A Guerra dos Fae: Luz e Trevas

Elle Casey · Capítulo 26 de 38

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A Guerra dos Fae: Luz e Trevas

Capítulo 25

 

APEGUEI-ME À SENSAÇÃO BRILHANTE QUE PASSAVA ATRAVÉS de m inhas m ãos quando descansavam sob a água que ainda fluía da torneira. A princípio, m inha conexão era quase im perceptível, apenas um a vibração; m as, depois, senti um alongam ento estendendo-se para além do lugar onde eu estava. Deve ser assim que se sente um feixe de luz em um cabo de fibra óptica. Eu estava correndo ao longo de um a corrente, indo com um fluxo que não podia ver; as im agens e flashes de sentim entos trem ulavam e quase m e faziam cócegas enquanto eu passava. Concentrei-m e em duas fae que eu sabia que estavam associadas com esse elem ento: Becky e Naida, a sereia do lago da Floresta Verde.

No com eço eu não tinha nada em que m e agarrar, só um am ontoado de im agens e pedaços de sensações. Mas, aos poucos, as coisas tom aram form a e ganhei foco. Eu podia sentir que o que procurava estava lá fora... se o pudesse alcançar. Tim estava dizendo algo, m as eu não conseguia m e concentrar nele m uito bem ; estava absorvendo as coisas que via e sentia na água. Algum as de suas palavras rom peram m inha concentração.

– ...Com o O Verde!

Ao ouvir essas três palavras, percebi que o que eu estava tendo nesse m om ento com a água não era diferente do que eu havia tido com O Verde. Havia um a rede de seres ali, todos ligados uns aos outros por m eio desses elem entos. Eu estava conectada. Eu estava ligada a am bas as redes – as de água e terra. E elas estavam ligadas um a à outra... Não estavam ?

Decidi que valia a pena tentar fazer algum tipo de ligação transversal entre as duas. Ou eu traria O Verde para m im e de algum a form a m e protegeria da pior parte da tortura, ou causaria algum tipo de evento cataclísm ico. Talvez os elem entos nunca devessem se m isturar. Eu não tinha tem po para resolver o problem a ou consultar os sábios e m aravilhosos elfos cinzentos, então, decidi voltar para m inha filosofia padrão: que porra... podia m uito bem tentar.

Por m eio da água cham ei m eus am igos. Concentrei cada gram a de energia que eu tinha na recordação de seu rosto, sua personalidade e nossa história em com um . Eu evocava os sentim entos que tivera quando estávam os passando por coisas j untos. Im aginei a risada de Becky e seu sorriso fácil. Lem brei-m e do rosto im passível de Naida atraindo m eus am igos para a água durante nosso teste. Vi tudo; e por m eio de todas essas visões, pude senti-los. Sua energia fae surgia de nosso elem ento Água e voltava para m im .

Eu sabia que estava sentindo Becky lá agora. Ela estava preocupada e com m edo, m as aliviada tam bém . Tentei lhe dizer onde eu estava e que Tim e eu tentaríam os escapar. Era m ais difícil usar a conexão com água para m im . Eu não tinha experiência suficiente com ela, e não sabia se Becky estava recebendo a m ensagem ou não.

Naida estava lá tam bém . Eu senti um a presença calm ante nela, e raiva. Sabia que a raiva não era para m im – estava reservada para os que m e m antinham ali. Nossa, com o eu gostaria de vê-la flutuar para cá e cantar para todos eles até m orrerem !

Afastei-m e da conexão com m eus am igos de água e foquei na elaboração de um a conexão entre a água e a terra. Eu sabia que estava ali em algum lugar.

Pensei na Floresta Verde e nas árvores... As folhas e as videiras... Tudo que eu e os outros havíam os tocado antes, quando eu precisara deles. Pensei nas raízes dos Anciões afundadas no solo, estendendo a m ão para a água que as alim entava; e foi aí que encontrei m inha conexão. Ela estava esperando por m im o tem po todo.

Eu estava no banheiro, conectada por m eio da água, e puxei O Verde para m im . Ele veio correndo, preenchendo cada parte de m eu ser com sua luz fria, curativa. Senti um ponto acim a de m eu olho form igar e sabia que a pele estava sendo repuxada e o tecido da cicatriz se tecendo sobre o corte que antes sangrava. Senti m inha energia restaurada e m inha esperança aum entou até que inchou m eu coração de felicidade. Agora Tim e eu tínham os O Verde. Agora íam os dar o fora desse pesadelo dos infernos.

