Amor em Jogo: Cidade do Pecado, livro 1
1 | Katrina
Abri os olhos, desconfiada. Estava muito claro para o meu despertador não ter tocado. Sonolenta, tateei a cama, procurando o telefone e ouvi o barulho da maçaneta.
— Katrina! Estamos atrasadas! — mamãe gritou, aparecendo vestida com a calça do uniforme hospitalar, sutiã e os cabelos todo em pé. — Levanta! Eu tenho que estar lá em trinta minutos.
Tentei me desvencilhar dos lençóis, caí de joelhos no chão e corri para o banheiro. Não daria tempo de tomar banho, o que, para mim, era horrível, achava nojento sair de casa com cheiro de cama. Passei uma toalha molhada com sabonete líquido, renovei o desodorante e o perfume. Escovei o cabelo, prendendo em um coque para ficar domado quando precisasse soltar. Vesti a calça jeans pulando, tentando escovar os dentes junto e procurei a minha bolsa, jogando tudo que precisava dentro dela.
Recolhi meu celular, carregador e peguei as chaves do carro, com o tênis nas mãos e as meias debaixo do braço. Minha mãe já estava do lado de fora, tranquei a porta da frente e pulei até o carro para não sujar os meus pés. Abri o meu fusca laranja, carinhosamente apelidado de Bertie e rezei para que pegasse de primeira. Ele colaborou, soltando o seu famoso estrondo e me deixando sair de casa com rapidez.
Cresci em um dos bairros mais distantes do centro da cidade, era preciso pegar a estrada no meio do deserto para chegar até o hospital onde a minha mãe trabalhava.
Parei na entrada de funcionários vinte e cinco minutos depois. Estive ali para buscá-la no meio da madrugada, ela estava fazendo turnos duplos para juntar um dinheiro. Precisávamos reformar o telhado, estava chovendo na cozinha e ao contrário de muitas famílias, nós não tínhamos dinheiro na poupança.
Gastamos tudo que juntamos em uma viagem maluca que fizemos até a praia. Mamãe e eu gostávamos de viver alucinadamente.
Afobada, saiu do Bertie depois de me dar um beijo e reparei que o meu telefone estava tocando.
Nick .
Meu recente ex-namorado. Rejeitei a chamada. Não estava com cabeça para falar com ele depois do término tão estressante e intenso na noite anterior.
Nós nos conhecíamos a vida inteira, crescemos como vizinhos e os pais dele ainda moravam no mesmo lugar. Ele sempre gostou de mim e nunca desistiu de me convidar para sair.
Oito meses atrás, finalmente, decidi dar uma chance. Ele era alguém que conhecia a vida inteira e, carente, aceitei ir a um encontro. Ele parecia querer me dar tudo que precisava: companhia, um ombro amigo, sexo até era ok (podia ser melhor se ele não fosse apressado e egoísta), mas tudo foi ficando intenso muito rápido. Não era só o fato de que ele não deixava a minha casa, como também começou a querer controlar todos os meus passos.
No começo, tentei conversar, orientar, falar que não gostava, por fim, as nossas brigas foram ficando cada vez mais sérias, frequentes e eu não ia ceder. Não ia permitir que ele me fizesse sentir refém. Sempre fui uma mulher livre. Com vinte e sete anos, apesar dos poucos relacionamentos que tive, sempre fui dona de mim mesma.
Nick não conseguia entender a importância de cada um ter o seu espaço pessoal. Se ele me visse online , perguntava porque não estava falando com ele, o que estava fazendo, se meu carro estava na garagem, questionava porque não avisei imediatamente ao chegar em casa...
Fiquei sufocada. A paixão e empolgação do começo desapareceram como vapor. Em nossa última briga, ele me segurou forte pelos braços e sacudiu ao ponto de bater com minhas costas na parede. Assustada, acalmei a situação e por fim, terminei tudo por e-mail. O medo me fez dar a notícia dessa maneira.
O que ele poderia fazer ao ser contrariado?
