Amor em Jogo: Cidade do Pecado, livro 1
32 | Devon
Katrina estava radiante, recebendo beijos e abraços da mãe. Eu estava quase explodindo de felicidade e não era somente pelo sucesso que a matéria estava circulando na mídia, e sim pelo nosso bebê. A desconfiança que ela estava grávida começou a crescer nas últimas semanas. Normalmente, eu era um homem observador, se eu não fosse, não conseguiria estar onde estava profissionalmente. Seria impossível não observar as mudanças no corpo dela, em seu humor e alimentação.
Começou lentamente, primeiro os seios mais inchados, depois as veias e ela passou a reclamar de estar com dor. Pela manhã, ficava insuportável. Muito mais que o normal. Enjoada, começou a rejeitar seus alimentos rotineiros e a comer exageradamente os favoritos. De alguma maneira, seu corpo começou a mudar bem diante dos meus olhos e ela não percebeu. Fiquei preocupado que estivesse em negação. Katrina era meio fora de órbita, sua cabecinha funcionava de um jeito totalmente diferente.
A primeira vez que o assunto foi mencionado, não foi bem recebido. Depois, falamos apenas de brincadeira e hipoteticamente. Esperei que ela se acalmasse para trazer o assunto que parecia estar ignorando. Sua reação foi um pouco amuada, pensativa e quando o resultado deu positivo, o sorriso mais lindo e emocionado enfeitou seu rosto. O olhar brilhando de paixão fez o meu dia ainda mais feliz. Nós teríamos um bebê. Ser pai era um plano futuro. Saber que o futuro estava bem no ventre dela era maravilhoso.
Quando a comida chegou, Vanessa e eu arrumamos na mesa da sala de jantar próximo à cozinha. Stuart chegou com uma garrafa de vinho que Katrina adorava. Ela agradeceu e pediu para servir, me dando um olhar meio preocupado porque todos iriam perceber que não estava bebendo.
— Antes de comer, gostaria de dizer umas palavras. — Peguei a taça. Katrina parou ao meu lado, ansiosa. — Essa noite é muito especial, não só porque estamos em família, algo que por muito tempo foi apenas minha irmã e eu, depois tivemos a Rosa e Katrina. E agora, todos vocês.
— Fofo. — Stuart apertou minha bochecha.
— A minha vida sempre foi um investimento de risco. Como um apostador nato, eu aprendi quando e como arriscar. — Olhei para mulher ao meu lado. — Com Katrina, o jogo era perigoso a todo momento. A maioria de vocês não sabe, mas, nós tivemos o nosso primeiro beijo há dez anos. Foi em um jogo idiota que propuseram no final de uma festa que Vanessa quis dar no apartamento que morávamos. Sete minutos no céu, a luz apagou, ela me xingou e no segundo seguinte, estávamos nos beijando.
— Não foi tão rápido assim! — Katrina me empurrou. — Depois do beijo, eu fingi que nada tinha acontecido porque eu não queria dar o braço a torcer sobre o quanto era apaixonada por ele.
— Você nunca me contou isso! — Vanessa acusou, sorrindo. — Faz todo sentido o quanto ficaram insuportáveis depois dessa festa.
— Os anos se passaram e nós nos afastamos. Em parte, concordamos que foi bom tudo ter acontecido agora e em parte, sabemos que exageramos um com o outro causando conflitos e mágoas desnecessárias. — Segurei sua mão. — Nós não nos arrependemos da noite do nosso casamento, muito menos do desafio, porque conseguimos chegar até aqui, planejando uma vida a dois. — Sorrimos um para o outro. — Melhor dizendo... uma vida a três.
Melanie cobriu a boca, Vanessa franziu o cenho, Stuart deu um salto e Michael sorriu. Kevin estava ocupado demais mastigando e dando pedaços do seu bolinho para os cachorros para entender.
— Você está grávida? — Melanie sussurrou. Katrina assentiu, sorrindo. Para cair a ficha de todos, acariciei a barriga plana. Vanessa soltou um grito, pulando em cima de mim enquanto Melanie agarrava a filha bem apertado.
