A Guerra dos Fae: Luz e Trevas

Elle Casey · Capítulo 15 de 38

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A Guerra dos Fae: Luz e Trevas

Capítulo 14

 

ACORDEI NA MANHÃ SEGUINTE COM UMA BATIDA em m inha porta. Levantei e m e esforcei para abri-la; encontrei Spike em pé na entrada.

– Afe! O que você quer? – disse eu, deixando-o em pé ali e voltando para m inha cam a, m e arrastando sob a colcha e cobrindo a cabeça.

– Que m odos são esses de cum prim entar seu m aior fã? – Ele entrou no quarto e fechou a porta atrás de si. – Senti sua falta ontem . Vim ver o que estava acontecendo. Pude notar que você estava perturbada, e obviam ente ainda está. – Passos em direção a m inha cam a. – Tenho obtido pensam entos eroticam ente zero de você ultim am ente, e isso não é bom . Todo o m undo devia deixar rolar um a horinha para o erotism o todo dia. É bom para a alm a.

Espiei por baixo das cobertas e vi seus olhos com eçarem a brilhar à luz de um a ideia quando ele se sentou na borda de m inha cam a.

– Meu bafo da m anhã devia ser a cura para o que o aflige neste m om ento, m eu am igo. De m odo que m antenha distância.

Ergui a m ão em advertência.

Spike pegou m inha m ão e a depositou em seu colo. Ergueu a cabeça em direção a m inha côm oda, sussurrando:

– Com o vai o pequenino?

– Está dorm indo. E não deixe ele ouvir que o cham ou de “pequenino”. Ele aprontou um a de borrar as calças com Chase ontem , e j á m e basta um am igo fodido com quem lidar no m om ento.

– O quêêêêê?

– Sim . Não estou brincando.

Suspirei pesadam ente, pensando no grande prato de m erda de cavalo fum egante que m e esperava na m esa do café da m anhã desse m eu dia.

– Por que é que eu sem pre perco a diversão toda?

Soltei-m e da m ão de Spike e belisquei sua perna. Dura.

– Ui! Por que fez isso? – Ele ergueu um a sobrancelha. – Está com vontade de brincar?

Não pude deixar de sorrir.

– Um dia desses vou aceitar seu convite. Mas não hoj e.

Ele se inclinou para m ais perto.

– Por que esperar? Não há ocasião m elhor que o presente.

O brilho verm elho em seus olhos ficou m ais profundo e girou.

Eu fechei deliberadam ente os olhos.

– Recue, ou vou soltar m eu bafo de dragão sobre você.

Spike riu baixinho.

– Com o se isso fosse m e deter. É só você dizer a palavra m ágica, Jay ne, e posso resolver todos os seus problem as.

Abri um olho.

– Pode m esm o?

Spike sorriu tim idam ente.

– Bem , eles ficariam só tem porariam ente ausentes; você pararia de pensar neles por algum as horas. Mas não, os problem as ainda estariam aí quando você descesse do sétim o céu.

– Ainda assim – pensei em abrir o outro olho –, pode valer a pena tentar um dia desses... esquecer por algum as horas.

Spike se levantou com o um relâm pago e despiu a túnica, ficando só com seu calção preto, suas tatuagens coloridas da cintura ao pescoço e até o pulso, destacando-se em toda sua glória.

Senti um trem or m e percorrer. Ele era um espécim e único de garoto durão, isso era certeza. Gem i de frustração.

– Spiiiike, ponha a cam isa de volta. Não posso fazer isso agora. Tenho m uita m erda para fazer e pouco tem po para isso.

– Posso ser rápido – disse ele voltando a se sentar na beira da cam a, pegando m inha m ão e pondo-a sobre seu peito. – É m elhor devagar, m as se você quiser um a rapidinha, posso m e aj ustar.

Seu rosto era todo erotism o. Seus olhos eram hipnóticos.

– Spike, eu...

Senti m inha negação se desintegrando na loucura giratória que eu via naquelas profundezas intensam ente verm elhas. Eu queria afundar nelas.

