A Guerra dos Fae: Luz e Trevas
Capítulo 34
NOSSO GRUPO CORREU PELA FLORESTA NEGRA DE volta ao nosso com plexo o m ais rápido que nossas pernas nos perm itiram . Tim se agarrou a m eu cabelo para salvar sua querida vida, gritando em m eu ouvido por todo o cam inho.
– Arre, puro-sangue, eia! Ela está vindo! Ela vai m e dar de com ida para os ratos se m e pegar! Vai queim ar suas sobrancelhas! Vai colocar besouros escavadores em seus ouvidos! Ela vai...
Bloqueei o resto da ladainha de horrores. Ele estava roubando batim entos cardíacos preciosos de m eu sistem a cardiovascular sofredor, e eu precisava de toda m inha força para m exer m eu corpo lento até o com plexo.
O vento se agitava atrás de nós, j ogando folhas podres e pequenos galhos no ar, que espetavam nossa pele e turvavam nossa visão. Lágrim as escorriam por m eu rosto, e m eus olhos se esforçavam com o loucos para se livrar de toda a poeira e suj eira. Eu podia sentir Maggie tocando as linhas ley que atravessavam a floresta para operar sabe-se lá o que estava afetando o clim a. Experim entei pular para a linha enquanto corria, descobrindo que era capaz de bloquear seu fluxo enquanto fugia para salvar m inha vida.
Tome isso, seu saco velho! Eu havia ficado m ais forte que ela a esse respeito. Eu sabia agora que podia controlar quem tinha acesso às linhas. Eu podia sentir sua frustração, e depois, senti o sucesso de m eus esforços quando sua luta contra m eu dom ínio da linha ley cessou, e com ela, os ventos.
Chegam os à porta do com plexo em tem po recorde, todo o m undo se em purrando para entrar no corredor de um a só vez. Alguém bateu a porta atrás de nós e eu liberei o dom ínio sobre a linha ley. Um a vez lá dentro, param os de correr e ficam os ali por um m om ento. O corredor estava cheio de elfos suados e suj os respirando pesado, um a garota ofegante, um bruxo chiando e um pixie petrificado. Não sei quem com eçou a rir prim eiro, provavelm ente Falco, m as, poucos segundos depois de a porta se fechar, estávam os todos rindo e gritando – inclusive Robin. Nossa, com o era bom estar viva... E não apenas viva; era bom ter lutado para m e m anter viva e ter vencido.
Finn passou o braço sobre m eus om bros e m e abraçou apertado, enquanto ria.
– Você foi incrível, garota. Estou tão feliz por você ter aparecido naquele arm azém em Miam i naquele dia.
Eu estendi a m ão e lhe dei um soco de brincadeira no peito.
– Eu tam bém , Finnster, eu tam bém .
Os risos foram m orrendo e todos voltam os para as áreas m ais povoadas do com plexo.
– Finn, Tim e eu vam os ao escritório de Dardennes com nosso j antar. Quer vir? Vou fazer algum as perguntas sobre alguns desses Fae das Trevas e outras coisas.
– Eu não perderia isso por nada.
– Ótim o. A gente se vê lá, então. Vou m e lavar prim eiro.
– Parece um a boa ideia. Vou com você para os quartos.
Separam o-nos alguns m inutos depois, em m inha porta. Tim e eu passam os a m eia hora seguinte nos vestindo antes de descer para o j antar e conversando no quarto depois de tom ar banho.
– Então, o que aconteceu lá, afinal? – Tim perguntou. – Eu estava tão ocupado lutando pela vida que acho que perdi alguns detalhes. – Ele parou um segundo e depois continuou. – Você devia pedir a Netter para m e arranj ar um a sela.
Eu levantei a sobrancelha.
– Você deve ter “pixificado” seu próprio rabo se pensa que eu iria deixar você m e selar.
– Só até eu ter m inhas asas de volta...
– Que tal se eu usar um a sela quando você parar de usar xam pu.
Tim olhou para m im horrorizado.
– E virar um cabeça de gnom o? Nunca!
