A Guerra dos Fae: Luz e Trevas
Capítulo 12
UMA MAGGIE RESMUNGONA APARECEU NÃO MUITO DEPOIS, j untando-se a nós sob os galhos da árvore antiga a que Chase perm anecia am arrado.
– Maggie, preciso que você m e diga se esse tal de Goose está nos dizendo a verdade. Ele está se oferecendo para aj udar Chase, m as não tenho certeza de que podem os confiar nele.
Ela o olhou atentam ente e grunhiu, depois olhou de volta para m im .
– Qual é sua oferta?
– Ficarei te devendo um favor de sua escolha se você fizer isso por m im .
– Qualquer coisa que eu quiser?
Um sorriso se espalhou lentam ente por sobre seu rosto.
Fiquei um pouco desconfortável com essa barganha sem regras fixas, e muito desconfortável com aquele sorriso, m as não via alternativa. Eu não tinha nada m ais a dar.
– Dentro do razoável, sim .
– Do razoável de quem ?
Revirei os olhos. Ela teria se saído um a grande advogada no m undo hum ano.
– Eu não sei... do razoável de um fae m ediano, suponho.
– Feito.
Ela fez que sim para m im . Depois, voltou-se para encarar Goose.
– Fale!
– Conte a ela o que contou a nós – disse eu.
Parecendo intrigado, Goose com eçou sua história:
– Meu nom e é Gustav e sou dos Fae das Trevas.
– Verdade!
Goose deu um pulo, tem porariam ente sobressaltado, m as depois prosseguiu.
– Faço parte de um grupo de bruxas que estão trabalhando para curar aqueles que foram transform ados em pixies.
– Verdade!
– Nós encontram os um a cura.
– Mentira!
Gustav franziu o cenho para ela e depois olhou para m im .
– Você tem que ser exatam ente verdadeiro, ou ela saberá.
– Ah – disse ele fazendo que sim . – Tudo bem , estam os perto de um a cura, e tem os tido m uitos sucessos em descobrir e tratar com eficácia a transform ação em pixies avançada.
– Verdade!
– E se eu entregar Chase a você, não vai feri-lo?
– Não.
– Mentira!
– Sinto m uito... O que quero dizer é que a única dor que ele sofrerá será um efeito colateral do tratam ento. Em outros aspectos, não tenciono lhe causar nenhum a dor.
– Verdade!
– E você o deixará livre quando ele term inar o tratam ento ou quando eu lhe pedir para devolvê-lo?
– Sim , com certeza.
– Verdade!
– E m e contará a verdade sobre com o e onde encontrá-lo?
– Sim .
– Verdade!
Olhei para Finn.
– Consegue pensar em algo m ais que precisem os saber?
Finn olhou para ele e disse:
– Você não tem outro m otivo para aj udar Chase além de suas experiências científicas?
Ouvindo isso, Goose se em baraçou um pouco, levando alguns m inutos para responder.
– Meu único interesse em seu am igo, pessoalm ente, é científico.
– Verdade!
Olhei para Finn e ele retribuiu m eu olhar dando de om bros. Supus que estávam os am bos satisfeitos o bastante para assum ir o risco. Eu não achava que tivesse nenhum a outra chance.
– Obrigada, Maggie. Você pode voltar para a cam a agora. Vá tirar seu sono de beleza.
Ela grunhiu e depois se afastou arrastando os pés, desaparecendo entre as árvores.
Encarei Goose.
– Tudo bem . Você pode levá-lo para seu laboratório. Mas quero sua prom essa solene de que cuidará bem dele. Ele é m uito especial para m im .
Tentei não pensar em com o ele era especial, porque um nó estava se form ando em m inha garganta, fazendo m inha voz ficar rouca.
– Prom eto que farei o que puder para aj udá-lo a se livrar de seu problem a de transform ação em pixie.
– E quando ele estará pronto para voltar para casa?
– Presum indo que você possa m e arranj ar um a am ostra de sangue de pixie, um a sem ana, se tudo correr bem .
– Um a semana? Puta m erda, com o vam os nos livrar do Conselho por um a sem ana inteira? – perguntou Finn.
– Não sei. E com o diabos vam os conseguir um a am ostra do sangue de Tim ?
Voltei a focar a atenção em Goose.
– Tudo bem . Então, tem os que lhe arranj ar um a am ostra de sangue de pixie; e com o trarem os Chase para casa quando tudo term inar?
– Façam seus curandeiros dos Fae da Luz pegarem a am ostra, digam que é para Maggie. Encontrem -m e de novo aqui com ela am anhã ao m eio-dia. E depois, retornarei para cá com Chase dentro de um a sem ana. Na m esm a hora, m eio-dia. Se eu puder chegar antes, enviarei um a m ensagem a vocês.
– Com o vai fazer isso?
– Visitarei vocês pelo Cinza. Agora que os conheço, deve ser possível encontrá-los.
– Com o saberei que você estará lá?
