Amor em Jogo: Cidade do Pecado, livro 1

Mari Cardoso · Capítulo 19 de 39

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Amor em Jogo: Cidade do Pecado, livro 1

17 | Katrina

 

Segunda era o meu temido dia, fui acordada com beijos suaves e café da manhã na cama. Devon me surpreendeu com a atitude doce. Ele fez panquecas, bacon, salada de frutas e suco de laranja fresquinho. Provando que me conhecia mais do que dei crédito, preparou uma caneca de café forte e uma com café e leite para que eu pudesse deixar do jeito que gostava.

Decidi que ele merecia um agradecimento adequado. Comecei a me arrumar para o trabalho no quarto de Vanessa, já me sentindo irritada por mexer nas coisas dela, sem estar com minhas roupas e cheguei a sentar na cama para me acalmar, sem permitir que as lágrimas caíssem.

— Chegamos! — Vanessa entrou no quarto com alegria e parou quando me viu quase chorando. — Ei, o que houve? — Se aproximou rapidamente. — Me desculpa. Quando acordei e vi a mensagem, percebi que não estava no clima para aturar Shannon, apenas surtei, acordei a sua mãe e saímos. Desculpa.

— Está tudo bem, precisamos conversar depois sobre isso ou me prometa que vai conversar com a sua terapeuta sobre o que sentiu. — Nos abraçamos apertado. — Estou apenas chateada com tudo que preciso enfrentar hoje, por estar usando suas roupas e por não saber por onde começar a resolver os meus problemas — falei com o rosto escondido em seu ombro.

— Você é forte, uma das mulheres mais destemidas que eu conheço e tudo vai se resolver. Estou do seu lado, só não irei trabalhar hoje. — Me afastei, confusa. — Devon me pediu para resolver um monte de coisas e aí não vai dar para ir ao escritório. — Revirou os olhos.

Vanessa era sócia do irmão em vários empreendimentos, às vezes, ele precisava que ela assinasse algo.

Fiz um beicinho por ficar sozinha no trabalho e voltei a me arrumar. Ao terminar, encontrei a minha mãe rindo e tomando um café com Rosa. Ela me abraçou apertado, me deu um beijo na bochecha e disse que apesar de tudo, foi uma boa viagem. Fazia uns meses que não íamos à praia e ela ficou feliz em molhar os pés no mar, apenas isso me deixou bem melhor.

— Eu vou com você para me reunir com os bombeiros também. Quero saber tudo que irão falar — avisou e foi pegar a bolsa.

— Está pronta? — Devon entrou na cozinha. Ele estava charmoso com um blusão social cinza, jeans e sapatos. Deu uma voltinha e segurei a vontade de apertar sua bunda. — Estou bem?

— Quase. Precisa se esforçar um pouco mais. — Dei de ombros, me fazendo de indiferente.

Devon se aproximou, parou atrás de mim e tirou o meu cabelo do caminho, beijando meu pescoço e cochichando que não muito tempo atrás, eu disse que ele era lindo, gostoso e ainda gozei. Maldito. Dei-lhe uma cotovelada, peguei a minha bolsa e fui para a garagem. Rindo, apertou a minha bunda e me pressionou contra o carro. Nós nos beijamos, desci minhas mãos para sua bunda e apertei.

— Eu não preciso presenciar isso — mamãe reclamou.

— Desculpa, Melanie. Katrina me atacou. — Devon se afastou e ajeitou a blusa.

— O quê? Mãe! É mentira! — reclamei e abri a porta do carro. Ela estava rindo. — Entre no carro, Sra. Summer. Temos um longo dia pela frente.

Com a minha mãe no carro, ele se comportou como um motorista educado. Apesar do trânsito, nós chegamos dez minutos antes do horário. B1 e B2 estavam na sala, tomando café e atualizando as redes sociais da Winterfield com mais fotos que saíram depois que atualizei no dia anterior. Apresentei minha mãe, eles foram todos educados, falando que ela parecia minha irmã, que era linda.

Melanie Summer amava receber elogios e ficou toda lisonjeada.

— Vocês estão dando em cima da minha sogra? — Devon entrou na sala com umas pastas.

— Não, senhor — Bruno foi o primeiro a responder. — Apenas disse que era linda e parecia irmã e não mãe da Kat. Com todo respeito.

— E quem te autorizou a chamar a minha mulher por apelido?

— Eu deixei, pare com isso — falei do meu lugar. — Alguma coisa?

