A Guerra dos Fae: Luz e Trevas

Elle Casey · Capítulo 4 de 38

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A Guerra dos Fae: Luz e Trevas

Capítulo 3

 

EU SAÍ DA LANCHONETE A PASSOS LARGOS e fui até Chase, tirando a caixa com Tim de suas m ãos.

– Pronto? – perguntou Jared analisando m eu rosto. – Tudo certo com Ben?

– Sim . Eu disse a ele para nos deixar em paz. Vam os indo.

Jared tirou o celular do bolso para cham ar um táxi.

Spike aproxim ou-se e m e cutucou.

– As coisas ficaram m eio quentes lá, hein?

– Cale a boca.

Eu sorri, recusando-m e a m order a isca, m as incapaz de ser totalm ente severa com ele.

Spike sorriu.

– Sabe, íncubos são m esm o bons em aj udar as pessoas, em trabalhar sua energia.

– Ah, é? – perguntei sem m e incom odar com o olhar sugestivo em seu rosto, m esm o que seu timing não fosse o m elhor.

Ele nunca desistia. Às vezes era chato, m as essa noite, por algum a razão, deu-m e um a sensação de segurança. Depois de sentir a quím ica desesperadora entre m im e Ben, a sensualidade descontraída de Spike parecia um a coisa m uito m ais fácil de lidar.

– É. Você devia deixar eu lhe m ostrar o que aprendi. – Ele ergueu e abaixou as sobrancelhas para m im . – Já m e disseram que sou m uito bom .

Olhei para ele, m as um m eio-sorriso perm anecia em m inha boca.

– Eca, Spike. Sem contar vantagem de sua vida sexual. Isso é noj ento.

– Não estou falando de sexo, em bora eu não tenha tido nenhum a reclam ação nesse aspecto tam bém . Estou falando sobre o que eu faço com o íncubo. Meu... talento especial. Acho que você poderia fazer bom uso dele agora.

– Você quer dizer agora, agora? – perguntei, curiosa.

Era algo que ele poderia fazer enquanto estávam os andando? Eu estava confusa.

Ele riu.

– Não, não neste exato segundo. Mas quando voltarm os ao hotel...

Eu lhe dei uns tapinhas de leve no braço.

– Obrigada, m as tenho colegas de quarto e coisas dem ais na cabeça. Talvez, quando voltarm os para a floresta, você possa... ãhn... m e m ostrar seus talentos.

Spike sorriu, esfregando as m ãos.

– Ah, beleza. Com binado, então. Prom eto que você não vai se decepcionar.

Eu ri para m im m esm a, divertindo-m e com seu entusiasm o. Ele nunca desanim ava; não im portava quantas vezes eu rej eitasse suas propostas, ele sem pre fazia m ais. Isso era o que eu cham ava de afeição eterna.

Fui até Tony.

– Então, está pirando com pletam ente?

Ele sorriu gentilm ente.

– Estou pirando com pletam ente. Mas vou sobreviver.

Passei m eu braço por sua cintura.

– Estou tão feliz por você estar aqui com igo, Tom ! Eu estava perdida sem você.

Ele m e abraçou na altura dos om bros.

– Eu tam bém . Ficou m uito m ais... silencioso sem você por aqui.

– Deve ter sido um a droga.

– Foi m esm o.

Tony olhou por sobre m inha cabeça para m eus am igos, que estavam parados a alguns m etros de distância, no lugar onde o táxi estaria em breve.

– Então, e agora?

– Bom , tem os quartos reservados em um hotel no centro. Acho que vam os passar a noite lá, ou o que resta dela; e am anhã, pegarem os o avião.

– Vocês j á com praram as passagens?

– Não, não precisam os. É um avião particular.

Tony balançou a cabeça lentam ente.

– Legal.

– É. Você j á esteve nele antes, só esqueceu.

– Isso é tão esquisito para m im ... difícil de acreditar.

– Eu sei. Lam ento. Talvez, quando você vir tudo de novo, a m em ória volte.

– Não sei, não. Mesm o depois de ver aquele carinha ali voando, eu não m e lem brei de nada.

– É, m as você se lem brou dos dentes de Spike. E você não conheceu Tim antes, então, não havia nenhum a razão para que ele provocasse algum a lem brança.

– Por que aquilo sobre os dentes? É m eio estranho, não é? Eu esqueço todas as outras coisas, m as m e lem bro dos dentes?

