Amor em Jogo: Cidade do Pecado, livro 1

Mari Cardoso · Capítulo 16 de 39

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Amor em Jogo: Cidade do Pecado, livro 1

14 | Katrina

 

Estava sentada no jardim, publicando algumas denúncias no meu blog pelo celular, quando Devon me chamou.

Depois do almoço, cada um foi para um canto e eu saí para brincar com os cachorros no quintal. Eles eram muito filhotes e adoravam correr na grama. Na sombra, até estava tolerável e coloquei as minhas pernas dentro da piscina enquanto eles corriam um atrás do outro soltando latidinhos suaves.

— Precisamos dar nomes a eles — Devon falou, sentando atrás de mim. O conforto de seu peito era gostoso.

— Já escolhi. Um vai se chamar Marco e o outro polo. — Sorri e virei para os dois, que corriam na grama com as orelhinhas pulando conforme davam impulso. — Marco! Polo! — gritei e eles me olharam. — Viu?

— Com esse grito, até os cães da vizinha pulariam a cerca. Não gostei desses nomes. — Me abraçou e puxou ainda mais para trás.

— Eu gostei.

— Tudo bem, mas eu não. Precisamos entrar em um consenso.

— Pensei que eles fossem um presente porque sua irmã e eu queríamos ter cachorro. — Virei um pouco e ele arqueou a sobrancelha.

— Só por isso não tenho direito a voto?

— Quais são as suas opções de nomes?

— Não sei ainda. — Deu de ombros. — Vou pensar em algo.

— Inacreditável! Você nem escolheu um nome! — Bufei e peguei o filhotinho. — Diga oi para o papai, Marco. Polo, vem aqui — chamei o outro que, correndo, chegou a capotar. — São tão fofinhos. Ai cacete, que dentinho fino!

Vanessa saiu de casa com um balde de cerveja.

— Esse calor está implorando. Parece que vamos esturricar nesse verão — reclamou e colocou o balde na mesinha, abriu três cervejas e nos entregou duas. — Um brinde ao Marco e ao Polo, novos integrantes da nossa família!

— Porra, eu não tive chance mesmo. — Devon brindou, meio contrariado.

— Ainda achou que teria? — Vanessa sentou em posição de borboleta, brincando com os nossos filhotes. — Lembra quando a gente dizia que se nada desse certo, iríamos casar e ter filhos? — Me olhou, e assenti, sorrindo. — Nunca imaginei que se casaria com o meu irmão e os filhos caninos fossem compartilhados entre nós três.

— Eu nunca imaginei que teria filhos com a minha esposa e a minha irmã. — Devon revirou os olhos.

— Os caninos, sim. Os bebês você vai ter sozinho com a Kat e eu serei a tia Vanessa — brincou, e lhe dei um chute. Nada de falar de filhos, o que eles tinham na cabeça? Era um casamento por aposta. Mesmo se fosse de verdade, eu ainda tinha medo da gravidez na adolescência, mesmo com vinte seis anos nas costas.

— Que tal nunca falarmos sobre bebês? Isso atrai e eu não vou ter filhos — reclamei. Beber era melhor.

— Nunca? — Vanessa fez um beicinho. Ela estava me provocando. — Eu vou parar. Sei que vocês estão nessa aposta estúpida, já sei o resultado. Inclusive, Stuart e eu apostamos contra sua mãe. Até agora estamos em duzentos dólares.

— Apostaram contra ou a favor? — Devon perguntou.

— Não iremos dizer para não influenciar. Rosa vai entrar quando voltar. — Ela sorriu.

— Fizeram uma aposta em cima da nossa aposta? Muito maduro. — Fiz uma careta e terminei de beber a minha cerveja. Desceu muito bem.

— Diz a mulher que bebeu, casou e ainda assinou um contrato com multa de divórcio. — Vanessa rebateu e lhe dei a língua, porque sim, eu não era madura. — Em falar nisso, que roupa vai usar hoje à noite? Já pensou em algo?

— Não sei se vai ser de bom tom. Todo mundo sabe do incêndio. Eu queria ir apenas para trabalhar, tirar a minha mente disso, mas não quero gerar nenhum falatório. Apesar de estar mais calma, ainda sinto uma angústia no fundo do peito porque eu não sei o que vai acontecer. Minha mãe aceitou ficar aqui, não vai ser fácil, ela está acostumada com privacidade e ter o próprio cantinho. — Suspirei. Devon me abraçou de novo, e deitei a cabeça em seu ombro.

