A Guerra dos Fae: Luz e Trevas
Capítulo 32
TIM E EU FOMOS PARA O RECINTO de treinam ento dos elfos verdes com o ordenado pelo Sargento Durão, Tony. Durante as três horas seguintes, Finn e seu grupo nos m ostraram com o faziam rastream ento e caça. Tim lam entou em várias ocasiões ainda não ter suas asas de volta, pois estava preso a m eu om bro o tem po todo. Suas asas eram m ais que tocos agora, m as ainda m enos de um terço do tam anho norm al.
Eu aprendi algum as noções básicas sobre não quebrar galhos ou perturbar a vegetação rasteira ao cam inhar, e com o reconhecer sinais de que os elfos verdes estavam na área. Aparentem ente, usavam algum as m arcações tem porárias sobre as árvores e na terra que só eles eram capazes de reconhecer, para se com unicar uns com os outros. Aprendi tam bém os m arcadores de flecha de penas para cada elfo – todos eles tinham padrões únicos de penas, o que fazia suas flechas fáceis de distinguir. Bem , fácil para eles. Acho que depois de um a aula de um a hora eu estava apenas com eçando a ter um a ideia de tudo aquilo; e, a seguir, era hora de m udar de posição. Agora era a m inha vez de falar com eles sobre as vulnerabilidades de um elem ental.
Durante o alm oço, Tim , Finn e eu havíam os tentado nos concentrar nas vezes que víram os Ben em ação para descobrir se ele tinha pontos fracos. O problem a era que o único fae com quem j á o havia visto lutar era Tim . E em cerca de um segundo da am eaça de Tim , Ben havia levantado um dedo, disparado um raio de laser de fogo e arrancado a asa de Tim , lançando-o em um a espiral de m orte.
Por j á ter ficado perto de Ben, eu sabia que ele podia ficar m uito quente – literalm ente –, m as não sabia o que ele poderia fazer com o calor além de canalizar um a parte dele em um feixe de luz destrutiva. Devia j ogar um a bola de fogo gigante em qualquer um que o deixasse puto... m as, o que m ais? Parecia um pouco inj usto. Se eu ficasse com raiva, poderia j ogar um a grande bola de m aterial verde brilhante em alguém e lançá-lo em um esquecim ento tipo com a. Ben podia incinerá-lo com um feixe focalizado de fogo do inferno. Isso m e fez lem brar dos j ogos de futebol no ensino fundam ental; ele seria o prim eiro escolhido para o tim e, e eu a últim a.
Olhei para os elfos verdes que se reuniram em torno de m im e m e perguntei se estavam chateados por estarem presos a m im , em vez de Ben. Mas nenhum deles parecia desapontado, e isso m e fez querer trabalhar m ais para fazê-los felizes. Eles olhavam para m im com extrem a atenção, à espera de ouvir o que quer que eu tivesse a dizer – até m esm o Finn, que j á conhecia praticam ente tudo sobre m im . Eu sabia que eles estavam esperando que eu os preparasse para a guerra que estava por vir. A ideia de que Ben poderia fazer algo para ferir esses hom ens e m ulheres, que dependiam de m im para m antê-los seguros e ensinar-lhes habilidades, ia além do estressante. O m anto de responsabilidades sobre m eus om bros era tão pesado que era difícil m e concentrar. Eu estava preocupada em estragar tudo. Eu podia im aginar o sorriso de escárnio no rosto do m arido de m inha m ãe. Afastei essa visão doentia o m ais longe que pude.
– Eu gostaria de ter m ais a dizer. Nunca vi Ben fazer nada além de crescer com fogo, derrubar um pixie e viaj ar com o vento.
– O que quer dizer “crescer com fogo e derrubar um pixie”? – perguntou um dos elfos.
Os olhos de todos os elfos se voltaram para Tim sentado em m eu om bro. Eu nem precisava vê-lo para saber que ele estava todo vaidoso. Sim , pessoal, ele havia sido derrubado e sobrevivera. Um super-herói.
Expliquei:
– Bom , quando Ben ficou com raiva de m im , com eçou a erguer um inferno ao seu redor. Aquilo ficou m uito quente e forte, e acabou cobrindo-o totalm ente. Tim ia atacá-lo, então Ben atirou em um a de suas asas.
Alguns dos elfos se encolheram , lançando olhares de sim patia para Tim .
