Amor em Jogo: Cidade do Pecado, livro 1

Mari Cardoso · Capítulo 15 de 39

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Amor em Jogo: Cidade do Pecado, livro 1

13 | Katrina

 

Senti um beijinho nas minhas costas e abri os olhos, tentando esconder o sorriso. Virei de lado e a cama estava uma bagunça. Devon estava com um calção de basquete e debruçado sobre mim. Ele me deu um beijo nos lábios e avisou que ia malhar, era sábado e eu estava cansada, não queria acordar cedo.

O dia anterior foi exaustivo, física e emocionalmente. Ver a minha casa em chamas me deixou sem chão e não saber o que fazer a seguir era ainda pior.

Não fazia ideia de como seriam os próximos dias. Eu tinha que conversar com minha mãe, tomar uma decisão e fazer um plano. Nunca chorei tanto em toda minha vida. Saber que eu não tinha para onde ir, que a casa que tanto cuidamos, nossos pertences e fotografias se tornaram cinzas, doía o coração. Doía na alma.

Minha mãe estava devastada, e eu entendia muito bem. Ela deu o sangue, muitas noites de folga e momentos que poderia aproveitar comigo, se entregou ao trabalho para ter dinheiro o suficiente para cuidar de tudo. Nós estávamos cheias de dívidas e sem saber como quitá-las. Eu não precisava de uma acusação de fraude no seguro, que por sinal, estava bem atrasado.

Suspirei e abracei um travesseiro, pensando que a noite de sexo era algo que eu precisava, mas foi diferente do que eu esperava. Foi melhor. Foi calmo, com a sensação de que era a coisa certa, prazeroso e nossa... Devon era muito melhor do que pensei.

Tinha vívidas lembranças da nossa primeira noite, mas era bastante confuso e foi meio rude, desleixado, estávamos bêbados demais para fazer algo direito. A segunda vez foi perfeita. Nós conversamos, brincamos, fizemos sexo mais de uma vez, ele me fez gozar com a boca, depois com os dedos, me levou ao limite do prazer ao ponto de me contorcer.

Foi a proximidade e conforto que desesperadamente precisava naquele momento.

Não foi uma cena, muito menos uma performance exibicionista e não foi falso. Era estranho pensar que podíamos ter uma conexão tão bonita no sexo. Nunca tive algo assim com os meus namorados. Quando morei em Los Angeles, tive apenas alguns casinhos e apenas dois chegaram ao sexo. Sempre fui reservada e com medo da intimidade, era difícil confiar.

Meu primeiro namorado não morava sozinho, e eu não conseguia ficar lá quando o seu colega de quarto estava. Sexo era sempre espaçado e meio rápido. Quando terminava, eu não tinha noção do que tinha acontecido. Com Nick era constante, ele vivia enfiado dentro da minha casa, mas não era satisfatório. Ele raramente conseguia me fazer gozar. Eu fingia mesmo, só para acabar logo e me sentia tão mal que não valia a pena.

Esperava que sexo com Devon não se tornasse algo ruim. Ele foi atrás de mim, ficou me esperando e pensei que ele poderia muito bem dormir e me fazer perder, ele perdeu e estava bem com isso. Foi assim que percebi que Devon tinha muita capacidade em se comprometer.

Muito mais do que eu.

Devon voltou para o quarto suado e vermelho.

— Está um calor miserável lá fora.

— Pensei que fosse malhar — comentei da cama, ainda com muita preguiça de me mover.

— Malhei um pouco e fui correr, me arrependi na metade do caminho, mas não podia fazer nada. — Tirou o short e foi para o banheiro. — Puta que pariu, estou vermelho como um tomate.

— Bom que renovou o bronzeado — brinquei e me arrastei para fora da cama.

Estava só de calcinha e com o cabelo todo bagunçado. Ele estava nu na frente do espelho, separando coisas para fazer a barba. Belisquei sua bunda e fui tomar banho. Nunca fiquei tão nua em um chuveiro na frente de um homem e parecia ser algo que só Devon conseguia arrancar de mim.

Tudo começou com uma manhã algemados um ao outro.

Tomei banho e ele estava se barbeando na pia. Primeiro fui me vestir, escolhi um short jeans, um par de tênis da Adidas que tinha separado e uma camisetinha amarela com várias florzinhas brancas. Meu short era curto, mas estava calor, então, tudo bem.

