Amor em Jogo: Cidade do Pecado, livro 1
21 | Devon
O sol estava nascendo na copa das árvores da casa vizinha que ficava nos fundos. Stuart estava jogado na espreguiçadeira ao meu lado, com gelo no rosto, um saco de ervilha nas costelas e outro saco de gelo no tornozelo. Já eu, com um saco de brócolis congelado nas costelas, o lábio com uma pomada e um saco de carne no olho.
Stuart teve um surto, eu odiava quando ele mergulhava tão fundo em sua escuridão que fazia uma merda gigantesca. Destino ou coisa enviada do inferno, enquanto treinava na academia, Jim Diablo o desafiou a uma luta mortal em um dos clubes clandestinos.
Meu amigo nunca fugia de um desafio, mesmo quando saiu desse mundo para a luta profissional e se tornou um ícone. Seu assistente me ligou assustado, pedindo por ajuda e eu levantei com o coração explodindo no peito.
Sabia que Stuart venceria, mas eu não queria que ele acordasse decepcionado consigo mesmo por ter matado um homem, sendo o infeliz do Jim ou qualquer outro. A única maneira de tirá-lo da luta foi o desafiando em uma antes que Jim entrasse.
Pulei no ringue e me joguei com ele. Nós rolamos no chão e nos socamos sob gritos e vaias. Eu o imobilizei e os homens de sua equipe pularam junto, ajudando a segurar. O levamos para fora de lá o mais rápido possível, paguei dois milhões ao organizador para que o desafio fosse cancelado. Jim não deixaria isso de lado e eu não me importava com ele.
Vanessa saiu de casa com a caixa de primeiros socorros para passar uma pomada nos nossos hematomas. Não tive coragem de acordar Katrina quando Vanessa disse que ela passou mal de cólica e não tinha conseguido dormir muito. Ela deixou a caixa e voltou para dentro. Estava chateada.
Quando chegamos, encontrei-a chorando. Disse que havia acabado de colocar Kat na cama, as duas ficaram acordadas e preocupadas.
— Vai me contar o que aconteceu? Eu tenho que subir e aguentar Katrina furiosa, então, seria legal que me fizesse sentir que ela pode me matar por um bom motivo. — Mudei o saco de gelo para o outro olho, não estava tão ferido, apenas dolorido.
— Ele apareceu.
— Falou ou fez algo? — Me movi devagar. Estava dolorido, fazia tempo que não lutava tão brutalmente quanto naquela noite. — O que houve?
— Quer mais dinheiro. Segundo a novidade, sua nova mulher está grávida.
— Sério? Ele tem o quê? Setenta anos?
— Sim. Continua agindo como um moleque irresponsável. — Abriu um sorriso que mostrou toda a sua dor. Não era uma dor física. — Como é ter alguém? Como é estar casado?
Voltei a recostar e olhei para o céu.
— É bom. Complicado em alguns momentos, mulheres podem ser loucas de verdade, mas é bom em sua maior parte. Pensei que fosse como uma prisão. — Tirei o saco de brócolis do lugar. — Katrina é teimosa, me assusta até o último fio de cabelo com as maluquices. Às vezes ela não cala a boca e pensei que eu era o homem que fazia muitas coisas ao mesmo tempo, porém, é ela quem tem a mania de abraçar o mundo ao mesmo tempo. Ter alguém me esperando para jantar, para partilhar o vinho e a cama é bom. Não me sinto mais tão sozinho na vida… me sinto amado.
Sendo filho de quem era, sentir amor era luxo.
— Eu quero isso. Estou cansado de me sentir sozinho. — Refletiu.
— Você só precisa encontrar a garota certa. — Saí do meu lugar e peguei seu braço, erguendo-o. — Vem, vamos para a cama.
— Ela é a sua garota certa? — Stuart virou o rosto e olhou em meus olhos.
— Espero que sim, porque eu não quero outra garota além dela. — Sorri e o arrastei para dentro de casa.
