Amor em Jogo: Cidade do Pecado, livro 1

Mari Cardoso · Capítulo 21 de 39

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Amor em Jogo: Cidade do Pecado, livro 1

19 | Katrina

 

Era impressionante o quanto um mês me fez enxergar um lado de Devon que eu nunca havia me permitido. Era mais impressionante ainda o quanto ele me desarmava sem lutar.

Eu, a rainha da briga, que poderia facilmente entrar em um ringue, me derretia com um sorriso e uma piscada. Quando ele mostrava as covinhas nas bochechas logo pela manhã era motivo de passar um dia inteiro suspirando. O homem que, bêbado, estava dançando Vogue com a minha mãe no gramado. Rindo muito, ele sabia como se divertir mesmo com pouco. Ele era iluminado.

Como pude julgá-lo tanto? Deveria ter me calado e dobrado o meu dedo apenas por tudo que fez por mim, intencionalmente ou não, ao longo da minha vida e pela vida extraordinária que proporciona à irmã com todo seu amor. Devon não precisava assumir nenhuma responsabilidade. Ele poderia sumir no mundo como a maioria dos filhos de pais ausentes faziam. Ele ficou, criou raízes, fundou um império e deu uma vida à irmãzinha.

Um mês e eu podia picar a minha língua julgadora.

Stuart se juntou a eles, sabendo muito bem a coreografia e continuei filmando porque estava muito engraçado. Minha mãe mal conseguia se mexer de tanto que ria. Quando a música acabou, selecionei algumas partes engraçadas e postei no meu stories, estava desde cedo compartilhando alguns momentos, mas não tudo.

Acordei com McKenna me detonando e ainda postando as fotos que os paparazzi tiraram de ontem à noite nos piores ângulos. Enquanto ela destilava a sua fofoca e Everly bancava o espírito evoluído pedindo que parassem de marcá-la nas páginas de fofoca, eu estava aproveitando Devon corado de sol, com um calção de banho curto e caído, ou seja, mostrando suas coxas torneadas e me dando uma bela visão do seu caminho da tentação.

Ele me flagrou olhando e piscou, divertido. Soprei um beijo de volta. Por que eu queria esconder o quanto ele me afetava? Sempre afetou. Principalmente depois que nós...

— EU AMO ESSA MÚSICA! — Vanessa gritou e quase virou seu copo de sangria em mim. Ela estava soltinha depois de uns drinques, ficando de biquíni de lacinho de poá, mesmo com o Stuart presente. Ela nunca ficaria seminua com um homem além do irmão. — De quem é essa playlist?

— É a minha eclética — expliquei, rindo dela rodopiando, querendo imitar a cantora.

Say Ok da Vanessa Hudgens começou a tocar. Devon me puxou do chão e mesmo bebendo sua cerveja, valsamos de um jeito brega, tentando não virar nossas bebidas. Olhamos um para o outro e eu senti que a expressão de felicidade dele era um reflexo da minha. Fazia tanto tempo que eu não me divertia daquele jeito, sem inibição, apenas sendo livre sem preocupações.

Rosa saiu de casa com a sobremesa, ela preparou bolo para comer com sorvete e eu precisava de um pouco de glicose. Normalmente, não era tão atraída por doces como Vanessa, mas bêbada como estava, comemos quase todo o pote de sorvete.

Rosa precisou pegar outro pote dentro de casa.

— Elas estão tão bêbadas. — Mamãe riu. Sentada no balcão, o sorvete chegou a pingar no meu peito. Devon soltou um assobio e piscou. — A mãe dela está bem aqui.

— Desculpa, sogrinha — ele brincou e me abraçou, ofereci uma colher do meu sorvete. — Vamos brincar com sorvete mais tarde?

— Só se for esse sabor. — Enchi a boca novamente. — Faz outra bebida pra mim?

— Se você me chamar de marido pode ser o sabor que for. — Ele me deu um beijo e foi preparar mais uma bebida. Vanessa estava rindo de algo que Stuart falava e foi a primeira vez que eu percebi a atenção dele nela. Uma atenção diferente. Minha mãe, que também percebeu a interação dos dois, piscou e deu um gole de sua mimosa.

Desde Luke, Vanessa não ficou com mais ninguém, ela não conseguia confiar e com isso, não relaxava. Eu estava aprendendo a minha lição de julgar um homem por ser galinha, só não tinha certeza se a vida louca e quase impossível de Stuart fosse realmente boa para Vanessa. Ela precisava de paz e não de um relacionamento conturbado, mas não iria falar, porque poderia ser nada.

