A Guerra dos Fae: Luz e Trevas

Elle Casey · Capítulo 19 de 38

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A Guerra dos Fae: Luz e Trevas

Capítulo 18

 

O PRIMEIRO A SENTAR-SE COMIGO À MESA do j antar foi Tony. Era a prim eira vez que ficávam os sozinhos desde o que m e parecia um a eternidade. Bem , m ais ou m enos sozinhos, um a vez que Tim estava agora andando pela m esa e dando um a de pateta. Eu o ignorei.

– Você parece feliz. Diga-m e o que anda fazendo – disse eu.

A sensação de alívio que senti ao perceber quão contente ele estava quase m e dom inou. Eu não havia entendido com pletam ente quanto estava preocupada com sua integração ao lugar até ter dito isso.

– Eu estou feliz m esm o. Não tenho certeza de j á ter lhe agradecido o suficiente por fazer isso por m im ... Por m e convencer a vir para cá. Então, obrigado.

– De nada – respondi, cutucando-o com m eu om bro. – Mas fui totalm ente egoísta. Você é m eu m elhor am igo e eu precisava tê-lo com igo.

– Você pode dizer isso, m as eu sei a verdade.

Eu o ignorei. Não sou nenhum a santa, isso é certo; m as se ele queria achar que m eus m otivos eram altruístas, eu não ia discutir.

– Então, o que você aprendeu esta tarde?

Tony se esforçou para engolir o enorm e pedaço de com ida que havia acabado de colocar na boca. Se não estivesse tão certa de que ele era um irado, eu m e preocuparia com a quantidade de com ida que estava com endo. Ele com ia com o um dem ônio, exceto a carne saltitante.

– Mais coisas no Cinza. Além disso, Gregale m e convidou para um a reunião dos elfos cinzentos. Nós tem os um m onte de traços com uns, irados e elfos cinzentos. Eles m e deixaram participar de um a das reuniões de estratégia de guerra.

– Sério? Isso parece legal. O que vocês conversaram ?

– Coisas com o núm ero de Fae das Trevas, o que eles estão fazendo no m undo hum ano, poderes que seus fae têm , e nosso treinam ento.

– O treinam ento... Isso é interessante.

– Com o assim ?

Becky e Scrum se j untaram à m esa, querendo ouvir o que estávam os dizendo.

– Eu sei que há um a guerra se aproxim ando, m as nosso treinam ento parece estar um bocado desorganizado. Eles nem sequer percebem que eu nem apareço m etade do tem po.

– Você tem razão – concordou Tony com entusiasm o. – Eu só estive aqui um dia e j á percebi. Conversam os sobre isso hoj e e eu dei a eles algum as ideias.

– Algum as ideias? Para quem ? Para o Conselho? – perguntou Becky.

– Não, para os elfos cinzentos.

Ela assentiu com a cabeça, adm irada.

– Muito bom , Tony. Você é inteligente. Eles devem ouvi-lo.

– Obrigado – disse ele tim idam ente, corando um pouco.

– Nosso treinam ento não é ruim – disse Scrum , apunhalando algum a coisa carcom ida em seu prato e enfiando-a na boca.

– Não, o treinam ento dos dem ônios está na m elhor form a – concordou Tony –, porque Jared está diretam ente envolvido. Ele está sozinho no com ando da organização do treinam ento de todas as crianças trocadas; m as tam bém é responsável pelo recrutam ento, então, eu sugeri que talvez ele estej a fazendo coisas dem ais. Eles precisam de outra pessoa para tom ar conta dos program as de treinam ento.

– Quem seria? Niles?

O anão parecia ser a escolha m ais lógica, m esm o porque ele era o m ais beligerante de todos os fae que eu conhecia no com plexo.

– Não, ele só consegue lidar com os anões. Ele é m eio... pavio curto com os outros fae.

– Pfff. Nem m e diga.