Subir a escada com o corpo pesado do meu amigo foi difícil, joguei ele na cama de um dos quartos de hóspedes. Ele ficaria tombado devido à quantidade de analgésico que tomou no caminho para minha casa.
Tirei a minha camisa a caminho do quarto, fui arrancando toda roupa e ao entrar, parei, olhando Katrina toda espalhada. Uma bolsa de água térmica estava no canto, ela deve ter adormecido com aquilo para amenizar. Vanessa não era muito de sentir cólicas fortes, mas Katrina sim.
Quando mais novo, já saí de madrugada para comprar remédio. Ficou marcado na memória porque não sabia que uma garota podia desmaiar de cólica menstrual, foi assustador para mim.
Tomei banho, lavando o sangue e suor, tomei dois analgésicos e vesti uma cueca sem me secar direito. Deitei na cama, soltei um gemido de dor até encontrar uma posição confortável e fechei os meus olhos. A sensação era que estava sendo sugado. O remédio fez efeito e adormeci por algumas horas.
Acordei sozinho na cama, o lado de Katrina. Estava bem frio e ela não estava em nenhum lugar no quarto. Saí à sua procura e, descendo as escadas, vi minha sogra costurando a sobrancelha de Stuart.
Katrina estava jogada no sofá, me deu um olharzinho e logo virou o rosto. Vanessa saiu da cozinha com uma bandeja cheia de canecas fumegantes, os filhotes estavam dormindo em um dos sofás, emboladinhos e estava chovendo novamente.
— Como você está? — Stuart perguntou.
— Quero te matar — resmunguei e me deitei em cima de Katrina. — Kat, gatinha — choraminguei e ela bufou. — Não fique chateada comigo. Preciso de carinho...
— Você voltou todo arrebentado — falou baixinho. — E se algo pior que algumas costelas doloridas e hematomas tivesse acontecido?
— Não aconteceu nada demais, estou bem, só dolorido. Amanhã vou estar melhor. — Beijei sua bochecha. Relutante, me deu um olhar e vi que estava preocupada. Nos sentamos e peguei o chá. — Como está a sua cólica?
— Só fico mal nas primeiras horas, depois passa. Estou melhor agora. — Me deu um sorriso e assoprou seu chá.
Dei a ela um beijo suave nos lábios, em seguida outro, e mais um até que ela relaxou me beijando de volta, recostando em mim. Peguei um chá, não era algo que eu gostava muito, mas precisava beber alguma coisa.
— Todo mundo matou o trabalho hoje?
— Estou de home office. — Katrina me deu um sorriso sacana. — Meu computador, celular, planner e estojo estão bem ali. — Apontou para a mesa da sala de jantar.
— Eu me dei folga. Sou sua sócia. — Vanessa sorriu.
— Mate-me vocês duas — gemi ao sentir minhas costelas fisgarem.
— Eu acho que deveria fazer um raio-x. — Melanie terminou com a sutura e tirou as luvas. — Vocês dois. É importante saber se não teve um ferimento interno. Uma hemorragia pequena pode te levar à morte em algumas horas.
— O QUÊ? — Katrina e Vanessa gritaram ao mesmo tempo. — Nós vamos para o hospital agora! — Katrina ficou de pé e tentou me tirar do lugar.
— Eu não vou para lugar nenhum. Da outra vez que aconteceu, fiquei bem no dia seguinte. — Puxei-a de volta para o meu colo.
Katrina estava puta da vida, se controlando por causa de Stuart, porque ela não entendia ao todo o que tinha acontecido e talvez Vanessa possa ter contado como chegamos. Ela foi trabalhar na sala de jantar, minha sogra nos deu medicações e um monte de sermão.
Vanessa ajudou Stuart a deitar no outro sofá e perguntou se eu queria algo, avisou que ia preparar algo para comermos. Fiquei olhando a chuva batendo na parede de vidro da sala, sentindo a dor passar e até cochilei.
