A Guerra dos Fae: Luz e Trevas

Elle Casey · Capítulo 31 de 38

Páginas do PDF

A Guerra dos Fae: Luz e Trevas

Capítulo 30

 

CHEGAMOS À SALA DE REUNIÃO MUITO MAIS rápido do que eu gostaria. Havia apenas alguns lugares à esquerda, m as sabendo que eu ia logo ser cham ada para a frente, para testem unhar sobre m inha própria estupidez, não m e incom odei de ocupá-los. Meus am igos j á haviam declarado sua intenção de estar com igo e m ostrar seu apoio. Olhei para a frente e vi que o Conselho j á estava form ado sobre a plataform a elevada de assentos, em um sem icírculo à frente das cadeiras da plateia. Alguns dos m em bros conversavam entre si e outros apenas olhavam para a m ultidão. Jared estava em pé em seu lugar de sem pre, atrás deles, com Ivar e Niles.

Dardennes levantou os braços, em pé na frente da sala, atrás de seu assento do Conselho, convidando a todos a tom ar seus lugares e se acalm ar. Seus olhos percorreram o grupo reunido, parando quando chegaram até nós. Ele fez um gesto para que nos adiantássem os. Enquanto cam inhávam os pelo corredor central, o barulho no salão dim inuiu até chegar a sussurros quase im perceptíveis. Todo o m undo olhava para nós. Alguns retardatários se esforçavam para chegar aos seus lugares o m ais silenciosam ente possível. No m om ento em que chegam os à frente, todos estavam em seus lugares e nos observavam com curiosidade indisfarçável. Eu estava no centro do m eu grupo de am igos, com Finn e Scrum de cada lado, Spike e Becky atrás, Tony na frente, e, claro, Tim em m eu om bro.

Dardennes com eçou seu discurso de abertura enquanto ficávam os ali tentando não nos sentir constrangidos.

– Meus com panheiros Fae da Luz, obrigado por se reunirem aqui hoj e. Nós os cham am os porque tem os algum as inform ações para com partilhar, e o Conselho pediu que sua opinião fosse considerada antes de determ inadas decisões im portantes serem tom adas. – Ele parou um m om ento para deixar que suas palavras fossem absorvidas antes de continuar. – As crianças trocadas que veem diante de vocês hoj e estão aqui porque pedim os que um deles, Jay ne, a elem ental, nos contasse a história sobre seu recente sequestro pelos Fae das Trevas.

Murm úrios irrom peram na m ultidão, o que significava que talvez nem todo o m undo soubesse o que havia acontecido. Fiquei surpresa com isso, considerando quão pequena é nossa com unidade.

– E um assunto relacionado – Dardennes fez um a pausa para apontar para Tony –, apenas um anúncio geral: a criança trocada Tony, que é o nosso prim eiro e único irado aqui no com plexo e tem trabalhado com os elfos cinzentos, é agora oficialm ente nosso recém -nom eado coordenador de treinam ento de crianças trocadas. Entendem os que essa nom eação foi m erecida e foi aprovada por unanim idade pelos elfos cinzentos, que, com o vocês sabem , são líderes de nosso grupo de estratégias de guerra.

Cabeças ao redor do salão assentiram e fae foram se voltando uns para os outros para sussurrar com entários. Essa parte da notícia, pelo m enos, parecia bem -vinda. Eu m antive os dedos cruzados, esperando que m inha contribuição ao m enos não fizesse que todos quisessem m e pôr para fora da ilha. Não sabia se isso era possível, m as se eu estivesse no lugar deles, sei que gostaria de ter essa opção.

Dardennes olhou para m im .

– Jay ne, se você puder, por favor, contar sua história para a assem bleia reunida, seria um a introdução para nosso próxim o tópico. Com ece com seu contato inicial com o Fae das Trevas.

Eu assenti, e a seguir, voltei-m e para a m ultidão. Tony deu um passo para o lado para que eles pudessem m e ver m elhor.

– Dois ou três dias atrás... desculpem , não sei exatam ente quando foi, os dias estão m eio confusos... Eu estava no Prado Infinito com Tony e Scrum ... Ele é um dem ônio... E Tim ... O pixie sem asas, para treinar.

