A Guerra dos Fae: Luz e Trevas

Elle Casey · Capítulo 17 de 38

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A Guerra dos Fae: Luz e Trevas

Capítulo 16

 

TENTEI NÃO FAZER NENHUM BARULHO, ESTENDENDO A m ente para dar um a batidinha n’O Verde. O que quer que fosse acontecer, eu queria essa rede de segurança ali para nós. Abaixei-m e lentam ente e puxei Blackie de sua bainha em m inha perna. Ele poderia fazer até o m aior dos orcs arder com fogo de dragão, se fosse necessário. Puta merda, com o eu esperava que não chegasse a tanto! Eu era terrível em m atem ática, m as sabia que quatro contra um era ruim .

Essa era um a daquelas horas em que eu desej ava ter telepatia com o os elfos verdes tinham . Poderia m andar um a m ensagem telepática para todos que eu conhecesse nesse exato m om ento. Socorro! Salvem -m e antes que eu sej a devorada! Mas, por enquanto, tudo que eu tinha era m eu poder terreno e m eu dente de dragão. Eu não sabia se a transform ação em pixie funcionava nos orcs, m as tinha m edo de que: 1) eu acidentalm ente fosse transform ada em um pixie, e isso, em longo prazo, seria pior que ser m olestada por um orc; e 2) com o um orc dançante, cantante era tão fundam entalm ente errado, poderia de algum m odo colocar fora de equilíbrio a rotação da Terra e acabar com o m undo com o o conhecem os.

De m odo que resolvi não considerar a aj uda de Tim com o um a solução possível. Eu esperava que ele houvesse seguido a m esm a trilha de raciocínio que eu, de m odo que não tom aria a iniciativa de pular para fora e m e “aj udar”. Talvez, esperançosam ente, sua im petuosa transform ação de Chase em pixie lhe houvesse ensinado que não era um a boa ideia transform ar alguém em pixie na presença de am igos.

Os orcs grunhiam uns para os outros, aproxim ando-se de m eu esconderij o. Um deles farej ava o ar com o um cão de caça. Conform e se aproxim avam , tentei um passo hesitante para o lado, pensando que se pudesse m anter a árvore entre eles e eu, não m e veriam e estaríam os seguros. Infelizm ente, pisei em um galho seco, que estalou alto o suficiente para parecer antinatural e atrair a atenção deles.

Quatro cabeças feias, escuras, encaroçadas se voltaram sim ultaneam ente em m inha direção. O coro de rugidos e grunhidos m e revelou, m uito em bora eu não falasse um a só palavra de orcano, que eu fora descoberta. Rapidam ente corri em torno da árvore, tentando voltar para a clareira onde eu conversara com Goose na noite passada. Precisava de m ais espaço para m anobrar.

Esses orcs eram m ais rápidos que aqueles com quem eu lidara da últim a vez durante m eu teste fae. Eu só tinha tem po para ficar no lugar com as pernas bem abertas, em posição de luta, antes que eles m e ultrapassassem .

No instante antes de m e alcançarem , pensei em com o é totalm ente falsa, nos film es, essa coisa de sem pre que o grupo dos vilões ataca, aparece um de cada vez, dando ao atacado tem po para quebrar cada cara individualm ente. Esses orcs obviam ente não frequentaram nenhum a escola de etiqueta para vilões, tam pouco haviam ido ao cinem a, porque foram todos para cim a de m im de repente, em dois segundos, com o m oscas sobre um m onte de m erda – eu era a m erda, é claro.

Girei Blackie em um arco am plo, zero de finesse no m ovim ento tendo o desespero absoluto com o guia. Ouvi e senti o cheiro do chiado de sua pele negra quando um a onda de fogo de dragão os tocou e os queim ou. Tenho certeza de que aprendi filho de uma puta em orcano nesse m om ento. E depois algum a coisa que parecia: (Rugido!) Fagar garnah! (mais rugidos) Garnah bator! (mais rugidos!). Traduzido livrem ente, tenho certeza de que significava Filha de uma puta! A piranha está armada!

Eles caíram de costas, praguej ando em orcano e olhando surpresos para seus ferim entos, que vazavam sangue cor de alcatrão, negro, de orcs.

– Jay ne, fuj a! – gritou Tim .

Não esperei para ver que m ais eles iam fazer; preferi seguir o conselho sensato de Tim , correndo em círculos am plos em torno deles e depois disparando de volta para a clareira.