Não gostava nem de pensar o que ele faria. Minha mãe não aprovava o namoro, deveria ter prestado atenção na sua opinião, assim como ela, minha melhor amiga nunca se sentiu confortável perto dele.
Culpava a carência.
Liguei o rádio, a única coisa realmente nova no meu carro e coloquei a minha playlist animada para espantar o espírito do término. Enquanto dirigia pelo trânsito maluco de Vegas, cantei bem alto junto com Corine, Girls Put Your Records On.
Entrei no prédio comercial onde ficava a revista que trabalhava, vesti as meias, abri a porta e coloquei o tênis. Peguei a minha bolsa e tranquei o carro apenas por trancar, com tantos outros carros mais novos e mais potentes por ali, trancar o fusca era apenas um hábito.
Corri para o elevador, passando entre as duas portas que estavam quase fechando e sorri para o entregador, que me olhou como se eu fosse maluca. Soltei o cabelo e ajeitei a minha aparência contra o reflexo, as portas abriram no décimo terceiro andar, acenei para a recepcionista que gritou o óbvio, que estava atrasada e deslizei para dentro do meu cubículo.
— Oi! A noite foi boa? — McKenna se aproximou. Ela era a minha "colega", colunista de fofoca e uma das funcionárias mais antigas. — Aquele bonitão moreno deu jeito?
— Não. E bom dia para você também! — murmurei, ligando o notebook. Tudo para McKenna era sobre sexo. Ela só conheceu Nick porque um dia parei de respondê-lo por estar muito ocupada, e ele apareceu para ter certeza de que estava no trabalho e não o evitando. — O que tem de bom hoje?
— Nenhuma fofoca quente. Sabe, você é amiga da Vanessa Winterfield, bem que poderia me dar uma dica quente sobre o relacionamento do Devon com a advogada bonitona, a Everly. — Apoiou o queixo na divisória que separava as nossas mesas.
Vomitei mentalmente com a imagem dos dois juntos.
— Se você quer saber sobre o relacionamento dele, fale com ele. Já te pedi para não me fazer perguntas sobre os Winterfields. — Abri um sorriso, ela fez uma careta e voltou para o seu lugar.
Dei a língua para a divisória e enviei uma mensagem para minha melhor amiga, dizendo que estava querendo comer as paredes e muito enrolada. Me concentrei nos meus e-mails com as pautas para a revista. Estava investigando uma matéria à parte. Mesmo que o meu chefe tenha dito para não meter o meu nariz, eu sabia que tinha uma grande história por trás da demissão em massa dos operários da construção de um resort.
Enquanto escrevia sobre o signo dos famosos, liguei para uma das minhas fontes. Recebi a denúncia no meu blog anônimo, sobre coisas esquisitas que aconteciam em Vegas. No meu fórum, as pessoas contavam seus casos e dependendo do que fosse, poderia investigar. Mais de uma vez me dei bem e tive minhas matérias publicadas no jornal.
Ser colunista freelancer da revista não era o meu sonho. Queria ser repórter investigativa, sentar com as pessoas adultas e bem arrumadas do andar de cima e ter espaço nas principais capas. Antes, eu tinha que provar a minha capacidade.
— Katrina Summer? — Um entregador chamou da entrada. Ergui a minha mão enquanto equilibrava o telefone no ouvido e digitava. Ele carregava um saco marrom e dois copos térmicos no isopor. — Café com leite vaporizado, café puro com açúcar, um bolinho de chocolate com avelã e pretzel de queijo. Já está pago — avisou e deixou na minha mesa. Estiquei uma nota de dois dólares de gorjeta, era o que eu podia dar e era melhor que ficasse feliz.
Faminta, puxei o bilhete grampeado com o recibo e sorri. Vanessa me enviou. Tirei uma foto, postei no storie do instagram e enviei uma mensagem de áudio, agradecendo a pessoa incrível que ela era. Enviar o meu café no dia em que estava praticamente virada era uma prova de amor.
