Adolpho Lutz: febre amarela, malária e protozoologia

Jaime Larry Benchimol · Capítulo 7 de 56 · parte 8/8

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Adolpho Lutz: febre amarela, malária e protozoologia

Apresentação Histórica/Historical Introduction

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 8 partes.

35 As cartas reproduzidas por Vallery-Radot (1930, p.397-411) e outras encontram-se no Museu Imperial, Setor de Documentação e Referência, Arquivo da Casa Imperial (Petrópolis). Sobre a história da vacina anti-variólica no Brasil, ver Fernandes (1999).

36 A comunicação lida em 7 de setembro intitulava-se “Vaccination avec la culture atténuée du microbe de la fièvre jaune”. Foi resumida em Medical News (17.9.1887, v.51, p.330-4), no Jornal do Commercio, O Paiz e Gazeta de Noticias (22-23.8.1899) e Brazil-Medico (n.33, 1.9.1899, p.319). Freire escreveu mais de uma centena de trabalhos sobre química, medicina e saúde pública, sob forma de relatórios, compêndios, livros, monografias e comunicações.

37 Preponderam brasileiros entre os vacinados. Isso mostra que o prestígio granjeado por Freire teve mais importância que a imigração estrangeira na difusão do imunizante. No Rio de Janeiro, seus dados eram autenticados pelo conselheiro Caminhoá e por dois advogados, Julio Ottoni e Oliveira Coelho. Além do filho do conselheiro – Joaquim Caminhoá – e de Virgílio Ottoni, preparadores do laboratório de química orgânica da Faculdade de Medicina, participaram das vacinações os drs. Silva Santos, delegado de higiene, Guilherme Affonso, Alfredo Barcellos e Campos da Paz. Em carta de 19.10.1889, o diretor do Hospital Marítimo de Santa Izabel, em Jurujuba, dr. Pinto Netto, informou Freire de que uma comissão da Sociedade de Medicina e Cirurgia investigava seu método preventivo. Muitas vacinações foram observadas por membros da comissão, de que faziam parte dois ex-auxiliares de Freire, os drs. Chapot Prévost e Benicio de Abreu, professores, agora, da Faculdade de Medicina. Num jornal lê-se, por exemplo: “o dr. Virgílio vacinará domingo das oito às nove horas da manhã, em Botafogo, à rua Voluntários da Pátria n o 66, com assistência do dr. Carlos Costa, membro da comissão da Sociedade de Medicina e Cirurgia” (Gazeta de Noticias, 7.2.1889).

38 Morreram 15 não vacinados (três estrangeiros e 12 brasileiros, sendo três negros). O número de doentes foi grande, especificando-se apenas que 115 eram negros. Os resultados publicados por Freire eram avalizados pelo presidente (dr. Joaquim Francisco Moreira), pelo secretário da Câmara (Luis E. de Lemos), o bacharel Sebastião Eurico Gonçalves de Lacerda e o delegado de higiene, dr. Augusto de Paiva Magalhães Calvet (Freire, op. cit., p.23, 25-6).

39 Nenhum vacinado morreu. Entre os sem vacina, a febre amarela colheu 650 vidas. Participaram os drs. Julio Alves de Moraes, delegado de higiene; Joaquim da Motta Silva, médico municipal; Giovanni Eboli, do Hospital da Misericórdia; e Carl Hertschel, clínico de cidade. Estavam presentes o promotor público, dr. João Nepomuceno Freire, barão de São Domingos, que era juiz de direito, o presidente da Câmara, Julio Corrêa, Alfred Esquivel, Lucas Fortunato e Americo Martins, entre outros.

40 Teria havido apenas três insucessos relatados, ou seja, 0,46% do total de vacinados. De acordo com seu relatório, a mortalidade entre não vacinados era estimada em 810 habitantes, mas havia ainda trezentos sepultados com certificado de “febre ictero-hemorrágica,”

“febre reinante” e outros diagnósticos duvidosos. Simões publicou no Correio de Campinas (10.6.1889) o balanço que enviou a Freire. Em 11.5.1889, transcreveu relatório enviado ao presidente da província de São Paulo, barão de Jaguara: ia continuar vacinando, sobretudo os que retornavam a Campinas, apesar das instruções veiculadas pelos jornais para que aguardassem a completa desinfecção da cidade. Freire publicou esta carta na Gazeta de Notícias (12.5.1889). Em Tratamento da febre amarella pela agua chlorada, publicado em 1897, Simões ainda escrevia: “Salvo ulterior demonstração em contrário, a descoberta do micróbio da febre amarela cabe incontestavelmente a Freire” (p.40 ss.).

41 Os representantes do jornal eram: em Araras, professor J. Voss; em Botucatu, professor Carlos Knüppel; em Piracicaba, J. J. Huffenbaecher; em Pirassununga, Gustav Beck; em Ribeirão Preto, Carl C. Petersen; em Rio Claro, Luiz F. Barthmann; em Santos, Paul Wilkens; em São Carlos do Pinhal, C. Priester, e em Sorocaba, Th. Kaysel, fabricante de chapéus. No cabeçalho do tablóide constam ainda os nomes de Gottlieb Müller e S. Lauer, de Curitiba e Joinville, respectivamente. O representante do jornal em Leipzig era a livraria de W. Diebener. Primeiro escrivão comunal de Joinville, Carlos Constantin Knüppel foi o fundador e redator do Beobachter am Mathiastrom, primeiro jornal (ainda manuscrito) lançado naquela cidade. Mudou-se para São Paulo, onde foi professor de sua primeira Escola Alemã. Depois se transferiu para Botucatu, onde foi professor também.

42 Freire conquistou o apoio das autoridades municipais do Rio e de outras cidades, de muitos médicos do litoral e do interior, inclusive delegados da repartição central de higiene. Contou, também, com a adesão de várias instituições da sociedade civil, mas as vacinações esbarravam na hostilidade do Ministério do Império, da cúpula da Inspetoria Geral de Higiene Pública e da Academia Imperial de Medicina, onde, em tese, se encastelava a elite médica do país e se imbricavam os interesses da profissão com os do Estado.

43 A esse respeito ver Benchimol, 1999.

44 A esse respeito ver Soriano (2002) e Benchimol (1999).

45 Finlay (1965, p.317-48). O médico cubano localizou o princípio mórbido da doença no trajeto da picada, nas paredes internas dos vasos sanguíneos, supondo que o mosquito o inoculava nos tecidos correspondentes do indivíduo são. Segundo Delaporte (1989, p.69, 73), essa teoria identificava a febre amarela à varíola: “Se fosse preciso resumir a percepção de Finlay, dir-se-ia de bom grado que viu o mosquito com os olhos de Jenner”.

46 Lacerda relata parte de sua trajetória na instituição em Fastos do Museu Nacional (1905). A biobibliografia publicada pelo Museu Nacional em 1951 omite completamente os trabalhos sobre febre amarela e bacteriologia, que são analisados em Benchimol (1999).