Spike baixou seu rosto até o m eu, bebendo-m e com seus olhos. Estava a um segundo de m e beij ar, com bafo de dragão e tudo, quando soou um a batida na porta.

– Ei, Jane! Sou eu... Scrum ! Vou entrar, tudo bem ? Não fique louca da vida com igo!

E então, a porta se abriu rapidam ente.

Spike se aprum ou, suspirando.

– Quem diabos é esse aí? – perguntou ele desanim ado, nem sequer voltando os olhos.

– Olá... íncubo. Desculpe, não sei seu nom e. Sou Scrum , e você... ãhn... precisa ir em bora.

Spike arqueou um a sobrancelha e voltou os olhos para m im .

– Esse cara é real?

Ver o corpo em form ato de barril de Scrum se erguendo à entrada de m inha porta arrancou-m e de m eu nevoeiro sensual.

– Que diabos você está fazendo aqui? – perguntei.

Eu m e sentia com o se alguém houvesse despej ado um balde de água fria em m inha cabeça.

Scrum pareceu desconfortável.

– Estou fazendo m eu dever com o dem ônio. – Ele olhou para Spike. – Vou dizer m ais um a vez: você tem que cair fora deste quarto, íncubo. Imediatamente.

Sorri com a cena ridícula. Eu estivera a dois segundos de m e envolver em um a coisa realmente excitante que provavelm ente seria um grande erro, e fui salva

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pelo garoto que tinha o nom e da m erda que flutuava em um a poça suj a. Essa era m inha vida.

– Obrigada, Scum, pela aj uda, m as você pode ir agora.

Ele sorriu, frustrado.

– Meu nom e não é Scum. É Scrum. Com o no m ovim ento de rugby. E eu não vou a parte algum a enquanto ele não for em bora. – Ele olhou para Spike com os olhos apertados. – Você tem cinco segundos para partir voluntariam ente. Do contrário, terei que retirá-lo à força.

Spike vestiu de novo a túnica.

– Gostaria de ver você tentar.

Seus olhos cintilavam perigosam ente.

– Spike, por favor, não m achuque o garoto. Vá em bora. Eu j á estou pronta. Tenho que m e levantar, de qualquer m aneira.

Afastei os cobertores para sair da cam a.

Spike se sentou e pôs sua m ão possessivam ente sobre m inha perna nua.

– Spike? – disse eu, notando que ele parecia realm ente sério.

– Tudo bem – disse Scrum , entrando no quarto –, se é assim que você quer...

Spike pulou, pronto para atacar. Mas Scrum foi m ais rápido que ele. Eu sabia que os íncubos podiam se m over de m odo assom brosam ente rápido, m as isso não pareceu afetar Scrum de m odo algum . Em um segundo Spike estava perto de m inha cam a, e no outro, preso em um abraço de urso com Scrum j unto à porta – Scrum era o urso.

Spike vom itava fúria, lutava furiosam ente contra a prisão do corpo de Scrum . Este o segurava, e seu rosto ficava cada vez m ais verm elho pelo exercício conform e os segundos se passavam . Ele recuou lentam ente para fora do quarto, brigando contra o estilo de luta de Spike. Assim que chegou ao corredor, inclinou-se de volta, esprem endo Spike com m ais força ainda. Ouvi Spike grunhir e vi seu rosto ficar m ais branco. Ele j á era bem pálido, considerando que era um íncubo, m as agora parecia m ortalm ente branco.

Dei um pulo da cam a, aproxim ando-m e deles, m as ficando um pouquinho atrás.

– Você o está m achucando! Ponha-o no chão! – gritei.

– Não até... que ele... se renda – grunhiu Scrum .

Spike balançava a cabeça para trás e para a frente, negando, resm ungando com o pouco fôlego que lhe restava.

– Spike, peça “penico”! – gritei, entrando em pânico.

Esse Scrum não estava de brincadeira.

Mas era tarde dem ais. Scrum deu m ais um apertão e o corpo de Spike am oleceu. Scrum desapertou e deixou Spike cair até que ficou pendendo debaixo de seu braço com o um a gigantesca bolsa tiracolo.