Eu esperava que um a m entirinha não fosse m e m eter em problem as, um a vez que, tecnicam ente, não estávam os fazendo qualquer treinam ento. Notei alguns sorrisos de Tim durante m inha descrição. Não sei se ele estava se divertindo, m as pelo m enos não puxava m eu cabelo.

– Estávam os deitados na gram a do Prado quando ouvi um barulho, e então, vi que Scrum e Tim , e talvez Tony tam bém , estavam congelados: não se m oviam .

Olhei para Dardennes, que acenou com a cabeça para m im , de m odo que continuei:

– Em seguida, dois Fae das Trevas saíram da floresta. Ben e Sam antha. Eu conhecia Sam antha de Miam i, de quando eu era um ser hum ano... Um a garota que Dardennes e Céline haviam rej eitado com o recruta.

Houve alguns m urm úrios na m ultidão, e olhei rapidam ente para Jared para ver sua reação. Ele franzia a testa, m as eu não saberia dizer o que isso significava.

– Ben m e disse que m e levariam para o com plexo dos Fae das Trevas. Recusei-m e a ir, então, eles fizeram algo que m e nocauteou. Depois, só m e lem bro de estar no com plexo das trevas com Tim , em um a espécie de caverna.

Alguém gritou da m ultidão.

– Por que você não usou seu poder contra eles, ou pelo m enos tentou se proteger?

Olhei para Dardennes e ele acenou com a cabeça novam ente.

– Eu tentei. Usei O Verde por um tem po, m as Sam antha é um a bruxa, e ela com eçou a prej udicar m inha cam ada protetora, e Ben am eaçou m achucar m eus am igos se eu continuasse resistindo.

Alguém do grupo de bruxas falou em seguida.

– Ela teria que ser um a bruxa m uito talentosa para ser capaz de afetar seu poder, com o você descreve. E você disse que ela é um a criança trocada?

A im plicação era óbvia. Eu teria que lutar para provar a veracidade de m inha história. Eu não devia esperar nada m enos, e um a pequena parte de m im estava feliz com isso. Eu queria que os Fae da Luz fossem difíceis, agora que sabia quão cruéis os Fae das Trevas poderiam ser.

– Ela teve aj uda. No com eço, pensei que era apenas ela, e com o não tenho nenhum a experiência com bruxas, não sabia o que era norm al e o que não. Mas então, vi que Maggie, a bruxa, estava envolvida.

Isso deixou as bruxas em polvorosa. Todas com eçaram a falar um as com as outras e a gesticular. Notei m uitos rostos irritados.

– Por favor, com panheiros fae, deixem -na continuar. Vam os discutir as ram ificações dos detalhes depois que term inar.

O grupo se acalm ou em resposta ao pedido de Dardennes, de m odo que com ecei a falar novam ente.

– Maggie foi m inha am iga no passado e m e aj udou m uito... e a alguns dos m eus am igos tam bém . Mas aprendi, desde então, que Maggie aj uda a quem ela quer. Ela não discrim ina entre a luz e as trevas. No entanto, não sei qual é sua m otivação para aj udar um ferindo o outro. Suas decisões não fazem m uito sentido para m im .

Percebi que alguns concordavam com igo na plateia. Algum as cabeças balançavam em anuência e outras no que parecia um a vontade de pelo m enos considerar o que eu dizia.

– Jay ne, por favor, diga-nos o que aconteceu no com plexo dos Fae das Trevas – pediu Dardennes.

Eu respirei e continuei.

– Bem , eu fui torturada por um suj eito cham ado Leck, um irado, sob as ordens de Ben, um elem ental, acho, que controla fogo e vento. Tam bém tive um confronto com um a fae cham ada Maléna, que é um a elfa de prata.

Olhei para Céline para ver sua reação, e não fiquei surpresa ao ver seu rosto ficar branco – m ais branco do que norm alm ente é. Isso m e confirm ou que pelo m enos havia algum a conexão entre as duas. Esperava ouvir que conexão era essa durante aquela reunião.

– Por que eles torturaram você? – gritou um dos elfos cinzentos. – E o pixie? Onde ele estava?