Voltei para o banheiro, ele ainda estava espalhando a espuma de barbear com uma precisão tão séria que tirei uma foto. Ele fez uma careta na segunda foto. Pelo espelho, dava para ver que estava nu, mas não dava para ver a parte principal. Um privilégio só meu.

Escovei os meus dentes, penteei o cabelo e deixei molhado mesmo. Peguei a minha bolsinha de maquiagem, ligando a luz mais forte e comecei a me maquiar enquanto ele tomava banho.

— Você vai na Arena antes do evento?

— Só se acontecer algum problema — falou enquanto lavava o cabelo. — A decoradora deve te ligar em algum momento ao longo do dia. Eu disse a ela que seria difícil irmos lá e que deveria te ligar por vídeo.

— Tudo bem.

— Vou levar vocês três a dois lugares agora. Já avisei à minha irmã e à sua mãe.

— Posso saber onde? — Finalizei a minha maquiagem básica com um gloss. Não passei base, Vanessa até me deu uma base muito boa, com bastante fixação para o nosso clima, mas ela me fazia sentir usando máscara facial e que os meus poros estavam entupidos.

— Não. É uma surpresa. — Piscou e eu lembrei daqueles olhos impressionantes me encarando enquanto me chupava. Por sinal, excelente chupada. Nada de querer sugar o meu clitóris para fora do corpo ou ficar me fodendo com o dedo de maneira irritante. — Tem algo para você lá na sala, esqueci de avisar.

Desconfiada, terminei de me arrumar e guardei as minhas coisas. Tirei o lençol, recolhi os pacotes de camisinha abertos, arrumei a cama, forrando a colcha preta e deixei os travesseiros e almofadas no lugar certo. Dobrar o edredom enorme e pesado foi difícil, mas consegui.

Saí do quarto e passei no da minha mãe, que estava vazio. Havia uma infinidade de sacolas de roupas espalhadas pelo chão, procurei Vanessa e desci as escadas ouvindo as duas falando, cheias de risinhos.

— Bom dia, mocinhas. — Apareci na sala de jantar principal, que ficava entre a sala de visitas e o piano branco lindíssimo. Nenhum dos dois tocava, mas veio na casa e ficaram com pena de se desfazer. — Uau, flores lindas. — Me aproximei.

— Devon comprou flores e vai nos levar a algum lugar. — Os olhos de Vanessa brilhavam. — As suas estão na sala. — Apontou e subi os degraus, virando a esquina. Fiquei estagnada. — Parece que o meu irmão tem uma veia bem romântica.

Romântica e safada. A sala estava cheia de vasos com girassóis preparados para a replantação. A calcinha que usei na noite anterior, onde ele deu um beijinho na flor, era amarela com um girassol. Pilantra. Sorrindo, peguei o cartão de instrução e cuidados. Devon ia me pagar por aquilo.

Tirei várias fotos, postei uma no stories, marcando-o e agradeci com um coração.

— De quem são as roupas no seu quarto, mãe? — Enfiei o meu telefone no bolso.

— Eu encomendei ontem à noite. — Vanessa se adiantou. — Fiquei sem sono e preocupada com o que iriam vestir, se precisavam de alguma coisa, aí liguei para Grace, aquela menina que fazia parte do meu grupo de dança da academia, ela é gerente de uma loja de departamentos...

— Não precisava, amiga.

— Claro que precisava, sua mãe não tinha o que vestir de hoje até segunda-feira, precisavam pelo menos do básico. Sei que vai querer me pagar, depois acertamos, nosso dinheiro agora sai da mesma fonte. — Sorriu. Éramos duas garotas assalariadas. — Você e Devon assinaram algum acordo financeiro?

— Não. Só assinamos um que não podemos nos divorciar. — Revirei os olhos.

— Dois idiotas. — Mamãe bufou. — Obrigada pelas roupas, Vanessa. Eu realmente precisava. Liguei para o meu chefe, ele me deu folga. Terça-feira voltarei ao trabalho. Até lá, vamos organizar a nossa vida.

— Quando voltarmos da rua, conversaremos — prometi.

— Estão prontas, senhoras? — Devon desceu as escadas rapidamente.

— Obrigada pelas flores, maninho. — Vanessa lhe deu um beijo.

