Amor em Jogo: Cidade do Pecado, livro 1
15 | Devon
Katrina ficou com os olhos comicamente arregalados quando passamos pelo bloqueio dos seguranças de Don e entramos no vestiário. Ele estava pronto, soltando urros de adrenalina, enrolado no roupão de cetim vermelho com seu nome em dourado nas costas. Surtado, me deu um abraço e colou a testa na minha.
Ainda eufórico, pegou Kat e rodopiou. Ela gritou de susto no meio da risada.
— Dez minutos! — Alguém da equipe gritou.
— Vai ser foda, vai ser foda! — Stuart gritou comigo e rimos. — Vou te oferecer essa, maluco!
— As apostas estão rolando, vai com tudo! — Batemos nossos punhos juntos.
Segurei a mão de Kat, porque ela parecia em transe.
Saímos do vestiário e o seu nariz enrugou. Esqueci que o olfato feminino era algo sensível para um vestiário masculino cheio de homens. Olhei para o seu rosto e soltei uma risada, ela me bateu de leve, enquanto passávamos pelos corredores entre as cadeiras.
As luzes da Arena refletiam no ringue, era forte, segui as marcações no chão e falei com conhecidos. Como era um evento privado, a Arena estava apenas com vinte por cento do público total, mesmo assim, era uma barulheira com a música alta e as garotas dançando.
— Devon! — Tio Saul saudou de seu lugar, sorrindo. Ele me deu um rápido abraço. Seu cheiro de charuto de canela e menta era único.
— Pensei que fosse passar lá em casa antes do evento.
— Só consegui chegar agora. — Ele me deu um sorriso tenso. — Não vim sozinho — falou baixo e virou-se para Katrina. — Oi, querida! Como sempre, linda. Eu preciso parabenizar o casamento de vocês antes que...
Merda.
— Dev! Amor! — Shannon apareceu segurando uma taça de martini. — Acredita que eles não queriam me servir? Eu tive que dizer que sou sua mãe, embora pareça ser sua irmã. — Apertou a minha bochecha e me deu um sorrisão. Ela virou-se para Katrina. — Kat, gatinha. Menina, sempre te achei esperta por colar na minha filha, mas casar com o meu filho foi além do esperado.
Katrina não parecia abalada.
— Como se você me conhecesse, Shannon. — Abriu um sorriso seco.
— É verdade. Eu não te julguei como um potencial caçador da fortuna do meu filho.
— Chega dessa merda, Shannon. — Cortei e mesmo não querendo causar uma cena, eu não ia permitir que ela fodesse com o meu evento. — Trate a Kat como alpinista social novamente e eu te mostro qual das duas realmente é. Meu pai vai bem?
Fazendo uma careta, Shannon se afastou.
— Não precisa me defender e se indispor com a sua mãe… — Katrina segurou a minha mão.
— Você sabe que não existe a possibilidade de não me indispor com ela — murmurei. — Porra, não queria que ela estivesse aqui. — Olhei ao redor e reparei que a imprensa estava interessada. Onde Shannon estava, tinha uma matéria em potencial. — avise para Vanessa que ela está aqui. Eu quero que a minha irmã se prepare porque ela vai aparecer lá em casa.
— Tudo bem. Por favor, não fica chateado. Está sendo uma grande noite. — Kat acariciou meu braço e me inclinei, beijando seus lábios. — O que foi isso?
— Um beijo. Porque eu posso.
Ela sorriu e foi para o seu lugar. Eu não sabia ao certo como era a relação de Katrina com Shannon. Em Los Angeles, Vanessa tentou uma proximidade com a nossa mãe, mas isso só causou danos. Shannon era espinhosa, difícil de lidar, relapsa e a maior parte do tempo, mal intencionada.
Aceitei um copo de cerveja de meio litro porque precisava ingerir álcool para aguentar minha mãe.
Katrina cochichou algo em seu ouvido, a expressão dela foi cômica, imediatamente aprumou a postura e deu a taça de martini para tio Saul, que revirou os olhos em sua célebre expressão cansado da irmã e jogou a taça no lixo. Shannon ficou quieta, com o rosto de miss simpatia.
A câmera que estava transmitindo a luta ao vivo passou por nós bem devagar. Dei um sorriso, Katrina ficou tímida e a minha mãe fez a sua pose de atriz poderosa.
