Amor em Jogo: Cidade do Pecado, livro 1
26 | Devon
— Devon! — Katrina me chamou do quarto. — Saiu a entrevista completa da sua mãe! — gritou e suspirei. Vanessa estava do outro lado da mesa do escritório, de pé, arrumando seus livros na prateleira. Ela me deu um olhar exasperado. — Acho que vocês precisam assistir antes que eu saia dessa cama e vá matá-la!
Cansado antes mesmo de ouvir o que a louca da minha mãe disse, subi a escada com a minha irmã. Katrina estava na nossa cama, com seu computador e várias folhas espalhadas. Irada, apertou o enter, dando play logo que nos sentamos ao seu lado.
“Shannon, antes de tudo, quero dizer que é uma honra entrevistá-la. Sou fã do seu trabalho desde nova.” McKenna começou a falar. “Tenho certeza que será um momento especial para todos os seus fãs”.
A câmera focou no rosto da minha mãe e suspirei. Ela precisava parar com os procedimentos estéticos porque estava quase irreconhecível.
“Me sinto honrada em estar aqui com você nessa tarde maravilhosa” Shannon respondeu com seu ar de miss simpatia. McKenna voltou a falar. “Estou feliz em estar na sua casa. Seus quadros e fotografias de família são lindos. Foi gostoso ver várias fases da vida dos seus filhos”.
Como se ela tivesse feito parte da nossa vida.
“Eles são a minha vida. Devon e Vanessa representam todo meu amor e deixá-los por toda minha casa me faz sentir amada”.
— Eu vou vomitar — Vanessa resmungou.
McKenna fez milhares de perguntas sobre a próxima residência de Shannon, a gravação do último filme e logo entrou na área pessoal, falando de seu casamento (ignorando os recentes escândalos do marido pego com mulheres mais jovens, dessa vez, não teve como escapar da imprensa), então, ela começou a falar sobre a minha vida.
“O casamento com Katrina não foi exatamente uma novidade. Desconfiava que entre eles tinham alguma coisa há anos” Shannon comentou com firmeza. “Ela é linda, uma menina de ouro e em breve sei que irão anunciar um bebê. Meu coração de mãe me diz que já sou avó, eles só estão esperando o momento certo”.
McKenna colocou fotografias do dia que Katrina e eu fomos à loja de brinquedos. Alguém nos reconheceu e enviou para a conta dela, porque não eram fotos nítidas, mas era possível ver a nossa brincadeira com coisas de bebês.
“Com toda certeza, está grávida. Katrina ganhou muito peso, só mulheres que já foram mães reconhecem uma que está escondendo a gestação”.
— Ela me chamou de gorda e inventou um filho. Eu vou furar o silicone dela! — Katrina estava estressada. Shannon estava querendo provocar um escândalo a todo custo.
“Vanessa é uma menina tão linda. Agora que ela emagreceu, eu adoraria que ela fosse uma modelo, dominasse as telas e as passarelas, continuando com o meu legado. Infelizmente, nós não escolhemos a personalidade dos nossos filhos”. Shannon jogou a echarpe para trás. “Ela teria muitos homens aos seus pés se não fosse tão doce”.
Katrina segurou a mão de Vanessa, dando um apoio silencioso.
— Acho que é o suficiente. — Parei o vídeo. — Não precisamos dar palco para esse show. Não vamos falar sobre isso. Ignorar é tudo que ela merece — determinei e saí do quarto, precisando esfriar a minha cabeça.
...
Agosto finalmente trouxe um pouco de vento fresco. Não que o calor fosse abrandar nas próximas semanas, mas a brisa era bem-vinda. Era final da tarde, estava jogado na varanda, meio molhado da piscina e sujo de grama por estar brincando com os cachorros. Katrina saiu de casa com duas garrafas de cerveja, sentou-se ao meu lado e brindamos.
Era o primeiro final de semana que passávamos sozinhos em casa desde que nos casamos. Um verdadeiro milagre.