— Estou tão feliz por vocês! — Vanessa chorou no nosso abraço. — Isso parece até um sonho de tão perfeito! — Soluçou e acariciei suas costas. — É simplesmente incrível que estamos vivendo algo tão especial. — Segurei seu rosto e sequei suas lágrimas. — Te amo tanto.
— Eu também te amo muito. Não chora. Esquece o passado, tudo mudou. — Beijei a sua testa.
Melanie me abraçou apertado, chorando, sem conseguir falar nada. Katrina e Vanessa estavam agarradas, falando baixinho uma com a outra. Stuart me parou, olhou em meus olhos e eu, finalmente, entendi tudo que ele sentiu anos atrás.
— Ele vai ficar conosco. Nossos filhos vão crescer juntos — prometi. Ele encostou a testa na minha. — Em pouco tempo, eu te prometo.
— Você acaba de descobrir o maior amor do mundo. Vai ser um pai foda. — Nos abraçamos. — Cuida da tua mulher, cara. Seja um bom marido e um bom pai.
— Eu vou. Eu prometo!
Sentir a felicidade da nossa família aumentava ainda mais a plenitude daquele momento tão mágico. Katrina parecia que não tinha caído a ficha, mas estava igualmente emocionada. Eles demoraram a acreditar que nós só descobrimos a gravidez naquela mesma tarde. Minha irmã estava fazendo planos de enxoval e do quarto do bebê, Melanie falava com o médico que trabalhava para agendar uma consulta para Katrina. Eu queria que ela fosse assistida pelos melhores médicos, que tivesse uma gestação tranquila e tomaria todo cuidado para descansar.
Nas semanas seguintes, a nossa vida entrou em uma espiral de loucura. Sabíamos que lançar a matéria seria cutucar um vespeiro e nos preparamos, só não contamos com a gravidez. Katrina estava mais sensível, o que resultava em horas de choro com cada ataque virtual, mesmo que ninguém soubesse que era ela por trás, o site estava sendo questionado publicamente. Cobravam um rosto para veracidade, como se as provas não fossem o suficiente. Ela se manteve firme, não se revelou e quando as autoridades finalmente tomaram a frente de uma investigação, o foco saiu do site e foi para a empresa.
Enquanto tudo se ajeitava, soubemos por meio do Dr. Everest que a advogada junto com o Instituto de Oncologia e a Universidade do Valley estavam trabalhando para provar a contaminação, exatamente como Katrina forneceu na matéria. Ela estava processando a Pro Valley e ainda queria se reunir com quem estava por trás do site a todo custo. Matt nos garantiu que não havia nenhuma obrigação em nos revelar, a briga estava além de nós.
Apesar de todo caos que fazia parecer que o mundo estava caindo fora da nossa casa, nós dois estávamos em um estágio de plenitude que a sensação era de estar flutuando em nuvens. No dia da primeira ultrassonografia, fizemos um esquema para não sermos seguidos. Shannon estava na cidade há dias, ensaiando para um show e a imprensa estava bastante agressiva em cima de nós.
— Está nervosa? — Segurei sua mão.
— Um pouco. Sei que estará tudo bem... só estou ansiosa. — Suspirou e encostou a cabeça no meu ombro. — Li que vai dar para ouvir o coração.
— É o que mais quero ouvir agora. — Beijei seus cabelos, que já não estavam mais tão ruivos.
Seu nome foi chamado e nos levantamos. Seguimos para uma sala ao lado, onde uma enfermeira aferiu sua pressão, pediu que vestisse uma camisola hospitalar e subisse em uma balança. Após fazer milhares de perguntas que também foram feitas na consulta anterior, pediu para sentar na maca e aguardar a médica entrar para realizar o exame. Balançando os pés descalços, ficou mastigando o lábio, torcendo os dedos. Eu estava ignorando o meu telefone vibrando com a ansiosa da minha irmã, querendo saber se já tinha terminado.
Eu tinha que brigar pelo meu direito de pai para acompanhar Katrina ou Vanessa se enfiava no meu lugar. Normalmente, nas consultas e exames só podia um acompanhante.
