Amor em Jogo: Cidade do Pecado, livro 1

Mari Cardoso · Capítulo 22 de 39

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Amor em Jogo: Cidade do Pecado, livro 1

20 | Katrina

 

Trabalhar na Winterfield me trazia um mix de sentimentos. Era gratificante, meio estressante, mas tinha um feedback rápido porque tudo na empresa era dinâmico. Diferente do jornal que, muitas vezes, a escrita me fazia parecer fútil e falando sozinha. Ao mesmo tempo que essa descoberta me fazia feliz, me deixava temerosa porque não era bem o que eu queria para a minha vida.

Peguei a minha caneca de café quentinho, fiquei batendo a minha aliança na cerâmica enquanto olhava para o meu e-mail do blog e o meu e-mail de trabalho com o jornal. Vanessa me perguntou duas vezes o que deveria fazer com as denúncias que separou e eu não tive uma resposta.

Não sabia o que fazer.

Pensando bem, mesmo sem atuar como freelancer na revista, podia buscar uma nova matéria. A Pro Valley foi descartada das investigações, recebi uma carta com pedidos de desculpas pela ameaça do advogado associado e flores com a desculpa de que ele foi devidamente punido.

Conversando com a detetive do caso, ela explicou que minha matéria não dava causa provável para uma investigação, mas eu sabia que eles não queriam um embate com uma empresa tão poderosa. Empresas tão grandes quanto a Pro Valley mantinham muitas pessoas na folha de pagamento.

Ouvi uma batida suave na porta e distraída, sinalizei para que entrasse.

— Sra. Katrina Winterfield? — Uma voz masculina desconhecida soou.

Girei a minha cadeira e virei de frente para o lado da mesa que dava para a porta. Vanessa ergueu o rosto do livro que estava lendo — ela nem disfarçava que não estava trabalhando e sorriu. O entregador carregava um imenso buquê de flores.

— Sou eu. — Acenei orgulhosamente.

As flores eram uma entrega especial de Devon. Ele pediu desculpas pela nossa briga pela manhã, comprando um imenso buquê de rosas brancas para sinalizar a paz. Peguei o cartão, sorri e tirei uma foto. Sem avisar nada, saí da sala e caminhei sem pressa para a sala dele.

Há três dias, assumimos que estávamos além do desafio. Ele simplesmente jogou a batata quente de que estava apaixonado por mim e eu, apesar de relutar em assumir, também estava.

Estava morrendo de medo. Era impossível controlar a ansiedade do fim, de não dar certo, da nossa convivência ficar tão insuportável que a ruptura fosse inevitável.

Brigamos naquela manhã porque eu estava me arrumando e falando no telefone com o B1, que chegou mais cedo e precisava de ajuda. Nisso, Devon voltou da academia, falando pelos cotovelos, colocando música, com a adrenalina a mil por hora.

Minha menstruação estava para descer a qualquer momento e eu sabia que o meu humor estava além do perigoso. Simplesmente explodi, ele tomou um susto com o meu “Dá para você calar a porra da boca?” . Imediatamente me arrependi, fiquei sentida e pedi desculpas, sinalizei que estava falando com o B1 e precisava de silêncio.

Talvez ele tenha ficado mordido com minha rispidez e por um funcionário ter ouvido a nossa troca. Sorte que o B1 era extremamente discreto e provavelmente ficou mortificado.

Devon ficou arisco, cada mísera coisa que falava com ele era um fora diferente. Inicialmente, me senti culpada, fui extremamente estúpida em seu momento de felicidade, depois fiquei furiosa. Ele queria que pedisse desculpas quantas vezes? Por um fora, precisava aguentar mais dez?

Bati a porta do quarto ao descer para tomar café e tivemos uma discussão inútil sobre a manteiga na torrada. Vanessa e Rosa fugiram da zona de guerra, antes de sair, respirei fundo e pedi desculpas mais uma vez, dizendo que não daria para passar o dia daquele jeito. Quis resolver com calma e de coração. Nós conversamos, mas o clima ficou bem estranho no carro.

