Amor em Jogo: Cidade do Pecado, livro 1

Mari Cardoso · Capítulo 6 de 39

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Amor em Jogo: Cidade do Pecado, livro 1

4 | Katrina

 

Minha cabeça estava doendo! Abri os olhos e fechei de tamanha dor que explodiu com a claridade. Meu corpo estava pesado, deitada de lado, me movi, ergui o meu braço e um masculino foi erguido junto. Lívida, tentei lembrar quem poderia ser e tudo sobre a noite anterior eram flashes confusos. Recordei uma dança horizontal muito prazerosa que tive com um homem de cabelos escuros. Ainda de olhos fechados, tive a lembrança de uma cabeleira escura entre as minhas pernas...

Merda. Uau...

Foi uma excelente lembrança. Caramba, com quem eu fiz sexo?

Abri os olhos e virei na cama.

Devon estava dormindo atrás de mim, descoberto, nu e hum ... Dei uma boa olhada no seu corpo, tendo pedaços de lembranças vívidas de tudo que fizemos desde que tropeçamos pela porta aos beijos. Como essa porra foi acontecer? Não podia ser real. Tentei colocar a noite inteira em ordem cronológica e nada fazia sentido. Ele se moveu e me abraçou, então, eu reparei que estávamos algemados.

— Bom dia... — Beijou o meu ombro.

— Bom dia? — Sentei bruscamente. — Como isso foi acontecer? — Ergui o punho que estava com a algema. — Nós fizemos sexo!

— Huum, sim. — Cantarolou com um sorriso safado misturado com um sonolento. Era uma visão esplêndida. — Pelo que lembro, fizemos muito sexo. — murmurou satisfeito e as minhas bochechas ficaram vermelhas. — Quanto às algemas, eu não lembro. — Esfregou as têmporas. — Porra, minha cabeça está me matando.

O latejar nas minhas têmporas era extremamente nauseante. Enfiei a mão no cabelo, estava embolado e eu exalava um cheiro de bebida intragável.

O que foi que eu fiz?

— Preciso tomar um banho. Cadê a chave dessa coisa estúpida?

Devon sentou-se e ficamos lado a lado. Havia penas de um travesseiro destruído pelo quarto, roupas espalhadas, roupas de cama pelo chão e parecia que um furacão havia passado ali. Furacão Katrina bêbada e com tesão, porque não parecia real que eu estava nua na cama com Devon. Olhei para o lado sem acreditar.

Saímos da cama devagar, nus como viemos ao mundo e paramos em frente um ao outro. Eu estava quase chorando de vergonha, confusão e medo. Observei o quarto, procurando o meu vestido e não estava em lugar algum.

— Será que nós usamos camisinha? — perguntei baixinho.

— Não sei, acho que sim... — Devon puxou o cabelo. — Porra. Isso é fodido.

Seu comentário foi o suficiente para me fazer chorar. Eu nunca fui irresponsável, nunca fiquei tão bêbada e tão inconsequente. A única vez que perdi totalmente o controle foi na faculdade, mas foi junto a Vanessa e tudo que aconteceu foi um desmaio em uma praça. A polícia nos encontrou, ligou para a minha mãe e para Devon porque nós duas tínhamos apenas dezenove anos. Depois disso, nunca mais aconteceu.

— Preciso tomar banho. — Funguei.

— Ei, não chore. Está sentindo dor? — Se aproximou e me encolhi. — Kat? Você está ferida? — Devon travou no lugar. Seus olhos demonstravam preocupação e medo. — Te machuquei?

— Não. — Sequei o meu rosto. — Isso é constrangedor. Nunca aconteceu... — Mordi o lábio. Ergui os olhos, enquanto me sentia atropelada por um caminhão, ele parecia apenas desalinhado pós sono. — Estou tentando lembrar porquê…

Eu não tomava pílulas, se não usamos camisinha...

