Amor em Jogo: Cidade do Pecado, livro 1
33 | Katrina
Mamãe estava tirando da bolsa as roupinhas de bebê que comprou em uma única ida ao shopping. Ela poderia ser chamada de avó descontrolada, porque eu mesma não tinha comprado absolutamente nada. Primeiro, achava que ainda tinha tempo, segundo, estava preocupada com os móveis e a logística de ter um bebê pequeno com um quarto um pouco mais longe do que estava confortável.
Para quem sequer tinha desconfiado, eu estava vivendo a gravidez com intensidade.
— Este é lindo, mãe. Obrigada! — Agarrei um pequeno body azul. — Devon e eu decidimos descobrir o sexo apenas no parto e lá, quem vencer a aposta, vai decidir o nome.
— Vou me abster de comentar sobre essa mania irritante de apostar em absolutamente tudo.
— Estou apenas querendo dar um pouco de emoção. — Dei de ombros. Eu não sabia o sexo, esperava que não sentir qual era não me fizesse uma péssima mãe. Só disse que era menino para contrariar. Devon referiu-se ao bebê como ‘ela’ mais de uma vez, então, eu tive certeza de que ele achava que era uma menina. Obviamente, estava tudo bem qualquer sexo. Eu estava feliz com o bebê e ponto. Apostar era apenas para ter muitos motivos para enlouquecer o meu marido. — Obrigada por todos esses presentes, Vovó Mel.
— Não acredito que serei avó! — Me deu um abraço apertado. — Então, me conta tudo. Como ele está com a paternidade? — Puxou assunto. Melanie Summer não estava muito bem da cabeça. Ela nunca fazia conversa sem necessidade. Praticidade e direto ao ponto deveriam ser seu nome e sobrenome.
— Um saco. Não posso fazer nada! Me oferece comida o tempo todo, me faz beber água a cada trinta minutos e fica perguntando se estou bem. Eu sei que é fofo, mas ele está me irritando. — Fui sincera. Eu admirava o comprometimento dele, só estava estressada.
— Qualquer coisa vai te irritar. Ele está fazendo o papel dele, caso contrário, ia ter que pedir para Michael usar o bisturi nele. — Sorriu e voltou a dobrar as roupinhas que havia acabado de tirar da bolsa de papel branca, bem grande, com o símbolo de uma loja de bebê. Se tivesse um fotógrafo seguindo-a ou passeando de graça pelo condomínio, só ajudaria nos rumores.
Devido ao meu desaparecimento do público, estavam especulando que o meu relacionamento terminou, mas Devon seguia ativo nas redes sociais, eu que estava sem saco. Então, eles resolveram fofocar sobre uma possível doença ou gravidez.
— Você está muito aleatória hoje. Chegou com presentes, está perguntando muito e milagrosamente defendendo Devon, quando a sua missão de vida é implicar com ele. — Segurei sua mão. — Pode falar. Aconteceu alguma coisa?
— Seu pai foi até o hospital ontem à tarde — confessou.
— Sério? Ele teve coragem de aparecer depois de todo esse tempo? — Sentei na poltrona do meu quarto e encolhi as minhas pernas.
— Ele entregou os papéis do divórcio pessoalmente. Disse que estava na cidade há algumas semanas e foi bem estranho. — Mamãe mordeu o lábio. — Ele não mudou muito, alguns sinais óbvios do tempo, nada demais. Só parecia mais... sombrio. Um homem ruim. — Mostrou o braço, toda arrepiada. — O pior e o que mais me deixou assustada, foi que ele sabia sobre Michael, disse que era um bom homem e que fiz uma boa escolha.
— Nossa, mãe... — Suspirei, sentindo uma tensão apertar o meu coração. — Será que ele esteve por perto esse tempo todo?
— Eu não sei, filha. A única coisa que eu tenho certeza é que eu nunca conheci o homem com quem me casei. Era tão jovem, dezesseis anos e ele mais velho...