Melanie estava com Michael e Kevin, eles chegariam para o jantar à noite. Vanessa foi para um retiro com Rosa. Katrina e eu conseguimos fugir do convite. Eu disse que ia trabalhar e Katrina deu a louca de sempre, falando mais que Rosa, para confundir e mudar de assunto.
Nada contra a religião da Rosa, eu acreditava em Deus e aceitava todas as suas orações, mas três dias sem telefone celular, participando de palestras sobre a bíblia e cultos não era muito como eu queria um final de semana de folga. Ficar sozinho com a minha esposa não era pecado.
Nós saímos para jantar em paz, outro milagre desde a briga estúpida que tivemos no churrasco do Dia da Independência. A festa da empresa era sempre uma coisa louca: muita bebida e diversão. Proporcionava aos meus funcionários o que a empresa oferecia para os turistas. Sendo o primeiro ano como um homem casado, foi difícil podar algumas coisas.
Casamento era uma novidade para nós dois, mas ela fazia parecer que eu era o único experiente no assunto.
Mesmo dizendo que eu a amava, que queria uma vida inteira ao seu lado, ela ainda surtava de ciúme. Na festa, havia dezenas de mulheres e muitas delas queriam tirar fotos. Quando uma garota sentou no meu colo, me pegou de surpresa, foi rápido, mas o suficiente para uma foto sair na imprensa.
Katrina não estava na maior parte da festa, primeiro ajudando a cuidar do Kevin porque a babá regular dele teve uma emergência, depois, convencendo o seu antigo professor a coletar água da Pro Valley. Ele se recusou e ela foi sozinha, acrescentamos mais um motivo para brigarmos.
Fiquei puto por ela se colocar em risco quando havia prometido que tomaria cuidado. Ela estava furiosa achando que deixei que uma bunda qualquer fosse parar no meu colo.
Nós discutimos por vários dias sem realmente conversar sobre o problema. Mesmo depois de cansar, também não conversamos. Parecia que nada havia acontecido, sexo acontecia, os beijos eram maravilhosos, conversar na cama também, mas tinha algo pesando cada vez que nos desentendíamos.
Levamos duas semanas para falarmos sobre o que incomodava. Foi importante porque eu pude perceber o quanto as inseguranças podiam afetar a visão real da situação.
Ela entendeu que eu não estava de putaria na festa, inclusive, briguei e pedi que todas as garotas fossem retiradas do meu camarote, sendo alvo da gozação dos meus amigos e eles não economizaram. Ela não teve explicação sobre ter ido sozinha ao lado mais deserto da cidade, recolher amostras da água, ficando tão exposta.
Admirava a sua determinação, o faro para investigação, o talento e iria incentivar a sua carreira. Mas eu não ia apoiar loucuras que a colocassem em risco. Dessa vez, nos comprometemos em conversar antes de deixar a casa inteira fora de ritmo com as nossas brigas.
Outra coisa que acertamos foi formalizar uma denúncia contra o seu ex-namorado e as constantes perseguições. Ele era abusado e perigoso.
Normalmente, era um homem pacífico, mas ele mereceu uma visitinha dos meus seguranças, deixando um recado bem explícito sobre tentar falar com Katrina novamente. A formalização da denúncia foi apenas para minha esposa sentir que estava agindo dentro da lei. Eu tinha amigos na polícia que foram lá pessoalmente, dar um reforço além dos meus seguranças.
— Você está muito pensativo. — Katrina bateu o ombro no meu. — Só para constar, não sei usar o extintor de incêndio. Se a sua cabeça pegar fogo, vou ter que deixar incendiar.
— Está dizendo que tenho o intelecto limitado?
Ela soltou um risinho engraçado.
— Talvez? — Deu um gole da cerveja, acariciando a cabeça de Polo, que estava praticamente deitado em cima dela como se ainda fosse pequeno. Eram filhotes, mas estavam crescendo muito. — Me conta, sabe que sou curiosa.
— Estava pensando na nossa briga e que o tempo, de um modo geral, está passando bem rápido.