Eu gostava dele, m as ele era m esm o m eio canalha e m al-hum orado.

– Eles vão falar com o Conselho e encontrarão alguém . Vocês provavelm ente vão notar um a diferença em suas rotinas diárias depois que acontecer.

– Você se encaixou m esm o aqui, não é, Tony ? – perguntou Becky.

Ele deu de om bros.

– Acho que sim .

– Isso é incrível. De verdade. Jay ne sentiu m uito sua falta quando você se foi. E ela estava m uito preocupada com você.

– Eu sentia falta dela tam bém .

Ele olhou para m im e eu pude ver um brilho em seus olhos.

Porra, eu estava tão feliz por ele estar ali. Tudo estaria totalm ente certo no m undo quando Chase estivesse conosco de novo – o Chase de sem pre, não o dançarino. E esse pensam ento m e levou a outro.

– Ei, quando você vai para o Cinza, consegue encontrar quem você quiser?

– Sim , qualquer um .

– Mesm o um Fae das Trevas?

Ele hesitou.

– Talvez. Não tenho certeza. Mas por que você ia querer isso?

Inclinei-m e para m ais perto dele para poder falar baixinho e ser ouvida.

– Eu poderia checar o progresso de Chase com Goose.

Tony assentiu lentam ente, entendendo.

– Eu poderia tentar.

– Am anhã? – perguntei.

– Sim , am anhã. Você pode ir para o Prado Infinito com igo e tentam os.

– Onde fica isso? Eu j á estive lá?

– É a porta com o sím bolo do infinito. Um oito deitado.

– Sim , eu sei qual porta, o sím bolo que parece um a pista de corrida.

Era a porta a que Gregale havia m e levado quando fom os ver Tony no Cinza.

– Depois do alm oço nos encontrarem os lá, então.

– Eu tam bém vou – disse Scrum .

– Tudo bem .

– E eu – disse Tim .

Revirei os olhos.

– Tudo bem . Alguém m ais? Beckster? Você quer participar da festa?

Ela sorriu.

– Não, eu tenho que trabalhar com Naida e os outros.

– Festinha no lago? – perguntei com sarcasm o.

Eu havia sido autorizada a confirm ar m inha afinidade com a água ali naquele lago e a fazer um pouco de treinam ento, m as eles nunca deixariam m e integrar totalm ente ou explorar seu m undo subaquático. Eu podia ter afinidade com água, m as não era um espírito de água ou sereia.

– É... Não sej a cium enta.

– Rá! Cium enta! – disse Tim . – Quem teria ciúm es de um bando de fae m oluscos fedidos?

– É isso aí, Pixie.

Estendi o dedo para um “toque aqui”.

– O que ele disse? – perguntou ela, desconfiada.

– Ele disse que os espíritos de água são fracos.

– Ei! – disse ela a Tim fingindo-se ofendida.

– Diga a verdade! – gritou ele. – Ela vai m e encher de porrada com o fez com você!

Mostrei a língua para ele e, a seguir, olhei para Becky, decepcionada.

– Ele não disse isso de verdade.

– Eu sei – disse ela, sorrindo –, só estou brincando. E tudo bem ter ciúm es. Eu tam bém teria m uito se fosse vocês.

E então ela desapareceu, reaparecendo no bufê.

Sorte dela, pois eu estava pronta para dar um belo tapa em seu braço nu. Espíritos de água do caralho.

– Onde está Spike? – perguntou Tony.

– Está fazendo um a corrida noturna na floresta – explicou Scrum .

– Por quê?

– É um daqueles m om entos em que os íncubos andam por aí com o selvagens, correndo m ais rápido que qualquer outra pessoa no m undo fae, só porque lhes dá vontade. Eles são m eio estranhos.

Scrum continuou com endo enquanto falava, com pletam ente alheio aos pedaços de com ida que caíam de sua boca de vez em quando.

Eu fiquei um pouco enoj ada de olhar para ele.

