A Guerra dos Fae: Luz e Trevas

Elle Casey · Capítulo 5 de 38

Páginas do PDF

A Guerra dos Fae: Luz e Trevas

Capítulo 4

 

ESTÁVAMOS NO AVIÃO DE VOLTA PARA A Floresta Verde j á fazia uns trinta m inutos. Eu havia am arrado Blackie, m inha arm a surpreendente, feita com um im pressionante dente de dragão, em volta de m inha perna, e m e sentia m uito m ais segura com ela ali, bem visível com o um a am eaça para todo m undo fae. Tim ainda não se m overa, apenas gem ia de vez em quando para que eu soubesse que ainda estava vivo – m ais ou m enos.

Tony levou tudo na esportiva, escolheu um assento na j anela, do qual podia ver as luzes da pista de voo, e em seguida das cidades sonolentas brilhando abaixo de nós, até que finalm ente estávam os sobre o oceano e as nuvens.

Eu m e deitei no assento reclinável de couro m acio, m uito confortável, tentando não m e preocupar excessivam ente com a situação de Tim . Eu estava bastante confiante de que Maggie, a bruxa da Floresta Negra fae, poderia curá-lo. Ela sabia tudo sobre as coisas ruins que poderiam acontecer com os fae e com o tratá-las, e Maggie am ava especialm ente asas de pixies; por isso, algo m e dizia que ela deveria ser um a especialista em consertar problem as desse tipo. Pelo m enos eu esperava que fosse. O fato de viver na Floresta Negra era um pouco desconcertante, m as com o ela m e treinara para usar as fronteiras subterrâneas para convocar m eu poder, eu passara tem po suficiente com Maggie para saber que ela era decente – um pouco espinhosa e não convencional, certam ente, m as disposta a aj udar um a criança trocada ignorante com o eu em troca de um cogum elo verde vez ou outra. Acho que, no final, eu estava levando a m elhor naquele acordo.

Eu caí em um sono sem sonhos, ouvindo os roncos de Finn e a respiração de Tony a m eu lado.

 

Um a hora antes de desem barcarm os, Jared veio sentar-se à m esa com Tony e eu.

– Pensei que talvez você quisesse repassar seu plano para levar Tony de volta ao com plexo. – Ele olhou pelo corredor procurando por Chase, Finn e Spike e disse em voz alta – Ei, pessoal! Acordem e venham aqui.

Todos se sentaram , sonolentos, apertando os botões em seus assentos para colocá-los na posição vertical. Ivar se aproxim ou e se j untou a nós tam bém , sentado na frente de Chase, perto de Spike. Apesar de Ivar e eu não concordarm os totalm ente sobre a m aneira adequada de tratar os hóspedes em um j ato particular – eu achava que drogá-los para que ficassem inconscientes era um pouco rude –, estava feliz por seu apoio. Ele era um ogro e, no m ínim o, visualm ente intim idador.

– Jay ne, diga-nos o que você tem em m ente trazendo Tony de volta.

Todos os olhos estavam sobre m im , esperando ansiosam ente por m inha resposta brilhante.

Peguei a caixa de Tim do lado de m eu assento e a coloquei em cim a da m esa, para que, se estivesse consciente, ouvisse a conversa.

– Bom , eu não tenho um plano, na verdade.

Spike sorriu e Finn revirou os olhos. Chase olhou para m im com expectativa. Tony ainda parecia um pouco adorm ecido, m eio atordoado. As expressões que vi no rosto de Finn e Spike faziam sentido, m as a reação de Chase foi inesperada. Talvez ele tivesse algum as ideias.

– Por que está m e olhando assim , Chase? O que você está pensando?

Ele deu de om bros.

– Só estou esperando que você chegue a algum lugar. Você sem pre pensa em algum a coisa, que sem pre parece funcionar de um a form a ou de outra.

– Obrigada pelo voto de confiança. Agradeço, m esm o sem ter certeza de que concordo. Mas não estou brincando... Eu realm ente não tenho um plano desta vez. Só quero levá-lo até lá, dar-lhe um am uleto, fazê-lo dizer as palavras que com eçam a m udança, e então, não sei, dar-lhe um quarto e um treinador de sua raça. – Olhei para m eus com panheiros de conspiração com um sorriso fraco. – Isso tudo funcionaria m uito bem se não houvesse o Conselho em m eu cam inho.