Don começou a sua entrada triunfal com a clássica música do Rocky Balboa e a plateia foi ao delírio. Ele deu o beijo de boa sorte em uma dançarina.
— Isso é ridículo. Quero ver quando ele for enlaçado se vai continuar beijando garotas aleatórias para trazer sorte. — Kat revirou os olhos.
— Me dá um beijo da sorte! — Segurei o seu rosto que rindo, me empurrou. — Ele precisa ganhar. Apostei um milhão e vou ganhar três.
Ela pulverizou a cerveja.
— Você só pode ser maluco! — Limpou a boca. — Desculpa, Shannon. Melhor trocar de lugar com tio Saul, eu não fui para a escola de etiqueta, só para a escola de alpinista social — murmurou para minha mãe e soltei uma risada alta que atraiu bastante atenção. — Agora, eu vou beijar o seu filho.
— Você se casou com ele, Kat. Imagino que tenha aproveitado... — Shannon provocou. — Se não aproveitou, é boba.
— Ah, eu aproveitei . — Katrina riu. — Mas não o suficiente.
— Vocês duas podem parar? — reclamei e virei o rosto de Katrina. — A luta vai começar. — Dei um selinho em seus lábios. — Meu. — Beijo. — Beijo. — Outro beijo. — Da. — Dois beijos. — Sorte. — Empurrei minha língua em sua boca. — Obrigado.
— Você sabe que vai ter que fazer algo maravilhoso com essa língua mais tarde, não sabe?
— É um desafio, Katrina?
— É sim. — Ela sorriu e piscou. — É melhor que você ganhe. Esse eu não me importo em perder.
A luta foi feroz. Os vinte e cinco minutos mais intensos e estressantes da minha vida, mas valeu a pena cada minuto. Don virou a luta e deixou os minutos finais tão eletrizantes que todos ficaram de pé, gritando suas torcidas. Ele deu um nocaute bonito, de ouvir de longe.
Quando seu oponente não levantou, pulei no lugar. Don teve o braço erguido no ringue e ergui o meu. Ele apontou para mim, a boca cheia de sangue e o rosto inchado, mas o sorriso vitorioso estava lá.
Apesar de ser três e meia da manhã, ainda havia muito o que comemorar. Don e o oponente foram para os vestiários dar entrevistas e eu levei Katrina para minha sala. Minha mãe e tio Saul foram levados para a área surpresa. Era uma festa. Dançarinas, pista de dança, DJ, muita coisa colorida em neon e o verdadeiro significado de diversão para comemorar a vitória.
— Nós vamos ficar? — Kat sentou-se em minha mesa.
— Não quer se divertir? — Abri uma garrafa de água, bebi e parei entre as suas pernas. — Pensei que a srta. Julgadora gostaria de conhecer como eu me divirto.
— Oi? Queridinho! — Ergueu a mão e mostrou a aliança. — A última vez que te desafiei à diversão, minha calcinha acabou na sala e o seu sobrenome no lugar do meu.
— O que pode acontecer? Já nos casamos.
— Tenho até medo, mas sim, vamos nos divertir. — Cruzou as pernas na minha cintura.
— Não vamos ficar muito tempo porque eu quero um tipo de diversão pervertida.
— É mesmo? — Ela sorriu e beijei o seu pescoço, levando a minha boca para o seu ouvido, cochichei o que planejava fazer quando chegássemos em casa e ela ficou toda arrepiada. — Porra. — Seu olhar estava nublado.
Deixar Katrina maluca era a minha nova missão de vida. Com um olhar excitado, descemos de mãos dadas e ela fez uma careta ao ver Everly dentro da área vip, conversando com a minha mãe.
— Devon, querido! Estava conversando com a Everly. — Shannon apontou e dei um aceno. — Sabia que foi ela quem me ligou para contar sobre o casamento? — Abriu um sorriso. Everly ficou vermelha. — Ela está chateada que você se casou e tentou me jogar contra Katrina.
— Ninguém precisa te jogar contra mim, não é? — Katrina começou a rir.
— A rixa aqui é longa. — Shannon ergueu o copo.
