Amor em Jogo: Cidade do Pecado, livro 1
28 | Katrina
Devon voltou tarde para casa. A reunião se estendeu, mas ele parecia bem. Um pouco melhor da gripe, me aventurei fora do quarto, jantei com a minha família e depois tivemos uma reunião.
Participei de curiosa, pois não iria interferir na decisão dos irmãos sobre investir ou não na nova residência da Shannon. Ela ainda não tinha aparecido por estar gravando um filme. Não ligou para a filha para dizer nada em seu aniversário.
Tio Saul mandou flores para Vanessa e uma joia, assinando um cartão muito bonito. Ele não se dava o trabalho de fingir que Shannon se importava com alguma coisa.
A única coisa que eu discuti era sobre o Bertie. Vanessa e Devon garantiram que a oficina especializada era concorrida, normal demorar tanto. Eu só queria meu carro de volta.
Domingo, nós acordamos cedo para passear. Devon queria nos levar para um dia divertido, seguindo com as comemorações do aniversário de Vanessa. Minha mãe estava trabalhando e Michael em casa com Kevin, então, fomos apenas nós três.
Animada, cantei algumas músicas até o heliporto. O piloto já nos esperava. O dia estava lindo e eu com a minha câmera em mãos para fotografar o Grand Canyon. Apesar de ser um passeio recorrente para os turistas, visitei o lugar apenas duas vezes.
Devon sabia pilotar, o outro piloto foi junto apenas porque era norma da companhia. Eles sentaram na frente, Vanessa e eu atrás. O processo de subir era bem assustador, mesmo com os fones abafando todo barulho e ouvindo as piadas do idiota com quem me casei sobre sua habilidade em pilotar. Ele estava me deixando muito nervosa de propósito.
A cidade, vista de cima, era bonita, mas eu sentia vontade de morar em um lugar mais fresco. Devon acreditava que não iríamos nos adaptar em um local frio, até porque, um dos nossos passatempos favoritos era ficar na piscina. Eu não me mudaria, a não ser se fosse muito necessário. Minha vida era em Vegas.
Minha mãe estava construindo uma nova família aqui. Eu estava construindo, inesperadamente, uma vida com um homem que jamais imaginei e minha melhor amiga não pretendia se mudar.
— Katrina? — Devon chamou. — Olha só aquilo ali. — Apontou para a esquerda e grudei o meu rosto no vidro. — Não sabia que o aterro sanitário era tão próximo ao Valley — comentou e aproximei o zoom da câmera.
— É um espaço aéreo proibido, precisa circular. — O outro piloto informou.
Proibido? Interessante.
Devon deu a volta no local, me dando a oportunidade de fotografar. Vanessa e eu trocamos um olhar, mas não falamos nada porque não estávamos sozinhos.
O restante do passeio foi maravilhoso, mesmo a caminhada que eu pensei que fosse derreter na trilha. As fotos ficaram muito boas. Iria revelar quase todas, principalmente as que tirei com Devon, porque ficaram perfeitas. Como ainda era o aniversário de Vanessa, ela escolheu o lugar do nosso almoço.
Faminta, devorei o meu prato com um filé imenso, batatas fritas e saladas. Aquele lugar tinha o melhor filé do mundo inteiro.
— Pensei que iríamos dividir... — Devon me cutucou com o garfo. Ele pediu filés de peixe branco com camarões, a ideia era compartilhar os nossos pratos para podermos comer coisas diferentes.
— Eu só comi sopa ou tomei chá nas últimas vinte e quatro horas. — Dei a ele o último pedaço que sobrou. — Minha mãe é o tipo de enfermeira que se o paciente não ficar acordado, não vai dar trabalho.
— Não que você tenha ficado totalmente dormindo — Vanessa comentou e o sorriso sacana me deixou alerta. — Talvez o remédio tenha te deixado meio... divertida.
— O que vocês fizeram?
— Eu não estava em casa! — Devon se defendeu, mas o olhar brincalhão não me enganou. — Só recebi os vídeos da minha linda esposa meio dormindo, meio acordada, falando que sou lindo, que faremos filhos lindos, que se você estivesse boa, estaríamos transando. — Abriu um sorrisão. — Não se preocupa, amor. Vou esperar que melhore. — Me deu um beijo sem conseguir parar de rir.
— Sua traidora! — acusei Vanessa, que ria. — Quero ver, cadê os vídeos?
Minha melhor amiga era uma vaca. Eu estava uma bagunça no vídeo, parecia que tinha dormido muito, meu rosto tinha marcas da cama, uma baba seca e só falei maluquices. Algumas partes não faziam sentido, como comprar um sapato caramelo, mas a maior parte era sobre Devon. Até o meu subconsciente estava com os quatro pneus e o step arriados por ele.