— Ela queria estar aqui. — Katrina sorriu ao me ver encerrar a décima ligação de Vanessa.
— Eu sou o pai!
Um sorriso irônico enfeitou seu rosto.
— Jura? Nós sabemos! — Revirou os olhos.
— Ela está autorizada a te acompanhar nas compras, no enxoval e sei lá mais o quê.
— Quer saber o sexo?
— Não sei, você quer? — Me aproximei e parei entre as suas pernas. — O que foi? Compartilha o que está pensando?
— Não sei. Estou nervosa e ansiosa por estar grávida, feliz com o bebê e ao mesmo tempo, sinto que é muita coisa acontecendo ao mesmo tempo. — Me puxou pela camisa e me abraçou. — Em alguns momentos, tudo que quero fazer é ficar deitada na cama pensando na vida, e esse tipo de pessoa não sou eu. Gosto de estar na agitação e acho que a matéria tomou tudo de mim, porque agora me sinto vazia. Não quero pegar nada para investigar, sinto que devo dar ao meu bebê toda minha atenção...
— Isso te confunde? Optar por um ou por outro?
— Como minha mãe conseguiu ter uma carreira? Estou no primeiro trimestre, ainda não ouvi o coração do meu bebê e tudo que sinto é que quero viver por ele. Como ela conseguiu sair de casa todos os dias, me deixar com vizinhos, babás e com a necessidade de lutar por nós? — Seu olhar mostrava todo conflito interno, que provavelmente já estava assombrando a sua mente por alguns dias.
— Tenho certeza que a sua mãe se orgulha de cada minuto que lutou por vocês. — Beijei a sua testa. — Você pode ser mãe o quanto quiser e quando voltar a trabalhar, sei que o nosso bebê terá a melhor mãe do mundo. Não precisa decidir nada agora, a única coisa que te peço é que evite qualquer tipo de risco.
— Vou ficar quietinha, prometo. — Me deu um beijo. — Até porque, não tenho nada para me intrometer... — Abriu um sorrisinho maroto. — ainda.
Levei a mão até o peito, fingindo ser atingido. Ela riu, me mantendo no lugar. Segurei o seu rosto, beijando-a profundamente. Ela desceu as mãos para minha bunda e deu um aperto rude.
— Sua tarada.
A médica bateu na porta antes de entrar, o que nos deu tempo de ficar comportados. Ela era simpática e trabalhava com o obstetra que Melanie conhecia há muitos anos. Ele fazia as consultas e ela, todos os exames. Eram bastante parecidos, podiam ser pai e filha ou tio e sobrinha, já que não tinham o mesmo sobrenome. Ambos eram extremamente profissionais e sabiam como acalmar todos os nervos da Katrina. Nós dois estávamos lendo muito antes de dormir, sempre tínhamos dúvidas, mas o desespero, até então, era todo dela.
— Ele é uma bolinha? — Katrina perguntou logo que a médica identificou o bebê.
A Dra. Sylver sorriu.
— Por enquanto, é como você consegue vê-lo, mas o coração já está batendo bem forte. — Aumentou o som e eu estava extasiado. Era tão rápido e tão bonito.
— É a nossa bolinha, amor. — Beijei a testa de Katrina.
— É totalmente real. — Ela me olhou nos olhos. — Vamos ter um bebê! Esse som é tão lindo!
— Ele ou ela, ainda é muito cedo para dizer, está dentro do esperado. Suas medidas estão boas e segundo o exame preliminar, você está indo muito bem. Recebi o resultado de todos os seus exames, vamos trabalhar para manter o seu colesterol controlado e o importante é se alimentar bem. Além das vitaminas suplementares, sua alimentação precisa ser balanceada.
— Ela vai comer bem — prometi. Katrina bufou.
Encerramos a consulta podendo levar as imagens e a gravação para casa. Eu queria ouvir de novo, mostrar as fotos para nossa família. No carro, enquanto dirigia, ela fotografou e enviou para o grupo e para Stuart, que era um tio tão bobo que comprou um par de luvas de boxe de pelúcia. No quarto destinado ao bebê, tinha o urso que ganhei para Katrina no parque, o coelho que compramos quando fomos à loja de brinquedos e agora, as luvas do Tio Stuart.
