A Guerra dos Fae: Luz e Trevas
Capítulo 28
SENTI O CALOR PERTO DE MIM E m e aproxim ei dele. Eu não queria acordar desse pesadelo, especialm ente porque a parte da tortura física havia acabado e sido substituída por essa coisa... confortável, fosse lá o que fosse.
– Ela está se m exendo.
– Seus olhos estão abertos?
– Não.
Ouvi as vozes preocupadas dos m eus am igos. Pelos cobertores m acios e fam iliares sob m eus dedos eu podia dizer que estava em m inha própria cam a, no com plexo dos Fae da Luz. Fiquei feliz por isso, e m e perguntei que calor era esse a m eu lado. Parecia um golden retriever ou algo assim – quente, m acio e pesado. Mas eu ainda não queria enfrentar a realidade que certam ente m e esperava... Meu m undo todo de cabeça para baixo.
– Leve-m e até lá.
– Tim , talvez você devesse deixá-la dorm ir.
Sim, Tim, deixe-me dormir. De algum a form a, Tim havia atraído alguém perto o suficiente para que pudesse ouvi-lo e fazer sua vontade.
– Não, ela está fingindo. Posso notar. Suas pálpebras estão se m exendo. Leve-m e até lá para que eu possa vê-la m elhor.
Ouvi passos que iam do arm ário para m inha cam a. Logo senti pequenos passos por cim a de m eu corpo em direção a m eu rosto.
Pixie do caralho.
– Hora de acordar! Acorde, Jay nezinha – disse Tim com sua voz irritante.
Senti um a batidinha em m inha bochecha.
– Vá em bora – resm unguei.
– Ela está acordada! – exclam ou Becky.
– Coof! E aqui está seu m au hálito para provar! – gritou Tim , fazendo sons de engasgos exagerados.
Idiota.
– Você não pode ludibriar o Sr. Tim – disse a profunda voz sulista de Finn.
Voltei a cabeça para ele, que estava de frente para onde eu achei que Tim poderia estar, e respirando o m áxim o que pude, falei.
– Vão em bora e m e deixem em paz. Todos vocês.
Eu não queria nenhum deles ali. Queria ficar sozinha em m inha desgraça.
Senti Tim cair em m eu peito e dar sequência a sua atuação de engasgos.
– Nada feito, querida. Você tem que se levantar.
Esse foi Spike, e agora eu sabia quem estava deitado com igo na cam a.
Alguém pegou m inha m ão e puxou-a algum as vezes.
– Vam os lá, Jay ne. Volte para nós.
Era Tony. Ele m e deu j ustam ente o que eu não precisava ouvir: sua voz gentil e paciente, sem nenhum j ulgam ento.
Senti as lágrim as chegando novam ente e j oguei o braço por cim a do rosto.
– Deixem -m e em paz, por favor. Saiam .
Tentei gritar, m as não tinha forças. Muito da m inha energia estava aplicada na tristeza.
– Nós não vam os a lugar nenhum – disse Tim com um a de suas vozes m ais fofas. – Agora levante-se e pare de sentir pena de si m esm a. E escove os dentes, Jay ne, Bafo de Dragão de Blackthorn.
Agitei a m ão ao redor de onde achei que ele estava, tentando afastá-lo de m im .
– Saia daqui, seu pé no saco – rosnei com raiva.
Na ponta da língua eu tinha a acusação contra ele pela situação de Chase, m as eu sabia que não era j usto. Fechei bem a boca, apenas deixando as lágrim as rolarem para m eus ouvidos. Eu odiava chorar deitada; deixava m eus ouvidos todos m elados.
Abri os olhos e virei m inha cabeça para o lado. Encontrei-m e a cerca de dois centím etros do lindo rosto de Spike. Ele abriu um sorriso supersexy para m im ; m eu sorriso favorito.
– Olá, linda.
Eu devia ter ficado feliz ao ouvir isso, m as, em vez disso, com ecei a chorar. Ele m e fez pensar em Chase dizendo o m esm o antes. Cobri o rosto com as duas m ãos e m e esforcei para m e virar sob as cobertas apertadas para não olhar para Spike, desej ando que todos saíssem de m eu quarto e m e deixassem em paz.
– Sei que você quer que a gente vá em bora, Jay ne, m as não podem os – disse Tony. – Nós precisam os que você se levante e fale conosco. Há um m onte de coisas acontecendo agora. Você dorm iu por cerca de dezoito horas.
Eu m al ouvi o que ele estava dizendo. Tentei bloqueá-lo para poder chafurdar em m eu desespero.