– Ele não se queim ou? – perguntou um dos elfos m ais j ovens, o que lhe valeu um soco no om bro dado por um dos seus am igos.
Finn nem sequer olhou para ele, apenas revirou os olhos.
– Quem ? Tim ?
Parecia um a pergunta boba. Ele não tentara esconder seu toco enegrecido desde que havíam os voltado. Na verdade, seria m ais correto dizer que ele o exibia com o um pequeno distintivo de coragem preto.
– Não, Ben.
– ...Não. Dava para sentir o calor, m as não fui queim ada, nem nada perto dele, exceto Tim . Acho que ele pode controlar o que queim a ou não... qualquer um e tudo, e não apenas a si m esm o.
– Ele a torturou com fogo? – perguntou outro elfo.
– Não.
Mas poderia, o que era algo que tam bém estava m e incom odando. Eu senti que precisava dizer algum a coisa sobre isso, m esm o que parecesse estar defendendo-o.
– Ele poderia ter torturado, com certeza, m as não o fez. Ele parecia se segurar para não fazer isso. Eu tenho a sensação de que ele não queria m e m achucar.
– Pensei que foi ele quem ordenou sua tortura – disse Robin, o chefe dos elfos verdes.
– Foi ele, sim . Mas não sei se ele é o único responsável por lá. Acho que aquela elfa de prata, Maléna, era quem m andava, e ele estava seguindo suas ordens, pelo m enos na cela onde eu estava.
Houve alguns resm ungos. Pelos olhares que eu vi em volta, pude notar que ela não era desconhecida, pelo m enos por alguns deles.
– Quem é ela, afinal? – perguntei.
– Você não sabe? – perguntou Robin.
– Não. Deveria?
Robin coçou o queixo, pensando em sua resposta.
– Acho que você deve conversar com Céline ou Anton sobre Maléna. Eles estão m ais bem preparados para lhe dar inform ações que qualquer um aqui.
Ele olhou para o grupo e todos olharam para baixo.
Acho que isso significava que eu não ia arrancar qualquer inform ação deles. Droga. Eu odiava falar com Dardennes; m as talvez pudesse encontrar Céline quando ela estivesse sozinha. Eu teria que falar com Tim m ais tarde e ver se ele tinha algum a ideia. Ou talvez Tony soubesse quem era Maléna e eu pudesse evitar os m em bros do Conselho.
Afastei esses pensam entos e continuei com m inha palestra.
– De todos os Fae das Trevas que conheci, o único que m e pareceu m uito m alvado foi Leck, o Irado.
– Por que só ele? – perguntou Robin.
– Porque ele era o único que parecia gostar de m e fazer m al. Não tenho certeza, m as acho que ele m e fez um a visita depois de m eu interrogatório e tortura oficiais, para fazer um pouco m ais... só para se divertir, ou para ganhar um crédito extra.
Vi o j ovem elfo se curvar para seu am igo e dizer em voz baixa:
– O que ela quer dizer com “crédito extra”?
O elfo m ais velho em purrou-o, sussurrando espalhafatosam ente:
– Cale a boca, Falco, e escute!
Olhei para Finn e vi que ele estava tentando não rir, esticando o rosto para parecer o m ais sério possível. Parecia que estava com dores de gases. Queria m e lem brar de lhe dizer isso m ais tarde.
O suj eito ansioso, Falco, fez-m e lem brar de Scrum , por isso tive pena dele e respondi.
– Acho que ele estava esperando obter algum tipo de inform ação de m im que pudesse levar a seus chefes para que eles pensassem que ele era incrível. Tipo um algoz excelente.
– Ohhhh, entendi – disse o elfo, e se esquivou quando viu o am igo que ia em sua direção novam ente.
Decidi expressar m eus pensam entos sobre o cenário de tortura para o elfo verde m ais velho e m ais sábio que eu conhecia. Talvez ele tivesse um a explicação que m e deixasse feliz.
– Robin, o que você acha disso, de apenas um dos Fae das Trevas tentar m e m achucar? Todos os outros poderiam , m as não o fizeram . O que acha que isso significa?
Robin deu de om bros.
– Os elfos cinzentos são m ais sábios que eu nos cam inhos da guerra.
– Eu sei que eles são os nerds, m as quero saber sua opinião.
