A Guerra dos Fae: Luz e Trevas

Elle Casey · Capítulo 6 de 38

Páginas do PDF

A Guerra dos Fae: Luz e Trevas

Capítulo 5

 

TENTEI NÃO ME PREOCUPAR COM A REAÇÃO irritada do Conselho, preferindo concentrar-m e em Tim e em sua necessidade m ais im ediata. Pouco antes de sair do avião, puxei Jared e Chase de lado.

– Gente, preciso levar Tim para a bruxa antes de fazer qualquer outra coisa. Jared, quando chegarm os ao com plexo, você pode ficar de olho em Tony e se certificar de que ele fique longe do Conselho até que eu volte? Devo dem orar m enos de um a hora.

Jared assentiu.

– Mas apresse-se. Eu não vou conseguir m antê-los no escuro por m uito m ais tem po que isso.

Balancei a cabeça, concordando.

– Chase, você quer ir com igo?

– Claro.

Ele pegou m inha bolsa para que eu ficasse com as m ãos livres para segurar a caixa de Tim .

Entram os na van que estava esperando para nos levar de volta ao com plexo

1

dos Fae da Luz. Niles – ou o anão Com m ando , com o eu gostava de cham á-lo – estava no banco do m otorista. Norm alm ente, onde quer que encontrem os Ivar, podem os encontrar Niles por perto; m as ele não estava no avião. Talvez tivesse m edo de voar. Pela prim eira vez, notei que essa van era equipada com pedais especiais para que ele pudesse alcançar o acelerador e freios. Bacana.

Depois de dirigir por quase um a hora por um a estrada quase vazia, várias estradas m enores do país e outras de terra através da floresta, chegam os ao com plexo. Chase e eu saím os correndo da van, na frente dos outros, e seguim os por entre as árvores pelo cam inho que levava às portas do com plexo.

Parada na entrada estava Becky, m inha m elhor am iga, espírito de água, e a única garota com quem eu saía no com plexo dos Fae da Luz. Havia m uito m ais fae m asculinos que fem ininos por ali. Becky m e contou que m uitas m ulheres viviam fora do com plexo, preferindo escolher a floresta com o casa. Eu acho que o com plexo era m ais com o um a espécie de quartel-general – alguns fae m oravam dentro de seus m uros, longe de nós, crianças trocadas e m em bros do Conselho. Os líderes das diferentes raças fae ou grupos de guerreiros frequentem ente passavam para visitar Dardennes ou lidar com negociantes fae, m as norm alm ente iam em bora antes do anoitecer.

– Ei, pessoal! Vej o que trouxeram Tony com vocês. – Ela correu e deu-lhe um abraço, sem nem m esm o se im portar com o fato de ele estar parado ali, duro com o um a tábua, sem reconhecê-la. – Bem -vindo de volta, Tony. – E se voltou para m im , perguntando – Com o foi? Achei que tudo estava indo bem , j á que ninguém entrou em contato com igo ou pediu inform ações sobre o que os velhos estavam fazendo. – Ela sorriu para todos nós à espera de nossa história.

Becky devia ficar de olho no Conselho e se teleportar para nos avisar, se necessário. Ela podia fazer isso, j á que era um fae espírito de água e usava a um idade do ar para viaj ar de um lugar para outro. Becky não tinha certeza de quão longe poderia ir, então eu até que estava feliz por não term os precisado dela. A últim a coisa que eu queria era um fae am igo flutuando em algum lugar no m eio do oceano porque havia superestim ado suas habilidades.

– Foi tudo bem , m as tivem os um pequeno problem a com um Fae das Trevas que estava lá. Ele pegou pesado com Tim . Preciso levá-lo até Maggie o m ais rápido possível.

Atravessei a porta para o com plexo enquanto Chase a m antinha aberta para Becky e eu.

– Posso ir com vocês? – perguntou ela, obviam ente anim ada com a ideia.

Ela não conhecia Maggie.

– Claro, m as precisam os nos apressar. Não quero que o Conselho vej a Tony até que eu estej a de volta. – Voltei alguns passos para falar com Tony. – Tony, fique com Jared. Volto logo.