Eu realm ente não queria falar sobre isso, m as Tony se lem brando das coisas era um bom sinal, e eu queria incentivá-lo.

– Bom , é que eu... ãhn... fui... sou... um pouco obcecada pelo sorriso e os dentes de Spike. E com o você consegue m e sentir o tem po todo, e às vezes até saber o que estou sentindo ou pensando, bem , você estava exposto a m e perceber durante m uito tem po olhando para eles, pensando neles... Você entende a situação...

Tony assentia com a cabeça.

– Acho que isso faz sentido. Depois que você se foi, eu continuei a senti-la, sabia?

– Ah, é? E o que você sentia?

– Várias coisas. Muita raiva no com eço. Depois surpresa, e felicidade. Nas últim as sem anas eu tive um m onte de im pressões felizes. Tam bém sentim entos com o se você estivesse orgulhosa de si m esm a. – Ele m e olhou atentam ente. – Eu sei que você está feliz lá. Essa é um a das razões pela qual estou disposto a fazer essa tentativa. Deve ser algo m uito especial para tê-la aj udado a superar... aquilo tudo que estava acontecendo em sua casa, e fazer você se sentir bem de novo.

Nesse exato m om ento o táxi chegou, poupando-m e daquela conversa em baraçosa.

– Vam os lá, vam os para o hotel.

Felizm ente, Jared havia pedido um táxi grande, um a van, e todos conseguim os nos acom odar sem problem as.

– Muito bem , quais são os planos? – perguntei depois que estávam os todos dentro da van. – Vam os dorm ir aqui esta noite?

– Não, tem os que voltar agora m esm o. Eu consegui arranj ar as coisas para que o avião nos leve esta noite.

– Mas não é um pouco tarde? – perguntou Finn, bocej ando.

– Sim , é tarde, m as é m elhor voar durante a noite. Podem os dorm ir e tentar chegar antes do jet lag.

– Aonde exatam ente estam os indo? – perguntou Tony.

Eu abri a boca para responder, m as logo percebi que não sabia a resposta para essa pergunta. Bom , eu sabia que era para a Floresta Verde, m as duvidava que o nom e existisse em algum m apa hum ano.

– É m esm o, para onde estam os indo exatam ente? – perguntei.

– Eu lhe conto m ais tarde – disse Jared indicando com um gesto o m otorista de táxi, deixando claro seu desej o de m anter nosso lugar secreto para o m undo exterior.

– A que horas vam os chegar? – perguntou Spike.

– Depois que sairm os do aeroporto? Cerca de três ou quatro horas da tarde, m ais ou m enos.

Bom . Isso m e daria tem po suficiente para visitar Maggie na floresta e curar Tim .

Chegam os ao hotel e subim os de elevador até nossos quartos. Tínham os que pegar nossas coisas que haviam ficado ali. Era um a pena não usar os quartos que j á estavam pagos, m as eu estava ansiosa para voltar. Além disso, um a parte de m im estava preocupada com a facilidade com que Ben liberara Tony, e achava que isso era algum tipo de golpe, que ele ia voltar e nos pegar desprevenidos.

– Você não vai estar m uito cansada para cuidar de tudo isso, quer dizer, de m im , quando voltarm os? – perguntou Tony enquanto saíam os do lobby do hotel com as m alas às costas e a caixa de Tim segura em baixo de m eu braço esquerdo.

– Você está brincando? Eu acordo todos os dias às cinco e m eia da m anhã!

– Uau! Isso é im pressionante.

– Tony, você está olhando para um a bem preparada m áquina de guerra fae – levantei m eu braço livre para lhe m ostrar a curva de m eu bíceps, para dar m aior efeito a m inha afirm ação. – Eu m e levanto com o nascer do sol e trabalho até cair de cansaço, no final do dia. Assim com o todo o m undo. Assim com o você tam bém vai fazer.

Dei m eu sorriso m ais brilhante e apertei o nariz de Tony com o único propósito de irritá-lo. Eu não havia m encionado esse pequeno detalhe de acordar insanam ente cedo antes, de m odo que foi um pouco divertido com partilhá-lo agora – um a pequena vingança por ele m e deixar em pânico naquela situação com Ben, fazendo-m e pensar por alguns tensos segundos que ele ia m udar de ideia e ficar para trás.