– Pois é. Então, j á sabe o que pode fazer com a sela. E para responder a sua pergunta sobre o que aconteceu, não sei de todos os detalhes, de verdade. Eu só estava agindo por instinto.
Ele bufou.
– Esse é um pensam ento assustador.
– Sim , sem brincadeira. Acho que o que eu fiz foi abrir os olhos da árvore. Bem , não que ela tenha olhos... m as sua m ente. Não sei se ela tem m ente tam bém . – Suspirei por conta de m inha incapacidade de m e expressar. – De qualquer form a, fiz que ela visse o que estava escondendo. Há m uita escuridão ali naquela parte da floresta. É com o um a m anta cobrindo tudo. Aquela árvore não via a luz havia um longo tem po.
– É por isso que é cham ada Floresta Negra, dã!
– Sim , eu sei disso. Mas por que é assim ? Quero dizer, por que escolher a escuridão quando se pode facilm ente optar por ser cheio de luz?
– Estou surpreso por você perguntar isso. Não acha que j á sabe a resposta? – Tim olhava para m im todo sério, e tentei evitar seus olhos.
Ainda bem que suas asas ainda não estavam totalm ente curadas, caso contrário, sei que ele estaria zum bindo ao redor de m eu rosto, recusando-se a deixar que eu desviasse o olhar.
– Que sej a. Acabei de m ostrar à árvore o outro lado da m oeda.
– Maggie vai ficar louca – disse ele com cuidado.
– Sim , e daí? Ela m e vendeu para os Fae das Trevas. Espero que a árvore chute a bunda flácida dela para fora.
– Ela não vai.
– Sim , eu percebi. Qual é a conexão dela com a árvore, afinal? Com o é que ela com eçou a viver ali, dentro dela, assim , e a árvore deixou?
– Você vai ter que perguntar a ela – respondeu Tim m isteriosam ente.
Eu não sabia se ele não queria dizer que não sabia; ou se só não ia m e contar.
– De j eito nenhum . Eu não vou chegar perto dessa puta velha ranzinza. Não nesta vida.
– Você esquece que isso é m uito tem po, agora que é fae...
– Não, não esqueço. Foi isso que eu quis dizer.
Tim suspirou.
– Você não quis dizer isso. Maggie pode ter nos vendido um a vez, m as ela nos aj udou tam bém .
– E daí? Ela é só um a bruxa estúpida. Vou procurar outra am iga bruxa para m e aj udar.
Tim subiu em sua cam a e com eçou a pular para cim a e para baixo no colchão.
– Com o quiser, chefe.
Ele parecia um m inim oleque de três anos saltando na diagonal, para a frente, para trás, para os lados, esticando seu corpo para obter o m áxim o de altura que podia, tentando rachar o ar.
– Que diabos você está fazendo?
– Treinando.
– Treinando para quê? O circo? Existe circo pixie?
A im agem de Tim com um a roupinha de palhaço era quase dem ais. Fiquei im aginando se poderia pedir a Netter para nos arranj ar um pequeno traj e de palhaço, com um nariz verm elho m inúsculo e sapatos m olengas...
– Não, sua espertinha, não estou treinando para o circo, e não, não existem circos de pixie. Nós não nos ligam os em idiotice gratuita.
– Você quase m e enganou com essa – m urm urei baixinho.
– O quê? – disse ele sem fôlego enquanto continuava pulando com o um louco.
– Eu disse, está pronto para j antar?
– Sim ... deixe só eu term inar... este m ovim ento...
Ele tom ou um últim o im pulso feroz no colchão, lançando-se no ar, tentando fazer algum tipo de cam balhota. Mas eu pude ver no m eio da m anobra que não ia conseguir. E eu estava m uito longe para aj udá-lo, do outro lado do quarto.
Vi seu corpo se arquear bem lentam ente sobre a cam a e em cim a da côm oda, em traj etória direta para o frio chão de pedra. Soube nesse m om ento que ele estava prestes a se espatifar e que não havia nada que eu pudesse fazer para detê-lo.