— Marcus já chegou, ele tem algumas informações e quer preparar vocês duas.

Nervosa, o segui, secando as mãos suadas na calça jeans. Entramos na sala do Devon e fomos apresentadas ao bonito advogado que nos aguardava.

Matt era de meia idade, com cabelos grisalhos atraentes e foi excepcionalmente simpático com a minha mãe, que estava deslumbrante com um simples vestido preto, sandálias plataformas de salto médio e os cabelos soltos, bem escovados.

Minha mãe me teve com dezesseis anos, ela iria completar quarenta e três no final do ano.

— Podemos começar? — Devon puxou uma cadeira para minha mãe e em seguida, para mim, mas ao seu lado, tão próximo que nossas coxas ficaram coladas. — O que tem para nós?

— O seguro concluiu a investigação, assim como os bombeiros. Eles definiram que foi um incêndio criminoso... — Matt começou a falar e segurei a mão da minha mãe. — A polícia foi acionada.

— O seguro vai nos processar devido ao débito? — Mamãe se adiantou.

— Não há mais débito. — Matt soou confuso.

— Como assim? Nós não pagamos nada... e nem temos como fazer isso imediatamente — comentei e mordi o lábio, com a ansiedade fazendo o meu estômago doer.

— Eu paguei — Devon falou e senti que o chão podia me engolir.

— Por que você fez isso? — falei baixo, temendo que a minha crise me fizesse surtar. — Não te pedi para pagar nada! Devon, isso é demais!

— Não surte antes de me ouvir. — Ele segurou a minha mão e quase puxei. — Eu sei como seguros funcionam, eles costumam procurar qualquer motivo para incriminar e se isentar de agir como devem. Por causa de algumas parcelas, eles anulariam tudo que vocês pagaram ao longo da vida. Era um valor alto para vocês, mas não para mim, eu fiz porque precisavam de ajuda.

— Por que não me falou nada?

— Achei que você iria me matar. — Me deu um sorriso torto.

— Tem toda razão! Vou te matar! Eu nunca aceitei dinheiro seu ou da sua irmã, passei a minha vida inteira sendo acusada de estar perto dela por dinheiro e eu não queria... que o desafio e o casamento nos levasse a isso. Ao dinheiro. É uma questão muito delicada para mim. — Olhei em seus olhos. Não queria brigar, mas aquilo era muito além do que permitia qualquer pessoa fazer. Uma coisa era me pagar um jantar, outra era pagar a dívida da minha família.

— Nunca pensei isso de você ou da sua mãe. Vocês acolheram Vanessa e deram a ela a amizade e amor de mãe que eu não podia dar. Eu fiz pela amizade incondicional até nos piores momentos da minha família, por favor, não foi pelo desafio. Aceitem a minha ajuda.

— Nós conversaremos sobre isso em família — mamãe nos interrompeu e virou para o advogado. — O que aconteceu exatamente? Ainda não entendi porque a polícia será envolvida.

— Foram encontradas pegadas masculinas no quintal dos fundos, marcas de pés no muro e acharam o começo do incêndio. Foi na cozinha. Molharam o tapete com gasolina, a chama rapidamente subiu pelas cortinas da janela, se espalhando por todo material inflamável disponível — Marcus explicou e o meu estômago torceu. Apertei os dedos de Devon tão forte que ele me olhou. — Foi intencional.

— Meu Deus! Quem poderia fazer algo assim? — Mamãe levou as mãos à boca.

— Nenhuma ideia? A polícia vai fazer muitas perguntas e envolver a perícia. Eles eram incrivelmente insistentes. Se têm algo a dizer, precisamos nos preparar antecipadamente. — Matt apoiou as mãos na mesa.

— Katrina? — Mamãe virou e ao me ver pálida, arregalando os olhos. — Você tem algo a dizer?

— Eu estava investigando uma empresa de saneamento básico da cidade e um dia antes do incêndio, um advogado me abordou aqui e fez umas ameaças bem claras, para que eu me afastasse — falei sem olhar para os lados. Matt imediatamente começou a fazer perguntas e anotar, quando disse que tinha a filmagem do momento, ele quis ver e me fez repetir as mesmas palavras, que estavam anotadas na minha agenda.

— É o quê? — Devon explodiu. — Por que não me falou? — Ele estava lívido.

— Você também não me contou tudo. — Dei de ombros, disfarçando o quão temerosa estava. Minhas mãos estavam tremendo.