— Você era uma criança, mãe. Ingênua demais para perceber o mundo. Conhecia o que ele te apresentava, nunca foi sua culpa. — Me movi no lugar. — Uma vez o Tio Saul contou que já apanhou do meu pai. Ele era temido entre os seguranças dos cassinos...
— Para ser bem sincera, hoje, na minha visão de mundo, não duvido. Na época, eu achava que ele era como os seguranças uniformizados e não um homem perigoso. Já tem um tempo que me pergunto se ele foi embora porque precisou fugir ou para nos proteger da vida que levava.
— O que sentiu ao vê-lo? — questionei, curiosa sobre como meu pai pode tê-la afetado emocionalmente. Não acreditava que ainda existia amor, mas...
— Susto e só. Não mexeu em nada comigo, pode ficar despreocupada. Reencontrar seu pai me fez ter certeza de que Michael é o homem da minha vida e nunca é tarde demais para amar. — Abriu um sorriso lindo e trocamos um abraço. — Seu pai também disse que você pode parar de se preocupar com Nick.
Me afastei, olhando em seus olhos.
— Acha que voltou para a cidade por causa disso? — Segurei seus ombros.
— Aparentemente, seu pai sabe mais sobre nós do que sabemos sobre ele.
— Tenho que contar a Devon! — Saí do meu lugar e peguei o telefone, contando tudo por mensagem. Ele tinha meios de descobrir se... — Merda.
— O que foi?
— É óbvio. — Bati na testa. — Meu pai era envolvido com o submundo dessa cidade. Devon é dono de parte desse mundinho podre dos cassinos. Eu tenho certeza de que meu marido não colocou só a polícia a cargo disso, ele é malandro. Fez o correto para me acalmar e deve ter ordenado seus homens para caçar Nick.
— Não é uma teoria impossível.
— Eu não queria que Devon fizesse isso...
Mamãe sorriu amorosamente.
— Sua preocupação é fofa, mas equivocada. Devon mantém seus negócios e ele sabe onde está se metendo, sempre soube. Ele é sobrinho de um homem que fez dinheiro na malandragem desta cidade e é o homem que, em poucos anos, ultrapassou outros muito mais experientes.
Um dos motivos pelos quais não quis assinar o meu nome no site era porque eu não queria um conflito de interesses com meu novo sobrenome. Não era idiota e muito menos inocente. Cassinos não eram ilegais em Vegas, mas nem tudo que acontecia dentro deles era totalmente moral. Eu não queria ter a minha credibilidade profissional esmagada pelo peso do meu sobrenome de casada. O segundo motivo era a oportunidade de me intrometer sem atrair tanta atenção.
Ser publicamente reduzida a esposa de Devon Winterfield me dava muitas vantagens para trabalhar com o jornalismo do jeito que eu queria.
— E se o meu pai nunca foi embora? Se ele viveu na cidade em lugares que nós não frequentamos?
— Não me importa agora.
Devon me respondeu que iria verificar. Cínico. A cretinice dele nunca teria fim.
Mamãe e eu passamos o dia em casa, conversando. Quando Vanessa chegou do shopping com Rosa, nos reunimos na piscina, brincamos com os cachorros, ouvimos música e bebemos mimosas. Elas beberam do jeito tradicional e eu misturei suco e água com gás só para não ficar tão diferente.
Quando a avó do Kevin o entregou no meio da tarde, ele era o bendito fruto entre tantas mulheres, paparicado e apertado, porque era impossível olhar para suas bochechas e não dar um delicioso aperto e um beijo estalado. Correndo pelo quintal com os cachorros, filmei-os dando um salto na piscina.
— Vamos para o registro da barriguinha. — Vanessa me puxou para o jardim. Ainda não tinha barriga nenhuma, só parecia que comi demais e não consegui fechar a calça. Mesmo assim, eu queria fotografar cada segundo para encher o meu álbum da gestação de fotos. — Quando vão anunciar?
