A Guerra dos Fae: Luz e Trevas
Capítulo 11
ALCANCEI CHASE QUANDO ELE ESTAVA SAINDO PELAS portas do refeitório e entrando no corredor sem fim . Eu não tinha a m ínim a ideia de quantas portas havia para sair ou de quão grande era esse com plexo. Toda vez que eu pensava que sabia, acabava saindo por outra porta que nunca vira ou cam inhando por um a distância m ais longa que antes. Norm alm ente, esse fenôm eno era apenas um a curiosidade. Nessa noite, era um sério aborrecim ento.
– Para onde vam os, Chase? – perguntei, alcançando-o, totalm ente sem fôlego.
Ele tinha pernas longas e estava com pressa.
– Tenho que sair. Ir para fora, lá fora, lá fora!
Ele deu um pulinho, então; e de todas as coisas que Chase fizera desde que se transform ara em pixie, essa foi a m ais assustadora. Chase era o cara m ais frio que eu conhecia – decididam ente, do tipo forte, silencioso. Ele não pularia tão depressa, assim com o eu não pararia de praguej ar. Era um a dessas coisas que “não acontecem nesta existência”. Mas ali estava ele fazendo aquilo. E m eu inteligente am igo elfo cinza, Gregale, dissera-m e que a m aldição de um pixie era im possível de quebrar; e se alguém conseguisse quebrar um a, a pessoa afetada nunca voltaria a seu perfeito j uízo novam ente.
Por favor, por favor, por favor, deixe que alguém se cure. Às vezes o estoicism o de Chase m e dava nos nervos, m as tinha certeza de que essa alegria exagerada seria m uito, m uito pior. Eu poderia acabar querendo m atá-lo para que não estragasse minha infelicidade.
Chase chegou a um a porta que eu nunca vira. Sobre ela havia um a flor. A m aioria das portas tinha algum sím bolo, o que tornava m ais fácil para nós, Fae da Luz, guardar as im agens em nossa m ente — m anipuláveis —, j á que era assim que fazíam os as portas aparecerem , tanto do lado de dentro desse corredor quanto do lado de fora do com plexo. Se não fosse assim , seria um lugar vazio na parede ou outro lugar na floresta.
Chase abriu a porta e correu para fora.
– Chase, espere, seu idiota!
Ele não foi longe. Estávam os em um cam po, sem elhante a um em que eu j á estivera com Gregale, onde ele m e contara que m inha arm a pontiaguda parecida com um bastão – que m e fora dada durante o teste fae – era nada m ais, nada m enos, que o dente canino do Aguilhão. O Aguilhão era um dragão dos Fae das Trevas há m uito tem po assassinado por algum ancestral m eu. Quando eu o estava usando contra alguém , ele incendiava a pessoa com fogo de dragão – geralm ente assom broso, m as totalm ente inútil contra o problem a atual. Ficava preso em um a correia à m inha perna.
Parei de correr e fiquei à m argem de um a clareira gram ada banhada pela luz da lua. Fiquei observando Chase correr em círculos, girando e rindo, sorrindo escancaradam ente com seu m aldito riso tolo. Eu conseguia enxergar m uito bem à noite na floresta, m esm o sem lua. Acho que tinha algum a coisa a ver com m inha conexão com O Verde.
Sentei-m e na gram a. Agora, que diabos devo fazer? Repassei m inhas opções. Eu poderia recorrer a Spike e ele provavelm ente m e encontraria. Contanto que eu tivesse pensam entos eróticos, ele provavelm ente apareceria para que pudéssem os transar. Fiquei pensando em quantas vezes eu poderia usar essa artim anha para fazê-lo aparecer antes que ele parasse de responder. Nós nunca chegam os a concluir a coisa depois de um dos m eus convites chega-m ais. Toda vez que eu o atraíra dessa m aneira não havia sido por m otivos sexuais, por isso ele estava sem pre com suas intenções obscenas em stand by.
Eu poderia tam bém usar O Verde para trazer Finn até m im . Todos os elfos verdes eram fisgados por m inha rede desse m odo. Não era tão legal quanto a habilidade dos elfos verdes de enviar m ensagens telepáticas com pletas, com palavras reais, m as era bom o suficiente para m eus propósitos. O problem a era que eu não sabia a quem cham ar na rede de elfos. Quem poderia nos aj udar nessa confusão? Provavelm ente os curandeiros do com plexo precisariam ser convocados – m as eu j á fora advertida pela Escuridão que ser transform ado em pixie era praticam ente um a sentença de m orte, o que era o m otivo pelo qual eles quase haviam se borrado nas calças quando eu soltara Tim da redom a. Se eu os convocasse, Tim sofreria um a expulsão, com certeza. Agora tudo que Dardennes e Gregale haviam dito sobre os perigos dos pixies estava voltando para m e assom brar. E assom brar Chase. Olhei para ele se deleitando em seu frenesi de alegria e suspirei. Talvez eu pudesse conversar com ele.