47 Essa questão é analisada com mais detalhes em Benchimol (2004).

48 A febre amarela é causada por um arbovíms, do gênero Flavivirus (Veronesi, 1991, p.174-82). No homem, apresenta várias manifestações clínicas: febre alta, cefaléia, dores musculares, todos os sinais, enfim, de um quadro infeccioso agudo que logo compromete o aparelho digestivo. Após dois ou três dias, se a doença não regrediu, os vômitos e dejeções tornam-se sanguinolentos, a icterícia acentua-se, a dor abdominal, também; as hemorragias brotam das fossas nasais, das gengivas ou na pele. A diminuição da secreção urinária desencadeia a fase toxêmica, que evolui até o coma e a morte. Esses sintomas são resultado da replicação do vírus no organismo, após ser inoculado por mosquito do gênero Aedes ou Haemagogus. A etiologia viral só foi estabelecida em 1927; em março de 1937, a Rockefeller começou a fabricar no campus do Instituto Oswaldo Cruz uma vacina feita com vírus cultivado em embrião de galinha, em uso até hoje (Benchimol, 2001).

49 A esse respeito ver também Stepan, 1976; Benchimol, 1990.

50 Relatório do Instituto Bacteriológico concernente ao ano de 1893. Trechos dos Relatórios do prof. Lutz quando diretor do Instituto Bacteriológico sobre Febre Amarela (1893-1894. BR. MN. Fundo Adolpho Lutz, Pasta 212 f, maço 4).

51 Relatório do Instituto Bacteriológico, ano de 1894, 1° sem. – São Paulo (BR. MN. Fundo Adolpho Lutz).

52 Relatório do Instituto Bacteriológico, ano de 1894, de jan./fev. 1895 – São Paulo (BR. MN. Fundo Adolpho Lutz).

53 O trabalho de Havelburg, publicado nos Annales de UIP (juin 1897), era versão condensada do que saiu no Berliner Klinische Wochensschrift (1897). Saiu junto com a primeira comunicação de Sanarelli. Ambos enviaram culturas de seus bacilos. As provas complementares de Sanarelli foram publicadas em setembro e outubro. A conferência de Havelburg foi publicada por O Brazil-Medico e, em forma de livro, pelo Jornal do Commercio. Ele acabara de ser nomeado chefe do laboratório anatomopatológico do hospital (O Brazil-Medico, 8.4.1897, p.119). Lutz comenta a carta selada de Sanarelli em O Brazil-Medico (15.12.1898, p.416-7).

54 Foi substituído por Vital Brazil Mineiro da Campanha, em julho de 1897 (caixa 25, pasta 16, maço 3: “Auxiliares do dr. Lutz”).

55 Carta de Francisco Fajardo a Adolpho Lutz, em 18.3.97 (BR. MN. Fundo Adolpho Lutz).

56 “Resumo dos trabalhos do Instituto Bacteriológico de São Paulo, 1892-1908,” p.41 (BR. MN. Fundo Adolpho Lutz).

57 Relatório do Instituto Bacteriológico, ano de 1894, de jan./fev. 1895 – São Paulo (BR. MN. Fundo Adolpho Lutz).

58 Nascido em Capivari (SP) a 6.12.1871, doutorou-se pela Faculdade de Medicina de Bruxelas, em 1895, ingressando no ano seguinte no Instituto Bacteriológico do Estado de São Paulo como “médico adjunto”. Entre maio e novembro de 1901, viajou à Europa para estudar a cultura de fermentos vínicos pelo sistema Pasteur. Em 1901, ocupou a cadeira de bacteriologia da Escola Livre de Farmácia de São Paulo, atual Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo. Faleceu a 24.4.1903, vítima de febre amarela.

59 Em ofício ao diretor-geral do Serviço Sanitário, dr. J. J. da Silva Pinto, em 25.3.1897, Lutz comunicava que havia recebido informação segura de que Sanarelli pretendia fazer em maio uma conferência na qual exporia sua descoberta; “chamo a vossa atenção sobre a conveniência de fazer representar o nosso Instituto nesta ocasião, a fim de ficarmos habilitados o quanto antes a fazer um juízo sobre o valor da utilidade prática da referida descoberta”. Segundo ofício da Secretaria de Estado dos Negócios do Interior, de 4.6.1897, de A. Dino Bueno a Silva Pinto, Lutz e Mendonça tinham viajado a Montevidéu no dia anterior em comissão do governo do estado. Trechos dos Relatórios do prof. Lutz quando diretor do Instituto Bacteriológico sobre Febre Amarela (1893-1894. BR. MN. Fundo Adolpho Lutz, Pasta 212 f, maço 4).

60 Ver a esse respeito Benchimol (2004).

61 A conferência foi publicada em O Paiz (10.6.1897), e condensada em O Brazil-Medico (22.6.1897, p.209-20). Na capital uruguaia, Lacerda foi nomeado, por telegrama, representante da Academia Nacional de Medicina (O Brazil-Medico, 15.6.1897, p.199, 1.7.1897, p.227, 22.7.1897, ago. 1897, p.283-5, 22.12.1898, p.429-31).

62 Dizia Lutz que adiava a discussão da conferência até a publicação da memória de Sanarelli nos Annales de ÍInstitut Pasteur (sairiam nos n° 6, 8 e 9, em jun., set. e out. de 1897). Lutz externava naquele primeiro relatório uma opinião provisória a respeito de suas idéias, prometendo voltar ao assunto no próximo relatório do Instituto Bacteriológico.

63 Em carta datada de 28 de julho, pedia a Lutz “cópia das notas que tomou a respeito daquelas experiências sobre febre amarela, que o Sanarelli fez em nossa presença” (BR. MN. Fundo Adolpho Lutz, Pasta 212 f, maço 4). O Laboratório Militar de Bacteriologia fora inaugurado em 2.7.1896, em uma casa particular na rua Senador Furtado, 24-A. Em fins de 1897, trabalhavam nele o diretor, Ismael da Rocha, e os drs. Antonio Ferreira do Amaral, Raymundo Firmino de Assis e Manuel Saraiva de Campos (O Brazil-Medico, 22.10.1897, p.355). Depois foi transferido para um dos pavilhões do Hospital Central do Exército, à rua Duque de Saxe, 40 (O Brazil-Medico, 1.1.1899).

64 Divulgou os primeiros resultados nos anais da Universidade de Montevidéu, no Jornal do Commercio (22.10.1897) e em O Brazil-Medico (nov. 1897, p.379-81). Sanarelli garantia que o soro não era perigoso. Sugeria dose inicial de 20cc; não ocorrendo melhora, devia-se injetar uma segunda dose, depois uma terceira, e assim por diante, levando-se em conta a resistência e o estado do paciente, o período da doença etc. As injeções deviam ser feitas sob a pele dos flancos ou glúteos e, em casos urgentes, diretamente nas veias (Révue Médico-Chirurgicale du Brésil, fév. 1898, p.39-42; ver também The American Medical Association Journal, 26.3.1898, p.745).

65 Apesar disso, em julho requereu privilégio de sua invenção (O Brazil-Medico, 15.7.1898, p.237). Nos Estados Unidos a repercussão foi positiva (The American Medical Association Journal, 28.5.1898, p.1304-5).

