A Guerra dos Fae: Luz e Trevas

Elle Casey · Capítulo 18 de 38

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A Guerra dos Fae: Luz e Trevas

Capítulo 17

 

ABRI A PORTA DO MEU QUARTO E encontrei Spike deitado em m inha cam a, com as m ãos cruzadas atrás da cabeça. Já havia tirado a cam isa, que agora estava j ogada no chão. Droga, ele era lindo. Eu nunca fui um a grande am ante de tatuagens – gosto de um a aqui ou ali em um braço ou nas costas, m as geralm ente não de m uitas; Spike era a exceção a essa regra. As suas iam do pulso até o pescoço e a cintura, e lhe caíam perfeitam ente bem . Quando cheguei m ais perto, vi que um a delas era um dragão de boca aberta. Tinha dentes pretos.

– Spike, quando você fez essa tatuagem ?

Aproxim ei-m e e apontei para o dragão em volta de seu braço e om bro. A cabeça term inava em seu m úsculo peitoral direito.

Ele olhou para baixo, erguendo a sobrancelha enquanto se concentrava.

– Alguns anos atrás.

Ele pegou m inha m ão, aquela que estava apontando para a tatuagem , e entrelaçou nossos dedos levem ente:

– Por que pergunta?

Abaixei-m e e puxei Blackie da bainha, segurando-o para ele ver.

– Porque este é um dente de dragão, e é o único preto por aqui. Ou é um de um par que é o único par preto pelas redondezas. É m eio engraçado que seu dragão tenha dentes pretos tam bém .

Spike deu de om bros.

– De que outra cor seriam ?

– Boa pergunta.

Um silêncio constrangedor caiu sobre o quarto. O único som era produzido por Blackie ao deslizar de volta para sua bainha. Eu não sabia qual era a etiqueta apropriada para a alim entação de um íncubo, ou se não havia nenhum a m esm o. A últim a vez que vira um a acontecer fora quando Chase sofrera o ataque na floresta durante nosso teste, e o suj eito m ordera seu pescoço de um j eito bem parecido com o de um vam piro, m as sem sugar de verdade nem beber o sangue. Eu não tinha certeza de estar disposta à parte cortante.

Scrum pigarreou, e em seguida Tim deu um a risadinha em m eu om bro.

– Tudo bem , vam os com eçar pelo com eço. Tim , você vai para seu quarto.

Soltei a m ão de Spike e m e afastei, colocando o braço sobre a côm oda para que Tim pudesse descer e ir para a cam a. Ele tinha uns livros pequenininhos em sua m esa de cabeceira que Netter, nosso brownie, havia conseguido para ele, e poderia ler enquanto estivéssem os fazendo essa coisa de íncubo. Eu não m e preocupei especulando com o Netter os havia encontrado, ou se alguém poderia ler um livro tão m inúsculo. Eu nem conseguia ver as palavras.

Ouvi a porta se abrir atrás de m im e alguém entrar.

– Vou só m e sentar aqui no chão – disse Scrum –, prom eto que não vou interferir, desde que você não a m achuque.

Vi os olhos de Spike se incendiarem , soltando um brilho verm elho.

– Não se preocupe. Eu não tenho nenhum a intenção de m achucá-la.

– Tudo bem , m esm o assim . Não tenho certeza de que você pode se controlar m uito bem ainda; é só para você ficar ciente de que, se for longe dem ais, vou atrapalhar sua festa e quebrar sua vontade de novo.

Spike revirou os olhos.

– Eu ouvi bem o que você disse, não se preocupe.

– Scrum , fique virado para a parede – disse eu.

Mesm o que Spike e eu não fossem os fazer sexo, a ideia de alguém olhando enquanto ele se alim entava de m im era um pouco bizarra dem ais para o m eu gosto.

– Tim , você tam bém . Vire para o outro lado.

– É o m eu quarto tam bém , sabia?

– Tim !

– Tudo bem .

Observei-o se deitar em sua cam a, de costas para nós. Notei que o toco de suas asas ainda estava preto, m as talvez um pouco m enos, o que m e fez sorrir.

Spike olhou para m im com diversão e fom e em seus olhos.

– Está feliz agora?

– Sim . Por enquanto.

– Venha aqui e deite ao m eu lado na cam a.

Olhei para ele com desconfiança.

– Eu não m e ofereci para nada além de um a alim entação, você sabe.

Spike revirou os olhos.

– Sim , sim , eu sei. É apenas m ais confortável se você relaxar. Não se preocupe. Você tem seu pitbull ali para assegurar que eu não vá longe dem ais.

– E sem m ordidas.