— Eu vou me vingar. — Abri um sorriso e devolvi o aparelho.
Vanessa fez uma careta porque ela sabia que eu desconhecia limites em uma revanche.
...
Morar sem a minha mãe e com um marido era algo a se acostumar todo dia. As semanas seguintes foram tranquilas, de ajustes, de aventuras profissionais, pessoais e emocionais. Um casamento podia ser uma gangorra emocional difícil de controlar, mas de modo geral, acreditava que Devon e eu nos saímos bem.
Era difícil conversar sobre tudo, eu tinha um defeito horrível de falar o que vinha na mente e muitas vezes, era injusta, quando ele, sempre sincero e calmo, conseguia pensar melhor nas palavras e nas suas atitudes. Devon me ensinava a ser uma pessoa melhor todos os dias.
Ter calma e paciência era uma novidade.
Em um domingo comum, ele estava limpando a piscina e eu jogada em uma espreguiçadeira, filmando-o. O homem era sexy fazendo as coisas mais bobas. Começo de setembro, a nossa vida parecia até muito tranquila.
— Está começando a esfriar. — Devon bateu com a cesta na grama. — Vamos entrar, não quero que fique resfriada de novo.
— Já terminou?
— Não quero ficar resfriado também. — Sorriu e guardou o material de limpeza. — Vem, Katrina.
— Estou com preguiça de me mover.
— Quando você quer se mover? — Ele revirou os olhos, me ergueu no colo e entramos em casa. Vanessa estava comendo pipoca, bebendo refrigerante e assistindo Cartas Para Julieta . — Vou te deixar bem aí e desaparecer.
Devon fugia de filmes/músicas de romance como se fossem uma praga. Era engraçado, porque ele era muito mais romântico que eu. Sempre me surpreendia com flores, chocolates, um bilhete romântico meio safado e era doce pela manhã e na hora de dormir.
Uma coisa boa entre nós, era que mesmo brigados, nunca nos repelimos. Às vezes, ele me irritava tanto que não queria vê-lo na minha frente, mas eu sentia falta quando chegava mais tarde ou quando ia dormir sozinha porque ele estava trabalhando.
— Pinta as minhas unhas! — Vanessa me deu o esmalte. Intimidade era isso, a pessoa sequer tinha coragem de pedir, já ordenava. — Stuart me mandou uma mensagem...
Ergui o meu olhar do esmalte.
— Sério? O que ele disse?
— Se eu queria sair com ele e uns amigos. Eu disse que ia ver, porque me comprometi em cuidar do Kevin, já que a babá está doente — retrucou e abri a tampa, tirando o excesso. — Acha que é uma tentativa de aproximação?
— Por que a minha mãe te pediu ajuda? Eu posso tomar conta do Kevin!
— Ela sabe que você está ocupada com a matéria, além do mais, ele vai estar aqui. Todos nós tomaremos conta dele quando os plantões se coincidirem. Você pode prestar atenção no que realmente importa?
Ela finalmente admitiu que o assunto Stuart importava, percebendo a minha manobra, suspirou.
— Eu acho que a coisa toda entre vocês é recíproca, mas, na minha opinião, quem quer não dá desculpas. Seu irmão e eu vivíamos brigando, mas quando surgiu a oportunidade, ele agarrou como se fosse um cachorro roendo um osso. — Pintei algumas unhas. — Na minha opinião, ele tem medo. Stuart tem uma história complicada que eu já tentei arrancar detalhes do Devon a todo custo.
— Meu irmão não vai falar. Ele é muito discreto. — Vanessa suspirou. — O que eu faço? Eu vou?
— Não vejo problema cultivar uma amizade, talvez isso seja bom para uma proximidade, mas, ele gosta de curtir muito e você só faz isso de vez em quando. Qualquer decisão que tomar, ele vai entender. Se não entender, foda-se. — Sorrimos uma para outra. — Acho que agora que está se abrindo para um possível romance, será que não poderia abrir os seus olhos para qualquer outro homem legal? Não existe só Stuart no mundo.
Vanessa ergueu o olhar, ficou com as bochechas vermelhas e mordeu o lábio. Não precisava virar para saber que o irmão mais protetor e ciumento do universo ouviu a minha última fala. Ignorei porque eu nunca alimentava os rompantes ciumentos. Com a irmã, ele tinha medo porque ela já se machucou muito, comigo, era insegurança. Ele estava melhorando com o passar do tempo.
— O que nós vamos jantar? — Comecei outro assunto aleatoriamente.
— A cozinheira deixou um monte de coisa pronta. — Devon sentou atrás de mim. — Salmão empanado? Tem congelado.