— Só com cinco meses ou quando não conseguir esconder a barriga. Quanto menos pessoas souberem, melhor. Sua mãe vai estar na cidade e ela é a última pessoa que quero por perto. — Acariciei meu montinho de gordura. — É surreal, não é?
— Eu nunca ia imaginar que terminaríamos o ano com você casada e grávida, ainda por cima, do meu irmão! — Soltou uma risada. — Por que nunca me contou sobre os sete minutos no céu?
— Eu era tão idiota. Eu vivia falando mal dele, recriminando, tudo para esconder que gostava. E na primeira oportunidade, caí nos braços dele, aos beijos em um armário! Fiquei com vergonha, senti meu orgulho ferido, sei lá. Foi uma estupidez que eu carreguei com prazer durante anos!
Vanessa me olhou e soltou uma gargalhada.
— Você é tão boba, Katrina. Ainda bem que o destino realmente queria vocês dois juntos, porque se dependesse dessa sua teimosia... — Apertou o meu nariz. — Reparou o quanto Stuart está animado com a sua gravidez?
— Sim. Estou quase pedindo para decorar o quarto, de tanto presente que está mandando entregar.
— Será que tem a ver com o filho? Será que ele participou da gravidez?
— Esses dias estava na cama conversando com Devon antes de dormir e eu soube que Stuart foi até Nova Iorque ver o filho, mas no outro dia já estava aqui. Acho que ele só tem autorização para vê-lo por algumas horas...
— Devon nunca vai me falar.
— Não mesmo. Eu prometi dar mundos e fundos em troca da informação, servi-lo de joelhos por uma semana, andar com fantasias sensuais e deixá-lo fazer uma espanhola todos os dias. Ele não contou. — Encolhi os ombros e ri da careta de nojo de Vanessa. Adorava provocá-la sobre minha vida sexual com seu irmão. Era uma pequena vingança sobre todas as vezes que ela se uniu com ele contra mim.
— Nunca vai parar, não é? — Me cutucou e sorri.
— Não enquanto tiver graça.
Devon me ligou no final da tarde para avisar que Nick foi encontrado amarrado, amordaçado e parecendo ter levado uma boa surra. Ironicamente, foi deixado nos fundos de uma estação policial. De um lado, estava aliviada que ele foi encontrado sem causar mais estragos. Não precisava de mais drama ou viver com medo de que o meu ex-namorado violento poderia estar à espreita. Merecia viver com liberdade e paz. Nick não desistiu de mim por anos e depois que terminamos, ele deixou claro que não tinha escrúpulos para aceitar o fim.
Meu pai estando envolvido ou apenas os homens do Devon, eu estava grata que não havia sangue em minhas mãos. Ele tinha acusações e deveria pagar por tudo que fez. Ficava triste pelos pais dele, apesar de não ser próxima e nunca ter me esforçado muito, eles eram pessoas trabalhadoras que vieram para o país em busca de uma vida melhor e não para ter o filho preso. Era triste.
Para tirar a minha mente dos pensamentos ruins que me deixavam aflita, me ofereci para cuidar do Kevin. Ele sempre ficava cansado depois da piscina. Dei-lhe um banho, fazendo um monte de brincadeiras, troquei sua roupa e ele era tão independente que só me deixava ajudá-lo em coisas que se atrapalhava. Rosa preparou um sanduíche para comer junto com a banana e um copo de iogurte. Ao terminar, levei-o para o quarto que a minha mãe usava e o fiz dormir.
— Está indo muito bem. — Minha mãe entrou no quarto quando ele dormiu. — Mas o bebê não vai chegar com quatro anos de idade e muita teimosia.
— Eu sei que não. — Sorri sem desviar os olhos da expressão serena de Kevin. — É tão bonito ver uma criança dormir. Ele parece feliz e em paz. — Acariciei seus cabelos.
