A Guerra dos Fae: Luz e Trevas

Elle Casey · Capítulo 27 de 38

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A Guerra dos Fae: Luz e Trevas

Capítulo 26

 

O UIVO DA TEMPESTADE DE MALÉNA FICAVA cada vez m ais alto. Eu não sabia se parecia um a tem pestade nível cinco só para m im , porque eu ouvia as coisas de form a m ais intensa, ou se ela realm ente estava form ando algo tão poderoso. Eu podia ver a porta do banheiro trem er com a força, m as dentro de nossa bolha de energia não sentim os nada. O vento não nos tocaria, nem a nada nas proxim idades. É com o se o banheiro estivesse no olho de um furacão.

O Verde cantarolava continuam ente, sua força não esm orecia nem hesitava. Os ventos do lado de fora da porta uivavam , deixando a Tim e a m im m uito nervosos. Ele subiu pela m anga de m inha túnica e se sentou em m eu om bro, segurando um punhado de m eu cabelo, só para o caso de algum a necessidade. Não precisaria de m uito m ais que um a brisa para j ogá-lo contra a parede.

– Quanto tem po você pode m antê-la lá fora? – perguntou Tim .

– Eu não sei. Para sem pre? Não é que isso m e canse... Posso sentir o escudo, e parece forte.

Eu não queria lhe falar de m inhas teorias ou m edos, m as suspeitava que esses Fae das Trevas estavam usando a arm a errada contra m im . Talvez eu estivesse enganada, m as parecia que a única m aneira de lutar contra um elem ental era usar os outros elem entos. Acho que Sam antha e Maggie haviam conseguido m e pegar antes diretam ente pelo poder que eu estava usando – e havia a fronteira m ágica lá para aj udar. Era possível que eu estivesse errada; m as se não estivesse, esperava com todas as forças que Ben não descobrisse. Aparentem ente, Maléna podia controlar o vento, até certo ponto – m as não com o Ben podia. Eu o cham ava de diabo das trevas o tem po todo, m as não o que ele era. Eu sabia agora. Ele era um elem ental com o eu.

Lem brei-m e daquela noite quando Ben fora até o quarto de Tony andando no vento. Era um a sensação totalm ente diferente daquela que Maléna criava ali. Ela podia controlar o vento, viaj ar nele, m as esse elem ento fazia os desej os de Ben – da m esm a form a que a terra fazia os m eus por m eio d’O Verde. Nenhum dos outros fae podia fazer isso. Isso eu sabia porque Dardennes m e havia dito, e porque quando eu estava em m eu elem ento usando m inhas habilidades, sabia que estava ali sozinha. Eu estava ciente de que outros fae e outras criaturas estavam ligados por m eio de suas próprias habilidades únicas, m as nenhum deles controlava o próprio elem ento.

– Então, com o você nos vê saindo dessa? – perguntou Tim , interrom pendo m eus pensam entos.

– Essa é um a ótim a pergunta. Acho que eu im agino ser resgatada. Posso usar O Verde para nos proteger, m as ainda não consigo sair deste com plexo enfeitiçado. A m enos que alguém venha nos buscar, com o poderíam os escapar?

– Poderíam os fazer um refém .

Eu ri sem vontade.

– Com o quê? Meu hálito assustador? Não, espere, vou lhe dizer o que farem os. Vou agarrar esse espírito de m adeira da próxim a vez que ele chegar perto da porta e você pode peidar na cara dele. Isso vai colocá-lo sob seu com ando, e em seguida, você pode m andar que ele nos m ostre o cam inho para fora.

Tim puxou m eu cabelo.

– Muito engraçada. Eu tinha um plano m ais realista, com o Chase vir nos buscar, m as se você prefere fazer piada...

– Chase? Você quer dizer o Chase recentem ente “pixificado”?