Everly estava tão sem graça que não sabia o que dizer. De todas as coisas, ela não esperava que a boca da minha mãe fosse um problema. Me deu vontade de rir.
Shannon não guardava nada e não defendia ninguém além de si mesma. Ela era torcedora de seu próprio time, egoísta de primeira, as brigas com Katrina não eram novidade. Mais de uma vez Kat tomou as dores de Vanessa e colocou Shannon para correr com o rabo entre as pernas, então, Everly precisaria usar um veneno de cobra peçonhenta para entrar no ringue com elas.
Muda, Everly acenou que iria sair do camarote e acenei em despedida. Eu não podia dizer nada para amenizar sua confusão. Talvez aprendesse a não ser fofoqueira com os assuntos que não lhe diziam respeito. Katrina olhou para Shannon.
— Não se meta no meu casamento ou eu vou contar para todo mundo quantas plásticas você já fez. — Apontou. — Ou a sua idade real. Talvez eu possa fazer uma lista de coisas, sou uma jornalista. Tem um segredinho do seu marido atual com aquelas garotas de programa no hotel do Devon há algumas semanas… lembra?
— Por que eu me meteria? — Shannon se fez de santa.
— Porque eu te conheço. Amanhã à noite você está convidada para jantar conosco, mas, se abrir essa sua boquinha cheia de botox para fazer Vanessa se sentir péssima ou provocar qualquer situação ruim, eu vou pegar o meu telefone e ligar para todos os meus colegas jornalistas.
Shannon fez um beicinho.
— Tudo bem. — Bufou. — Eu preciso beber. — Se afastou.
Tio Saul começou a rir e olhei com orgulho para minha mulher, que sabia muito bem como botar minha mãe em seu devido lugar. Levei-a para o bar, eu não podia beber mais, mas ela merecia uma bebida para relaxar. Pedi uma mistura colorida com gin e gelo. Ela ganhou uma taça enorme, ficou feliz e deu um golinho.
O problema era que a maioria das minhas festas eram do estilo que Vegas adorava. Com muita bebida e mulher seminua. Várias garotas dançaram ao meu redor e precisei colocar Katrina na minha frente.
Ela deixou claro que tinha ciúmes e pensando bem, se a situação fosse contrária, eu também sentiria. Apesar de ser bem tranquilo em relacionamentos, ao ver um lutador se aproximar de Katrina enquanto ela conversava com Alicia, fiquei com o sangue quente.
Ao longo dos anos, vi muitos homens se aproximando dela, chegando junto para uma ficada e ela até teve relacionamentos, mas foi a primeira vez que senti nas minhas entranhas.
— Eu vou matar o filho da puta. — Dei um passo à frente e Stuart me segurou.
— Enquanto eu tenho certeza absoluta que você sabe bater e é homem o suficiente para ter culhões, acho que ele sabe bater mais do que você. — Stuart me manteve no lugar. Quando ele estava no ringue como Don era um touro, fora dele, o homem mais pacífico do mundo.
— Foda-se.
Katrina riu de algo que o merdinha falou e mostrou a mão com a aliança.
— Eu sou casada — ela falou alto e rindo.
— É uma pena. Se quiser se divertir...
— Ah, caralho. — Bati meu copo na mesa e levantei. Stuart passou os braços por minha cintura. — Se oferecer diversão para minha mulher de novo, eu vou foder a sua cara feia na minha parede! — gritei do meu lugar. O idiota riu e ergueu as mãos, saindo de perto. Katrina voltou para o meu lado. — Ficou dando confiança pro idiota?
— Eu disse que era casada e que a cantada dele era muito ruim. — Deu de ombros, com um sorriso divertido. Seu olhar ficou provocante, passando o indicador na borda do decote. Gostosa.
— Vamos embora.
— Por que? Estava mais divertido quando tinha um monte de bunda querendo dançar ao seu redor? — Me encarou com um sorriso divertido.
— A única bunda que quero esfregando em mim é a sua.
— Fofo. — Sorriu e entregou seu copo para Stuart. — Vamos embora, Devon.
Ainda assim, ela não me chamava de marido. Oh, mulher difícil! Esse jeito determinado, era único. Katrina não se dobrava por nada. Não seria com glamour, dinheiro e ambição que ela mudaria. Por amor e amizade, minha mulher se entregava de corpo e alma.
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