66 A correspondência passou a ser enviada a partir de 1900 diretamente para o Secretário da Agricultura, Comércio e Obras Públicas; o ajudante de Laufer, Otto Herbst, assumiria depois a função de encarregado. As informações sobre aquela colônia provêm de: Livro de Correspondências 1899-1903, E 01834; e Livro Relatório 1900, E 01838 – Arquivo Permanente/Arquivo do Estado de São Paulo.

67 As proporções eram as seguintes: alemães 45,51%; suíços, 9,93%; austríacos, 9,13% e os teuto-brasileiros, 3,84%. As demais nacionalidades eram: húngaros, 8,65%; suecos, 9,29%; brasileiros, 7,21%; italianos, 5,28%, e portugueses, 1,12%.

68 Lacerda (1900, p.44-5). Publicado inicialmente em Annaes da Academia de Medicina do Rio de Janeiro (1899) e em O Brazil-Medico (1899).

69 Os serviços de saneamento e higiene estiveram a cargo da municipalidade até a promulgação da Lei de 3 de agosto de 1896 e do Regimento de 7 de outubro do mesmo ano, quando passaram à administração estadual. Os serviços de coleta de lixo e limpeza das ruas permaneceram sob a responsabilidade da Intendência Municipal (Lapa, 1996, p.261).

70 A Comissão instalou-se naquele prédio situado na atual avenida Anchieta, construído pela Câmara para sediar o mercado que foi inaugurado em 1861. Foi adaptado para acomodar “cocheiras, estufas, rouparia, banheiros, câmara de gás sulfuroso, incineradores etc.” À semelhança do Desinfectório Central de São Paulo, recebeu o nome de Desinfectório Central de Campinas. Funcionou como tal entre 1896 e 1918, quando foi derrubado, erguendo-se no terreno a Escola Normal, hoje Instituto de Educação Carlos Gomes. Na mesma época, foi instalado também o Desinfectório da Estação, que atendia os passageiros que chegavam à cidade (Lapa, 1996, p.263).

71 Santos Filho & Novaes, 1996, p.258-60. Em 1896, Brito projeta “obras de saneamento que incluíam drenagem, reforço da captação de água, formação de novas represas, instalação de caixa de decantação e todo um complexo de obras, nas quais se destacam os canais de drenagem a céu aberto, em cujas margens prevê avenidas arborizadas, como realmente aconteceria com a abertura posterior das avenidas Anchieta e Orozimbo Maia” (Lapa, 1996, p.262).

72 “Consultas feitas pelo governo, em 1892, a profissionais estrangeiros, por intermédio dos respectivos representantes do Brasil na Europa, sobre o saneamento da cidade do Rio de Janeiro” (Diário Oficial, ano XXXVI, n.41, 11.2.1897, p.690-1). Também em Jornal de Campinas (12.2.1897, p.2).

73 A Academia de Medicina formou comissão para analisar o assunto. Gurgel do Amaral (futuro prefeito da cidade) endossou a defesa do enxugo do solo feita por Aureliano Portugal, o demógrafo da Saúde Pública (Gazeta de Notícias, 8.12.1892, p.1). Polemizando com Rocha Faria, este reiterara sua fé em Pettenkofer: “sem o saneamento do solo pela drenagem, a terrível moléstia não abandonará as nossas plagas”. José Lourenço e Clemente Ferreira apresentaram parecer em separado defendendo a importação e contagiosidade da febre amarela. Após a leitura, na Academia, da memória de Lourenço, já citada, veio a resposta de Portugal em Gazeta de Notícias (28.12.1892, p.2).

74 Esse tema é desenvolvido em Benchimol (2003).

75 Congresso Nacional, Annaes da Camara dos Deputados, 1897, v.1, p.354-7; Congresso Nacional. Annaes da Camara dos Deputados, 1897, v.1, p.400-1.

76 Num artigo em que contestava Freire, Fajardo (15.6.1894, p.180) transcreveu declarações do próprio Laveran e do patologista italiano Camilo Golgi. Ambos comentavam muito favoravelmente as preparações feitas pelo histologista carioca com o objetivo de revelar as formas do plasmódio da malária encontradas no sangue de habitantes do Rio de Janeiro. De Paris (março de 1893) Laveran escrevera: “Na próxima sessão da Sociedade de Biologia falarei de vossas preparações e direi que haveis conseguido encontrar no Brasil o hematozoário do paludismo; se me enviardes um trabalho a esse respeito, terei prazer em submetê-lo a uma de nossas sociedades científicas. Vós estais no bom caminho e o sr. Domingos Freire, no mau caminho. Agradeço-vos por me haverdes enviado o último trabalho do sr. dr. Freire”. Em carta de 18.8.1893, Golgi agradecia duas preparações de sangue malárico “muito bem executadas” que recebera de Fajardo.

77 A descoberta aconteceu quase acidentalmente, quando estava na Argélia. Os parasitos da malária, explica Busvine (1993, p.18, 20), contêm um pigmento negro, que é a hemoglobina das células do sangue parcialmente digerida. Os grumos negros já haviam sido descritos por outros médicos como corpúsculos degenerados do sangue. Ao examinar sangue fresco de um soldado, Laveran pôde testemunhar um fenômeno que seus antecessores não viram, segundo Busvine, porque se limitaram a observar células mortas do sangue: alguns dos corpos pigmentados arredondaram-se e expeliram numerosos filamentos finos que ondulavam ativamente. Este processo depois seria conhecido como ex-flagelação: os filamentos são espermatozóides que se desprendem para fertilizar os gametas no estômago do mosquito. Ainda em 1880, Laveran publicou a descoberta do Oscillaria malariae nos Annales de Dermatologie (v.1, p.173) e no Bulletin de I'Academie de Médecine de Paris a (v.44, 2 série, v.9, p.1346).

78 No tipo mais comum de malária, ou terçã, causada pelo Plasmodium vivax, a febre ocorre em dias alternados. Embora seja mais branda, pode ser a causa de um estado de enfermidade crônica. As pessoas acometidas pela terçã sofrem recidivas. Na espécie de malária quartã, associada ao Plasmodium malariae, a febre ocorre em intervalos de 72 horas e, na que é causada pelo Plasmodium falciparum ou estivo-outonal, a febre e os calafrios aparecem em intervalos irregulares. É o tipo mais perigoso da

doença. (www.noolhar.com/ opovo/ceara/160963.html, acesso em 16.05.2005).

79 Começou a ganhar contornos mais definidos na primeira metade do século XIX, graças a estudos clínicos e anatomopatológicos de médicos franceses como Pierre Charles Louis (1787-1872), Armand Trousseau (18011867) e, principalmente, Pierre-Fidèle Bretonneau (1778-1862) (Kolle & Hetsch, 1918, p.265; Bulloch, 1938, p.314). No Brasil, um dos raros diagnósticos de “febre tifóide” foi feito em 1851, durante uma epidemia na vila de Itapetininga, pelo médico dinamarquês Teodoro Joannis Henrique Langgaard (1813-1883), autor de vários livros de medicina popular que alcançaram grande êxito nos anos 1860-1880.

80 Relatório de 1893: Febres Remittentes e Typhoideas. Arquivo Adolpho Lutz (BR. MN. Fundo Adolpho Lutz, caixa 4, pasta 21, maço 2, p.1).