Meu coração gritou algum tipo de oração desesperada e louca no éter; eu nem sabia o que era, aconteceu tudo tão rápido. O Verde passou por m im e se lançou por m inhas m ãos estendidas, que estavam congeladas no lugar, j á que eu involuntariam ente as esticara tentando alcançar e salvar Tim do outro lado da sala. Meu peito parecia que ia rebentar com o fluxo de energia que passava através de m im .
Ele atingiu Tim com o um raio laser, capturou-o no ar e o suspendeu acim a da pedra fria. Ele ficou flutuando em um a bolha verde radiante por alguns segundos até que pareceu se equilibrar, com as m ãos para cim a e para a frente com o se estivesse sentindo as paredes.
O olhar em seu rosto era típico de Tim . Por um a fração de segundo houve pânico... E depois, alegria absoluta. Eu podia ver sua boca se m ovendo, m as m al podia ouvir suas palavras. Ele parecia estar debaixo d’água. Continuou fazendo m ovim entos parecidos com saltos dentro da bolha, com o se quisesse ir para algum lugar. A bolha se esticava e se m ovia para acom odar seus m ovim entos.
Minhas m ãos ainda estavam à frente, m ais devido ao instinto que qualquer outra coisa. Eu não tinha nem a m ínim a ideia do que estava fazendo ou o que deveria fazer em seguida. Fiquei só observando Tim e suas travessuras loucas dentro da bolha. Ele fez um gesto em direção ao seu quarto situado na côm oda.
Finalm ente encontrei m inha voz de novo.
– Quer que eu o leve para a côm oda?
Ele acenou com a cabeça furiosam ente e saltou para cim a e para baixo um pouco m ais, tudo ao m esm o tem po, e ainda gritando até quase explodir sua cabeça idiota de pixie.
– Eu não consigo ouvi-lo, idiota. Espere um segundo.
Eu estava com m edo de deixá-lo cair. Não fazia ideia de onde esse poder vinha e com o eu o estava controlando. Eu o controlava ou ele me controlava? Eu não m e lem brava de ter pedido a’O Verde para aparecer, o que era algo que eu norm alm ente tinha que fazer para que coisas rem otam ente parecidas com isto acontecessem . Olhei para a luz verde saindo de m inhas m ãos e o cam inho que levava até Tim . Não estava m e m achucando ou m e cansando m antê-la fluindo, m as eu não tinha ideia de com o ela com eçara ou de com o desligá-la. Concentrei-m e em m eu interior, na conexão com a fonte dessa corrente de luz, tentando descobrir com o poderia controlá-la ou, pelo m enos, influenciá-la.
Senti algo diferente ali n’O Verde nesse m om ento. Eu não conseguia tocá-lo, no entanto. Não eram trevas, m as não era a pura luz clara d’O Verde tam bém . Lem brava-m e algo velho... algum a coisa... profunda e m isteriosa... com o a Anciã.
Algo da árvore havia passado para m im ? Ou será que de algum a form a ela entrou n’O Verde quando eu os conectara? Porra, eu queria não ter prendido Maggie em sua casa e a irritado, para poder perguntar isso a ela. Suspiro. Outra ponte queim ada. Eu ia ter que parar de fazer isso em algum m om ento da vida, especialm ente agora, que ia ser tão longa. Espero... Acho que sem pre havia a chance que m inha total falta de conhecim ento do que eu estava fazendo pudesse se voltar contra m im , tornando-m e um dos fae de vida m ais curta da história. Esperava que não fosse nesse dia.
– Aguente aí, Tim . Estou tentando entender essa coisa.
Concentrei-m e na essência m ais profunda que estava com igo nesse m om ento. Pensei em com o antes eu tivera m eio que um a queda de braço com a Anciã para que ela fizesse o que eu queria e aceitasse o que m e parecia a verdade inevitável. Esse novo fluxo que eu estava sentindo precisaria de um a m ão m ais firm e do que eu estava acostum ada a usar em m inhas conexões.