— Ele é amado. Seu bebê também será. — Sentou ao meu lado. — Está preocupada?
— A maternidade não é algo fácil de encarar. Não sei como você conseguiu, só sei que te admiro ainda mais. — Dei-lhe um beijo na bochecha. — Se eu conseguir ser metade da mãe que você é, vou estar realizada neste mais novo papel da minha vida.
Mamãe sorriu, emocionada, me abraçou e fui parar em seu colo, embalada como uma criança.
— Você vai ser uma mãe muito melhor. — Beijou a minha testa.
...
Devon queria que eu o acompanhasse em uma festa à noite e eu descansei o máximo para aguentar a noite toda, porque andava sentindo muito sono e meio desanimada para passar a noite fora. Precisava sair de casa, ver pessoas diferentes e me divertir com os nossos amigos. O sono no primeiro trimestre era normal, segundo os médicos, teria mais energia a partir do quarto mês.
Me arrumei com Vanessa depois que a minha mãe foi embora. Ela levou Kevin para casa e iria descansar. Tentei convencê-la a ir também, deixar o meu irmãozinho com Rosa ou com uma babá, mas ela não quis de jeito nenhum.
Escolhi um vestido prata de mangas três quartos, todo fechado. Era chamativo, mas era lindo. Vanessa fez um penteado elaborado, deixando a franja escovada, arrumada no rosto, um pouco de volume em cima, torcido no rabo e por fim, jogado de lado. Colei cílios, empolgada com toda arrumação e ousei com um batom vermelho matte. Para ficar confortável, calcei as sandálias de salto quadrado meia pata. Prontas, tiramos fotografias e de lado, graças ao formato reto do vestido, minha barriga não aparecia muito.
Devon chegou em casa correndo, falou rápido e foi se arrumar. Estava agitado, parecendo nervoso, falando pelos cotovelos e quando ficava assim era indício que a programação da noite exigia muito da atenção dele. Normalmente, se uma mísera coisinha não acontecesse conforme o planejado, ficava todo estressado. Só presenciei um problema com a equipe. Como chefe, ele era insuportável. Alicia e Mac, que eram os que trabalhavam mais próximos dele, mereciam uma bonificação anual e um prêmio.
Apesar de apressado, não correu como um louco. Vanessa colocou uma playlist eletrônica, para nos preparar para a noite. Mexendo no meu celular, vi que McKenna publicou uma nota que tinha conversado com Shannon sobre a morte de Christopher Nolasco e que ela tinha uma declaração a dar. A notícia que o famoso produtor tinha um filho fora do casamento estava circulando em todos os veículos de fofoca. A viúva e os filhos se recusaram a dar declarações, mesmo após o enterro.
— Eu sabia que era questão de tempo até que ela falasse a verdade. — Devon suspirou.
— Você quer que ela fale?
— Claro que não, mas é impossível conter Shannon quando ela sente que precisa de mais holofote. Ela quer vender mais ingressos para o show. — Paramos em um sinal. Ele me olhou. — É um termômetro para a residência, se for sucesso, ela consegue mais patrocinadores. Enquanto seu nome estiver nas buscas, e, literalmente, na boca do povo, vai vender ingresso. — Deu de ombros, fingindo que não se importava, mas eu sabia que sim. Ao contrário do pai, com quem ele nunca teve um vínculo emocional, Shannon mexia com os seus sentimentos.
Ele não seguiu com o assunto. Vanessa me mandou uma mensagem, com uma carinha triste pelo irmão. Ultimamente, ela estava conseguindo lidar com a mãe muito melhor que antes. Não desenvolveram nenhuma relação, apenas não se falavam e estava tudo bem para minha melhor amiga. Com Shannon na cidade, pensamos que a veríamos muito mais, felizmente, estava ocupada com os ensaios e tentando aparecer a todo custo nos tabloides locais.