Eu estava em choque.

– Você... Ele...

Cam inhei para m ais perto deles, parando na soleira da porta e olhando para a form a im óvel de Spike.

– Ele não está m orto, se é isso que a preocupa. Eu elim inei sua vontade. Quando ele acordar, estará bem .

– E quando ele vai acordar?

Scrum sacudiu o om bro que não estava sustentando Spike.

– Quando ele reconhecer que tenho um a vontade m ais forte.

Olhei para ele com o se fosse m aluco.

– Quando diabos vai ser isso?

Scrum deu de om bros.

– Não sei. Quando ele resolver cair de costas no chão.

– Mas ele está inconsciente, seu idiota! Quando ele vai cair de costas no chão?

– Não, ele não está... não de verdade. Está só em um a espécie de anim ação suspensa. Chase m e falou que os íncubos daqui de seu com plexo não são tão teim osos. Ele ficará bem logo, tenho certeza. Só o colocarei em seu quarto para que ele fique confortável enquanto luta com seus dem ônios internos. Vej o você no café da m anhã.

Com isso, ele desceu pelo corredor, arrastando Spike debaixo do braço, fazendo arrastar suas pernas e bater nas pedras atrás de si.

A cabeça de Tony despontou na entrada de seu quarto. Ele se voltou para ver Spike sendo arrastado pelo corredor.

– Por que isso aconteceu?

Balancei a cabeça.

– Eu lhe conto no café da m anhã. Tenho que m e vestir. Saio dentro de dez m inutos.

Cinco m inutos depois ouvi Tony do lado de fora da porta; abri para que ele pudesse esperar dentro enquanto eu acabava de m e arrum ar. Eu só tinha que passar um pouco de delineador e rím el e term inaria. Tom ei o banho m ais rápido do Oeste e vesti a túnica branca padrão e um a calça jeans. Lancei um a olhadela para Tony pelo espelho para ver que ele estava usando a m esm a coisa que eu. Perguntei-m e se ele havia notado que estávam os parecendo um par de vasos.

– Eu m e sinto m eio engraçado nestas roupas.

– Você está vibrando em m inha direção novam ente? – perguntei em tom de acusação.

– Talvez – disse ele, um tanto na defensiva.

– Não se preocupe com isso. Vibração é um a coisa de fae.

– Bem , se você se lem brar, eu fazia isso antes de m e tornar fae.

– Sim ... eu sem pre disse que você era especial.

Pisquei para ele pelo espelho.

– Vocês dois precisam falar tão alto? – resm ungou Tim em baixo de sua colcha.

– Acorde, seu dorm inhoco. Hora do café da m anhã. O trem da alegria está partindo.

– Vou passar o café da m anhã.

Puxei sua colcha e a atirei no chão.

– Não, não vai. Levante-se. Estou saindo em dois m inutos e sou sua m ula de carga.

Tim m e olhou com m au hum or.

– Alguém j á lhe disse que você é m andona?

– Sim , todo o m undo que m e conhece. Grande novidade. Totalm ente desinteressante.

Retirei a escova da gaveta de cim a e passei-a por m eu cabelo m olhado.

– Você pode escovar os dentes depois do café da m anhã. Vam os.

Dei as costas para Tim e m e abaixei para que ele pudesse subir em m eu om bro, j ogando a escova em m inha cam a.

Senti seu peso leve e depois um puxão dolorido quando ele pegou um punhadinho de cabelo.

– Ui, seu fedelho! Não com tanta força.

– Thhhppbbbttt.

Suspirei.

– O que ele disse? – perguntou Tony.

– Nada. Ele só m e m ostrou a língua.

Tony tentou esconder um sorriso.

– Não ria. Um dia desses você vai ser alvo de um dos seus ataques de m au hum or, e aí vai ver com o eles são engraçados.

– Tony não é m andão com o você. Ele é legal.

Balancei a cabeça, resm ungando baixinho.

– Tim , j uro por tudo que é sagrado...

Saím os para o corredor e eu fechei a porta atrás de nós.