Por favor, não me sigam, por favor, não me sigam, por favor, não me sigam, eu entoava ao fugir. Não dem orou para que ficasse sem fôlego. Lembrete: acrescente aeróbica diária ao regime de treinamento.

Depois m e lem brei do sangue de Tim na caixa que eu enfiara no cinto de m inha túnica.

– Duas vezes m erda! – gritei para o ar a m eu redor, dim inuindo m eu ritm o até parar.

– Será que eu quero saber para que é isso? – perguntou Tim com a voz trêm ula.

– Você ainda está aí? Ótim o.

– Sim , estou aqui ainda... pendurado, na luta por m inha vida querida. Nunca senti tanta falta de m inhas asas em todos os m eus anos de pixie.

– Im agino. Acho que os despistam os. Mas eu preciso voltar.

– O quê?! Ficou m aluca? Sem chance. É favor deixar-m e aqui.

– No cam po? Onde um porco selvagem poderia com er você? Não, não é um a boa ideia.

– Melhor um porco selvagem que um orc. Você sabe o que os orcs fazem com os pixies?

– Enfiam um a vara na garganta deles, que sai do outro lado, pela bunda, e os penduram em cim a de um a fogueira?

Na verdade, eu j á vira os orcs fazerem isso com um anão, de m odo que não estava sendo sarcástica pelo m enos um a vez na vida.

– Sim , se você tiver sorte. Do contrário, eles arrancam seus apetrechos de um a vez só e os com em enquanto você olha.

Estrem eci de repulsa. Orcs eram uns m erdas im undos.

– Mas eu tenho que entregar esse sangue para Goose. Chase será um caso de insanidade m ental para sem pre se eu não entregar, e não posso deixar isso acontecer. Mesm o que eu tenha que beij ar os lábios viscosos de um orc, preciso fazer isso.

Tim ficou em silêncio por alguns segundos. Eu m e voltei para ir quando ele falou novam ente.

– Certo. Mas não vá sim plesm ente andando até lá. Sej a discreta.

– Sim , claro. Mas eu não sou a pessoa m ais discreta do m undo.

– E eu não sei? – disse Tim em um suspiro.

– Eu ouvi isso. Diga-m e o que fazer ou cale a boca. Tanto faz para m im .

Segui pelo cam po, sabendo que devia m e apressar, m as incapaz de m e forçar a correr de volta para os Orcs. Isso parecia totalm ente errado – deviam ser m eus instintos naturais m e cutucando.

– Tudo bem . Está vendo aquela árvore à direita? Vá até lá e fique atrás dela e espere alguns segundos... Procure por sons de orcs.

– Ou cheiros.

– Sim , isso tam bém .

Fiz o que Tim m e disse; fiquei ouvindo e cheirando o nada.

– Agora, vá para aquela m ais à esquerda. Aquela com o galho de baixo pendurado. Faça a m esm a coisa.

E assim continuam os durante os quinze m inutos seguintes, Tim dando instruções de com o agir furtivam ente e eu tentando não parecer um elefante passando por entre as árvores. Eu não sei por que tive tanto cuidado, visto que os orcs m esm os eram barulhentos e óbvios. A única razão pela qual eles m e encontraram antes foi porque um deles sentiu m eu cheiro e chegou perto o suficiente para m e ouvir xingar. Provavelm ente foi o cheiro de Tim que eles sentiram . Afinal, ele tinha problem a de gases.

Por fim chegam os à cena de m inha algazarra, m as os orcs j á haviam ido em bora, deixando apenas algum as poças de gosm a negra no chão m arcando a cena do crim e.

Parecia ser m ais perto da hora do alm oço agora. Olhei em volta, nervosa, procurando Goose. Com o se para responder às m inhas orações, ouvi a voz dele saindo do Cinza.

– Olá, Jay ne. Fico feliz em vê-la aqui. Você está adiantada.

– Sim , m as não o suficiente. Peguei esse sangue m ais de um a hora atrás, e o suj eito da clínica m e disse que só servia por um a hora.

A im agem fraca de Goose apareceu diante de m im , tornando-se com pleta aos poucos, e não m ais transparente.

– Farem os o possível com o que você trouxe – disse ele estendendo a m ão.

Enfiei a m ão no cinto da túnica e peguei a caixa com a pipeta.

– Aqui está a coisa, o tubinho de vidro com o sangue do pixie. Eu não consigo nem enxergá-lo. Espero que você tenha um a dessas lupas de olho de peixe que nosso suj eito tinha.