— Você compensou quando me levou para passear de helicóptero pela cidade e eu amei o jantar de frente para todos os monumentos. Foi uma noite inesquecível. — Seu olhar dizia tudo sobre aquela noite. Sexo na frente das janelas com a visão esplêndida da cidade iluminada.
— Faremos mais vezes — prometi e beijei os seus lábios, considerando comprar o lugar só para repetir quantas vezes quiséssemos.
Katrina ficou possuída por um espírito da putaria. Talvez em casa, com a mãe e minha irmã morando conosco, ela sentisse a necessidade de ser contida. Todas as vezes que transamos em lugares fora de casa foram espetaculares. A mudança de cenário e liberdade mexia com ela. Não que sexo na nossa privacidade, no cantinho do nosso quarto fosse ruim, na verdade, era incrível.
— Está ficando frio, vamos limpar e entrar. — Me entregou a garrafa vazia para sair do chão.
Ela ficou com o banho dos cachorros e eu com o quintal, terminamos quase ao mesmo tempo e fomos tomar um banho a dois bem divertido. Marco capotou no sofá, cansado de um dia inteiro gastando energia. Polo estava deitado no tapete de barriga para cima com a língua para fora.
Os dois precisavam de brincadeiras brutas, de estímulo para correr ou poderiam quebrar a casa. Ainda bem que tínhamos espaço de sobra.
Katrina ficou de roupão, se acomodou na chaise long próxima ao piano e estava com o inseparável caderno de anotações. Apesar da era moderna e o quanto seria mais fácil digitar tudo logo, ela escrevia a matéria no caderno.
Tudo à moda antiga. Recortes, adesivos, grifava todas as partes importantes com canetas coloridas. Só depois que seus pensamentos estavam em ordem, ela digitava, já no modo jornalístico. Ela tinha um dom, escrevia bem, sabia ser imparcial ou agir sem revelar totalmente as suas opiniões ou intenções.
De repente, ela estava rindo para o telefone.
— Vanessa está mandando mensagens escondido. Ela disse que até está bem legal e que Rosa está feliz em ter levado uma convidada, ao mesmo tempo, está louca para vir embora. — Jogou o telefone de lado. — O que vamos pedir para o jantar? Minha mãe deve chegar com Michael em algumas horas.
— Não iremos preparar? — Ergui o meu olhar do telefone.
— Nós vamos comer pão com queijo e presunto? Estou ocupada para cozinhar e você... — Arqueou a sobrancelha. Ela adorava encher o saco com as minhas habilidades na cozinha, então, decidi perturbá-la.
— É o seu papel como mulher preparar o jantar. Você é a sra. Winterfield — pontuei bem sério. — Quantas vezes precisaremos conversar sobre a sua posição como dona da casa? Quero você penteada e cheirosa quando chegar do trabalho, usando um vestido bonito, as crianças dormindo e uma comida cheirosa pronta. — Bati com a minha mão na mesa. Polo abriu os olhos, desconfiado, Marco continuou dormindo. — Eu trabalho o dia inteiro para manter essa casa! — Alterei meu tom de voz.
Katrina bocejou, continuou lendo seus recortes e ergueu a mão, me dando o dedo. Fofa.
— Peça massa. Kevin come melhor macarrão, principalmente com almôndegas e ah, eu quero lasanha — falou toda mandona e fui digitando a mensagem para o restaurante do hotel. — Cozinhe alguns legumes no vapor!
— Mais alguma coisa, senhora? — Fiquei de pé e fiz uma posição de mordomo.
— Uma taça de vinho. — Abriu um sorriso.
— Só um momento, minha senhora. — Me inclinei e saí da sala.
— Estou gostando disso! Eu adoro uma posição de submissão! — gritou da sala.
— Eu adoro quando você fica por cima, com os peitos balançando no meu rosto e bunda fazendo movimentos incríveis com o meu pau dentro! — gritei de volta.