A minha história com o irmão dela tinha um algo a mais.

Devon voltou com a minha bebida, parou na minha frente e o abracei com as pernas, passando os meus braços em seus ombros. Ele sorriu, me abraçando de volta. Vanessa nos chamou e ergueu o telefone, tirando uma foto. Meu sorriso era indicativo de uma mulher feliz. Bochechas coradas e um olhar que brilhava como diamantes.

No final do dia, eu estava uma bagunça, suada, queimada e com a pele toda sensível. Nós limpamos o quintal porque com dois filhotes não podia ficar nenhum resquício de lixo. Assim que terminamos, cada um foi para um canto.

Stuart foi embora para sua casa, mas voltaria à noite porque combinamos de jogar e comer pizza. Eu precisava de um banho e um cochilo, de fogo, aceitei que a minha mãe fizesse uma hidratação no meu cabelo.

Dentro do quarto dela, cheguei a cair dentro da banheira de tanto que falamos besteiras e rimos.

— Acho que é dele mesmo. Por que ele precisaria de um preenchimento? — Vanessa estava falando da sunga do Stuart. — A não ser que tudo sejam as bolas.

— Eu não olhei para a sunga dele — comentei e até me senti inocente. Devon e eu ficamos na piscina, brincando o tempo todo. Jogamos bola, disputamos nado e parecíamos dois adolescentes.

— Eu olhei — Mamãe comentou e voltei a cair na banheira, rindo. — Não parecia ser tudo bolas.

— Melanie, Mel. Safadinha. — Vanessa dançou no box enquanto lavava o cabelo.

— Passei dos quarenta, não estou morta. Se eu fosse você... — Piscou e nós rimos.

Terminei a minha hidratação, tomei banho e precisava dormir. Com a pele meio ardendo, me enrolei no roupão e deixei os cabelos molhados. Atravessei a casa olhando Rosa aproveitar o fim de tarde dando petiscos para os cachorros no quintal. Ela estava se balançando, com um livro ao lado e parecia serena, aproveitando o tempo.

Virei no corredor e empurrei a porta do quarto, estava meio escuro, bem mais frio que o restante da casa e Devon estava deitado de bruços, completamente nu. Sua pele estava nitidamente vermelha. Me aproximei, olhando a belíssima visão, sua bunda branquinha com a marca do beliscão que dei mais cedo.

Tirei o roupão úmido e deitei do meu lado na cama. Peguei no sono rapidamente, todo sol e bebida me deixaram esgotada. Acordei com o maldito echo show acendendo a luz e chamando Devon, dizendo que era hora de levantar. Me debrucei por cima dele, tentando desligar e joguei no chão.

Ele gemeu, sonolento e me abraçou. Aquele clima gostoso de soneca da tarde, quarto fresquinho, nós dois nus e só podia ficar melhor com uma bagunça de lençóis poderosa. Caramba... em algum dia sexo ficaria ruim? A nossa combinação era muito boa e observá-lo gozar era a minha maravilha do dia. Sua expressão de prazer me deixava louca.

Nós ficamos abraçados, recuperando a respiração, aos beijos e ele jogou a camisinha no lixo que ficava próximo à cabeceira.

— Temos que comprar mais camisinhas. — Beijou o meu pescoço.

— Nós fomos na rua hoje cedo — reclamei, com preguiça de ter que sair de casa de novo.

— Esqueci. Eu vou na farmácia e no mercado comprar mais bebidas. Sua mãe disse que gostou do espumante, vou encontrar algum para que ela possa participar da jogatina. — Me deu um selinho. — Vem praticar um pouco de putaria no chuveiro? Vamos apostar quem leva mais tempo para gozar?

— Não.Você vai perder.

— Só tem um jeito de me fazer gozar rápido. Chupando até o talo e brincando com as bolas, vamos ver se você consegue fazer muitas coisas ao mesmo tempo. — Balançou as sobrancelhas. Idiota.

Soltei uma risada na cara dele.

— Seu rosto não arde ao tentar me desafiar para te chupar? É só pedir. — Me aproximei e beijei os seus lábios. — Pede com jeitinho que deixo até gozar nos peitos.

— Porra, Katrina! Fale assim mais vezes e sou capaz de gozar só de ouvir. — Sorriu torto, saiu da cama e me puxou. — Vem, eu vou vencer.

Apesar de suas investidas, eu pude dizer que nós dois saímos como vitoriosos. Ele foi se vestir para sair rapidamente e aproveitei o tempo que tinha para fazer minhas unhas.