— Eu faço uma salada quando a minha unha secar.
— Vou abrir o vinho. — Sorri. Eles sabiam que cozinhar era uma arte que eu até dominava, mas não gostava muito. Finais de semana pedíamos comida ou Devon cozinhava.
Vanessa deu um jeito de sumir da sala quando terminei as suas unhas apenas para Devon não começar a palestra sobre Stuart não ser um bom homem para ela. Nós ficamos no sofá junto com os nossos filhotes, cada um dormindo de um lado, assistindo televisão quando o telefone dele vibrou. Espiando, vi que era Matt. Seu advogado pessoal raramente ligava fora do horário comercial. Eles começaram a falar, mas apenas uma parte do assunto me chamou atenção.
— Foragido? — Ele ficou tenso. — E o que acontece agora? — Devon estava pálido. — Proteção policial? Eu tenho uma equipe, mas isso é foda!
— O que foi? — Virei no lugar e ele sinalizou para esperar, ouvindo o que o advogado dizia.
— Claro. Obrigado. — Encerrou a chamada e suspirou. — A polícia conseguiu uma prova com a perícia dos bombeiros. Foi, na verdade, encontrado nos escombros pelos funcionários da construção. O tecido usado para a fonte do incêndio continha material genético.
— Foi o Nick? — Mudei a minha posição.
— Foi. Eles emitiram um mandado de prisão, teve uma perseguição e ele está foragido. — Devon esfregou os meus braços, que ficaram arrepiados. — Eles virão nos comunicar oficialmente e deixar uma proteção policial até que ele seja encontrado.
— Temos que avisar a minha mãe...
— Odeio perguntar isso, mas você conhece algum lugar que ele poderia se esconder? Casa de algum parente? Um amigo? — Devon olhou em meus olhos. — Matt adiantou essas perguntas. Serão feitas pelos policiais e seria ideal já ter uma resposta.
— Além dos pais dele, eu não conheço muito a família. Sei que ele tem a oficina, tem a casa de uma tia em Los Angeles, fica no bairro que teve aquele tiroteio na escola. Lembra? Foi ano passado e apareceu em todos os jornais — comentei, tentando lembrar o lugar e o nome da tia. — Devon, eu sou péssima com nomes. Eu não lembro o nome dela!
— Eles são americanos?
— Nicholas nasceu aqui, mas os pais dele...
— Tudo bem. — Me deu um beijo. — Vou fazer umas ligações. Até que ele seja pego, vou chamar os seguranças e você não vai sair desacompanhada.
Não adiantava discutir e não iria. Nicholas era doente. Ele incendiou a minha casa e a única conclusão plausível era me fazer voltar. Me deixar sem ter para onde ir e com quem contar. Eu queria que ele pagasse por tudo que fez e não era justo que ele saísse ileso enquanto eu perdi minha casa, minhas coisas, minhas lembranças da infância e todo dinheiro que a minha mãe investiu ali.
Observei Devon resolver o que podia por telefone. Vanessa preparou o jantar e comemos em um clima tenso, preocupados, mas eu sabia que ali estava segura. O condomínio tinha uma forte segurança e a casa também. Minha mãe estava em sua nova casa, que também tinha alarme e câmeras de segurança, além de segurança privada nas ruas do bairro. Nós íamos ficar bem.
Fui dormir antes do Devon. Ele estava agitado demais para sossegar e eu cansada. Fiquei com a televisão ligada para ficar com uma luz ao fundo, embolada no edredom e cochilei.
Acordei com Marco querendo sair do quarto. Ele ficava no máximo uma hora, depois, queria sair e ir de encontro ao irmão, que gostava de ficar solto. Demorei a pegar no sono de novo, Devon entrou no quarto de fininho e sorriu ao me ver prestando atenção no filme pastelão que passava.
— Ainda acordada...
— Demorou. Aconteceu algo?
— Verificando os cassinos. — Tirou a camisa e jogou na poltrona. — Tudo dentro da rotina, os mesmos engraçadinhos de sempre, lugar lotado, a banca sempre vencendo. — Puxou o edredom e deitou em cima de mim. Me acomodei, envolvendo minhas pernas ao redor dele. Apoiado com os cotovelos, enfiou o rosto no meu pescoço, beijando e suspirei. — O que foi?
— Ainda bem que tenho você. — Puxei um pouco do seu cabelo.
— É bom ouvir isso... é como música. — Ele sorriu. Beijei-o suavemente.
— Eu te amo, sr. Winterfield. — Mordi seu lábio, dando uma chupadinha que eu sabia que ele adorava.
