A Guerra dos Fae: Luz e Trevas

Elle Casey · Capítulo 16 de 38

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A Guerra dos Fae: Luz e Trevas

Capítulo 15

 

ENTREI E VI QUE CÉLINE E NILES, o anão Commando, com o eu gostava de cham á-lo, estavam reunidos com Dardennes em torno de sua escrivaninha, olhando atentam ente para o que parecia ser um m apa da floresta. Aproxim ando-m e, reparei que o m apa tinha sím bolos e m arcas sobre toda sua extensão, m as não pude entender exatam ente o que eram ; e algum as m aneiras aprendidas havia m uito tem po não m e perm itiriam esforçar m uito os olhos para obter um a m elhor visão. Eu gostaria de poder ignorá-las e agir com toda a curiosidade que sentia, m as isso sim plesm ente não aconteceria. Maldição.

– Olá, pessoal. Acho que todos vocês conhecem Tony.

Todas as cabeças ao redor da escrivaninha fizeram que sim . Dardennes sorriu.

– Bem , de todo m odo, ele ainda não sabe a que raça pertence, por isso, estou pensando no que devo fazer com ele hoj e. Ele pode treinar com igo?

Céline e Dardennes olharam um para o outro, e ela deu de om bros.

Dardennes respondeu:

– Não vej o por que não.

Tony e eu trocam os sorrisos antes que eu prosseguisse:

– Eu queria saber se vocês talvez achem que Tony pode ser um irado.

Os olhos de Dardennes, bem com o os de Céline, arregalaram -se diante da pergunta.

Notei que Niles estava ficando agitado.

– O que a faz pensar isso? – perguntou ele, m al-hum orado.

Dei de om bros:

– Não sei. Não sei m uita coisa sobre eles, na verdade. Mas os olhos de Tony ficaram cinzentos depois da m udança, e eu soube que os irados têm olhos cinzentos.

Os três – e depois um quarto, quando Ivar se j untou a eles – olharam m ais de perto o rosto de Tony.

– De que cor eram seus olhos anteriorm ente, filho? – perguntou Dardennes.

– Castanhos.

– Interessante. Diga-m e... que outras coisas você nota em si m esm o que estão diferentes?

– Bem , eu ainda sou capaz de vibrar para Jay ne; isso não m udou. Mas agora... estou vibrando para outras pessoas, tam bém , acho. E acho que tam bém ouço vozes. Vozes que não... pertencem às pessoas.

Olhei para Tony chocada:

– Por que diabos você não m e contou isso tudo?

Tony deu de om bros, parecendo chateado:

– Desculpe. É que nós tem os andado m eio... ocupados, acho.

Eu sabia m uito bem que era m elhor não fazer nenhum a outra pergunta. Eu não queria que Chase fosse m encionado.

– E vibrar significaria que... – perguntou Céline.

– Ah... significa que eu posso notar o que Jay ne está sentindo, de vez em quando. Não o tem po todo. E às vezes sei o que ela está pensando tam bém . Não palavras específicas, em geral, não detalhes. Só ideias gerais.

– Hm m m ... – Dardennes cruzou os braços e pousou a m ão no queixo. – Em patia, telepatia, talvez... O que você acha? – perguntou ele voltando-se para Céline.

– É possível – respondeu ela, evasiva.

– Ele segurou o m achado durante o teste – disse Niles.

A arm a que Tony escolhera durante o teste fae era um m achado sem elhante a um sabre de luz; em itia zum bidos de brilho azul toda vez que ele o girava; pelo m enos quando o girava furioso, depois de provocado. Quando estava tranquilo e o m ovia, era apenas um m achado com um .

– Vale tentar m andá-lo para Gregale hoj e, acho.

– Essa é um a grande ideia! – disse eu entusiasm ada.

Dardennes ergueu a sobrancelha.

– Bem , se m inha opinião vale algum a coisa, é m esm o um a boa ideia – acrescentei.

Um dia eu finalm ente descobriria que ninguém está interessado em m inhas ideias sobre tudo. Talvez. Mas, pensando bem , provavelm ente não.

– Nós valorizam os sua opinião, Jay ne. Valorizam os todas as opiniões das crianças trocadas – disse Céline. – Tem os tanto a aprender com vocês quanto vocês conosco.

– Não é verdade! – disse eu, rindo com desdém .