Minha mãe deu um jeito na minha sobrancelha, precisava agendar um horário no salão com urgência. Como queria economizar, pensei em escurecer o meu cabelo ou pintar de ruivo, em casa mesmo, assim não precisaria gastar tanto. Escolhi um dos meus novos vestidos confortáveis, meu cabelo estava uma bagunça, escovei e prendi.

Dei uma voltinha na casa, minha mãe ainda estava acordando e Vanessa brincava com os cachorros na sala. Coloquei o meu telefone na mesa e fiquei brincando com meus filhotes também. Eles estavam crescendo tão rápido. Estavam muito cheirosos depois do banho que minha mãe deu neles, ela era a primeira a mimar, mal sabia que ficariam enormes.

— Esses dentinhos doem — Vanessa reclamou.

— Como gostam de brincar mordendo. — Apertei um ao ponto de soltar um ganido. — Mamãe ama tanto você, meu gordinho! — ele gritou e tentou sair do meu colo, mas o rabo do safado estava balançando. Deitado de barriga para cima, acariciei sua barriguinha gorda de comida.

Meu telefone vibrou em cima da mesa, peguei e era uma notificação no Instagram de Devon. Estava logado no meu aparelho, então, curiosa, abri. Era uma marcação da Everly. Abri a foto e senti o meu rosto aquecer de raiva e ciúme, foi instantâneo e impossível de frear. Ela estava ao lado dele e a legenda dizia:

“Pré-Inauguração do novo empreendimento da Winterfield. Em breve vou

compartilhar outras novidades para vocês” .

— Eu vou matar o Devon! Ele disse que ia comprar bebidas e camisinha, não que ia para algum novo empreendimento com a Everly! — Virei a tela e mostrei para Vanessa.

— Devon não é mentiroso, Kat. Com toda certeza tem uma explicação. — Ela soltou Polo para correr atrás do irmão, que brincava com uma bolinha. — Everly é bem manipuladora. Será que essa foto é de hoje?

— Se não é de hoje, eu vou arrancar cada fio de aplique da cabeça dela para deixar claro que não quero que poste fotografias com o meu marido! — explodi. Vanessa me encarou e então, começou a rir e bem alto. Chegou a deitar no chão e colocar a mão na barriga. — Do que você está rindo?

— Você está tendo uma crise de ciúme do Devon e o chamou de marido. — Seus olhos estavam lacrimejando. — Estou viva para ver algo como isso!

— Dane-se você, sua chata! Tinha que ficar do meu lado! Péssima melhor amiga! — reclamei e saí do meu lugar, indo com passadas duras até a cozinha. Abri a geladeira e peguei uma garrafa de água. Assim que fechei a porta, ouvi o barulho do carro parando na garagem e não deu três minutos para Devon entrar pela cozinha com os braços cheios.

— Eu sei! — falou só pelo meu olhar. — Vi a marcação depois que saí da farmácia.

— Você realmente foi encontrar com ela e não me falou nada, Devon? — Coloquei as mãos na cintura. — Não adianta me dizer que foi outro dia porque está bronzeado e usando essa mesma roupa na foto!

— Eu fui buscar o espumante que a sua mãe gostou, ele é importado e tinha no bar. Ela estava lá com uns amigos, seus funcionários do escritório e cumprimentei. Ela pediu uma foto, junto com outros dois, só que cortou o restante. — Encolheu os ombros. — Não fiquei mais de cinco minutos no bar.

— E a história da pré-inauguração?

— Comprei esse pub tem algumas semanas, eu te falei.

— Não. Você me disse que ia sair para comprar um novo negócio, não o que era.

— Ela quis ir lá hoje com a equipe que trabalhou na compra para comemorar. Eu declinei o convite porque era minha folga e não quis ir. — Deu a volta na ilha da cozinha. — Katrina, eu não vou mentir para você. Peço que confie em mim.

— Não quebre a minha confiança. É tudo que eu te peço. — Olhei em seus olhos. Ele assentiu de forma ansiosa e me deu um beijo.

Stuart chegou fazendo barulho, empolgado com o jogo e fui chamar minha mãe. Nós arrumamos a mesa redonda da cozinha para jogar. Bebidas foram servidas, virei os amendoins e batatinhas nas vasilhas, deixando no centro da mesa. Nós começamos a jogar poker. Devon era um filho da puta! Ele venceu as três primeiras rodadas, não importando o quão difícil o jogo estava.

— Não é justo. Tio Saul o ensinou a jogar. — Vanessa jogou as cartas na mesa. — Quero jogar algo que ele vá perder.