Comi, trabalhando, atendendo telefonemas e acatando as milhares de solicitações que o meu chefe mandava. Ele me pagava por hora e achava que eu tinha que dar a minha vida pelos míseros seis dólares. Como se só isso pagasse cada hora de estudo na faculdade, morando em Los Angeles.
Quatro da tarde me despedi dos meus colegas e da fofoqueira da McKenna, encerrando o meu horário. Sem precisar correr, dirigi devagar até o cassino que trabalhava como recepcionista do salão de jogos de luxo. Era o local que ficavam os empresários vips que não queriam e não precisavam se misturar com a multidão do salão principal.
Meu trabalho era recepcionar com um sorriso, levá-los aos seus lugares, apresentar à garçonete que iria atender e de vez em quando, assoprar os dados, dar beijos (na bochecha) da sorte, flertar com o crupiê a favor do cliente e bancar a linda inacessível.
Corri para o vestiário e tomei banho, fiz uns cachos de modelador de cachos, e uma maquiagem elaborada, como todo dia. Vesti um macacão preto, de shortinho, com saltos altos e coloquei as minhas semijoias. Guardei as roupas no armário, tranquei, enfiando o telefone no bolso e assinando a minha entrada.
Ainda faltava um tempinho para começar, olhei o salão e estava sendo arrumado. Entrei no elevador e andei pelo cassino, até o restaurante do hotel. Empurrei a porta pesada da entrada dos funcionários e a cozinha estava a todo vapor. Desviei dos garçons saindo apressados, da gritaria e corri para os fundos, sentando no meu lugarzinho usual.
Jean Pierre é um chef francês que foi perseguido pelo dono do hotel, até assumir a principal cozinha da casa. Ele chegou na cidade sem falar inglês direito, confundindo tudo e eu fui uma das primeiras pessoas a ensinar como sobreviver no caos que se chamava Las Vegas.
Ele me alimentava sempre que eu aparecia como um cachorro pedinte em sua cozinha. Sorri para a figura alta e magra, de nariz proeminente, segurando uma bandeja.
— O que tem hoje? — Estiquei as minhas mãos para o prato.
— Fritas com o melhor filé da casa e uma porção de risotto funghi que você tanto gosta. — Me deu o garfo e uma faca. — A cozinha está com muitos pedidos hoje, daqui a pouco eu volto. Coma tudo. — Piscou e voltou para o seu lugar. Um dos chefes assistentes me trouxe uma taça de vinho.
Escondida nos fundos, fiz a minha refeição. Deixei o prato na pia e bebi o vinho para ficar relaxada. Lavei a minha boca, acenei para Jean e entrei no elevador de serviço. Para minha grande infelicidade, a primeira pessoa que vi foi a insuportável da Everly Mendez. Ela era advogada, supostamente tinha um relacionamento com o dono do hotel e achava que era a futura sra. Winterfield.
— Aí está você. — Ela abriu um sorriso nojento. — Os convidados desta noite são amigos que o sr. Winterfield tem interesse de negócios, portanto, seja a melhor anfitriã e faça com que eles se sintam em casa, além de gastar muito dinheiro conosco. — Apontou para o bar. — John já está ciente que o sr. Winterfield disponibilizou garrafas de uísque para o consumo liberado.
— Sim, senhora — murmurei com um tom de deboche entredentes. Ela não era minha chefe, mas gostava de agir como dona do lugar.
Ridícula.
— Obrigada. Eu vou sair para jantar com Devon, mas se precisar de algo, pode me ligar. — Sorriu de um jeito irritante e foi andando com um perfeito vestido branco, cabelos com tanto laquê que não se mexiam e entrou no elevador, indo direto para a cobertura. Enfiei o dedo na minha garganta fingindo vomitar e fiz o pessoal rir. Vaca de Prada.
Tirei o meu telefone do bolso e enviei uma mensagem para Vanessa, contando que o irmão dela iria jantar com a vaconilda mor , ela riu e respondeu que ele estava em casa, jantando na cozinha com ela.