Eu m e levantei e cam inhei para onde ele estava pulando, estendendo as m ãos para agarrá-lo e acalm á-lo.
– Chase. Ei. Pare só um segundo, está bem ? Venha falar com igo.
– Eu estou falando com você, Jay ne. Dance com igo! Por que você está aí parada? Não consegue sentir as vibrações? É im pressionante. Não posso parar de m e m exer. Passam todas por m im ! Você sabe quanto perdi por não sentir essa vida?
Ele continuou a girar com os braços estendidos para o céu. Seu rosto estava lindo, com um sorriso m uito largo. Era a prim eira vez que eu o via feliz. Parecia um tanto errado que eu m e esforçasse m uito para trazê-lo de volta a seu silencioso e invulnerável eu. Mas precisava fazer isso, porque ele não ia parar. Ele continuaria extravasando até que caísse de exaustão; e depois, quando recuperasse a energia, ele se levantaria para fazer tudo outra vez. Esse processo continuaria pelo resto de sua vida. E ele sendo um fae, isso significaria cerca de m il anos, m ais ou m enos.
Fiquei tão preocupada planej ando com o desencantaria Chase que não o vi vindo em m inha direção senão tarde dem ais. Ele m e pegou em seus braços e m e girou consigo. Içou-m e do chão, girando-m e e girando-m e sem parar, até que com ecei a ficar nauseada.
– Chase, ponha-m e no chão, seu m aluco!
Ele se recusou. Sim plesm ente continuou dançando e girando. Meus braços e costelas estavam doendo onde ele m e apertava.
– Solte-m e! Você está m e m achucando!
Mas, ainda assim , ele continuou. Eu estava com eçando a entrar em pânico, contorcendo-m e e tentando escapar. Ele não percebia ou não se im portava por estar m e esm agando. Tentei afastar m inha m ente da dor e da náusea para poder recorrer a’O Verde. Com o de hábito, seu zum bido estava bem próxim o de m inha m ente, esperando para ser convidado a entrar. Senti seu toque acolhedor abraçar m eu corpo. As sensações desagradáveis que Chase havia criado com eçaram a desaparecer e eu com ecei a m e acalm ar.
Enviei um a m ensagem por m eio de m inha conexão com a floresta, avisando que precisava que Chase fosse interrom pido para que eu pudesse escapar. Mom entos depois, um grupo de trepadeiras correu pelo chão saído de um a árvore próxim a e enroscou-se em suas pernas.
Chase continuou tentando se m over de qualquer j eito, m as logo as trepadeiras o dom inaram . Eu não havia pensado em todo o processo, obviam ente; aquele velho ditado “quanto m ais alto o coqueiro, m aior o tom bo” ocorreu-m e de surpresa. E, bem , quando os coqueiros são do tam anho de Chase, eles caem com m uita força. E quando caem sobre você, vam os com binar que é m esm o péssim o.
Chase desabou com o um a tonelada de tij olos, aterrissando bem em cim a de m im . Eu grunhi ruidosam ente quando o ar foi expulso à força de m eus pulm ões. Ele riu descontroladam ente.
– Essa foi um a grande ideia, Jay ne. – Ele se aninhou em m eu pescoço, provocando calafrios por toda m inha espinha. – Hm m , você cheira bem . Vam os fazer am or.
Ele puxou m inha túnica, tentando descobrir com o m e despir dela. Foi quando resolvi que era hora de dar um a bofetada de j uízo em sua bunda m aluca.
Plaft!
Ele olhou para m im com um a expressão de dor.
– Ui, isso doeu. – Ele fez beicinho por um segundo e depois sorriu de novo com o um m aníaco. – Mas tudo bem , porque vou perdoar você! Agora, aj ude-m e a tirar sua túnica. Podem os fazer am or sob a lua, Jay ne; vai ser m ágico!
Eu o em purrei com o m áxim o de força que pude, grunhindo.
– Ninguém ... vai... fazer... am or... com ninguém ... sob a... m aldita lua... cabeça de m erda...
Não consegui sequer m ovê-lo. Ele tinha duzentos e não sei quantos quilos de ágil dem onism o que não seriam dissuadidos de seu propósito rom ântico. Eu odiava fazer isso com ele, m as era o único m eio de afastá-lo.
Puxei Blackie e toquei as costas de Chase com ele. Ouvi um chiado bem antes de ele gritar.
— Ahhhhh! Ei, essa doeu. Oooh, Jesus, é um m açarico. Puxa. Minha nossa, o que houve com m inhas costas? Preciso dançar. Arranque essas ervas daninhas para que eu possa dançar para acabar com a dor!
Ele m e em purrou para longe para poder se abaixar e travar um a luta com as trepadeiras ainda agarradas a seus tornozelos.