– O pixie estava escondido em m eu sutiã... – isso arrancou alguns risos da m ultidão –, para que eles não soubessem que ele estava lá. E a razão de eles estarem m e torturando era para obter inform ações. Eles queriam saber com o entrar no com plexo dos Fae da Luz.

O rugido de vozes era tão alto que foi im possível continuar. Olhei para a m ultidão, tentando ver as reações individuais. Os elfos verdes em conj unto pareciam ser a favor da retribuição – todos estavam com as m ãos nos arcos e raiva no olhar. Olhei para m inha esquerda e vi Finn fazendo o m esm o. Olhei para Niles e o vi tirar o m achado do coldre, balançando-o um pouco. Ele estava pronto para cortar algum as patelas, isso era óbvio tanto pelo m achado quanto pela expressão assassina em seu rosto. Becky parecia assustada. Olhei para outros espíritos da assem bleia e eles pareciam com partilhar o m esm o sentim ento dela. Eu não sabia se eles eram um bando de fracotes ou os únicos com algum a inteligência. As bruxas estavam m uito anim adas e conversando entre si. Eu sabia que a razão por que os Fae das Trevas não podiam encontrar nosso com plexo eram os feitiços que aquelas bruxas haviam feito, de m odo que a pressão recaía sobre elas, eu achava.

– E você disse? – gritou um elfo verde.

A sala inteira fez silêncio. Os espíritos no m eio da m ultidão que eu percebera assustados pareciam especialm ente interessados em m inha resposta.

– Não. Eu não disse.

Mais m urm úrios e inclusive alguns olhares desconfiados.

– Acho difícil acreditar que um a criança trocada sob am eaças de tortura não forneça as inform ações solicitadas.

Isso foi proveniente de um elfo cinza.

Tony se adiantou e abriu a boca para m e defender, m as eu o im pedi colocando a m ão em seu braço.

– Deixe com igo – disse eu suavem ente

Eu precisava fazer isso. Havia m uita raiva acum ulada dentro de m im pelo que havia acontecido; não apenas com igo, m as com Chase tam bém . Isso ia m e fazer sentir m elhor.

– Só porque você é um com pleto covarde que desm oronaria à m enor am eaça não significa que eu sou tam bém . E só para que fique claro, não foram apenas am eaças de tortura, foi tortura. O irado entrou em m eu cérebro e tentou derretê-lo. E só para você saber, um a fusão do cérebro é um a experiência m uito desagradável, m uito dolorosa. Tam bém levei um chute no rosto. Você não pode ver m eus ferim entos porque eu fui curada pelo Verde, m as pode confiar em m im , eles estavam lá.

Tim se levantou em m eu om bro e gritou.

– Vocês têm sorte de que era Jay ne lá, e não qualquer um de vocês! Eu nunca vi um fae m ais coraj oso em m eus quatrocentos anos de vida!

Eu sorri, agradecendo seus elogios, m as disse-lhe baixinho:

– Agradeço seu voto de confiança, m as ninguém pode ouvir você, além de m im .

Céline estava na m esa do Conselho.

– O pixie corrobora sua história.

Voltei a cabeça para olhar para Céline. Ela podia ouvir o pixie também? Desde quando? Olhei para ela interrogativam ente, encontrando seus olhos. Ela apenas baixou a cabeça, sem nenhum a expressão no rosto.

– Ela pode m e ouvir? – sussurrou Tim .

– Talvez.

Havia m uitos m istérios nesse lugar, especialm ente quando Céline estava na j ogada. Eu estava tentando decidir se deveria cham á-la à frente da m ultidão quando Dardennes com eçou a falar novam ente.

– Com o você saiu do com plexo dos Fae das Trevas?

E assim , lá estava eu. O m om ento em que m inhas indiscrições e escolhas erradas seriam reveladas a todos. Esse era o pior tipo de confissão. Muitas pessoas para ver m inha vergonha. Muitas coisas ruins a dizer. Eu m e senti com o se estivesse colocando m eu eu interior para fora, cru, para que todos pudessem ver e criticar... E se afastar. Teria Tim contado tudo? Sobre a “pixificação” tam bém ? Será que vão m andá-lo em bora? Eu não sabia o que dizer e o que esconder, e não poderia perguntar a Tim sem que Céline soubesse.

– Bem ... eu invoco a quinta em enda.