— Eu amei as minhas flores, um gesto muito gentil depois de tudo e agradeço imensamente por me acolher em sua casa, Devon. — Minha mãe o abraçou e bufei. Ele não ia parar de querer mimar a minha mãe, só para tê-la ao seu lado.

— Nossa casa, Mel. Você é mãe da minha esposa. — Devon sorriu.

Viu só? Eu sabia!

— Ainda preciso engolir a história desse casamento. — Mamãe foi severa.

— Estou dando o meu melhor, ontem à noite a senhora me aconselhou a fazer filhos com a sua filha. Parece que o seu subconsciente quer netos em breve — ele brincou. Contamos a ela as besteiras que soltou sob efeito do remédio.

— Nada de netos, vocês se comportem — avisou em um tom severo.

— Vou buscar minha bolsa para sairmos. — Vanessa subiu correndo.

Pedi que pegasse a minha que estava em seu quarto. Minha mãe foi ao banheiro antes de sair. Perguntei por Rosa e ela tinha saído com as amigas da igreja, era um passeio para uma paróquia em outra cidade e eles só retornariam no domingo à noite. Devon me encurralou contra a parede e me beijou.

— Obrigada pelas flores.

— Eu sabia que ia gostar e entender bem o meu recadinho. Vai ser eternizado no jardim. — Sorriu de lado. Era um sorrisinho que me afetava. Ele beijou o meu pescoço. Senti falta da barba me arranhando um pouco. — Mais tarde ela já vai estar arranhando e prometo te dar aquela chupada para sentir. Que tal?

Minha nossa! Ele me deixava tonta indo direto ao ponto!

— Combinado. — Sorri contra seus lábios e escapei de seus braços quando ouvi a minha mãe voltar. Não queria ficar de agarração na frente dela, achava que era falta de respeito.

Vanessa me entregou a bolsa, conferi meus documentos e dinheiro na carteira. Minha mãe estava apenas com a identidade, crachá do hospital e um pouco de dinheiro que estava dobradinho junto. Estava preocupada que havia documentações importantes na nossa casa, ficavam guardados em uma gaveta no armário dela, e eu não sabia se alguma coisa poderia ser recuperada.

Devon escolheu uma SUV espaçosa, era o carro que Rosa usava para ir ao mercado. Eles tinham cinco carros na garagem, um audi, um porsche, a SUV, uma mercedes comum, mas de luxo, e um outro que vivia coberto. Nunca perguntei, era novo e não era da minha conta. Pelo formato, era esportivo também, e do jeito que Devon gostava de correr, não era exatamente uma novidade.

Enquanto dirigia, Vanessa escolheu as músicas e fomos conversando. Aproveitei que ele estava dirigindo como uma pessoa normal, de vez em quando parando, colocando a mão na minha coxa. Fiquei no Instagram lendo todas as fofocas que saíram com meu nome.

O incêndio na minha casa estava sendo comentado, algum vizinho deve ter dito, assim como o fato de que terminei um relacionamento dias antes do casamento inesperado com Devon.

Os rumores eram muitos. Eu ia matar McKenna. Irritada, decidi responder algumas páginas, comentários e coloquei um comunicado direto ao ponto no meu stories, já que iria se propagar. Devon parou no engarrafamento, deu uma olhada no telefone e tirou print, postando em seu stories também. Minha explicação era sobre o fim do meu relacionamento e o incêndio. Nada além.

Fiquei com tanta raiva da maneira que McKenna estava me depreciando na internet, me fazendo parecer a galinha que acabou com o relacionamento de Devon com Everly, um relacionamento que não existia! Peguei a foto dele daquela manhã e postei.

— Me exibindo por aí, esposa? — Ele arqueou a sobrancelha. Com a minha marcação, postou que eu estava muito observadora antes do café.

— Mostrando que não sou mentirosa. McKenna é uma vaca!

— Agora você sabe o que eu passo — Vanessa falou do banco de trás. — Pior que você ainda vai precisar trabalhar com ela.

— Se eu não a jogar lá de cima. — Bufei.

A primeira parada de Devon era em uma lanchonete badalada da cidade que tinha uma fila enorme para conseguir uma mesa. Ele reservou uma no dia anterior, então, não ficamos esperando. A mesa redonda no segundo andar tinha uma visão muito linda para a cidade. O sol estava forte e o ambiente climatizado era quase um paraíso. Fomos servidos com café de primeira, fizemos pedidos dos pratos bonitos que estavam no menu e aguardamos. O lugar ficou cheio rapidamente.