Robin ergueu as sobrancelhas, confuso, com o se isso fosse estranho para ele – alguém querer sua opinião. Mas, depois de alguns m om entos de reflexão, respondeu.
– Bem , é curioso. Mas há m uitas respostas possíveis. Podem os dizer que eles queriam m antê-la viva e consciente, de m odo a tirar o m áxim o de inform ação possível de você. Ou que iam fazer m ais, m as você fugiu antes. – Ele hesitou antes de m e oferecer sua últim a teoria. – Ou talvez eles não a torturaram porque não viam valor nisso.
E era isso que m e incom odava, acho. Porque eu tinha a m esm a teoria.
– Isso parece coisa nossa.
Robin deu de om bros.
– Eles são com o nós. Afinal de contas, som os todos fae.
– Sim , m as eles não deveriam ser os bandidos obcecados em dom inar o m undo?
Robin inspirou e expirou lentam ente antes de responder.
– Eles têm opiniões diferentes sobre qual deveria ser nosso lugar no m undo, m as não creio que dom inação do m undo sej a um a boa descrição para seus obj etivos.
– Bom , preciso que alguém desenhe para m im , então, porque estou m eio confusa.
– Fale com os elfos cinzentos. Eles podem explicar m elhor que eu.
– Estou pensando nisso.
Som ado a m inha m issão de descobrir o m istério de Maléna, agora tinha o dilem a de descobrir o que exatam ente esses suj eitos estavam querendo.
Tim deu um ronco falso m uito alto em m eu ouvido. Aparentem ente, eu estava ficando m uito chata. Ele deve ter ficado feliz quando m inha próxim a pergunta foi interrom pida por um Falco ansioso, m ais um a vez incapaz de se controlar e agir com o um elfo verde adequado e reservado.
– Quando vam os ver seus poderes e tentar trabalhar com eles?
– Estarei pronta quando vocês estiverem – fitei Robin com um olhar severo –, m as espero que isso não envolva ser atacada com flechas, porque não sei se vou ser capaz de evitar m andar todos vocês para seus lugares felizes novam ente.
Robin abriu um sorriso raro.
– Eu lhe asseguro; não vou dar ordens para atirar hoj e. Pedi especificam ente às bruxas que nos fornecessem um cam po de treinam ento seguro para nosso trabalho esta tarde.
Olhei em volta.
– Elas estão aqui agora?
– Não. Mas se alguém tentar m exer com seus feitiços, elas virão.
– Ok, então – esfreguei as m ãos. – O que você quer que eu faça?
– Frite-os! Mande esses elfos para O Verde! – gritou Tim alegrem ente.
– Shhh! – disse eu de canto de boca, e sorri para o grupo para que não pensassem que eu estava louca.
Mesm o que eles estivessem cientes de que eu podia ouvir Tim , sabia que parecia estranho, com o se eu estivesse sem pre falando sozinha.
Robin estava distraído dem ais para notar. Estava tentando se m ostrar legal, m as não dava m uito certo.
– Bem , esperávam os que você pudesse trabalhar conosco para encontrar um a m aneira de usar seu poder sobre O Verde para m elhorar o que fazem os.
Seus olhos brilhavam de expectativa.
– Com o?
– Bem , nosso trabalho se centra na caça, rastream ento e luta com arco e flecha. É todo feito na floresta, e seu poder está focado nela. Então, talvez haj a um a m aneira de m elhorar nossas habilidades por m eio de sua conexão com O Verde.
Eu não sabia onde ele queria chegar, m as senti que precisava esclarecer algum as coisas.
– Só para que saiba, m eu poder não está necessariam ente focado na Floresta Verde. Eu extraio energia das árvores e outras coisas, m as a conexão é com tudo, em todos os lugares. A vegetação, as criaturas, os espíritos, as m em órias. Aqui e em toda parte. Acho que está m ais ligado à Terra com o um sistem a com pleto, e não apenas à própria floresta.
Robin e m uitos outros balançavam a cabeça enquanto consideravam o que eu dizia. Falco falou.
– Isso é m uito m aior do que eu pensava. Com o consegue lidar com tanto poder? É com o se você fosse explodir ou ser absorvida por ele.
Tanto seu am igo quanto Finn abaixaram a cabeça, sacudindo-a lentam ente de um lado para o outro. Aparentem ente, Falco era um a causa perdida.