— Acho que tudo começou com o desafio da tequila. — Devon me deu um meio sorriso adorável.

— Parece que sabemos como nos divertir... — Suspirei. Por que fui inventar a merda do desafio? Ele quis saber porque eu não gostava dele, depois de alguns drinques, a verdade escapou da minha boca. Não que eu não gostasse, só tinha uma forte opinião sobre ele e as atitudes que tomava.

— Eu lembro como viemos parar aqui, mas talvez você precise de um café antes.

— Vamos procurar a chave dessa coisa. — Apontei para o quarto. — Deve estar em algum lugar...

Começamos a revirar a cama o máximo que conseguimos, presos um ao outro. Não parecia estar em lugar algum. Minha cabeça doía tanto que meus olhos não paravam de lacrimejar.

— Não posso sair do seu quarto assim. — Estava a um passo de começar a surtar. — Preciso tomar um banho — reclamei com a minha depressão alcoólica chegando ao máximo.

— Vamos tomar banho juntos. — Deu de ombros. — Até porque, não tem nada aí que eu não tenha visto.

— Está achando esse desastre o máximo, não é? — Explodi, colocando a mão livre na cintura. — Escuta bem, Devon! Não sou uma garota emocionada por estar na sua cama! — Apontei e ele simplesmente mordeu o meu dedo.

— Não seja tão dramática, Kat. Apenas falei a verdade. — Inclinou-se e o nariz ficou próximo ao meu. — Lembro de ter chupado essa boceta deliciosa e nós fodemos de um jeito bem gostoso. — Me deu um sorriso torto.

— Cretino.

— Prefiro gostoso. Você me chamou assim mais de uma vez.

Empurrei seu peito, irritada, virei e o puxei para o banheiro.

O quarto de Devon era imenso, só o closet e banheiro eram do tamanho da minha casa inteira! Ele tinha dois chuveiros em um espaço reservado, mas com a algema, precisamos dividir o mesmo jato. Cada um de uma vez, nos lavamos com sabonete líquido.

Foi difícil lavar o meu cabelo, ele pegou o xampu da minha mão, fazendo por mim, com mais destreza que conseguia devido a todo tremor pós noitada com muito álcool. Secar foi outra novela. Fazer coisas normais presa a outra pessoa era um inferno.

— Como vou colocar uma roupa presa a você? — Parei com o meu cabelo molhado no meio do banheiro após escovar os dentes com uma escova reserva que ele me deu. — Isso só fica pior a cada segundo.

— Vamos dar um jeito — prometeu e me puxou para o closet. Pegou duas cuecas e me entregou uma. Ele vestiu primeiro, evitei olhar, era simplesmente estranho fazer algo tão íntimo com Devon. Vesti a cueca, uma calça de moletom e ele ficou sem camisa. — Vou cortar a manga e amarrar em seu ombro. — Tirou uma camiseta branca simples, pegou uma tesoura na gaveta e cortou um lado. Vesti e ele amarrou no lado que o meu braço estava preso a ele.

Meu telefone ou a minha bolsa não estavam em lugar algum a serem vistos. Entre os lençóis, achamos pacotes de camisinha, o que me rendeu uma onda de alívio. Mesmo acostumada a estar na casa, sair do quarto de Devon me deixou envergonhada. O corredor tinha alguns vasos virados, a mesinha estava fora do lugar e o quadro muito caro que Vanessa comprou em Miami descansava torto no chão.

O cheiro de café nos saudou logo que descemos a escada. Meu vestido, calcinha e bolsa estavam na sala. Que vergonha...

— Meu Deus. — Recolhi tudo rapidamente e embolei nos braços. — Acho que nós começamos aqui... — Olhei e ele estava sorrindo. Irritante.

— Na verdade, foi no carro.

— No carro? — grunhi e lembrei. Ah, sim. Foi no banco de trás. Bancos de couro e um cheiro muito bom vieram à memória. Ou era ele que cheirava muito bem. — Não sabia que podia ser tão...

