A Guerra dos Fae: Luz e Trevas

Elle Casey · Capítulo 3 de 38

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A Guerra dos Fae: Luz e Trevas

Capítulo 2

 

CHEGAMOS À LANCHONETE E NOS JUNTAMOS A Ben em um a grande m esa redonda num dos cantos, no fundo do salão. Um a garçonete se aproxim ou e anotou nossos pedidos de bebidas antes de nos deixar sozinhos.

Olhei para Ben, im passível.

– Você queria falar. Então fale.

– Obrigado por terem vindo.

Eu dei de om bros, recusando-m e a fazer parte de seu j oguinho de bom -m oço.

Ele balançou a cabeça, confuso.

– Não precisam os brigar, Jay ne. – Ele olhou para Jared. – Diga a ela.

Olhei para Jared curiosam ente. Eles se conheciam?

Jared levantou as sobrancelhas.

– Não vou dizer coisa nenhum a a Jay ne. Ela é inteligente o suficiente para ver a verdade diante de si. Diga logo o que tem para dizer, para poderm os ir em bora. Nenhum de nós está interessado em sua propaganda de Fae das Trevas.

– Eu tam bém poderia cham ar de absurda sua propaganda – respondeu Ben calm am ente.

Finn, m eu am igo elfo verde e caipira, que não era o tipo de pessoa capaz de guardar suas opiniões para si m esm o por m uito tem po, com eçou a falar alto.

– Você poderia com eçar nos explicando porque atacou Chase pelas costas com um a flecha envenenada no m ês passado, tentando acertar Jay ne.

Ben levantou as sobrancelhas com um olhar sarcástico para Finn.

– Não tenho a m ínim a ideia do que você está falando.

Eu soltei um a risada am arga.

– Ah, uau, m as que surpresa! Ben vai usar a negação com o sua grande estratégia para convencê-lo a ir com ele, Tony. – Olhei para m eus am igos. – Alguém pode, por favor, explicar porque estam os perdendo nosso tem po aqui?

– Jay ne – disse Ben com força –, eu não fui responsável pelo que quer que tenha acontecido a você ou a Chase; m as, acredite, vou descobrir quem foi e dar um j eito nisso.

– Bom , desculpe se isso não m e faz sentir toda quentinha e feliz por dentro.

Bom, pelo menos não muito. Espere aí... O quê? Balancei a cabeça tentando organizar as ideias. Droga. Pare de olhar para ele assim. Ele é o inimigo. Era ridículo; eu não podia confiar nem em m im m esm a perto desse cara. Precisávam os dar o fora dali. Ele era ainda m ais sexy que Spike.

Lancei um olhar rápido a m eu am igo íncubo, bem a tem po de notar nele um sorrisinho sabido e um brilho rápido nos olhos verm elhos. O m aldito Spike estava detectando m eus sentim entos excitados de novo. Droga! Olhei de relance para Tony e ele tam bém estava m e olhando esquisito. Droga, droga! Eu havia esquecido que ele podia sentir m inhas vibrações. Logo todo o m undo na m esa estaria excitado e entediado se eu não m e controlasse.

– Ben, vam os direto ao ponto. Estou levando Tony para a Floresta Verde conosco. Você não pode tê-lo, ponto-final. Vai ter que arranj ar outro esquem a de dom inação do m undo todo sem incluí-lo em seu exército.

Ben deu um sorriso afetado.

– Dom inação do m undo todo? Dificilm ente isso estaria em m inha program ação. – Ele se voltou para Tony. – Você m e conhece. Sou o tipo de gente que quer dom inar o m undo? – não esperou resposta. – Não, não sou. Agora, se acredito que tenho algo a oferecer ao m undo? Sim . Eu tenho ideias, boas ideias, que beneficiariam a todos nós. E quando digo “todos nós”, quero dizer am bos, fae e hum anos tam bém .

Os olhos de Tony se apertaram , m as ele perm aneceu em silêncio, estudando-nos e ouvindo a conversa cuidadosam ente.

– Pelo m enos agora ele está adm itindo que os faes estão no m undo. Eu diria que isso é um passo na direção certa – disse Finn.

– Eu disse que ele era um m entiroso – não pude evitar acrescentar.

Ben suspirou.