— Ela vai se sentir em casa aqui, tenho certeza. Vamos cuidar dela e quando voltar a trabalhar, vai se sentir menos ansiosa. Nada vai acontecer. — Vanessa me deu um olhar. Ela estava dizendo que nada mais iria acontecer porque eu desisti de investigar. Eles ameaçaram e fizeram algo para me assustar. Conseguiram. — Vocês duas vão ficar bem. Podemos levar e buscar sua mãe, se estivermos ocupados, vamos programar um dos motoristas de confiança da Winterfield.

— Obrigada. — Abracei Vanessa apertado. — Eu não sei o que faria sem você.

— E eu? — Devon acariciou a minha bunda.

— Ele está acariciando a sua bunda enquanto você me abraça? — Vanessa perguntou no meio do nosso abraço. Devon riu e apertou. Me afastei dela e o bati. — Tarado. — Vanessa riu.

— Tira a mão da minha bunda! — guinchei, batendo em seu braço. Peguei outra cerveja e abri, dando um gole. — Não pode ficar me pegando assim!

— Vanessa sabe que você está me usando para sexo — ele comentou e pulverizei a minha cerveja, rindo. Idiota. Limpei o seu peito e braço que estavam molhados com minha bebida. — Agora quer me afogar com cerveja. Me dá um beijinho...

— Só um beijinho — determinei e segurei seu rosto, dando um selinho. Ele me segurou e nos derrubou, me dando um beijo de língua com gostinho de cerveja. Beijo muito bom. — Eu disse só um beijinho, não um beijo de cinema. Se comporte!

— Não sei como vou ficar perto de vocês. — Vanessa virou a cerveja de uma vez. — Talvez bêbada. Que grude...

Apenas para implicar, pulei do colo de Devon para o colo da dela. Abracei a minha melhor amiga com os braços e as pernas, dando um beijo barulhento em sua bochecha. Nos desequilibramos, caímos de lado e os cachorrinhos subiram em cima de nós.

Ficamos no quintal bebendo as cervejas até o balde ficar vazio. Entramos com os cachorrinhos e peguei suas camas, levando para o quarto de Vanessa porque precisava dormir depois de ingerir quatro garrafas. Ela ficou lavando o cabelo, se depilando e eu dormindo.

Minha mãe entrou com lanches prontos, o que me fez sair da cama para comer e me preparar. Lavei o cabelo, passei creme depilatório nas pernas e um creme hidratante nos cabelos.

— Como usa essa coisa? — Mamãe tirou a máscara do saquinho.

— Olhos e bocas. — Apontei para os buracos. Coloquei no rosto dela. — Bem assim... Tem que grudar no rosto. Mãe, não lambe!

— Tem um gosto bom.

— Eu duvido muito. — Soltei uma risada e coloquei a minha. — Essa é bem refrescante, ajuda a abrir os poros para tirar os cravos. — Me olhei no espelho. — Preciso retocar minha raiz.

— Vá de cabelo solto, bem escovado, vai ficar bem arrumada. — Mamãe me acalmou.

Vanessa saiu do closet com várias peças de roupas. Era horrível pensar que perdi tudo. Roupas que eu trabalhei muito para comprar, pequenos mimos que me fizeram feliz e o tanto que minha mãe trabalhou para manter nossa casa. Quando voltei de Los Angeles, a responsabilidade passou a ser minha, ajudando nas despesas, que não eram poucas.

— Devon vai usar a camisa da Arena, e eu consegui que Alicia enviasse mais uma, deve chegar daqui a pouco. Separei esses shorts para usar com um mega salto alto, deixar essas pernas lindas de fora. Vou customizar a sua camisa, pensei em fazer um decote na frente e deixar o símbolo da Arena atrás. — Ela parou quando comecei a abanar o rosto para não chorar. — Sei que parece fácil dizer que eram só bens materiais quando eu fui testemunha do quanto vocês sempre se esforçaram na vida, mas eu estou tão aliviada que estão bem. Poderia ser muito pior e eu me apego nisso.

— Ela tem razão, Kat. Por mais doloroso que seja, acredite em mim, meu coração dói ao pensar, estou feliz que o incêndio aconteceu enquanto estive fora e não dormindo como eu estava minuto antes. — Mamãe esfregou os meus braços. — Sou grata que você sequer estava em casa. Perder a casa não se compara à dor que seria perder você.

— Além do mais, roupas, acessórios e qualquer coisa a mais podemos comprar de novo. Eu nunca poderia comprar uma melhor amiga como você. — Vanessa me deu um abraço. — Agora pare de chorar, invoque a menina má que vive aí dentro porque se casou com Devon Winterfield, queridinha. Urubus, piranhas entre outras coisas estão torcendo para te ver falhar.

— Eu nunca falho — resmunguei.

— É isso aí, gostosa! — Ela deu um tapa na minha bunda. — Agora vai tirar esse creme do cabelo, vou ver se Alicia trouxe as camisas e já volto.