81 Relatório do Instituto Bacteriológico – 1894. Obras de Lutz 1891-1899 (BR. MN. Fundo Adolpho Lutz, caixa 2, p.38).

82 O parecer de Eberth foi transcrito em Relatório de 1895: Febre Typhoide (caixa 4, pasta 21, maço 2, p.4-5), e em “Contribuições à história da medicina brasileira. Febre typhoide em S. Paulo durante os annos de 18931907 segundo os relatórios do dr. Adolpho Lutz como director do Instituto Bacteriológico do estado,” 1943, p.4-5 (BR. MN. Fundo Adolpho Lutz).

83 Relatório do Instituto Bacteriológico – 1894. Obras de Lutz 1891-1899 (caixa 2, p.38).

84 Mello (1885), por exemplo, considerava que a febre amarela não era senão uma modalidade mais grave do impaludismo agudo. Entretanto, muitos bacteriologistas – o próprio Lutz, num certo momento – estabeleceram analogias entre febre amarela e cólera baseadas nas manifestações intestinais das duas doenças. As confluências entre o cólera e os tifos icteróide e abdominal são visíveis, também, nas discussões sobre os seus modos de transmissão, e por conseqüência, de prevenção. À mesma época em que Adolpho Lutz, Clemente Ferreira e Desidério Stapler, por exemplo, defendiam, cada qual à sua maneira, a transmissão hídrica da febre tifóide, Luiz Pereira Barreto, um dos caciques do Partido Republicano, sustentava o mesmo ponto de vista em relação à febre amarela. Apesar de estar em minoria na Sociedade de Medicina e Cirurgia de São Paulo, suas idéias influenciaram as obras de saneamento realizadas em 1896, no governo de Manuel Ferraz de Campos Salles, na capital paulista, em Santos, Campinas e outras aglomerações acometidas pelo “vômito-negro” (Teixeira, 2001, p.121-3; Tellaroli Jr., 1996).

85 Relatório de 1895 (BR. MN. Fundo Adolpho Lutz).

86 Relatório de 1896 (BR. MN. Fundo Adolpho Lutz).

87 Nas espécies Python molurus, Tropidonetus stolatus e Bungarus fasciatus. Este conhecimento proveio da leitura do “Sporozoenkunde” de Wasielewsky [Relato sobre os esporozoários de Wasielewsky] e do “Baumgarten's Jahresbericht” [Jahresbericht überdie Fortschritte in derLehre von den pathogenen Mikroorganismen (1885-1911), publicação anual criada pelo dr. Paul Clemens von Baumgarten (1848-1928), professor de anatomia patológica em Konigsberg]. O artigo de 1901 trazia, como “aditamento,” a seguinte observação: “Somente após a conclusão deste trabalho consegui um exemplar da monografia de Labbé, esgotada nas livrarias … os meus resultados se harmonizam bem com os seus dados. As divergências só sobrevêm quando se trata da interpretação do que foi observado. Contudo, não vejo motivo para modificar minhas concepções … Uma edição revista e aumentada desta monografia excelente certamente seria oportuna e bem-vinda”.

88 Relatório de 1896 (BR. MN. Fundo Adolpho Lutz).

89 Relatório de 1897 (BR. MN. Fundo Adolpho Lutz).

90 Relatório de 1898 – e também já no ano anterior (BR. MN. Fundo Adolpho Lutz).

91 Lutz considerava absurda a teoria segundo a qual todas as febres quotidianas resultavam de “dois ataques de intermitente terçã, ou três ataques de febris quartana”.

92 Em 13.9.1946, alguns anos antes do fim da concessão aos ingleses, a São Paulo Railway foi encampada pelo governo brasileiro. Dois anos depois, passou a se chamar Estrada de Ferro Santos-Jundiaí, mais tarde incorporada à da Rede Ferroviária Federal S.A. Um novo sistema de tração na serra, conhecido como sistema cremalheira, foi inaugurado em 1974. Desativou-se, então, o sistema funicular construído na década de 1860. O segundo continuou em atividade até 1982, quando também deixou de operar comercialmente. Ver a esse respeito “Endless Rope” e “São Paulo Railway,” em Wikipedia, the free Encyclopedia, s.l., 27.1.2005, disponível em: pt.wikipedia.org/wiki/Endless Rope(acesso em 5.5.2005); “Paranapiacba,” em Vésper Estudo Orientado, São Paulo: Escola Vésper, s.d., disponível em

www.escolavesper.com.br/paranapiacaba/paranapiacaba.htm (acesso em 5.5.2005); Minami (s.d.); “Empreendimentos que honram o Estado de São Paulo,” em O Diário, 26.1.1939; Santos & Lichti, 1996.

93 Com efeito” – comenta Lutz – “este método de coloração é superior a todos os outros pela clareza com que mostra tanto a cromatina como o protoplasma do plasmódio e os vários fenômenos da evolução dos mesmos. Todavia, é de um emprego muito delicado … oferece freqüentemente grandes dificuldades. Pela prática prolongada chegamos finalmente a evitar com bastante certeza os insucessos freqüentes no princípio destes estudos”. Relatório de 1901: Impaludismo (BR. MN. Fundo Adolpho Lutz).

94 Relatório de 1902 (BR. MN. Fundo Adolpho Lutz).

95 No relatório de 1901 (BR. MN. Fundo Adolpho Lutz).

96 Picado (1913, p.219) cita três trabalhos de Müller, F.: Waserthiere in den Wipfeln des Waldes, Kosmos (Leipzig), 1879, v.IV, p.390-2; Descripção do Elpidium bromeliarum. Crustaceo da família dos Cytherideos. Archivos do Museu Nacional do Rio de Janeiro, 1879, v.IV, p.27-34; e Wasserthiere in Baumwipfeln. Elpidium bromeliarum. Kosmos, 1880, v.XVI, p.386-8.

97 Alguns dos inquilinos daquelas plantas se alimentam de húmus enriquecido pela presença de organismos microscópicos (rotíferos, infusórios, diatomáceas etc.); outros, como as larvas de coleópteros, caçavam animais miúdos. As larvas de Megarhinus faziam “boa limpeza” entre os pequenos culicídeos (Lutz, 1903).

98 No artigo publicado em 1903, agradecia a colaboração de diversos amigos, citando o sr. Aehringsmann e o professor von Wettstein, que lhe tinham fornecido água de bromeliáceas de diversas localidades, contendo larvas de mosquitos; o sr. Schmalz, de Joinville, que, a seu pedido, criara grande número desses mosquitos; e ainda os srs. Loefgren e Edwall, da Comissão Geográfica de São Paulo, que lhe tinham fornecido preciosas indicações bibliográficas relacionadas à botânica. Colecionador amador, João Paulo Schmalz começou a se corresponder com Lutz em 1899, quando este buscava dípteros. Na primeira carta, datada de 30.6.1899, dizia que sua coleção continha basicamente coleópteros e lepidópteros, e poucos dípteros, mas que iria coletar espécimes desse grupo para Lutz. A partir de então, mandar-lhe-ia várias remessas (BR. MN. Fundo Adolpho Lutz, Pasta 216, maço 12).