– Eu nunca m enti para Tony, apenas não lhe contei os fatos que não fossem relevantes para nosso relacionam ento.

– Rá! Que piada! Você teve algum a razão para vir a nossa escola e se tornar am igo de Tony, dentre todos os que poderia cativar. E não tente m e dizer que é porque você realm ente am a West Palm tam bém .

Ben deu de om bros.

– Tony é um a pessoa extraordinária. Você, m ais que qualquer um , deveria saber disso.

– E eu sei. Melhor ainda que você j á que eu não quero nada dele além da am izade, diferente de você.

– Você parece ter m e desvendado totalm ente, Jay ne. Então, diga-m e, para que exatam ente eu preciso de Tony ?

Com essa ele m e deixou perplexa. O fato é que eu realm ente não sabia para quê ele queria Tony. Eu teria que im provisar se quisesse sair daquela situação e voltar para casa.

– Tony é especial. De algum a m aneira ele se encaixa em seu plano de m atar todos os hum anos e tom ar o m undo.

Ben riu. E não só um pouco. Muito.

– Que foi? Matar hum anos é engraçado? – ele estava m e irritando m uito agindo desse m odo indiferente.

Ele se acalm ou o suficiente para falar.

– Não, não é engraçado de j eito nenhum . O que é engraçado é sua caracterização de m eu grande esquem a. Vocês não acreditam nisso de verdade, acreditam ? – Ele olhou para nós, recebendo apenas olhares duros em troca. – Sério? Vocês pensam isso m esm o?

Eu levantei a sobrancelha para ele sem dizer nada. Se ele fosse negar isso, teria um longo trabalho de convencim ento pela frente. Um a flecha pelas costas era um a bela evidência de que ele não era do tipo que j ogava lim po.

– Vej am , esse é o problem a de acreditar em rum ores e deixar a história ditar seu futuro – disse Ben, agora claram ente frustrado. – Eu não tenho intenção nenhum a de m atar todos os hum anos e não sei de onde vocês tiraram essa ideia. Por que eu faria isso? Mais da m etade da população fae precisa dos hum anos por um a ou outra razão.

Olhei para Tony.

– É, orcs com em hum anos. Eles são Fae das Trevas.

– Vej a, vários Fae da Luz com em hum anos tam bém . E os orcs, tecnicam ente, não são Fae das Trevas só porque vivem no m undo inferior. Mas não é essa a questão. A questão é que ninguém quer m atar os hum anos. Nosso plano é realm ente bem sim ples. Os Fae das Trevas querem garantir seu lugar na sociedade. Nada de andar pelas som bras m ais, escondendo quem som os. – Ele olhou para cada um de nós, defendendo seu plano apaixonadam ente. Juntos, podem os todos nos levantar e exigir o que é nossa parte de direito. Por que deveríam os viver com o m onstros ou bandidos? Nós som os o que som os. Nossa natureza faz parte da natureza, então, por que deveríam os continuar sendo dem onizados pelos seres hum anos? – Ele agarrou a borda da m esa e se inclinou em nossa direção – Não deveríamos. É disso que estou falando. E nós querem os todos os fae nessa, luz ou trevas. Então, poderem os convencer os líderes do m undo e fazer a integração acontecer.

– Exato – disse Jared. – Então, você quer anunciar aos hum anos que os fae chegaram para ficar, e ah, m ais um a coisa, não se assustem , m as vam os com er alguns de vocês. – Jared balançou a cabeça. – Claro, vai funcionar.

Eu estava com o Jared. Não conseguia acreditar na arrogância desse cara. Ele realm ente pensava que só porque form ulara um plano, seria um a boa ideia e todo o m undo o seguiria.

Ben deu de om bros.

– Não estou dizendo que vai ser fácil ou que vam os conseguir sem derram ar um pouco de sangue, m as pode ser feito. E será.

Sua últim a frase foi dita com tanta intensidade que senti um arrepio de m edo percorrer m inha espinha. Esperava que ele não pegasse fogo de novo. Eu não estava preparada para um a aparição pública no m eio da lanchonete, e j á havia quase perdido um am igo para o fogo dele hoj e.

– Não há Fae das Trevas suficientes para enfrentar os hum anos – disse Jared.

– É por isso que precisam os que vocês, Fae da Luz, se j untem a nós.