— Eu também, bela surpresa. — Sorriu torto e dei um soco em seu braço.

Rindo, me puxou para a cozinha, empurrou a porta aberta e Vanessa estava bebendo café. Ela nos olhou juntos, inclinou a cabeça para o lado, viu a algema e começou a rir.

— Bem que eu achei que conhecia a calcinha que estava no sofá. — Continuou rindo. — Felizmente, agora sei porque vocês sumiram.

— Acho que você sumiu primeiro — murmurei e puxei um banquinho.

— Fui ao banheiro, encontrei uma conhecida, fiquei conversando, quando voltei, vocês tinham sumido. — Inclinou-se no balcão. — Pelos gemidos que ouvi quando cheguei em casa... — Arqueou a sobrancelha. — Uma coisa que eu pensei que nunca fosse acontecer na vida, mas, até que faz todo sentido. Vocês se detestavam tanto, era tesão reprimido.

— Tesão reprimido , Vanessa? — reclamei e a minha cabeça doeu.

— Pelos barulhos, foi uma explosão. — Soltou uma risada.

— Cale a boca e me sirva com café. Preciso de aspirina e nascer de novo. — Tombei a minha cabeça no mármore frio do balcão. — Parece que tem uma escola de samba descoordenada aqui dentro.

Sem conseguir esconder o sorriso divertido, Vanessa me serviu com café e colocou um comprimido à minha frente. Devon digitava em seu telefone, a mão presa à minha foi parar na minha coxa. Oh, inferno. Fiquei toda arrepiada só de lembrar o quanto aquelas mãos sabiam como me pegar. Como pude ter dormido com Devon Winterfield? Como pude ter me sujeitado a ser mais uma na cama dele? Não era mulher de ser mais uma. Sempre me dei ao respeito para simplesmente acabar na cama de um galinha, com a casa virada e algemada.

— Stuart está chegando com uma chave. Vamos nos livrar das algemas — avisou e assenti. Livrar-nos das algemas era fácil, o que aconteceu na noite anterior é que me marcaria para sempre. As poucas coisas que lembrava me fizeram entender porque a mulherada não conseguia esquecê-lo, a chupada estrondosa no sofá estava cravejada no meu cérebro.

Bebi todo meu café e engoli a aspirina. Vanessa seguia me olhando como se eu fosse um animal exótico. Fiz uma careta, voltei a me debruçar no balcão e fechei os olhos. Stuart entrou na casa fazendo barulho e quis matá-lo. Ele morava bem próximo, por isso chegou tão rápido e rindo. Esticou a chave para Devon, que rapidamente tirou as algemas e meu braço estava machucado. Massageei, olhando a pele cortada.

— Estava muito apertada. — Ele passou o dedo no meu pulso, olhei em seus olhos e ficamos presos naquilo. — Acabei de lembrar que colocamos as algemas depois que entramos no carro.

— Vou buscar uma pomada. — Vanessa correu para fora da cozinha.

— Carro de quem? — murmurei.

— Meu carro, inclusive, precisei deixar aqui porque vocês dois começaram a se pegar no banco de trás e ainda tentaram me dar uma gorjeta — Stuart comentou. Eu pensei que não podia ficar pior.

— Por que fomos parar no seu carro? — Estava confusa.

— Devon me ligou pedindo para buscar vocês dois na capela — Stuart respondeu divertido. Girei no banquinho, lívida.

— Capela ? — Ofeguei. Meu estômago chegou a doer. — Por favor, me diga que fomos rezar.

— Hum... — Stuart tirou a mão do bolso e deslizou um anel. — Ficou um pouco largo no seu dedo, me pediu para guardar. Eu sou o padrinho!

É, podia ficar muito pior.

— Não, não, pelo amor de Deus, não! — Esfreguei o meu rosto, puxando o cabelo em total desespero. — Isso é um completo pesadelo!

