Amor em Jogo: Cidade do Pecado, livro 1

Mari Cardoso · Capítulo 9 de 39

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Amor em Jogo: Cidade do Pecado, livro 1

7 | Katrina

 

Acordei com mãos suaves passeando pelo meu corpo e enfiei o rosto no travesseiro para esconder o sorriso satisfeito, porque aquilo era muito bom. Ina-cre-di-tá-vel! Bastou uma noite bem dormida, sentindo um bom corpo quente, um carinho matinal e eu estava toda derretida.

Devon se aproximou, me puxando e beijou a minha bochecha. Virei de lado, abri os olhos e admirei seu rosto, amassado da noite de sono. Seus olhos estavam brilhantes, como se estivesse feliz e o sorrisinho sonolento me fazia derreter por dentro.

— Bom dia, esposa. — Enfiou a mão por dentro da minha blusa, parando pertinho do meu peito. Não avançou, o toque foi bom o suficiente para me fazer desejar que subisse um pouco mais.

— Bom dia, Devon.

— Não... você tem que dizer... — falou baixinho com a voz grossa de sono e parou pertinho da minha boca. — “Bom dia, marido”.

— Nos seus sonhos... — Suspirei e ele me beijou. Eu nunca beijei uma pessoa logo pela manhã, paranoica com hálito matinal e por ser algo muito íntimo. — Por que está me acordando tão cedo? Meu despertador não tocou.

— Eu vou sair e precisava te dar um beijo de bom dia. Não é assim que maridos fazem?

— Não sei, nunca fui casada. — Revirei os olhos.

— Seu horário de trabalho começa às nove horas, eu vou te encontrar na empresa.

Era cedo demais para começar a trabalhar, minha curiosidade estava além da educação.

— Aonde você vai tão cedo?

— Comprar meu próximo negócio. — Sorriu e me deu mais um beijo. — Me deseje boa sorte.

— Uau. Boa sorte! — murmurei, admirada com a simplicidade na qual ele falou sobre comprar um negócio. — Te vejo mais tarde para me explicar como será o meu novo trabalho.

Saindo da cama, se espreguiçou e tirou a roupa, indo nu para o banheiro. Mordi o lábio admirando a sua bunda, ele olhou para trás, piscou e entrou. Inferno de homem gostoso. Ele era alto (qualquer pessoa era alta para mim, mas Devon deveria ter quase um metro e noventa), cabelos castanhos, quase pretos, sobrancelhas grossas escuras e olhos azuis impressionantes. Ele cuidava do corpo, treinava sozinho ou com Stuart, que era um lutador profissional.

O sexo foi muito bom. Cada partezinha que lembrava me deixava arrepiada e cheia de tesão. Me toquei duas malditas vezes pensando nele. Dois podiam jogar o mesmo jogo. Se ele ia desfilar nu para me fazer reviver a noite que passamos juntos, eu também iria. Pulei fora da cama, tirei a minha roupa e entrei no banheiro. Ele tinha dois chuveiros, então, só embolei o meu cabelo no alto e abri a segunda torneira.

Comecei a tomar banho, ignorando-o, mas estava propositalmente me enchendo de espuma e brincando com as mãos pelo meu corpo. Ele estava parado, eu não desci o olhar para ver a prova física da minha provocação, ou o jogo poderia virar. A ideia era ser indiferente. Assim que terminei, fechei a torneira e peguei uma toalha, me sequei, parei na frente do espelho e reparei que a escova que usei no outro dia estava no suporte ao lado da dele. Escovei os meus dentes um pouco assustada por ele ter deixado ali.

Era cedo demais para estar fora da cama, mas estava sem sono. Poderia começar o meu dia, principalmente porque havia muito para organizar com os meus novos horários de trabalho. Enrolada na toalha, saí do banheiro e estava prestes a sair do quarto quando ele me pegou, virou e me beijou apaixonadamente. Foi um beijo que senti até a planta dos meus pés.

— Agora... você pode ir.

Sem fôlego, tontinha, me afastei e andei pelo corredor com os meus lábios formigando. Entrei no quarto da Vanessa e, como ela sempre acordava muito cedo, estava se preparando para a sua corrida matinal. Encostei na porta, toquei os meus lábios e fiquei reunindo os meus pensamentos para não surtar completamente. Ela parou, me analisou só enrolada na toalha e sorriu.

— Deu a noite toda, safada? — me provocou.

— Não. Eu disse que não vou transar com Devon. Só provocamos um ao outro e agora, ele me fez questionar se eu posso contra ele.

— Vocês dois exalam tensão sexual. Depois que descobriram que são muito bons na dança do acasalamento, se olham e se comem. — Sorriu e colocou a mão no meu ombro. — Querida, se eu tivesse um homem bonito querendo me comer, eu estava dando mais que não sei o quê.