Já m ais segura, um a vez que resolvi subm eter a luz à m inha vontade, ela respondeu. Movi as m ãos lentam ente para a esquerda, orientando a bolha com o pixie até a côm oda. Logo Tim estava suspenso acim a de sua cam a. Estava pulando para cim a e para baixo, excitado, o que estendia a bolha longitudinalm ente. Ele estava com pletam ente desinform ado do fato de que eu estava preocupada de acabar j ogando-o no esquecim ento com cada m ovim ento m eu.
Muito bem, e agora? Eu podia sentir que O Verde queria ficar com igo. Era com o um filhote de cachorro ansioso arrastando a guia. Deixei de lado os pensam entos sobre quanto trabalho e dificuldade traz um filhote de cachorro ansioso. Tinha que dom ar esse infeliz ali e im ediatam ente, ou seria um pesadelo am bulante para os Fae da Luz; com o se j á não fosse suficiente eu colocar as pessoas em com a e lançar flechas pela floresta com o drones m ilitares.
Torci a luz verde em m inha m ente, exaurindo-m e com o esforço. Eu podia ver a bolha ficando m ais fina, m as Tim ainda perm anecia lá dentro.
Houve um a batida na porta, m as eu não queria correr o risco de quebrar m inha concentração, de m odo que ignorei. Pude ouvir o ranger da porta se abrindo e depois a voz de Becky.
– Uuaaauuuuuu, isso é incríííveel. Com o você fez isso?
– Não faço ideia. E não consigo desligar – disse eu, nervosa.
– Oh. Bem , isso é um problem a, não é?
– Sim , um a m erda. Algum a ideia?
Olhei para ela brevem ente enquanto se aproxim ava alternando olhares nervosos entre Tim e eu.
– Talvez você pudesse, sei lá, abaixar os braços...
Com ecei a m exer as m ãos para os lados e a bolha saltou descontrolada, fazendo Tim bater de um lado a outro lá dentro. Ele lutou para se levantar, todo irritadinho porque bagunçara seu cabelo. Alisou-o enquanto m e olhava feio.
Coloquei as m ãos de volta em posição, certificando-m e de que Tim estava m ais um a vez suspenso sobre sua cam a.
– Algum a outra grande ideia?
– Ei, não j ogue sua raiva em m im , só estou tentando aj udar.
Ela m e m ostrou a língua.
– Tente m ais, m enina H2O, meus braços estão ficando cansados.
– Vou cham ar alguém . Já volto.
– Quem você vai cham ar? – gritei, m as ela j á havia ido em bora, desaparecendo no ar, provavelm ente só para m e irritar.
Ela sabia que eu tinha invej a de suas loucas habilidades de teletransporte.
Becky estava de volta em m enos de um m inuto.
– Ela vai chegar aqui em um segundo.
– Quem ? – perguntei, desconfiada.
Mas, então, eu soube. Meu quarto, que era totalm ente fechado para o m undo exterior, de repente estava cheio de vento.
– Que diabos você fez, Becky? – sussurrei com raiva.
Um m initornado surgiu no ar fino perto do teto e, em seguida, pousou a m eu lado. Seus giros foram dim inuindo de velocidade até que pude ver Céline tom ando form a.
Olhei para m inha am iga.
– Essa foi a m elhor ideia que você teve? Dedurar-m e?
Becky revirou os olhos.
– Eu não a dedurei. Céline vai aj udá-la, e não puni-la. Ela gosta de você, idiota.
Então, Becky tentou m e cegar com um sorriso tão brilhante que poderia bloquear o sol.
Eu só balancei a cabeça para ela.
– Tanto faz.
Malditos espíritos felizes da água.
O Verde aguentava firm e e forte. Nem m eu nervosism o por Céline estar ali teve algum efeito sobre ele. Tim se sentou na bolha com as pernas cruzadas. Eu podia perfeitam ente im aginá-lo ali dentro segurando um saco de pipoca no colo. Minhas asneiras eram entretenim ento total para pixies.
– Jay ne – disse Céline, parecendo um pouco surpresa –, olá.
– Oi.
Tentar agir casualm ente enquanto se segura um raio de luz verde que term ina em um a bolha com um pixie preso dentro é im possível.
– O que é que tem os aqui? Ou você não sabe?