Katrina não respondeu, ficou em um silêncio bem estranho e apareci na sala, voltando imediatamente. Michael, Melanie e Kevin estavam parados na entrada. Minha sogra cobria os ouvidos do menino. Michael, apesar de corado, estava rindo. Katrina desapareceu, provavelmente saiu correndo pela escada por estar de roupão e com vergonha.
Os dois cachorros inúteis não avisaram nada e não ouvi o barulho do portão.
— Ah... podemos fingir que nada aconteceu? — Voltei para a sala, passando para a entrada sem conseguir conter a risada. — Desculpa, sogra.
— Eu vou lavar a sua boca com água sanitária, Devon — falou em um tom severo.
— Perdão. — Sorri, mordi o lábio e fiquei sério. — Vem, vamos entrar. Eu vou me comportar. Gostaria de uma cerveja, Michael?
— Claro. Estou de folga e preciso beber um pouco. — Passou por Melanie, que ainda estava dividida entre brava e divertida. — Foi uma semana complicada. — Me seguiu para a cozinha.
Melanie levou Kevin para a sala de televisão, colocando um filme. Ele estava segurando um brinquedo. Ser a criança entre adultos deveria ser muito chato. Logo que os cachorros acordassem da preciosa soneca, iriam querer brincar. Eles adoravam crianças. Eram queridos no condomínio porque brincavam com todos que apareciam durante a caminhada.
— Estresse do trabalho? — Fiz conversa com Michael.
Peguei duas cervejas na geladeira e o vinho que Melanie gostava de beber. Servi na taça e ainda virei os salgadinhos favoritos em uma vasilha, tudo para me desculpar pelo meu comentário extremamente sexual sobre a sua filha. Em minha defesa, imaginei que estávamos sozinhos e falar putaria com Katrina era a minha parte favorita.
Pensando nela, vi que desceu a escada, nós trocamos um olhar e caímos na gargalhada. Vermelha, pediu desculpas depois de cumprimentar a mãe com um beijo, agarrou Kevin e se aproximou de Michael, que só balançou a cabeça para fingir que nada estava acontecendo.
— O jantar vai estar aqui a qualquer momento. Está com fome, Kevin? — Katrina abriu o armário e pegou uma taça de vinho.
— Não. Eu lanchei com a minha avó. — Ele entrou na cozinha. — Fiz um desenho, mas esqueci.
— Não tem problema, depois você me dá e eu vou pendurar no meu mural no trabalho. — Katrina deu um beijo na cabeça dele.
Feliz com o carinho, voltou para a sala. Os adultos ficaram reunidos na cozinha, conversando e não era a primeira vez que nos reuníamos para jantar em família daquele jeito. Era divertido. Michael era um homem gentil, de bom humor, que se encaixava muito bem na nossa família. Kevin era uma criança agitada, talvez normal para a idade dele, eu não podia dizer porque nunca convivi com crianças antes dele.
Descobri um lado meu que adorava programas familiares, principalmente porque não havia nada de tedioso quando se estava na companhia das mulheres Summer.
— Foi simplesmente o momento mais constrangedor da minha vida e a minha mãe ficou filmando. Acho que tenho o vídeo em algum drive. Saí do oceano com uma toalha toda molhada, todo mundo rindo porque obviamente entenderam que a onda levou o meu biquíni. — Katrina estava vermelha de tanto rir. — Ficar nua da cintura para baixo no mar não é nada divertido.
— Eu avisei a ela. — Melanie riu e olhou para a sala. — Kevin está muito quieto.
— Vou olhar. — Michael saiu da cozinha e voltou rapidamente. — Ele dormiu. Tão bonitinho dormir sem precisar ser ninado.
— Quer levá-lo para um dos quartos? — Katrina ofereceu.
— Não precisa, ele está confortável abraçado com Marco. — Michael sorriu e trocou um olhar com Melanie. Reparei que a minha sogra pareceu nervosa por um instante, segurando a mão do namorado. — Kat e Devon, pedi para combinar esse jantar porque eu queria conversar com vocês. Especialmente com você, Katrina.
