Amor em Jogo: Cidade do Pecado, livro 1

Mari Cardoso · Capítulo 11 de 39

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Amor em Jogo: Cidade do Pecado, livro 1

9 | Devon

 

Como um apostador nato, eu sabia quando e como arriscar. Com Katrina, o jogo era sempre perigoso. Ela era uma mulher de muitas facetas e eu, alguém que gostava de jogar pesado. Pensando no meu próximo passo em fazer com que ela relaxasse e confiasse em mim, após sair do prédio do jornal, pedi que me acompanhasse em uma visita. Ela aceitou com um olhar desconfiado, levantando suas defesas.

Um dia, eu fiz por merecer. Hoje, não mais.

Kat estava lindamente ao meu lado e usando toda a sua concentração para não deixar transparecer que estava admirada. Coloquei o capacete de obras para proteger a sua cabecinha e instruí onde pisar. Incerta, agarrou o meu braço e andou atrás de mim, olhando ao redor com curiosidade. O engenheiro responsável da construção se aproximou e começou a falar sobre a estrutura montada para a luta no sábado.

— Você comprou a antiga arena? — Kat sussurrou. — Eu sempre quis vir aqui, mas o lugar fechou quando eu fiz doze anos.

— Estava preso em uma briga judicial entre os herdeiros, foi resolvido apenas ano passado e então, foi para venda. Tentei comprar da primeira vez e não deu certo, fiquei insistindo até conseguir. Fechei contrato de exclusividade com uma emissora e com a UFC para uma temporada de lutas bem aqui. A estreia será no outro sábado, meio em cima da hora, mas tenho uma boa equipe e vai dar certo. — Segurei-a antes que virasse o pé em uma madeira. — O que acha?

— Isso é incrível. Esse é o negócio que saiu para comprar outro dia?

— Não. Estou comprando um novo pub, sendo esse, abaixo do solo. É um novo conceito, estamos analisando todas as viabilidades de segurança, funcionários e em breve, a minha equipe de comunicação vai lidar com isso.

— E essa luta?

— Será apenas para convidados. Vamos distribuir os convites para clientes e amigos. — Olhei ao redor. — Não vamos atingir a capacidade máxima, será bem privado, para mostrar o espaço e preparar para os próximos eventos.

— É enorme. — Ela sorriu. — Gostei.

— Isso significa que vai vir comigo?

— Talvez... — Deu de ombros. Tudo para não dar o braço a torcer. — Se me pedir para avisar com antecedência para trazer outra mulher, eu vou dar com esse capacete em você.

— Não seja ciumenta, esposa. — Puxei e segurei os seus punhos nas suas costas. Seu capacete bateu na minha testa quando tentei beijá-la e nós rimos. Abaixei o meu rosto, sem desistir e a beijei. — Eu adoro essa sua boca...

— Até que você beija bem. — Sorriu contra os meus lábios.

Após olhar algumas mudanças, saímos. Era o fim do dia e o sol estava se pondo. Seu telefone tocou e era sua mãe.

— Mãe, o Bertie não está funcionando. Eu não sei o que é. Vou pedir um táxi, não esqueça de conferir a placa e o nome do motorista, ok?

— O que foi?

— Eu levo a minha mãe no trabalho, ela vai fazer um turno de doze horas agora — explicou.

— Vou mandar alguém buscá-la. Não se preocupe. — Peguei o meu telefone, pedindo que Mac mandasse um dos nossos motoristas de confiança buscar a minha sogra bem brava em casa e levá-la até o seu trabalho. Pedi a placa e o nome, para que Melanie pudesse conferir.

Passei as informações para a Kat. No carro, ela foi digitando e falando que Vanessa já tinha ido embora para nossa casa. Queria sair sozinho com Kat, levá-la para jantar, mostrar um lado doce e romântico que eu não sabia se tinha, mas iria me esforçar. Ela iria morder a própria língua ao dizer que eu era incapaz de ser um bom homem em um relacionamento.

— Já que a sua mãe não está em casa essa noite, você vem embora comigo?

— Só porque eu quero comida japonesa e um bom vinho — me respondeu sem desviar os olhos do telefone celular. — Devon, pare de correr. — Bateu na minha coxa e voltou a mandar áudios para minha irmã. Um táxi entrou bruscamente, precisei frear. — Viu só? Você vai me matar!

— Eu não vou te matar, ele que é um cuzão e está errado — reclamei do taxista idiota, cortando-o e entrando na agulha que levava em direção ao meu bairro.