Olhei para Dardennes abaixando a cabeça, m as ele franziu a testa e balançou a cabeça para m im . Ele devia ser o único de todos esses fae que sabia o que era a quinta em enda.

– Jay ne, basta dizer a verdade, toda. Boa ou ruim , vai ficar tudo bem – disse Tony.

– A verdade m e libertará, Tony ? É isso que você está dizendo?

Ele deu de om bros.

Parecia-m e irônico que essa m esm a frase m e houvesse ocorrido antes, quando eu estava do lado de fora da entrada, após o teste fae, decidindo se entrava no com plexo ou não. A verdade havia m e libertado a seguir, pelo m enos dentro de m inha própria m ente bloqueada; esperava que ela fizesse o m esm o nesse m om ento.

Respirei fundo e endireitei os om bros.

– Muito bem , vou dizer o que aconteceu, e vai ser a verdade. Mas estou avisando... Alguns de vocês vão se irritar, e sinto m uito por isso. Eu nunca quis m achucar ninguém ...

E então, contei a eles a história de Chase e de com o ele foi parar lá, e com o O Verde foi a m im por m eio da água, e, finalm ente, com o Chase nos levara de volta, m esm o depois de declarar sua lealdade aos Fae das Trevas.

Enquanto eu falava, todo o m undo ficou com pletam ente em silêncio, atentos a cada palavra m inha. Pude ver que algum as das coisas que disse os surpreenderam , algum as os irritaram , e outras apenas os deixaram m ais curiosos. Quando tudo acabou, olhei para Dardennes e depois de novo para os fae reunidos.

– Essa é a história. Eu não sei m esm o com o cheguei aqui, um a vez que apaguei quando eu ainda estava no com plexo das trevas. Mas Tim pode lhes contar o resto.

– Não creio que isso sej a necessário, Jay ne, m as obrigado por sua honestidade e franqueza. – Ele acenou para m im e, em seguida, olhou para a frente, para a m ultidão. – O Conselho considera que esse ato contra um dos nossos é um a atitude evidente de guerra e que devem os responder na m esm a m oeda. Portanto, solicitam os sua atenção para deliberação. O tem a está agora oficialm ente aberto ao debate para quem quiser fazer algum com entário.

Levantei a m ão na m esm a hora, sem saber qual era o protocolo. Mas um elfo cinza chegou antes de m im , levantando-se de um salto e com eçando a falar im ediatam ente.

– Os elfos cinzentos têm feito um a quantidade significativa de planej am ento com relação a essa guerra, e todos nós concordam os que precisam os de m ais recursos. – Ele olhou para Tony e assentiu. – A criança trocada Tony tem sido um acréscim o m uito bem -vindo para nossas fileiras e provou ter um a m ente afiada quando se trata de desenvolvim ento de estratégia, considerando-se vários cenários de batalha. Ele sugere que precisam os treinar nossas crianças trocadas de form a acelerada para que possam os incluí-los com o recursos em nossos m odelos de planej am ento. Isso aj udará, m as ainda não é suficiente. Precisam os trazer os outros.

Esse últim o com entário despertou um coro de gritos dos fae, e não apenas do público. O Conselho tam bém estava em alvoroço.

Dardennes levantou as m ãos pedindo silêncio.

– Você está dizendo que é preciso cham ar todos os outros? Porque isso seria um pesadelo logístico que eu não sei se podem os controlar, especialm ente em um período tão curto.

– Não, claro que não – respondeu o elfo cinza. – Mas poderíam os trazer duas centenas que têm as habilidades de que precisam os para preencher os buracos em nosso arsenal.

Um dos m em bros do Conselho se levantou, o lobisom em que eu encontrara durante m eu teste. Agora ele só parecia um suj eito m usculoso norm al. Ele falou com sua voz profunda e retum bante:

– Está dizendo que nós terem os o que necessitam os para derrotar os Fae das Trevas com a som a de duas centenas de fae?

Outro elfo cinza se levantou para se j untar ao prim eiro e respondeu.

– Sim , desde que sej am os fae específicos que identificam os.

– Por que não pegar trezentos, então, e acabar com isso m ais rápido?

Os elfos cinzentos se entreolharam , confusos. A seguir, o prim eiro respondeu.