– Scrum , você ouviu falar de boas m aneiras?

– Ah... Desculpe. – Ele m astigou e engoliu, lim pando a boca com o guardanapo antes de continuar. – Ele sugou um pouco da sobrecarga de energia de Jay ne hoj e, então, está feliz da vida agora.

– É, literalm ente – disse eu olhando para m eu prato, sentindo m eu rosto corar.

– Alguém está enveergonhaaadaaa! – disse Tony com voz cantante.

Dei-lhe um a cotovelada.

– Cale a boca.

– O que aconteceu?

– Ela praticam ente transou com o íncubo! – gritou Tim .

Eu levantei o dedo na posição de tiro, m irando diretam ente nele.

– Diga isso de novo, aberração, e vai ver o que acontece.

– Ai! – gritou ele, correndo para longe do m eu prato em direção a Scrum . – Salve-m e, dem ônio! Ela ficou brava depois de transar com o íncubo!

Ele estava rindo histericam ente de sua provocação, o que era a única razão para eu não m e aproxim ar m ais e dar um belo pontapé em sua bundinha de pixie. Minha parte “coração aberto” – adm ito que é pequena, m as existe em algum lugar – estava contente de vê-lo tão feliz, correndo por aí com seu pequeno toco queim ado de asa. Ele tinha m uitas razões para estar triste, por isso, se m inhas escapadas sem issexuais o entretinham , eu tinha que m e conform ar.

– Fique aí ou vou afogar você em m inha sopa e com ê-lo no j antar.

– Orc! – acusou-m e, apontando para m im .

– Gnom o! – respondi.

– Ah, não... Você acabou de m e cham ar de gnom o? – disse ele com as m ãos nos quadris.

– Ah, sim , cham ei. Pequeno com edor de terra.

Tim estava fum egando. Aparentem ente, eu acertara seu ponto fraco com esse insulto. Pessoalm ente, não acho que os gnom os sej am tão ruins. Um pouco suj os, talvez, m as am igáveis. Mas, em com paração com o brilhante, lim po e perfeitam ente penteado Tim , eles deviam ser considerados cidadãos de segunda classe – pelo m enos por ele. Acho que eles nunca escovavam os dentes, e Tim estava sem pre escovando os seus e usando fio dental, pelo m enos três vezes por dia, às vezes m ais.

– É só esperar. Não durm a hoj e à noite, isso é tudo que tenho a dizer.

Eu ri.

– O que você vai fazer? Peidar a noite toda? Isso nem é um a am eaça, j á estou acostum ada.

– Você tem sooooorte de eu não ter asas agora.

– Sim , eu tenho, não é m esm o?

Sorri para ele diabolicam ente, estendendo a m ão lentam ente para agarrá-lo.

Ele chiou e correu pelo braço de Scrum , escondendo-se atrás da cabeça dele. Segundos depois, ouvi um som abafado de engasgos e Tim gritando:

– Maldito cabeça de gnom o, você nunca lava o cabelo?

Ele saiu para o om bro de Scrum , agitando os braços na frente do rosto, com o se estivesse tentando espantar um enxam e de m oscas.

– O cheiro está em m im ! Eca! Tire isso!

Levantei-m e e fui até Scrum para pegar Tim .

– Relaxe, Tim . Acabou a brincadeira. Você j á term inou de com er?

– Perdi o apetite. Acho que alguns insetos vivem lá. Espero que ele não sej a contagioso.

– O que há de errado com ele? – perguntou Tony inocentem ente.

– Ele disse que não gosta do xam pu de Scrum .

– Ah, eu não uso xam pu – disse Scrum .

– Por que não? – perguntou Tony, obviam ente um pouco enoj ado com essa pequena inform ação.

– Não é bom para o cabelo.

– Quem disse isso? – perguntei.

– Eu li em algum lugar.

Eu ri.

– Onde? Na revista Manutenção da casa dos sem-teto?