— Isso é o seu lado passador de pano para o seu irmão e o lado de quem está sem transar há muito tempo. — Soltei uma risada e me afastei. Abri a minha bolsa, tirei uma calça jeans mais nova, calcinha e procurei um sutiã. Me vesti e peguei um par de meias. Escolhi uma blusa preta simples da Vanessa. Precisava ir na minha casa. — Vou buscar minha mãe no trabalho, vou para casa e depois vou para o cassino. Não sei como vai funcionar o meu novo horário, mas irei fugir se preciso. Tenho que ir na estação pública e pegar mais alguns materiais. O que eu fotografei não é o suficiente.

— Se quiser, eu vou para você. Tenho consulta no médico e depois estou livre. Sabe, agora que está trabalhando com Devon, pensei em procurar um trabalho.

— Por que não trabalhamos juntas?

— Vou ver se tem alguma coisa que possa me encaixar.

— Não seja tão insegura, amiga. Você é tão doce e inteligente. É a jornalista com o olhar mais romântico para o mundo e as pessoas precisam dessa fé que tem em abundância no seu coração.

— Fofa. — Apertou as minhas bochechas.

— Tento ser. — Sorri e nos abraçamos. — Vamos nos falando. Eu te amo!

Peguei as minhas coisas e carreguei de volta para o Bertie. Devon já tinha saído, seu Mercedes não estava no lugar usual. Bertie soltou um estrondo quando liguei, eu precisava levá-lo ao mecânico com urgência, mas ainda não tinha dinheiro o suficiente para gastar com ele.

Levei quarenta minutos para chegar até o hospital, a entrada de funcionários estava movimentada devido à troca de turno. Minha mãe estava conversando com um médico bonito, tirei uma foto e enviei para Vanessa, nós fofocamos sobre o quanto minha mãe precisava sair mais vezes.

Eles se despediram com um abraço rápido, minha mãe se aproximou e entrou no carro. Fiquei sorrindo de um jeito provocante.

— Pare de me olhar assim, menina. — Me deu um tapa no braço.

— Não estou olhando de um jeito diferente, apenas quero dar um abraço de bom dia na minha mamãe — brinquei e ganhei um empurrão de leve.

— Sonsa. Vamos embora, estou cansada e faminta.

Bertie fez o seu usual estrondo ao ser ligado novamente, todo mundo parou para olhar e nós rimos. Conversamos sobre o médico, era um cardiologista novo na cidade, ela estaria trabalhando com ele naquela semana. De longe, parecia ser bem bonito.

— Mãe... Se eu te contasse que eu me casei, o que você diria? — Comecei a falar calmamente.

Mamãe virou o rosto na mesma hora.

— O que você aprontou, Katrina Summer? — falou entredentes. Caramba, ela fazia parecer que vivia aprontando, o que não era exatamente uma verdade.

— Na verdade, não foi bem aprontar. — Soltei, nervosa. Minha mãe brava era muito assustadora. — Foi um acaso. Quase como um acidente, sabe? — Fingi naturalidade. — Eu saí com a Vanessa, fomos a uma festa que o irmão dela organizou, o lugar estava lindo, cheio, ela sumiu e eu fiquei sozinha com ele. Nós começamos a conversar, beber, provocar um ao outro, acordei no dia seguinte casada e com um acordo nupcial de que nós não poderíamos anular o casamento em seis meses, a não ser que uma multa de cinquenta mil dólares fosse paga, então, eu dormi o dia inteiro e à noite, ele disse que não queria anular, muito menos se divorciar, me desafiou a ficar casada por seis meses.

— Ele quem? — Mamãe estava se segurando para não gritar.

— Devon — falei baixo.

— Desculpe, não ouvi!

— Devon, irmão da Vanessa. Eu me casei com ele.

Houve um silêncio sepulcral no carro.

— Conversamos em casa, Katrina. — Foi tudo que ela murmurou depois de um tempo.

Merda.

Dirigi em silêncio e quase diminuí a velocidade, porque eu não fazia ideia de como a minha mãe iria reagir. A nossa rua sempre tinha uma movimentação pela manhã, vizinhos caminhando, crianças saindo para os últimos dias de aula antes do verão e muitos indo para o trabalho. Entrei na nossa garagem, Bertie resmungou e morreu. Dei um beijinho no volante, pedindo desculpas por ele estar sofrendo, abri a porta, peguei as minhas coisas e minha mãe foi andando para casa depois de bater à porta do carro.

Suspirando, abri a porta malas e peguei a mala. Precisava lavar roupas com urgência.

— Kat? — Nick atravessou a rua. — Reparei que você não tem aparecido em casa em muitas noites. Sabe, estou falando isso porque estou preocupado. Eu entendo que você esteja triste comigo, mas sempre fomos amigos e quero te dizer que estou aqui se precisar de mim. — Ele parou bem no meu caminho para me impedir de passar, encarando com uma expressão de cachorrinho bom amigo.