– Esse é o problem a. Há um Conselho, e eles vão ser F-O-D-A – disse Finn. – Não m e leve a m al, estou disposto a levar a culpa com vocês, m as acho que devia se preparar para o coice do rifle que você disparou ao fugir para os Estados Unidos da Am érica e trazer Tony a bordo na volta.

O colorido das palavras de Finn m e fez sorrir.

– Dessa m aneira não parece tão ruim assim .

– Bom , m as é – disse Jared todo sério. – Nós fom os contra as ordens diretas do Conselho. Eles não vão sim plesm ente dizer “ok, vam os deixá-lo m udar” e acabou. Eles vão dizer não. E provavelm ente algum as outras coisas que não quero nem parar para pensar no m om ento.

Olhei para o rosto de Tony e fiquei angustiada por ver que ele estava com eçando a entender qual era o problem a. Ele parecia tão preocupado quanto eu.

– Sim , o que precisam os fazer é descobrir para onde vam os depois que eles disserem não – disse Spike.

– Ok, bem , eu tenho um am uleto aqui em m eu dedo, e tenho certeza de que nós podem os lem brar as palavras que devem ser ditas. Eu m esm a faço o processo com ele.

Ivar balançava a cabeça lentam ente com um a carranca no rosto. Olhou para Jared.

Jared ergueu as sobrancelhas, m as não disse nada.

– Que foi, Ivar? – perguntei im paciente. – Fale agora ou cale-se para sem pre.

Ivar respondeu com sua voz grave e rouca.

– Desobedecer deliberadam ente a um a lei fae garante um a punição severa. Sem pre foi assim .

– Ah, é? Que tipo de punição severa?

Ivar resm ungou.

– Pergunte a Anton. Ele sofreu o castigo.

Isso foi um a surpresa. Dardennes não seguira as ordens? Mas suponho que não deveria ter m e surpreendido com isso. Ele praticam ente nos disse para fazer essa viagem , m esm o que o Conselho houvesse dito que Tony não poderia voltar. Com sorte, ele havia assum ido o Conselho e seria leniente conosco; isso se não estivesse sim plesm ente nos entregando.

– Bem , j á que Dardennes não está aqui para perguntarm os, e que precisam os saber quão profundo é o poço em que estam os pulando, talvez você possa nos dizer o básico.

Ivar e Jared trocaram olhares m ais um a vez. O prim eiro acenou para o segundo, que deixou escapar um profundo suspiro antes de com eçar.

– Anton Dardennes era um Fae das Trevas.

Ele esperou enquanto todos processavam a inform ação. Eu j á havia ouvido essa parte da inform ação antes, m as sem pre im aginara que sentira um a m udança no coração e desertara para o lado dos Fae da Luz.

– Eles têm um Conselho com o o nosso; só que, é claro, com posto de Fae das Trevas. Foi-lhe dada um a ordem que ele se recusou a seguir, fazendo, em vez disso, o que ele achava que era certo. Para puni-lo, eles o proibiram de continuar a ser um Fae das Trevas.

Uau! Com o assim , ele não os deixou voluntariam ente? Essa foi um a grande notícia para m im .

– Ele foi expulso? – perguntou Finn, em um tom chocado.

– Essencialm ente, sim .

– E vocês apenas o acolheram e lhe deram um lugar no Conselho dos Fae da Luz? Isso é m esm o m uito generoso – disse Spike sarcasticam ente.

– E confiante.

Eu não podia acreditar que eles poderiam ser tão negligentes com a segurança, deixando um Fae das Trevas executar o show dos Fae da Luz. Parecia um a estupidez de prim eira para m im .

– Foi há um longo, longo tem po atrás; centenas de anos agora, e Anton se provou digno m uitas vezes. Se Anton quiser, ele m esm o contará a história a vocês um dia; é um a escolha dele. Só vou dizer um a últim a coisa: ele foi expulso dos Fae das Trevas por escolher fazer algo que era, em princípio, ilum inado. Ele se recusou a se envolver em algo em que tenho certeza de que nenhum de nós sequer consideraria se envolver tam bém .

– O quê? – perguntou Finn.