Enviei um silencioso obrigado para a Água, grata por sua aj uda e conexão com O Verde. Tirei a m ão do fluxo da torneira, testando para ver se a conexão se m antinha, aliviada ao descobrir que sim . Até as criaturas das trevas aj udaram m inha conexão ali. Até seu coração som brio não conseguiu se esconder do poder que alim entava com sua força vital. Fechei a torneira e abri os olhos, voltando-m e para Tim .

– Foi tão bem quanto pareceu? – perguntou ele, sorrindo hesitante.

– Melhor. Estou ligada a’O Verde agora.

– Eu sabia. Senti o zum bido, m esm o sem m inhas asas. Pixies podem sentir O Verde, sabia?

Eu sorri, cheia de alegria, que não lhe encheria o saco por causa de sua altivez de pixie.

– Eu sei, você é o fodão. Você é o cara... o grande pixie. Agora, vam os quebrar a cara desses fae.

Tim saltou para m inha m ão estendida e correu por m eu braço para entrar em m eu cabelo.

– Em frente, sua elem ental quebradora de caras fae!

Estendi a m ão, batendo suavem ente em sua bunda por arrancar m eu cabelo e m e tratar com o um cavalo, m as não tive tem po para repreendê-lo corretam ente porque alguém estava batendo na porta.

– Hora de sair! – gritou m eu carcereiro duende do bosque.

Hora de testar minha força, quer dizer, seu idiota. Coloquei um cam po de energia Verde na frente da porta.

– Venha m e pegar, cabeça de gnom o!

Eu podia ouvir alguns resm ungos do outro lado da porta. O trinco sacudiu. Passou-se m ais um segundo e sacudiu m ais um a vez, antes de seguir-se m ais silêncio.

– Com o você trancou essa porta? Essas portas não podem ser trancadas. Abra agora!

Ele falava com o m inha m ãe. Tentei não rir. Escapar das garras dos bandidos era coisa séria, m as eu estava tão cheia de poder d’O Verde, e certa de que eu podia finalm ente escapar, que não poderia deixar de ficar feliz.

– Não!

Era com o se eu estivesse no auge da vida. Jorrava luz e felicidade. Não era m eu estilo, m as eu m e sentia tão bem nesse lugar m iserável!

Ouvi os passos irritados do duende do bosque se arrastando até o final do corredor. O Verde foi am pliando todos os sons a m eu redor. Eu podia ouvir Tim respirando rápido, m ostrando-m e que estava tão anim ado quanto eu. Logo fui capaz de ouvir vários pares de pés vindo pelo corredor em direção à porta.

A voz de Leck se infiltrou pela m adeira, causando um arrepio de cim a a baixo em m inha espinha. Isso dim inuiu um pouco m inha alegria; ouvi-lo m e fez perder um pouco de otim ism o. Eu sabia que ele estava do outro lado, a m enos de dois m etros de distância, tentando descobrir com o entrar e m e m achucar. Esse tipo de m al é difícil de bloquear totalm ente.

– Abra a porta, Jay ne. Ainda não acabam os de conversar.

Tim estava trem endo de novo.

– Ele vai entrar, Jay ne – gem eu baixinho.

– Não vai, não – sussurrei. Gritei para a porta. – Vá torturar sua m ãe, Leck!

Eu esperava que insultar a m ãe de um fae fosse tão rude quanto insultar a de um hum ano. Talvez se eles ficassem bravos o suficiente, algo se quebraria por ali e eu seria capaz de encontrar um a m aneira de sair. Com sorte, a coisa a se quebrar não seria eu.

– Eu lhe dou cinco segundos.

– Dê-m e o que quiser. Eu não vou sair daqui enquanto os Fae da Luz não chegarem para quebrar a cara de vocês.