Avisei que ia começar a trabalhar e nos falávamos mais tarde. Eu tinha aquele emprego graças à Vanessa, porque ela era uma Winterfield e única irmã do dono do lugar. Quando voltamos de Los Angeles há dois anos, Vanessa nunca se preocupou em trabalhar ou fazer qualquer coisa da vida, simplesmente porque ela não precisava.
Durante a faculdade, nós moramos no apartamento do irmão dela, ele nunca nos cobrou aluguel e também pagava as contas, porque o lugar era muito caro. Eu trabalhei para me manter, Vanessa ficava o dia inteiro estudando, na praia, fazendo o que bem entendia. Ela tinha uma boa condição de vida desde que nasceu, a mãe era uma famosa cantora, ganhadora de vários prêmios e teve milhares de residências em Vegas. Atualmente, Shannon vivia em Los Angeles com o marido número dezoito.
Vanessa sempre viveu com babás e com o irmão, Devon. Ele era o dono do lugar. Um cretino de carteirinha, safado, galinha, com um belo par de olhos azuis impressionantes, uma boca tentadora e um corpo que dava vontade de lamber. Era um homem implacável nos negócios e criou a Winterfield Entertainment com a herança que recebeu, triplicando os ganhos em poucos anos. Apesar de ser grata ao meu trabalho, Devon e eu não ficávamos na mesma sala sem rolar algum choque. Ele me irritava desde o dia em que nos conhecemos.
Minha melhor amiga foi um anjo que caiu do céu na escola de riquinhos. Sempre fui uma aluna exemplar. Em um concurso de escrita, ganhei uma bolsa de estudos. Não era fácil ser a garota pobre na escola de garotas ricas. As meninas eram cruéis, principalmente porque eu usava o mesmo tênis o ano inteiro, não desfilava com bolsas caras e muito menos tinha muito para gastar depois da aula no shopping.
Meu pai foi embora quando eu era pequena, ainda lembrava do dia que ele me disse que ia comprar pão, me deixou com a vizinha e nunca mais voltou. Não foi uma realidade fácil de aceitar. Minha mãe era enfermeira e ela sempre trabalhou muito para manter a nossa vida. Nunca fui o tipo de garota fútil, mas foi difícil fazer amizade no primeiro ano.
No segundo ano, Vanessa entrou. Ela era toda tímida com a atenção excessiva que recebia dos alunos, por ser filha de uma mulher famosa. Foi educada em casa antes de entrar na escola. Em um dia, ela foi encurralada por um grupo de jogadores do ensino médio, tinha apenas treze anos, eles estavam querendo assustar. Vanessa estava quase chorando. Joguei uma bandeja em um e bati com o taco de beisebol na canela de outro, agarrei-a pelo pulso e saímos correndo. Olhamos uma para a outra, rimos e nos tornamos amigas. Nunca nos separamos depois disso.
Ela ia para minha casa todos os dias depois da escola, ficava para o jantar, conversava com a minha mãe e eu dormia na casa dela quando a minha mãe trabalhava de madrugada. Devon sempre esteve por perto, ele nunca ficava longe da irmã, mas sempre foi o garoto bonito, inatingível, que tinha dinheiro e bons amigos. Ele fazia festas desde que me lembrava como gente e só quando completamos quinze anos que ele deixou que participássemos. Tinha certeza que ele ganhou dinheiro no ensino médio com as festas que organizava. Mesmo assim, suportamos a presença um do outro por amor à Vanessa.
Como precisava do meu trabalho, coloquei um sorriso no rosto e recebi o grupo de empresários ansiosos para começarem as apostas. Quando se acomodaram, passei para o grupo seguinte e foi assim a noite inteira, até às duas da manhã. Meus pés estavam podres, doloridos, quando acabou o turno, tirei os sapatos e joguei-os no canto, sentada no bar.
John, o barman regular, estava terminando de lavar os copos. Ele me deu uma batida de morango sem álcool, já que voltaria dirigindo para casa e estava esgotada.