Tony riu, e em seguida tentou encobrir o riso com um a tosse.

– Essa revista existe? – perguntou Scrum .

Afastei-m e, dizendo:

– Tony, boa-noite! Venha ao m eu quarto m ais tarde.

Esse era o m ais longe a que m inha paciência e com preensão poderiam chegar.

Olhei para trás quando cheguei à porta de saída. Tony estava rindo de Scrum escondido atrás do garfo. O garoto tentava esticar o cabelo o m áxim o possível para poder olhar, m as era m uito curto, então ele só ficava virando a cabeça de um lado para outro enquanto puxava tufos de cabelo. Balancei a cabeça enquanto abria a porta e saía do refeitório. O garoto era lam entável. E se o futuro dos Fae da Luz estivesse nas m ãos de caras com o esse? Eu tem ia por m inha existência neste m undo.

Tony se j untou a m im e a Tim em nosso quarto cerca de vinte m inutos depois. Tem po suficiente para eu tom ar banho e m e vestir para dorm ir. Tim tom ou seu banho na pia enquanto eu tom ava o m eu no chuveiro. Eu j á havia perdido a vergonha de ser vista nua por Tim . O que poderia fazer ao ver um peito gigantesco, afinal? Provavelm ente acharia bizarro, um a vez que os peitos a que ele estava acostum ado deviam ser do tam anho de m etade de um Tic Tac, aproxim adam ente. E esses seriam das pixies peitudas.

Tony se sentou na beira de m inha cam a enquanto eu m e enfiava em baixo das cobertas.

– Teve um bom dia hoj e, hein? – perguntei.

– Sim , tive m esm o. Não disse no j antar porque pode acabar não dando certo, m as os elfos cinzentos vão m e recom endar para ser responsável pela organização do treinam ento.

– O quêêêê? Isso é incrível, Tony ! Parabéns! Com o diabos você conseguiu isso?

Ele sorriu, obviam ente encantado com a ideia.

– Não sei. Em um m inuto eu estava apenas ouvindo coisas na reunião, e então, com ecei a ter ideias de estratégias e m aneiras de fazer as coisas m ais eficientem ente, e aí, com ecei a falar. Era com o se fosse óbvio. Os problem as com que eles estavam lidando, as crianças trocadas entrando e não sabendo o que fazer... eram tão sim ples para m im . Isso m e fez lem brar o j ogo xadrez, sabe?

Seus olhos brilhavam de em oção. Ele gesticulava sem perceber. Eu nunca o havia visto tão anim ado.

– O negócio é olhar para o obj etivo final, vencer esta guerra, ou estar preparado para vencer esta guerra, e então, ver todos os recursos e pensar em com o aproveitar seus pontos fortes, e ver com o este ou aquele m ovim ento vai causar um efeito cascata. É tudo igual às estratégias que aprendem os e usam os no clube de xadrez.

– Eu disse que o m elhor nom e para esse clube era “Um dia dom inarem os o m undo”.

Tony sorriu.

– Você estava certa. Ele está m e aj udando a m ostrar-lhes com o se planej ar para a guerra. Eles gostaram m esm o do que eu tinha a dizer.

– Eu sem pre soube que você era o cara m ais inteligente do m undo. Agora, tenho a confirm ação dos fae m ais inteligentes do m undo de que eu estava certa.

Tony se inclinou e m e abraçou.

– Obrigado, Jay ne. Obrigado. Por tudo.

Abracei-o.

– De nada. Agora, pare de m e agradecer antes de ficar todo bobão. Vej o você am anhã.

– Certo. – Ele se levantou para sair. – Vej o você am anhã, Tim .

– Boa-noite – ouvim os a vozinha do outro lado da sala.

Eu fiquei de costas para a porta e gritei para m eu am igo.

– Tony ?

– Sim , Jay ne?

– Não deixe a porta bater em sua bunda na saída.