– Porque isso não seria o uso m ais eficiente de nossos ativos.

Isso arrancou alguns risos da m ultidão, m as nenhum do grupo de elfos cinzentos. Eu tive que sorrir tam bém . Eles eram tão certinhos com seus núm eros e planos... Não era à toa que gostavam tanto de Tony. Ele era incrível em m atem ática. Eu concordava com o lobisom em , no entanto. Parecia que m ais era sem pre m elhor. Talvez eu pedisse a Tony para m e explicar sua lógica m ais tarde.

Levantei a m ão de novo, ainda com m edo de falar fora de hora.

Um a bruxa se levantou e disse:

– As bruxas dos Fae da Luz gostariam de falar com a criança trocada Jay ne e o pixie sobre os feitiços utilizados no com plexo das trevas.

Dardennes respondeu sem sequer olhar para m im .

– Jay ne e Tim estarão disponíveis para todos os grupos fae que precisarem deles para seu planej am ento.

Sustentei a m ão levantada com a outra, cansada de m antê-la no ar.

– Por que a criança trocada Jay ne está com a m ão levantada? Trata-se de um efeito colateral da tortura? – perguntou um espírito de m adeira na audiência.

Eu estava com eçando a achar que os espíritos de m adeira, em geral, não eram lá os m ais espertos.

– Jay ne, você tem algo a dizer? – perguntou Dardennes, parecendo um pouco confuso m esm o.

– Ah, sim . É por isso que estou com a m ão levantada. Enfim , eu só queria dizer que eles m e disseram que a razão por que m e sequestraram era com eçar a guerra. Eles achavam que vocês iam m e buscar, e que isso detonaria tudo.

Eu poderia dizer que im ediatam ente os elfos cinzentos com eçaram a processar a inform ação. Eu praticam ente podia ouvir de longe seus cérebros calculando. Tony estava ficando im paciente dem ais, de m odo que eu sabia que ele estava com o eles. Eu poderia apostar que sua prim eira parada depois dessa reunião seria o centro de planej am ento de guerra. Mesm o sem nunca tê-lo visto, eu tinha certeza de que eles tinham algum a sala de guerra em algum lugar por ali. Provavelm ente Tony ia arrastar seu colchão e dorm ir lá. Aquilo era com o o m aior e m ais com plexo j ogo de xadrez do m undo – e com a participação de vidas e m ortes reais tam bém .

Um anão se levantou e gritou.

– Essa é a prova de que precisávam os! Eles estão deliberadam ente nos cham ando para a guerra. Acho que devem os responder ao cham ado!

Vários fae rugiram em aprovação, principalm ente os que tinham m enos de um m etro e m eio de altura. Mas tam bém houve anuência entre os outros, especialm ente os elfos verdes e algum as bruxas. Eu não sabia se todos eles tinham as m esm as m otivações, porém , e isso m e preocupou.

Percebi que levantar a m ão não fazia sentido nesse fórum , de m odo que tentei falar m uito alto na esperança de que m e ouvissem .

– Estava pensando... – m inha introdução fez os rugidos baixarem para m urm úrios, de m odo que prossegui sem gritar. – Não deveríam os todos entrar nessa pelas razões certas? E essas razões não deveriam ser as m esm as para todos?

O anão m e respondeu:

– Nós vam os derrotar as trevas!

Um a bruxa gritou:

– Nós lutam os para afirm ar a superioridade da luz sobre as trevas!

Um duende verde entrou na briga:

– Nós lutam os para proteger a nós m esm os!

Merda. Depois de ouvir isso, eu sabia que estávam os em apuros.

– Eu sei que eu sou apenas um a criança trocada, e não m uito boa tam bém , e percebo que eu m e j oguei na água quente e que causei alguns problem as a todos... Sinto m uito de verdade, m as tenho que dizer que parece que nenhum de vocês está de acordo em relação ao que essa guerra deve ser. Posso dizer que os Fae das Trevas parecem ter um plano m uito sólido e todos eles parecem concordar com ele e com o m otivo pelo qual o estão seguindo. O vencedor dessa guerra provavelm ente será o que for m ais organizado.