Stuart estava dormindo, me perguntei que diabos Melanie nos deu porque estava me sentindo zonzo. Me levantei com calma, olhei para a sala de jantar e estava vazia. Vanessa e Melanie estavam na cozinha e não sabiam onde Katrina estava.
Curioso, dei uma olhada em seu computador, o site da Winterfield estava aberto, assim como um monte de abas com e-mails e o seu blog anônimo. Sua agenda estava aberta e eu vi a sua última anotação: “Qual a relação da Pro Valley com o aumento dos pacientes com câncer na região?” , pintado de vermelho. Foda-se. Eu sabia que ela não ia desistir por muito tempo.
— Perdeu alguma coisa aí? — Ela desceu a escada. — Fui tomar um banho e trocar o absorvente.
— Droga. Muito sangue?
— Por que? — Sua expressão ficou confusa.
— Para saber o quanto vou sujar minha espada. — Comecei a rir antes de terminar de falar.
— Eca, Devon. — Me empurrou e foi para o seu lugar. — Deixa de ser idiota! — resmungou e fechou a agenda. — Precisa de alguma coisa, chefe? Sabe, quando me casei com você, não assinei o memorando que tinha que atender a sua assistente enquanto você estava desmaiado no sofá. Alicia sabe ser insistente. — Fez uma careta e ri. Minha assistente era um pesadelo. — Além do mais, foi tão divertido tomar decisões por você. Essa parte de ser a sra. Winterfield é bem legal.
Foda-me. Katrina usava dardos para tomar decisões difíceis. Ela ia afundar minha empresa se saísse de férias e a deixasse no comando.
— Não sei onde está o meu telefone.
— Carregando bem ali. — Apontou para uma mesinha perto da entrada. — Eu usei só para falar com Alicia e resolver os e-mails da assessoria de imprensa, não olhei mais nada — garantiu.
— Não tenho nada a esconder. — Peguei o meu telefone e fiz uma careta ao perceber que havia milhares de e-mails e solicitações.
Katrina resolveu o que sabia, pelo menos era mais atenta que a minha sócia. Minha irmã não se inteirava de nada, mesmo que pedisse. A intenção era dividir a carga entre nós dois, mas Vanessa era desligada. Ela queria casar e ter filhos, criar uma família como nós não tivemos.
Alicia foi até onde tinha permissão. Havia ligações perdidas da Everly e um e-mail querendo saber se estava tudo bem, porque eu não fui trabalhar. Katrina não abriu, mas provavelmente viu.
Fiquei no escritório trabalhando o dia inteiro, quando o efeito do remédio passou, a vontade de matar Stuart voltou. Me sentindo desconjuntado, encerrei o expediente às oito da noite, exausto.
Dava para ouvir as três falando no quarto da Melanie, lembrei que a minha sogra tinha um encontro e eu estava me sentindo um fofoqueiro só por estar muito curioso. Tomei banho, vesti uma calça jeans e camiseta, descendo descalço e a campainha tocou.
Katrina apareceu no corredor de cima e se pendurou no parapeito, para olhar o portão pela parede de vidro. Empolgada, gritou para atender e voltou correndo para o quarto. Rindo, fui até o portão e abri o de visitantes. Um homem de boa aparência, provavelmente com os seus cinquenta anos, estava segurando um buquê de flores e bem arrumado. Ele me deu um olhar confuso e olhou para o endereço.
— Olá? Eu procuro Melanie Summer.
— Olá. Sou Devon Winterfield, o genro — expliquei. — Você é?
— Michael Jones.
— Ela está terminando de se arrumar. Vamos entrar. — Abri um pouco mais o portão e ele passou.
— Você tem uma bela casa, Devon. Não sabia que a filha da Melanie era casada.
— Obrigado. — Agradeci pela casa e ri. — Não é muito atento às fofocas.
— Não mesmo. — Sorriu, e ofereci uma bebida, mas ele não quis nada.