99 Foi republicado em 30.4.1950 pela Revista Brasileira de Malariologia, v.II, n.2, em português (“Mosquitos da floresta e malária silvestre,” p.91-100) e em inglês (“Forest mosquitoes and Forest Malaria,” p.101-10). Na presente edição, além da atualização ortográfica, registramos em nota as correções feitas pelos filhos de Adolpho Lutz ou por nós mesmos, com base no cotejo com “Waldmosquitos und Waldmalaria”.

100 Carta de Lutz para Theobald 2.4.1900 (BR. MN. Fundo Adolpho Lutz, pasta 267, maço 1). A primeira referência aos mosquitos consta do Relatório do Instituto Bacteriológico para o ano de 1898. Lê-se aí que “o diretor ocupou-se principalmente com os exames histológicos necessários e com o estudo das moléstias parasitárias não devidas a bactérios, mas dependentes de amebas, flagelados, esporozoários, vermes e insetos parasitários”.

101 No primeiro volume de sua monografia sobre Culicidae, Theobald (1901) faz a seguinte observação ao descrever o habitat de Anopheles lutzii: “Recebida do Dr. Lutz que escreve que esta [espécie] é Anopheles do Brasil. Criam-se em águas empoçadas e os adultos freqüentam as florestas em regiões montanhosas, servindo como transmissor da malária em lugares onde não há pântanos”.

102 O Anopheles lutzii foi capturado por Oswaldo Cruz em 1901, no Rio de Janeiro, às margens da Lagoa Rodrigo de Freitas. Por Oswaldo Cruz, foi proposto também, em 1907, o Manguinosia lutzii, rebatizado para Anopheles peryassui no ano seguinte, quando se verificou que era, na verdade, um anofelino. A esse respeito ver Cruz (1972).

103 Segundo Gadelha (1994, p.175-95), autor do melhor estudo sobre o assunto, a expressão “malária das bromélias” foi usada pela primeira vez por Downs & Pittendrigh (1946). O número de Parasitologia em que saiu o artigo de Paulo Gadelha foi organizado por W. F. Bynun e B. Fantini, e é todo ele dedicado a Malaria and Ecosystems: Historical Aspects.

104 Segundo Picado, ninguém contemplara ainda o conjunto da fauna bromelícola e as diversas condições de meio proporcionadas por aquelas plantas. Foram esses os objetivos que pretendeu alcançar no trabalho que lhe valeu o diploma de Estudos Superiores de Botânica na Sorbonne (1912), e o doutorado na Universidade de Paris (18.11.1913), do qual a biblioteca do Museu Nacional possui exemplar dedicado a Adolpho Lutz. Nascido em San Marcos de Nicaragua, em 17 de abril de 1887, Clodomiro Picado Twight obteve o grau de bacharel no Liceo de Costa Rica, em 1906. Em 1907-1908, lecionou ciências naturais no Colegio San Luis Gonzaga e publicou os primeiros artigos sobre a fauna costa-riquenha. Com uma bolsa concedida pelo Congresso, a pedido de seus professores, viajou em outubro de 1908 para a Europa. Regressou a seu país em 1910, quando um terremoto sacudiu Cartago. Durante a permanência na Costa Rica, coletou material para a tese de doutoramento. Em março de 1911, regressou à França com desenhos, fotografias e material biológico. Em 1912, os Comptes Rendus de I'Academie des Sciences publicaram três notas sobre as bromeliáceas.

105 Knab recebe menção especial, juntamente com Bouvier, Calvert, Champion, de Peyerimhoff e Scott em virtude das informações que forneceram a Picado sobre a fauna bromelícola. Este cita sete artigos de autoria de Knab (1904, 1905, 1912a, 1912b; 1913a, 1913b, 1913c).

106 No ano anterior, Cândido Gaffrée solicitara a Oswaldo Cruz, diretor-geral da Saúde Pública e diretor do Instituto Soroterápico de Manguinhos, a indicação de um médico capaz de fazer a profilaxia da malária em Itatinga, onde a Companhia Docas de Santos construía uma represa hidrelétrica, cujas obras estavam virtualmente paralisadas por causa da malária. Oswaldo Cruz designou Chagas, e este adotou procedimentos que iriam se tornar corriqueiros em outras campanhas anti-palúdicas. Verificou, sobretudo, que a única forma de impedir a propagação da doença em regiões onde eram impraticáveis os trabalhos de saneamento consistia em direcionar as medidas preventivas para a habitação ou alojamento onde se concentravam os homens e os mosquitos infectados. A esse respeito ver Chagas Filho, 1993; Albuquerque et al., 1991; Benchimol, 1990.

107 Segundo esta regra, a largura da cápsula cefálica das larvas dos lepidópteros segue uma progressão geométrica regular nos sucessivos ínstares.

108 Nessa comunicação não mencionava Lutz.

109 Knab já publicara artigo a esse respeito (Proc. Ent. Soc. Wash., v.xiii, n.71, 1911), mostrando que aquele triatoma era notável entre os membros americanos do gênero em razão de sua estreita adaptação ao homem.

110 No artigo seguinte (Knab, 1913a), dirá que linha de raciocínio muito parecida levara Grassi à sua grande descoberta, “que não foi, como se diz em geral, que os Anopheles transmitem a malária, mas que espécies definidas o fazem”. O parasitologista italiano teria partido do princípio de que o inseto sugador de sangue responsável pela transmissão devia apresentar a mesma distribuição da doença. Segundo Gadelha (1994), partindo do pensamento de Grassi a respeito da especificidade na relação entre anofelinos e plasmódio humano Knab extrapolara a mesma relação para os vários anofelinos e os hospedeiros humanos dos parasitas.

111 Palavras de Dyar: “À época dessa investigação, não se conhecia a que grau de especialização tinha alcançado a relação malárica. Pensava-se que a malária no homem era simplesmente transmitida por Anopheles por oposição a outros mosquitos. A conclusão de Lutz era, portanto, naquela época natural e plausível. Mas agora sabemos que a relação malárica é altamente especializada. Cada tipo de malária é em geral veiculada por uma ou duas espécies de Anopheles numa localidade. Com freqüência temos em dada localidade diversas espécies de Anopheles, mas somente uma é capaz de transmitir a forma de malária prevalente lá. O sr. Knab mostrou que para que se tenha estabelecido esta relação tão delicada, seria preciso que fosse precedida por uma associação habitual do hospedeiro vertebrado e do mosquito – em outras palavras, somente um Anopheles doméstico ou semidoméstico são capazes de operar como transmissores de malária” In: Knab, The contentions regarding “forest malaria,” Proceedings of the Entomological Society of Washington (v.XV, part 2, p.110-8, 1913a).

112 Anexava a carta a Hunter e deixava clara a posição dele e de Dyar em relação à mutilação de sua comunicação. Knab respondeu a Hunter em 29.1.1914: os trechos suprimidos “mudavam por completo o tom e o espírito” da tréplica de Lutz. “Da maneira como estava, a carta encerrava de maneira muito apropriada uma controvérsia em que os argumentos se tinham exaurido de ambos os lados; agora temos apenas uma declaração fraca. Em resumo, a comunicação do Dr. Lutz foi emasculada”.