Ele sorriu com o se fosse nosso novo m elhor am igo.

Foi quando eu ri. Olhei para m eus am igos a m inha volta e tentei m anter o volum e das m inhas gargalhadas no m ínim o, preocupada com a possibilidade de cham ar a atenção dos poucos clientes noturnos ali por perto. Meus am igos sorriam do m eu divertim ento, até Chase. Ben, por outro lado, não ria. Quanto m ais eu gargalhava, m ais irritado ele ficava.

– O que há de tão engraçado? – perguntou ele apertando os dentes.

– Ah, nada. Só que você pensa que os Fae da Luz vão se j untar a sua pequena invasão.

– Eles vão se j untar a nós.

Fiquei séria rapidam ente.

– Mas nem no inferno!

– Aqueles que não estão conosco, estão contra nós.

– Isso parece um a am eaça – disse Spike com os olhos ardendo em tons de verm elho escuro e preto.

– Pense com o quiser. Só é o que é.

Eu afastei m inha cadeira da m esa, levantei-m e e peguei a caixa de sapatos com Tim dentro, apoiando-a entre o braço e o peito.

– Eu j á ouvi o suficiente. Não vej o sentido em perder m ais tem po. – Lancei a Ben um olhar m ordaz e levantei um pouco a caixa. – Graças a você, tenho um am igo que precisa de cuidados m édicos. A prim eira perda fae em sua guerra contra os hum anos.

Ben se levantou com fúria, em purrando a m esa e balançando o gelo dos nossos copos de água.

– Eu não estou em guerra contra os hum anos, apenas contra aqueles que se recusam a ver a razão e a participar do program a.

– Seu program a – disse eu, irritada.

– Sim .

– Foda-se você e foda-se seu program a, Ben.

Ben olhou para Tony.

– Tony, eu realm ente gostaria que você reconsiderasse e viesse com igo.

Tony se levantou lentam ente.

– Eu sei, Ben, m as desculpe, tenho que ir com Jay ne. Eu gostaria que você houvesse m e contado essas coisas antes.

– Você teria acreditado em m im ?

Tony pensou por um segundo.

– Não, provavelm ente não. Mas você podia ter tentado.

– É exatam ente isso que eu estava tentando dizer, Tony... Todos vocês. – Ben olhou ao redor da m esa, suplicando a todos. – Se eu houvesse contado a verdade a Tony, ele teria se tornado m eu am igo? Não. Ele m e acharia m aluco e se recusaria a sair com igo. Todos nós, fae, tem os que passar pela vida fingindo ser algo que não som os. Tem os que m udar de lugar ao longo dos anos para que as pessoas não notem que não envelhecem os tão rápido quanto elas. Não podem os fazer am izade com os não fae por m edo de que descubram nossos segredos e nos entreguem para a polícia ou o m anicôm io, ou pior. Tudo que eu quero é poder viver com o um fae, do lado de fora, livrem ente.

– Tudo o que você quer é algo que nunca vai poder ter – disse Jared enoj ado. – Vam os em bora, gente.

Ele saiu, com Finn e Spike logo atrás.

Eu entreguei a caixa com Tim a Chase.

– Vá na frente. Eu j á vou.

Chase se inclinou para sussurrar em m inha orelha.

– Eu não sou louco de deixar você para trás com ele.

Eu apertei de leve seu braço e balancei a cabeça para que ele soubesse que estava tudo bem .

– Vá – voltei-m e para Tony. – Eu o encontro lá fora, ok?

Tony olhou preocupado, de m im para Ben.

– Não vá fazer nada estúpido, Jay ne.

Eu o em purrei gentilm ente.

– Cale a boca. Eu nunca faço coisas estúpidas. Quer dizer, quase nunca. Estarei lá em um m inuto, pode ir.

Tony nos deixou, olhando para trás enquanto saía da lanchonete. Eu sabia exatam ente o que ele estava pensando, m as não tinha intenção de lançar um a bom ba de poder verde na cabeça estúpida de Ben, por m ais que eu quisesse.

Ben e eu nos olham os por alguns segundos. Agora que todos haviam ido em bora e estávam os só os dois, a quím ica entre nós era inegável. Era a prim eira vez que ficávam os a sós. Eu tinha a intenção de ditar as regras e lhe dizer, em term os inequívocos, que Tony estava fora de alcance para sem pre. Mas tudo isso sum iu de m inha cabeça quando ele olhou para m im .