— Eu vou dormir, crianças. Estarei no hospital bem cedo, então, se comportem. — Mamãe se despediu e subiu com os cachorros. Eles gostavam de dormir com ela porque podiam ficar na cama.

— Já que a Mamma Summer foi dormir, vamos brincar de Strip Poker. Variante simples, cinco cartas. Topam? — Stuart sorriu, provocante.

— Você não vai ver a minha mulher nua. — Devon franziu o cenho. O bobo não percebeu que a pessoa que ele queria ver seminua era Vanessa.

— Está assumindo que vou perder? — rebati, agrupando as cartas e o olhei, séria.

— Está querendo jogar Strip Poker?

— Talvez eu deva jogar inocentemente, já que uma saída inofensiva resultou em uma foto com a Everly. — Dei de ombros com um beicinho.

— Mulher! Você vai me enlouquecer! — Puxou os cabelos e sorri de um jeito fofo.

— Nada de Strip Poker! Vamos fazer duplas e quem ganhar, vai poder pedir algo que a outra dupla não vai poder negar. — Bati as cartas na mesa. — Devon e eu contra vocês dois, que tal?

— Traidora. Você vai jogar com ele só para não perder. — Vanessa me empurrou.

— Sabe que sou péssima perdedora. — Dei a língua e levantei do meu lugar. Devon me puxou para sentar em seu colo, não deveria, mas era uma tremenda rendida. Combinamos uma rodada para dar a partida e mais duas para quebrar qualquer empate, embaralhei e começamos.

Com a bebida, mais de uma vez esqueci do jogo e se não fosse Devon tinhoso e muito concentrado, teríamos perdido. No final, apenas ele e Stuart disputavam. Vanessa e eu estávamos comendo pizza com a mão, bebendo e falando sobre os filmes da franquia Cinquenta Tons e os atores. Quando Stuart empurrou as cartas na mesa, comemorei que Devon ganhou, pois não ajudei em nada.

— Cuidado com o que vão pedir. — Stuart estava preocupado.

— Nós não vamos pedir nada agora — Devon garantiu. — Vou guardar a oportunidade no bolso.

— Idiota. — Eles brindaram mesmo assim.

Nós ficamos até o meio da madrugada bebendo e conversando, foi uma noite deliciosa. Quando fui dormir, estava feliz e muito cansada. Apaguei sem demora, quando acordei, sozinha no quarto, minha cabeça estava latejando um pouco.

Domingo não era dia de acordar cedo. Peguei o telefone, minha mãe disse por mensagem que estava em um plantão tranquilo e que Devon a levou. Não acordei nem por um decreto, se ela realmente precisasse, teria me chamado com mais veemência. Fiquei na cama enrolando para levantar. De preguiça, dei uma olhada nas redes sociais e vi que Devon postou milhares de stories da nossa noite. Não era algo que ele costumava fazer.

Me filmou várias vezes, falando merda e jogando. Ele também fez um vídeo que eu estava falando da bunda do Jamie Dornan no fundo, explicando que estávamos em uma jogatina em família e eu estava louca das ideias. Sorri para sua bobeira e para a lembrança da noite gostosa.

A vontade de fazer xixi me expulsou da cama, aproveitei a privacidade para tomar banho, colocar um biquíni e escolhi um short jeans. Deixei o quarto bagunçado porque ninguém merecia arrumar aquela cama toda sozinha.

A casa estava toda clara, Devon mexia em seu telefone na sala e os nossos filhotes corriam no gramado em frente, brincando. Eles tinham energia de sobra, principalmente quando dormiam a noite inteira no conforto que adoravam.

— Caiu da cama cedo em um domingo? — Me aproximei dele, que ergueu o olhar e me deu um sorriso. — Bom dia, Sr. Winterfield.

— Bom dia, Sra. Winterfield. — Me pegou pela cintura e colocou em seu colo. — Teve uma briga em uma das boates que saiu na internet. Estava resolvendo com o jurídico.

Ou seja, falando com a Everly. Revirei os olhos intencionalmente. Sorrindo, me deu um aperto na coxa. Ele sabia que não ia deixar essa coisa com a Everly de lado tão cedo.

— Devo lançar alguma nota?

— Apenas depois que entender o que aconteceu. — Me tombou no sofá. — No momento, dê um beijo e atenção para o seu marido.

— Tenho algo muito sexy para te dizer. — Comecei acariciando sua nuca e me movendo sugestivamente. A mente suja dele ficou feliz, porque o sorriso safado apareceu no rosto. — É a sua vez de trocar os lençóis da cama — cochichei em seu ouvido e ri de sua careta.