Ao chegarmos no trabalho, cada um foi para um lado e ficou nisso.

Alicia estava digitando em seu computador, me deu um sorriso quando passei, bati na porta e enfiei a cabeça dentro. Devon estava com o telefone na mão, olhando em seu computador, sem sapatos e assobiando. Transar quase todo dia estava deixando o homem com o humor muito bom.

— É aqui que encontro o cara que me mandou rosas? — falei despreocupadamente.

— Aqui você encontra o cara que queria pedir desculpas mais uma vez. Você se desculpou e eu ainda demorei a parar. — Ele sorriu, e entrei na sua sala. — Vem aqui. — Bateu em sua coxa. Sentei-me em seu colo e o abracei. — Fiquei me sentindo culpado.

— Está desculpado, só não fazer de novo. E eu vou tentar não sair atirando antes de falar com educação. Em minha defesa, eu vou menstruar. — Abri um sorrisinho. — Amei as rosas, obrigada! — Dei-lhe um beijo suave.

— Você merece mais que rosas. — Sorriu. Galante. Ele me tinha nas mãos e sabia disso, homem esperto.

— Recebi uma mensagem. A casa vai ser derrubada hoje. — Mudei de assunto. — Quero ir lá me despedir e depois buscar minha mãe no trabalho. Me empresta o carro?

— Tem certeza que quer ir lá?

— Só dar adeus àquela casa e me preparar para construir outra. Eu não sei quando, mas em algum momento irei conseguir.

— Não posso sair agora. Mac vai te seguir.

— Vou ficar bem. Volto para te buscar.

— Me liga se precisar de mim. — Me entregou a chave. — Se comporta e é melhor não arranhar o meu carro ou precisarei amarrá-la na minha cama e fazer algumas perversidades.

— Vou passar com ele na parede de chapisco logo!

Peguei a minha bolsa e me despedi de Vanessa, que em pouco tempo iria para sua consulta médica e depois, para terapia. Só nos veríamos à noite, em casa. Como nós moramos juntos por muito tempo, a nossa convivência não mudou em nada.

Minha mãe estava sofrendo um pouco, sentindo que era um incômodo, mas nós conversamos sobre a possibilidade de alugar um lugar mais de uma vez e no final, decidimos que não. Entendia todas as preocupações dela: meu recente e rápido relacionamento com Devon, nosso ajuste financeiro e a construção da nova casa.

Dirigir o carro de Devon era muito diferente do Bertie. A direção era uma delícia, fácil de correr por aí. O trânsito estava bem tranquilo, isso fez com que chegasse ao meu bairro em apenas trinta minutos.

Logo no começo da rua tinha os cones e barricadas, operários avisando que aconteceria uma demolição e parei o mais próximo possível. Saí do carro e encostei no capô, tentando segurar as lágrimas ao ver minha casa toda queimada, sendo jogada ao chão com um trator. Tirei meus óculos escuros quando o rosto ficou molhado demais, perdendo a batalha para o choro.

Prometi a mim mesma, que mesmo que não voltasse a morar ali, reconstruiria a casa que a minha mãe deu o sangue para manter.

Voltei para o carro assim que vi que o carro do Nick parou do outro lado da barricada. Algum vizinho fofoqueiro deve ter contado que eu estava por ali ou ele tinha um radar impressionante da minha presença sempre que eu entrava no bairro. Provavelmente o pai pode ter me visto e avisado.

Nick estava tentando falar comigo desde a cena vergonhosa quando a minha casa foi queimada e principalmente depois que recebeu visita dos policiais que estavam à frente da investigação.

Com o Audi foi bem fácil manobrar e sair bem rápido. Sequei o meu rosto e dirigi de volta para a cidade, reparei que as nuvens estavam bem densas e o ar diferente, certamente choveria nas próximas horas e era melhor buscar o sr. Reclamão antes que ficássemos presos em um engarrafamento por causa da chuva. Ele falaria tanto que tinha certeza de que optaria por ir à pé.

