ocorrendo. Vão querer explicações que não terei.
– Bem , vam os achar algum j eito. Acabei de recuperar um am igo, não vou perder outro agora. Se eles expulsarem Tim para um a colônia de pixies, ele nunca sobreviverá. Ficará sem asas por um a sem ana, no m ínim o. Eu nem sei se aquela que Ben queim ou vai voltar.
Eu não havia expressado essa preocupação ainda, m as andava pensando nela; e deduzi que não faria m al ressaltá-la nesse m om ento. Jared precisava ser convencido.
Jared se levantou e foi se sentar em sua cam a, voltando os olhos para nós.
– Farei o que puder para pensar em algum a coisa, m as, por enquanto, estou sem ideia algum a. – Ele suspirou ruidosam ente. – Procurem -m e no café da m anhã. Nada acontecerá esta noite que possa m udar algum a coisa.
– Tudo bem – falei m e levantando e indo em direção à porta com Becky e Finn. – E obrigada, Jared. Agradeço sua aj uda.
– Tudo bem – disse ele distraidam ente, obviam ente com a m ente ainda voltada para nossa situação difícil.
Finn, Becky e eu saím os do quarto de Jared e nos despedim os uns dos outros. Eles se afastaram , descendo pelo corredor na direção oposta a m eu quarto. Eu im aginei m inha porta, e alguns m inutos depois estava em pé diante dela. Pude ouvir o baixo m urm úrio de vozes ali dentro, o que m e fez pensar sobre aqueles espiões enfeitiçados novam ente. Eu esperava não ter um deles ali.
– Olá, pessoal – disse ao entrar, ficando im ediatam ente irritada ao ver Scrubs sentado em m inha cam a e Tony no chão.
– Scrubs, caia fora de m inha cam a, seu cretino.
Ele pulou:
– Oops, sinto m uito. É Scrum , a propósito. Não Scrubs.
Ele cam inhou na ponta dos pés, exageradam ente desaj eitado, e se sentou no chão perto de Tony.
– Tony, você pode se sentar em m inha cam a.
Tony sorriu.
– Estou bem aqui. O que você descobriu?
Tim olhava para m im ansiosam ente, e eu franzi o cenho. Um a bobagem fora a causa de tudo aquilo. Se ele não fosse tão bom am igo, eu alegrem ente o m andaria para a forca. Mas ele de algum m odo descobrira um j eito de ser querido por m im , e agora eu tinha que dar cobertura ao seu traseiro de pixie.
– Chase está com os bruxos dos Fae das Trevas, que estão tentando curá-lo.
– O quê? – gritou Tim .
Eu era a única no quarto que conseguia ouvi-lo. Eu conseguira com Maggie um feitiço para poder escutar sua voz m inúscula, que norm alm ente era baixa dem ais para os ouvidos hum anos, a m enos que ele estivesse falando diretam ente em um canal auditivo a um a polegada de distância. Agora eu podia ouvir sua voz com o se saísse de um a pessoa norm al.
– Sim , você m e ouviu direito, seu m aluquinho. E am anhã, eu e você vam os aos curandeiros para que eles possam extrair um a am ostra de seu sangue. Os Fae das Trevas precisam dele para a cura.
Tim balançava a cabeça com m edo no rosto.
– Nem se atreva a pensar em dizer não, Tim . Eu não estou brincando com você. Chase não pode ser curado sem isso. Ou você coopera e não m e apronta nenhum a m erda, ou eu lhe ponho debaixo daquela redom a novam ente.
– Sim – disse ele protestando, com o pânico difuso em seu rosto –, m as você sabe o que um Fae das Trevas pode fazer com um a am ostra de sangue? E de um pixie?
– Não. E não quero saber. Maggie disse que esse cara que conhecem os na floresta estava dizendo a verdade. Ele pode curar Chase; ou curá-lo quase com pletam ente, sei lá. De m odo que precisam os fazer isso. Vam os levar a am ostra para ele am anhã bem antes do alm oço.
Tim virou o rosto para a parede, dando-m e suas costas raivosas.
– Há algo que eu possa fazer para aj udar? – perguntou Scrum .
– Só fique fora do m eu cam inho.
Eu não estava com disposição de dar um a de babá essa noite.
– Jay ne, ele pode nos aj udar, acho. Ele esteve m e falando m uita coisa sobre seu treinam ento e o que acontece aqui no com plexo.