— Merda. — Devon estava com os olhos fixos na tela. — Acho que alguém gravou o casamento. — Virou em minha direção.

No vídeo, estávamos em uma pequena capela muito conhecida, um Elvis vestia rosa e uma mulher fantasiada de Lady Gaga cantava uma música que era impossível de identificar. Felizmente, não estava nas redes sociais. Era só um vídeo na memória do telefone de Stuart.

— O que eu perdi? — Vanessa voltou com uma caixa de remédios. — O que houve?

— Nós nos casamos — murmurei e olhei para o anel.

— O que deu em vocês? — Colocou a caixa no balcão.

— Tequila. Tudo começou com um... — Parei de falar, virando para ele. — Devon Winterfield! Era isso que você ia me contar?

— Você me desafiou a fazer coisas que eu jamais faria, começou com ficar bêbado, depois a fazer algo completamente impulsivo, nós fomos no cofre da minha sala e pegamos a aliança. Em seguida, eu te desafiei a aceitar o casamento. — Encolheu os ombros. — Aí, nos casamos.

— Eu vou te matar! — Me joguei nele, batendo com os meus punhos em seu peito. — Tudo por uma aposta maldita!

— Eu estava tão bêbado quanto você, Katrina. — Me segurou. — Só estou lembrando de algumas coisas agora. Se acalme.

— Ficar calma? Nós casamos, Devon! Você entende o que é isso?

— Amiga, é só anular. — Vanessa esfregou os meus braços. — Apesar de terem consumado o casamento. — Soltou uma risada. — É só anular, calma, não chora. Eu sei que você não faz loucuras, mas de vez em quando até que é bom. — Me abraçou e podia sentir o seu tremor. — Desculpa não conseguir parar de rir.

— Eu vou me vingar quando precisar.

— Kat, não chore, por favor. — Devon pediu solene e suspirei. Não era só culpa dele. Era nossa culpa. Começamos um desafio idiota que teve um resultado catastrófico.

— Acho que preciso deitar.

— Está sentindo-se mal? — Stuart se aproximou. — Você precisa repor tudo que o álcool consumiu. — Tem algum gatorade?

— Tem na geladeira — Vanessa respondeu. Stuart pegou duas garrafas, entregou uma a Devon e Vanessa pegou a outra. — Vem, eu vou cuidar de você e rir um pouco mais. — Me puxou para fora da cozinha.

— Sei que é inacreditável. Acho que quando acordar vou descobrir que tudo não passa de um sonho muito ruim. Como posso ter sido tão irresponsável?

Subimos a escada, viramos para a esquerda e entramos em seu quarto. Imediatamente corri para o refúgio da cama da minha amiga, ela abriu o gatorade e me entregou. Bebi devagar porque não queria passar mal. A aspirina fez um excelente trabalho em diminuir a dor de cabeça, mas ainda estava com ressaca. Precisava curar a desidratação.

— A matemática é muito simples para mim. — Vanessa sentou-se ao meu lado. — Você e Devon são dois cabeças duras, imagino que passaram a noite desafiando um ao outro a fazer algo que jamais fariam. Como chegaram ao sexo depois do casamento, foi bem bíblico. — Balançou as sobrancelhas.

— Estou sem forças para te bater.

— Vai ficar tudo bem, em alguns dias vamos rir de tudo isso. Beba tudo e deite para dormir. — Ajeitou as cobertas em cima de mim.

— Não sei onde está o meu telefone, pode verificar se a minha mãe está bem?

— Claro. Vou descer e procurar, aí volto para deitar com você. — Pegou minha garrafa quase vazia e levantou. — Cunhadinha .

— Paraaaa... — choraminguei, puxando a coberta e me escondendo na cama.