Ele saiu lentam ente de trás de sua cadeira e parou na m inha frente, e eu olhei para cim a para encarar seus olhos. Ele era vários centím etros m ais alto que eu, e seu cabelo escuro fazia um contraste chocante com seus olhos verdes. Meu Deus, ele era lindo, de um a m aneira seriam ente perigosa. Ele faria o típico bad boy parecer um santo. Provavelm ente cada um a das garotas de nossa escola estava babando por ele.

Bom , m as não eu. Eu podia estar totalm ente consciente de com o ele era bonito, m as isso não significava que ia com eçar a agir feito um a m enininha estúpida perto dele.

– Você queria um a palavrinha em particular? – disse ele divertido.

– Por que é tão engraçado?

– Não é. É que eu estava esperando am eaças, e tudo que vej o agora é um a garotinha fae suando.

Eu franzi as sobrancelhas, passando a m ão no lábio superior para lim par o suor.

– Está quente aqui.

Ele sorriu.

– Se você está dizendo...

– Ouça, eu não estou interessada em nenhum j oguinho de fae que você estej a fazendo com igo agora. Pode parar com essa atração, ou hipnose, ou com o quer que cham e essa droga que está fazendo.

Ele levantou as m ãos em um gesto de inocência.

– Eu não estou fazendo nada. O que quer que estej a sentindo, é sua responsabilidade.

– Pfff. Certo. Que sej a. Eu só queria dizer que Tony está com igo. Para sempre. Fique longe dele e diga a seus am igos Fae das Trevas que fiquem longe tam bém . Se algum a coisa acontecer com ele, eu vou atrás de você. Mas só depois de explodir todo o m undo que for im portante para você.

Ben m e olhou com certa raiva no rosto.

– Essa é um a am eaça bem grande para um a fae tão j ovem e inexperiente com o você. Não tenho certeza de que pode cum pri-la.

Coloquei em m eus olhos cada gram a de indignação que sentia só de pensar em algo ruim acontecendo com Tony, para que Ben não duvidasse da m inha sinceridade nem por um segundo.

– Acredite, Ben, eu posso. Não im porta o que custe. Se algum a coisa acontecer com Tony, eu vou derrubar e destruir você, nem que isso signifique m e destruir tam bém .

Ben chegou m ais perto, tão perto que eu podia sentir seu cheiro. Droga, até o cheiro dele era bom .

– E quem vai proteger a grande e m alvada Jay ne Backthorn?

Lim pei m inha garganta, subitam ente fechada.

– É Jay ne Sparks para você, im becil. E eu não preciso de proteção.

Ben se inclinou um pouco, olhando diretam ente em m eus olhos.

– Eu acho que precisa.

– Vá se foder, Ben – disse eu, em purrando-o com força para longe.

Quando m inhas m ãos tocaram seu peito, senti o calor que saía dele espalhando-se e subindo por m eus braços, e m e perguntei com o é que ele andava por aí no m undo dos hum anos o tem po todo sem colocar fogo em coisas e pessoas.

Ben sorriu, olhando para seu peito no lugar em que eu havia tocado.

– Vou deixar você e seus am igos irem em bora com Tony para m ostrar m inhas boas intenções. Eu estava falando sério quando disse antes que gostaria de você com igo tam bém , Jay ne. Juntos, eu e você poderíam os ser invencíveis. – Ele olhou para m im com cham as queim ando em seus olhos.

Encarei-o com o se ele fosse insano.

– Continue sonhando, m oleque de fogo. Não estou interessada.

– Algum a coisa em você m e diz o contrário. Posso sentir o calor que em ana de você, m esm o que essas suas m ãos tenham um toque im pressionantem ente gelado.

– É, essa sua cabeça gigante que você equilibra com dificuldade em cim a dos om bros é o suficiente para m e esfriar, pode acreditar.

Saí andando, com as costas eretas e a cabeça erguida, balançando m eu cabelo e gritando por cim a do om bro:

– Fique longe de m inha floresta, babaca!

Consegui ver seu olhar antes de m e voltar. Ele esboçava um sorriso am argo, e seus olhos se estreitaram quando m e viu desaparecer.