Katrina disse que tínhamos tempo para decidir sobre a decoração e mobiliário. Ela não queria fazer uma reforma como eu queria, afirmou que o bebê dormiria no nosso quarto enquanto fosse muito pequeno. Fora isso, não olhamos nada.
— Devemos fazer outra aposta. — Ela sugeriu depois de guardar o telefone na bolsa.
— Devemos ? Já venci o desafio, tenho você e agora um bebê. O que mais quer perder para mim? — provoquei. Ela deu um tapa na minha coxa.
— Concordamos que o desafio deu empate. Pertencemos um ao outro e o bebê é nosso.
— Eu fui o único a querer ficar casado.
— E eu sigo dizendo que o nosso casamento foi um erro inicialmente, depois, se tornou a coisa certa. Além do mais, nosso filho vai crescer e pedir para ver o vídeo de casamento dos pais...
— As crianças de hoje em dia não se importam com isso, baby. — Mudei de assunto. — Então, a aposta? O que quer perder?
— Vamos apostar o sexo do bebê e propor que os membros da nossa família invistam nisso. — Ela estava sorrindo de novo. — Posso ver que Vanessa vai seguir o meu instinto. Michael e Stuart vão ficar do seu lado... o dinheiro que arrecadarmos, vamos colocar em uma poupança para o bebê ou doar. Felizmente, o pai do meu filho é rico. — Me deu a língua.
— Podemos doar se a coisa toda sair do controle. A nossa família é muito competitiva.
— Eu sei que eu vou ganhar. — Colocou a mão na barriga. — Ele está dentro de mim.
— Ele? É ela! — Apertei sua coxa, sem desviar os olhos do trânsito.
— Ela? Dessa vez você vai perder e muito feio! — Soltou uma risada alta.
Não ia perder. Sabia que era menina e não estava enganado.
— Além do dinheiro, o que iremos ganhar da aposta?
— O direito de escolher o nome do bebê.
— Sem a opinião do outro? Não! — Nem fodendo. Era poder demais na mão da Katrina.
Ela fez um pequeno beicinho.
— Está certo que vai perder. — Deu de ombros.
— É o nome do nosso bebê. Do jeito que você é, vai chamar a menina de Beans ou Forks ! — Parei em um sinal e olhei para seu rosto. A expressão presunçosa estava lá como se ela estivesse certa.
— Não vou chamar o nosso bebê de garfos ou feijões, mas admito que acho nomes conceituais mais bonitos. Chris Martin tem uma filha chamada Apple — pontuou como se não fosse nada demais. Eu sabia que ela era louca, mas aquilo era além.
— Nome de maçã e marca de eletrônicos, que maravilha! Minha resposta é não!
— Aceitou a derrota. — Foi tudo que ela disse com um sorrisinho. — Amo você mesmo assim.
Decidi, para minha sanidade não escorrer pelo ralo no meio do dia, ignorar o assunto. Daria minha opinião na escolha do nome do nosso bebê ela querendo ou não. Ao chegarmos em casa, Vanessa mal esperou que o carro parasse, querendo abrir a porta. Ela e Katrina desapareceram, o que era bom, precisava de privacidade para agilizar um assunto que Katrina não podia saber ainda.
Trabalhei no escritório por algumas horas, falei com a polícia sobre o paradeiro de Nick e ainda não havia nenhuma pista. Às vezes, pensava que ele conseguiu sair do país e foi se esconder, outras, eu tinha a sensação de que estava perto demais. Uma coisa que eu sabia sobre homens obsessivos, como ele, era que eles nunca desistiam. Eu não ia relaxar com a segurança de Katrina até que fosse preso.
— Dev! Amor! — Vanessa entrou no meu escritório imitando a voz de Shannon. — Ela nos enviou um convite formal para um jantar em sua casa temporária. — Me entregou o envelope. — Traje social.