– Não se preocupe, nós tem os tudo que necessitam os. Eu não sei se isso vai funcionar para o tratam ento, pois, com o você disse, o sangue não é m ais fresco, m as vam os fazer o que puderm os. Obrigado. Nós nos verem os aqui em um a sem ana, então?

– É. E, a propósito, se você puder não enviar um grupo de orcs de boas-vindas da próxim a vez, isso seria ótim o.

– O que você quer dizer? – perguntou ele com um olhar interrogativo no rosto.

– Orcs. Os fedorentos, pretos, enrugados, filhos da puta do m al.

– Desculpe, não estou entendendo.

Ele inclinou a cabeça, exam inando-m e com o se estivesse tentando decidir se eu era louca.

– Você não sabe m esm o?

– Não, lam ento. Talvez sej a o estresse por seu am igo ferido que causou em você algum a... desorientação.

– Não im porta. Fique atento na volta. Há orcs na floresta.

Ele riu, paciente.

– Isso não é possível.

– Ah, é sim .

– Os orcs são do subm undo, e não do aqui e agora.

– Subm undo? Eles estavam aqui, eu os queim ei, e agora eles se foram . Vej a o sangue.

Apontei para o chão, onde havia agora apenas algum as áreas queim adas. Merda. Eu havia esquecido que o sangue deles era com o ácido e acabava queim ando.

Goose levantou um a sobrancelha.

– Tudo bem . Um a sem ana.

E então, ele desapareceu no nada novam ente.

Droga de caminhantes do Cinza.

– Vam os lá, Tim . Vam os alm oçar.

– Eu perdi o apetite.

– Bem , então você pode só m e ver com er.

– Isso só vai piorar as coisas.

Eu desatei a correr, só para irritá-lo. Ele se segurou em m eu cabelo com toda a força, e eu não tinha m ais certeza de quem estava torturando quem naquele m om ento; m as chegam os ao com plexo em tem po recorde. Encontram os Becky e Scrum no bufê de alm oço quando eles estavam entrando na fila para pegar com ida. Notei que Scrum j á tinha um a pilha de carne balançante em seu prato. Devia ser um a coisa de dem ônio com er essa porcaria noj enta. Eu preferia que m inha carne fosse boa e m orta quando eu a com esse.

– Então, o que aconteceu? Foi tudo bem ? – perguntou Becky.

– Você teve problem as, não é? – perguntou Scrum calm am ente.

– É, eu diria que sim .

– Eu sabia. Podia sentir. Eu devia ter ido j unto. Se algo houvesse acontecido quando eu deveria estar de olho em você... nem sei o que eles fariam com igo.

Ele estava suando.

– Não se preocupe. Vou levá-lo da próxim a vez. Confie em m im ... Eu não quero virar com ida de orc.

Os olhos de Becky quase saltaram das órbitas.

– Orcs? Você viu orcs lá fora?

– Shhh! Não precisam os de todo o Conselho na m inha cola, Beck.

– Ah, sim – sussurrou ela –, desculpe.

Sentam o-nos à nossa m esa.

– Então, respondendo a sua pergunta, sim : havia quatro orcs lá. Eles deram de cara com igo. O problem a de gases do Tim nos entregou...

– Ei! Não acredito que você está colocando a culpa disso em m im ! – gritou ele em m eu om bro.

– Tim tem gases? – perguntou Scrum , confuso.

– É. Peida o tem po tooodo – disse eu sorrindo.

Eu deveria ter sabido qual seria a resposta de Tim .

– É isso aí, otário! – disse eu enoj ada. – Você vai ficar em m eu sapato o resto do dia. Eu avisei.

– O que ele fez? – perguntou Becky, inocentem ente.

Eu só olhei para ela e revirei os olhos.

– Ah. Credo. Estou m uito feliz por não poder ouvi-lo.

– Nem m e fale.

Tim m e ignorou, descendo por m eu braço para chegar a m eu prato, onde um a uva bela e gorda esperava por ele. Eu particularm ente gostei quando ele com eu um a. Ele era hilário tentando rom per a pele e ao m esm o tem po não se encharcar com o sum o. Era bom ficar assim relaxada, ali com m eus am igos e m e entretendo com um pixie de m erda. Muito m elhor que lutar contra criaturas do subm undo em nossa floresta.