– Deixe eu lhe dar um beij inho. Isso vai anim á-la – disse Spike com o sorriso ainda na voz.
– Não! – disseram quatro vozes de um a só vez.
– Tudo bem , credo... Só estou tentando aj udar.
Eu estava tão triste, m as não pude deixar de rir um pouco da tentativa de Spike de se dar bem sob o pretexto de m e “aj udar”.
Senti o peso de Spike sair da cam a.
– Hora de tom ar m edidas sérias, então.
– Spike, se for preciso, cham arei Scrum – disse Finn em tom de alerta.
– Ele não vai m achucá-la – disse Tony com calm a, confiante.
Eu ainda estava chorando em silêncio, m as m eus suspiros eram m enores e não tão fortes. Não sentia m ais com o se estivesse m e afogando na escuridão.
Senti as cobertas sendo puxadas e as m ãos de Spike correndo por m inhas pernas e costas, levantando-m e da cam a. Mantive os braços na lateral do corpo.
– Não m e deteste pelo que estou prestes a fazer, am or. Estou aj udando você.
Ele se inclinou e beij ou m eu pescoço, inalando fortem ente, dando-m e calafrios. Meus lam entos dim inuíram ainda m ais, m as m antive os olhos fechados, descansando m inha cabeça contra seu peito. Eu não ligava para o que ele ia fazer.
Ele com eçou a andar. Bloqueei os sons dos que nos cercavam , ouvindo apenas alguns sussurros e cortinas sendo puxadas.
O quê?
E, em seguida, o som da água saindo do chuveiro e batendo em m eus tím panos. Mais dois passos de m eu am igo Spike e de repente eu estava instantaneam ente acordada.
– Que diabos? – lutei contra ele, tentando fugir. – Solte-m e, solte-m e!
Eu m e contorcia e o atacava o m ais forte que podia. A água do chuveiro caía sobre nós dois, encharcando m inhas roupas e respingando em m eu nariz e boca.
– Vou soltá-la quando se acalm ar! – gritou Spike. – Jay ne, fique fria.
Ele m e segurou firm e, sem fazer nada para se proteger de m inha violência.
– Eu não vou m e acalm ar, está ouvindo? Não vou. Vou em bora! Eu vou sair daqui!
Meus ataques m isturados com m eus gritos foram lentam ente enfraquecendo. Eu não podia fazer as duas coisas ao m esm o tem po; não tinha forças. Desisti de lutar e fiquei apenas soluçando.
– Você m e ouviu, Spike? – disse eu fracam ente. – Eu vou em bora deste m aldito lugar.
– Shhhh, eu ouvi você, m as não acredito. Relaxe.
Ele deixou cair m inhas pernas, m as segurou m eus om bros, puxando-m e firm em ente contra seu peito e m e segurando em um abraço de urso nada desagradável.
Coloquei os braços contra seu peito, tentando afastá-lo, m as ele m e segurou firm e. Levantou a m ão para acariciar m inha cabeça, m ais e m ais, enquanto m urm urava palavras de conforto.
– Shhhh, vai ficar tudo bem . Basta dar tem po ao tem po.
– Nada m ais vai ficar bem . Chase se j untou aos Fae das Trevas, sabia?
– Sim , nós sabem os. Tim nos contou tudo.
Engasguei com um soluço.
– Então você sabe que a culpa é m inha. Perdem os Chase por m inha culpa. Ele está totalm ente m udado.
– Eu não sei nada disso. Só sei que ele estava fazendo o que queria fazer: cuidar de você; e foi acidentalm ente pego por um pixie e você tentou aj udá-lo e os Fae das Trevas o pegaram . Não é culpa de ninguém que isso tenha acontecido, só deles.
– Eu fiz isso acontecer – sussurrei.
– Jay ne, querida, eu am o você. E se você m e perm itir, vou lhe m ostrar quanto. Mas isso não m uda o fato de que, olhando de form a obj etiva, não é sua culpa. Você não controla o destino... – ele quase riu para si m esm o –, apenas os elem entos.
Continuou m e acariciando com o a água que caía sobre nós. Meu choro gradualm ente foi se dissipando em face da razão. Eu queria conter a dor, m as m eu cérebro não deixou. E m ais ainda, m eu tem peram ento não deixou. Eu queria pegar esses bastardos Fae das Trevas, especialm ente Ben. Se eu não podia m e culpar por aquela m erda, então ia colocar a culpa toda em cim a dele. Se ele houvesse deixado Tony em paz, não estaríam os nessa confusão. Não m e im portava se não fazia sentido para m ais ninguém ; fazia para m im , e agora eu tinha um alvo grande e gordo para m inha raiva.