– A organização é im portante, m as é a força que vence guerras, j ovem criança trocada. Mas você não entenderia, é m uito j ovem e inexperiente – disse um anão franco na m ultidão.

Seus am igos todos assentiram , im pressionados com sua sabedoria. Mas eu? Nem tanto. Fixei no pequeno im becil m eu olhar m ais duro.

– Eu posso ser j ovem , m as reconheço a estupidez quando a vej o. Acreditem , eu fiz m uitas coisas estúpidas em m inha curta vida. O que todos vocês não conseguem perceber é que eles têm força. A m esm a que nós. Eles têm elfos verdes, anões, bruxas fazendo em seu com plexo as m esm as m agias que as nossas fazem aqui. Eles têm dem ônios agora tam bém , graças de novo a m inha estupidez. A única coisa que os diferencia de nós agora é que eles são m ais organizados. E isso significa que não vam os ganhar se não nos entenderm os e entenderm os nossas prioridades.

O anão parecia querer dar um a resposta beligerante, m as desistiu, voltando-se para seus am igos. Fui salva de outra agressão verbal por um elfo cinza.

– A criança trocada está certa. Devem os unir nossos esforços e tem os de nos organizar. Os elfos cinzentos estão preparados para cuidar dessa tarefa, se nossos irm ãos Fae da Luz estiverem dispostos a trabalhar conosco. Mas devem os adverti-los: não tem os o luxo do tem po. Devem os com eçar hoj e. Os Fae das Trevas estão prontos para atacar a qualquer m om ento, e tem os que estar preparados.

Dardennes olhou para a m ultidão, observando todos os rostos presentes. Todo o m undo estava olhando para ele, esperando que falasse.

– O Conselho vai agora ter um breve recesso para discutir os com entários da assem bleia.

Ele deu um passo para trás para falar com Céline, que se levantara para ficar ao lado dele. Niles estava em pé ao lado de Jared, escutando enquanto conversava com Ivar, e enquanto o lobisom em conversava com Naida e com o velho de aparência de bruxa de quem eu lem brava de m eu últim o interrogatório – aquele que não queria que Tony se tornasse um a criança trocada. Ele devia estar arrependido agora de sua recom endação estúpida de m anter Tony longe. Os outros m em bros do Conselho estavam falando uns com os outros em voz baixa.

Os fae no salão com eçaram a falar com seus vizinhos em voz baixa tam bém . Tom ei isso com o um sinal de respeito para não interrom per o Conselho ou falar m uito alto. Virei-m e para m eus am igos.

– Então, o que vocês acham ?

– Eu acho que você acertou em cheio – disse Finn. – Tem os que nos organizar aqui, ou eles vão acabar conosco, pura e sim plesm ente.

– Sim . Mas é m eio assustador pensar que podem os realm ente nos envolver em um a guerra – disse Becky sem seu habitual sorriso de m aníaca agora substituído por um a expressão fechada.

– Acho que você não precisa se preocupar tanto com isso, Becky. Não sei se os espíritos vão lutar – disse Scrum .

– Odeio ser tão insensível, m as estou ansioso para o treinam ento – disse Spike. – Valentine é legal, m as m inha form ação é bem chata às vezes.

– Sim , todo esse negócio de chupar os caras e tal – disse Finn, zom bando.

Spike deu-lhe um soco no om bro.

– É m elhor tom ar cuidado antes que eu com ece a ter desej os por energia de elfo ruivo.

Finn devolveu-lhe o soco.

– Não m e cham e de ruivo. – Pensou por um segundo e acrescentou. – E você, guarde suas ideias de chupação para si m esm o. Não estou disponível para nada “hom em com hom em ”.

Vi que Spike estava pensando seriam ente em ficar ofendido pelas zom barias contínuas de Finn, de m odo que m e coloquei entre eles.

– Ouçam m eninos, tem os um problem a m aior que a hom ofobia de Finn e a negação de Spike, de m odo que vam os nos acalm ar, ok?

Sorri para os dois, que ficaram sem graça.

Becky riu.

– Boa, Jay ne.

Scrum falou:

– Eu não entendo. Spike é gay? Não que isso im porte, só estou curioso. – Ele olhou para Finn. – E você realm ente tem m edo de gays? Porque, em m inha experiência, eles são m uito legais no geral.