113 Gênero criado por Theobald em 1905 e considerado como subgênero de Anopheles por Dyar na década de 1920. Este entomólogo qualificou como Kerteszia todas as espécies bromelícolas já reconhecidas como grupo distinto por Knab em 1913 (Zavortink, 1973, p.4; Knab, 1913b).

114 Relatório de 1900 (BR. MN. Fundo Adolpho Lutz).

115 A nota preliminar foi publicada no Philadelphia Medical Journal (27.10.1900). Delaporte (op. cit., p.106-9) mostra que foi elaborada a partir da reunião do artigo de Durham e Myers com o caderno de campo de Lazear. Stepan (op. cit., p.421) contrapõe esses equívocos aos juízos dos historiadores americanos sobre a incompetência de Finlay.

116 Segundo Peller (op. cit., p.200), entre 5.12.1900 e 7.2.1901 fizeram-se duas séries de experiências. Na primeira, dos 12 voluntários inoculados, dez adoeceram; na segunda, quatro dos cinco. Em ambas, Finlay fez o diagnóstico clínico. Dessas experiências proveio o principal argumento para desmerecê-lo quando aflorou a disputa pela prioridade da descoberta. Seu erro consistira em ajustar as inoculações experimentais ao tempo que o mosquito levava para fazer nova refeição de sangue e não ao tempo de maturação do ‘vírus’. Utilizara mosquitos contaminados só dois a seis dias antes, fiando-se na observação de que precisavam de dois a três dias para digerir o sangue e sair em busca de nova refeição. Oito voluntários picados por mosquitos contaminados menos de 12 dias antes permaneceram saudáveis. O décimo segundo dia – mesmo período fixado por Ross para a malária – demarcava a fronteira entre o fracasso e o sucesso das experiências.

117 Segundo Peller, essa experiência, realizada entre 30.11 e 19.12.1900, foi repetida duas vezes, primeiro com três voluntários, depois com dois, durante 21 e 18 noites, respectivamente.

118 Este é, na verdade, o tema central do artigo de Peller: corrigir a injustiça cometida pelos historiadores norte-americanos e pelo próprio Reed, que omitiram o trabalho de S. Firth, a quem deveria ser atribuído todo o crédito pela descoberta de que a febre amarela não era transmitida pelos fomites, tendo a comissão utilizado os mesmos métodos do precursor. (Ver também Harvey, 1981.)

119 Apesar de contaminar um voluntário saudável com soro filtrado de um doente, pelos critérios estabelecidos por Loeffler e Frosch, só a transmissão em série provaria que o agente etiológico era um vírus ultramicroscópico. A transmissão isolada não excluía a ação de uma toxina secretada por uma bactéria (Lowy, 1991).

120 Em 14.4.1898, João Batista de Lacerda criticou a comunicação submetida por Caldas em maio do ano anterior àquela instituição e ao Instituto Pasteur de Paris. Carlos Seidl, que conduzira testes clínicos, teve de justificar a precipitada acolhida do soro no Hospital São Sebastião. Rocha Faria, presidente da comissão formada para verificá-lo, propôs que a Academia emitisse veredicto claro para salvaguardar seus créditos científicos abalados pelo relatório dos bacteriologistas de São Paulo. Em artigo publicado no Brazil-Medico (1.5.1898, p.145), Seidl tornou a dizer que o empirismo não era empecilho à experimentação clínica em doenças de etiologia duvidosa ou obscura. “Richet e Hericourt, os fundadores da soroterapia, não se dedicaram a explorar este novo sistema de tratamento em moléstias como o câncer e a sífilis? De modo análogo procederam Emmerich, Stoll, Roger, Blecere, Thomaselli, Istamanoff, Fournier, Gilbert, Auché, Laudmann, Pellizari, Carrasquilla etc. etc., com o câncer, a varíola, a escarlatina, a sífilis, o reumatismo articular agudo, a coqueluche, a lepra etc.”. Mesmo não sendo específico, o soro de Caldas poderia ter “as virtudes inerentes ao simples soro de cavalo”. Seidl foi criticado por Abel Parente (O Brazil-Medico, 15.5.1898, p.169-70). Queria saber o número de doentes tratados no São Sebastião para “provar que as experiências com o soro de Caldas … foram fatais ao doente”. A resposta irada de Seild está em O Brazil-Medico (1.6.1898, p.187-8).

121 “Correspondence. Yellow Fever, an infection produced by malignant colon bacilli,” Medical News (26.8.1899, v.75, p.279).

122 O Brazil-Medico (8.12.1901, p.456-7). Transcrição de carta enviada de Cuba, em 2 de setembro, por V. Havard, publicada também em Medical News (14.9.1901). O relatório da comissão saiu originalmente em Havana, na Revista de Medicina Tropical (n.9, set. 1901).

123 Perguntaram-lhe, também, se tinha provas da eficácia da vacina. Caldas disse que nos últimos dois anos vacinara 23 estudantes no Rio de Janeiro; quanto ao soro, teria obtido curas na proporção de 85% no Brasil e no México. Pouco antes, Matienzo expusera ao conselho de saúde do México experiências feitas em Veracruz com soro curativo e preventivo preparado no departamento de saúde de Nova York, em colaboração com o dr. Baker, sobre quem logo falaremos (Revista Medica de S. Paulo, 1900, p.33).

124 Prolongou-se até 1902 o affaire Caldas. Tanta confiança tinha em sua vacina que a inocularia em dois filhos, um dos quais faleceu. A esse respeito ver O Brazil-Medico (15.10.1901, p.387; 8.7.1901, p.256-7; 8.12.1901, p.457; 15.2.1902, p.66-7) e Revista Medica de S. Paulo (1902, p.74).

125 Dessa expedição resultou Durham & Myers (1902).

126 Outro investigador de Liverpool encerrou a carreira na Amazônia. O dr. Harold Howard Shearme Wolferstan Thomas faleceu em Manaus, em 8.5.1931, depois de passar vinte anos no The Yellow Fever Research Laboratory. Antes de iniciar a 15 a expedição ultramarina da escola, junto com Anton Breinl, em abril de 1905, estudou tripanossomíases na África e em 1904 verificou o valor terapêutico do atoxyl, a primeira substância capaz de inibir a ação dessa espécie de protozoário em animais. Na Amazônia, o objetivo era ainda investigar a febre amarela, que ambos contraíram. Breinl regressou à Inglaterra, Thomas permaneceu até 1909, publicando nos anais da instituição (1910) “Yellow fever” e “The sanitary conditions and diseases prevailing in Manaus, North Brazil, 1905-1909”. Regressou à Amazônia em 1910 e só saiu de lá mais uma vez, para obter fundos de pesquisa e contratar três assistentes (Miller, 1998, p.34-40; Smith, 1993).