Comprar aquela casa foi uma das melhores escolhas da minha vida, era em um bairro totalmente residencial e dentro de um condomínio que tinha várias famílias. Foi difícil ser aprovado, eles não aceitavam homens solteiros, tive que assinar uma cláusula de que nunca daria grandes festas e que elas não seriam frequentes. Morar com a minha irmã ajudou muito. Vanessa poderia ter o seu próprio lugar, mas ela sentia medo e eu não me importava. Moramos juntos a vida inteira.

Entrei em casa, Bertie já estava parado ali e Kat me deu um olhar confuso.

— Mandei rebocar. Amanhã procuramos um mecânico. — Desliguei o carro, ela estava enfiando o telefone na bolsa quando me aproximei e beijei a sua bochecha. — Senti sua falta na cama. — Movi os meus lábios contra sua pele macia. — Você disse que não faço o seu tipo e que não era uma garota de abraçar, mas pareceu gostar de dormir de conchinha.

— Você continua não fazendo o meu tipo — falou toda arrepiada. — Mas até que é bonzinho de dormir. — Fez um pequeno beicinho indiferente.

— Só dormir? Pelo que lembro, em outras coisas, você gostou muito. — Dei um beijo estalado em seu ombro, ela inclinou a cabeça para o lado e beijei seu pescoço. — Lembro do quão gostoso gozou na minha boca e no meu pau... — Apertei a sua coxa.

Kat suspirou, o barulho de uma porta batendo a fez sair do transe e saiu correndo do carro.

— Covarde! — gritei atrás dela e ganhei o dedo do meio. — Não adianta, você perdeu.

— Idiota — reclamou e parou. — Eu vou tomar banho, você vem?

Foda-se. Saí do carro rapidamente.

— Agora, você perdeu. — Me deu língua e saiu correndo.

Vanessa estava na sala principal, deitada no sofá, mexendo no telefone e sorriu ao nos ver. Kat parou de correr e se jogou nela.

— Minha irmã não vai te proteger do seu convite. — Peguei ela no colo.

— Devon! Me coloca no chão! — ela gritou, segurando o meu pescoço. Sua risada era tão bonita! — Não sobe a escada assim, vamos cair!

— A gente já volta — avisei à Vanessa, que estava filmando, ela não postaria nada, só queria registrar Kat se debatendo. Subi a escada com ela no colo, gritando de medo e ao mesmo tempo, se divertindo. A casa tinha um elevador, que ficava desligado porque não havia necessidade.

— Nós não iremos tomar banho juntos. — Me deu um olhar enviesado.

— Não quer me ver nu? — Fiz um pequeno charme.

— Quero. Eu nunca vou dispensar de te ver nu, mas eu não ficarei nua também. — Acariciou a minha nuca.

— Tem certeza? — Coloquei-a no chão, na frente da porta do meu quarto, abri e a empurrei para dentro.

Meu quarto era uma das maiores suítes da casa. Era muito maior que a última casa que Vanessa e eu vivíamos, mas comprei pelo simples fato de ser reservada, ter uma piscina e jardim agradável, não exatamente porque era grande.

— A piscina está pronta? — Kat se aproximou da janela.

Quando me mudei, a maior piscina precisava de reforma, apenas a menor, que era infantil, estava boa para uso. Os antigos donos tinham filhos pequenos e eles construíram a menor pensando neles. Ali não teria crianças tão cedo, a não ser que Vanessa tivesse filhos.

— Você gosta dessa casa? — Tirei a camisa que estava usando o dia inteiro e arremessei no cesto de roupas sujas dentro do closet.

— Ela é linda. É a típica mansão que mantém o estilo de Vegas e todo jardim ao redor dá uma sensação de privacidade. — Seu olhar parou nas minhas mãos abrindo a calça jeans. — Foi uma boa aquisição dentro do meu ponto de vista bem comum. Acho que é enorme, só você e Vanessa para seis quartos, mas é bom ter espaço para visitas.

O lugar tinha muitos quartos e três salas diferentes. A da entrada, que era de visitas, uma sala com lareira e sofás confortáveis e o lado da casa mais habitado, que era a sala de televisão, próximo à espaçosa cozinha, a copa e a saída para os fundos. O restante dos cômodos tinha sala de jantar sofisticada do jeito que Vanessa e Kat decoraram, uma sala de cinema que estava vazia, o meu escritório em um lado mais silencioso e a academia no subsolo.

Ela era amarela com detalhes em laranja, mandei pintar de tons claros e mudar todas as portas, assim como reformar alguns cômodos necessários.

Terminei de tirar a minha roupa, fui para o banheiro e liguei o chuveiro. Kat se jogou na cama, tirando as sandálias. O calor infernal e a poeira de Las Vegas era o que mais me irritava ao ficar muito tempo na rua. Saí de casa bem cedo, não almocei e queria devorar a minha geladeira.