Eu sorri para ele.
– É grande, e não sei com o lido com ele. Nem sei se j á m ovim entei m ais que apenas um pouco dele. Puxo o que necessito. Honestam ente, não sei com o faço isso ou com o regulo a quantidade. Sim plesm ente acontece. – Dei de om bros, um pouco envergonhada. – Desculpe, não posso descrever m elhor que isso. Eu sou nova nisso.
Isso m e valeu alguns sorrisos dos elfos, especialm ente de Falco. Ele deve ter se sentido m elhor sabendo que não era o único idiota por ali.
Olhei para o m ar de rostos ansiosos a m inha frente.
– Eu trabalhei com Céline um a vez e consegui isolar sua energia na m istura. Gostaria de tentar algo assim ? – perguntei.
– O que acha que poderia conseguir com o isolam ento de energia? – perguntou Robin.
– Não sei. Talvez, se eu conseguir encontrá-los na conexão, possa canalizar parte de m eu poder em vocês – era um a ideia, de qualquer m aneira.
Robin deu de om bros.
– Estou disposto a tentar. Mas não sei se é sábio envolver todo o grupo. Apenas no caso de algo... não sair com o o planej ado.
– Não dar certo, você quer dizer.
Robin inclinou a cabeça para m im , m antendo-se calm o. Ele era educado.
– Ok, quem vai ser m eu porquinho-da-índia?
– Com o? – perguntou Robin, confuso. – Você quer trabalhar com um porco?
– Não, é só um a expressão! E não é um porco... Quem é o elfo que vai tentar fazer isso com igo?
Falco deu três passos de gigante para a frente, de m odo que ficou na frente de Robin.
– Robin, eu gostaria de ter a honra.
O am igo de Falco chegou em purrando os outros elfos para segurá-lo pelo om bro e puxá-lo de volta.
– Minhas desculpas, Mãe, ele não sabe seu lugar.
Estendi a m ão e segurei a de Falco, puxando-o de volta para m im , envolvendo-m e tem porariam ente em um cabo de guerra com o elfo.
– Prim eiro de tudo, não m e cham e assim , ou vou lhe dar um tapa, seu bobo. E em segundo lugar, Falco pode fazê-lo tão bem quanto qualquer um , a m enos que Robin tenha algo contra.
Robin ergueu as sobrancelhas, m as deu um passo atrás, acenando com a cabeça novam ente. Os outros elfos aproveitaram a deixa e tam bém recuaram alguns passos.
Falco estava em polgado, praticam ente pulando de entusiasm o.
– Deixe-m e acertá-lo um a vez, Jay ne – disse Tim . – Só um pouco de pixiece...
Voltei-m e de costas para Falco por um segundo para sussurrar/gritar com Tim .
– Pixifique alguém neste grupo e você vai ganhar uma passagem só de ida para a colônia de pixies mais longe de mim!
– Tudo bem , tudo bem ! Caram ba, relaxe, destruidora de dragão.
Voltei-m e para Falco novam ente, lim pando a garganta.
– Que tal se com eçarm os... segure m inhas m ãos. Talvez... não sei... sej a m ais fácil para eu encontrar sua fonte de energia dessa form a.
Falco parecia alegrem ente aterrorizado com a ideia.
– Ah... ah... tudo bem .
Ele estendeu as m ãos e vi im ediatam ente que estavam trem endo.
Dei um passo à frente e peguei suas m ãos úm idas. Eram suaves em alguns lugares e duras em outros. Ele tinha calos em alguns pontos correspondentes à arm a que usava todos os dias. Ergui os olhos e notei um brilho de suor em sua testa.
– Não se preocupe, não vou m achucá-lo.
– Eu sei – disse ele em voz baixa, com em oção m al contida –, é que este é o m om ento m ais em ocionante da m inha vida!
Sua voz aum entou para um guincho no final, e ele tentou se recuperar tossindo levem ente. O pobre garoto parecia estar prestes a ter um ataque cardíaco.
Tentei não ficar m uito lisonj eada com seu elogio, caso contrário, o universo certam ente m e faria perder o controle e m andá-lo para terra do la-la-la com o castigo por eu ficar m uito arrogante. Puxei um pouco d’O Verde para m im e o enviei através das m inhas m ãos para Falco, só o suficiente para aj udá-lo a se acalm ar. Eu podia ver o efeito im ediato; seus olhos se arregalaram prim eiro, e em seguida, as pálpebras caíram um pouco. Seu rosto parecia m uito m ais relaxado e suave.
