Amor em Jogo: Cidade do Pecado, livro 1
10 | Katrina
A vida era uma caixinha de surpresas, o destino sempre dava um jeitinho de mostrar que nem tudo era escrito na pedra e nem todas as verdades eram absolutas.
Desde que comecei a trabalhar, o setor de comunicação de uma grande empresa, apesar de ser dentro da minha formação, não era algo que eu queria. Mas descobri o quão divertido e gratificante poderia ser. Fazia pouco tempo, mal completamos uma semana, mas os frutos eram mais rápidos, considerando que os jornais e revistas não paravam de acompanhar as novidades da Winterfield.
Uma empresa de entretenimento precisava ser mais ativa nas redes sociais, todo mundo sabia que os eventos e os hotéis (assim como cassinos) de Devon eram repletos de atrações, mas era o momento de atrair um público que viria para a cidade especificamente para ver as lutas, não somente para descobrir o quanto a Winterfield poderia marcar suas vidas para sempre.
Vanessa contratou mais duas pessoas para a equipe. Eram dois recém-formados, eu tinha muita dificuldade de memorizar os seus nomes, então, eles se colocaram apelidos. B1 e B2. Seus nomes eram Bruno e Bernie, não eram parentes, foi apenas coincidência que foram os únicos a passar pelo processo seletivo imposto pelo RH da empresa. Os demais currículos ainda seriam analisados.
Eles estavam responsáveis por todas as imagens, chamadas atrativas e contratar empresas de audiovisual para acompanhar os shows de mágica dos hotéis, as aventuras dos crupiês, festival de dançarinas e o que mais Devon inventava dentro de seus clubes.
— Kat? Tem um homem te procurando na recepção — Bruno avisou ao retornar para a nossa sala.
— Obrigada, B1. — Sorri e deixei as amostras de cores para o filtro do Instagram.
Saindo da sala, vi um grupo de funcionárias da administração conversando, elas pararam de falar quando passei, e eu sabia que estavam falando de mim.
Não era nenhuma novidade, não depois daquela manhã, que ficou explícito para todos que Devon e eu estávamos “juntos”. Ele me agarrou no meio do corredor, e por mais que quisesse empurrá-lo, acabei rindo e aceitando o seu beijo, porque o idiota tinha um bom humor matinal quase impossível de controlar. Ele sequer se abalou com a minha crise por estar correndo demais.
Devon me deixava enjoada no tanto que avançava e costurava pelo trânsito sem nenhuma necessidade. Não era inconsequente e nunca demonstrava estar desatento, tinha um reflexo bem rápido, mas não deixava de ser desnecessário pisar fundo no acelerador. Parecia que vivia com a mãe na forca. Se a mãe dele estivesse na forca, ele não correria tanto e isso eu podia apostar, certa que iria vencer.
— Katrina Summer? — O homem de terno preto conferiu quando me aproximei.
— Em que posso te ajudar?
— Sou Magnum Jessen e estou aqui para falar sobre o seu recente interesse no sistema pluvial. — Tirou um cartão do bolso. Ele era advogado da Pro Valley . — Gostaria de convidá-la para ver os nossos documentos e esclarecer quaisquer dúvidas que possa ter sobre a transparência da empresa com os contribuintes. — Inclinei a minha cabeça para o lado, farejando a ameaça que viria a seguir. — Caso contrário, a senhorita deveria redirecionar o seu interesse para qualquer outro lugar. — Me entregou uma foto. Era da minha mãe. — Cuidado com atitudes que possam machucar pessoas queridas. Nós não queremos isso. — Sorriu e deu a volta, saindo.
Filho da puta! Dei a volta e corri para a sala de segurança. Eu precisava guardar as imagens. Não teria áudio, mas poderia provar que ele esteve ali fazendo uma ameaça descarada. Só afirmava que eu estava no caminho certo, havia algo errado com o sistema de abastecimento da Pro Valley e eles estavam desesperados ao ponto de impedir uma aspirante a jornalista.