Estava terminando de lavar o meu cabelo quando ouvi batidas muito conhecidas. Madonna. Saí do banheiro dançando. Minha mãe e eu costumávamos cantar músicas das nossas divas do pop favoritas quando estávamos em um dia de cuidados de pele e cabelo, ou fazendo faxina. Fiz os passinhos de Vogue e depois, Cher.

Vanessa voltou para o quarto já rodopiando. Nós cantamos e dançamos no quarto. Foi como a nossa adolescência quando mamãe nos levava para sair.

Devon me enviou uma mensagem dizendo que estava pronto e eu não tinha nem começado a me maquiar. Avisei que estava quase pronta, o que não era exatamente mentira. Vanessa e minha mãe não iriam ao evento. Mamãe estava sem clima e Vanessa evitava eventos de muita exposição. Ela tinha que ir porque todo nosso setor iria trabalhar, mas ser irmã do chefe lhe dava algumas vantagens.

— Esqueci o quanto você é peituda na hora de cortar o decote. — Vanessa fechou a blusa customizada. O decote era bonito, muito além do que estava acostumada a usar porque meus peitos chamavam um pouco de atenção. Quando trabalhava como hostess, nunca usava decote, eu não precisava dos clientes olhando para os meus peitos.

— Não está vulgar, está linda.

— Katrina, pelo amor de Deus! — Devon gritou do corredor. — Eu tinha que estar lá trinta minutos atrás!

— Você não me falou nada sobre horário! — Abri a porta do quarto. Ele ia reclamar e calou a boca, olhando para os meus peitos. — Gostou?

— Não. A blusa não era para usar assim. — Apontou para os meus peitos. Sorri e virei de costas, ele resmungou algo super baixo, parecia uma prece com alguns palavrões. — Tudo bem, você está linda, agora podemos ir embora? — Apontou para o relógio.

Fiz uma careta para o seu elogio apressado e peguei a bolsa que arrumei, conferindo celular e carteira. Me despedi dos meus filhotes, mãe e amiga. Devon desceu a escada na frente, todo apressadinho e não corri ou iria virar o meu pé com o salto fino que usava.

Meu short era branco, de cintura alta, de alfaiataria. Escolhi scarpin preto, simples, mas não tanto, afinal, Vanessa só colocava marcas de luxo nos pés. Apesar do nosso corpo ser diferente, ela um pouquinho mais alta, vestíamos o mesmo número de roupa e nos pés.

— Oi, estou saindo — Devon falou ao telefone. — Comecem a servir as primeiras doses, devo levar vinte minutos apenas para entrar e em seguida, vou direto para minha sala — explicou. — Vai me ligando e informando. — Encerrou a chamada, jogando o telefone no console do carro.

O audi tinha uma potência na estrada que me deixava assustada. Enquanto ele dirigia de seu jeito maluco, fiquei verificando as mensagens de Alicia sobre os jornalistas convidados que já estavam circulando pelo lounge. Dei uma olhada em quem estava usando os filtros e pedi para a equipe incentivar o uso das redes sociais, porque era importante que o evento ganhasse proporção na internet.

A equipe da filmagem avisou que estava tudo pronto para a live das lutas. Com a briga sobre quem iria transmitir, Devon fechou contrato com uma empresa e a transmissão mudou para online, no canal do youtube da Arena. Criei a conta há poucos dias e foi difícil fazer a plataforma liberar o que só era liberado para usuários antigos. Ainda precisei aceitar umas propagandas, mas eles foram bem flexíveis com o tipo de anúncio, optamos por algo relacionado ao evento.

Devon ficou o tempo todo no telefone. Ele era tão controlador, ditando cada movimento dos funcionários. Nós chegamos dez minutos mais cedo que o aplicativo do gps informou. Ele estacionou de um lado vazio, entregando o carro para um funcionário, segurou a minha mão e deu a minha bolsa para Alicia.

De repente, havia milhares de pessoas da equipe dele andando ao nosso redor. Uma menina me ofereceu um espelho para ver se eu queria conferir a minha maquiagem, aceitei insegura e estava tudo bem. Fiquei assustada com tanta gente e tanta informação.

— Está pronta? — Devon ainda estava me segurando. Assenti, ansiosa. — Não se preocupe, você está linda. — Me deu um beijo suave nos lábios e alguém abriu as portas pesadas.

Era o tapete vermelho. Porra. Flashes começaram a ser disparados. Eu nunca percebi o quão assustador e agoniante era ser alvo de tamanha atenção. Devon parecia perfeito, imperturbável. Sempre soube que ele conhecia muita gente, fotógrafos viviam me fotografando com Vanessa, mas era uma escala muito menor. Aquilo era muito.