— Eu não fiz nada. — Kat disparou. — É sério. Eu me comportei nos últimos dias.
— Antes disso, ela já não pode garantir — murmurei.
— Na verdade, essa tarde, levei Melanie e Kevin para um passeio. — Michael começou. — Eu pedi Melanie em casamento, ela aceitou, mas nós dois concordamos que assim como a opinião do Kevin é muito importante, a sua também é.
Katrina parecia congelada por um momento. Abriu a boca, fechou, seus olhos estavam arregalados. A mãe tirou uma aliança do bolso e Michael deslizou no lugar, isso foi o suficiente para Katrina pular da cadeira e gritar. As duas ficaram de pé, se abraçaram e eu estava rindo muito porque ninguém conseguia falar nada.
— Isso é sério? Você disse sim? Você está feliz? — Katrina segurou os ombros da mãe. Melanie, que estava chorando e rindo, balançou a cabeça. — Não acredito, mãe! Estou tão feliz por você! — Elas se abraçaram de novo. — Michael, vem aqui — Katrina pediu e ele ficou de pé. — Essa mulher é a mais incrível do mundo inteiro e eu sou a garota mais louca do mundo, faça dela a mais feliz e eu sempre vou te amar! — Se jogou nele em um abraço. — Seja bem-vindo à família.
— Parabéns, sogra! — Abracei Melanie.
— Obrigada, querido. — Ela acariciou a minha bochecha com carinho.
— Eu vou te dizer uma coisa, as mulheres Summer são loucas, mas vale a pena. — Apertei a mão do Michael e trocamos um abraço. — Isso pede uma comemoração adequada. Vou pegar um espumante e vamos brindar.
— Deixa eu ver o anel direito, mãe — Katrina pediu. — Eu não acredito que vai se casar! — comentou toda empolgada e de repente, parou. — Temos que fazer uma festa!
— Acalme-se, Katrina. — Melanie segurou-a pelos ombros. — Michael e eu concordamos em uma cerimônia bem intimista. Não queremos uma grande festa, apenas um momento em família para celebrar.
— Não acredito que vou te ver de noiva! Amanhã eu vou comprar todas as revistas de noivas que puder achar...
A tagarelice de Katrina me fez sorrir. Nós falamos da cerimônia do nosso casamento apenas uma vez e depois, não tocamos mais no assunto. Queria fazer tudo direito. Não me arrependia do nosso casamento, muito menos tinha vergonha, mas nós dois merecíamos mais do que uma noite louca com muita bebida.
Estava propositalmente não alimentando o assunto e com o noivado de Melanie, ela iria focar sua atenção em outra coisa. Vanessa sabia bem que não deveria puxar o assunto, estava me ajudando a planejar algo único para Katrina aceitar se casar comigo para sempre.
Peguei as taças para espumante e estourei a bebida, servindo e nós brindamos ao novo casamento. Minha sogra iria se mudar aos poucos, para que Kevin não estranhasse muito as mudanças e acabasse se retraindo. Eu sabia que Katrina iria sofrer um pouco, elas eram muito grudadas, felizmente, Michael morava a menos de dez minutos da nossa casa.
Quando eles foram embora, bem tarde, tranquei a casa, coloquei mais comida e água para os cachorros, apagando as luzes. Eles ficavam soltos dentro de casa, saíam por uma abertura em uma das portas da cozinha que dava para uma pequena área.
Foi preciso fechar com uma cerca e parreiras, assim eles não passavam para o restante do quintal e não pulavam na piscina à noite, como já fizeram. Quase me mataram de susto porque pensei que algum maluco tinha invadido a minha casa para tomar banho. Marco e Polo não eram cães de guarda, só queriam comer e brincar.
Katrina estava no quarto quando subi a escada. Tirando as almofadas da cama, me deu um sorriso enorme e pulou em mim. Desequilibrei e caímos na cama.
— Minha mãe vai casar!