Parei na saída de funcionários e vi que mais uma vez, minha mãe estava sentada compartilhando um café com o médico bonitão. Estacionei na vaga para visitantes e fiquei esperando até a bonita terminar de conversar. Devon já estava me mandando mensagens irritantes do tipo “ vai chover ”, “ eu não quero pegar chuva ”, “ quero estar em casa antes de chover ” e por fim, ele estava quase precisando de um novo buquê de flores com a mensagem: “ você vai voltar em algum momento? ”.

O sorrisinho sonhador da minha mãe me fez rir. Ah, alguém estava ficando apaixonadinha. Ela acenou para o seu acompanhante e caminhou em direção ao carro.

— Finalmente, mãe! Devon está me enchendo! — falei assim que entrou no carro. — Está toda sorridente... foi o café ou a companhia?

— Cale a boca e comece a dirigir — ordenou, tentando esconder o sorriso. — Eu tenho um encontro amanhã à noite — falou como se não fosse nada. Comecei a gritar, rindo, batendo no volante com alegria. — Pare com isso! Vai começar a chover! — gritou de volta e arranquei com o carro. — Meu Deus! Você está dirigindo como o doido do Devon!

— Estou tão feliz, mãe! Um encontro! Precisamos dar uma repaginada no visual e vai precisar desmatar a área principal que precisa urgente de uma visitinha médica. — Olhei-a e ri de seu rosto vermelho. — Mãe, você vai transar! — gritei e parei, pensando bem no que disse. — Hum, eca! Acho que não quero pensar nisso...

— Cale a boca, garota!

Levei quinze minutos para voltar e Devon já estava no estacionamento esperando. Exasperado, apontou para o relógio e lhe dei a língua. Minha mãe saiu e foi para o banco de trás e eu pulei para o carona. Ele entrou, saindo quase que imediatamente. Desviando dos carros, foi costurando o trânsito. Quando as primeiras gotas começaram a cair, estávamos na rua de casa, dentro do condomínio.

Estacionou na garagem e me deu um olhar convencido.

— Muito bem, piloto de fuga. — Dei um tapinha em seu braço.

— Sou um excelente piloto! Fugi da chuva! — E foi só ele falar que um trovão rasgou o céu.

Minha mãe olhou para nós dois com diversão e entrou, cumprimentando Rosa, os filhotes e avisou que iria sair das roupas de trabalho. Peguei a minha bolsa, dei a Devon e ajoelhei para beijar meus filhos. Eles estavam crescendo muito rápido, ficando brutos e a cada dia mostravam uma faceta da raça cheia de travessuras.

— Você vai sair mesmo na chuva? — Devon estava cercando Rosa. Ele era tão chato.

— Eu não falto à igreja, você sabe disso. Tenho que estar constantemente orando por vocês! — Ela bateu nele, que a impedia de sair. — Me deixa em paz, menino. Quando vai deixar de ser tão implicante?

— Nunca nessa vida. — Ele sorriu e foi até o portão, onde um dos motoristas da Winterfield já estava esperando para levá-la à igreja. Dei uma espiada no jantar, hum, delícia. — Rosa fez risoto?

— Sim. Quer jantar logo?

— Não. Eu comi... — Ele sorriu torto. — Minha esposa disse que sairia rapidamente e voltava, mas ela levou uma vida na rua.

— Não demorei, meu bairro que é longe, mas fui e voltei. Minha mãe demorou, ela tem um encontro e não iria apressá-la. Deixa de ser chato. — Cobri as panelas novamente.

— Vou perguntar a esse homem se ele tem boas intenções com a minha sogra. — Me abraçou por trás e beijou o meu pescoço, mas seu telefone tocou. — Preciso atender. Vou para o escritório.

O trabalho dele parecia nunca ter fim. Ele precisava de um diretor de operações com urgência.

Levei os filhotes para o quarto comigo, eles ficavam mais comportados com supervisão. Fechei a porta do closet porque eles sempre faziam xixi nos sapatos de Devon que ficavam em uma prateleira baixa. Tomei banho dentro da banheira, usando o chuveirinho, porque eles não tinham noção e adoravam água, invadiam a área do chuveiro e molhavam a casa inteira depois.