– É. Talvez eles o tenham curado. Ele está aqui em algum lugar, certo? Eles não devem saber sobre ele, ou j á o teriam usado contra você. Talvez aquele suj eito, Goose, possa aj udar tam bém . Ele não parecia um fae tão som brio assim para m im .

O j eito de ele falar foi engraçado. Eu torci a cabeça para tentar olhar para ele, m as Tim se escondeu atrás de m eu cabelo.

– Quantos Fae das Trevas você conhece, afinal?

Ele não respondeu de im ediato.

– Tim ? – alertei.

– Alguns, ora. Eu conheço alguns. Alguns conheço m elhor que outros.

– Quem exatam ente você conhece, e com o? E não brinque com igo. Precisam os explorar todas as opções.

Tim suspirou profundam ente j unto a m inha orelha esquerda, arrepiando todos os pelos de m eu braço e perna desse lado. Eu o alcancei e agarrei, segurando-o a m inha frente. Dobrei as pernas para que ele pudesse ficar em m eu j oelho e no m esm o nível de m eus olhos.

– Pode ir falando, Tim . Sei que você tem segredos. É hora de com partilhar.

– Tudo bem . – Ele se sentou em m eu j oelho com as pernas dobradas. – Pode ser que eu tenha... ushcshussh...

O resto da frase saiu tão baixo que eu não pude ouvi-lo.

– Repita. E em um volum e que alguém que não sej a um cão possa ouvir, por favor.

– Eu disse que pode ser que eu tenha um a esposa voando por aqui em algum lugar.

Eu quase o fiz voar pela sala m esm o sem asas quando ouvi aquela declaração de valor inestim ável.

– Você o quê?

Tim sim plesm ente cruzou os braços sobre o peito, sem dizer nada.

– E por que você não m e disse isso? Não acha que poderia ter sido im portante com partilhar esse fato antes?

– Por quê? Ela não faria nada para nos aj udar. Ela é um a Fae das Trevas!

– Ela j á era Fae das Trevas quando você se casou com ela?

– Não. Ela m udou de lado.

Olhei para ele em choque.

– Tim , isso é terrível.

– Não m e diga.

Olhei para ele com piedade fingida, ainda não m uito feliz por ele ter escondido isso de m im .

– Foi por causa de seu problem a de gases?

Tim lançou as m ãos para o alto.

– Eu não acredito que você está brincando em um m om ento com o este!

Bati as duas m ãos no chão de pedra.

– Bem , eu não posso acreditar que você escondeu isso de m im !

Nós dois estávam os sentados olhando um para o outro.

– Desista, Tim . Você sabe que eu vou vencer.

– Não, você não vai. Posso ficar encarando até que os globos oculares de um fae caiam .

– Tudo o que tenho que fazer é puxar o ar e soprar m eu hálito terrível sobre você, que vai acabar tudo.

Tim levantou as m ãos.

– Tudo bem , tudo bem , eu m e rendo. Guarde sua respiração para si m esm a, m ulher. Você venceu.

– Então, diga-m e o que aconteceu. Porque eu sei que ela não o trocou por outro pixie. Você é gato dem ais para isso.

– Não é!? – Tim balançou a cabeça. – Aquela pixie estava louca. Ela nunca teve vida m elhor do que quando estava com igo. Seu nom e é Abby. Esfreguei seus pés, acariciei suas asas, fiz seu café da m anhã todos os dias... – ele suspirou –, e então, um dia, ela se foi. Puf. Algum as sem anas depois eu a encontrei na casa de Maggie. Ela havia tirado Abby da floresta. Quem sabe que diabos estava fazendo ali fora... ela nunca m e disse. Maggie estava usando suas asas em um a de suas poções... Elas haviam feito algum tipo de acordo. Fiquei com ela, dando m inhas asas em troca da liberação de Abby. Depois que as asas de Abby voltaram a crescer, ela foi em bora, prom etendo voltar e m e buscar quando as m inhas crescessem . Esperei por ela por m ais três dias depois que m elhorei, e devo dizer que ficar na casa de Maggie tendo asas é assustador. Ela está sem pre de olho em você, agitando a colher de m adeira ao seu redor. Eu tinha certeza de que um dia ela ia bater em m inha cabeça e tirar m inhas asas m ais um a vez.