Tony apareceu em seguida, entrando na sala atrás de Gregale, com um enorm e sorriso no rosto. Ele acenou para nós antes de pegar um a bandej a no final da fila do bufê e enchê-la. Quando term inou, j untou-se a nós na m esa. Spike passou pela porta que vinha da direção dos quartos e se j untou a nós tam bém , ignorando o bufê totalm ente. Ele estava terrível. Pálido e abatido, e tinha círculos escuros sob os olhos.

– Spike, você está um a m erda.

– Obrigado, Jay ne – disse ele, engatilhando e disparando um a arm a im aginária contra m im antes de deixar a cabeça cair entre seus braços apoiados na m esa.

Tudo que se via era a parte de trás de sua cabeça.

– O que há de errado com você, Spike? – perguntou Becky com o rosto cheio de preocupação.

– Estou fam into.

– Vá pegar um pouco de com ida.

– Não é fom e de com ida – m urm urou ele.

Becky olhou para m im torcendo os lábios em um a careta. Então, olhou para ele.

– Ah, sinto m uito.

Ela baixou os olhos, atenta em sua com ida.

Eu tom ei um a decisão e falei antes que acabasse am arelando e m udando de ideia.

– Spike, depois do alm oço vam os para m eu quarto. – Olhei para Scrum . – Você tam bém , Scabs.

Scrum sorriu.

– É Scrum , não Scabs. E tudo bem . Posso supervisionar.

– Parece m eio bizarro – disse Becky sorrindo diabolicam ente.

Spike m urm urou entre os braços.

– Deixe para lá, Jay ne. Não preciso de sua piedade.

– Não é piedade. Eu quero. Estou curiosa, lem bra?

Spike levantou a cabeça para olhar para m im .

– Sério?

– Sério.

Um grande sorriso irrom peu em seu rosto antes lam entável, m as agora um pouco rej uvenescido.

– Bem , tuuudo ceeeerto!

Tony abaixou a cabeça e sorriu.

– Por que está sorrindo? – perguntei, cutucando-o.

– Por nada.

– O que você fez hoj e, Tony ? – perguntou Becky. – Descobriu de que raça você é?

– Sim . Sou um irado, com certeza.

– Isso é legal! – disse Scrum , entusiasm ado. – O que você pode fazer? Eu nunca ouvi falar de um irado. Nem m esm o antes de m e tornar um a criança trocada. Já havia ouvido falar de elfos e duendes e outras coisas, m as irados? Não. Nem um a vez.

– Você quer calar a boca e dar a ele um a chance de falar? – perguntei.

– Ah, sim , desculpe.

Ele fez um sinal indicando que seus lábios estavam fechados, m as eu sabia que não ia durar.

– Gregale é legal. Inteligente tam bém . Ele m e m ostrou com o entrar e sair do Cinza. Fom os para todo lado.

– O que ele acha desse seu negócio de vibrações?

Tony sorriu, dando de om bros.

– Talvez ele tenha ficado um pouco encium ado e im pressionado.

– Vibrou a bunda dele, é?

Eu estava tão orgulhosa dele; era um páreo duro para o velho Gregale.

– É. Ele ficou surpreso. Nenhum dos outros fae no com plexo é em pático.

– O que é um em pático? – perguntou Becky.

– Alguém que pode sentir as em oções de outras pessoas. É com o ter em patia por elas, m as em um nível m uito m ais profundo.

– Uau. Então, você pode m e sentir agora?

– Se eu m e concentrar, sim . Eu conseguia fazer isso um pouco antes de virar um a criança trocada. Agora, posso fazer isso com m ais pessoas e a um a distância m aior. O truque vai ser aprender a m e concentrar na pessoa que eu quero ler. Às vezes, quando estou em um lugar com m uita gente, fica tudo atrapalhado.

– Isso m e deixaria todo confuso, acho – disse Scrum – Tipo, com o é que você sabe que não são seus os sentim entos que está sentindo, entende?

– Não é o m esm o que m inhas próprias em oções. As m inhas estão ligadas a m inha m ente e ao m eu coração, ou algo assim . Os sentim entos de todos têm sua própria assinatura. Posso sentir Jay ne a m ais de um a m ilha de distância.

Spike ergueu o queixo um pouco m ais alto, inclinando a cabeça para o lado e fixando em Tony os olhos verm elhos.

– O que ela está sentindo agora?

Tony sorriu, e seu rosto ficou rosado.

– Vou deixar você descobrir isso.

Bati no braço de Tony.

– Chega de conversa. Eu estou com fom e; calem a boca e com am .

Spike deu um a piscadinha para m im antes de se levantar para ir em bora.