Minha menstruação desceu, o que era uma benção. Estava quase surtando porque eu não tinha certeza de que a pílula teve efeito. Apaixonada ou não, eu não queria um mini-Devon ainda.

Com uma camiseta enorme que comprei só para ficar em casa e calcinha estilo shortinho, prendi os cabelos e fui até o quarto da minha mãe. Fiquei surpresa ao ver que estava dormindo, ela deveria estar tão cansada que não iria acordar mais.

Desci a escada, mandei uma mensagem para Vanessa, estava desabando o mundo lá fora e fiquei preocupada. Ainda estava na terapia. Ela tinha medo de dirigir na chuva assim como eu, que naquela tempestade, iria parar o carro em um posto de gasolina e ficar até passar.

Me servi com o delicioso vinho tinto suave (meu paladar não aceitava vinho seco) e me refugiei na escuridão da sala, ouvindo música, relaxando a mente, tentando não pensar nos problemas que faziam a minha ansiedade explodir. Eu queria fazer tanta coisa ao mesmo tempo e estava um pouco além do desespero ao se tratar da minha casa e dos meus sonhos.

— Eu não sei, mas estou com medo da sua expressão. — Devon apareceu na sala. — Tomou banho sem mim. — Fez um beicinho.

— Estou menstruada, tem certeza?

— Não tenho medo de sangue. — Piscou com uma expressão brincalhona. — Um homem de verdade não tem medo de sujar a espada de sangue.

— Vai tomar banho! — Apontei para as escadas.

Ele voltou alguns minutos mais tarde e mesmo ainda meio molhado, enfiou o rosto entre os meus peitos, secando o cabelo e deu um beijo barulhento no meu pescoço. Meus mamilos ficaram arrepiados e a blusa meio molhada, marcou bem. Era tudo que ele queria. Segurando cada um, deu um beijinho fofo.

De joelhos na minha frente, abracei-o e passei os meus braços por seus ombros. Nos beijamos do jeito que fizemos apenas pela manhã, na cama, ainda no casulo do edredom. A sala estava escurinha, gostosa de ficar e se não fosse a fome, não me moveria.

— Vou ser bonzinho e colocar a sua comida, depois quero uma recompensa. Algo bem sujo.

— Vou chutar a sua bunda — avisei e ele apenas riu, indo para a cozinha. Comecei a sentir um pouco de cólica, mesmo com duas taças de vinho nas ideias, tomei remédio e ele voltou com a comida.

Comemos, brincamos com os filhotes e compartilhamos a garrafa de vinho. Ouvimos um barulho na porta da cozinha e Vanessa entrou, nos deu um sorriso e foi lavar as mãos, dizendo que venceu o medo e conseguiu dirigir na chuva. Estava morrendo de fome porque a confeitaria que ela gostava de lanchar depois da terapia estava fechada. Serviu um prato e andou na nossa direção.

— Nós nunca usamos a sala de jantar oficial — comentou, sentando-se no outro sofá e colocando os pés na mesinha. — Delicioso.

— Temos que preparar um jantar e comer lá. Essa casa tem um monte de salas de jantar... — Dobrei as minhas pernas e recostei em Devon. — Um jantar pomposo.

— Só tem duas. Aquela lá toda chique e essa aqui, a mesa da cozinha é mesa de cozinha. — Ele passou o braço por minha cintura, esticando as pernas como a irmã. — Acho que não temos essas louças chiques para esse jantar não. Nunca terminamos de comprar as coisas da cozinha...

— Nós nunca terminamos de montar a casa. Agora que a casa tem uma dona, devemos terminar. — Vanessa completou.

— Que dona? — Fiquei confusa.

— Você. Katrina Winterfield. Dona da casa — ela me provocou.

— Vai se ferrar! — Dei a língua.

— Vocês estão aqui, bebendo vinho no escuro, conversando como um casalzinho e estou de vela. Acho que preciso arrumar um namorado — comentou e quase cuspi o meu vinho.