– Muito bem , Tony. Encontre o refeitório.

– O quê?

– Você disse que este lugar é só um corredor... Então, encontre o refeitório.

Juntei as m ãos diante do corpo e girei os polegares, esperando pacientem ente.

Tony olhou pelo corredor abaixo, para um lado e depois para o outro... e depois se voltou e tom ou a direção errada.

Eu dei risada, estendendo o braço para pegar sua cam isa e puxá-lo de volta.

– Foi o que eu pensei. É por aqui.

Ele m e seguiu pelo corredor abaixo até que chegam os à sala do café da m anhã.

– Eu poderia j urar que...

– Sim , eu sei. Este lugar foi enfeitiçado para nos confundir. – Abri a porta com um puxão e entrei no ainda silencioso e quase vazio refeitório. – Você tem que im aginar o lugar onde desej a estar: visualizá-lo na cabeça. Você notará que a m aior parte das portas aqui tem um sím bolo. Isso torna m ais fácil visualizar para onde você quer ir. Se conhecer o sím bolo, poderá se concentrar nele e acabará lá. É só com eçar a andar e a porta certa por fim aparecerá.

– Isso é legal. Mas, para quê isso? – perguntou ele enquanto cam inhávam os para o bufê.

– Para im pedir que os m alvados entrem .

Tony só olhou para m im , não disse nada, e eu tom ei a iniciativa de ler sua m ente.

– Malvados com o Ben.

Tony revirou os olhos, afastando-se de m im para encher seu prato.

Senti Jared vindo em m inha direção antes de vê-lo.

– Acho que descobri um a coisa – sussurrou ele em m eu ouvido. – Sente-se com igo quando term inar aqui.

Eu rapidam ente enchi m eu prato com frutas e um ovo cozido, j untando-m e a Jared, Finn e Becky à m esa. Tony chegou logo a seguir.

– Desem buche.

Esperei para ouvir o que Jared tinha a dizer enquanto observava Tim descer por m eu braço. Ele pegou algum as frutas do m eu prato e com eçou a com er.

Jared se abaixou e falou baixinho.

– Concluí que agora é um a boa hora para trabalhar com os elfos, fazer um pouco de treinam ento e reconhecim ento de equipe contra os Fae das Trevas. De m odo que vou inform ar ao Conselho que m inha equipe de dem ônios, exceto algum as crianças trocadas com o Scrum , que ficarão na retaguarda para aj udar ali, sairá a cam po para um evento que durará um a sem ana. Os elfos verdes vão se j untar a nós em um a parte disso.

Finn se aproxim ou.

– Eu j á falei com Robin. Ele é bom nisso.

Fiz que sim . Robin era legal. Eu sabia que ele nos daria cobertura.

Jared olhou para m im .

– Você acha que terá Chase de volta dentro de um a sem ana?

– Sim . A m enos que eles encontrem problem as; e se isso acontecer, com binam os que m e inform ariam .

Jared concordou.

– Tudo bem . Está feito, então.

– O Conselho sim plesm ente vai deixar você fazer o que quiser? – perguntou Becky.

Nenhum de nós sabia realm ente qual era a posição de Jared e quanto poder tinha, e parecia grosseiro perguntar. Muito em bora ele parecesse um adolescente m ais velho, tinha cerca de duzentos anos, ou algo assim . Onde quer que houvesse um a reunião, ele ficava atrás do líder do Conselho com um a dupla de ogros.

– Eles confiam em m im para fazer o que for m elhor para nossa fam ília fae. E é o que vou fazer; do contrário, isso não estaria acontecendo de m odo algum .

Jared fixou o olhar em m im e eu soube exatam ente o que ele estava tentando dizer.

– Obrigada, Jared. Tim e eu ficam os te devendo um a.

– Ei! – isso veio da m esa onde Tim estava sentado com endo um pedaço de fruta.

– Chega disso, nanico.

– O que ele disse? – perguntou Jared.

– Ele disse: “Diga a ele que darei m inhas asas recém -crescidas m ais tarde se ele as quiser”.

Jared sorriu e piscou para m im .