As carícias de Spike abrandaram e ele se afastou de m im um pouco para ver m eu rosto. Levantei a m ão para lim par m eu nariz. Tenho certeza de que esse m om ento foi um dos m ais feios de todos os tem pos para m im . Não havia o que fazer, m as a ideia de estar ali no chuveiro com Spike enquanto ranho escorria de m eu nariz era dem ais para digerir.
– Está m elhor? – perguntou ele, procurando a confirm ação em m eus olhos.
– Não.
Ele sorriu, puxando-m e para si e m e apertando firm e.
– Melhor, sim . Tom e um banho. Becky vai lhe trazer suas coisas.
Coloquei a m ão em seu rosto quando ele fez m enção de se afastar.
Ele parou de im ediato, com um a pergunta no rosto e esperança nos olhos. Ele desceu a m ão até m inha cintura e m e segurou.
– Obrigada, Spike. Você ficou encharcado por m im . Deve ter suj eira m inha em sua cam isa tam bém .
– Não foi nada, querida, você sabe disso.
Ele se inclinou para m e beij ar, m as deixei cair a cabeça. Estava envergonhada pelo que havia feito. A birra, o nariz escorrendo, tudo.
Ele segurou m eu queixo, forçando m inha cabeça para cim a e m e dando um selinho bem casto em m eus lábios.
– Depois, quando você estiver se sentindo m elhor, vam os term inar o que com eçam os aqui.
Ele levantou um a sobrancelha e depois olhou diretam ente para o chuveiro.
Lim pei a garganta, constrangida e um pouco excitada.
– Sem prom essas.
– Não preciso de prom essas – disse ele, piscando.
Soltou-m e e saiu do banheiro, gritando para Becky :
– Ei, Beck! Ela precisa de roupas e um a toalha!
A porta se fechou atrás dele.
Encostei-m e contra a parede, deixando a água cair em cim a de m im , ainda totalm ente vestida. A água m e fazia bem , m as não podia fazer o que eu necessitava – lavar as m em órias e os sentim entos. Espontaneam ente, im agens do rosto feliz de Chase continuavam voltando para m inha m ente, fazendo-m e sentir infeliz outra vez.
Becky entrou pela porta com m inhas coisas nos braços. Assim que m e viu, ficou triste.
– Oh, querida, não deixe que isso a atinj a tanto. Nós vam os dar um j eito nele. Prom eto!
Ela parecia tão esperançosa que eu não poderia continuar chorando na frente dela. Não há razão para torturar os outros com minha vergonha. Se ela queria ter falsas esperanças, quem era eu para tirar isso dela?
– Obrigada por trazer m inhas coisas, Becky.
Fiz um esforço im enso para im pedir m inha voz de tropeçar no nó gigante que não saía de m inha garganta.
– De nada. Posso aj udá-la de algum a m aneira?
Ela parecia perdida.
– Não. Eu m e viro. Dê-m e apenas alguns m inutos.
– Claro, querida. Sem problem as. Estarei do outro lado do corredor, em seu quarto, com os rapazes.
– Onde está Scrum ?
Eu queria falar com ele sobre Chase.
– Ele está fora, em treinam ento, m as estará aqui em breve. Nós lhe enviam os um a m ensagem dizendo que você está bem .
– Tudo bem . Obrigada.
Becky m e deixou no chuveiro e eu usei o tem po para tirar m inhas roupas e lim par cada partícula de suj eira de Fae das Trevas que podia estar escondida em m eu corpo. Não im portava quão forte eu esfregava, sentia que ainda estava lá. Só parei quando m inha pele ficou verm elha e am eaçou com eçar a sangrar.
Eu m e sequei e vesti a túnica branca e as calças jeans que Becky havia trazido. Sob a pilha de roupas estava m inha bainha e, m ilagrosam ente, Blackie tam bém . Puxei a arm a, passando os dedos ao longo dela. Chase. Ele devia ter se assegurado de que eu a tivesse de volta. O que fiz para merecer tal lealdade? Ele m udou de lado e ainda assim cuidou de m im – um a estúpida fae de luz. Respirei fundo e soltei o ar lentam ente. Hora de encarar: eu precisava m erecer esse tipo de dedicação.
Saí do banheiro e m e j untei a m eus am igos, esperando com todas as forças que eles ainda quisessem ser m eus am igos depois de tudo que foi dito e feito. Eu não tinha certeza de que seria tão generosa, se estivesse no lugar deles, com o esperava que eles fossem com igo. Felizm ente, eles eram m elhores fae que eu.