Niles fechou a cara para m im novam ente. Ele era rabugento o tem po todo, de m odo que isso não m e incom odou de m odo algum . Tony, no entanto, estava parecendo um pouquinho preocupado. Cutuquei seu braço:

– Não se preocupe, Gregale é legal. Foi ele quem m e levou para ver você no Cinza.

– Exatam ente – disse Dardennes. – Se Tony for um irado, precisará ficar intim am ente fam iliarizado com as técnicas de entrar e sair do Cinza.

– Não precisam os perder m ais um ...

– Já basta, Niles – disse Dardennes, interrom pendo-o deliberadam ente. – Você poderia m ostrar a este j ovem fae onde ele pode encontrar Gregale?

Niles concordou, desdenhoso, saindo im ediatam ente de trás da escrivaninha e rum ando para a porta.

Tony olhou para m im , e pude notar pela expressão em seu rosto que estava pensando a m esm a coisa que eu: Quem foi que se perdeu, e onde?

– Vej o você m ais tarde, Tones. Tenho que... fazer um a coisa, de m odo que... vej o você no alm oço.

Tony apertou m inha m ão e depois seguiu Niles para fora do aposento. Eu fiquei observando-o desaparecer pela porta, e um pedacinho de m eu coração foi em bora com ele. Era com o se ele fosse m eu irm ão m ais novo indo para seu prim eiro dia de j ardim de infância, ou coisa assim . Balancei a cabeça para fazê-la voltar a este planeta.

– Aonde você vai hoj e, Jay ne? – perguntou Céline.

– Tenho que falar com os curandeiros, e depois vou trabalhar com Gregale e Tony.

– Por que você vai aos curandeiros? Não está se sentindo bem ?

– Oh, não, estou bem . É Tim . Ele está com um problem a nas asas – expliquei o m ais vagam ente possível.

– E com o você está se sentindo, Tim ? – perguntou Céline polidam ente.

– Estou com um a dor enorm e e sentindo vontade de transform á-la em pixie – respondeu ele com sua voz m al-hum orada.

– Ele disse que está m elhorando e agradece por você perguntar – disse eu.

Dardennes sorriu, m as não disse nada.

– Bom ouvir isso. Bem , boa sorte. Por favor, inform e-nos com o Tony está passando, sim ? – pediu Céline.

– Claro. Sem problem as. – Voltei-m e, saindo apressadam ente. – Falo com você depois.

Fechei a porta atrás de m im , im aginando a clínica em m inha m ente, j á que era o único lugar onde havia curandeiros. Era aonde Chase havia ido quando fora atingido pela flecha. Eu não tinha ideia algum a de quanto tem po levaria para conseguir um a am ostra de sangue de pixie, m as devia ser um processo fácil. Suas veias deviam ser tão finas quantos fios de cabelo hum ano.

Chegam os rapidam ente, e aproxim ei-m e do prim eiro fae que vi:

– Com licença, eu preciso obter um a am ostra de sangue de um pixie. – Ergui o polegar em direção a m eu om bro. – Pode m e inform ar aonde devo ir?

O suj eito revirou os olhos, confuso.

– Você quer o quê, de um quê?

Suspirei. Odiava ter que repetir as coisas quando sabia que havia sido perfeitam ente clara da prim eira vez.

– Eu preciso de um a am ostra de sangue tirada deste pixie que está sobre m eu ombro. Quem faz isso por aqui?

– Bem , eu faço. Suponho. Mas não é a coisa m ais fácil de se fazer neste m undo...

– Sim , eu im aginei. Então... onde devem os ficar?

Ele hesitou um segundo antes de dizer:

– Vá até a m esa de exam es ali adiante e alguém logo vai aparecer.

Isso parecia bem fácil. Lá em casa eu teria precisado de um pedido de m eu m édico de infância, um cartão de segurança indicando que eu pagara um a pesada som a m ensal pelo privilégio de ter o tal cartão, um talão de cheques... A medicina socializada dos fae é demais.

Tim desceu de m eu om bro, usando m inha m ão com o plataform a para chegar ao papel branco estendido sobre a m esa de exam es. Seus pezinhos form avam rugas no papel quando ele andava para trás e para a frente. Ele resm ungava ao cam inhar, m as não alto o bastante para que eu ouvisse o que ele estava dizendo.

Tenho certeza de que ele sabia que era m elhor não reclam ar com igo. Eu tentava não sentir m uita pena de seus toquinhos de asas, um dos quais ainda estava um pouco enegrecido. Eu precisava endurecer m eu coração contra suas m anipulações dem oníacas de pixie. Ele podia ser m uito convincente quando queria, e eu precisava da am ostra de sangue, não im portava com o.