Ver a minha mãe sorrindo e empolgada me deixou feliz. Ela estava relaxando aos poucos. Vanessa sempre soube como fazê-la rir, mas Devon era uma novidade.

Escolhi ovos mexidos com tomate, queijo e temperos especiais da casa. O prato estava ornamentado com torradas pequenas e fatias de bacon. Devon pediu panquecas de pizza, era muito mais gostoso do que dei crédito. Vanessa ficou com o prato tradicional de café da manhã com ovos, salsicha, bacon e torradas. Canecas de café foram renovadas, uma grande jarra de suco de laranja fresco foi deixada no centro da mesa e devoramos a comida.

Minha mãe pediu uma fatia de red velvet que estava delicioso, cookies e ficou apenas no café preto, beliscando um pouco de cada.

— Obrigada por essa refeição. — Mamãe segurou a mão de Devon. — Você está nos mimando demais. Muito gentil da sua parte.

— Eu adorei, obrigada. — Vanessa esfregou o estômago. — Não deveria ter comido o prato todo.

— Katrina não teve o mesmo problema, ela comeu o dela e o meu — Devon me provocou quando enfiei o seu último pedaço de panqueca na boca.

— Cale a boca! — falei de boca cheia. — Foram só uns pedacinhos! Eu te dei o meu bacon! — Fiz um beicinho. Ele se inclinou e me deu um beijo suave nos lábios.

— Como um bom marido, vou compartilhar mais. — Piscou. Naquela noite nós compartilhamos muito um com o outro. Foi uma dança chocante, gostosa e sentar naquele pau foi a melhor decisão de impulso da minha vida. — Quer compartilhar mais?

— Não, saia de perto de mim. — Fingi indiferença.

Devon riu e sinalizou pedindo a conta. Ele pagou e saímos, esqueci que ainda nos levaria a algum lugar, nos deixou curiosas de propósito, enquanto dirigia, verifiquei o resultado das minhas postagens. A página de McKenna estava bombando de comentários. Ela parecia meio surtada nos stories e assisti com prazer.

Everly curtiu um comentário que dizia que provavelmente Devon e ela nunca tiveram um relacionamento sério e que ele estava livre para se relacionar com outra pessoa, mas que era ruim, porque era bem óbvio que ela, no caso a Everly, tinha sentimentos por ele.

— O que estamos fazendo aqui? — Olhei ao redor. Era uma feira.

— Vocês queriam um cachorrinho... vamos adotar um.

Vanessa soltou um gritinho e saiu em disparada do carro. Fui atrás, quase na mesma empolgação. Minha mãe e Devon estavam mais devagar, olhando as baias dos cachorros. Eram muitos e todos fofos. Era impossível escolher, queria levar todos.

— Nada de gatos. Eles sobem em tudo. — Devon nos deu um olhar severo quando paramos em um cercado cheio de gatinhos. — Eles não obedecem. Já tenho você sem obediência.

— Engraçadinho — murmurei e andamos um pouco mais.

— Olha! Labradores! — Vanessa me puxou em direção a um monte de filhotes. A ninhada era gratuita, porém, eles estavam pedindo doações para a ONG que cuidava dos animais expostos para adoção. — Meu Deus, olha aqueles dois juntinhos ali, dormindo como bebês!

Nós pulamos a baia e nos aproximamos dos cachorrinhos. O voluntário disse que eram irmãos que não se desgrudavam. Devon deu um olhar carinhoso para Vanessa e sorrimos. Era como eles dois. Nunca se separavam.

— Vamos levar os dois — Devon determinou. Vanessa e eu gritamos de alegria segurando os filhotinhos. Eram dois machinhos lindos de pelos escuros. — O que preciso fazer?

Devon se afastou e foi para a barraca com os voluntários. Me aproximei com o cachorrinho e minha mãe pegou no colo. Sempre quisemos ter um, mas ela quase não ficava em casa, depois eu fui morar fora, além de ser um gasto enorme que não precisávamos acrescentar no orçamento. Ela arrulhou com o bichinho, chamando de seu netinho e morri de rir.

Seriam os dois cachorrinhos mais mimados do universo.

— Tudo pronto. Agora precisamos comprar ração, brinquedos e coisas de cachorro. — Devon voltou com a carteira de vacinação.