Vanessa e Katrina estavam rindo de cochichinhos no corredor, ele estava ouvindo, mas não podia vê-las. Era difícil segurar a risada. Alguns segundos depois, ouvi os passos de Melanie no corredor e soltei um assobio. Minha sogra estava linda em um vestido roxo, justo ao corpo, os cabelos escovados, jogados de lado e maquiada do jeito que as meninas costumavam fazer quando queriam sair.
Melanie era um mulherão e era melhor que aquele médico soubesse o que tinha em mãos.
— Você está linda, sogra. — Me adiantei e ofereci a minha mão para descer os últimos degraus da escada. O seu encontro parecia congelado no lugar. Ele estava em choque.
— Obrigada, Devon.
— Caramba, Melanie. — Michael se adiantou. — Estou sem palavras. Você está tão linda! — Sua voz gaguejou um pouco. Katrina estava debruçada, sem se esconder mais. — Trouxe essas flores para você.
— Isso é tão gentil, Michael. Obrigada.
— Eu coloco em um vaso, mamãe. — Katrina desceu as escadas rapidamente.
Após uma rápida apresentação, o casal saiu para o encontro e olhei para Katrina pulando no lugar, segurando as flores. Correu para a cozinha, dividindo as flores em vasos e deixou no quarto da mãe.
Vanessa desceu de banho tomado, arrumada e disse que se ofereceu para ir à igreja com Rosa, em um evento de família. Entrei na cozinha e Rosa estava emburrada, ela deu as costas quando me aproximei abraçando-a à força. Ela ficava muito puta com essa história de luta clandestina.
No passado, entrei em algumas confusões com Stuart e ela ficava desesperada.
— Você é um homem casado, precisa pensar na sua esposa antes de fazer uma besteira. Sendo por um amigo ou não. — Segurou o meu rosto. — Se cuida, nada de aprontar hoje. Katrina disse que não precisava preparar o jantar, que vocês dois podiam se virar.
— Nós iremos. Cuidado vocês duas, não voltem muito tarde.
Vanessa sorriu, estava linda com um comportado vestido rosa, de jaqueta jeans e botas. Ela me deu um beijo estalado na bochecha e foi para a garagem com Rosa. Assim que saí da cozinha, eu vi Polo batizando a beira de uma cadeira com xixi e Marco roendo o pé do sofá.
— Katrina! Seus filhos estão fazendo merda pela casa! — gritei e fui limpar a bagunça. — Seu tapete higiênico é caro, pestinha. Tem grama de sobra no quintal, não vai ficar mijando na minha casa não!
— Tem que passar aquele spray nos móveis. Nós compramos quatro vidros e ainda não passamos em lugar nenhum. — Katrina parou e pegou Polo, para limpar as patas sujas de xixi. — Peça desculpas ao papai ou ele vai colocar vocês na garagem. — Ela virou com o cachorrinho no colo. Estava ficando tão grande que ela não conseguia segurar direito. — Desculpa, papai! — Acenou com a patinha.
— Tá desculpado. — Acenei de volta, terminando de limpar o xixi.
Lavei as minhas mãos e decidi pedir comida, não estava chovendo mais.
— O que quer comer?
— Seu fígado picadinho. — Ela ergueu o telefone e ri. Postei uma foto dela, descabelada, com cara de sono e comendo cereal para dizer que mesmo brava e bagunçada, era linda. — É uma pena que foto não transmite cheiro ou esse bando de mulher que manda foto pelada para você, ia sair correndo ao sentir o perfume depois que vai ao banheiro.
— Como se você cagasse cheiroso — rebati, rindo. Me joguei no sofá, olhando os comentários da foto. No meu feed, havia milhares de fotos nossas. Normalmente, pessoas escondiam os seus relacionamentos e eu não enxergava motivos para esconder. Nós estávamos juntos e para ser honesto, esperava que continuássemos juntos.
— Certamente não é podre ao ponto que precise abrir todas as janelas! — Me deu a língua.
— Então, o que quer comer? — Voltei ao ponto principal da noite.