As luzes do banheiro estavam parcialmente apagadas, apenas as do espelho estavam acesas. Fiquei debaixo do jato de água, massageando os meus músculos dos ombros. Fiquei surpreso ao ouvir que ela entrou no banheiro, virei o rosto e estava nua. Era uma bela visão.

Seus cabelos estavam enrolados no alto, os seios arrepiados, a barriga com a entrada suave para o monte com pêlos em uma trilha, aparados, eu sabia que ela depilava os lábios e as laterais, marca do biquíni. Ao invés de abrir a torneira do segundo, pisou no meu lado.

Puxei-a para ficar entre a parede e eu, ela ficou toda molhada, na ponta dos pés e sem falar nada, apenas me beijou. Seus mamilos esfregaram no meu peito, desci minhas mãos para sua bunda e a ergui no meu colo, pressionando-a contra a parede, apoiando-a na bancada de mármore. Beijei-a com toda vontade, explorando sua pele com os meus lábios e chupei os mamilos. Ela gemeu alto, arranhando a minha nuca e olhei em seus olhos.

— O que foi isso?

— É a segunda vez que tomamos banho juntos... isso é tão íntimo — refletiu com o nariz encostando no meu. — Ainda não sei como viemos parar nessa cama de gato. Um dia éramos completos estranhos e no outro...

— Não é assim com todas as pessoas que fazem sexo no primeiro encontro? Nunca fomos estranhos, nos conhecemos há mais de dez anos, você é a única que tem medo de ceder. Você acha que irei brincar e o propósito disso tudo é provar que eu sei falar sério quando devo. Você nunca foi mulher de brincadeira, Kat. Não será agora que farei tal coisa. — Dei um beijo suave. — Uma coisa é não dar certo porque somos diferentes, outra é por falta de caráter e comprometimento.

— Tudo que sai dos seus lábios é como música, sempre o que uma garota quer ouvir.

— Nem sempre foi assim e nem sempre vai ser, Kat. Você não me conhece como homem, apenas como o irmão mais velho da sua melhor amiga.

— Eu quero te conhecer como um homem, mas... não sou uma mulher fácil de lidar. Tenho os meus momentos...

Kat tinha óbvios problemas de confiança e não sabia o motivo.

— Só me dar uma chance. — Beijei o seu pescoço.

— Estou nua em seus braços, quer chance maior que essa? — Arqueou a sobrancelha. Quanto mais vulnerável se sentia, mais brava ficava. Sorri e beijei os seus lábios macios, encerrando o assunto, ela já tinha respondido o que precisava ouvir.

Provando que podia controlar o meu pau e não era um moleque, nós só ficamos aos beijos. Sequer a toquei com mais intimidade. Sexo seria no ritmo dela. Estava nítido que a coisa toda como aconteceu, pesava uma culpa. Kat só teve dois namorados na vida e eu duvidava muito que teve vários parceiros sexuais. Tanto ela quanto a minha irmã gostava de se divertir, mas não se aproximavam muito dos homens.

Depois do ex namorado da minha irmã ter se mostrado um psicótico e Katrina ter sido detida por causa dele, perderam a confiança nos homens de modo geral. Eu não as culpava. Esse Luke era passado e nunca mais incomodaria nenhuma das duas.

— Vou pegar algo para vestir no seu armário — avisou depois de se secar.

— Fique à vontade. Você deveria trazer roupas para deixar aqui, ou eu posso ser como os mocinhos dos filmes que vocês assistem e mandar comprar.

— Só se você tiver um chicote. A algema já sei que tem. — Revirou os olhos e abriu as gavetas, pegou uma cueca samba canção e uma camisa, ficando sem nada por baixo, para a minha completa felicidade.

— Está guardada, quando quiser usar de novo... — Balancei as minhas sobrancelhas. Vesti uma calça sem cueca, minhas bolas precisavam de um refresco e a calça tinha um fundo que imitava uma.

— Devon! — Vanessa me gritou. Saí do quarto e me debrucei no parapeito do corredor. — Podemos ter um cachorro?

— Quem vai cuidar dele? — Arqueei a sobrancelha.

— Nós três, oras. Tem uns cachorrinhos realmente fofos na feira de adoção. — Fez o beicinho que a fazia conseguir tudo que queria desde que nasceu. — Eles são tão lindinhos.

— O que é lindinho? — Kat estapeou a minha bunda. Safadinha. — Certamente não é o seu irmão. — Desceu a escada correndo e parou ao lado de Vanessa, se jogando no sofá. — Awn, que fofo! Olha esse bebezinho!

