A Guerra dos Fae: Luz e Trevas

Elle Casey · Capítulo 23 de 38

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A Guerra dos Fae: Luz e Trevas

Capítulo 22

 

NÃO SEI QUANTO TEMPO SE PASSOU ATÉ que alguém finalm ente surgiu na porta. Talvez tenham sido apenas algum as horas, ou talvez um dia inteiro; m as deve ter sido algum tem po, porque eu estava ficando com fom e e precisava realm ente fazer xixi.

A porta se abriu e um suj eito pequeno apareceu, vestindo roupa de duende – possivelm ente um duende do bosque, por sua aparência. Tim estava sentado em m eu om bro, assim , felizm ente, foi capaz de saltar para m eu cabelo logo que ouviu o m ovim ento no trinco.

– Já estava na hora – disse eu, irritada. – Tenho que ir ao banheiro.

– Por favor, siga-m e.

Segui-o pelo corredor até outra porta. Ele a em purrou para revelar um banheiro.

– Há um a escova de dentes e outros itens de que você pode precisar na prateleira.

Tentei não ficar brava com o suj eito. Eu sabia que não era culpa dele que eu estivesse ali, m as isso não j ustificava o fato de ele estar de acordo com m inha prisão.

– Eu não vou ficar aqui, sabia?

Ele só olhou para m im , sem expressão.

Passei por ele para usar o banheiro, sorrateiram ente colocando Tim no com partim ento a m eu lado para que ele pudesse se aliviar sem que o duende o visse. O suj eito ficou do lado de fora, dando-nos a privacidade de que precisávam os. Eu liguei a torneira e deixei a água correr, para que ele não nos ouvisse sussurrando.

– Há escutas neste lugar?

– Não.

– Você viu algum j eito de escapar no cam inho até aqui?

– Não.

– Eu tam bém não. Mantenha os olhos abertos. Olhe para trás enquanto estiverm os andando e vej a se encontra qualquer coisa.

– Ok.

Saím os pela porta. Tim se escondeu m ais um a vez em m eu cabelo.

O duende do bosque apontou para o sím bolo de um a seta na porta.

– Este é seu banheiro. Você conseguirá encontrá-lo por este sím bolo na busca de im agens.

Então, é assim que eles chamam aqui: busca de imagens. O mesmo feitiço que existe em nosso complexo. Arquivei a inform ação em m inha cabeça para m ais tarde.

– Com o faço para encontrar o cam inho de volta para m eu quarto?

Ele sorriu sem hum or.

– Você só vai conseguir encontrar um quarto. O seu. Nenhum sím bolo é necessário.

Babaca. Eu m e esforcei para não dizer em voz alta. Esse cara teria o que m erecia qualquer dia desses, quando os Fae da Luz chegassem e acabassem com todos eles.

Ele nos levou de volta ao nosso quarto, onde encontrei Ben esperando, sentado em m inha cam a de pedra. A porta se fechou atrás de m im e eu dei alguns passos antes de parar diante dele. Sorri com falsa alegria.

– Com o não é bom vê-lo!

Ben sorriu tam bém , m as parecia m ais um a careta.

– Pode se acostum ar com isso. Eu visitando-a. Parece que não consigo evitar.

– Ah, que bom.

Ben tinha um olhar distraído no rosto. Disse “Entre!” em direção à porta.

Um fae alto e m agro vestindo um a túnica cinza-escura abriu a porta. Entrou, acenando para Ben e agindo com o se eu não estivesse ali em pé diante dele.

Ben se levantou e olhou para m im . Sua expressão era totalm ente despoj ada de qualquer am abilidade.

– Jay ne, este é Leck. Ele é um irado. O trabalho dele é obter inform ações de você, e seu trabalho é entregá-las a ele. Sugiro que coopere. Será m ais fácil para todos dessa form a.

Olhei para ele, confusa. De que diabos ele estava falando? Que informação?

Ben m e lançou m ais um olhar intenso e, em seguida, foi para o canto da sala. Ele fez um sinal com a cabeça para Leck.

– Com ece.

Leck avançou com os olhos agora focados em m im . Não gostei do vazio que vi em seu olhar. Era com o se ele fosse um zum bi de cabeça oca ou algo assim . Foi assustador ver olhos da m esm a cor que os de Tony em um cara com o esse. Recuei, levantando lentam ente as m ãos sem nem perceber.

– Ouça, Leck, é m elhor você parar aí m esm o, porque se m e tocar, vai se m achucar.

Ele parou em m inha frente, a m ais ou m enos um m etro de distância.

– Sente-se.

– Não.

Eu m antive m inha posição, com o queixo ligeiram ente levantado, desafiadora. Por m im , este tal de Leck podia ir se danar.

Esse foi o últim o pensam ento claro que tive antes de a dor de cabeça com eçar.

– Por favor, sente-se.

Segurei m inha cabeça, tentando deter a dor que se espalhava por m eu crânio.

– Vá... se... foder...! – disse eu, ofegante.