— Quer comparar pagar uma dívida com uma ameaça de morte? — Devon virou na cadeira, me encarando com incredulidade. — Isso é muito sério, Katrina!

— Eu parei de investigar, não mexi em mais nada e não procurei mais ninguém! Eu juro!

— Isso não quer dizer nada! — ele rebateu. — Como ele poderia saber? Ele ameaçou e cumpriu, nós deveríamos ter ido à delegacia imediatamente e ter feito uma denúncia! Deveria ter reforçado a segurança! Quanta coisa poderia ter acontecido...

— Não! A polícia vai até eles, e se fizerem algo mais? Tem que deixar isso de lado, fingir que nada aconteceu, assim eles vão me esquecer! E se uma investigação causar ainda mais dano? Estou com medo!

— Ficou com medo escondendo isso de mim? E da sua mãe? Tenho certeza que Vanessa sabe disso, porque agora faz todo sentido ela estar toda preocupada com a sua segurança na rua! E eu pensando que era por causa do seu ex-namorado... — Devon puxou os cabelos. — Caramba, Katrina! Quanta irresponsabilidade!

— É o quê!? — gritei.

— Chega! Vocês dois! Parem! — mamãe interferiu. — Vocês dois estão me enlouquecendo!

Furiosa, fiquei calada, de braços cruzados e sendo infantil, me afastei dele. Quando a polícia chegou com a equipe investigativa dos bombeiros e um representante do seguro, falei apenas nos momentos necessários. Dei o meu depoimento meio contrariado, eu estava apavorada que uma empresa tão poderosa quanto a Pro Valley nos arrastasse para uma espiral de acusações e retaliações.

— Nós encontramos uma digital parcial na janela da casa. — A policial abriu uma pasta. — Soubemos que você teve um relacionamento com esse homem. Nicholas Rojas.

— Sim, por alguns meses e nos conhecemos há muitos anos.

— Ele pode ter ido à sua casa?

— Não sei. Eu terminei com ele há algumas semanas... nós tivemos um desentendimento por conta de violência tanto nas palavras quanto fisicamente. Ele é um dos suspeitos?

— Acredita que ele poderia incendiar a sua casa como retaliação pelo fim do relacionamento?

— Ele é complicado. — Suspirei, cansada e olhei para Devon.

— Assim que obtiverem mais informações, estamos à disposição. Acho que podemos encerrar aqui. — Devon finalizou a reunião, cartões de contato foram distribuídos e todos, exceto minha mãe, saíram.

Ela virou a cadeira e me deu um olhar conflituoso, me puxando para um abraço. Seu toque sempre me acalmava, seus braços eram o meu porto seguro.

— Me promete que não vai fazer nenhuma besteira? — falou baixinho. — Nossa casa foi incendiada, filha. Foi por ódio. As duas opções são ruins e eu só tenho você na minha vida.

— Eu não vou fazer mais nada, mãe. Não posso colocar nenhuma pessoa que eu amo em risco apenas por uma ambição profissional. Vocês são mais importantes que tudo — garanti e ela apenas segurou meu rosto, dando um beijo na minha testa.

Devon avisou que um motorista de confiança iria levar a minha mãe para casa, mas ela já estava mexendo em seu telefone e sem me falar com quem estava trocando mensagens. Me despedi dela no elevador com um abraço e um beijo, assim que as portas se fecharam, o outro elevador parou e abriu as portas. Everly saiu de dentro dele como se fosse dona do lugar, tirou os óculos e os guardou em sua bolsa Prada lindíssima.

— Não cheguei antes do horário, certo? — ela falou com um sorrisinho irritante.

— Está no horário certo. — Devon retrucou e me olhou. — Falamos depois, ok?

Dei as costas sem responder. Ele pagou as minhas dívidas, não sabia explicar a raiz da minha chateação, mas eu estava com vergonha e me sentindo incrivelmente frustrada. Voltei para minha mesa de trabalho, B1 e B2 colocaram um monte de coisa em cima dela, matérias que foram publicadas, notas que precisavam de uma resposta e a assessoria de imprensa lotando o e-mail.

Abri o meu outro e-mail de trabalho, havia uma única mensagem do jornal e era uma dispensa dos meus serviços como freelancer. Eles depositaram todas as horas excedentes que me deviam e agradeceram o meu tempo de trabalho, afirmando ter encontrado uma pessoa para posição fixa e que o meu relacionamento publicamente confirmado com um Winterfield era um conflito de interesses com o setor de entretenimento que eu trabalhava.