— Obrigada, Nick. Estou bem, apenas trabalhando. — Abri um sorriso educado e dei a volta por ele. Rápido, me deu a volta e as minhas coisas quase caíram. — É sério, sei que um dia poderemos ser amigos, no momento, só é um pouco estranho. Então, eu preciso entrar agora. Nos falamos depois...

Era difícil ser educada com Nick quando eu sabia do que ele era capaz de fazer. Homens como ele usavam a pele de cordeiro como capa para esconder o verdadeiro lobo que eram. Segundo a minha mãe, o meu pai era exatamente assim: oportunista, se fazia de bonzinho para conseguir o que queria e sempre que a magoava, a fazia acreditar que o problema estava nela. Por muitos anos, minha mãe se culpou por tudo que aconteceu no casamento deles. Eu não queria viver o mesmo.

Ele me deixou ir, mas ficou parado na calçada. Entrei em casa tirando os sapatos, tranquei a porta e deixei as minhas coisas na mesa. Mamãe estava tomando banho, para acalmar a fera, decidi adiantar um cesto de roupas que precisava lavar, preparei café, ela saiu do quarto vestida para dormir, mas antes, parecia que refletia se era uma boa ideia arrancar o pescoço de sua única filha.

— Kat. — Começou e me preparei. — Sei que você vai fazer vinte e sete anos em algumas semanas e que é uma garota que sempre me deu orgulho, nunca me fez perder noites de sono, eu tenho muito carinho por tudo que você faz pensando em nós duas. Eu não te criei para ser tão irresponsável. Sempre te disse que a cidade era cheia de pecados e diversões que poderiam causar sérias consequências. Você cresceu aqui, minha filha. Como pode ter bebido tanto ao ponto de casar com um homem como o Devon?

— Eu posso explicar!

— Como pode explicar? Eu admiro Devon por ele ser um irmão muito bom para Vanessa e sempre serei grata por ter permitido que você vivesse no apartamento dele enquanto estudava, ainda pagava as contas, nunca aceitou nenhum dos meus depósitos. — Ela apoiou as mãos no balcão. — Um casamento é algo realmente sério. Tão sério que eu nem sei como exemplificar. Como pode ter feito isso como um desafio? Uma brincadeira?

— Mãe, eu sinto muito por te decepcionar, mas eu comecei isso e não vou sair como uma provocadora. Eu tinha questões com Devon além do que deixava transparecer. O casamento é sério, tão sério que desafiamos um ao outro o quanto podemos ser comprometidos. Além do mais, ele se recusa a anular e eu não tenho cinquenta mil dólares, então, será por seis meses.

— O que vocês dois vão ganhar com esse desafio?

— Eu não sei, mãe. Nós dormimos juntos e algo está acontecendo, eu não sei o que é, não sei explicar. É confuso dentro da minha cabeça. Não esconderia isso de você, prometo ser o mais responsável possível, mesmo diante da minha recusa em ceder. — Segurei a sua mão. — Devon me promoveu, ele quer que eu trabalhe no setor de comunicação da empresa e talvez Vanessa trabalhe comigo.

— Você nasceu quando completei dezesseis anos, não gosto de falar de tudo que passei para que se tornasse essa mulher linda e determinada, eu te amo, vou confiar na sua criação e no seu coração.

— Obrigada, mamãe. — Nos abraçamos apertado.

Deixei que fosse descansar e me arrumei para o meu dia no trabalho. Levei o meu equipamento necessário: câmera, celular, computador, pen drives, cartões de memória, cadernos e estojo recheado de canetas, lápis e borrachas. No visual, optei por um vestido azul escuro, de alça, marcado na cintura com uma saia plissada até os joelhos. Escolhi um par de sandálias plataforma com tiras em creme, amarrada no tornozelo e uma bolsa caramelo grande.

Com calor, enrolei o cabelo no alto, não queria chegar de rabo de cavalo, não sabia muito bem como era o ambiente. Sabia que os funcionários diurnos não usavam roupas muito formais, exceto os que ficavam nos salões dos hotéis, nas salas de cassino ou na recepção dos lugares de evento.

Terminei a minha maquiagem básica, sem muita coisa ou poderia chegar manchada. Meu carro não tinha ar-condicionado e o ar quente do deserto faria o meu rímel escorrer até as bochechas. Avisei a minha mãe sonolenta que estava saindo e lutei com Bertie para sair do lugar.