— Gosto do Michael, ele é muito gentil e divertido. Vai ser bom ter os dois na família, equilibra o time. Sempre saio perdendo por ser o único homem — brinquei, com um fundo de verdade. Katrina, Vanessa, Melanie e Rosa se defendiam com prazer, eram unidas. Se eu discordasse de qualquer coisa, me massacravam sem piedade.
— Acha que é cedo demais? Eles se conhecem só há alguns meses... — Me deu um olhar preocupado.
— Tem tempo certo para se apaixonar e querer viver com a pessoa?
— A maioria das pessoas esperam alguns anos antes de mergulhar em algo tão sério quanto o casamento, mas eu entendo, os dois são maduros, já viveram muito e querem aproveitar. — Brincou com a gola da minha camisa. — Ela não me falou nada sobre datas ou planejamento. Droga, nem tem espaço na minha agenda. Vou precisar comprar uma agenda nova só para o casamento. — Suspirou e abriu um sorrisão. — Vanessa vai pirar que perdeu isso!
— Amanhã terão todo o tempo do mundo para fofocar.
— Foi um dia divertido. — Bocejou.
Ela dormiu dois segundos depois. Tirei seu short jeans, liguei o ar e capotei ao seu lado também. Na manhã seguinte, acordei com água no rosto. Passei a mão e de repente, outro jato bem no meu nariz. Abri os olhos e dei de cara com Katrina descabelada, a roupa amassada e segurando uma pistola de água com uma expressão compenetrada.
— Preparado para a guerra, marido? — Jogou uma pistola verde para mim e covarde como era, não estava carregada. Rindo, espirrou mais uma vez e saiu correndo.
— Covarde! — gritei e corri para o banheiro, enchendo a minha pistola. Andei com calma pela casa, passando pelos cômodos sem saber onde a espertinha havia se escondido. — Katrina, amor.
— Não me pega! — gritou de volta, rindo. Hum, o eco estava muito alto. Desci a escada, passando pelo piano e vi a sombra dos cachorros. — Saiam daqui seus fofoqueiros! — cochichou, tentando enxotá-los. — Anda, vai!
— Te peguei! — Explodi milhares de esguichos de água, gritando surpresa, ela se deu conta que podia atirar de volta, afinal, era só água. Usando os cachorros como barreira, saiu correndo. Minha pistola ficou vazia e a dela era maior, cabia mais água. — Trapaceira! A sua é maior que a minha!
— Com problemas de tamanho? — gritou de algum lugar no quintal.
— Você nunca reclama do meu tamanho, amor. — Andei silenciosamente pela casa, passando pela cozinha e me escondi nas parreiras. Ela estava encolhida entre dois dos meus carros mais baixos, espiando a porta que dava para a garagem. Pensei em pular a cerca, mas ela me veria e correria, então, decidi atirar dali mesmo. — Te peguei de novo!
Rindo e ao mesmo tempo irritada porque era uma péssima perdedora, subiu no banquinho e pulou as parreiras. A doida não calculou o espaço entre nós dois. Caímos na grama e foi uma queda dolorosa. Maldosa, aproveitou a minha distração e que a minha pistola caiu longe, montou na minha barriga, praticamente me afogando. Ela não parou de disparar até esvaziar.
— Mal acordei, não tomei café e você me atacou — acusei, jogando sua pistola longe. Estávamos molhados. A blusinha dela estava toda transparente, agarrei os seus peitos e ergui o meu rosto, chupando-os pela camisa. — Quer ser o meu desjejum? Eu mereço depois desse ataque.
— Adorarei ser devorada agora! — Sorriu, marota. — Vamos entrar antes que eu fique nua no quintal. Daremos um show aos vizinhos.
— Tem muita grama aqui e ela pode entrar em lugares terríveis. — Segurei a sua cintura.
— Definitivamente, a única coisa que quero dentro de mim é o seu pau. — Inclinou-se e me deu um beijo suave nos lábios.
A vida era infinitamente melhor quando se tinha alguém para compartilhar todas as alegrias.
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