Ela olhou para Becky, que eu podia ver pelo canto do olho que balançava a cabeça e m urm urava a palavra “não”.
– Bem , o que tem os aqui é que fui salvar Tim e depois fiquei presa no “m odo salvação”.
– Ah, sim . Estou vendo. E você precisar de aj uda para... digam os assim , desligar a energia?
– Sim . Isso é exatam ente o que necessito.
Eu j á m e sentia m elhor, depois de ter definido o problem a.
Céline olhou para a bolha e depois para m im . Eu tentei sorrir, m as tinha m uito m edo de que Tim ficasse para sem pre preso em um a das m inhas asneiras.
– Vam os tentar isto... Tente se concentrar em outra coisa, em vez de pensar n’O Verde, em outra coisa ou outra pessoa. Com o seu am igo Tony, por exem plo.
Dizer era m ais fácil que fazer. Tentei pensar em outra coisa, m as m eu pânico aum entaria assim que eu visse a bolha com eçar a se m over. Eu estava com m edo de que Tim com eçasse a voar ao redor da sala e se espatifasse em um a parede.
– Não posso. Continuo pensando que a bolha vai se afastar de m im e não vou saber pegá-la de novo. Nem a Tim .
Um a batida na porta tirou m inha atenção. Senti Becky sair de m eu lado e abrir a porta atrás de m im . O som da voz de Spike encheu a sala.
– Muito bem ... o que tem os aqui?
Becky falou em voz baixa.
– Ela está presa. Não consegue soltar.
Spike postou-se atrás de m im e falou baixinho em m eu ouvido.
– Fez m erda de novo, não é verdade, Problem a?
– É. Pode-se dizer que sim .
Spike se dirigiu a Céline.
– Então, qual é a boa? Você vai tirá-la dessa confusão?
– Estou tentando – respondeu ela com frustração na voz. – Mas receio estar um pouco fora de m eu elem ento. Sou apenas um a serva do Vento. Eu não o com ando. Ela tem um controle m uito m aior aqui do que aquilo com que estou fam iliarizada.
– Deixe-m e tentar.
Olhei para Céline perguntando se ela ficaria bem com um a criança trocada íncubo se m etendo onde ela havia fracassado. Eu não devia ter m e preocupado, porque Céline não se im portava com ego ou status.
– Por todos os m eios – ela apontou para m im –, vej a o que você pode fazer.
Spike deu a volta para ficar onde eu poderia vê-lo. Ele era tão ridiculam ente bonito que eu m al suportava olhá-lo. Toda a tensão sexual fez a bolha com eçar saltar de novo, e Tim parecia um pouco em pânico. Ele ergueu as m ãos, firm ando-se contra o brilho verde curvo enquanto lançava olhares preocupados para nós.
Spike sorriu para m im .
– Ei, querida, você está bem ?
Ele estendeu a m ão e acariciou m eu braço, provocando-m e arrepios na espinha. O brilho verde se intensificou.
– Não estou tão certa de que essa é a m elhor abordagem , Spike – alertou Becky. – Você está piorando as coisas.
– Shhhh... Só vou guiá-la em um pequeno exercício que os íncubos usam para m elhorar o foco, tudo bem ?
Balancei a cabeça, não confiando em m im m esm a para falar. Se esse exercício com foco incluísse ele ficando m ais perto ou m e tocando m ais, teríam os um problem a.
– Tudo bem . Agora, olhe para a luz verde em suas m ãos. Bloqueie as visões de qualquer outra coisa. Concentre-se apenas na luz.
Dei o m eu m elhor para fazer o que Spike estava dizendo, m as ele estava m uito perto. Visões de luzes verdes guerreavam com visões de Spike sem cam isa... de Spike se inclinando sobre m im ... Spike m e beij ando.
A luz verde ficou m ais brilhante novam ente, e a bolha m ais escura. Tim estava acenando com as m ãos, gesticulando para eu parar.
Suspirei, frustrada.
– Isso não vai funcionar se eu puder vê-lo ou ouvi-lo, Spike.
Spike se afastou e sussurrou algo para Becky. Ouvi-a dizer:
– Eu j á volto.