— A vida é um traje social — murmurei, lendo o convite. — Quer ir?
— Posso enfrentar com vocês, sozinha vou me sentir um cordeiro indo para o abate. — Sentou-se do outro lado. — Então, papai. Tudo pronto?
— Sim... basta fazer a sua parte agora, ok?
— Estou fazendo a minha parte há semanas com perfeição. Acredite em mim, vai ser a noite mais incrível das suas vidas. — Sorriu, muito orgulhosa de seu trabalho. — Em falar nisso...
— Devon! Vem aqui! — Katrina chamou da sala, interrompendo Vanessa. Seu tom de voz era muito sério para ficar no mesmo lugar mais que um segundo. Rapidamente saí do meu lugar, correndo para a sala. Ela estava no sofá, segurando o controle e me deu um olhar que não compreendi, até olhar para a televisão. — Acabaram de noticiar.
“Famoso produtor cinematográfico perde a batalha contra o câncer”. Era a chamada do lide, ao fundo, o repórter estava falando sobre sua vida e carreira, com imagens em premiações, tapetes vermelhos e fotografias de família reveladas ao longo do tempo.
— Christopher Nolasco acumulou prêmios, produziu diversos filmes e revelou estrelas como Whitney Knight, Shannon Winterfield, Donald James além de muitos outros. Ele deixa a herança para sua ex-mulher e os três filhos, sendo um deles, fora do casamento e que não teve a identidade revelada.
— Acha que vão começar a caçada sobre a identidade do filho? — Vanessa parou ao meu lado.
— Eles irão revelar em breve — Katrina comentou.
— Isso se Shannon não aproveitar o momento para dar uma das suas declarações bombásticas. — Encolhi os ombros. — Vou beber água. — Saí da sala para a cozinha sem falar mais nada.
Estava confuso, não sabia o que pensar. Não tinha sentimentos por ele, ele não quis ser meu pai a maior parte da minha vida e quando supostamente quis, era tarde. Duvidava que quisesse um contato por um arrependimento genuíno e profundo. Era tarde demais para nós dois.
Peguei uma garrafa de água e ouvi os passos suaves de Katrina se aproximando. Ela tinha um jeitinho de andar, como se sempre estivesse na ponta dos pés, de fininho, mania de quem vivia aprontando. Senti sua mão nas minhas costas e logo me abraçou, dando um beijo. Segurei suas mãos e me virei.
— Estou bem — garanti. — Ele era apenas um doador de esperma.
— Eu sei que não tinham uma relação. Estou preocupada que ele quis um contato e você não, quero saber o que está sentindo em relação a isso...
— A paternidade vai além. Se ele estivesse arrependido de verdade, falaria. Tudo que sentia quando me procurava, era porque eu neguei a primeira vez e ele era um homem acostumado a ter o mundo deitando aos seus pés. Cada vez que nos encontrávamos, fazia parecer que ele queria a glória do meu sucesso, que eu alcancei sem ajuda dele. — Encolhi os ombros. — Não sou bom em explicar. Simplesmente havia uma voz na minha cabeça falando para me afastar. Não queria fazer parte do que ele e Shannon fizeram com a esposa e filhos.
— Apesar de querer me bater por isso... não julgue a sua mãe sem saber. Ela distorce todas as histórias para sair como louca porque é uma defesa. Ninguém é tão sem noção e inescrupulosa. É claro que ela é maluca sim, por ser desapegada emocionalmente, ambiciosa, muito egoísta e mimada — enfatizou. — Não precisamos alimentar nada disso. Não sinta culpa por escolher a si mesmo. — Ficou na ponta dos pés e me deu um beijo suave nos lábios. — Eu te amo.
A única coisa que a morte do meu pai me trouxe foi a sensação de que eu estava no caminho certo em construir a minha família, entrelaçar a minha vida a outra pessoa que me amava tanto quanto eu a amava. Alguém que, por mais diferente que fosse, estava disposta a viver ao meu lado, buscando crescimento em conjunto e aproveitando o melhor que a vida tinha a nos oferecer. Aquele jogo, eu venci.
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