– É m uito generoso de sua parte, Tim , m as não será necessário.

Becky deu um a risadinha quando Tim com eçou a pisar com força em torno da m esa, m ovendo-se com im paciência.

A porta para o refeitório se abriu e vi Spike e Scrum entrarem j untos. O cabelo de Spike parecia bem desarrum ado, m as isso era norm al nele. No entanto, ele estava franzindo o cenho, o que não era norm al nele.

– O-oh – disse eu.

– Que foi? – perguntou Becky.

– É, que foi? – perguntou Finn, vendo que eu seguia Spike pelo salão todo.

– Spike ficou m eio... brincalhão esta m anhã, e Scrum o pegou em flagrante. Foi m uito im pressionante, na verdade, ver Scrum derrubá-lo. – Eu tinha que dar um pouco de apoio ao palerm a. – Ele abriu a porta, fez um a advertência e depois, bam, deu em Spike um abraço de urso m ortal e o nocauteou. Nocauteou mesmo.

– Ora, a coisa esquentou bastante – disse Finn com a voz cheia de respeito.

– É – disse eu, balançando a cabeça lentam ente com as sobrancelhas erguidas. – Eu não teria acreditado se não visse com m eus próprios olhos.

– Que bom para ele – disse Becky sorrindo com o um a boba. – Ele parece realm ente bonzinho.

– É, m as não creio que Spike estej a sentindo am or neste m om ento.

– Com certeza – disse Finn, dando risada. – Pobre suj eito. Ele está só tentando agitar um pouco as coisas por aqui e vive sendo atacado.

– Ah, é? – perguntei. – Quem m ais o ataca?

Finn deu de om bros:

– Bem , você, quase cem vezes; Becky, alguns dos filhotes de elfo que conheço...

Olhei para Spike, sentindo pena dele. No m undo hum ano, ele não teria problem a algum em conquistar um a garota. Era m úsico – dos bons, na verdade. Tocava guitarra em Miam i quando nos vim os pela prim eira vez. Ele era lindo, do tipo durão, que é o m elhor gênero, pelo que m e consta. E acim a de tudo, era um suj eito autenticam ente bom . Então, por que eu continuava a lhe dizer não?

Spike se j untou a nós na m esa com o prato quase vazio.

– Olá, Spike. Com o vai? – perguntei hesitante.

– Ele precisa de um a boa transform ação em pixie – disse Tim dando risadinhas.

– Nem brinque com isso, seu tam pinha diabólico.

– O que ele disse? – perguntou Finn.

– Você não vai querer saber, acredite.

Spike não ergueu os olhos e respondeu:

– Estou bem . Só cansado.

– Desistir cansa m esm o – disse Scrum ao se sentar conosco.

Spike fez um a carranca, m as não disse nada.

– Do que ele desistiu? – perguntou Becky.

– Da vontade de brigar com igo – disse Scrum , com o se isso explicasse tudo.

– Não entendi – disse Finn.

– Bem – disse Scrum anim ado, obviam ente m uito feliz por estar nos ensinando algum a coisa –, com o dem ônio, m eu trabalho é proteger aqueles que precisam ser protegidos; assim com o Jay ne, por exem plo. E toda vez que há um a am eaça a sua segurança, eu posso senti-la. Então, assim que tenho essa sensação, eu entro em ação. Ka-iiaaa! – e deu um golpe desaj eitado de karatê, fatiando o ar diagonalm ente a sua frente.

Eu balançava a cabeça. Ainda não o havia visto “entrar em ação”. Eu teria rido até cair de bunda a essa altura da história, m as ele realm ente havia m exido aquele corpo de barril de cervej a bem rapidinho quando precisara. Flagrei-m e surpreendentem ente curiosa pelo que ele tivesse a dizer. Por algum m otivo, os fae não puxavam m uitas conversas recíprocas sobre seus talentos ou características de raça, de m odo que era legal quando alguém revelava algum a coisa com o essa. Parecia m eio um a coisa íntim a com partilhar dem ais assuntos de raça. Essa não era a prim eira vez que eu desej ava que houvesse algum a espécie de m anual que viesse com a explicação dessa porcaria de transform ação.