Rolei para longe dele e cam inhei rapidam ente para a m argem do cam po, lançando um a m ensagem para O Verde, dizendo que ele precisava ficar prisioneiro lá até segunda ordem . Eu tinha que achar alguém que pudesse aj udá-lo, m as não queria que Dardennes nem nenhum dos m em bros do Conselho soubessem daquilo. Eles levariam Tim e o baniriam para sem pre para um a colônia de pixies em algum lugar e eu nunca m ais o veria. Além do m ais, ele estava sem asas agora, e isso era em parte culpa m inha, de m odo que não era correto deixá-lo ir em bora quando ele estava daquele j eito.
Chase com eçou a cantar um a velha canção folclórica que provavelm ente ficaria grudada em m inha cabeça por dias a fio. Até que, levando tudo em consideração, ele cantava bastante bem .
Eu m e desliguei disso e dei um tapinha leve na linha ley seguinte, fazendo contato com Maggie, a bruxa. Mais um a vez, ela era m inha única esperança. Eu tinha m edo de ter usado todos os m eus privilégios, no entanto, de m odo que não tinha ideia algum a de com o a com pensaria por essa segunda cura de Chase. Odiava precisar de sua aj uda tão logo depois de ter acabado de pedir que curasse Tim . Eu precisava arranj ar outros am igos bruxos, especialm ente porque vira recentem ente com o era útil tê-los por perto.
Senti a energia instável de Maggie ali adiante, reconhecendo-m e. Lancei a ela im agens de onde eu estava e de qual era m eu problem a, e depois esperei. Não obtive resposta algum a dela, m as eu não tinha m uita certeza de com o isso funcionava, de m odo que apenas m e sentei, deixando a conexão cair quando tudo que dela restou foi um zum bido m onótono. Talvez ela aparecesse e talvez não. Eu lhe concederia um a hora e depois daria um j eito de arquitetar um plano B.
Enquanto esperava, enviei um a m ensagem para Finn por m eio d’O Verde. Ele estava dorm indo; pude perceber pelo zum bido baixo de sua presença. Eu o cutuquei com força e lancei-lhe im agens da porta com a flor, esperando que ele entendesse que eu precisava dele. Finn era o único que eu conseguia contatar desse m odo. Eu não tinha conexão algum a com Becky. Com Spike eu teria que usar pensam entos eróticos, e depois de ter sido acariciada por Chase, não estava com disposição para isso. Eu gostava de Chase e o achava m aravilhosam ente bonito e tudo m ais, m as não desse j eito. Talvez, em outra ocasião, pudéssem os fazer am or sob a luz da lua ou o que fosse, m as não quando ele estivesse m aluco feito um idiota. Louco não era sexy de jeito nenhum. Esse não era Chase. Um dia, se quisesse fazer am or com igo, sei com certeza que ele não falaria daquele j eito. Por enquanto, parecia protagonista de um rom ance ordinário e m al escrito. Eca!
Cerca de dez m inutos depois ouvi a porta se abrir na m argem do cam po e os sons de passos e m urm úrios. Logo Finn e Becky apareceram .
Soltei um suspiro de alívio.
– Obrigada por virem , gente. Sinto tê-los im portunado tão tarde.
Becky olhou para m im com preocupação.
– O que houve? Você está bem ?
– Sim , estou bem . Mas ele não.
Apontei para Chase, estendido no chão, lutando valentem ente para se livrar enquanto ria desenfreadam ente.
– Esse é... – Becky perguntou, incrédula.
Suspirei.
– Sim . É Chase.
– Que diabos está acontecendo? – perguntou Finn, dando um passo em direção a ele.
– Não! – agarrei o braço de Finn. – Não faça isso. Deixe-o à vontade – disse eu, repugnada. – Não chegue perto dem ais. Ele pode tentar fazer am or com você sob a luz da lua, ou algo do gênero.
– Ah... Eu, Finn! O que é que há, cara? – gritou Chase, interrom pendo-nos. – Venha para cá e m e aj ude a escapar, sim ? Puxa, você está com ótim a aparência. Isso é um novo corte de cabelo? Vam os dançar. Sinto vontade de dançar, você não sente?
Finn se voltou e olhou para m im horrorizado:
– Que diabos aconteceu com esse pobre cara? Porque esse não é Chase. Há algum tipo de im postura, ou vodu de fae da escuridão rolando aí.
– Não – disse eu tristem ente. – Esse é Chase. Ele se transform ou em um pixie acidentalm ente.
A m ão de Becky voou para sua boca e seus olhos se arregalaram :
– Oh, não! – m urm urou ela.
– Sim . Foi Tim que fez isso. Ele havia acabado de perceber a rem oção de suas asas e Chase o surpreendeu, então ele sim plesm ente... não sei... praguejou e o transform ou em pixie. Chase vem dançando e rindo desse j eito desde então. Eu tive que am arrá-lo para que ele pudesse ficar im óvel e m e soltar. Vocês não vão querer se aproxim ar dele neste m om ento, podem acreditar.