– Becky vai buscar Valentine – disse Spike. – Ele vai ser capaz de aj udá-la.
Ah, ótim o. O m entor de Spike. A últim a vez que eu o vira em ação, ele quase drenara a energia vital de Chase.
Spike ficou fora do m eu alcance visual, m as eu sabia que ele ainda estava lá. Mantinha m inha luz brilhando intensam ente.
A porta do quarto se abriu com um estrondo e em seguida pude ouvir Valentine atrás de m im .
– Ah. Meu. Deus. Em que você se m eteu agora, doçura?
– Estou m eio presa. Spike disse que você pode m e aj udar a m e concentrar e m e tirar dessa disputa.
Valentine se dirigiu a Spike.
– Com o é que você não conseguiu, queridinho?
Spike pigarreou, constrangido.
– Ela não consegue se concentrar direito quando estou por perto.
– Tsc, tsc. Am or j ovem . Sem pre interferindo no fluxo. Quantas vezes eu lhe disse? Não há espaço para o am or na vida de um íncubo.
Antes que Spike pudesse responder a essa interessante inform ação que eu estava tentando não deixar que m e incom odasse, Valentine se aproxim ou de m eu om bro.
– Muito bem , gracinha. Eis o que você vai fazer. Concentre-se na luz verde adorável que está saindo de suas m ãos. Concentre-se nisso e nada m ais. Ouça m inhas palavras, m as, faça sem pensar em m im . Sei, eu sei... Com o é que você vai parar de pensar em Valentine? Com o alguém poderia? Acredite, m enina, eu ouço o que você está dizendo. Mas tente. Tente com força.
Eu podia ouvir Becky bufando atrás de m im , e isso m e fez sorrir.
– Juntou-se com a luz bonita. Mmm-hmmm, é isso aí, é só você e o poder. Nada m ais im porta. Com ungue com ele. Misture-se a ele. Receba-o dentro de você. Ele é você e você é ele. Vocês são um .
Enquanto suas palavras zum biam em cim a de m im , eu m e senti entrando em um reino m ais focado. Agora podia sentir o fluxo de energia e com o ele continuam ente corria através de m im sem ir em bora.
– Quando estiver totalm ente conectada m entalm ente, pegue esse fluxo e puxe-o de volta para você. Mostre quem é que m anda. Mande-o vir. Você está no com ando, querida, você é o capitão desse navio. Mostre a ele seu vigor. Não segure nada. Você é a rainha da luz verde. Esta é sua casa.
Eu sou a chefe, eu sou a chefe. Volte para cá, luz verde. Não me faça colocar orcs em volta de sua maldita árvore.
Não sei se esse últim o pensam ento foi o que fez efeito, m as, de repente, senti um a m udança no poder. Agora O Verde não estava fluindo através de m im ... Eu estava fluindo através dele. Irresistível. Controladora.
Movim entei as m ãos até que Tim ficou distante apenas um pé de pixie acim a de sua cam a. Então, visualizei-m e pegando o fluxo e em purrando-o de volta para o chão em baixo dos m eus pés e através do andar de baixo.
Com o se eu houvesse desligado um interruptor de luz, o brilho verde sum iu, levando a bolha consigo. Tim caiu direto em sua cam a, onde saltou um a vez e, em seguida, sentou-se com as pernas cruzadas e os olhos arregalados. Isso durou cerca de um segundo antes de ele se levantar e com eçar a gritar.
– Whooooo hoooo! Isso foi incrível! Faça de novo!
Fui até ele rapidam ente, fixando nele um olhar furioso.
– Pare de ficar pulando feito um pixie porra louca antes que aperte o gatilho de outra bom ba nuclear.
Tim parou de pular e fez beicinho para m im .
– Desm ancha-prazeres.
– Desm ancha-prazeres, um a ova! Você não percebe que isso foi sério?
Becky se aproxim ou e tocou m eu braço.
– Está tudo bem agora, Jay ne. Relaxe. Tim está bem .
– Sim , m as...