Goose sorriu pacientem ente:
– Disseram -m e que parece que os pelinhos da nuca das pessoas se eriçam , e com certeza vocês m e ouvirão quando eu falar com vocês.
– Agradável isso, hein? – dei um sorriso am argo.
– Tenho plena certeza de que não funcionará dentro do com plexo – disse Finn.
Eu não sabia disso antes, m as ser um a parte dos elfos verdes dava a Finn acesso m uito m aior que o m eu a um m onte de inform ações sobre segurança.
– Você está correto. Mas quando se está do lado de fora, funciona. Eu continuarei tentando, se for necessário, até que chegue a vocês em algum lugar da floresta.
– Ótim o. Então, com o você transportará Chase para seu laboratório? E onde ele fica?
– Eu j á contatei alguns ogros que nos dão assistência em detalhes de segurança. Eles estarão aqui brevem ente. E m eu laboratório fica no com plexo dos Fae das Trevas, aqui nesta floresta.
O fato de que havia um com plexo de Fae das Trevas naquela m esm a floresta era interessante, m as eu tinha assuntos m ais im ediatos com que m e preocupar. Concluí que poderia m editar sobre a questão do com plexo dos Fae das Trevas com m eus am igos m ais tarde. Além do m ais, Finn provavelm ente saberia algum a coisa sobre isso.
– Vou ter que libertá-lo das trepadeiras, ou elas não sairão – expliquei.
– Se puder esperar até os ogros chegarem , será m elhor. Um fae transform ado em pixie é difícil de pegar, às vezes.
– Sim . Eu reparei.
Ouvim os algo quebrando por entre as árvores próxim as, e cinco segundos depois dois fae gigantes chegaram , parando perto de Goose.
– Cham ou? – disse um deles.
Sua voz parecia tanto com a de Ivar que era intrigante. Esses ogros até se pareciam um pouco com ele – grandes cabeças com sobrancelhas volum osas que pendiam sobre olhos pequenos, pescoços grossos e braços grossos com o m inha cintura. Eram bons fae para se ter por perto com o segurança, com certeza.
Goose apontou para Chase.
– Vocês podem , por favor, entregar aquele fae que está am arrado à árvore ali adiante em m eu laboratório? – Ele fez um sinal positivo para m im . – Pode libertá-lo agora.
Rapidam ente enviei um a m ensagem às trepadeiras, dizendo que podiam soltar Chase. Eu não queria aqueles ogros despedaçando-as. Eu nunca tivera nenhum sinal d’O Verde de que quebrar suas trepadeiras ou folhas fosse dolorido, m as, m esm o assim , não parecia correto deixar isso acontecer quando podia ser evitado.
As trepadeiras rapidam ente recuaram , voltando para as árvores e m oitas das quais haviam saído.
Chase tentou se levantar, obviam ente planej ando sair correndo e dançando um pouco m ais, se é que a alegria em seus olhos era algum a indicação. Mas os dois ogros rapidam ente puseram fim nesses planos agarrando-o firm em ente pelos braços. Ele lutou valentem ente, esquivando o corpo o m ais longe que podia, tentando olhar para o cam po atrás de si, enquanto gritava o tem po todo que o soltassem para que pudesse dançar. Chase até os convidou a ir com ele, coisa que, se não fosse tão digno de pena, teria sido hilário. Chase brincando no m eio das flores com dois ogros? Hilariante e hediondo ao m esm o tem po.
– Vam os partir agora, e verei vocês am anhã para pegar o sangue – disse Goose fazendo-nos um a ligeira reverência quando com eçou a se apagar dentro do Cinza.
– Goose! Espere!
Ele se voltou um pouquinho.
– Sim ?
– Que tipo de fae você é m esm o?
– Sou um irado.
Concordei.
– Tudo bem , obrigada. Nós nos verem os.
Ele se apagou dentro do Cinza, desaparecendo com pletam ente em questão de segundos.
– Por que você lhe perguntou isso?
– Porque de repente eu lem brei onde havia visto olhos com o os dele anteriorm ente.
– Onde?
– No rosto de Tony. Bem depois que ele se transform ou.
– Ah, m erda. Eu não som ei dois m ais dois, m as você está certa.
– Você sabe o que é um irado?
– Não tenho a m enor ideia.
– Nem eu. Vam os voltar. Am anhã podem os perguntar a Dardennes ou Céline. Talvez até Jared saiba.
Atravessam os a floresta e depois o cam po.
– Então, o que vam os fazer quanto à ausência de Chase? O que vam os dizer a todo o m undo?
–Não sei – respondi distraidam ente. – Vam os procurar Jared. Ele saberá o que fazer.
– Ou ele nos denunciará e estarem os totalm ente ferrados.
– É, isso pode acontecer. Mas tenho a im pressão de que não acontecerá. Jared faz as coisas certas pelos fae, m esm o que isso faça que as pessoas o odeiem .