O segurança que estava na sala de monitoramento me deu o vídeo, meio desconfiado. Voltei para a sala que trabalhava e contei tudo a Vanessa, cochichando. Ela imediatamente ficou pálida, entrando em desespero, mas tudo que podia fazer era guardar as informações para registrar uma queixa ou anexar em uma matéria. Mais do que nunca, precisava saber o que estava acontecendo, por enquanto, iria fingir que me afastaria.
Existiam muitas maneiras de continuar investigando sem realmente dar a minha cara a tapa.
— Você vai parar — Vanessa comandou.
— Claro que não.
— Claro que sim! — Ela pegou a foto. — Eles sabem onde a Mel trabalha, provavelmente têm um arquivo onde reuniram tudo sobre você. Não vai ficar em risco por causa de uma matéria.
— Eles acabaram de me provar que existe algo errado. Mandaram um pseudo advogado, provavelmente um associado júnior, para me ameaçar. Posso não ter entendido o que eles estão fazendo de errado, ou na minha ignorância, não percebi. É grave e eu quero saber o que é. — Bati meu dedo na foto. — Vou contar para minha mãe, vamos tomar cuidado, diminuir a ânsia e fingir que realmente parei.
— Não gosto disso, Kat.
— Eu sei. Vou ficar bem. — Abracei-a.
Não consegui trabalhar direito o restante do dia. Minha mente ficou dispersa. Sem carro, não podia sair por aí buscando informações como o meu coração mandava. Estava vivendo de carona e de táxi, o orçamento do conserto do Bertie custaria o meu salário do mês e ainda não sabia o que iria fazer. Encerrei o expediente quieta, andei ao lado de Vanessa até o estacionamento, ela entrou no lado do motorista e respeitou o meu silêncio.
Minha mãe ligou, avisando que estava começando a se arrumar. Devon iria nos levar para sair, ele queria fazer um charme para conquistá-la e ter uns pontos comigo. Era impressionante o quanto ele me fazia querer tirar a calcinha sem ter tentado nada nesse sentido.
Além das piadas de duplo sentido, me provocar com lembranças da nossa noite quente e me dar beijos que me deixavam maluca de tesão, não avançou, pediu ou jogou piada sobre sexo em momento algum.
Determinado a me fazer morder a língua e apontar o meu dedo julgador para mim mesma, me fez sorrir e quase derreter no lugar ao enviar um imenso buquê de flores mistas para minha mãe e convidá-la para jantar, com um cartão cheio de palavras bonitas. Ela ficou toda boba, sentindo-se lisonjeada, e eu fiquei irritada por achar que era uma boa atitude, ao mesmo tempo tendo que lutar com a minha determinação de não ceder tão fácil.
Queria mesmo conhecê-lo como o homem, o lado que como amiga da irmã dele passou despercebido em todos esses anos, mas isso não significava que abriria mão do meu orgulho.
Vanessa estacionou o carro na minha garagem. Bertie ainda estava na garagem da casa deles, aguardando uma solução e eu não pagaria um reboque, já que eles tinham espaço de sobra.
— Uau, Tia Mel. — Vanessa assobiou logo que entramos e nos deparamos com a minha mãe usando um lindo vestido vermelho, saltos altos e os cabelos arrumados de maneira elegante. — Minha nossa, que mulher é essa!
— Mãe! Você está linda! — Levei minhas mãos à boca. — Perfeita!
— Não é sempre que o meu genro me leva para jantar. — Me deu um olhar, e ri, de nervoso. Só porque ela relaxou seja lá com o que Devon conversou com ela, não queria dizer que ela aceitou a história toda. — Estou feliz em sairmos um pouco e eu queria muito ir a esse restaurante para comemorar o seu aniversário, mas eles não tinham uma reserva disponível. Estava poupando para fazermos algo legal.
— Ah, mãe. Que fofo! — Me joguei nela. — Te amo!
— Devon conhece o dono, ele certamente pode conseguir uma reserva no dia do aniversário da Kat. É um restaurante muito bom.
— Vão se vestir, não gosto de sair atrasada.
Pedi que Vanessa fosse se arrumar primeiro. Ela trouxe uma bolsa de roupas, eu tinha que arrumar uma mala para ficar a sexta-feira e todo final de semana na casa deles, além de uma roupa para o trabalho segunda-feira, no qual o dia estava repleto de compromissos.