127 BR. MN. Fundo Adolpho Lutz, pasta 267, maço 2.

128 BR. MN. Fundo Adolpho Lutz, Pasta 267, maço 2.

129 Na descrição do Culex taeniatus (denominação dada por Wildemann em 1828), apontava as seguintes espécies em sinonímia: Culex taeniatus Meigen; C. mosquito Robineau-Desvoidy e Lynch-Arribálzaga (Cuba e Buenos Aires); C. frater Robineau-Desvoidy; C. calopus Hoffmannsegg (Portugal); C. elegans Ficalbi (Itália meridional); C. vittatum Bigot (Córsega) e C. Rossii Giles (Índia).

130 BR. MN. Fundo Adolpho Lutz, Pasta 174 – Febre amarela. Laboratório Bacteriológico da Diretoria Geral de Saúde Pública.

131 Lemos (p.65-7), diz que foi escrito em 20.2.1903, mas os seus autores relatam fatos ocorridos no dia 24.

132 Eram Paschoal Ceraballo e Francisco Ceraballo, procedentes de São José do Rio Pardo, que tendo enfermado nessa capital, foram removidos para o Hospital de Isolamento, falecendo o primeiro a 18 e o segundo a 23 de fevereiro desse ano.

133 A Repartição de Saúde Publica e dos Hospitais de Marinha tinha várias atribuições: a superintendência dos hospitais de marinha, das estações de desinfecção; das quarentenas internas, insulares e estrangeiras, da inspeção de imigrantes e da elaboração de estatísticas. Devia ainda reunir em conferência, pelo menos uma vez por ano, as autoridades sanitárias dos estados para resolver de comum acordo questões de saúde pública. A repartição tinha uma seção para pesquisas científicas, e um instituto especificamente para o estudo da febre amarela: o Yellow Fever Institute. Cruz, Oswaldo. “Prophylaxia da febre amarella,” O Jornal, Rio de Janeiro, 9.10.1903.

134 Sobre a missão francesa, há um bom trabalho de autoria de Lowy (1991), mas a melhor fonte é sem dúvida a dissertação de Tran (1998). É rica no tocante à documentação gerada pelos médicos franceses, ainda que seu autor tem uma visão distorcida da ciência no Brasil e de sua formação social, que enxerga somente pela ótica dos franceses e de sua legação no Brasil.

135 Fontes: Institut Pasteur, Information Scientifique, Services des Archives: Dossiers biographiques:

www.pasteur.fr/infosci/archives/mrx0.html, acesso em 16.3.1005. Sobre Manguinhos e Butantã, ver Benchimol & Teixeira (1993).

136 Olpp (1932) e

fhh.hamburg.de/stadt/Aktuell/behoerden/wissenschaft-gesundheit/hygiene-umwelt…, acesso em 13.5.2005.

137 A primeira versão do relatório foi veiculada pelo Arch. f. Schiffs-u. Tropenhyg. (v.VIII, fasc. 12): “Bericht über die Reise nach Brasilien zum Studium des Gelbfiebers von 10. Februar bis 4. Juli 1904 im Auftrage des Seemannskrankenhauses und Institutes für Schiffs- und Tropenkrankheiten zu Hamburg” [Relatório sobre a viagem ao Brasil para o estudo da febre amarela, de 10 de fevereiro a 4 de julho de 1904, sob encomenda do Hospital do Marinheiro e do Instituto de Medicina Tropical de Hamburgo]. Saiu depois em Zeitschrift für Hygiene und Infektionskrankheiten (v.51, fasc. 3, 1905, p.356-506) com o título “Studien über Gelbfieber in Brasilien” [Estudos sobre febre amarela no Brasil]. Por fim, transformou-se no livro Studien über das Gelbe Fieber in Brasilien (Leipzig: Von Veit, 1906). Otto e Neumann publicaram também, no Münch. Mediz. Wochenschr. (1904, n.36), “Bemerkungen zu den Vorschlãgen zur individuellen Profhylaxis des Gelbfiebers auf Grund der Finleyschen Kontagionstheorie von Dr. Ernst v. Bassewitz in Porto Alegre (Brasilien)” [Observações a respeito das sugestões do Dr. Ernst v. Bassewitz em Porto Alegre (Brasil) para profilaxia pessoal contra febre amarela, com base na teoria de contágio de Finlay]. Sobre esses trabalhos, saíram resenhas de autoria de Schill (Centralblatt für Bakteriologie, Parasitenkunde und Infektionskrankheiten, n.37, p.737-44, 1905); Georg Schmidt (n.37, p.477, 1905); Büsing (n.37, p.297-8, 1905).

138 Citava Theobald (1901, v.I, p.294).

139 Esta chamava-se “Retour du Brésil. La fièvre jaune vaincue,” e tinha como subtítulo: “Comment les docteurs Marchoux et Simond ont vaincu un des plus terribles fléaux qui dévastent nos colonies…”. Archives de l'Institut Pasteur, Fundo Simon: SIM. 22. PL Simond Presse. Segundo Tran (1998, p.67), a descoberta ficou no limbo até ser confirmada nos anos 70, graças a técnicas modernas de imunoflorescência: uma equipe americana encontrou o vírus La Crosse em larvas do Aedes triseriatus (1973); três anos depois, uma equipe francesa demonstrou, no Senegal, a transmissão transovariana de um flavivírus, o Koutango, no Aedes aegypti. Em 1980, verificou-se que o da febre amarela também poderia ser transmitido assim.

140 Em 1903, Oswaldo Cruz comentou: “Pondo de parte o fato de terem eles encontrado um protozoário no corpo dos mosquitos … pois que ainda é cedo demais para pronunciar-se sobre o papel etiológico desse microrganismo, duas conclusões importantes resultam dessa Comissão: A primeira é que o mosquito Stegomyia fasciata, tendo picado 22 dias antes um doente de febre amarela no segundo dia de moléstia, produziu um “acumulamento grave da moléstia” quando levado a picar um individuo não imune; a segunda é que a proteção dos doentes de febre amarela contra os mosquitos impede seguramente a propagação da moléstia”. Os trabalhos desses médicos e o de Finlay são comentados em Report of the Committee on the Etiology of Yellow Fever. By Dr. John W. Ross, U. S. N., Chairman, Washington, DC. Fonte:

etext.lib.virginia.edu/etcbin/fever-browse?id=02708001.

141 Segundo Tran (1998, p.56-7), mesmo à distância, Roux exercia certa influência sobre as operações. Considerado pelos três como seu mentor científico, mantinha com essa comissão relação similar à de Sternberg com a comissão Reed em Cuba.

142 Nascido em 1871, Schaudinn faleceu precocemente em 1906, com 35 anos. Sua curta carreira científica foi fecunda: além das amebas, estudou a evolução dos plasmódios no tubo digestivo dos anofelinos e no sangue humano; formulou a hipótese, que vigorou por muito tempo, da esquizogonia regressiva (divisão dos gametas fêmeas em certo número de merozoítos) para explicar as freqüentes recaídas nos impaludados; criou o gênero Treponema (Kruif, 1945). Stanislas von Prowazek, discípulo e sucessor de Schaudinn na direção do Instituto de Hamburgo, passaria uma temporada de seis meses no Instituto Oswaldo Cruz, em julho de 1908, ao mesmo tempo em que Adolpho Lutz se transferia do instituto paulista para o carioca. Em 24 de junho de 1912 Carlos Chagas seria agraciado com o prêmio Schaudinn de protozoologia, instituído após a morte deste pelo Intitutes für Schiffs-und Tropenkrakheiten de Hamburgo; era conferido por uma comissão da qual Oswaldo Cruz fazia parte desde 1907 (Benchimol, 1990; Benchimol & Teixeira, 1993).