As portas dos elevadores se abriram e Devon saiu, usando uma camisa branca de mangas, puxadas até os cotovelos, calça jeans escura e sapatos. Como sempre, de tirar o fôlego. Ignorei a sensação de borboletas voando na boca do estômago que ele me causava desde que nos conhecemos. As garçonetes até pararam de limpar as mesas. Vanessa estava com ele, ela usava jeans, camisa preta e tênis brancos. Seus cabelos estavam soltos, a franjinha arrumada e me deu o seu usual sorriso amoroso.
— Festa do pijama hoje! — Parou na minha frente.
— Jura? Estou tão cansada...
— Você terminou com Nick ontem, apesar de querer estourar champanhe por isso, eu preparei um monte de coisa legal para fazermos juntas.
— Tenho que buscar a minha mãe no trabalho de manhã cedinho.
— Já cuidei disso. Programei um motorista de confiança para buscá-la e levá-la para casa, assim você poderá dormir até mais tarde, podemos aproveitar a piscina e beber alguma coisa, como não fazemos há tempos.
— Eu te amo.
Ela sorriu.
— Eu sei.
— Vamos? — Devon se aproximou.
Peguei os meus sapatos no chão, fui andando descalça até o vestiário e recolhi as minhas coisas. Devon ficou em silêncio enquanto Vanessa falava sem parar. Ela ficava o dia inteiro em casa, mandando mensagens, falar nunca foi um problema. Divertida, me fez rir, mesmo caindo de sono. Ela me seguiu até o carro, entrando no lado do carona. Do lado de fora, o irmão aguardava dentro de seu carro esportivo.
— Oi, Bertie. — Ela acariciou o carro. — Você se comportou hoje?
— Hoje sim.
Era muito esquisito dirigir o meu fusca ligeirinho, laranja, no caos de Vegas com um carro de luxo colado na minha bunda até o bairro residencial nobre que Vanessa vivia com o irmão. A nova mansão deles era linda. A primeira vez que a vi, meu queixo caiu nos pés e ficou por todo o tour. Era impressionante o quanto eles conseguiam ficar ainda mais ricos ao longo dos anos.
Vanessa dizia que o irmão queria ter a certeza de nunca depender do dinheiro da mãe louca e relapsa que eles tinham, já que ela não parava de casar e pagava pensão para dois dos ex-maridos.
O atual tinha a idade de Devon, mas a maioria costumava ser muito mais jovem.
Estacionei o carro no lugar que Vanessa indicou, ela pegou as minhas coisas e andou devagar comigo, porque os meus pés estavam doendo. Subimos para o quarto, desejamos boa noite a Devon e fechamos a porta. Ela encheu a banheira enquanto eu tirava a roupa, lavava o rosto para tirar o excesso de maquiagem e usava todo demaquilante do mundo para remover o delineador.
— Como foi ontem à noite?
— Mandei o e-mail. — Afundei na banheira, ela sentou no chão ao meu lado. — Não consegui fazer pessoalmente. Ele me assustou muito na briga, como sempre teve dificuldade de aceitar o que eu falava, imaginei que um término seria ainda pior. — Suspirei e ela fez um pequeno beicinho. — Não estou triste. Nem com o coração partido. Estou decepcionada. Nick era um bom amigo, mas hoje eu vejo que ele fingia ser um homem bom só para me conquistar.
— É uma característica de homens narcisistas. — Não precisa me dizer “ eu te avisei ...” — murmurei.
— Não vou dizer, você tinha o direito de tentar. A mesma coisa aconteceu comigo e com Luke, lembra?
— Não gosto de lembrar.
Luke foi um pesadelo difícil de desvencilhar, e esperava que Nick pegasse a dica e não seguisse pelo mesmo caminho.
Após o banho, vesti um dos muitos pijamas que ficava na casa dela, nos refugiamos no sofá da antessala de seu quarto, ligamos a televisão e colocamos Uma Linda Mulher para assistir. Era um dos nossos filmes favoritos, junto com Dirty Dancing e um monte de filmes bobos de menina. Com vinho, pipoca e conversa boa, dormi relaxada. Por mais que Nick tenha me assustado, eu tinha pessoas que me amavam muito e queriam o meu bem.
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