Abri uma pequena mala em cima da cama, separando as roupas, sapatos, minhas lentes para câmera, cadernos, o notebook e dei uma volta no quarto para não esquecer nada. Era horrível estar fora de casa e esquecer o que precisava. Se eu morasse perto, até daria para vir e voltar rapidamente. Mas sem carro, ficava ainda mais complicado.
Vanessa e eu nos arrumamos no quarto, lembrando do tempo que fazíamos aquilo para irmos a alguma festa ou apenas passear no shopping. Caprichei no meu visual, deixei os cabelos escovados, bem lisos, sem as ondas suaves do dia a dia, fiz uma maquiagem tão elaborada que fiquei me abanando para não derreter. Vanessa fez um delineado em mim, achava difícil fazer sozinha, era preciso muitas tentativas para não borrar o olho todo.
— Batom vermelho ou rosa escuro? — Vanessa pegou os dois tubos.
— Rosa escuro.
Meu vestido era em tom de creme com um fundo rosa bem clarinho, tomara que caia, justo no busto e com uma saia que imitava pétalas de rosas com um tecido suave até o meio das coxas, um pouco longo atrás. Escolhi o meu par de sapatos mais novos, um scarpin magenta e um conjunto de jóias delicadas que a minha mãe me deu em um aniversário. Estava passando perfume quando ouvi uma batida na porta. Nós três ficamos em silêncio.
— Será o Nick? — Vanessa cochichou.
— Espero que não. — Suspirei e andei de fininho até a janela, puxei a cortina para o lado e sorri. — É o Devon! — avisei e abri a porta. Ele estava casualmente vestido com calça jeans, sapatos sociais e uma blusa social azul escura que combinava com os olhos. Lindo definia bem. — Pensei que fôssemos nos encontrar no restaurante.
— É o nosso primeiro encontro, por que não viria te buscar?
— Entra, estamos quase prontas. — Sinalizei para que entrasse, ele passou por mim e fechei a porta. Ele ia me beijar e parei. — Não. Minha mãe ainda está desconfortável, não quero que ela fique falando nada. Quero que seja uma noite na qual ela possa relaxar.
Devon fez um beicinho.
— Tudo bem. — Ele desceu o olhar e subiu de novo. — Vai ser difícil. Você está linda, sexy, não poder te beijar ou abraçar vai ser quase como a morte. — Colocou a mão no peito.
— Não seja dramático. Posso deixar que segure a minha mão. — Sinalizei, e ele sorriu, mas se afastou quando a minha mãe apareceu na sala.
— Melanie, você está linda! — Ele se inclinou e beijou a mão dela. — Será uma honra sair com tantas mulheres lindas.
— Deixa de ser galante, menino. — Mamãe deu um tapinha no braço dele. — Todas prontas?
— Falta o meu batom! Não consigo decidir qual! — Vanessa gritou do meu quarto. Rindo, fui atrás dela, escolhi um, peguei as minhas bolsas e pedi que Devon levasse para o carro. Ele saiu, e Vanessa rodopiou com um vestido branco, parecia uma princesinha. — Como estou?
— Linda, é claro. Vocês duas estão sempre lindas. — Mamãe sorriu e pegou o telefone. — Pose para foto! — ordenou e nos abraçamos, fazendo a mesma pose boba com uma das pernas levantadas, exatamente como fazíamos desde novas. — Prontinho, vamos.
Nos dividimos nos dois carros. Devon abriu a porta para mim todo galante e a sua mão escovou a minha cintura, sorri satisfeita porque ele estava louco para me tocar e não podia. Dentro do carro estava fresco, coloquei o cinto e reparei que o melhor amigo do Nick estava na calçada do outro lado, olhando fixamente para o carro sem nem disfarçar.
Devon parecia muito aleatório, esperando Vanessa sair com seu conversível da Mercedes prata. Ele estava com o Audi R8 cinza chumbo favorito.