Jared se aproxim ou, apontando para Tony, que agora estava carrancudo de brincadeira.

– Jay ne, posso falar com você em particular um m inuto?

– Claro. Tony, espere ali com Chase, ok?

Eu sabia que podia contar com Chase para ficar de olho nele, só para o caso de Ben decidir aparecer.

– O que está acontecendo? – perguntei quando estávam os bem longe do grupo.

– Eu só queria falar com você sobre a questão que ainda resta em relação a levarm os Tony de volta conosco. Nós não discutim os isso. Im aginei que antes não havia nenhum a razão para falarm os, a m enos que conseguíssem os convencê-lo a vir conosco.

– Tudo bem . Desem buche.

– Você se lem bra da regra, certo? Que um a vez que um candidato se recuse a se tornar um a criança trocada, ele nunca m ais poderá passar pela transform ação?

Meus ouvidos estavam queim ando de m edo e um pouco de raiva.

– Sim , eu m e lem bro. Só que eles vão ter que m udar as regras.

Jared balançou a cabeça lentam ente, olhando para o chão.

– Eu não acho que você deva supor que isso vá acontecer.

– Bom , por que diabos viem os até aqui, então?

Jared deu de om bros.

– Foi m elhor que deixá-lo para Ben.

– Ben o teria deixado m udar – eu disse em tom de acusação. – Ele o teria forçado. Portanto, se o Fae das Trevas ia fazer, por que a Luz não faria?

– Não sei por que as regras são com o são. Só sei que o atual Conselho em particular se preocupa em segui-las. Eles são m uito tradicionais. Não aceitam m udanças com facilidade.

– Por m im , eles podem passar o dia inteiro sentados em cim a de seus polegares, se quiserem . Tony vai passar pela m udança, ou então...

– Ou então o quê? – perguntou Jared olhando em m eus olhos.

– Ou então eu vou sair com ele.

Jared soltou um suspiro resignado.

– Vam os torcer para que não se chegue a isso.

– É, vam os torcer – disse eu com am argura.

Maldito Conselho. Eles não iam decidir por nós aquilo que eu e Tony j á havíam os decidido. Eu j á havia tido adultos suficientes decidindo coisas em m inha vida que m e afetavam negativam ente. Se eles não conseguissem ouvir a razão, eu... eu... bom , eu não tinha certeza do que exatam ente ia fazer, m as, fosse o que fosse, não incluía m e separar de m eu am igo de novo.

Jared e eu cam inham os até o ônibus que havia chegado e estacionado na área dos m anobristas em frente ao hotel.

– Não se estresse dem ais com isso – disse ele. – Tenho certeza de que tudo vai dar certo.

– Sim .

Jared abriu a porta para que todos nós pudéssem os entrar.

– Ei, Jared?

– Sim ?

– Obrigada por tudo. Por m e aj udar a trazer Tony de volta. Fico lhe devendo um a.

Jared sorriu brevem ente.

– De nada.

Ele subiu por últim o, fechando a porta atrás de si.

Eu m e sentei ao lado de Tony na prim eira fila de assentos. Estendi a m ão e peguei a caixa de Tim .

– Com o ele está?

– Nada ainda – disse Tony.

Levantei a tam pa com cuidado, puxando o pedaço de fronha que cobria o frágil corpo de Tim . Levantei os olhos para confirm ar que o m otorista não estava m e olhando pelo espelho retrovisor antes de sussurrar para a figura dim inuta dentro da caixa.

– Tim ... Tim ? Consegue m e ouvir?

Ouvi um pequeno gem ido em resposta, m as seus olhos perm aneceram fechados.

– Ouça, Tim ... Vam os pegar o avião em apenas alguns m inutos e voltar para a floresta. Vou levar você até Maggie para cuidar de sua asa im ediatam ente, ok? Vai ficar tudo bem .

Fiquei em ocionada olhando para ele. Ele estava tão lam entável, deitado ali com sua asa quebrada e enegrecida. Maldito Ben. Alguém precisava dar um j eito nele, m ostrar-lhe qual era a sensação de ter um a parte de si queim ada desse j eito. Idiota.

Cobri Tim de novo e olhei para fora da j anela, deslizando a tam pa da caixa de volta. Ben ainda pagaria pelo que fizera e pelo que tentara fazer. Eu m esm a ia garantir isso.