– O que ele estava tentando fazer com você? – perguntou Becky, relutante e ainda descrente.
– Prim eiro ele tentou m e atrair para sua dança m aluca, o que quase m e fez vom itar. Depois ficou um tanto brincalhão. Pense em Spike, m as com grandes m úsculos e o carism a de um palhaço de circo.
Becky fechou os lábios em um a carranca.
– Oh! Abusado!
– Sim . Ele não chegou a fazer nada, m as, ainda assim . É Chase. Só que parece tão errado, principalm ente por ele agir de form a tão... diferente.
– Esquisita.
Eu fiz que sim . Ela havia entendido totalm ente.
– Então, que diabos vam os fazer com ele? Só esperar a noite toda para que isso passe?
Balancei a cabeça tristem ente:
– Não há m eio de isso passar, pelo que eu soube. Ele foi transform ado em pixie para sem pre, a m enos que Maggie possa arranj ar algum a coisa para aj udá-lo. Do contrário, ele continuará a fazer essas besteiras até que m orra de exaustão.
Becky tinha lágrim as nos olhos.
– Ah, m eu Céu. Ah, m eu Mar. Ele vai m orrer por ter sido transform ado em pixie? Que j eito horrível de m orrer!
– Ora, Becky, vam os encontrar um a solução. Não com ece a chorar. Não vam os deixar o velho Chase m orrer diante de nós. Ele é um cara forte e Jay ne tem sua conexão com O Verde. – Finn olhou-m e analiticam ente. – Você pode curá-lo, com o fez com igo e com Becky durante o teste?
Era verdade. Eu conseguira curar os dois de algum as feridas bem ruins que receberam de algum fae desequilibrado que estava lá na floresta para nos aj udar a fracassar no teste.
– Na verdade, eu não havia pensado nisso. Acho que posso tentar. Poderia ser m elhor se todos nós estivéssem os perto de um dos Antigos, um a das árvores m aiores, no entanto.
– Verei o que posso encontrar. Vocês, garotas, fiquem aqui com o garoto rom ântico.
Finn ergueu um polegar em direção a Chase.
Becky se aproxim ou e se sentou com igo, esfregando m inhas costas com sua m ãozinha. Eu não sou um a pessoa grande, m as ela é m esm o pequenina. Ela fazia que eu m e sentisse um alce quando estava perto de m im . Nesse m om ento, no entanto, eu não dava m uita bola para isso.
– Não se preocupe. Resolverem os isso, de um j eito ou de outro.
– Eu cham ei a bruxa. Maggie. Não sei se ela virá.
Becky estrem eceu involuntariam ente.
– Não sou a m aior fã dela, tenho que lhe dizer. Ela ficou um tantiiiinho feliz dem ais por arrancar as asas de Tim . Foi sinistro.
– Eu sei. Mas se alguém tem um rem édio, é ela.
– Odeio pensar no que haverá nesse rem édio, no entanto.
– Sim . Eu tam bém . Talvez testículos de salam andra ou algo assim .
Becky deu risadinhas.
– Salam andras têm testículos?
– Claro que têm . Bom , na verdade nunca vi as gônadas de um a salam andra, m as devem ter. Com o fariam bebês?
Eu sorri para ela. Essa era um a das conversas m ais estúpidas que eu j á tivera na vida, m as ao m enos distraía m inha m ente de m eu pobre am igo que estava cantando algo que parecia Moon River, um a canção que m eu pai costum ava cantar, só que ele cantava o m esm o trecho sem parar e m uito desafinado. Era estranho que Chase conhecesse essa velha canção.
Finn voltou das árvores, trotando em nossa direção e falando ao m esm o tem po:
– Achei um a. Não é m uito longe. – Ele olhou atentam ente para Chase. – A questão é: com o vam os rem ovê-lo daqui para lá?
– Deixe isso com igo – disse eu conectando-m e outra vez a m inha fonte de poder.
Im aginei Chase sendo arrastado por trás de nós pelas trepadeiras, e elas obedeceram a m eu pedido.
– Mostre-nos o cam inho – disse eu. – Só não pise nas trepadeiras que estão segurando Chase.
Finn nos ofereceu suas m ãos para nos aj udar a ficar em pé. Levantam os e o seguim os floresta adentro, com Chase arrastado atrás de nós. Ele ia ficar m eio esfolado, m as isso era m elhor do que travar m ais um a luta corpo a corpo com ele. Chase era danado de pesado para carregar.
Ele cantava e ria interm itentem ente enquanto lutava com suas am arras.