Eu sabia disso porque havia acabado de superar m eus sentim entos de raiva por ele, que com eçaram quando ele fingira ser um adolescente com um em Miam i, em vez do recrutador fae que realm ente era. Mas, desde que ele aj udara a resgatar Tony, estava fora de m inha lista negra para sem pre.
Chegam os à porta e encontram os Becky nervosa, esperando por nós.
– Ei, onde está Chase?
– Nós o entregam os a um Fae das Trevas – disse eu.
Eu a estava provocando, zom bando de seu desconforto.
– Com o?
Ela olhou para Finn procurando confirm ação.
– Sim . Abrim os m ão dele. Dem os um pontapé em sua bunda feia.
– Vocês não estão falando sério... estão?
Eu ri um pouco porque ela ficou tão preocupada e triste... m eu senso de hum or doentio m e dom inava com o sem pre. Mas não consegui m anter o fingim ento. Fiquei com m edo de que ela com eçasse a chorar.
– Sim , fizem os isso, m as não desse j eito. Pode relaxar. Venha conosco falar com Jared e explicarem os tudo. Não quero dizer nada nos corredores para que ninguém possa nos ouvir.
Eu não tinha ideia de que hora era; era tarde, m as havia alguns fae coruj ões com o Spike que podiam ainda estar acordados e peram bulando por ali.
– Alguém sabe onde fica o quarto de Jared?
– Eu sei – disse Becky, tentando agir displicentem ente, m as fracassando quando sua voz travou.
Eu ergui um a sobrancelha.
– Ah, você sabe, é?
– Silêncio! Não é bem assim – disse ela com o rosto verm elho com o beterraba.
Finn franziu o cenho.
– Bem , é o que então, Becky ?
Ele falava com o um pai.
– Jared é um a boa pessoa. É bom conversar com ele... vocês sabem ... quando se tem perguntas e coisas assim .
Finn olhou para ela com desconfiança, m as não m e im portei m uito. Se ela queria se envolver com Jared, era problem a dela. Becky era um a grande garota e podia decidir por si m esm a se queria conquistar um cara duzentos anos m ais velho que ela.
Seguim os Becky pelo corredor interm inável até que chegam os à porta que ela indicou com o sendo a de Jared. Ela bateu três vezes e ele abriu, totalm ente vestido. Acho que ele era um desses tipos coruj ões.
Seus olhos abrangeram todos nós.
– Olá. O que houve? – perguntou Jared cautelosam ente, com o se não tivesse certeza de que queria ouvir a resposta.
– Podem os entrar? – perguntei.
– Claro.
Ele deu um passo para trás, dando-nos espaço para entrar. Depois que entram os, fechou a porta.
Nossos quartos eram m uito pequenos, de m odo que toda vez que nos reuníam os em um deles, im ediatam ente nos sentávam os no chão. Jared se j untou a nós, erguendo um a perna e pousando seu antebraço em seu j oelho curvado diante de si.
– Jared, tem os um problem a. Um grande. Este quarto é... à prova de som ?
– Sim . E tam bém não há espiões enfeitiçados nele.
– Espiões enfeitiçados? – perguntou Becky.
Finn rapidam ente explicou:
– As bruxas podem pôr nos quartos um feitiço que escuta tudo que acontece, e relata a elas.
Isso m e irritou e m e fez pensar se m eu quarto não estaria enfeitiçado.
– Com o se sabe que há um espião?
– É preciso fazer que um a bruxa o exam ine.
– Puta m erda!
Eu sentia que nunca saberia o que havia para saber sobre ser fae. Eles precisavam de um a escola ali, ou de um m anual, no m ínim o.
– O que você estava dizendo? – incitou Jared.
– Desculpe. Então... problem a dos grandes. Não foi de m odo algum culpa dele, m as Tim “pixificou”, ou m elhor, transform ou Chase em pixie... – continuei falando rapidam ente, m uito em bora pudesse ver que Jared estava praticam ente se borrando de raiva. – Então, Chase ficou um tanto fora de controle e fugiu para a floresta, dançando e fazendo bagunça; daí, fom os atrás dele e finalm ente o am arram os a um a árvore. Depois, surgiu um irado cham ado Gustav e se ofereceu para aj udar com um a nova cura, e eu m e assegurei de que ele não estava m entindo usando Maggie, a bruxa, que consegue perceber quando alguém m ente; e ele levou Chase para seu laboratório, onde vai curá-lo. Mas isso vai levar um a sem ana, de m odo que precisam os de você para dar cobertura a Chase enquanto ele estiver ausente. Do contrário, Dardennes e o resto do Conselho expulsarão Tim . E por enquanto ele não tem asa algum a e realm ente não foi culpa dele, de m odo que não seria j usto.
Parei para tom ar fôlego, analisando ansiosam ente o rosto de Jared à procura de sua reação final. Sua expressão havia passado da incredulidade à raiva e à surpresa e a algum a coisa que naquele m om ento eu não consegui discernir.