– Fechado. Sem m ordidas, prom eto.

Fiquei ali, sem saber o que fazer, até que ele olhou para m im com os olhos suplicantes e sérios, e o rosto pálido.

– Por favor...

– Okaaay.

Eu m e deitei na cam a, m e esticando ao lado dele para ficarm os cara a cara, cada um de nós em seu lado.

– O que tenho que fazer? – perguntei em voz baixa.

Eu realm ente gostaria que Tim e Scrum não estivessem no quarto. Parecia que isso deveria ser feito em particular; particular m esm o, não sem iparticular.

– Só relaxe e olhe em m eus olhos.

Não foi um a instrução difícil de seguir. Os tons de âm bar e verm elho rodando em seus olhos m e puxavam , e m eu olhar se fixou sem que eu nem m esm o pensasse em resistir. Minha m ente escapou um pouco enquanto eu observava o âm bar e verm elho m udar para verm elho e preto, as nuvens escuras de fum aça se enredando em torno das ondas rubras. Era quase com o se as cores fossem fantasm as ou espíritos, dançando ao redor de seus olhos, m e cham ando para j unto dele. Eu não poderia dizer se eram espíritos flam ej antes dançando na fum aça preta ou espíritos negros dançando em cham as. Meu corpo estava ficando quente por toda parte, especialm ente em certos lugares, o que fazia aquilo parecer m ais que apenas um a alim entação básica.

– Spike... – disse eu sem fôlego.

– Shhh, está tudo bem . Vou com eçar agora. Relaxe.

A últim a sílaba da palavra “relaxe” foi m e puxando para fora de m inha m ente com o um sedoso e deslizante sssssssss que m e fez sentir com o se eu estivesse adorm ecendo e caindo de um a grande altura ao m esm o tem po. Eu não conseguia m ais sentir m eu corpo. As cores em seus olhos ficaram m aiores, abrangendo todo o m eu cam po visual, de m odo que eu estava dentro desse m undo verm elho e preto, flutuando, sem sentir nada além do calor e da agitação elétrica de energia sexual. Fechei os olhos e nos beij am os. Hesitantes no início, depois m ais profundam ente. As visões que eu tivera em seus olhos perm aneceram vivas em m inha m ente.

Logo percebi outra sensação, proveniente do fundo de m eu corpo. Um puxão suave que não era nem desconfortável nem particularm ente agradável. Era só com o se ele puxasse algum as coisas. Os verm elhos e negros, girando ainda, dom inavam toda m inha atenção, m e enganando com suas form as convergentes e em seguida desaparecendo, para se transform ar em algo diferente um instante depois. Eu estava fascinada pelo visual e ignorava a sensação de algo m e deixando. O beij o era fácil e m e consum ia, aum entando os sentim entos estranhos que am eaçavam m e dom inar. O que quer que fosse, não m e im portei. Eu só queria descobrir o que eram esses seres nos redem oinhos. Por que estavam tentando se esconder de m im ? Quem ou o que eram eles? O calor gerado pelo beij o de Spike e sua língua dançando com a m inha foi dem ais para m im .

Eu estava distantem ente consciente de um a m ão tocando m inha cintura, acariciando m inhas costas. Ela traçava um cam inho de calor que se infiltrou em m eus ossos. Mexi m eu corpo languidam ente em resposta. Eu não podia controlar isso, nem im pedir o gem ido de sair da m inha boca.

A próxim a coisa que senti foi m eu corpo sendo em purrado para trás e a boca de Spike deixando a m inha. A conexão com aquelas coisas rodopiantes pretas e verm elhas se foi em um segundo. Eu podia sentir o frio da pedra do chão em m inhas costas e o ar frio tocando a pele superaquecida de m eu rosto e braços. Meus lábios estavam inchados e cansados. Mantive os olhos fechados; ainda não estava pronta para voltar com pletam ente à realidade.

Eu podia sentir que havia um a luta acontecendo nas proxim idades, m as im aginei que provavelm ente era Scrum e Spike se agarrando – algo com que eu não precisava m e preocupar. Era evidente que a alim entação havia se transform ado em algo m ais erótico do que Scrum poderia aceitar. Eu m e sentia tão bem que estava feliz por ele estar lá para acabar com aquilo. A últim a coisa que eu queria era saber que havia ido até o fim com um íncubo na frente dos m eus am igos. E talvez houvesse feito isso tam bém – eu estava tão longe...

– Jay ne está bem ? – perguntou Tim , preocupado, do outro lado da sala.

Claro que ninguém o podia ouvir, então eu respondi.