– Então, o que aconteceu depois? Abby voltou?

– Não. Ela não apareceu, então, fui em bora. E voei por toda parte à procura dela. Finalm ente, encontrei outros pequenos fae e eles m e disseram onde ela estava. Cerca de dois m eses depois, eu a vi na floresta. Ela pediu desculpas, m as disse que ia ficar. Tentou m e convencer a ir tam bém , m as eu disse que de j eito nenhum . Este pixie não é um Fae das Trevas.

– Uau. Que m erda – Eu não conseguia pensar em m ais nada para dizer.

– É. Ela m e largou depois de setenta e cinco anos de felicidade conj ugal.

Eu quase engasguei.

– Setenta e cinco anos? Barbaridade, Tim ! Isso é m uito tem po.

– Na verdade, não. Não para os fae.

– Vou m e lem brar disso. E ela nunca lhe disse por que foi em bora?

– Ela tentou, m as eu m e recusei a ouvir. É tudo um m onte de propaganda, de qualquer m aneira.

– Tudo bem . Então, acho que podem os riscá-la da lista de possíveis aj udas.

– É. Bem fora da lista. Se Abby tentasse aj udar, eu m e recusaria a ir com ela.

– Bem , não vam os enlouquecer tam bém . Se ela oferecer, vam os com ela. Depois, vam os dizer-lhe que ela é um a m erda por deixá-lo.

Tim sorriu para m im .

– Tudo bem . Fechado. Mas corra m uito rápido depois de dizer isso. Ela vai “pixificar” você com certeza se a cham ar de m erda.

– Ah, sim , esqueci essa parte. “Pixificação”.

– Você ouviu isso? – perguntou Tim com a cabeça inclinada.

– O quê?

– Nada. Essa é a questão. O vento uivante se foi.

Apurei o ouvido, e com certeza ele estava certo. Estava tudo em silêncio.

Coloquei Tim em m eu om bro e m e levantei; cam inhei cautelosam ente até a porta e grudei m eu ouvido nela para ouvir todos os sons no corredor. Não havia nada, e nenhum calor tam bém . Agachei-m e, tentando ver por baixo da porta. Mas não vi o suficiente para saber se havia alguém lá, de m odo que m e levantei de novo.

– Há alguém aí?

Eu não tinha certeza de que responderiam , m as achei que valia a pena tentar.

– Acha que estam os sozinhos aqui agora? – perguntou Tim .

– Não sei... não precisam os de um guarda; não podem os sair do corredor. Sabe que horas são?

– Não tenho ideia. Não sei ao certo se passam os aqui m etade de um dia, um dia inteiro, dois dias... sem j anelas e refeições regulares, é difícil dizer.

– Eu sei. Bem , praticam ente o tem po todo eles nos assediaram por horas. Talvez possam os assum ir que sej a noite, um a vez que finalm ente nos deixaram sozinhos. Isso significa que tem os várias horas ininterruptas enquanto eles dorm em para tentar contato com nossos am igos.

– Vá em frente. Depois, precisarem os tentar dorm ir tam bém . Quem sabe o que o am anhã trará.

– Concordo – disse eu. – Você fica aqui em m eu om bro. Se ouvir alguém chegando, avise-m e. Mas não puxe m uito forte.

– Eu nem sonharia com isso.

Ele deu um a risadinha.

– Tim , não estou brincando.

– Ah, eu tam bém não.

Suspirei, desistindo de m anter um a conversa séria com ele. E então, bloqueei em m inha m ente todos os pensam entos de Tim puxando m eus cabelos. Precisava m e concentrar n’O Verde e encontrar m eus am igos. Eu tinha um sinal de SOS para enviar e um resgate a pedir.