— Uau! É uma festa neon! — Comemorei assim que entramos. — Está lindo! Olha as dançarinas! — Apontei, empolgada. — Meu Deus! Que homem gostoso! — gritei para o barman seminu fazendo um malabarismo com coqueteleiras.
Devon cobriu os meus olhos, rindo e me empurrou para as escadas. Vanessa estava boquiaberta. Seus olhos até brilhavam. Stuart já estava no camarote, milagrosamente sozinho, segurando uma garrafa de água. Os dois se cumprimentaram com um abraço e nada mais.
O clima entre eles deu uma boa esfriada porque Devon tinha razão. Stuart estava vivendo dentro de uma espiral de problemas para estar com o coração livre para se envolver com uma mulher tão doce e romântica como Vanessa. Ela merecia um amor de tirar o fôlego, não a paciência.
Mesmo que ela tenha se afastado, ficou nítido que Stuart não gostou nenhum pouco quando um homem muito bonito, aparentando ser um quarentão bem cuidado, puxou-a para dançar. Para minha completa surpresa, ela foi. Sem pedir que Devon interviesse ou me dar um olhar de ajuda. Vanessa riu e grudou no homem, seguindo o ritmo da música. Minha expressão devia estar me traindo porque Devon seguiu a direção do meu olhar e as suas sobrancelhas quase sumiram no cabelo de tamanho susto.
— O que ela bebeu?
— Suco de liberdade. — Sorri e ergui minha taça de suco, olhando para o céu e agradecendo.
— Você pode vir comigo? — Devon cochichou no meu ouvido.
— Claro. Quer uma rapidinha no escritório? — brinquei. Ele não tinha um grande escritório ali, apenas uma sala de contabilidade que era dividida com o estoque, próximo à despensa, depois da cozinha. Um lugarzinho nem um pouco excitante. Mas se ele quisesse, meus hormônios grávidos topavam.
Segurando a minha mão bem firme, reparei que a dele estava suada, o que era incomum. Me levou em direção às escadas, passamos entre uma multidão de pessoas até a saída. Inicialmente, pensei que tivéssemos saído por outro lugar, porque a calçada e a rua estavam vazias. Cheguei a olhar para a porta para ter certeza, mas estávamos diante de uma das principais avenidas de Las Vegas, a mais famosa. Estava deserta como se fosse um apocalipse zumbi, no meio dela...
— Bertie! — Ofeguei. — O que meu carro está fazendo ali?
Devon sorriu, meio nervoso e me puxou. Olhando para os lados, vi que havia barricadas, pessoas filmando, policiais contendo os curiosos e de um lado, a minha família. Vanessa e Stuart juntaram-se à minha mãe e padrasto, todos arrumados e sorridentes em um canto. Confusa, continuei olhando ao redor até perceber que os prédios mais altos começaram a projetar um vídeo nos telões.
Eu não sabia quem era, porém, não demorei dois segundos para entender que era uma representação da nossa história.
Uma jovem garota de cabelos castanhos, como usava na adolescência, entrando em um armário com um homem no começo da vida adulta de cabelos pretos e olhos azuis. Eu comecei a chorar ao perceber que eles usavam exatamente as mesmas roupas que usamos naquela noite.
Após o beijo, o filme seguiu representando vários momentos da nossa vida, muitas brigas, viagens, o dia que encontramos Vanessa no chão do banheiro, as noites que dormi com ela no hospital e depois me mudando para o hospital psiquiátrico, porque me recusei a deixá-la sozinha lá. Não me deixaram entrar, mas eu tentei.
Não só mostrando o meu lado da história como a vida dele, crescendo, se tornando um homem responsável, e eu parei, sem saber o que pensar com a representação do começo da Winterfield. Ele apostou? Era algo que eu não sabia. Não havia falas, apenas uma música instrumental que diminuía nos momentos calmos e aumentava nos momentos de clímax. Ele conseguiu colocar dez anos em dez minutos. Elementos chave me trouxeram a compreensão de vários pequenos momentos que só provavam o quanto ele prestou atenção em mim quando pensei que não se importava.