Dormir não foi difícil, estava cansada, dolorida e quando acordei, me senti um pouco melhor. Vanessa dormia ao meu lado e o quarto estava todo escurinho, fresco, perfeito para continuar dormindo. Minha bexiga tinha outras ideias e me expulsou da cama, assim que terminei de usar o banheiro, vi que a minha mãe estava me ligando. Atendi, saindo do quarto e minha mãezinha só queria saber se estava tudo bem, avisando que estava voltando para o hospital, para seu plantão noturno.

Não tive coragem de contar a loucura que foi a noite anterior, não por telefone, por isso, apenas desejei um bom trabalho. Silenciosamente, desci a escada na pontinha dos pés. Estava tudo parcialmente escuro, apenas com pequenas luzes amarelas dos corredores para não ficar tão impossível de andar pela casa. Bati na porta do escritório de Devon, se ele estivesse em casa, estaria ali, mesmo após uma noite destruidora como a que passamos.

— Pode entrar, Kat.

— Como sabia que era eu? — Entrei em seu escritório. Era lindo, moderno, espaçoso e de alguma maneira, bem a cara dele.

— Vanessa tem sérios problemas em bater na porta. — Recostou na cadeira. — Então, esposa. Em que posso te ajudar?

— É justamente sobre o casamento. Como vamos fazer a anulação?

— Não quero anular o casamento — falou como se estivesse falando sobre as notícias matinais. — Encontrei a nossa certidão de casamento enrolada no bolso da minha calça jeans.

— Como assim não quer anular o casamento?

— É bem simples. — Apoiou-se na mesa. — Você me acusou de ser incapaz de manter um relacionamento. Disse que eu aparentava ser um homem que tem medo de compromisso... O casamento foi um desafio, Kat. Eu não vou perder!

— Não podemos ficar casados, você está maluco? Não estamos em um relacionamento. Foi algo que aconteceu pela bebida, uma estupidez, sem controle... — Comecei a falar, nervosa, parei recobrando o fôlego. — Eu quero a anulação!

— Eu não quero e neste caso, você precisa entrar com um pedido de divórcio e me pedirá desculpas por me julgar por tanto tempo sem nenhuma necessidade. E claro, vai perder o nosso desafio. — Arqueou a sobrancelha com os seus impressionantes olhos azuis me encarando de um jeito que parecia desnudar a minha alma. — Além do mais, assinamos um acordo nupcial bem estúpido. O primeiro a pedir o divórcio pagará cinquenta mil dólares ao outro. Foi assinado junto com a certidão de casamento, então, tem validade legal.

— Cinquenta mil? — Ofeguei. Ele me entregou a folha. — Isso não pode ter validade, estávamos bêbados.

— Será que estávamos? Em todo caso, precisará de um advogado. — Sorriu. O meu sangue estava fervendo. — Vamos a um novo desafio, Kat.

— Chega de desafios!

— Está com medo de perder para mim?

— Não é isso! Não podemos... — Ele estava sorrindo de um jeito irritante. Joguei o contrato amassadinho em seu rosto. — Chega dessa conversa idiota.

— Me dê seis meses para provar que sou um homem altamente capaz de assumir um relacionamento e ter um compromisso com uma mulher — pediu e cheguei a sentar. — Não era exatamente isso que te irritava? Acho que mereço essa chance, ou vou entender que você simplesmente não gosta de mim por não gostar.

— Você quer ficar casado por seis meses? — guinchei. Era inacreditável.

— Por que não? Pode dar certo, como pode não dar, vai ser um jogo diário. Se você tem medo de perder, pode sair por essa porta. — Apontou e rangi os meus dentes. Ele deu a volta na mesa, recostando e se inclinou para olhar em meus olhos. — E então, Katrina Winterfield?

— Eu nunca perco um desafio, Devon.

Lindo, excitante e com um sorriso que fazia a minha calcinha entrar em chamas, segurou o meu rosto e me deu um beijo suave nos lábios.

— Vamos ver, esposa.

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