O clima ficou aquecido, podia sentir o desejo latejar e era gostoso sentir crescer enquanto ele, com maestria, puxava o decote da minha camiseta larga e chupava meu mamilo. Assistir o meu peito na boca dele me dava um tesão maluco, ele provocava muito bem com a língua, dando um tipo de beijo que era capaz de me levar à borda.
Sabia que não era incomum mulheres chegarem ao orgasmo apenas com estímulo nos seios, eu era uma dessas mulheres, ficava lubrificada, louca de tesão e me sentindo desinibida da vida.
Afastou-se um pouco, sua boca estava vermelha e os meus peitos inchados. Mamilos duros, pele arrepiada e uma vontade de pular nele. Tirando o edredom da cama, puxei a minha camiseta e joguei longe. Devon tirou a minha calcinha, mesmo com pouca iluminação, podia ver o seu pau marcando a calça. Mordi o lábio, olhando em seus olhos para provocá-lo.
— Quer meu pau na sua boca, safada? — Sorriu e olhou entre as minhas pernas. — Que delícia... — Passou o indicador nas minhas dobras, dando uma acariciada gostosa no meu clitóris.
— Deita. Eu vou montar no seu rosto — ordenei. Devon adorava quando eu tomava uma atitude sobre alguma coisa safada. No dia que o chupei no carro, dentro de um estacionamento, a mente dele se dividiu em duas e ficou nas nuvens por horas.
Tirou a calça, seu pau saltou livre e deitando-se, ficou me esperando. Sentei no seu rosto, dando uma rebolada, gemendo com a sua língua explorando minhas dobras. Agarrando a minha bunda, me pressionou no lugar para me chupar de um jeito que ele me fazia enlouquecer. Gemi, acariciei suas coxas e lambi seu pau como o meu picolé particular.
Chupei a cabeça, acumulando saliva o suficiente para levá-lo quase por inteiro. Garganta profunda só com disposição. Viramos de lado e ele começou a foder minha boca. Sexo era quase todo dia e nunca parecia insuficiente ou cansativo. Era sempre gostoso e muito satisfatório.
Me afastei, gozando, ele me segurou no lugar sem parar o seu ataque.
— Devon! — gritei, arranhando sua barriga, minhas coxas tremiam e com uma última lambida gostosa, me soltou. — Meu Deus! — Meu coração parecia que ia explodir no peito.
— Eu amo te fazer gozar assim... — Passou a mão lentamente na minha barriga. Estava toda arrepiada. — Você é perfeita, amor. — Beijou meu ventre e sorri, acariciando seu pau. Dei um beijinho. — Vem, empina essa bunda. Tô doido para comer essa boceta gostosa. — Mudei minha posição, ficando de joelhos e ele deu um tapão na minha nádega direita, afastando ambas e provocando com seu pau.
— Me fode, Devon. Fode gostoso — falei baixo, rouca de tesão. Se ele quisesse que eu implorasse, eu iria. Naquele momento não tinha orgulho que me segurasse.
— Cacete... — nós dois gememos. Suas estocadas eram maravilhosas. Empurrei minha bunda ao seu encontro, rebolando do jeito que ele se perdia. — Não quero gozar agora. — Puxou fora e me virou. — Você sempre me faz gozar daquele jeito.
— Ops — brinquei, abraçando-o. Aos beijos, voltamos a nos unir, dessa vez, mais devagar. Fazendo amor com o coração. Passando o braço por trás do meu joelho, foi metendo até me fazer gozar de novo e mais forte que a primeira vez. Podia senti-lo cada vez mais perto. — Vem, goza nos meus peitos.
Seu sorriso safado brilhou, estocando até o limite, uni os meus seios e ele gozou. Pegou um pouco no meu queixo, era uma bagunça, mas ele adorava e na cama, fazíamos tudo um pelo outro. Já fazia alguns dias que simplesmente abolimos a camisinha, não foi intencional, apenas aconteceu de nossos exames de checagem obrigatória acontecerem.
Um tanto de confiança e um pouco de irresponsabilidade. Na nossa desculpa e para não pesar tanto na consciência, ele gozava fora. Evitávamos nos dias férteis – era difícil, afinal, meus hormônios basicamente imploravam por ele.
Ainda tinha medo de uma gravidez, ainda era uma emoção conflitante, mas eu não tinha medo do abandono. Não de Devon. Se fosse qualquer outro, seria diferente, mas ele entendia, amaria o nosso bebê e faria o impossível para sempre sermos uma família feliz.
Em um mundo cada vez mais louco, em uma cidade onde a perdição e caos eram a fonte de renda, encontrei um homem que vendia diversão e jogos de azar para viver. Esse mesmo homem era apaixonado, responsável, comprometido e honesto.
Nos jogos da vida, fiz uma aposta. Ele venceu o desafio, mas eu, definitivamente, ganhei o prêmio.
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