Esperei até que ele concordasse e então m e voltei, cam inhando rapidam ente pela entrada, à frente dos outros, im aginando a porta com a gárgula no centro durante todo o cam inho. Todas as entradas em nosso com plexo foram enfeitiçadas com um a m agia de bruxa para que parecessem um corredor norm al, bem longo. Era preciso im aginar a porta que se queria durante o cam inho e ela apareceria. Alguém que nunca houvesse estado no com plexo não seria capaz de encontrar as coisas, sim plesm ente porque não poderia im aginar a aparência da porta. Não era um sistem a de segurança perfeito, m as era m uito bom . Im pressionou-m e m uito, de qualquer m aneira. Eu dem orei alguns dias para descobrir com o usá-lo corretam ente.

Logo estávam os em frente à porta com o sím bolo de gárgula, e Chase a abriu para nós. Correm os pela floresta o m ais rápido que podíam os, enquanto eu tentava o m áxim o possível não balançar Tim . Finalm ente chegam os à base da árvore enorm e com um a porta na frente, que era a casa de Maggie.

Tim havia m e apresentado a essa bruxa louca m ais ou m enos um m ês antes. Ele conhecia Maggie m uito bem , m as recusara-se a m e dizer de onde se conheciam . Quando Chase foi atingido pela flecha de m agia negra feita para m im , ela foi a única a saber a bebida certa para tirá-lo do com a. Desde nosso prim eiro encontro, que culm inou com Tim sacrificando um a de suas m inúsculas asas verdes com o pagam ento pelo rem édio de Chase, e eu com endo um a folha enfeitiçada que m e perm itiu ouvir Tim falando, roncando e peidando, passei a visitá-la para trabalhar em m eu treinam ento e aprender a gerir m elhor m eu poder sobre O Verde.

Maggie tinha a ideia insana de que para que suas m agias funcionassem tinham que ter algo verde. Sem pre que Tim e eu nos deparávam os com cogum elos ou outras coisas verdes noj entas na floresta, coletávam os e as levávam os para ela. Tínham os um a am izade esquisita. Ela gritava e rosnava para m im o tem po todo que eu estava lá, e depois sem pre conseguia m e oferecer algum conselho legal e perspicaz. Eu realm ente nunca soube se ela era Fae da Luz ou das Trevas, m as isso não a im pediu de m e ensinar m uito sobre m eu poder e sobre com o usar as linhas ley para controlá-lo. Ela tinha um a linha ley correndo abaixo da terra de sua casa, e a usava para am plificar suas m agias.

Mesm o que ela fosse feia com o o pecado e m á com o um a cobra, eu gostava dela. Maggie fazia suas coisas e não dava a m ínim a para o que pensavam dela, e isso era algo que eu adm irava. Tim gostava de m e provocar dizendo que nós duas tínham os m uito em com um , m as ele só fazia isso quando estava bem longe do m eu alcance. Tim sabia que eu nunca o m achucaria, m as eu bem poderia fazer coisas com o segurar suas asas para que ele não pudesse voar, soprando nele arrotos que o encharcavam de saliva, j á que ele era tão pequeno; ou soltando um pesado bafo de alho nele. É necessário im aginar um m au hálito de proporções titânicas para se com preender a proporção da tortura nauseante que eu era capaz de com eter contra m eu pequeno am igo. Eu m e sentia m al com isso agora que ele estava todo queim ado e sofrendo? Não. Bom... Ok... Talvez um pouquinho.

Bati na porta três vezes. Por ali, esse parecia ser um núm ero m ágico para as portas. Não m ais, não m enos. No caso de Maggie, se alguém batesse m ais que três vezes ela ficava totalm ente excêntrica. Mais excêntrica do que o norm al, em outras palavras.

– Que é?! – gritou um a voz lá de dentro.

– Abra, velha! Tenho um pixie m achucado que precisa de sua aj uda.

Um a fresta da porta se abriu e um olho turvo espiou para fora. Então, a cabeça dela se m oveu e um olho preto espiou, por sua vez.

– Assim está m elhor. Quem são esses com você?

– Chase, m eu dem ônio, e Becky, m inha am iga.

– Mentira! – gritou Maggie.

Ela era com o um detector de m entiras fae, ou algo do tipo. Maggie detestava m entiras.

– Claro que não! Ela é m inha am iga.