Tão logo vi a árvore que Finn havia escolhido, soube que era a certa. Ela era enormemente grande. Quase tão alta quanto um a sequoia. A floresta era m uito estranha. Havia nela todas as espécies de árvores, e não apenas aquelas que seriam de se esperar na região. Eu sabia que estávam os na Europa... na França, provavelm ente, por m inhas avaliações do tem po que levava dali para a Flórida, o clim a e as inform ações que eu vira nos com putadores do conj unto residencial. Algum as árvores não deviam estar ali, m as estavam . Eu dei de om bros, com o se fosse coisa dos fae. Muitas coisas que eu não conseguia explicar naqueles dias eram atribuídas a essa explicação genérica.
Pedi às trepadeiras d’O Verde que am arrassem Chase à árvore para que ele não pudesse fugir, e elas obedeceram fielm ente. Foi preso com o um prisioneiro, e não gostou nem um pouquinho. Estava suando pelo exercício de tentar fugir enquanto irrom pia em explosões de gargalhadas e gritos de alegria. Sua voz estava com eçando a ficar rouca.
Eu m e aproxim ei e m e aj oelhei j unto a ele, tom ando cuidado para não ficar perto dem ais. Olhei sobre m eu om bro, dizendo:
– Vocês poderiam se afastar? Não tenho certeza do que vai acontecer.
Eles deram cinco passos para trás, sem dizer nada, apenas olhando fixam ente para Chase e para m im .
Olhei para Chase, odiando o que via em seus olhos e em seu rosto. Era com o am or, desespero e confusão, tudo m isturado, e tão pouco característico dele. Era com o se houvesse um alienígena habitando a m ente de m eu am igo.
– Chase, querido, vou tentar curá-lo com O Verde. Preciso que você fique im óvel e sim plesm ente deixe acontecer, está bem ?
– Vam os só dançar, está bem ? Ou cantar! Podem os cantar j untos. Vam os lá, eu com eço. Row, row, row your boat... Ok, Jay ne, agora você faz um coro e nós vam os alternando... row, row, row your boat... você agora...
Suspirei; era inútil tentar falar com ele. Com ecei, inclinando-m e em direção à árvore e colocando as palm as das m ãos sobre a casca firm e e m arrom , para que pudesse aj ustar m eu corpo contra ela antes de abraçá-la. Esse m étodo m e parecia o m elhor e m ais purista de com ungar com a força da vida que vibrava através dessa floresta. Eu podia m e conectar com O Verde por m uitos m eios, de qualquer m aneira, agora que aprendera com o usar e controlar m eus poderes ao treinar com vários outros fae, m as o abraço na árvore ainda era o m elhor m eio para prosseguir usando m eu poder, pois eu precisava estar à altura e m e concentrar m elhor no que estava fazendo – ou tentando fazer.
Estendi os braços, envolvendo a árvore, o braço esquerdo sobre o peito de Chase. Suas costas estavam contra o tronco, para que nós ficássem os j untos na conexão.
Um a voz em ergiu do alarido do canto delirante de Chase e do zum bido d’O Verde.
– Isso não vai funcionar!
Reconheci a voz de Maggie, que se erguia atrás de m im .
– Vou tentar, de qualquer m aneira.
– Fique à vontade. Vou-m e em bora.
Eu soltei a árvore, voltando-m e para encará-la.
– Não! Fique um m inuto. Deixe-m e só tentar isso.
Ela deu de om bros e ficou im óvel.
– Não dem ore. Preciso de m eu sono de beleza. Já da passou da m inha hora de dorm ir.
Voltei ao trabalho, ignorando o óbvio erro de sua j ustificativa, j á que, m esm o com todo o seu repouso de beleza, sua aparência não era m enos que hedionda.
– Muito bem , Chase, aqui vam os nós...
Fechei os olhos, bloqueando o coro enferruj ado de Row, Row, Row Your Boat o m elhor que podia. Lancei m eu pedido por m eio da velha grande árvore que conectava a m im e a Chase à energia que se ligava a todas as coisas que eram e haviam sido vivas na Floresta Verde e pelo m undo afora. Pedi que se desse início a um a cura na m ente de m eu am igo, para aj udá-lo a encontrar o velho Chase e ficar livre daquela... coisa... ou sej a lá o que o estivesse possuindo. Senti o toque am oroso d’O Verde fluindo através de m im e penetrando Chase, m as não tinha ideia algum a de se estava fazendo algum a diferença. Apenas o sustentei até concluir que era tudo que eu podia fazer, e depois, delicadam ente, deixei O Verde ir em bora, agradecendo-lhe por qualquer coisa que houvesse sido capaz de executar. Um suspiro escapou de m eus lábios quando m ais um a vez m e vi esvaziada da força afetuosa d’O Verde.
Afastei-m e da árvore e olhei criticam ente para Chase. Ele estava em silêncio, sorrindo. Isso não era exatam ente um bom sinal. Era Chase, afinal, por isso o sorriso m e preocupava.
– Chase? Você está bem ?
Seus olhos lentam ente se abriram e depois seu sorriso se am pliou quando m e viu.