– Uau. Isso é... bom .
– Sim – sorri para ele. – É m esm o, não é?
Até aí, tudo bem . Respirei fundo, preparando-m e para o próxim o experim ento.
– Agora, vou abrir esse cam po de energia para incluir todos aqui. Só quero ter um a ideia de todos vocês para ver se eu consigo tirar Falco do grupo.
Robin e os outros assentiram .
Estendi a m ão pelo Verde trazendo os elfos para o rebanho, e, em seguida, pesquisei em nossa conexão para encontrar suas assinaturas de energia. Durante m eu trabalho com Céline, aprendi que cada criatura tem um a presença única – e sabendo a assinatura de certa criatura dentro da conexão, eu poderia encontrá-la novam ente. Agora, eu podia sentir o grupo de elfos com igo, todos eles ligados a algum a outra coisa aqui e além .
Se eu fosse colocar em um a im agem visual tudo que sentia quando eu tocava O Verde, seria com o um novelo de cordas em aranhadas sem com eço nem fim , voltando-se sobre si, por vezes se tocando, por vezes apenas passando por outra parte de si m esm as. E todas as coisas vivas neste planeta são um a parte dessa cadeia. Nós som os as cordas. Eu nunca pude entender a teoria das cordas na aula de física, ia além de m inhas capacidades m entais. Mas m inha própria teoria das cordas verdes era fácil. Baseava-se em um a prem issa sim ples: todos nós som os parte de um a m esm a coisa. Som os todos parte do Um – um a bola gigante e cósm ica de coisas enroscadas.
Ouvi barulho em m inha orelha e um pequeno guincho, e Tim disse:
– Ooops, desculpe. Acho que é a uva do alm oço.
Nada com o um peido de pixie para tirar a cabeça de um a garota do éter. Estendi a m ão para apertá-lo, m as ele correu agilm ente para a parte de trás de m inha cabeça, segurando-se e se balançando em m eu rabo de cavalo enquanto ria histericam ente. Desisti do castigo e voltei para m inha tarefa.
– Muito bem , todos podem sentir a conexão?
Vi rostos sorridentes de elfos e acenos de cabeça a m eu redor.
– Tudo bem . Agora, Falco, quero que você em purre a conexão.
– Em purrar? – perguntou ele com um a expressão confusa no rosto.
– Sim . Você está segurando m inhas m ãos agora. Se for preciso, use a conexão física para aj udá-lo a obter a sensação. Em purre-m e.
Ele deu de om bros.
– Tudo bem , você é quem m anda.
Ele em purrou m inhas m ãos, m as eu não senti nenhum a diferença na conexão.
– Você tem que em purrar m entalm ente, não só fisicam ente.
Os olhos de Falco rolaram para cim a um pouco enquanto ele repetia baixinho para si m esm o:
– Mentalm ente, não fisicam ente; m entalm ente, não fisicam ente; m entalm ente, não fisicam ente...
Senti o em purrão suave contra nossa conexão.
– Bom ! Continue. Posso sentir você agora.
Seu m urm úrio continuou, e eu senti a presença de sua energia crescer.
– Mentalm ente, m entalm ente, m entalm ente não fisicam ente; m entalm ente, m entalm ente, m entalm ente...
Deixei cair as m ãos e ele nem percebeu. Não houve falha na ligação; ele continuou a em purrar nossa ligação, e sua assinatura chegava até m im claram ente.
– Tudo bem , agora pare de em purrar. Relaxe um m inuto.
Ele obedeceu e eu fechei os olhos para poder m e concentrar m elhor. Eu podia sentir todos os elfos perto de m im , fundindo suas energias com a m assa de outros que estavam ali conosco na floresta; m as eu tam bém podia sentir especificam ente a assinatura de Falco. Era m uito fácil agora que ele tem porariam ente se separara de m im com aquele em purrão m ental. Sua energia pulsante m e fez lem brar um filhote de cachorro pulando, ansioso para sair e brincar. Minha alegria m e dom inou e acidentalm ente deixei escapar um pouco dela n’O Verde. Ouvi alguns suspiros de surpresa do pessoal a m inha frente.