Eu não podia colocar em palavras o que estava pensando. Não conseguia afastar as im agens de Tim sendo frito ou explodido por um fluxo de energia que saía de m im e que eu não podia controlar. Meus outros erros com O Verde eram diferentes. O poder parecia m ais passivo. Só deixava as pessoas indiferentes e felizes. Mas esse era quase agressivo. Eu tinha m edo do que ele poderia fazer se saísse pela culatra.
Spike pegou m inha m ão e m e puxou para si, achatando-m e contra seu peito.
Céline falou:
– Bem , se não sou m ais necessária aqui, vou j antar. Acredito, Jay ne, que você vai se j untar a Anton em sua sala, certo? Será que a verei lá?
Balancei a cabeça, incapaz de falar, pois respirava o cheiro de Spike e ele estava olhando dentro dos m eus olhos com um sorriso sexy no rosto. Eu podia ver seus dentes brilhando por trás de seus lábios.
Valentine quebrou m eu torpor, que estava ficando quente dem ais, dizendo:
– Muito bem , queridinhos, posso ver que vocês não precisam m ais de m im . Vou deixá-los com seu am or sem sorte. Au revoir.
Balancei a cabeça para tirá-la da terra de Spike por um segundo, olhando enquanto ele se afastava.
– Obrigado, Valentine. Agradeço sua aj uda.
– Oh, não foi nada. Você fez bem . Acho que você teria sido um a súcuba absolutam ente divina. Tanto controle... tsc, tsc...
E então ele se foi, fechando a porta atrás de si.
– Então, gente, hora do j antar, certo? – disse Becky, inj etando falsa alegria em sua voz.
– Sim – Tim concordou. – Hora de j antar, não de trocar saliva!
Virei-m e e fiz um a careta para ele.
– Só m ais um a coisa, Tim . Diga só m ais um a coisa.
Ele m ostrou a língua para m im e se sentou em sua cam a, colocando os m ocassins de volta.
– Estou com fom e. Estou autorizado a dizer isso? Ou você vai m e colocar dentro da bolha de novo?
Revirei os olhos e respirei profundam ente para m e acalm ar.
Spike estava sorrindo para nós.
– O que ele disse?
– Ele está com fom e. E fica irritado quando está com fom e. – Olhei para Tim quando term inei. – Por isso não vou apertar a bunda dele, com o ele m erece.
Fui recom pensada com um peido de pixie.
Em purrei Spike para longe, totalm ente sem clim a para rom ance.
– Obrigada por tudo, Spike.
Ele estendeu a m ão para m e puxar de volta.
– Que tal um beij o pelo... sucesso.
Olhei para ele com o se fosse louco.
– Não. Por algum a razão, graças a Tim , eu não estou de bom hum or.
Spike franziu o cenho, brincando.
– Talvez m ais tarde.
Seu sorriso voltou.
Becky pegou m inha m ão.
– Vam os lá, m enina am ante, vam os em bora.
– Espere um segundo. – Puxei-a com igo para a côm oda. – Suba, Tim . O trem do j antar está saindo.
Ele pulou da cam a e correu para subir em m eu om bro, segurando um punhado de cabelo um pouco grande dem ais.
– Eu avisei, Tim .
– Tudo bem .
Ele dim inuiu a força com que segurava m eu cabelo.
– E nem sequer pense no que você está pensando, ou você vai andar no sapato.
Eu nunca fizera isso com ele antes, m as faria. Mais um peido de pixie e ele estaria ferrado.
– TThhhpppt. Talvez você deva fazer um pouco de am orzinho m olhado woo-woo com Spike. Vai anim á-la.
Não m e dignei a responder a sua sugestão, possivelm ente porque um a parte de m im concordava. Mas eu não podia confiar em m im para lidar bem com isso, e nem sabia m ais se era seguro para Spike. Quem sabia? Eu poderia acidentalm ente colocá-lo em um a bolha e depois não ser capaz de tirá-lo. Ele m orreria de fom e lá.
Tentei não pensar m ais no assunto enquanto nos dirigíam os porta afora para pegar um pouco de com ida e ir ao escritório de Dardennes.