– Isso foi fabuloso! Faça de novo! Por favor! Eu m e sinto tão energizado neste m om ento! – Ele lutou com as trepadeiras com um a expressão confusa no rosto. – Por que essas coisas estão em cim a de m im ? Pode m e aj udar a tirá-las? Preciso dançar.
Lágrim as frustradas brotaram em m eus olhos e dei um pulo.
– Puta m erda! – gritei para ninguém em particular.
– Eu disse que não ia funcionar – resm ungou Maggie. – Saia daí, garota.
Eu m e voltei com raiva, cam inhando em direção a ela enquanto explicava.
– Foi Tim quem fez isso com ele. Foi um acidente. Se eu não puder rem ediá-lo, se você não puder rem ediá-lo, m andarão Tim para um a colônia de pixies leprosos e Chase para algum lugar igualm ente horrível. Talvez eles o rebaixem ou coisa assim , eu não sei. Preciso dos dois aqui. Em estado normal. Diga-m e que pode aj udar – supliquei.
– Pixies são am igos perigosos para se ter.
– Sim , é tarde dem ais para esse aviso, agora. Eu só preciso saber se você pode fazê-lo m elhorar.
Ela deu de om bros.
– Ele m e parece feliz. Talvez não queira m elhorar – disse Maggie com um sorriso astuto.
– Pare de enrolar, m orcega velha. Você sabe que ninguém escolhe ser transform ado em pixie ou ficar desse j eito. Ele vai se m atar com esse tipo de felicidade.
Ela deu de om bros.
– Posso pensar em m odos piores de m orrer.
– Sim – disse eu em tom de am eaça, pondo a m ão sobre Blackie –, eu tam bém .
Maggie ergueu sua sobrancelha, interrogativa.
– Você está m e am eaçando?
– Não exatam ente – respondi à provocação. – Estou lhe pedindo para m e aj udar. Você vai ou não vai aj udar? Mas diga logo e pare de ficar enrolando. Não estou com hum or para isso.
– É verdade!
– Pode apostar que é verdade. Então, pode m e aj udar?
– Talvez. Maldições de pixie são coisas com plicadas. Mas não sou eu que posso aj udar seu am igo. Você precisa dos curandeiros do com plexo dos Fae da Luz.
– Por quê? Por que você não pode fazer?
– Você precisa de um antídoto feito em um laboratório. É um a nova m agia; não é m inha especialidade. Você pega o sangue de Tim , o pixie que o am aldiçoou, e usa-o para fazer o feitiço de reversão. Eu sei o básico, m as não o processo todo. Você precisa de um a bruxa m ais j ovem e um a bruxa m ais velha trabalhando j untas.
– Vai funcionar? Vai deixar Chase... norm al de novo?
– Eu não sei. Talvez. Talvez não.
Joguei as m ãos para o alto, frustrada.
– Você não está aj udando em nada! Eu não posso levá-lo de volta para o com plexo. Eles vão se livrar de Tim , com certeza. Preciso que você o cure aqui onde eles não verão.
Maggie com eçou a se afastar.
– Aonde você vai? – gritei com estridência.
– Para a cam a.
– Mas eu preciso de sua aj uda!
– Aj udei-a o quanto pude. Agora, vou dorm ir.
– Arrrrggghhh! – berrei, querendo puxar m eus cabelos.
Becky veio em direção a m im , hesitante.
– Então... o que você quer que façam os? Quer levar Chase de volta para o com plexo?
Ela pousou a m ão em m eu braço; sua presença fria m e acalm ou um pouco.
Finn se adiantou tam bém .
– Parece que essa é a única solução.
– Não pode ser – disse eu, quase chorando de frustração. – Acabei de recuperar Tony, agora vou perder Tim ? Não – balancei a cabeça –, é sim plesm ente dem ais. Ele está ferido. Não posso deixar isso acontecer.
– Sim – disse Becky voltando os olhos para Chase –, m as você não pode deixar Chase por aí, e não há outras opções. Ele é barulhento dem ais para ficar escondido. E com o vai alim entá-lo? Ele com e com o um cavalo.
Tudo que ela dizia fazia sentido, m as eu não conseguia decidir o que fazer. Realm ente, de verdade não queria que Tim fosse punido. Não era j usto. E eu sabia que esperar que o Conselho fosse com pletam ente im parcial não era realista. Eles eram racistas rancorosos contra os pixies, do prim eiro ao últim o, e eu tinha certeza de que pensavam que j á haviam feito favores suficientes para m im .
– Talvez eu pudesse aj udar.
A voz em ergiu do nada. Segurei Blackie, puxando-o da bainha em m inha perna. O arco de Finn voou de seu om bro para suas m ãos com um a flecha j á apontada. Ele fora tão veloz no saque que nem o vi se m exer. Se eu não estivesse tão apavorada com um possível ataque sorrateiro, ficaria seriam ente im pressionada. Becky executou um ato de desaparecim ento, teletransportando-se para algum lugar do qual eu não tinha a m enor ideia. Cara, fiquei com tanta invej a dessa habilidade!