Tudo que senti foi decepção.

Deitei a minha cabeça na madeira fria da mesa e fiquei alguns minutos reunindo os meus pensamentos, jogando os sentimentos para o fundo da minha mente. Se parasse para pensar no quanto aquele e-mail abalou as minhas estruturas, teria uma crise de choro no meio do meu expediente de trabalho.

Casada ou não, precisava de um emprego. Com um nó na garganta, trabalhei o dia inteiro, não saí para almoçar, belisquei um cookie com café no meu lugar, me despedi dos meus colegas de trabalho e o dia anoiteceu, a sala ficou escura e segui digitando.

— Você quer ganhar hora extra? — Devon parou na soleira da porta e cruzou os braços.

— Pelo visto, sim. Vou precisar para pagar a dívida que tenho com você — rebati e ele suspirou.

— Você não tem uma dívida comigo! — Se aproximou. — Você é a única mulher que não aceita uma ajuda quando precisa. E se for como um presente de casamento?

— De cem mil dólares?

— Qual o problema? Sua aliança mais do que isso. — Apontou e congelei. Estava andando com aquela coisa sem nenhum cuidado.

— O que você quer dizer? — Olhei para o anel. — Você nunca me explicou porque tinha uma aliança no cofre. Pretendia pedir alguém em casamento?

— Um dia, em um futuro hipotético, sim. — Sorriu torto e sentou na pontinha da mesa. — Essa aliança de casamento pertenceu a minha avó. Shannon herdou, vendeu e eu comprei de quem ela vendeu. Guardei no meu cofre porque essa aliança está na família há três gerações e eu não queria que fosse perdida.

— Nossa, Devon! É melhor guardar!

— Não. Ela seria da minha esposa e é o que você é. Só tomar conta direitinho, garantir que nunca saia do seu dedo e estou falando... — Se inclinou e parou centímetros dos meus lábios. — Nunca mesmo.

— Se você ganhar. — Dei um bitoquinha rápida e me afastei antes que me pegasse em um bom beijo. — Estou cansada. Me leva para casa?

— Quer uma massagem e uma boa comida?

— Você está querendo me amolecer?

Desliguei o computador, peguei a minha bolsa e quando ele segurou a minha mão, não soltei. Apenas entrelacei os nossos dedos. Ao chegar em casa, precisava de um momento sozinha. Devon disse que iria verificar o que tinha para o jantar e apenas assenti, tirei os sapatos, entrei no quarto dele e fui tirando a roupa.

Ainda não estava com cabeça para falar com ninguém. Entrei no chuveiro e chorei a maior parte do tempo, deixando que a água lavasse as minhas lágrimas. Qualquer coisa diria que ao remover a maquiagem causou a irritação nos olhos. Não gostava que me vissem em meus momentos de fraqueza.

Vesti uma cueca de Devon, peguei uma camiseta dele, fiquei de cabelos molhados e rosto limpo. Desci a escada e ouvi os ganidos dos meus filhotes. Eles estavam latindo um para o outro, disputando uma bola que Devon jogou, divertido. Ele estava bebendo uísque, na sala escura e me aproximei.

— Rosa foi para a casa de uma amiga. Minha irmã está lá em cima com a sua mãe, daqui a pouco vão descer.

— Eu vou lá...

— Não, vem aqui. — Me puxou para o seu colo. — O que aconteceu mais cedo foi estranho. Espero que não esconda coisas tão sérias assim de mim. Assumo que não entendo totalmente porque ficou tão chateada comigo sobre quitar suas dívidas, mas eu vou tentar entender e não fazer de novo sem falar nada.

— Não sei como na sua mente você não vê o tamanho do absurdo.

— Tudo que estamos vivendo é uma mentira? É falso? — Segurou o meu queixo e virou delicadamente. — Estamos dormindo juntos.

— Isso é sexo. — Minimizei. Não era só sexo. Sabíamos disso.

— Sexo muito gostoso, mas pelo que entendi, somos casados. Pessoas casadas se ajudam, em algum momento, espero que me ajude. — Me deu um beijo suave nos lábios. — Por que chorou no chuveiro?