— O que a sua terapeuta te deu hoje? — Devon brincou.

— Nada. Eu dirigi na chuva, por que não arrumar um namorado?

— Vai com calma porque já está desabando o céu lá fora. — Ergui minhas mãos, e ela riu, voltando a comer. Quando terminou, se despediu, disse que estava cansada demais para ficar conversando e ainda levou os meus filhotes com ela.

Devon e eu ficamos no sofá até tarde, não parecia que tínhamos que trabalhar no dia seguinte, mas conversar na calmaria ficou bom demais para encerrar. Era completo. Assunto não faltava, ideias a serem trocadas e apesar de passarmos muito tempo na companhia um do outro no passado, tínhamos histórias para contar (e em alguns casos, relembrar).

Peguei no sono recostada em seu colo e fomos para cama. Ele, como sempre, colocou o ar condicionado no mínimo e eu estava começando a desconfiar que fazia de propósito, só para me ter agarradinha com ele. Não que fosse um problema. Descobri que dormir com outra pessoa não era tão irritante quanto imaginava.

Nunca gostei de dormir com meus namorados. Ronco, movimento, puxada de coberta e um toque inadequado era o suficiente para me irritar e tirar o sono. Devon roncava apenas quando estava muito cansado ou com o nariz congestionado, mas não me incomodava ao todo. Ele sempre dormia antes de mim e acordava também, silencioso, saía e voltava que não percebia.

Existia um lado bom de dividir a vida com uma pessoa, compartilhar os momentos no dia e ter muitos motivos para brigar. O que eu mais tinha medo, estava se transformando na minha melhor versão de vida.

Tudo que rezava era que o meu coração ficasse intacto. Eu não conseguia imaginar que nós viveríamos um conto de fadas felizes para sempre. Toda vez que pensava no futuro, batia a sensação de medo e abandono.

Fiz terapia para lidar com o abandono do meu pai, mas era difícil não ter medo que um dia, Devon acordasse, olhasse para o meu rosto e dissesse que iria embora. Ou simplesmente fosse embora sem se despedir.

No meio da noite, levantei para trocar o meu absorvente e reparei que o telefone dele não parava de vibrar. Voltei do banheiro e peguei. Era alguém da equipe de Stuart ligando. O contato estava como “Assistente Don Hedrer”.

— Devon! — chamei com calma. — Tem alguém da equipe do Stuart te ligando.

Ele sentou na cama e atendeu.

— Oi! O quê? — ele gritou e pulou da cama. — Merda! Estou indo!

Correndo para o closet, foi se vestir.

— O que aconteceu?

— Stuart entrou em uma briga clandestina. O oponente é um homem que é famoso por matar os adversários no fim de cada luta — gritou do closet e sua voz demonstrava o nervosismo. — Esse filho da puta!

— Por que ele fez isso?

— Deve estar no meio de um surto. Tenho que tirar ele de lá.

— VOCÊ? — gritei atrás dele. — Stuart é enorme e um lutador profissional, você luta na academia e tenho certeza que são coisas diferentes. — Andei pelo quarto tentando impedir a sua saída.

— E se fosse Vanessa? — Ele me segurou pelo ombro.

— Vanessa não iria me levar para um maluco que mata os outros! Eu não quero saber, não adianta tentar me enrolar. — Travei a maçaneta da porta.

— Eu já volto, prometo. — Segurou o meu rosto e me deu um beijo. — Não se preocupa, confia em mim. — Devon me empurrou para o lado e saiu.

Fiquei tentada a ir atrás dele, mas não faria algo tão estúpido no qual ele precisasse tomar conta de mim e ainda salvar o amigo. Preocupada, quase acordei Vanessa e a tensão me fez sentir uma cólica monstruosa.

Queria bater em Stuart por se colocar em perigo e bater em Devon por achar que poderia salvar alguém em perigo e dar com a cabeça dos dois na parede por me deixar tão nervosa no meio da madrugada. O que era um surto do Stuart?

Algo me dizia que nós quatro nos dávamos tão bem justamente porque éramos quebrados.

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