A cada sinal que passávamos, ele morria. Cheguei ao prédio principal da Winterfield quinze minutos atrasada. Estacionei ao lado do carro de Devon e assim que bati a porta, dei de cara com Everly saindo de seu conversível de luxo. Ela jogou a chave na bolsa, colocou os óculos de sol e saiu rebolando dentro de um vestido magenta, justo, com um par de scarpins maravilhosos. Entramos no mesmo elevador, eu apertei o botão da cobertura, ela só ficou ao fundo. Podia sentir o olhar queimando na minha nuca.

As portas do elevador abriram e nós duas andamos na mesma direção: a sala do Devon.

Alicia, assistente muito antiga do Devon, estava na ante-sala, olhando um tablet e falando com uma mulher que parecia trabalhar na empresa.

— Olá, Alicia. Quero ver Devon agora. — Everly parou e jogou a bolsa no sofá.

— Bom dia, srta. Mendez. — Alicia abriu um sorriso profissional. — Devon irá falar com você no horário agendado. Infelizmente, terá que aguardar. — Virou-se para mim. — E você, mocinha. Pode entrar, ele já estava reclamando... — Apontou para a porta.

Sem esperar mais, dei uma suave batida e abri. Ele ergueu o rosto, parecia estar lendo algo, olhou para o relógio e me encarou.

— Desculpa o atraso. Bertie não queria colaborar.

— Você precisa trocar de carro.

— Não inventa. — Coloquei a minha bolsa na poltrona. — Vanessa já chegou?

— Ela está se familiarizando com a sala. Obrigada por incentivá-la, ela disse que quer tentar.

— Sei que ela não precisa de um trabalho e sim de uma ocupação, de se sentir útil e produzindo algo, mas ainda é muito difícil, então, tenha paciência.

— Não precisa me pedir paciência com a minha irmã. — Ele saiu de seu lugar e fiquei parada, observando-o. — Você está linda.

— Devon...

— Não vai me impedir de te elogiar, Kat. Tenho seis meses para provar o meu total comprometimento... — Segurou o meu rosto. — E a minha capacidade de ser um marido incrível. — Beijou os meus lábios. — Portanto, sinta-se lisonjeada e se acostume.

— Não joga para perder, não é?

— Nunca. — Piscou e me deu mais uma bitoquinha. — Vem, vamos trabalhar.

Segurando a minha mão, me puxou para fora da sala. Everly estava na sala de visitas, bebendo um cafezinho e digitando em seu telefone. Ela nos deu um olhar mortal quando Devon disse que falaria com ela quando voltasse.

Fiquei sem graça de estar andando com ele na frente de todo mundo, principalmente porque estavam nos observando discretamente. A empresa era bem grande, tinha os setores comuns bem preenchidos como financeiro, recursos humanos, administração e por fim, comunicação.

Vanessa estava em uma sala, ela levantou alegre e acenou.

— Ainda não temos funcionários além de vocês duas — Devon explicou. — E vocês serão responsáveis por fazer as contratações e gerenciar a equipe de marketing e comunicação. Eu não tive boas experiências com três empresas que prestam esse tipo de serviço e, sendo a pessoa controladora que eu sou, quero acompanhar todos os processos e ter bons resultados.

— Caramba. Nós não temos experiência alguma... — Vanessa arregalou os olhos. — Dev, é muita responsabilidade.

— Nós daremos conta. — Cortei o discurso de insegurança. Eu não ia deixar que ele pensasse que não sabia o que estava fazendo. Eu não sabia, mas iria aprender.

Devon me encarou e, lentamente, abriu um sorriso.

— Mais um desafio, Katrina?

— Prepare-se para perder. — Dei de ombros.

— Alicia virá com o escopo dos próximos passos. Tenho uma reunião agora, volto na hora do almoço. Se comportem e tentem não incendiar o lugar — avisou, seu telefone tocou e ele saiu, depois de atender. Virei para Vanessa.

— Estamos ferradas, mas ele fez de propósito, não por sua causa, mas sim por mim. Não entre em pânico, vamos fazer dar certo, nós sempre conseguimos fazer um bom trabalho — garanti.

— É bom mesmo, não quero Devon me enchendo o saco porque não correspondemos às suas expectativas, que sobem até o sol — reclamou e sorri. Eu sabia que ficaria no meio da briga de irmãos dali em diante. — Você pelo menos tem alguma experiência, eu nunca fiz nada. — Vai aprender como eu aprendi. Então, já escolheu a sua mesa?

Distrair Vanessa de suas inseguranças era algo que eu fazia desde o dia que nos conhecemos. Ela passou por um abandono materno, não conhecia o pai e na faculdade teve uma experiência traumática com um namorado psicopata. Aconteceram coisas que apenas eu sabia e por isso me sentia tão protetora. Vanessa e eu éramos almas gêmeas, irmãs da vida e melhores amigas. Ela e a minha mãe eram as pessoas que eu mais amava no mundo e por isso, eu daria o meu sangue por elas.

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