— Os motivos são muitos: bebi demais, casei com o irmão da minha melhor amiga, meu ex-namorado se mostrou ser um psicopata, encontrei a minha chance de ser jornalista, mas fui ameaçada, tive a minha casa incendiada e ainda por cima, estou com medo, tanto faz se foi o Nick quanto a Pro Valley. — Meus olhos encheram-se de lágrimas novamente. — Ainda fui demitida do jornal por causa do nosso casamento. Ou seja, sem matéria, sem extra, sem a minha oportunidade de um dia ser uma jornalista. Sinceramente, não sei porque está tudo dando errado.

— Está enxergando apenas o lado negativo, tenho certeza que há coisas positivas na sua vida. Nosso casamento é um desses pontos. — Beijou a minha bochecha e sorri. — Você chegou a descobrir algo realmente interessante sobre a Pro Valley?

— Não que eu tenha entendido. Acho que eles me viram lendo os registros, fazendo perguntas por aí, já levantaram as suas defesas. Em todo caso, tem algo realmente ruim e que daria uma boa denúncia, independente de uma matéria. A questão é que agora... por que eu faria isso? Colocar todos vocês em risco?

Devon acariciou meu queixo.

— A Katrina que eu conheço não é de desistir fácil. Não estou te incentivando a fazer uma besteira, mas talvez você precise encontrar um meio de continuar clandestinamente. Se precisar da minha ajuda... — Beijou a minha bochecha.

Vanessa desceu a escada lateral fazendo uma barulheira. Ela deu pulinhos no lugar, com um sorriso enorme e me pegou pelas mãos, puxando de forma brusca. Quase caí no chão, tropeçando para acompanhar e Devon nos seguiu, rindo.

O sorriso dela chegava a ser assustador. Estava suada, com a franja bagunçada e a roupa desalinhada. Subi atrás dela e antes de entrar no quarto de Devon, parou e cobriu os meus olhos. Empurrada para dentro, ouvi sons de portas correndo.

— Abra os olhos! — Vanessa orientou e eu estava no meio do closet. — Então, você sabia que tem outro closet aqui dentro?

— Não.

— É o closet da esposa do antigo dono. Devon deixava fechado e vazio, então... — Ela correu até a porta e abriu. Minha mãe estava lá dentro e estourou uma serpentina em mim, rindo. — Seu novo armário! Não tem muita coisa porque eu sabia que você me mataria, mas tem o suficiente para retomar a vida, ir trabalhar e aos poucos você vai preenchendo conforme os seus gostos.

— Vocês duas não podem ficar juntas! Mãe, como você deixou que isso acontecesse?

— Devon queria te fazer uma surpresa. Achei fofo. — Ela deu de ombros.

Era um closet bonito, com o tom de madeira mais claro que o dele, com mais espaço, provavelmente era o armário do quarto ao lado que foi desfeito e ficou como uma espécie de sala bem ampla.

A porta era discreta e para entrar nele, precisava passar pelo de Devon. As roupas eram lindas, dentro do meu estilo, alguns sapatos de salto, tênis, vestidinhos e camisetas coloridas. Vanessa decorou com girassóis, colocou um painel de fotos minhas ao fundo e espalhou a minha maquiagem na penteadeira com as gavetas de acrílico.

— Obrigada! — Abracei Vanessa bem apertado.

— Vou servir o jantar, essa coisa de arrumar esse armário me deixou faminta — mamãe comentou. — Ainda tenho que deixar o meu uniforme pronto para amanhã. Vou voltar em um plantão de vinte quatro, se comportem na minha ausência.

— Vou com você, Mel. Devon está sinalizando para sair — Vanessa comentou rindo e virei para ele, que fez uma careta para a irmã. Ela saiu correndo.

— Queria ficar sozinho comigo? — Passei minhas mãos em seu peitoral e cruzei meus dedos em sua nuca. — Obrigada por providenciar uma surpresa, mesmo quando passei o dia inteiro te ignorando.

— Eu também fiquei com raiva. Pedi que fizessem antes de brigarmos no trabalho. — Sorriu e me deu um beijo. Eu entendia a necessidade. Era recíproca. Queria beijá-lo o tempo todo. — Você gostou?

— Hoje, você venceu em tudo.

Ele me deu um sorriso vitorioso.

— Amanhã serei menos fofo e vou te deixar ganhar — garantiu e ri.

— Obrigada pela consideração, meu adorável oponente.

— Marido — me corrigiu e ri.

— Oponente — brinquei e fiquei na ponta dos pés para beijá-lo melhor.

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