– Spike estava am eaçando a segurança de Jay ne, m esm o que nenhum dos dois percebesse, e foi por isso que eu pedi a ele para ir em bora.

Essa foi a parte da história na qual m eu rosto ficou verm elho de vergonha, e os olhos de Spike ficaram um tanto verm elhos com a recordação.

– Ele se recusou a sair, então, tive que alquebrar sua vontade, seu desej o de resistir às m inhas ordens.

– Quer dizer que todos têm que fazer o que você diz? Não im porta o quê? – perguntou Finn claram ente contrariado com a ideia.

– Não, não é assim . É só um a coisa dentro de m im que m e diz quando algo está certo ou errado. E se estiver errado, então m inha vontade será m ais forte que qualquer outra coisa. E com o em outras áreas da vida, é tudo um a questão de força de vontade. Um a batalha das vontades, acho que se pode dizer. A pessoa com a resolução m ais forte vence. E entre um dem ônio que sabe o que é certo e um suj eito apenas... você sabe... tentando arrancar um beij inho ou sej a lá o que for, os dem ônios sem pre vencerão.

Ele sorriu, pousando as m ãos sobre a m esa, olhando para cada um de nós para sondar nossas reações.

– Isso é legal, na m inha opinião – disse Finn.

– Chase nunca nos falou disso antes. Estou um tanto im pressionada – disse Becky.

– Acho que isso explica por que ele se feriu tantas vezes até agora, desde que nos tornam os crianças trocadas – acrescentou Finn. – O cara levou um a flechada, transform ou-se em pixie... o que virá a seguir?

– Shh! – sussurrei. – A transform ação deve ser m antida em sigilo, seu m iolo m ole.

– Ah, sim , certo. Errei. Desculpe.

– Então, qual é o babado? – perguntou Scrum . – Ouvi falar algum a coisa sobre m anobras de treinam ento.

– Você vai ficar aqui – explicou Jared. – O resto de nós, m enos Brian, que vai ficar aqui tam bém , vai sair para um a m issão em cam po com duração de um a sem ana.

– Quem é Brian? – perguntou Tony.

– Você m e pegou agora – disse eu.

– Ele é outra criança trocada dem ônio – explicou Jared.

Scrum olhou para m im e depois para Jared:

– Entendo, Jared. Pode contar com igo.

Jared sorriu para Spike.

– Sim . Entendi.

Spike olhou atentam ente e fez um a carranca.

– Ora, vam os lá, Spike – disse eu. – Você não ficar em burrado o dia todo, vai?

Ele olhou para m im , recusando-se a sorrir:

– Sim , eu vou. Talvez por dois dias.

– O pobre suj eito precisa de am oooor – zom bou Finn.

Spike ergueu a sobrancelha, desafiador:

– Melhor tom ar cuidado. Não estou discrim inando m ais entre fêm eas e m achos.

Finn fez um a expressão horrorizada:

– O quê? Você é gay agora?

Spike riu – ele não conseguiu evitar. E o m esm o fizem os eu e Becky. Era im possível evitar. Até Tim estava dando risadinhas.

Finn ergueu as m ãos, pedindo paz:

– Não que haj a algo errado em ser gay, não m e entendam m al. Estou só perguntando.

– Não, para sua inform ação, não sou gay. Mas posso conseguir satisfazer m inhas necessidades de energia com qualquer um , fae ou hum ano, m acho ou fêm ea. Não é sexo, em bora possa ser tão bom quanto. E no fim fico tão fam into que paro de m e preocupar se o doador é bonito ou não. E acredite, Finn, você não é m uito bonito, de jeito nenhum. Nem m esm o um pouquinho.

– Bem – disse Finn – isso é um a boa notícia... que você não ache que sou bonito. Não quanto à coisa gay, no entanto. Quero dizer, você pode ser hom ossexual se quiser. Eu não m e im porto. Som os am igos, não im porta.

– Não sou gay.