Considerei testar a ligação de energia para a com unicação, m as eu estava preocupada com m inha capacidade de fazer m uitas coisas ao m esm o tem po. Poderia eu segurá-los com m inha bolha gigante de energia Verde e falar com os elfos verdes ao m esm o tem po? Valia a pena tentar, m as eu tinha m edo de fazer isso com Leck ali fora. Eu j á sabia que, com o irado, ele podia fazer coisas com o andar pelo Cinza e enviar um a dor insuportável a m eu corpo, m as não tinha outras pistas sobre seus poderes restantes. Irados eram uns assustadores de m erda. Eu estava feliz por m eu am igo Tony ser um deles. Um a vez que ele houvesse entendido tudo, ninguém j am ais m exeria conosco de novo.

Senti algo pressionando O Verde. Não era bom ; parecia escuro e perigoso. Devia ser Leck tentando fazer algum a coisa, ou talvez Sam antha novam ente – em bora desta vez parecesse diferente, m ais am eaçador. Talvez Leck estivesse tentando entrar ali utilizando o Cinza. Eu não tinha ideia de com o o Verde e o Cinza se conectavam – ou se desconectavam , nesse caso –, e tam bém não queria saber.

– Tudo o que está tentando fazer não está funcionando. Vá torturar alguém . Deve haver um a criancinha ou um a senhora de idade por aí para você derreter só por diversão.

Eu podia ouvir vozes m oderadas do outro lado da porta, m as era difícil descobrir o que estavam dizendo. Eu poderia dizer que estavam putos, no entanto. Boa. Pelo m enos eu não era totalm ente inepta contra esse poder fae.

O que estava em purrando m inha bolha de energia parou, então rapidam ente corri ao longo da conexão para ver o que ou quem m ais eu poderia encontrar lá fora. Finn era o candidato m ais provável, sendo um elfo verde, e eu sabia que poderia chegar aos elfos por m eio d’O Verde. Mas ele estava fora, em m anobras de treinam ento, não sabia por quanto tem po. Eu não tinha certeza de onde estava ou quanto tem po havia passado ali. Mas valia a pena tentar encontrá-lo. Se eu conseguisse falar com Finn, ele poderia contar para Jared e o Conselho o que estava acontecendo. Infelizm ente, eu teria que lhes falar sobre Chase, porque se alguém fosse aparecer para fins de resgate, eu queria que ele fosse levado tam bém . Até o m om ento nenhum dos fae ali havia m encionado Chase, o que m e dizia que eles não sabiam que ele estava ali, ou que não sabiam sobre nossa ligação.

Im aginei Finn em m inha m ente, ouvindo o sotaque caipira agradável de seu discurso. Vi seu cabelo averm elhado e suas sardas, os antebraços m usculosos que ele flexionava quando recuava sua flecha para lançá-la assobiando através do ar até acertar seu alvo. Eu o vi sorrir para Becky, sem pre se divertindo com seus com entários felizes. Esperei para ver se m e deparava com ele em m inha conexão, m as antes que eu pudesse ir longe o suficiente, ouvi m ais sons no corredor.

– Jay ne – era Ben.

Eu não disse nada, m as abandonei m inhas tentativas de alcançar Finn.

– Jay ne, não sei com o conseguiu trancar a porta, m as você tem que abri-la. Eu não serei capaz de protegê-la se resistir agora.

Eu tinha que dizer algum a coisa; aquilo era ridículo dem ais para ficar sem resposta.

– Proteger-m e? Se soltar seu pitbull Leck em cim a m im é sua ideia de proteção, pode ir se ferrar. Ele quase m e m atou.

– Você está sendo dram ática.

– Deixe-o liquefazer seu cérebro por alguns m inutos e vej a se você ainda concorda com essa afirm ação.

– Jay ne, escute. Maléna virá.

Sua voz tinha um a urgência que m e deixou nervosa. Principalm ente porque ele parecia nervoso, e não creio que essa fosse um a em oção que ele sentia norm alm ente.

– Deixe-a vir. – disse eu, arrogante, apesar de ter m uito receio.

Ela havia detido Ben totalm ente e o m andara para fora da m inha cela – com um sim ples com ando ou com um a raj ada de vento de tornado que enviara –, o que significava que ela era foda. Eu só não sabia quão fodona ela era. Gostaria de ter passado m ais tem po com Céline aprendendo sobre os elfos de prata. A prim eira coisa que eu faria quando voltasse seria falar com Tony sobre os planos dos elfos cinzentos para a form ação dos fae. Se não fosse tarde dem ais, um curso básico de princípios fae era definitivam ente necessário. Esses tolos não percebiam o quanto a ignorância das crianças trocadas estava m achucando os Fae da Luz com o um todo e arriscando nossa segurança.