Revirei os olhos.

Finn olhou para Spike.

– Você vai ou vou eu?

– Vam os j untos.

Scrum olhou para os dois com suspeita nos olhos à m edida que avançavam para ele.

– Ei, não sei o que vocês estão pensando, m as é m elhor ficar longe. Posso derrubar os dois, sabiam ? E não da m aneira que você deve estar esperando, Spike, porque eu não sou gay.

Quando Finn e Spike estavam prestes a se atirar sobre Scrum , Dardennes pigarreou alto e com eçou a falar novam ente, frustrando seus planos de pega pra capar.

– Obrigado por sua paciência – anunciou Dardennes.

Todos no local pararam de falar e se sentaram eretos, ouvindo atentam ente. Spike, Finn e Scrum im ediatam ente pararam de andar e ficaram sérios enquanto esperavam para ouvir as palavras seguintes de Dardennes.

– O Conselho discutiu o assunto em questão e traz as seguintes diretrizes para nossa com unidade – ele olhou ao redor antes de continuar para ter certeza de que todo o m undo estava prestando atenção. – Em prim eiro lugar, espera-se que cada fae aqui se j unte aos de sua raça para com eçar um program a de treinam ento avançado e acelerado, conform e descrito pelos elfos cinzentos. Por favor, enviem um representante de cada grupo para obter seus horários. Haverá algum cruzam ento, com diferentes grupos e líderes de form ação em conj unto. Um as vezes vocês serão professores, outras, alunos. Espero que todos concordem que só vam os tirar proveito de um curso de reciclagem em algum as áreas, por isso m esm o nossos fae m ais velhos devem participar.

Dardennes olhou para algum as bruxas e depois para o velho babaca do Conselho, que devolveu seu olhar com o cenho franzido.

– Em segundo lugar, todos nós devem os estar cientes de que os Fae das Trevas estão trabalhando ativam ente para iniciar essa guerra, e sabem os que com o parte de sua estratégia eles vão fazer coisas que nós não consideraríam os fazer. Assim , o Conselho considera que é preciso insistir para que ninguém vá à floresta sem pelo m enos um parceiro, que deve ser altam ente qualificado na arte de com bater a m agia dos Fae das Trevas.

Ele ouviu as queixas provenientes das bruxas, e arrem atou:

– Note-se que conform e realizem os esse treinam ento, cada vez m ais fae caberão nessa descrição, por isso, se qualquer grupo de fae em especial se sentir sobrecarregado por esta ordem , por favor, entenda que seus efeitos serão apenas tem porários.

Olhei para as bruxas; elas pareciam um pouco m ais calm as com a últim a declaração.

– Por últim o, os Fae das Trevas, obviam ente, querem acesso ao nosso com plexo. Nossas bruxas têm feito um bom trabalho enfeitiçando-o, m as não podem os assum ir que não fom os violados ou que não serem os no futuro. Estej am vigilantes. Mantenham seus olhos e ouvidos abertos. Se virem ou ouvirem qualquer coisa que pareça suspeita, entrem em contato com alguém do Conselho im ediatam ente. Pedim os que não se envolvam com qualquer Fae das Trevas diretam ente, a m enos que tenham os recursos adequados à sua disposição.

Notei que seus olhos percorreram o salão e se fixaram em várias crianças trocadas espalhadas ao redor. A m ensagem era clara: crianças trocadas, nem pensem nisso.

Cabeças assentiram por toda a sala. Os espíritos na assem bleia olharam em volta com m edo de todos os outros fae. Eu não ficaria surpresa se todos pulassem fora do barco e fossem viver nas árvores e lagos até que tudo acabasse. Acho que eles eram a parte “faça am or, não faça guerra” dos fae.

– Esta reunião está agora encerrada. Por favor, enviem seus representantes a Tony e os elfos cinzentos para receber suas atribuições.

O nível de ruído aum entou conform e as pessoas se levantaram de seus assentos e se dirigiram para a porta. Os elfos cinzentos foram im ediatam ente cercados por fae bem -intencionados, seguindo a solicitação do Conselho. Olhei para a m esa principal e vi que Dardennes e Céline estavam se aproxim ando. O olhar de Céline, em especial, estava m uito focado em m im .