– Verdade! Mas a outra parte... Mentira!

– Que Chase é m eu dem ônio?

– Sim !

Fiquei confusa. Claro que ele era m eu dem ônio, m eu protetor. Esse era seu trabalho, e ele o levava bem a sério. Fora assim que ele acabara com um a flecha nas costas, para com eço de conversa. Mas eu não tinha tem po de argum entar sobre sem ântica com ela.

– Que sej a, m as deixe-nos entrar. Estou com Tim – levantei a caixa para que ela pudesse ver.

A porta se abriu e ela nos cham ou para dentro, coaxando.

– E daí? O que m ais você m e trouxe, hein? Algum a coisa verde, por acaso?

– Não. Eu j á lhe trouxe um m onte dessas coisas. Preciso da sua aj uda desta vez sem nada em troca.

– Nada na vida vem de graça. Você tem que m e oferecer algum a coisa em troca para que eu cure seu am igo. – Ela espiou dentro da caixa que eu abrira. – Hum ... Um a asa de pixie, talvez...

Ela m e deu seu sorriso praticam ente desdentado, o que fez que eu m e encolhesse. Os poucos dentes que ainda restavam em sua boca eram m arrons e apodrecidos. Eu detestava fazê-la feliz, porque seu sorriso era realm ente nauseante.

Olhei para ela enoj ada.

– Ele está praticam ente m orto por ter tido um a asa queim ada, e você ainda quer tirar a única que ainda está boa? Está doente da cabeça?

Eu m eio que j á sabia a resposta a essa pergunta, m as não custava falar, m esm o que ela não percebesse a indireta nem nessa nem nas outras cem vezes que eu a m encionara.

Maggie deu de om bros, recuando.

– Você é quem sabe...

E com eçou a m urm urar sua canção preferida, acabando por cantar a letra que eu conhecia bem até dem ais, com um a parte extra, acrescentada para a ocasião: “Coisas verdes, coisas verdes, lindas fofas coisas verdes; asas de pixies, coisas brilhantes e verdes, oh, minhas lindas coisas verdes”.

– Você é louca com o um m orcego, Maggie, sabia? – voltei-m e para m eus am igos, falando baixo enquanto atrás de m im ela se m exia alegrem ente pela casa. – Não sei o que fazer.

Becky espiou dentro da caixa.

– Ai! Isso parece tão doloroso... – Ela olhou para m im , e a preocupação estragava suas feições. – Ela vai arrancar a asa ruim fora, certo?

– É, acho que sim .

– E ele vai conseguir voar só com um a?

– Não, ele tem que esperar a outra voltar a crescer.

Ela deu de om bros lentam ente para m im com um olhar interrogativo no rosto, com partilhado por Chase.

– Bem , se ela tirar as duas, vai fazer algum a diferença para Tim ? Quer dizer, para ele ser capaz de voar e fazer as coisas... não sei... as coisas que os pixies fazem ?

Pensei nisso por um segundo enquanto Maggie cacarej ava atrás de m im . A velha cadela devia estar ouvindo tudo que dizíam os.

– Acho que não. Mas ele não vai ficar chateado quando acordar e se vir sem asas? E quando perceber que fui eu quem entregou sua asa?

– Ele j á fez isso por você antes – lem brou Becky gentilm ente.

– Sim , m as era diferente. Ele se ofereceu. Agora eu estaria tom ando a asa dele.

– Para salvar a vida dele – disse Chase. – Ele vai entender.

Pensei em ir à floresta para tentar encontrar algum a outra coisa verde para trocar, m as eu sabia que Maggie j á havia investigado e lim pado esta parte da m ata. Eu só havia conseguido encontrar suas coisas verdes em território dos Fae da Luz, m uito longe dali. E Tim não tinha tem po suficiente para eu ir procurar; sua respiração ia ficando m ais fraca a cada hora.

Voltei-m e para ela, frustrada.

– Tudo bem , sua m orcega velha. Sua asa boa de pixie por um a cura com pleta. Negócio fechado ou não?

– Fechado!

– E você tem que m e prom eter que as duas vão voltar a crescer. Isso faz parte da definição de cura com pleta.

– Eu j á disse fechado! – gritou ela para m im .