— Comida japonesa. — Determinou. — Vou pegar o vinho. — Virou de costas, chamei e ela virou. — Não faça piadas sobre sexo com menstruação, eu vou te bater.
Fiz um beicinho.
— Se eu estiver a fim e confortável, deixo a sua espada sujar de sangue, até lá, cale-se.
— Sim, senhora. — Bati continência. Mulher brava.
Fiz o pedido e o telefone dela estava tocando ao meu lado, era um número não registrado. Peguei e atendi. Falei alô duas vezes e só tinha uma respiração do outro lado.
Mudei para o seu histórico e vi que ela atendeu aquele número duas vezes, mas tinha outros desconhecidos que estavam desbloqueados. Ao voltar com uma taça de vinho e uma cerveja aberta para mim, me flagrou com seu telefone na mão.
— Que ligações são essas?
— Eu não sei, estou recebendo desde cedo. Eu acho que é o Nick. — Sentou e colocou as pernas no meu colo. — Bloqueei o número, porém, acho que ele está pegando outros números.
— Ele é um dos suspeitos de incendiar sua casa e teve aquela atitude deplorável no dia do incêndio. — Massageei os seus pés. — Não vou tolerar nenhum tipo de perseguição. Vamos à polícia.
— Não, Devon — choramingou. — Estou cansada da polícia. Eles descartaram a Pro Valley por causa de um pedido de desculpas. Nick demonstrou ser violento, porém, o que mais ele pode fazer?
— Nunca duvide da capacidade de um homem de ser babaca. Ele parece ser do tipo que não aceita um fim e eu sou do tipo que não tolera palhaçada, se ele continuar, eu vou resolver do meu jeito.
— Vou trocar de número e ele não vai ter como me encher mais. — Apaziguou. Não estava nem um pouco satisfeito e achava um absurdo ela ter que mudar o número pessoal para que ele a deixasse em paz. O babaca precisaria de uma visitinha. — Devon, não. — Katrina me deu um chute de leve. — Nada de ir atrás dele, nada de fazer ameaças, ele é um homem que não merece atenção e quanto mais palco der às atitudes dele, mais ele vai crescer. A casa vai ficar sem nada, na verdade, sem existir por um tempo. Não precisarei vê-lo mais.
— Certo. Em falar nisso, por que não pesquisamos construtoras, um arquiteto e com isso, começamos um novo projeto? — Voltei a massagear os seus pés, que eram pequenos e bonitinhos.
— Minha mãe não vai aceitar.
— Eu sou meio dono da casa, sabia? — Arqueei a minha sobrancelha.
— É mesmo? — Deu um gole de seu vinho.
— Foi por isso que eu consegui quitar as dívidas. Quando nos casamos, não assinamos nenhum acordo e por isso, você tem direito a tudo que é meu e eu tenho direito a tudo que é seu. Você é dona da casa com a sua mãe. Automaticamente...
— Eu não me meto no seu dinheiro...
— Porque não quer. — Sorri torto.
— Posso te falir em uma ida ao shopping.
— Pode tentar.
— Vamos sentar e conversar com a minha mãe. Eu não quero ser a chata que vai ficar dizendo não, eu sei que ela está louca para reconstruir a nossa casa e não faço ideia de quanto tempo mais o seguro vai levar para cobrir as despesas.
— Pelo menos mais um mês, isso seria um adianto do projeto.
— Resolvemos depois. — Bebeu todo o vinho, apoiou a taça em cima da mesinha e relaxou no sofá, colocando a mão na barriga.
A casa estava silenciosa, os filhotes em suas camas, uma mulher bonita deitada praticamente em cima de mim, boa cerveja e nenhuma expectativa de sexo naquela noite, muito menos nas próximas. Em algum momento no passado, se alguém me dissesse que aquele momento seria o meu favorito de um dia inteiro, soltaria uma risada alta e diria que a pessoa estava louca.
Eu não me importava em estar louco.
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