— Tem uma grande loja no caminho de casa. — Vanessa olhou em seu celular. — Está aberta.

Era impressionante como duas coisinhas peludas fizeram o meu dia mais feliz. Devon nos levou até a loja. Vanessa e a minha mãe estavam com os cachorrinhos no colo e saíram primeiro.

Soltei o cinto e me inclinei na direção dele, beijando-o primeiro na bochecha. Ficamos com os nossos rostos bem próximos, meus cílios escovaram as maçãs de seu rosto e ao virar, nossos narizes ficaram pontinha com pontinha. Apertei meus lábios nos dele, suave, com todo carinho.

— Obrigada.

— De nada, esposa. — Sorriu contra minha boca. Aquele sorriso deixava as borboletas voando em meu estômago descontroladamente.

Saímos do carro, ele deu a volta e ofereceu a mão. Eu peguei. De mãos unidas, andamos lado a lado, entramos na loja e encontramos um mundo para os animais domésticos. Vanessa pegou um carrinho, colocou duas camas e Devon pegou um saco enorme de uma ração, que o vendedor disse que era a melhor para filhotes. Peguei xampus, remédios para pulgas e toalhas. Levamos um tempo escolhendo milhares de brinquedos.

— Não acredito que temos dois filhos. — Devon colocou a mão no coração. Bobo.

— Com guarda compartilhada com a sua irmã? — Soltei uma risada.

— Fazer o quê? Ela é o terceiro elemento.

Vanessa e eu viramos ao mesmo tempo, olhamos uma para a outra e começamos a rir.

— Você é o terceiro elemento, bobinho. — Pisquei e voltei a empurrar o carrinho.

Devon fez o beicinho que Vanessa vivia fazendo. Era impressionante o quanto eles tinham expressões iguais, mesmo não tão parecidos, afinal, não eram filhos do mesmo pai. Shannon nunca falou quem eram os pais de seus filhos, ela dizia que era mulher de produção independente, mas nunca ficou por perto para criar ninguém.

De volta para casa, recebi a ligação de vídeo da decoradora. Vanessa e eu ficamos quase uma hora acertando os detalhes finais e quando parecia tudo certo, encerramos a chamada. Minha mãe deu banho nos cachorros, secou, deu comida e ainda os colocou para dormir.

— O que iremos fazer? — Sentou-se ao meu lado.

— Mãe... Acho que precisamos esperar o resultado da investigação. Vanessa e Devon nos convidaram para ficar aqui e é até mais perto do seu trabalho. — Segurei sua mão e beijei. — Eu quero ficar aqui, mas se você não quiser, precisaremos procurar um lugar dentro das nossas condições.

— Eu não quero ficar aqui para sempre, mas aceito que no momento, não temos dinheiro imediato para alugar um lugar e sou muito grata pela acolhida. Ainda não entendo o seu relacionamento com Devon, mas se quer ficar com ele, eu vou te apoiar. Enquanto isso, vamos juntando dinheiro, veremos se iremos reconstruir a nossa casa ou alugar algum lugar. — Suspirou e deitou a cabeça no meu ombro. — Ainda é completamente surreal acreditar que perdemos o nosso lugarzinho.

— Vamos recuperar tudo que perdemos, mãe. Não é nosso fim, foi uma recuada para dar impulsionamento. Só de pensar o quanto senti medo que estivesse lá dentro...

— Eu sei, minha filha. Eu entendo. — Beijou a minha bochecha. — Teremos muito trabalho nas próximas semanas. Queria ir lá, ao mesmo tempo, não tenho coragem. Não sei se vou conseguir ver tudo destruído sem desmoronar.

— Não importa o que irá acontecer. Juntas, sempre conseguimos o nosso objetivo!

— Eu te amo, filha.

— Eu te amo, mãe. — Entrelacei os nossos dedos. — Vamos florescer onde ficarmos.

Olhei para nossas mãos unidas e o movimento da minha mão fez com que a luz batesse na minha aliança e ela brilhou. Pela primeira vez o significado dela pesou.

Casamento era algo realmente sério e em um momento tão complicado da minha vida, Devon estava me fazendo engolir as minhas acusações e julgamentos. Ele estava sendo um marido cuidadoso e comprometido. Estava errada, mas não estava pronta para ceder e dizer que errei. Ainda faltava muito para o nosso desafio terminar e havia muita coisa para acontecer entre nós dois.

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