– Eu estou bem . Só relaxando.

– Bom , talvez você queira sair do cam inho.

Eu abri os olhos para ver do que ele estava falando e rolei em direção a m inha cam a bem a tem po de evitar ser pisada. Scrum segurava Spike em um bloqueio total do corpo novam ente, m as, dessa vez, Spike não parecia tão chateado. Seu rosto estava corado e com um a aparência saudável, e ele sorria diabolicam ente. Seus olhos tinham um tom verm elho brilhante. Desviei o olhar para não cair neles novam ente – era perigoso fazer isso, eu tinha certeza agora. Infelizm ente, era um desses perigos que um a garota não consegue evitar, um a vez que m e fez sentir tão bem e vinha em um pacote tão bonito. Agora Spike não só parecia um bad boy – ele era um bad boy, no verdadeiro sentido da palavra.

Percebi com o estava cansada quando tentei m e levantar do chão para a cam a. Não tinha energia para isso, então, deitei-m e no chão olhando para o teto.

Scrum voltou para dentro do quarto alguns segundos depois.

– Com o está Spike? – perguntei sem tirar os olhos do teto.

– Ele está bem . Deixei-o ir. Ele vai para a floresta para gastar o excesso de energia, acho.

– Bom para ele.

– Não tão bom para você, no entanto – disse Scrum com a voz preocupada. – Precisa de aj uda para voltar para a cam a?

– Talvez.

Eu não estava pronta para adm itir que m e sentia fraca.

Scrum se abaixou para m e aj udar a levantar.

– Já vi isso antes. Norm alm ente, quando eles fazem isso a um fae, ele desm aia. Acho que você tem sorte de ainda estar consciente. Mas é estranho, porque acho que ele se excedeu um pouco.

– É por isso que o rosto dele estava tão cor-de-rosa? – perguntou Tim .

– Tim quer saber se é por isso que o rosto dele estava tão cor-de-rosa – disse eu, cansada.

– Talvez.

Ao pensar nisso, notei que o rosto de Spike era geralm ente m uito pálido quando ele estava norm al.

Scrum aj udou-m e a deitar na cam a.

– Melhor? – perguntou ele.

– Sim . Obrigada... por sua aj uda hoj e. Com Spike e outras coisas.

Scrum sorriu.

– Sem problem as. Só estou fazendo m eu trabalho. Ser um dem ônio é a m elhor coisa que j á m e aconteceu.

Era difícil não sorrir de seu entusiasm o pela vida fae. Acho que ser drenada de toda a m inha energia tornou m ais fácil não m e incom odar com sua personalidade de cachorro ansioso.

– De onde você é?

– Eu sou da Califórnia. East Bay. Um a pequena cidade cham ada Tracy.

– Você gosta de lá?

Ele deu de om bros.

– Era legal. Mas m inha m ãe m orreu, então eu parei de gostar de tudo por um tem po.

– Ah... Bem , isso é um a m erda.

Minha m ãe era um pé no saco, m as pelo m enos ainda estava viva.

– É. Mas agora m inha vida é m uito m elhor.

Ele sorriu para m im , fazendo-m e sentir um a m erda por ter sido tão m á com ele antes. Contudo, era tão fácil debochar dele que não era realm ente culpa m inha.

– Ouça, desculpe se eu enchi seu saco antes.

– Você não m e encheu o saco. De verdade. Não se sinta m al.

Rapaz, esse garoto deve ter sido tratado com o lixo anteriorm ente se achava que era norm al o que eu havia dito antes. Jurei m e esforçar m ais para ter paciência com ele. Esperava que não fosse m uito difícil.

Ele se voltou para sair, m as seu pé ficou preso na beira de m inha m esa lateral, fazendo-o tropeçar e levar m eus m óveis com ele. O abaj ur que estava em cim a da m esa se quebrou em m il pedaços, e os absorventes que eu tinha na gaveta se espalharam por todo lado. Scrum ergueu os olhos cercado de vidro e de produtos fem ininos, e disse:

– O que aconteceu?

Tim sacudiu todo o seu estúpido corpo de pixie sem asas de tanto rir, m as eu apenas suspirei. O universo com certeza tem prazer em m e dar tarefas quase im possíveis.

– Lim pe isso, seu desaj eitado. Vou tirar um cochilo. Diga isso por m im a quem estiver no com ando, sim ?

Adorm eci antes de ouvir a resposta dele, e não ouvi outro barulho durante horas. Sonhei desde a hora do alm oço até a do j antar com dem ônios verm elhos e fantasm as esfum açados pretos indo m e acariciar e m e puxar para seu m undo.