— Vamos adotar? — Vanessa estava com os olhos brilhando. Foda-se. Elas trariam um cachorro para casa. — Olha só esse todo pretinho aqui.

— Não posso ter cachorro na minha casa, minha mãe tem horários malucos e eu vivo dormindo aqui quando ela não está em casa — Kat falou com desânimo. — Ele vai ter que ficar aqui o tempo todo e nós estamos trabalhando de dia.

— Durante o dia a Rosa está aqui. Eu sei que ela não vai negar tomar conta dele.

Rosa era a nossa governanta desde que Vanessa nasceu, ela nos criou e estava viajando de férias nas últimas semanas. Ela passou a morar conosco depois que ficou viúva. Nunca teve filhos, não podia ter e com a minha mãe sendo tão louca, foi bom Rosa ficar por perto. Ela fazia qualquer coisa por Vanessa, tinha certeza que tomaria conta do cachorro como se fosse um netinho.

Peguei o meu telefone e desci a escada. Fechei as janelas e liguei o ar condicionado, redirecionando uma temperatura agradável para a sala. Deixei as duas falando sobre as fotos do cachorro e fui para a cozinha, peguei uma cerveja para mim e vinho para elas. Recebi o modelo digital do convite para a luta no sábado, gostei do resultado e imediatamente aprovei.

Servi vinho branco nas taças, elas pegaram e brindamos.

— Kat estava me contando do evento de sábado. Tem alguma noção de quantos convidados? — Vanessa me encarou com interesse.

— A lista tem duzentos. Se todos irão confirmar, eu não sei. Vai ser meio em cima da hora...

Kat mordeu o lábio e pegou o telefone, digitando algo.

— Acho que seria interessante investir para que os próprios convidados fizessem stories do lugar. Não existe marketing melhor do que o boca-a-boca. Talvez devesse ter vários lugares bem provocantes para fotos, como pequenos ringues, luvas de boxes como decoração, pesos e sofás agradáveis. — Kat mostrou alguns modelos de decoração. — Sendo atraentes, os convidados vão se interessar em exibir, o fato de ser restrito vai causar bastante alvoroço. Eu posso convidar alguns jornalistas bem legais, até vai me ajudar a fazer amizades.

Minha irmã ficou de joelhos no sofá, sem se conter no lugar.

— Sim! E se você chamar aquele jornalista super gato da área de esportes do jornal que trabalha? — Vanessa ficou empolgada. — Ele já te convidou para um encontro, é claro que vai aceitar ir a um evento privado da UFC com a Winterfield.

— Quem é o idiota? — Recostei no sofá.

— Gabriel Jones. Ele é correspondente e tem uma base de fãs bem legais...

— Com ciúme? — Kat me provocou.

— Você não foi ao encontro com ele e se casou comigo na primeira noite, acho que me saí bem.

— Arrogante.

— Verdadeiro. — Me inclinei e beijei os seus lábios. — Pode convidá-lo. — Dei de ombros. O idiota nunca chegaria perto dela, a imprensa teria um lado reservado bem longe do meu. — É bom que precisamos colocar a Arena de volta à ativa.

— Vamos fazer um filtro para o Instagram? Eles costumam aprovar em menos de vinte e quatro horas. Vai dar muito engajamento. Tenho que anotar tudo isso para não deixar nada de fora. — Kat pulou do sofá, mas eu a puxei para o meu colo.

— Amanhã, garota. — Vanessa riu. — Você não consegue parar, não é?

Meu telefone vibrou e rejeitei a chamada.

— Quem é? Alguma garota? — Katrina arqueou a sobrancelha.

— Não. Ninguém especial.

Vanessa me deu um olhar divertido.

— Não vai falar quem é? — Me cutucou e eu suspirei. Katrina estava me olhando como se fosse uma mulher que eu não queria atender na frente dela. Não era isso.

— É o meu pai. Ele está na cidade — falei a verdade.

As duas não esperavam por isso, porque ficaram mudas.

— Não sabia que conhecia o seu pai — Vanessa acusou, magoada. — Nunca me contou que falava com ele! Por que?

— Não é um conto de fadas.

Contei a elas toda a verdade sobre quem era meu pai e como descobri. No final, as duas pularam em mim, me abraçando e beijando. Me fizeram rir e esquecer a melancolia que me abateu só em mencionar o assunto.

Sempre observei a amizade das duas, era algo realmente verdadeiro e fazer parte era mais divertido do que olhar de fora. Nunca tive uma namorada ou estive em um relacionamento no qual envolvesse um convívio com a minha irmã. Era algo que eu não almejava, não sentia falta e estar com elas no chão da sala depois de um dia corrido era bom. Melhor do que pensei que seria.

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