– Vej o você em seu quarto, Jay ne. Estou indo para lá m e deitar e esperar por você.

Balancei a cabeça sem dizer nada, tentando ignorar Becky m e chutando por baixo da m esa e rindo.

– Desculpe, Becky – disse Spike de onde estava –, eu a cham aria para ir j unto tam bém , m as não quero que Finn fique com ciúm es.

Ela olhou para ele e em seguida, para m im , com pânico nos olhos.

– O que quer dizer com isso?

Eu dei um riso abafado, com a boca cheia de com ida da últim a garfada.

– Do que você está rindo?

– Ah, de nada – disse eu com inocência fingida.

Ela pensava que era tão controlada, m as sua paixão por nosso am igo elfo verde era totalm ente óbvia. Acho que o único que não havia percebido era o próprio Finn. Eu im aginava que não era por falta de interesse, m as pelo fato de que ele era um caipira e que Becky não devia saber com o realizar o ritual de acasalam ento caipira. Tenho certeza de que era algo com o tom ar um gole sexy de um a garrafa de cervej a ou algo assim ... ou talvez m atar um anim al na floresta com um único disparo de arco.

– Se você está sugerindo que eu... e que Finn... bem , você é louca – ela m e desdenhou um pouco dem ais. – Não é nada disso. Bom , ele é bonito e agradável, m as nós som os apenas am igos.

– A-ham . Com o quiser, Becks. Todos nós acreditam os em você.

Ela suspirou profundam ente, tentando não sorrir. Estava tentando se m anter firm e, m as não era possível.

– Vocês, espíritos de água, não são nada durões. De j eito nenhum m esm o, sabia disso?

O queixo dela endureceu.

– Nós podem os ser durões quando querem os.

Soltei um riso de zom baria. Certo. Nenhum deles tinha m ais que um m etro e m eio. Acho que Becky era a m aior de todo o com plexo.

Sem qualquer aviso, ela m e deu um tapa no braço. Antes m esm o que eu tivesse chance de reagir Becky desapareceu, reaparecendo do outro lado e m e batendo no outro braço. Voltei-m e para pegá-la, m as ela desapareceu novam ente, aparecendo do outro lado para m e bater na cabeça. Eu m e voltei novam ente para pegá-la, m as ela sum iu no ar m ais um a vez. Virei im ediatam ente, pensando que seu plano era ficar indo e voltando, m as ela estava um passo a m inha frente, e apareceu novam ente onde estava sentada antes, batendo na lateral de m inha cabeça – dessa vez m uito forte.

Eu gritei, frustrada.

– Tudo bem , eu m e rendo! Espíritos de água podem chutar o traseiro de todo o m undo sem pre que quiserem !

Eu estava encolhida em baixo de m eus braços, tentando m e proteger de seu próxim o ataque.

Ela apareceu novam ente e se sentou na cadeira; disse calm am ente:

– Estou feliz por term os resolvido esse pequeno problem a de discrim inação racial.

Scrum , que estava nos observando com um a expressão atordoada no rosto, com eçou a rir, e logo foi acom panhado por Tony. Fiz um a careta para eles, m as que só os fez rir m ais. Tim se j untou a eles, até que engoliu um pedaço de uva errado e com eçou a engasgar. Tentei aj udá-lo batendo em suas costas com o dedo, m as isso o j ogou do outro lado da m esa, o que fez Scrum e Tony quase gritarem de tanto rir. Scrum em purrou a m esa para se afastar e sua cadeira caiu, fazendo que se espatifasse no chão, o que foi dem ais para Tony e Becky. Eu não teria ficado surpresa se eles houvessem feito xixi nas calças.

– Vam os em bora, Tim . Este lugar está cheio de pirralhos. Vam os.

Ele se arrastou por cim a da m esa para subir em m inha m ão e se deitar de costas, com falta de ar. Não tenho certeza se era por causa do riso ou de m inha falha na m anobra de Heim lich de pixie. De qualquer m aneira, eu não senti pena dele.

– Vej o vocês no j antar, babacas.

Tony e Becky continuaram a rir enquanto observavam Scrum se levantar e m e seguir para fora, segurando o flanco, com o se estivesse com dor. As outras crianças trocadas na sala observavam -nos sair com expressões confusas. Eu ignorei todos eles, recusando-m e a deixar o sorriso que estava quase estourando dentro de m im vir à superfície. Eu tinha um íncubo a satisfazer, e tinha a sensação de que precisaria de toda m inha força para esse pequeno exercício.