– Quem está aí? – gritou Finn.
– Meu nom e é Gustav, m as m eus am igos m e cham am de Goose. E estou aqui diante de vocês, m as não gosto m uito ser alvej ado ou queim ado, de m odo que enquanto não baixarem suas arm as, ficarei no Cinza, obrigado.
Ele tinha um ligeiro sotaque. Parecia alem ão ou algo assim .
Olhei para Finn e ele deu de om bros. Nenhum de nós baixou a arm a.
– Nós o conhecem os? – perguntei.
Eu estava tentando ganhar tem po, vasculhando m inha m em ória à procura de um elfo cinzento cham ado Goose. Eu não conhecia m uitos deles, m as Gregale havia m encionado alguns. Mas não m e lem brava de nenhum Gustav ou Goose.
– Não. Não é provável – disse ele com um sorriso na voz.
Ele não parecia am eaçador, exceto pelo fato de que estava se escondendo de nós.
– Você vive no com plexo? – perguntou Finn.
– Não. Vivo por aqui na floresta. E no Cinza.
– De que diabos ele está falando? Viver no Cinza? – m urm urou Finn para m im .
Eu m e inclinei para seu ouvido e lhe disse o que sabia.
– É o espaço entre este m undo e os Outros Mundos, onde os espíritos às vezes m oram . Não tenho m uita certeza. Gregale m e levou lá um a vez para visitar Tony usando proj eção astral. Os elfos cinzentos podem ir lá.
– Ah – disse Finn, agindo com o se tudo que eu havia dito fizesse perfeito sentido, o que não fazia.
Mas era o m elhor que eu podia fazer. O Cinza era um tanto m isterioso para m im tam bém .
– Se baixarm os nossas arm as, você tem que prom eter não nos ferir – disse eu tentando parecer confiante, ignorando convenientem ente o fato de que se ele quisesse nos ferir, não hesitaria em m entir sobre suas intenções.
– Se eu quisesse feri-los, podia j á ter feito isso cinco vezes seguidas. Vocês não são os fae m ais silenciosos da floresta, acreditem .
Ele tinha razão.
– Tudo bem ; estam os com um am igo doente.
– Percebi. E com o disse, talvez eu possa aj udá-los em sua pequena aflição. Um problem a de transform ação em pixie, se não m e engano, não é?
Maldição. Agora o com plexo todo ia descobrir.
Baixei m inha arm a, estendendo os braços e em purrando o braço de Finn para que ele baixasse seu arco.
– Ótim o. Nossas arm as foram baixadas. Apareça.
Um a luz trêm ula apareceu a alguns m etros de nós. Prim eiro a form a era apenas um contorno cinzento. Depois, ficou m ais sólida. Erguendo-se ali, usando um a túnica de um cinza escuro, estava um suj eito m agro com um nariz pontudo e pôm ulos altos. Tinha cabelos louros com o Chase, m as olhos cinzentos com o alguns que eu vira recentem ente. Os olhos de quem são assim? Não consegui descobrir, e depois ele com eçou a falar, de m odo que im ediatam ente esqueci o que estava tentando recordar.
– Faço parte de um grupo de bruxas e outros fae que recentem ente tiveram sucesso em tratar a transform ação em pixie. Talvez seu am igo queira vir a nossa instalação e participar de nosso estudo m ais recente.
Olhei para ele com o se estivesse m aluco. Nós estávam os ali na Floresta Verde, Chase am arrado a um a árvore rindo até estourar sua cabeça tola, e esse cara vinha falar de testes clínicos? Seria deficiente m ental? Fiquei preocupada que estivéssem os lidando com um psicótico total, e não com o salvador que ele se esforçava para ser.
– Ouça, Goose, reconheço seu pequeno avanço m édico ou sej a lá o que for, m as isto aqui não é um a brincadeira. Meu am igo precisa de aj uda, e não está interessado em ser um rato de laboratório, ou o que quer que você estej a falando. Por isso, a m enos que você possa realm ente aj udá-lo, vou precisar que desapareça de nossa frente.
Minha m ão com ichava para erguer Blackie e encostá-lo em seu rosto, m as eu não queria que Goose desaparecesse de novo até ter certeza de que não seria útil. Eu estava desesperada – tão desesperada que estava conversando com um estranho que nunca vira ou de quem j am ais ouvira falar, em um a parte desconhecida da floresta no m eio da noite.
Goose sorriu pacientem ente.
– Não, ele não seria um rato de laboratório. Nosso estudo está além das experiências com anim ais. Nós tem os fae verdadeiros participando agora, que têm tido grande sucesso com nosso tratam ento.
Finn desabafou, incapaz de conter sua curiosidade.
– Então, o que é esse tratam ento? Vocês lhes dão uns pontapés na bunda ou algo assim ?