Ergui um a sobrancelha ao ouvir isso. Esse suj eito era tão desaj eitado que era difícil im aginá-lo se saindo bem em qualquer treinam ento. Mas ele era um dem ônio, de m odo que ao m enos saberia o que eles faziam dia a dia.
– Que sej a. Scum, seu quarto é vizinho ao m eu, por ali – ergui m eu polegar na direção oposta ao quarto de Chase. – Tony, o seu é do outro lado do dele. Venham , eu os levo lá.
– É Scrum , não Scum. Mas tudo bem , obrigado. Acho que m e m udaram . – Ele foi para o corredor e abriu a porta de seu quarto. – Boa-noite, pessoal. Foi ótim o encontrar você, Tony. Vej o-o de m anhã?
– Claro, Scrum . Obrigado pela orientação – disse Tony sorrindo.
Tony atraía desaj ustados. Eu odiava pensar no que isso queria dizer em relação a m im .
Scrum desapareceu. Ouvi o som de um a batida e um arranhão saindo do quarto, o que m e dizia que o garoto provavelm ente havia tropeçado e batido contra a côm oda, derrubando-a de lado. Que imbecil. Com o esse cara podia ser o guardião de um dem ônio guerreiro estava além de m inha com preensão. Fiquei pensando se era possível que eles houvessem falhado deixando-o entrar.
Tony abriu a porta para seu quarto e vi im ediatam ente que era quase exatam ente igual ao m eu. Entrei e fui para sua côm oda. A bandej a de prata em cim a, no lugar onde ele devia deixar brindes para seus brownies, era um pouco diferente. Era de prata tam bém , m as tinha ornam entos diferentes nas bordas. Eu notara a m esm a coisa no quarto de Spike na única vez que estivera lá.
– Quando entrei em m eu quarto pela prim eira vez havia roupas nas gavetas para m im .
Abri as dele, e realm ente estavam cheias. As túnicas eram brancas com o as m inhas, e ele tinha calças jeans. Que legal... íam os bancar os gêm eos.
– Você tem coisas aqui, m as tenho a im pressão de que essas túnicas vão m udar.
Tony se aproxim ou para olhar dentro da gaveta com igo.
– Por quê? O que há de errado com elas?
– São brancas.
Tony olhou para m im .
– E isso é um problem a porque... eu sou bagunceiro, talvez?
– Não. Porque acho que você devia adquirir algum as de tom cinza escuro, em vez destas.
Tony m e lançou um de seus olhares.
– Jay ne, não m e faça torturar você com cócegas. É só m e falar. Estou cansado.
Revirei os olhos.
– Hoj e à noite conheci um Fae das Trevas, que é um irado.
– É o cara que vai dar um j eito em Chase?
– Sim , exatam ente. Ou ele trabalha com os bruxos que vão fazer isso. Seu nom e é Gustav, ou Goose, para abreviar. De qualquer m odo, os olhos dele têm a m esm a cor dos seus. Portanto, não é um a definição ou qualquer coisa assim , m as há um a possibilidade de você ser um irado tam bém .
– O que é um irado?
– Não faço a m enor ideia. Eu sei que eles podem fazer coisas no Cinza, o que é... legal.
Honestam ente, eu não sabia se era legal ou não, m as queria dar a Tony algo positivo em que pensar. E se estivesse em sua raça fazer parte do Cinza, estou certa de que seria bom para ele, m esm o que não fosse m eu lugar favorito. Eu estivera no Cinza um a vez, quando Gregale m e levara a um a proj eção astral para ver Tony em West Palm . Ficara tão concentrada em chegar a Tony que não prestara m uita atenção no Cinza, m as lem bro que era frio e nada alegre. Eu tam bém sabia que o Cinza distorcia a aparência das coisas – lançava um a som bra que não estava necessariam ente lá. Quando vi Tony no Cinza, ele parecia infeliz e desam parado, furioso com igo. Ele estava um pouco assim quando fom os vê-lo pessoalm ente, m as não de m aneira tão intensa com o o Cinza o fizera parecer.
– Com o vou aprender todas essas coisas?
– Durante seu treinam ento. E pelas conversas com outras crianças trocadas. Juro, a m aior parte do que sei aprendi por fofocas e por acidente. Aqui não é Hogwarts, se entende o que quero dizer. Conversarei com Dardennes sobre isso am anhã. Só tenho que descobrir com o contar a ele que você é um irado. Nós não tem os nenhum aqui, pelo que vi, e ele ficará pensando com o foi que fiquei sabendo.