Coloquei uma playlist de músicas pop e meio românticas. Devon não gostava muito quando Vanessa e eu ouvíamos esse tipo de música, sempre reclamava. Queria testar a sua resistência em aguentar John Legend descrevendo todo tipo de amor em uma voz melódica e piano, enquanto era agitado demais até para dirigir devagar. Sua expressão foi a melhor, mas não reclamou. Mantive a minha vontade de rir no limite.
— Porra — ele murmurou. — Esse homem é tão romântico que chega a ser depressivo.
— Qual é o seu tipo de música romântica? — Abaixei um pouco o volume.
— Algum rapper descrevendo o formato de uma bunda. — Me deu um sorriso torto. — Inclusive, estou com uma necessidade intensa de ver a sua. — Fez um pequeno beicinho. Ignorei e aumentei o som. — Mate-me.
Sorrindo, comecei a cantar junto, coloquei a mão em sua coxa e fiquei batucando.
O restaurante ficava dentro de um hotel em uma das avenidas mais badaladas da cidade e sempre recebia famosos da cidade ou os que estavam por ali. Fotógrafos ficavam acampados na porta apenas esperando pessoas conhecidas, e eu sabia que precisava engolir que em algum momento as pessoas saberiam sobre o nosso casamento.
O manobrista abriu a minha porta enquanto Devon dava a volta. Ele segurou a minha mão, e encontramos com a minha mãe e Vanessa no tapete principal da entrada.
Vanessa e eu tínhamos o costume de andar de mãos dadas ou de braços dados. Mais de uma vez ouvimos piadinhas e recebemos olhares tortos quando pensavam que éramos um casal. Eu não conseguia ter o mesmo costume afetivo com um namorado, Nick me forçava a segurá-lo, e isso me irritava. Um namorado antes dele disse que eu era incapaz de demonstrar emoções afetivas, principalmente em público.
Devon e eu quase não andamos lado a lado, era cedo para dizer, mas ele segurou a minha mão de maneira suave e depois, coloquei a outra em seu braço. Minha mãe estava ao meu lado e Vanessa segurou o braço dele do outro lado.
O restaurante era francês e estava meio cheio, Devon estava sendo esperado pela gerente. O sorriso dela caiu um pouco, eu a conhecia, já esteve em umas três festas e só me faltava ser uma das muitas que passou pela cama dele.
— Obrigado por nos receber pessoalmente, Janine. — Devon se adiantou, sendo galante. — Acho que lembra da minha irmã, Vanessa.
— Olá, Srta. Winterfield. Seja bem-vinda. — Ela apertou a mão de Vanessa e o seu olhar caiu sobre mim com muito interesse.
— Minha esposa, Katrina e a minha sogra, Melanie. É a primeira vez delas aqui, por favor, diga ao Twist que espero uma atenção especial.
— Sejam bem-vindas, senhoras. — Janine limpou a garganta e sinalizou para uma mulher se aproximar. — Essa é Gracie. Fará o atendimento especial da noite. Se precisar, por favor, me chamem.
Assim que Janine se afastou e Gracie pediu para segui-la até a nossa mesa, virei para Vanessa.
— Adeus reserva de aniversário — murmurei, ela riu, e Devon ficou confuso.
Nossa mesa era na área principal, na reta de todas as atenções e o restaurante era ativo nas redes sociais. Sentei de lado para minha mãe e Devon, de frente para Vanessa. Cruzei as minhas pernas nos tornozelos como uma mocinha. Podia me comportar em restaurantes de luxo, mesmo não sendo o meu habitat natural.
Devon pediu água, a carta de vinhos, e um garçom deixou os aperitivos enquanto outro entregava os menus. Dei uma olhada nos preços e senti um arrepio na espinha.
— Aqui é muito mais bonito pessoalmente — mamãe comentou e me deu um sorriso. — Como anda a sua matéria? Acrescentou alguma coisa hoje?
— Ainda não. Estou esperando a análise daquele meu professor, ele se comprometeu em fazer tudo sigilosamente e me enviar um relatório prévio. — Peguei uma torradinha. — Então, você sumiu o dia inteiro. O que estava fazendo? — Desviei o assunto para Devon.