– Não. Nós tem os bruxas na equipe que descobriram os m eios de criar um antídoto m uito parecido com aquele descrito por sua am iga. Maggie, creio, era seu nom e.
– Então, com o é o antídoto? O que ele faz? – perguntei.
– Consiste em um a série de tratam entos adm inistrados em várias etapas, até que a transform ação em pixie sej a com pletam ente rem ovida. Os efeitos colaterais são... tratáveis. E tem porários.
– Vocês j á tiveram um a “pixificação” com pletam ente revertida?
Goose lim pou a garganta.
– Bem , não exatam ente. E o term o correto é “transform ação em pixie”. Mas estam os m uito, m uito perto disso. Por m ilhares de anos, vários grupos vêm trabalhando nessa solução, m as, pela prim eira vez, tivem os avanços significativos. É m uito em polgante, na verdade. – Ele olhou significativam ente para Chase, sério. – Seu am igo precisa de nós, isso é m uito evidente. E vocês não deviam esperar para resolver o que fazer. Quanto m ais esperarem , m ais difícil será a cura e m enos chance há de que ele se recupere totalm ente.
Tive um a sensação de pânico no peito e foi difícil respirar.
– Bom , tudo parece interessante, m as, não querendo ser grosseiro nem nada, nós nem sabem os quem é você ou de onde vem , e sim plesm ente espera que entreguem os nosso am igo a você e a um bando de bruxas que tam pouco conhecem os? Acho que não. – Finn balançou a cabeça e franziu o cenho. – Não senhor. Não vai dar.
Finn estava certo. Por m ais tentador que parecesse, eu não podia sim plesm ente ceder Chase a esse suj eito desse j eito. Não quando sabíam os tão pouco a respeito dele.
– Ele está certo. Conte-nos o que precisam os saber. Quem é você e de onde é exatam ente?
– Posso dizer que sou Gustav. Sou um fae... da raça dos irados, com o podem ver por m inha túnica. Moro na Floresta Verde com outros de m inha espécie. E sou um Fae das Trevas, se isso faz algum a diferença.
Olhei para ele horrorizada.
– Claro que faz diferença, seu estúpido Fae das Trevas! – Im ediatam ente ergui Blackie, notando que Finn j á tinha Gustav em sua m ira.
– Ah... Então vocês são Fae da Luz... e recém -transform ados, se não m e engano. Não se preocupem , não têm nada a tem er de m im . Eu sou apenas um cientista, fundam entalm ente. Olhem ... – ele ergueu as m ãos e gesticulou. – Não carrego arm as. Vim em paz.
Ele realm ente não parecia m uito am eaçador.
– Você é um Fae das Trevas. Isso o torna um vilão – disse Finn categoricam ente.
Gustav sorriu.
– Vej o que eles m antêm a m áquina de propaganda bem lubrificada e funcionando perfeitam ente no acam pam ento dos Fae da Luz. Que infelicidade para vocês. Na verdade, j ovem elfo verde, o m undo não é tão fácil de encaixar em categorias, não é? Desconfio que seu am igo foi transform ado em pixie por um pixie dos Fae da Luz, não foi?
– Sim . E daí?
– A m im parece que ele é o vilão, não eu. Estou m e oferecendo para aj udar.
– Mas o que você quer em troca? Essa é a verdadeira questão.
Eu aprendera um a coisa m uito valiosa com Maggie, que nunca sequer tentara esconder o fato de que era esse seu lem a: nada no m undo vem sem sacrifício pessoal.
– Tão desconfiada... Tão incrédula... Mas eu lhe darei as respostas para que você se sinta m ais à vontade; porque é verdade que eu faço isso por razões egoístas. Nós perdem os vários dos nossos devido à transform ação em pixies. Quanto m ais indivíduos tiverm os de diferentes raças fae, m ais oportunidade terem os de encontrar a cura. Estam os perto dela. Mas não podem os pedir aos fae que sej am voluntários na transform ação em pixies para que possam os continuar com nosso trabalho. Eu viaj o pelo Cinza procurando aqueles que tenham tido a infelicidade de trom bar com um pixie raivoso ou desorientado. É por isso que estou aqui e m e ofereço para aj udar, m uito em bora vocês sej am , com o dizem os no com plexo dos Fae das Trevas, os vilões.
Ele sorriu ao dizer isso, erguendo a sobrancelha em desafio.
Suponho que fazia sentido que ele nos considerasse adversários.
Finn olhou para m im , dando de om bros.
– Faz sentido para m im .
– Sim , para m im tam bém . Se ele estiver dizendo a verdade.
E isso m e deu um a ideia perfeita.
– Espere um segundinho, Goose. Quero que você fale com um a am iga m inha.
Dei um tapinha de leve n’O Verde por m eio da linha ley próxim a novam ente. Precisava de m ais um favor de Maggie, de m odo que m andei m inha m ensagem : Maggie, traga sua velha bunda detectora de mentiras de volta para cá. Fico te devendo uma.