Um curandeiro chegou à m esa, um diferente daquele que nos saudara. Esse parecia m ais velho.

– Entendi bem quando fui inform ado de que você queria um a am ostra de sangue extraída deste pixie?

– Sim , entendeu.

– Desculpe, m as posso lhe perguntar para que você precisa dela?

– Não, não pode.

Pronto. Veríam os se o fator intim idação funcionaria com esse suj eito.

Ele enrij eceu a olhos vistos.

– Bem , então, tem o que não possam os aj udá-la.

– Não podem ou não querem ? – perguntei com raiva.

Eu devia saber que isso não seria fácil.

– Suponho que eu devia ter dito “não querem os”.

– Por quê?

– Pensei que isso seria razoavelm ente óbvio.

– Bem , obviam ente não é, ou eu não estaria perguntando.

Eu estava perdendo m inha frieza rapidam ente.

– Jay ne, não quer esfriar a cabeça um pouco? – sugeriu Tim em tom de advertência.

– Talvez eu possa cham ar alguém do Conselho para discutir esse assunto. Coletar sangue de pixie não é algo que se faça de form a leviana – disse o rígido fae, voltando-se para ir em bora.

Segurei seu braço:

– Não, não se incom ode. Eu lhe direi para que precisam os do sangue. Não é nada dem ais – tentei suavizar as coisas, esperando que ele acreditasse.

– Sou todo ouvidos – disse ele sarcasticam ente.

– Tenho que levar a am ostra para Maggie, a bruxa. Ela precisa do sangue para um rem édio para a asa do pixie. Com o você pode ver, ele teve um pequeno problem a. – Apontei para as costas de Tim , que foi gentil e se curvou todo para exibir seus tocos horríveis. – Os m étodos dela de obter sangue são... um pouco violentos. De m odo que vim até você para que o pixie não sofra abusos. Eu sei que vocês são o m áxim o em qualidade nesse assunto.

– Bem , então a coisa é diferente – ele sorriu pelo elogio. – Viu? Não foi tão difícil responder a um a sim ples pergunta, foi?

Eu reprim i m inha réplica franca e sorri docem ente. Não confiava em m im m esm a para falar, pois enorm es quantidades de xingam entos certam ente sairiam de m inha boca.

– Espere um m om ento, vou pegar o ferrão.

Ferrão?

Tim intensificou seu andar de cá para lá. Seus resm ungos ficaram altos o bastante para que eu ouvisse:

– É só transform ar um fae, um fae, em pixie, e tudo vira um a confusão. Foi só um pouco de felicidade que eu liberei. Por que todo o m undo cai m atando na felicidade atualm ente? Chase era chato. Tudo que ele fazia era ficar olhando. Nunca dizia um a palavra. Provavelm ente nunca sorriu na vida. Agora, olhem para ele. Feliz! Feliz, e todo o m undo está transtornado...

E continuou sem parar até que o curandeiro retornou. Eu tentei ignorar as arengas de Tim porque não discordava totalm ente dele. Muitos fae poderiam usar um pouco m ais de alegria na vida, pelo que eu havia visto. Cair m orto com alegria delirante? Não. Mas um pouco de dança e algum as risadas de vez em quando? Sim .

O curandeiro estava perto da m esa, com as duas m ãos erguidas, o polegar e o dedo indicador de cada m ão entrelaçados, com o se estivesse prestes a se sentar, cruzar as pernas e m editar um pouco, m urm urando algum a bobeira com o “om ” ou coisa equivalente. Ele tinha tam bém um a faixa gigante em torno da cabeça, com uns óculos de proteção presos nela.

– Vam os com eçar, então? – perguntou ele, todo sorriso agora.

Usou as palm as das m ãos para puxar os óculos para a frente dos olhos, olhando atentam ente para m im .

Caí na risada, incapaz de m e conter. Os óculos eram um a espécie de lente de aum ento, m as de um tipo que eu nunca vira. Juro, seus olhos ficaram do tam anho de pratos.

Ele esperou pacientem ente até que eu m e acalm asse.

– Aposto que você poderia ver um espinho na bunda de um pixie com esse negócio.

O curandeiro se inclinou com seus óculos gigantes e eu m e afastei para o lado, o m ais longe que pude, para lhe dar espaço. Ele abaixou os dedos que seguravam o ferrão. Pude notar quando ele tocou Tim com o ferrão porque o pixie se encolheu. E gritou:

– Ui. Cuidado com isso, parceiro. Espete esse negócio um pouco m ais e vou quebrar sua cara feia!