– Você disse que pôde perceber pelos olhos desse Goose? Com o assim ?
– Um m onte dos fae aqui tem características físicas que indicam sua raça. Com o Dardennes e Céline, que são am bos elfos prateados, têm aqueles estranhos olhos cinza prateados. E quando fazem suas coisas, com o cavalgar o vento, seus olhos ficam trêm ulos, girando.
– Eles cavalgam o vento? E seus olhos giram ? – Tony tinha um a expressão confusa no rosto. – Isso parece legal e vulgar ao m esm o tem po.
Eu dei risada.
– Não, seus olhos não giram , palerm a. A cor é que gira ao redor. O vento, na verdade, está na íris deles. Mas não é com o se seus globos oculares ficassem rodando ou coisa assim .
Fiquei sorrindo, im aginando a digna Céline com olhos de bola de críquete. Era um a coisa que eu gostaria de ver.
– Com o você vai m encionar isso a eles?
– Não sei. Talvez eu peça a Jared para falar.
Tony bocej ou.
– Scrum m e m ostrou onde ficam os banheiros m asculinos. Você acha que posso tom ar um banho antes de dorm ir?
– Claro. Eu tom o banhos tardios o tem po todo. Não há tantas garotas assim aqui, de m odo que geralm ente o lugar fica só para m im . Suas roupas estão na côm oda, toalhas na gaveta de baixo. Há sabonete e dispensador de xam pu nos chuveiros. Sua escova de dentes e crem e dental devem estar no arm arinho ao lado de sua pia. – Apontei para o canto do quarto. – Precisa de m ais algum a coisa?
– Só um desses – disse ele estendendo os braços para um abraço.
Aceitei de boa vontade, puxando-o para um aperto enorm e.
– Cara, com o estou feliz por você estar aqui!
Lágrim as brotaram de m eus olhos e eu deixei-as sair. Lim pavam a ansiedade de m inha alm a. Tony estava com igo outra vez, e assim que Chase estivesse inteiram ente curado e Tim tivesse suas asas crescidas novam ente, tudo estaria certo em m eu m undo.
Pude ouvir o sorriso na voz de Tony quando ele respondeu.
– Eu tam bém , Jay ne. Obrigado por voltar para m e pegar. Eu sei que dificultei as coisas, e não tinha certeza de nada. Mas estou feliz com m inha escolha e m uito alegre por estar aqui.
– Rá! – ri, encostada em seu om bro. – Com o se eu fosse abandoná-lo para Ben e seus am igos dem ônios dos Fae das Trevas. Acho que não.
Tony se afastou de m im .
– Jay ne, eu sei que você o despreza m uito. E, para ser honesto, toda aquela coisa de “hom em pegando fogo” m e abalou. Mas eu realm ente penso que se lhe der um a chance, você gostará dele. Ele era ótim o, e não só para m im , m as para todo o m undo.
Balancei a cabeça. De m odo algum eu aceitaria esse papo furado.
– Que sej a, Tones. Você sem pre foi bom em ignorar os defeitos das pessoas.
– Com o alguém que praguej a o tem po todo?
– Sim . Com o essa pessoa, engraçadinho. Posso praguej ar um pouquinho, m as os defeitos dele são m ais do tipo “sou um dem ônio m aligno que lança fogo”. Dificilm ente com paráveis a um bem colocado “sacana” ou “m iolo de m erda”.
Tony riu.
– É bom saber que em bora você sej a fae agora, ainda é a m esm a Jay ne.
Eu sorri.
– É verdade, querido. Você está olhando para a nova e m elhorada Jay ne... Jay ne-nova-versão-form atada – beij ei-o em um a bochecha e depois dei um tapinha leve na outra. – Boa-noite. Virei buscá-lo de m anhã. Não fique vagando por esses corredores, exceto para ir ao banheiro e para os quartos, ou você se perderá, eu não sei com o iria encontrá-lo.
Ele olhou para m im , divertido.
– É só um corredor, Jay ne.
– Sim ... É o que você pensa.
Saí de seu quarto sem lhe dar um a explicação, decidindo que o deixaria tentar m e levar ao refeitório am anhã. Era a m elhor m aneira que podia pensar para ilustrar com o era confuso.