— Controladora? — Ele passou uma pastinha de azeitona apimentada na minha torrada. — Passei o dia na Arena. A decoradora chegou no final do dia, mas, pedi que voltasse amanhã cedo, assim você ou Vanessa vão poder falar com ela. As estruturas para essas áreas já estão prontas, montadas, só falta colocar o que vocês querem.
— Stuart está empolgado? — Vanessa ajudou a desviar o assunto.
A conversa fluiu fácil. Minha mãe estava interrogando Devon, ela não deixava passar nada. Principalmente que estava disposta a provocá-lo sobre o casamento. Felizmente, ele era educado demais para ser grosseiro. Rosa educou Devon muito bem, se dependesse de Shannon, os dois irmãos seriam selvagens.
Eu os conhecia há mais de dez anos e só a encontrei quando ela tinha temporada em Vegas. Quando moramos em Los Angeles, bem perto dela, só a vimos duas ou três vezes no ano.
A comida era tão incrível que não parecia real.
— Quer provar? — Devon me ofereceu a sua lagosta. — Sua costela de cordeiro parece macia.
— Eu te dou um pouquinho. — Dei-lhe uma garfada. Ele me deu um pouco do seu prato e estava divino. Vanessa pediu o mesmo que eu, e a minha mãe ficou com a mistura de massa, frutos do mar e um molho especial delicioso.
— E um beijo? Não quer me dar? — me pediu com um sorriso.
— O que eu disse sobre se comportar? — Me fiz de difícil.
— Estou me comportando, o que vou ganhar de recompensa?
— Ganhar recompensa por fazer a sua obrigação? — rebati, rindo.
— Tudo bem, se é assim... — Fez uma expressão de cachorro que caiu da mudança.
Me inclinei na mesa e lhe dei um beijo na bochecha, ele sorriu e virou o rosto. Dei um selinho bem demorado em seus lábios e voltei para o meu lugar. As duas bobas que me acompanhavam bateram palmas e ficaram zoando. Mudei de assunto, sabendo que as minhas bochechas deviam estar bem vermelhinhas porque me sentia quente, pedi as sobremesas e falei sozinha sobre o vinho enquanto eles riam.
Após o jantar, o chef passou na mesa para nos cumprimentar e tiramos uma fotografia oficial.
Abracei a minha mãe apertado na saída do restaurante, Devon iria levá-la em casa porque estava tarde, e eu iria embora com Vanessa. Ainda queria trabalhar um pouco, deixar muitas coisas adiantadas para o dia seguinte.
— Seu irmão ficou reclamando das músicas românticas — comentei no carro.
— Se quer torturá-lo, durma pelada do lado dele. Música ele pode superar, as bolas doendo eu já não tenho tanta certeza — brincou e eu bufei. Se ficasse pelada, eu sabia o que iria acontecer com um único beijo.
— Quero beber mais vinho...
— Kat... Acho que estamos sendo seguidas — Vanessa comentou nervosa.
— Carro ou moto? Não é o segurança do seu irmão?
— Não sei, eu o perdi de vista.
— É outro veículo? — guinchei e olhei para o lado, tomei um susto com o flash que estourou no meu vidro. — Porra, que susto.
— E que alívio! Uma coisa é a imprensa fofoqueira, outra coisa é um advogado psicopata que te ameaçou mais cedo! — gritou e deu uma acelerada. — Temos que contar para alguém, Kat.
— Era só a imprensa. Por que será? — Peguei o meu telefone. — Tem um monte de notificação no meu Instagram. — Abri e soltei um gritinho. — O restaurante postou a foto com o chef. A legenda diz: “Devon Winterfield com esposa, irmã e sogra”. Eles nos marcaram na foto. Exceto a minha mãe, porque ela não tem redes sociais.
— Tenho certeza que foi coisa da Janine. Nada melhor que atrair um monte de engajamento com uma fofoca quente. — Vanessa espiou o meu telefone. — Não para de subir notificação, nossa. Faz todo sentido que estão nos perseguindo, os que estavam na porta devem ter corrido para ter uma foto bem cara.
Droga. Não precisava da perseguição da imprensa.
OceanofPDF.com