– Oopa, desculpem . Foi um pouco de felicidade. – Abri os olhos e vi m uitos pares de olhos fechados e algum as m andíbulas soltas. – Oh, m erda, vocês não estão em com a, não é?
Caralho, eu ia tirar zero no boletim dos elfos cinzentos se continuasse fazendo essas m erdas. Pela prim eira vez na vida eu m e preocupava com notas. Claro que ninguém dava nota de verdade.
Robin abriu os olhos e falou.
– Eu ainda estou aqui.
Outros olhos no círculo se abriram e os elfos confirm aram . O últim o foi Falco, que finalm ente fechou a boca e abriu os olhos, dizendo:
– Uau, estou aqui! Sim , ainda estou aqui! Uau!
Sua alegria era palpável. Eu podia sentir as ondas que vinham através d’O Verde se m ultiplicando e espalhando com o as ondulações de um lago quando se j oga um a pedra nele. Os sorrisos de seus colegas m ostravam que podiam senti-lo tam bém . Talvez fosse isso que eles utilizavam para a telepatia: O Verde. Eu m e perguntava se eles sabiam ...
– Uau, esse garoto é m uito anim ado. Melhor dar um passo para trás. Vej o um a sessão de am assos com um elfo verde no horizonte – disse Tim .
Eu o ignorei, sabendo que Falco, e provavelm ente todos os outros, estavam intim idados dem ais por m inha m aldita estranheza para querer m e beij ar. Eu poderia ter m e incom odado se j á não houvesse decidido que todos os elfos verdes que eu conhecera até então não eram m eu tipo. Eles eram m uito bons, m uito sérios, e tam bém extrem am ente educados.
– Então, o que isso quer dizer? – perguntou Falco, sem fôlego.
Ele deu um passo respeitoso para trás e ficou ao lado de seu am igo.
– Bom , acho que isso significa que pelo m enos eu posso identificá-lo, não im porta onde você estej a aqui fora. – Olhei todos os rostos esperando que alguém fizesse algum a sugestão. – Não sei se isso é útil...
– Você acha que, um a vez que tenha identificado um de nós, poderia enviar energia apenas a esse indivíduo? – perguntou Robin com um a expressão pensativa.
– Talvez. O que você tem em m ente?
– Eu gostaria de fazer... um a experiência.
– Claro. Qual?
– Ele quer ser um Superelfo! – gritou Tim .
– Cale a boca.
– Com o? – perguntou Robin, confuso.
– Ignore. Diga qual é sua ideia.
Robin franziu a testa um segundo e prosseguiu.
– Eu gostaria que você identificasse m inha assinatura, e então, quando eu estiver pronto para disparar m eu arco, que m e envie um im pulso de poder. Tenho algum as teorias sobre o que poderia acontecer, m as vou esperar para com partilhá-las com você. Tem o que o conhecim ento de m inha hipótese possa afetar a integridade do resultado.
– Nossa, Robin, você encarnou m eu professor de biologia agora?
– Lam ento, m as não entendi...
– Não se preocupe. Vam os fazer isso. Dê-m e um segundo para encontrá-lo na m istura energética.
Estendi a m ão para o zum bido de baixo nível que nos cercava e senti algo que m e fez lem brar Robin – sério, forte, inteligente, dedicado, tudo que era esse nobre guerreiro elfo verde.
– Achei você. Consegue m e sentir?
Enviei-lhe um a pequena carga d’O Verde e ele assentiu.
– Sim . Eu senti.
– Tudo bem . Vá em frente, então, e diga quando quer que eu aum ente o poder.
Robin se voltou, e com um m ovim ento suave, bem coordenado, deslizou o arco de suas costas e tirou um a flecha de sua alj ava, colocando-a na corda. Ele recuou a flecha, e ao lado dele eu pude ver que estava apertando os olhos, m irando em algum alvo distante no m eio das árvores.
– Por favor, envie-m e o poder agora.
Peguei a base de poder e puxei um pouco para m im , e a seguir, enviei-o para Robin, enchendo sua conexão com a essência dele.
Robin lançou a flecha, que partiu assobiando através da floresta. Eu a perdi de vista im ediatam ente, m as os suspiros dos outros elfos m e fez procurar em suas expressões pistas sobre o resultado.