– A dor não vai parar até que você obedeça. Sente-se.

Eu não queria m e sentar. Recusei. Mas a agonia era quase insuportável. Senti m eus j oelhos cedendo e m inhas pernas trem endo. Caí no chão, enquanto algum a parte profunda de m eu cérebro se assegurava de que eu não esm agasse o pobre pixie indefeso escondido em m eu cabelo.

Assim que atingi o chão, a dor dim inuiu e se reduziu a um a pulsação m onótona – ainda horrível, m as nada com o as agulhas de sofrim ento que antes estavam fincadas em m inha m assa cinzenta. Fiz algum as respirações curtas e superficiais, tentando m e livrar da dor e da náusea.

– Que tipo de filho da puta usa tortura para fazer um a pessoa se sentar?

Olhei para ele através de um véu de dor e vi que estava apelando para a pessoa errada. Ele não se preocupava nem um pouco com m inhas queixas. Olhei para Ben, ainda em pé no canto da sala.

– O que há de errado com você?

Ele deu de om bros, casualm ente.

– Você tem inform ações. Eu preciso delas. Pode m e entregá-las de bom grado ou vou arrancá-las de você. Você decide. Só sei que o resultado final será o m esm o.

– Eu não vou vender m eus am igos – rosnei.

Ben acenou para Leck.

A dor com eçou de novo; só um ligeiro aum ento, m as foi o suficiente para m e fazer perder o fôlego bruscam ente. Tentei não m e concentrar nela, m as era quase im possível. Estava consum indo cada pensam ento m eu.

Leck falou novam ente, com sua voz vazia.

– Diga-nos onde encontrar a entrada m ais próxim a do com plexo dos Fae da Luz.

Eu só olhei para ele e lhe lancei o olhar m ais suj o que consegui.

Ele esperou alguns instantes e em seguida piscou... lentam ente. Antes de seus olhos se abrirem com pletam ente, a dor floresceu por m inha testa.

Um gem ido escapou de m eus lábios antes que eu pudesse fechar bem m inha boca e im pedir que os sons saíssem . Baixei a cabeça, fechando os olhos com força, ouvindo o som da m inha respiração ofegante entrando e saindo de m eu corpo. Eu não podia contar a eles. Nuncanuncanuncanuncanunca...

– Diga-nos onde é a entrada m ais próxim a do com plexo dos Fae da Luz – disse ele em voz alta.

Sua voz cortou cam inho pela dor e espalhou algo que pareciam punhais de aço direto em cada hem isfério de m eu cérebro.

– Aaaaahhhhh! – era o único som que saía de m inha boca.

Em algum lugar ouvi a voz de Ben dizendo:

– Pegue leve, acho que ela vai dizer.

Ele parecia m uito confiante e im becil, e isso encerrou a negociação para m im . Eu desm aiaria por conta de um AVC gigantesco antes de lhe dar qualquer coisa que ele quisesse. Mesm o sendo tão ruim com o era, tudo que eu conseguia pensar era com o ele poderia ter feito isso com Tony ou qualquer um dos outros. Ele não tinha consciência. Rezei para o universo, ou qualquer pessoa que pudesse m e ouvir, para que eles não encontrassem Tim em m eu cabelo.

De repente, a dor clareou e não havia m ais estrelas caindo por m eu cam po visual.

– Olhe para m im – disse Leck.

Eu levantei a cabeça, m as m eus olhos se recusaram a abrir.

– Abra os olhos.

– Não consigo.

Foi a única coisa que consegui dizer.

Ele m e agarrou pelos cabelos no alto da cabeça, levantando m etade de m eu corpo e m e forçando a abrir os olhos com a outra m ão. Com ecei a lacrim ej ar im ediatam ente; até a luz fraca do quarto era dem ais para m im nesse m om ento. Acho que, de algum a form a, o noj ento havia feito que um a enxaqueca séria detonasse em m im . Seria ótim o para ele se eu tivesse um AVC ali m esm o no chão.

– Onde é a entrada?

Sussurrei a resposta, m as ele não conseguiu m e ouvir.

– O quê? Fale m ais alto.

Juntei toda a energia que ainda tinha e respondi gritando:

– EM SUA BUNDA, SEU SACO DE MERDA FLAMEJANTE!

A dor explodiu atrás dos m eus olhos quando ele soltou m eu cabelo e lançou outra torrente de castigo em m eu cérebro. O quarto ficou escuro e eu caí de volta no chão, ao lado da pequena poça criada pela goteira daquela caverna m olhada. A dor ia e vinha em ondas tortuosas, m ais e m ais, j untam ente com náuseas que podem ou não ter virado vôm ito no chão. Eu estava m uito alheia para saber ou m e im portar. Senti-m e em convulsão, e em seguida, um doce, doce relaxam ento conform e m inha m ente desaparecia. Meu últim o pensam ento consciente foi que m al podia esperar para afundar Blackie no coração vil e escuro desse cara. Aquele filho da puta ia se arrepender se eu saísse viva daquele lugar.