Meus olhos estavam tão cheios de lágrimas que mal conseguia enxergar. Encostei no capô do Bertie, secando meu rosto. Quando o pequeno filme terminou, todas as luzes se apagaram. Todas. Dos prédios e das ruas ao redor, ficou um breu. Pouco a pouco as pessoas foram acendendo luminárias. Ao meu redor, ficou cheio de pontinhos brancos.
Devon se ajoelhou na minha frente, tirando uma caixinha do bolso.
— Katrina, sei que nós já cruzamos a ponte do sim para sempre, mas eu precisava mostrar que o nosso casamento é mais do que uma noite de bebida e inconsequência. Diante de tantas coisas que aconteceram nas nossas vidas, eu precisava mostrar para o mundo a mulher incrível que você é. — Ele parou um pouco, respirando fundo. — Eu amo o seu sorriso. — Uma foto minha sorrindo apareceu em um telão atrás da Torre Eiffel do Hotel Paris. — Eu amo o som da sua risada. É esquisita e linda. Uma combinação que só você consegue, mesmo quando solta uns ronquinhos que me faz te chamar de porquinho.
— Ainda bem que você ama porco. — Soltei uma risada entre as lágrimas.
— Eu amo o quanto você é leal. Sua amizade e companheirismo me inspiram a ser alguém melhor todos os dias. — Outra foto apareceu no prédio atrás de mim, dessa vez eu estava esmagada entre Vanessa e Stuart. — Eu amo o quanto você é uma boa filha. — Uma foto com a minha mãe em um prédio diferente. — E agora, uma boa irmã e enteada. — Ao lado, surgiu uma que estou sentada no braço do sofá, Michael ao meu lado, com Kevin no colo dele. — Eu amo a sua determinação que, na maior parte do tempo, eu chamo de teimosia. Amo o seu bom coração e o seu humor esperto, espirituoso. — Milhares de fotos nossas começaram a ser reproduzidas por todo lugar. — Quero passar todos os dias da minha vida ao seu lado, junto com os nossos cachorros, tendo mais bebês e apostando sobre qualquer coisa. Eu não vou me importar em passar os meus dias perdendo nossos jogos apenas porque você não aceita ser a perdedora.
— Estava indo muito bem... — brinquei, secando meu rosto.
Seus olhos estavam tão cheios de lágrimas quanto os meus.
— Nós já casamos, mas você aceita passar o resto da sua vida ao meu lado e passar por uma festa de casamento para que nossos filhos assistam o quanto nós nos amamos?
Lasers rosa e azul começaram a se ligar entre os prédios, formando a frase “Eu te amo” bem grande para a cidade inteira ver. A multidão começou a aplaudir.
— É claro que sim! — Pulei no lugar, balançando a cabeça e ele ficou de pé, tirando a aliança cheia de pedrinhas coloridas, do jeito que eu estava namorando na internet, combinando perfeitamente com a aliança de sua avó que eu já usava. — Você é maluco! Eu te amo! — Abracei-o apertado.
De repente, fogos de artifícios decoraram o céu, explodindo em mil cores. Junto com eles, o chafariz se ergueu, parte em rosa, com o fundo branco, refletindo em azul nas paredes dos prédios. Abraçada a ele, olhei para o alto, admirada, feliz e muito apaixonada. Foi o pedido de casamento mais lindo e mais surpreendente.
— Para você, eu digo sim todos os dias. — Acariciei sua nuca. — Estou tão feliz!
— Com você, sei que serei feliz.
Nossas bocas se uniram em um beijo que foi recebido com gritos e aplausos da multidão, que ainda nos observava com prazer. Ri de toda atenção, sem me importar e voltei a beijá-lo. Devon era tudo que me importava naquele momento e para todo sempre.
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