– O que aconteceu? – perguntei em voz baixa.
– Parece que você os surpreendeu – sugeriu Tim .
Robin baixou o braço do arco e se virou para m im , sorrindo. Dessa vez, não foi m inha liberação de energia Verde que causou aquilo.
– Funcionou?
– Sim . Eu diria que a experiência foi um sucesso e m inha hipótese foi com provada.
– O que aconteceu?
– Venha e vej a por si m esm a – disse ele, voltando-se e cam inhando na direção da flecha.
Segui em frente, olhando para baixo a m aior parte do tem po, tentando não tropeçar nos galhos caídos e cipós em aranhados no solo da floresta. Eu odiaria que m inha reputação de incrível elem ental fodona sofresse com a realidade de m inha inépcia na frente de todos esses elfos verdes que eram m uito m ais hábeis nessa floresta que eu.
Depois de um m inuto ou m ais de cam inhada, chegam os a um a árvore. Notei um a m arca de elfo verde nela, um dos tipos que eu havia aprendido antes, quando estavam ensinando a Tim e a m im . Havia um a flecha exatam ente no centro dessa m arca.
Olhei para trás, para onde estávam os antes. Não dava nem para ver o lugar dali.
– Puta m erda, a flecha fez um longo cam inho.
– Sim , fez – concordou ele, sorrindo para m im e depois para a seta.
Tive a nítida im pressão de que ele estava esperando algum a coisa, que eu dissesse algo m ais. Olhei para a árvore e para a m arca que ainda era visível sob a seta.
– Não é o sím bolo de passagem segura?
Nós havíam os aprendido antes que havia sím bolos que representavam a passagem segura e várias outras coisas, inclusive perigo à frente, zonas a evitar, arm azenam ento de alim entos nas proxim idades etc. Eu só aprendi alguns deles. Esse sím bolo especial era im portante, e definitivam ente m e lem brei.
– Sim , exatam ente.
Ele sorriu para m im de um a form a que não parecia Robin. Seu rosto se ilum inou, e eu não pude deixar de sorrir tam bém .
– Você fincou a flecha no sím bolo de “passagem segura”. O que isso quer dizer?
– O que você acha que significa? – perguntou ele todo sério.
Eu fiz um a careta, com m edo de parecer estúpida.
– Não é m ais um a passagem segura?
Robin assentiu.
– Exatam ente. Muito bom , criança trocada. Você está fazendo um excelente progresso.
Fiquei aliviada. Não sei por que era tão im portante para m im que ele ficasse satisfeito com igo, m as era. Eu não queria m esm o estragar tudo e fazer qualquer um deles m e detestar.
– Então, o que exatam ente esse im pulso extra de poder fez por você?
Eu nunca os havia visto disparando flechas em coisas distantes, de m odo que não sabia se era fora do norm al.
– Perm itiu-m e atirar m ais longe e com m aior precisão.
Balancei a cabeça, pensando nas ram ificações.
– Isso pode vir a calhar.
– De m uitas m aneiras – concordou Robin. – Gostaria de saber se você pode fazer isso por m ais de um elfo verde de cada vez. Estaria disposta a tentar?
Dei de om bros.
– Claro. Porque não? – Olhei ao redor. – Onde? Aqui?
– Não, vam os para nosso cam po de tiro.
Tim e eu seguim os o grupo de elfos até um grande prado, cheio de grandes troncos de árvores colocadas a diferentes distâncias do lim ite das árvores ao seu redor. Um a suave brisa de fim de tarde balançava as gram íneas e roçou a pele averm elhada de m eu rosto. Era bom estar no sol novam ente, sentindo o m ovim ento do ar em torno de nós. A floresta bloqueava m uitas dessas sensações, m as um a parte de m im sabia que ainda estavam ali em algum lugar.
– Norm alm ente, quando estam os a esta distância, podem os acertar os alvos na segunda fileira de troncos de árvores com grande precisão. – Ele apontou para alvos na distância que m ostravam sinais de uso, com lascas faltando na frente e um m onte de buracos de flecha. – À m edida que avançam os para os alvos m ais distantes, nossa precisão sofre. Obviam ente, é m ais seguro para nós atingirm os nosso alvo de um a distância m aior.
Tim aproveitou esse m om ento para adicionar um com entário.