– Com o eu disse, se Anton quiser contar um dia, ele que conte. Não é m inha responsabilidade contar, m as eu confio nele, assim com o todos os outros m em bros do Conselho, fae im possíveis de enganar.

Eu sem pre soube que havia algo um pouco estranho com Dardennes. Agora sabia o que era. Ele tinha sangue de Fae das Trevas correndo nas veias. Dava para ver que ele era um Fae da Luz agora; ele havia m e dado o dom da m udança, m as isso não significava necessariam ente que ele havia perdido toda sua conexão com eles. Eu passaria a observá-lo um pouco m ais de perto agora; e se os olhares dos m eus am igos m e diziam algum a coisa, era que eles iam fazer o m esm o.

– Então, o que vai im pedi-los de expulsar todos vocês... todos nós... dos Fae da Luz por terem violado a lei e ido m e buscar? – perguntou Tony, preocupado.

Jared lhe deu um m eio-sorriso.

– Isso não vai acontecer. Prim eiro de tudo, não há um a lei que diga que não podem os ir buscá-lo. Essa foi um a ordem que deram a Anton, que ele não poderia vir buscá-lo. Assim , ele não violou a ordem , um a vez que não fez isso. Nós fizem os, e o Conselho nunca nos deu essa ordem . Pelo que eles sabem , nós nem sabem os que ela foi em itida, um a vez que não foi feito na frente de um a assem bleia geral.

Tony acenou com a cabeça lentam ente, ainda com a m esm a expressão preocupada no rosto.

– Com o é que estam os quebrando a lei, então?

– Não estam os. Essa é a boa notícia, e o m otivo de eu concordar com esta m issão. Mas a lei que querem os quebrar é a que diz que você não pode m ais se tornar um a criança trocada, um a vez que se recusou a fazer a m udança.

– Será que m uda algum a coisa o fato de eu não m e lem brar de ter recusado?

Tony teria sido um grande advogado, exceto pelo fato de que lhe faltava a habilidade m uito necessária de atacar direto na garganta para ganhar. Se bem que ele vai direto à garganta com um m achado quando sua vida está am eaçada; eu o vira fazer isso quando estávam os lutando com orcs na Floresta Verde, durante nosso teste de criança trocada.

– Não – Jared balançou a cabeça com firm eza. – A lei foi criada sabendo que, um a vez que a pessoa se recuse, terá a m em ória apagada. Isso não im porta para eles. Não é com o a lei a que você está acostum ado. Não há lacunas.

– Tudo bem – disse eu –, agora que sabem os que estam os ferrados, alguém tem algum a sugestão?

Tudo que eu via eram rostos inexpressivos olhando de volta para m im .

– Ok, então. Pelo que vej o, só m e resta um a opção.

– E qual seria? – perguntou Spike desconfiado, levando um copo de água aos lábios e olhando para m im por cim a da borda enquanto tom ava um gole.

– Chantagem .

Spike engasgou e cuspiu um a grande quantidade de água na m esa a sua frente e em Finn.

– Mas que m erda, Spike! Qual é seu problem a? – gritou Finn, lim pando o braço e lançando a Spike um olhar irritado.

Spike lim pou a boca e usou a m anga da blusa para secar a m esa, esfregando seu braço para trás e para a frente.

– Desculpe, cara. Foi m al. É que eu não esperava essa resposta.

– Eu não tenho certeza de que é o m elhor plano a que podem os chegar – disse Jared secam ente.

– Jay ne – disse Chase com voz de alerta.

– Ouçam , pelo que posso ver, não tem os escolha. Há um a lei que diz que não podem os m udá-lo. O Conselho vai dizer não. Não podem os ir contra a lei e fazê-lo nós m esm os, ou vam os ser chutados para fora. A única coisa que nos resta é a força bruta. Vou lhes dizer que se não o m udarem , eu vou em bora. Vam os ver quão valiosa sou para eles.

– Eu não sei bem se você deve desafiá-los assim – disse Jared.

– Você tem outra ideia? – perguntei, frustrada porque tudo que ele podia m e dizer era o que não fazer.

Ele hesitou por alguns segundos, então se rendeu.

– Não. Acho que não.

– Tudo bem . Então, esse é m eu plano oficial. Chantagem .

Jared olhou para Ivar suplicante.