143 A análise do sangue e das vísceras não dera em nada, e as tentativas de transmissão da doença a macacos foram um fiasco. O parasito descoberto nos mosquitos era muito freqüente e nada tinha a ver com a febre amarela.

144 No arquivo do Instituto Pasteur, Fundo Simon, há seis “cahiers d'expérience” (SIM 10), um dos quais tem por título “individus payés” (37p.).

145 Archive de l'Institut Pasteur, Fond Simon, SIM 9 (1901-1905).

146 Roux já sugerira isso em março de 1902. Naquela época, o Instituto Pasteur estava na vanguarda nos trabalhos no terreno das vacinas e soros. Um dos cadernos de nota de Simond é dedicado a essas experiências. Melhor que a versão oficial aparecida nos Anais do Instituto Pasteur em novembro de 1903, esse documento revela as dificuldades encontradas para realizar e interpretar aquelas experiências.

147 Acervo do Museu de Saúde Pública Emílio Ribas. Citada por Almeida (1998, p.199).

148 Mendonça também era chefe de clínica do Hospital da Misericórdia e presidente da Associação Médica Beneficente, fundada em 1902. Faleceu em 1915 (Almeida, 2003, p.218-20). Antunes (1992, p.54) refere-se a outro motivo não documentado de divergência com Lutz: Mendonça não teria aceitado a indicação de Vital Brazil para chefiar o recém-criado laboratório soroterápico de Butantã.

149 Contratado em 1.1.1902 como ajudante do Instituto Bacteriológico, participara de comissões relacionadas à peste e ao impaludismo e ajudara Lutz, em 1902, a coletar mosquitos no Rio de Janeiro. Em 31.1.1903 foi substituído por Arthur Palmeira Ripper.

150 Bandi em V Congresso (v.2, p.9-18). Pereira (O Brazil-Medico, 22.11.1903, 1-8-15.12.1903); V Congresso (v.2, p.113-43). Para o médico baiano, por exemplo, a história das epidemias de febre amarela provava que era uma doença importada. O mosquito era o agente mais ativo de propagação, mas provavelmente não era o único. Talvez outros insetos pudessem colher nas roupas e objetos contaminados os germes da doença, inoculando-os pela picada. A profilaxia devia combinar a guerra ao mosquito e a desinfecção de domicílios e objetos contaminados.

151 Ribas (O Brazil-Medico, 15-22.9.1903, 1-8-15.10.1903). Também V Congresso (v.2, p.57-110).

152 Nägeli nasceu em Kilchberg, Suíça, tendo se formado em medicina em Zurique em 1836. Conseguiu sua habilitação em 1843, após ter trabalhado com o botânico August Pyramus de Candolle em Genf e no laboratório de Manfred Schleiden. Em 1849, tornou-se professor auxiliar na Universidade de Zurique, transferindo-se em 1852 para a de Freiburg im Breisgau; em ambas lecionava botânica. Em 1858 foi contratado pela Universidade de Munique, onde desenvolveu estudos sobre o processo de divisão em grãos de pólen e em algas unicelulares. Destacou-se por seus estudos em citologia e desenvolvimento de planta, tendo determinado o anterídio e espermatozóides em samambaias. Faleceu em Munique

em 1891. www.answers.com/topic/karl-wilhelm-von-n-geli e home.tilscalinet.ch/biograrfien/ biografien/naegeli.htm.

153 Apesar de ser atribuída a Pasteur a descoberta da causa da doença do bicho-da-seda, foi polêmica a prioridade da descoberta. O professor de química médica e farmácia da Faculdade de ciência da Universidade de Montpelier, Pierre Jacques Antoine Bechamp, já buscava a causa da doença antes de Pasteur ser comissionado pelo governo. Nos primeiros meses de 1865, afirmou que era causada por um “pequeno parasito” e apresentou o resultado de suas pesquisas na Sociedade de Agricultura de Herault. Sugeriu, também, o uso do vapor de creosoto para combater o microrganismo. Seus estudos, porém, não tiveram muita repercussão porque, naquele mesmo ano, o governo incumbiu Louis Pasteur de investigar a doença, e todas as atenções se voltaram para ele. Em setembro de 1865, afirmou que a doença não era causada por um microrganismo. Inconformado, Bechamp saiu em defesa de seus próprios estudos e enviou um trabalho à Academia de Ciências, onde reafirmava etiologia parasitária. A discussão prosseguiu até 1867, quando Pasteur finalmente confirmou a teoria de Bechamp, com o auxílio dos assistentes Désiré Gernez (1834-1910) e Eugène Maillot (1841-1889). A descoberta da causa da pebrina ficou, assim, associada a ele, e o trabalho feito anteriormente por Bechamp ficou esquecido, não obstante o pesquisador continuasse a reivindicar a prioridade da descoberta.

154 Ainda assim, muitos autores ainda consideram os microsporídios como grupo dentro dos protozoários. Ver Lipscomb, D. Protozoa em biology.usgs.gov/s+t/frame/m2083.htm.

155 Alfonso Splendore nasceu na província de Cosenza, no sul da Itália, em 1871. Estudou em Cosenza, Nápoles e Roma, obtendo aí seu diploma de médico em 1897. A habilitação para exercer a profissão no Brasil foi concedida pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro levando em conta somente a relevância de seus trabalhos prévios. Em São Paulo, desenvolveu vários trabalhos relacionados à protozoologia e micologia, muitos em parceria com Adolpho Lutz. Retornou à Itália em 1912 mas em 1920 estava de volta a São Paulo, onde permaneceu até sua morte em abril de

1953. Em www.whonamedit.com/doctor.cfm/1534.html &

www.area.cs.cnr.it/imseb/malaria/grassi/splend/

156 Ver a esse respeito, no vol. I, livro 3 desta Obra Completa: “Dermatologia & Micologia,” “Dermatology & Micology”.

157 Irmão de Alfonso Splendore, Achille Splendore ficou conhecido por seu trabalho com cultura de tabaco.

www.area.cs.cnr.it/imseb/malaria/grassi/splend/

158 O fato é referido em Medical dictionary,

www.dictionarybarn.com/Myxococcidiumstegomyia

159 BR. MN. Fundo Adolpho Lutz, pasta 157, maço 44.

160 BR. MN. undo Adolpho Lutz, pasta 157, maço 44.

161 Trabalho intitulado “Ueber Pebrine und verwandte Mikrosporidien. Zweite Mitteilung,” em CentralBlatt für Bakteriologie, Parasitenkunde und Infektionskrankheiten, 1908, v.46, n.4, p.311-5; 1 prancha com figs. de n.29 a 40. Publicado no presente volume com o título “Sobre a pebrina e microsporídios afins. Segunda comunicação”.

162 Hyman, 1940, p.162; Biology of Microsporidia; em pearl.agcomm.okstate.edu/scsb387/biology.htm.