— Você me deixa super excitado quando me manda fazer coisas domésticas.

Acariciei seu rosto e olhei em seus olhos.

— Imaginou que seria assim? — Ele ficou confuso. — Quando propôs o não divórcio e me desafiou a dar o braço a torcer? — esclareci.

— Honestamente? Imaginei que seria um completo inferno, mas eu estava disposto a tentar e mostrar que não era o homem sacana que você imaginava. Só quis a oportunidade de fazer diferente dessa vez. Eu não deveria ter deixado você escapar antes. — Me deu um beijo suave.

— Éramos crianças. Acho que, em parte, fiquei magoada e não quis assumir, e com o passar do tempo, só alimentei um preconceito. Te julgar ficou mais fácil com os anos e como temos disposição para brigar, nosso relacionamento ficou ainda mais distante. — Mudei a minha posição. — Estou gostando da nossa convivência, realmente gosto do sexo, mas, ainda acho que de modo geral, nós podemos caminhar direto para o desastre.

— Por que?

— Por que nunca entrou em um relacionamento?

— Não é algo simples para mim, Kat. Nunca foi. — Devon mudou de posição no sofá. — Eu realmente nunca neguei estar em um, só não queria entrar por entrar. Relacionamento e compromisso sempre foram algo sério demais para levar na brincadeira, entende?

— Não quero bancar a psicóloga, porém, isso tem a ver com a Shannon?

— Tem tudo a ver com ela. — Ele deu uma risada irônica. — Eu sei o que é estar do outro lado da rejeição e não quis causar isso em alguém. Várias mulheres com quem fiquei por mais de uma vez ou por um tempo, diziam que a minha sinceridade era cruel, mas eu tinha medo de machucar qualquer pessoa. Sempre tive medo de ser meramente parecido com Shannon.

— Você não tem nada dela, eu te garanto! Confesso que o estigma de solteiro galinha me dava medo. Eu nunca quis ser mais uma na vida de ninguém, sei que tem tudo a ver com o abandono do meu pai e todos os meus relacionamentos fracassados. Meu primeiro namorado queria que escolhesse entre ele e Vanessa. Sabe bem qual foi a minha escolha. — Sorri com orgulho. Sempre escolheria a minha amiga. — O último achou que podia me fazer de saco de pancadas.

Devon franziu o cenho, irritado com Nick.

— Acha que mesmo assim teremos dificuldade de compromisso? — Acariciou o meu rosto.

— Só passou um mês, estou grata que tudo está correndo bem, mas não é exatamente fácil. Conviver com outra pessoa, mesmo sendo você que já conheço e estou familiarizada com a rotina, casa e etc, é bem difícil ser íntimo. — Mordi meu lábio e voltei a me sentar em seu colo. — O desafio mudou, não é? Acho que, na verdade, sempre foi assim...

— O desafio agora não é sobre não se divorciar em seis meses, é aguentar o outro no dia a dia e, ainda por cima, não nos matar nas nossas brigas. — Franziu o nariz.

Soltei uma risada porque era verdade. Apesar do final de semana quase em paz, ainda discutíamos sobre qualquer coisa inútil. Na hora era irritante, porém, pensando bem, talvez fosse algo nosso. Eu podia ser uma pessoa muito complicada e por mais que tentasse melhorar, era difícil.

Ele me deu um beijo intenso, fiquei arrepiada, sendo consumida pelos sentimentos avassaladores. Afastando-se apenas o suficiente para olhar em meus olhos, senti na minha alma algo tão profundo que o meu coração falhou uma batida.

— Katrina Winterfield, eu te desafio a não se apaixonar por mim.

Soltei um arquejo, pega de surpresa e os meus olhos encheram-se de lágrimas. No passado, aquilo me devastaria e naquele momento, parecia tão certo. Ao mesmo tempo me dava muito medo. Devon podia me quebrar em milhares de pedaços, ele sempre teve esse poder e era por isso que eu corria antes.

— Você quer me fazer perder?

— Eu quero. — Ele sorriu, maroto.

— Eu te desafio a se apaixonar por mim, Devon Winterfield — falei baixo, com medo, carregada por milhares de emoções conflitantes. Estava dividida entre correr e abraçá-lo para sempre.

Com carinho, me deu mais um beijo. Ele sorriu de um jeito tão lindo que quis fotografar e emoldurar. Sem desviar os olhos do meus, garantiu:

— Esse desafio você já venceu.

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