– Diga a ela, Ivar. Diga a ela que essa ideia é péssim a.

Ivar deu de om bros.

– Parece bom para m im .

Eu sorri.

– Obrigada, Ivar.

Ele esclareceu.

– De qualquer m aneira, funciona. Ou ela é expulsa ou Tony fica conosco. Nós não perderem os nada.

Abri a boca, surpresa. Ele estava brincando com igo? Essa era sua ideia de apoio? Então, vi os cantos de sua boca se erguerem , ainda que levem ente.

– Ivar? – disse eu sem acreditar no que havia acabado de ouvir. – Você acabou de m exer com igo? Tipo, acabou de fazer um a piada ácida com igo?

Ivar deu de om bros.

Eu o chutei por baixo da m esa enquanto sorria de volta para ele.

– Vá para o inferno, seu grande ogro burro.

Ele ergueu as sobrancelhas para m im , inclinou a cabeça para o lado e deu de om bros novam ente.

– Agora, isso é engraçado! – disse Finn, divertido.

– É – disse Spike –, eu quase acreditei por um m om ento.

Tom ficou ali sentado com um a expressão confusa no rosto, provavelm ente tentando descobrir qual era a dinâm ica do grupo. Eu deveria ter dito a ele para poupar suas células cerebrais. Não havia com o desvendar esse bando de m alucos com a lógica hum ana convencional.

Voltei m inha atenção para o grupo.

– Mas Ivar está certo – disse eu. – De qualquer m aneira, ou eles vão ganhar um a nova e incrível criança trocada, ou vão perder um a... um incrível elem ental, m uito obrigada, ogro. – Fiz um a careta para Ivar tentando m anter um a cara séria, coisa em que não fui m uito bem -sucedida.

– Bem , eles não vão perder apenas um fae, eu garanto – disse Finn. – Os elfos verdes não vão abandonar a Mãe.

Olhei para Finn.

– Não com ece com essa m erda de novo, Finn.

– Só estou dizendo...

– Do que ele está falando? – perguntou Tony, anim ando-se. – Ele acabou de cham á-la de m ãe?

– Não im porta. Concentre-se som ente em parecer adorável ou poderoso, de m odo que o Conselho diga sim a m eu pedido de m udar a lei.

O pensam ento de estar em pé na frente da m esa cheia de m em bros do Conselho, sentados ali com o j uízes arrogantes em um tribunal, deu-m e um a ideia. Eu estava tecnicam ente pedindo um a m udança na lei ou então um a exceção, e havia alguém capaz de m e aj udar.

– Finn, você consegue entrar em contato com um de seus am igos elfos daqui?

– Sei lá. Nunca tentei. O que você tem em m ente?

– Preciso falar com Gregale de im ediato, assim que aterrissarm os. Sei que ele é um elfo cinza, m as talvez um dos elfos verdes possa m andar um a m ensagem para ele.

– Posso tentar. Espere um segundo.

Finn fechou os olhos e ficou em silêncio por alguns m inutos.

Spike inclinou-se e falou em voz baixa.

– Então, o que você acha que Gregale pode fazer?

Notei os olhos de Finn se abrindo.

– Muito bem , eu consigo alcançar Robin. Ele tem as habilidades m ais fortes, sendo nosso líder. O que quer que eu diga a ele?

– Diga a ele que preciso falar com Gregale assim que desem barcar, e que é um a prioridade. Diga a ele que estou cham ando a m eu favor. Ele vai saber o que isso significa.

– Tudo bem . Espere um segundo.

Finn fechou os olhos novam ente e voltou para nós um m inuto depois.

– Pronto. Robin vai encontrá-lo e entregar a m ensagem .

– Maravilha.

– Nossa, isso é quase tão bom quanto SMS – disse Tony sorrindo, m aravilhado.

– Sim , m as m uito m ais legal.

Eu sorri para ele. Quanto m ais fôssem os capazes de lhe m ostrar os benefícios de ser fae, m ais chances eu teria de fazê-lo se sentir m ais confortável com sua escolha de vir com igo. Eu havia decidido ignorar a declaração anterior de Tony de que ele ainda estava pensando. Eu sabia que um a vez que ele soubesse toda a história, gostaria de ser um a criança trocada. Eu só precisava convencer o Conselho de que isso era um a boa ideia.