– Merda, tudo bem , fique calm a... Não se irrite!

Ela se arrastou para pegar a caixa. Eu a levantei acim a da cabeça.

– Calm a agora. Esse é m eu am igo. Espero que você o trate com cuidado. – Lancei-lhe m eu olhar m ais am eaçador. – Se o m achucar, vai ter que se ver com igo.

Ela soltou um som estridente, com o um a risada.

– Verdade!

Revirei os olhos, balançando a cabeça.

– Qual é a sua com esse detector de m entiras, afinal?

Baixei a caixa e gentilm ente a entreguei a ela.

– Esperem lá fora.

Os outros dois não discutiram . Saíram de lá com pressa, batendo a porta atrás de si.

Maggie nem sequer olhou para m im .

– O que você quer? – perguntou com um a voz m ais suave.

Eu não tinha certeza. Olhei para a caixa com Tim .

– Saia – disse ela em tom suave. – Não vou m achucar seu precioso pixie, m esm o que ele m ereça, acredite.

Ela cam inhou até a m esa da cozinha, colocando a caixa ao lado do pote de cervej a preta.

– O que quer dizer com isso?

Ela levantou a sobrancelha para m im enquanto j ogava pitadas de várias coisas tiradas de vasilhas próxim as do pote preto em cim a da m esa.

– Tim não lhe contou nossas... ligações anteriores?

– Não. Ele não gosta de falar sobre o relacionam ento de vocês.

– É a culpa! – latiu ela.

– O que ele fez?

Ela bufou.

– Você quer dizer, o que ele tentou fazer?

– Tudo bem ... O que ele tentou fazer, então?

Ela agitou sua poção, olhando-a com cuidado.

– Ele tentou dar um a de pixie para cim a de m im .

Maggie gritou a palavra pixie com o se fosse totalm ente inacreditável que ele fosse tentar algo parecido. Mas eu podia entender o raciocínio de Tim . Se havia alguém que precisava de um a anim ada, era Maggie.

Levantei as sobrancelhas ao ouvir aquilo, no entanto. Eu sabia que pixies gostavam quando outros fae estavam felizes e dançando por todo lado, e por isso eles “davam um a de pixie” com quem não estivesse – um a m aneira m eio torta de dar o dom da felicidade. Só que, eventualm ente, aquilo levava a pessoa à loucura e ela acabava m orrendo, por isso era m ais um a m aldição que um dom . Os pixies não entendiam m uito bem essa parte, m as eu convenci Tim de que era verdade.

– Na verdade, posso im aginar por que ele faria isso.

Ela fez um a careta para m im .

– Verdade. Explique-se.

– Bem , você parece m eio ranzinza o tem po todo, m esm o quando está feliz. Tenho certeza de que ele estava apenas tentando anim á-la.

– Você realm ente acredita nisso, posso ver. Mas esse não era nem seu propósito nem sua m otivação. Ele estava tentando m e roubar.

Isso realm ente não se parecia com Tim . Ele era travesso, claro, m as não era um ladrão.

– O que ele estava tentando roubar?

– Um a pixie.

– Um a pixie?

– Eu não vou repetir.

– Você tinha um a pixie... e ele estava tentando libertá-la, é isso?

– A pixie era m inha cativa por vontade própria. E sim , ele estava tentando roubá-la.

– Por quê?

– Você vai ter que perguntar a ele. Eu não leio m entes de pixie. Não gostaria de... – Ela foi até suas prateleiras e puxou da parte de baixo dois frascos, que colocou em cim a da m esa, m urm urando – ...pragas de cabeça vazia.

– Será que ele conhecia a pixie?

– Claro.

Ela abriu um dos frascos e tirou um a pitada de algo que foi para a panela, fazendo que subisse dela um a nuvem de fum aça.

– Por que “claro”?

– Acho que a m aioria das pessoas conhece seus com panheiros.

E foi aí que eu descobri que Tim tinha um a nam orada, talvez até m esm o um a esposa. Mas quem era ela e onde diabos esteve m ês passado? E por que Tim não m e contara?

1 Commando é o nom e de um fam oso boneco am ericano, um soldado m al-encarado e m usculoso, características tam bém presentes no personagem em questão. (N. do T.)