– Tim disse para não espetar m ais.

– Fale a parte de quebrar a cara feia dele, Jay ne. Fale para ele.

– Não.

– Não o quê? – perguntou o m édico, concentrando-se em sua sangria.

– Nada. Com o vão as coisas?

– Bem – ele ergueu a m ão. – Até aqui, tudo bem . Agora, vam os à coleta.

Ele levou os dedos da outra m ão em direção à perna de Tim .

– O que você está fazendo agora?

– Estou coletando o sangue dele nesta pipeta.

– Que diabos é um a pipeta?

– Em term os faianos, é um pequeno tubo de vidro que tem um a ação a vácuo natural destinada a sugar o sangue para dentro dele. Estou colocando-a na pequena poça de sangue na perna do pixie, para que entre neste nosso tubo aqui. Você vai levar estes tubos para a bruxa quando eu houver term inado.

– Com o eu vou fazer isso se nem sequer posso vê-la?

– Eu tenho um estoj o de transporte. O sangue não vai durar m uito. Você tem que ser rápida.

– Ah...

Voltei os olhos para Tim e ele parecia estar suportando bem . Não estava m ais lutando, em bora parecesse ainda m uito m al-hum orado.

O curandeiro se levantou, colocando a pipeta em frente a seus óculos de proteção:

– Muito bom . Foi m elhor que o esperado.

– Foi? Suponho que isso sej a bom .

– Sim . Nunca se sabe com essas veias pequeninas. Mas ele é durão. E vai ficar m uito bem . Faça-o aplicar um pouco de pressão sobre o lugar, sim ? Aqui está um pouco de gaze.

Ele m e estendeu um pequeno pacote de gaze que tirou do bolso de seu casaco. Era quase do tam anho da m etade do corpo de Tim .

Abri-o e o estendi para Tim , observando que ele o pegou e o colocou nas pernas. Ignorei seus renovados resm ungos e xingam entos.

O curandeiro se afastou para preparar o transporte do sangue. Tentei não rir quando ele tropeçou em duas m esas no cam inho, ainda usando os óculos de proteção.

– Obrigada, Tim .

– Tudo bem .

– Sabe, eu nunca m encionei isso, m as notei que você fala de um j eito m ais m oderno que os outros fae, entende? Por quê?

– Porque estive por aí.

– O que isso significa?

– Significa que não vivi m inha vida toda na Floresta Verde, se é que isso é da sua conta.

– Não é da m inha conta, m as eu gostaria de saber. Onde você viveu?

– Por aí.

– Tudo bem . É óbvio que você ainda está irritado com igo. Talvez quando esfriar a cabeça você possa m e contar.

Tim escolheu esse m om ento para soltar um pum , de m odo que decidi parar de tentar puxar papo.

O curandeiro voltou com um a caixa com prida e estreita.

– O sangue está aqui. Você tem cerca de um a hora, m ais ou m enos, antes que não possa m ais ser útil para a bruxa.

– Obrigada – disse eu tom ando a caixa de suas m ãos, pondo Tim sobre m eu om bro e rum ando para a porta.

– Desculpe sacudi-lo dem ais, Tim , m as tem os que nos apressar.

Eu desci corredor abaixo o m ais rápido que pude, visualizando na m ente a porta pela qual havíam os passado com Chase na noite anterior.

Logo estávam os ao ar livre, na Floresta Verde, perto da clareira onde Chase dançara. Foi então que percebi que chegaria cedo e que Goose não estaria lá ainda. O sangue ia estragar antes que ele chegasse.

Cam inhei com passos pesados pelo m eio das flores e depois entrei na floresta pelo outro lado. Fui levada de volta à grande árvore onde tentara curar Chase, praguej ando o cam inho todo.

– Sacana, bastardo, m aluco, idiota, fodido, punheteiro...

– Jay ne! – gritou Tim .

– O quê?!

– Está rezando, ou o quê?

– O que é que você está dizendo?!

Ele deu risadinhas.

– Não sei. Im aginei que um a garota com o você talvez rezasse desse j eito.

– Você sabe que eu poderia fazê-lo voar longe com um peteleco, seu enchim ento de bunda!

– Oooohh, essa é m ais um a boa. Enchim ento de bunda. Queria ter um a caneta aqui. Estou aprendendo tanto hoj e!