– Claro, cara, com o quiser. Acredito em você. – Ele virou a cabeça e resm ungou com o canto da boca. – Apesar de que você não vai m e ver por aí sugando energia nenhum a de outro cara. Pouco im porta quão fam into eu estej a.

Becky j á estava rindo, m as esse últim o com entário fez que ela risse com tal força que quase caiu da cadeira. Até Jared estava sorrindo.

Spike baixou seu garfo:

– Ah, é? Bem , tente só ser um íncubo por um dia e vai ver quão seletivo será!

Ele se levantou para ir em bora, m as eu estendi m eu braço e segurei o seu.

– Spike, não vá. Ele está só provocando. Acho que é horrível você ser um a espécie de escravo por causa dessa necessidade. Eu ficaria... interessada em ver com o é.

– Aposto que ficaria – disse Finn, provocador.

– Oooo-oooh – disse Becky. – Reaj a a isso, Jay ne.

– Calem a boca, seus estúpidos. Não estou falando desse j eito. Estou apenas dizendo... que... não sei... que fico curiosa.

Spike voltou a sorrir:

– Eu ficaria m ais que feliz de doutrinar você acerca de m eu m undo, Jay ne. Sem pre que quiser. É só dizer e estarei lá.

Ele piscou para m im ; seu bom ânim o estava restaurado.

– Pode contar com isso.

Notei que Scrum ficou apreensivo com a ideia, de m odo que acrescentei:

– E Scrum pode supervisionar.

– Que sej a – Spike deu de om bros. – Ele pode vigiar, se quiser. Por m im , podem os fazer isso totalm ente vestidos. Mesm o assim – ele se inclinou para m ais perto de nós e baixou a voz –, é m uito m ais divertido quando fazem os nus.

– Oh, Jesus, Spike... você tem que chegar a tanto? Agora vou ter que lavar m eus olhos com sabão, im aginando você sem roupas com um cara.

– Ah, puta m erda, Finn, eu não sou gay!

Todos nós caím os na risada. Nossa preocupação com Chase tem porariam ente desapareceu.

– Então, o que vam os fazer hoj e? – perguntou Tony deliberadam ente m udando de assunto, sem pre solícito quando o assunto era ser o cara bonzinho que se preocupa com os sentim entos dos outros e m antém a paz.

– Vam os conversar com Dardennes sobre você, e depois terei que levar Tim para tirar sangue com nossos curandeiros, e depois levar a am ostra à floresta para que Goose leve a seu laboratório.

– Quem é Goose? – perguntou Spike.

– É um a longa história... m as é o cara que está aj udando Chase.

– Com o foi que você o conheceu na floresta? Parece tráfico de droga esse negócio de passar frascos de sangue pixie sob a cobertura das árvores.

– Não diga nada a ninguém , só isso, ok? Tem os que guardar segredo disso para todo o m undo, exceto nós.

– Sem problem as. Eu consigo guardar segredo. – Spike sorriu para m im . – Só m e inform e quando estiver pronta para um test-drive com o Spike aqui.

Todo o m undo gem eu. Test-drive com Spike parecia tão errado...

– Qual é o problem a? Ela ofereceu! Vocês sabem que eu não vou recusar.

Eu m e levantei, fazendo um m ovim ento para que Tony se j untasse a m im e para que Tim pulasse em m inha m ão para que eu pudesse içá-lo até m eu om bro.

– Vam os em bora. Divirtam -se no cam po. Becky, verei você na hora do alm oço?

– Sim !

– Guarde um a cadeira para m im . Posso m e atrasar.

– Claro. Vej o você depois, am iga.

Tony m e seguiu quando saí da sala em direção ao escritório de Dardennes. Ele não estivera no refeitório, de m odo que esse era o único outro lugar que eu conhecia onde poderia procurá-lo.

Chegam os e eu bati três vezes. A porta se abriu e Ivar apareceu.

– Dardennes está aí? – perguntei.

– Sim .

– Por favor, faça-a entrar – disse um a voz fem inina saída de dentro.

2 A palavra Scum, com o Jay ne o cham a, significa escum a, ralé. (N. do T.)