– O que ele está dizendo é que, ao contrário dos pixies, elfos verdes precisam acertar o inim igo do m ais longe possível, porque são os m aiores covardes da floresta.
Ele chiou quando finalm ente consegui dar um peteleco em sua pequena bunda. Não era um alvo fácil de se atingir, de m odo que fiquei m uito orgulhosa de m im m esm a. Os elfos verdes não têm nada que eu não tenha. Precisão, uma ova. Aposto que não poderiam apertar um a bunda de pixie sem ser capazes de ver o alvo. Mas, para ser j usta, eu tinha m uita prática.
Robin percebeu que eu m e distraíra, então, parou de falar por um m om ento. De repente, percebi que tudo estava quieto e m eu rosto ficou verm elho quando o vi parado ali, pacientem ente esperando para continuar.
– Oops. Desculpe. Eu m e perdi por um segundo. – Apontei para m inha cabeça distraidam ente – Estou m eio cansada.
Ele anuiu.
– Este será o últim o exercício, prom eto.
Ele se voltou para o grupo, sinalizando com um gesto que aparentem ente queria dizer espalhar-se e m irar. Isso m e fez lem brar um pouco o desagradável dia em que ele ordenara que seus am igos atirassem em m im , de m odo que olhei para ele com desconfiança; m as ele parecia alheio a m eu m edo e continuou falando.
– Vam os apontar para os alvos m ais distantes. Eu gostaria que você tentasse tocar todas as nossas ligações e enviar a cada um de nós o poder extra. Todos, exceto um elfo. Você escolhe a pessoa a quem não dará o poder e não nos diz quem é. – Ele se inclinou e cochichou em m eu ouvido. – Mas não escolha seu am igo Finn, porque senão, receio que este teste não valha nada. Ele consegue acertar o alvo m ais distante sem sua... digam os... aj uda.
Ele acenou com a cabeça, olhando-m e fixam ente nos olhos.
Eu acenei tam bém , tentando com todas as forças não olhar para Finn e deixar vazar o segredo. Ele ficou na parte de trás do grupo o tem po todo, nunca deixando entrever que éram os am igos. Eu não queria estragar sua reputação de franco-atirador, de m odo que j urei a m im m esm a que m e asseguraria de que ele não fosse o escolhido para perder.
Robin se aproxim ou e se j untou aos outros, deixando seu arco cair de seu om bro direto para sua m ão, preparando um a flecha sim ultaneam ente.
Dei um passo para m e distanciar e fiquei um pouco atrás da linha de elfos. Não gosto da ideia de O Verde estar envolvido com flechas caindo sobre nós. A últim a coisa que eu queria fazer era testar a teoria de Spike de que todos os fae se curam rápido e são difíceis de m atar. Muitas das outras regras não se aplicavam a m im , e eu odiaria descobrir que essa era um a delas.
– Pronto? – perguntou Robin em voz alta, m as controlada, olhando para m im por um breve m om ento antes de voltar sua atenção para os alvos ao longe.
Um a linha de braços cobertos por túnicas levantou os arcos horizontalm ente e puxou as cordas; costas e cotovelos se proj etando em um a exibição de força feroz controlada.
Eu não hesitei: atraí dobras extras de vibração de energia Verde para dentro de m im e, em seguida, enrolei-as em torno dos elfos que estavam por perto, sentindo cada um a de suas contribuições para nossa conexão pulsante de energia. Eu podia sentir especialm ente a assinatura de Falco, pois form igava um pouco por conta de seu entusiasm o com a conexão. Em seguida, puxei um elfo para fora do rebanho, aquele que havia enchido o saco de Falco. Minha vadia interior sorriu, ansiosa pela virada no j ogo que isso certam ente causaria. Tentei controlar m inhas feições para que ninguém soubesse quem era m inha vítim a.
– ...Apontar!
A linha de elfos levantou seus arcos em conj unto até apontarem a m eio cam inho para o céu. O que em breve seria um a descarga m ortal de arm as m e encheu de adm iração e m ais que um pouco de m edo. Nossa, estava tão feliz por não ser eu na frente daquele pelotão de fuzilam ento...
– ...Lançar!
Vi m ais ou m enos trinta hastes de m adeira com pontas de seta e cauda de penas zarparem alinhadas pelo ar, todas em direção aos alvos m ais distantes, exceto um a.