– É, eu tam bém . Com o suas pernas são m agricelas e pálidas.

Ouvi um sonzinho em resposta.

– Solte um pum em m eu om bro m ais um a vez e você vai ser transportado na ponta do m eu sapato de agora em diante.

– Eu tenho um problem a digestivo. É um a deficiência natural. Você não devia trazer isso à tona.

– Deficiência natural o cacete. Tente com er algum a coisa que não sej a fruta.

– Tenho tentado. Fica pior.

– Tudo bem ... lim ite-se às frutas. Não querendo m udar de assunto, pois você sabe com o eu gosto de saber de seus problem as intestinais, m as você sabe com o invocar aquele suj eito, o Goose? Não quero que este sangue estrague.

– Sem chance. Não sou cam inhante do Cinza.

– Você fala com o se isso fosse um a coisa ruim .

– Ora, é ruim m esm o.

Minha preocupação em entregar o sangue de pixie para Goose a tem po era agora obscurecida por m inha preocupação por Tony.

– Por quê?

– Muitos fae se perderam lá. Não, obrigado. Prefiro a luz do dia.

– Com o eles se perdem ?

– Não sei. Eles apenas se perdem . O Cinza não é um bom lugar para pixies. Os espíritos e os fae que habitam o lugar estão em situação de aguda necessidade de transform ação em pixie, e sabem disso. Eles veem um pixie e, pronto, acabou. Papa de pixie.

– Papa de pixie?

– Sim . Não é bonito, acredite.

Chegam os à velha árvore, que agora não m ostrava sinais de ter sido o cativeiro de Chase.

– Então, que diabos devo fazer agora?

– Esperar?

– Sim , obrigada, isso aj uda m uito.

Que pé no saco, pixie.

Tudo que eu podia ouvir era o som dos pássaros chilreando e da brisa soprando suavem ente as folhas das árvores. Sorri, a despeito de m inhas preocupações. Era realm ente um belo lugar ali, onde quer que estivéssem os. Ficam os sentados ali pelo que pareceram horas, só batendo papo.

– Tim ?

– Sim ?

– Onde estam os?

– Ora... isso é um a charada? Estam os na Floresta Verde.

– Sim , eu sei disso. Mas onde fica a Floresta Verde? Tipo, em que país?

– Você quer dizer em um dos m apas hum anos?

– Sim .

– França.

– Eu sabia!

– Com o é que sabia?

Dei de om bros.

– Não sei. Horas de viagem . Com putador.

Eu usara a sala dos com putadores no com plexo várias vezes quando Tony e eu estávam os separados. A certa altura, eu havia visto um site identificando o endereço de IP de m eu com putador com o sendo na França ou Europa.

– Em que lugar da França estam os exatam ente?

– Ardennes.

– Isso é um a cidade?

– Não. É um departam ento. Um a região.

– Ah.

Desej ei ter prestado m ais atenção à aula de geografia. Tenho certeza de que havíam os estudado a França. Talvez lá pelo sexto ano. Então, percebi que o nom e era quase igual ao de nosso m isterioso e destem ido líder.

– Parece Dardennes. Isso é um a coincidência?

– Não. Dardennes significa “de Ardennes”. O “D” tinha um apóstrofo. É francês. Muitos de nós som os de Ardennes, m as, em geral, não nos preocupam os com o os seres hum anos. A m aior parte de nós, pelo m enos.

Ergui os olhos e olhei no m eio das árvores tentando avaliar pela posição do sol que horas seriam . Desisti, j á que tinha aversão a qualquer espécie de navegação.

– Estam os totalm ente ferrados. O que vou fazer com Chase?

Eu tentava não m e estressar dem ais, m as estava perdendo a batalha. Sentia lágrim as de frustração espicaçando m eus olhos.

– Shh! – sussurrou Tim em m eu ouvido, segurando de repente um punhado de cabelo m eu.

– Ui. Que foi? – sussurrei.

– Rápido! Esconda-se!

Não questionei; apenas segui sua ordem . Corri para trás da grande árvore, para o lado oposto ao que eu estava.

– Que foi? – perguntei tão baixinho quanto pude.

– Shhh – foi sua única resposta.

Pude sentir seu corpo pequenino trem er em m eu om bro quando ele se m oveu sorrateiram ente para entrar no fundo de m eu cabelo.

Sons de m ovim ento na vegetação rasteira nas profundezas do arvoredo atraíram m inha atenção.