Voltei a m eu quarto e cam inhei em direção a m inha côm oda, onde Tim estava em seu m iniquarto de dorm ir. Ele estava deitado em sua cam a, com o rosto virado para o outro lado.
– Tim , sei que você não está dorm indo. Vire-se e fale com igo.
Ele se virou zangado, estrem ecendo de dor nos tocos de suas asas, m as não disse nada.
– Estou m orta de cansaço e sem ânim o para qualquer acesso de fúria, por isso, peço apenas que m e deixe dizer um a coisa: vou fazer tudo que puder para im pedi-los de descobrir o que você fez e de expulsá-lo para um a colônia de pixies, Tim . Mas você tem que m e aj udar. Você m e prom eteu que não transform aria ninguém em pixie, e eu pus m inha reputação em risco responsabilizando-m e por você. Se eles descobrirem o que fez, nós dois estarem os ferrados. Você entende o que estou dizendo aqui?
Tim fez um beicinho.
– Não preciso que você m e explique as coisas com o se eu fosse um pixiezinho de nada.
– Bem , aparentem ente precisa, j á que soltou seus poderes de pixie sobre nosso am igo, seu idiota. Portanto, passe por cim a do orgulho e m e aj ude. Am anhã vam os sugar um pouco de sangue de sua bunda m ole e depois você vai m e aj udar a arquitetar um plano.
– Eu j á tenho um – disse ele baixinho, ainda se recusando a desfazer o beicinho.
– Bem , qual é?
– Eu vou m e entregar.
– Acabe com essa m erda de m ártir e pare de sentir pena de si m esm o – m e afastei dele, frustrada. – Sabe de um a coisa, Tim ? – Voltei-m e de supetão para encará-lo novam ente. – Se você não fosse tão pequeno e sem asas no m om ento, eu daria um tapa em sua bunda besta. Não perm itim os nenhum showzinho de autopiedade neste quarto.
– Não é um showzinho de autopiedade – disse ele, chorando baixinho ao explicar. – Eu faltei com m inha palavra. Minha palavra é m uito im portante para m im ... tal com o você. Eu decepcionei você. Nem sei por que você ainda m e quer por perto...
Ele sufocou e depois fungou, enxugando o nariz com a m anga de sua túnica.
Então era isso. Tim estava preocupado que eu não fosse m ais gostar dele. Suspirei.
– Tim . Você j á m e conhece m uito bem , e sabe que eu não sou a garota m ais delicada e sentim ental do com plexo. Se quiser alguém para m im á-lo e lhe dar todos os tipos de abraços de pixies, vai ter que falar com Becky. Neste m om ento eu estou m ais que cansada, e superdesconj untada, e tudo que quero fazer é dorm ir e acordar para descobrir que tudo isso foi um pesadelo m aligno. Mas, no fim disso tudo, você precisa saber que quero tê-lo aqui neste quarto com igo, sendo ainda m eu colega de quarto e ainda m eu am igo. Agora, até que Chase fique m elhor, isso é tudo em m atéria de afeto que posso lhe dar.
Tim concordou lentam ente, e um sorriso hesitante aflorou em seus lábios.
– É bom o suficiente para m im . É m ais do que eu m ereço.
– Tim ...
– Tudo bem , tudo bem – ele ergueu a m ão debilm ente –, nada de showzinhos de autopiedade. Vou dorm ir. Tenho duas novas asas em crescim ento, você sabe. Não apenas um a; duas asas. Duas.
Ele ergueu dois dedos pequeninos.
– Ora, cale a boca. Fico feliz que ela tenha arrancado essa segunda asa. Agora talvez você leve em conta aquilo pelo qual Chase está passando.
Tim estrem eceu.
– Golpe baixo, Jay ne. Mesm o vindo de você.
– Ora, durm a com esse barulho!
Joguei m eus cobertores para trás, chutando longe m eus m ocassins. Desfaleci na cam a, m al puxando os cobertores para cim a antes de com eçar a cair no sono.
– Não vai escovar os dentes prim eiro?
– Você não vai calar essa m aldita boca antes que eu vá até aí e o enfie em um a gaveta?
A única resposta que recebi foi um dos infam es puns de pixie de Tim ...
– Idiotinha sem asas – resm unguei para m eu travesseiro.
Ele deu um a risadinha, e isso foi a últim a coisa que ouvi antes de cair em um sono sem sonhos.