Não ouvi m ais nada durante um m inuto ou m ais, de m odo que presum i que Ben havia ido em bora e que eu estava sozinha novam ente com Tim ; m as, depois, ouvi um leve toque na porta. Um a voz falava com igo do outro lado, m as era fraca dem ais para eu ouvir. Cheguei m ais perto.

– O que você disse?

Eu nem sabia quem era. Coloquei a m ão na porta e pude sentir o calor, e não só a m adeira. Ben.

– Jay ne. Por favor, estou lhe im plorando. Você vai destruir o coração de Tony se for m orta aqui dentro.

– Ben, por que você não m e deixa em paz? Não vou sair.

Eu pulei para trás de susto ao ouvir o estrondo na porta, que a sacudiu em suas dobradiças. O som era com o quando m inha m ãe e o nam orado iam com eçar a brigar. Foi j usto antes de ganharm os novos buracos nas paredes, cortesia de Rick, o Babaca.

– Você acabou de socar a porta?

– Sim .

– Uau. Bem m aduro.

– Estou frustrado, ok? Tony é m eu am igo... era m eu am igo. Sei quanto ele se preocupa com você. Você vai m orrer e ele vai m e culpar.

Ben estava fazendo m inha cabeça girar novam ente. Poderia ser m ais ridículo? Ele ordenava m inha tortura e, em seguida, pedia que eu m e salvasse subm etendo-m e a m ais do m esm o? Se essa não fosse um a situação de vida ou m orte, seria típico de qualquer garoto. Dizem um a coisa, fazem outra. Enganam um a m enina, fazendo-a acreditar que gostam dela, e em seguida desprezam -na depois que ela cai na rede. Não que eu tivesse m uita experiência na área, m as tive m eu coração partido um a ou duas vezes por m eninos descuidados. Eu sabia quando estavam brincando com igo.

– Você não precisa se preocupar com Tony ou com igo. Eu não vou m orrer, e você se afastou da am izade de Tony quando m e trouxe para cá.

Ouvi um rugido baixo que m e indicou que a fúria flam ej ante de Ben estava levando a m elhor. Puxei m ais d’O Verde para m im , esperando que não tivesse que lutar com os elem entos contra ele. Eu não tinha experiência de com bate e definitivam ente não tinha confiança. E estava do lado errado do cam po tam bém . Talvez se m eus com panheiros fae estivessem atrás de m im , eu m e sentisse diferente. Mas ali, tudo que eu queria fazer era m anter os bandidos do lado de fora até que pudesse fugir.

Ouvi m ais ruídos no corredor e alguns gritos. O calor de Ben desapareceu e foi substituído por um silêncio frio.

– O que você acha que estão fazendo? – sussurrou Tim .

– Não tenho ideia. Mas isso está m e assustando... O silêncio.

– A m im tam bém .

Afastam o-nos da porta, sentando no chão do banheiro, do outro lado.

– Se as coisas acabarem m al para nós aqui, só quero que você saiba que significou m uito para m im ser seu am igo – disse Tim olhando para suas m ãos pequenininhas.

– Digo o m esm o, Tim . Mas nós vam os sair dessa. Vivos. Nossos am igos virão.

– Você conseguiu entrar em contato com eles?

– Não. Mas vou tentar novam ente em um m inuto. Só estou com um pouco de m edo de tirar m inha concentração da grande bolha de energia que coloquei em torno do banheiro.

Tim olhou em volta e para o teto.

– Nós estam os em um a bolha neste m om ento?

Dei de om bros.

– É assim que eu cham o. Im agino um a bolha gigante de poder feito d’O Verde e ela aparece.

Tim sorriu.

– Já m e sinto m elhor – ele olhou para a porta do banheiro gritando alegrem ente com seu pequeno dedo m édio estendido. – Fodam -se, Fae das Trevas! A bolha os deteve!

Nossos sorrisos desapareceram quando ouvim os o vento responder. Meu queixo caiu e todo o sangue sum iu do rosto de Tim ao m esm o tem po. Maléna estava de volta, e fazia algo dentro do vento do lado de fora da porta.