Fiquei um tanto perdida, sorri quando Alicia sinalizou para sorrir. Devon cochichou para me acalmar e olhou em meus olhos.

— Está tudo bem. Já vai acabar. — Me deu um beijo na bochecha. Muita gente gritou, o que me fez rir. — Isso aí, mostra pra todo mundo esse sorriso lindo. — Apertou a minha bunda e me chamou de gostosa.

— Tire a mão da minha bunda — briguei, sem muita força.

— Não consigo. — Sorriu e fiquei vermelha, porque obviamente, todos estavam vendo, mas ele queria me fazer rir e conseguiu.

As fotos terminaram e foi a vez de ele responder à perguntas. Aproveitei o momento para me afastar, porque não responderia nada e não ficaria parada como uma idiota ao lado.

Entrei com Alicia, que me devolveu meu telefone. Encontrei com o B1. O B2 estava monitorando as redes sociais e eu acabei passando no pequeno salão de apostas, encontrando com alguns clientes antigos e fiz a social, pedindo sutilmente que tirassem fotos e marcassem a página do evento.

Havia vários fotógrafos circulando. De longe, observei Devon passar por muitas pessoas e cumprimentar. Em dado momento, ele sumiu na multidão. Alicia estava sempre por perto, ou o B1, o que era mais prático na hora de verificar o trabalho.

Meus pés estavam doendo e me afastei para ir ao banheiro. Enviei uma mensagem de SOS para Vanessa. Era melhor ter ficado em casa. Estava meio estressada querendo que a imagem do evento ficasse perfeita nas redes sociais.

Retoquei o meu batom, ajeitei o cabelo e reparei que havia alguém parada de braços cruzados no final do banheiro. Everly. Puta merda. Era um encosto difícil de me livrar.

Ela começou a bater palmas.

— Tenho que te parabenizar pelo golpe. Acho que você foi bem paciente, se infiltrando na vida da Vanessa, se fazendo de amiga e por fim, mordeu o peixe de ouro. — Abriu um sorriso irônico. — Cedo ou tarde ele vai enxergar que você é apenas uma pobretona querendo subir na vida. Era assim na escola, sempre com inveja de mim, primeiro me tirou Vanessa e agora, Devon.

— A quantidade de plásticas que fez deve ter alterado o seu cérebro. Em primeiro lugar, pessoas não são objetos para serem tiradas de alguém e em segundo lugar, você deve ser maluca ao pensar que teria inveja de você. — Virei de frente. — Sua amizade com Vanessa acabou por culpa do acaso. Eu não faço ideia porque o seu relacionamento com Devon não deu certo, mas nas duas coisas, não tive nada a ver. Não estamos mais no ensino médio, portanto, pense bem ao me encurralar no banheiro como fazia na escola. Aqui eu posso arrancar esse seu aplique e deixar o seu nariz completamente torto sem medo de ser expulsa.

— Baixo nível — ela murmurou e saiu do banheiro.

Pobretona querendo subir na vida, a minha bunda! Irritada, não voltei para as áreas principais, pedi que Alicia me ensinasse o caminho para a sala do Devon. Ficava na parte mais alta da Arena.

Bati antes de entrar, ele estava com um fone e o telefone na mão, dali podia ver todo evento e ele estava controlando todas as áreas. Passou o braço por minha cintura quando me aproximei e encostei nele, olhando a movimentação entre as cadeiras, as pessoas comprando pipoca e outros lanches para se acomodar nos lugares marcados para as lutas preliminares.

— Temos trinta minutos para encaminhar os convidados para as cadeiras, parem de vender bebida nos bares. Liberem as garotas com garrafas de água e suco para levar os convidados para a Arena — falou em seu comunicador. — Tem dois homens começando a se estranhar no bar do lado sul, quero dois seguranças lá imediatamente. Tragam bebidas e o jantar para minha sala — ordenou e tirou o fone. — Tudo bem?

— Controlador — murmurei.

— Você não faz ideia do quanto. — Me abraçou e se afastou. — Vamos fazer uma espanhola mais tarde? — pediu tão sério que comecei a rir. — Não estou brincando. Estou com um tesão...

— Pare de pensar putaria ao olhar para os meus peitos.

— É impossível. Gosto da sua bunda, mas estava pensando nisso já tem uns dias. — Me deu um sorriso sexy.

— Tarado. — Mordi o meu lábio.

— Tarado, controlador, se decide mulher! — Abaixou o rosto e beijou cada um dos meus peitos. — Se quiser me dar um presente, só tirar a blusa e dizer “vamos fazer uma espanhola”. Vai ser o dia mais feliz da minha vida.

— Anotado. — Revirei os olhos.

O jantar e algumas bebidas forem entregues, foi uma maravilha, porque eu estava faminta. Bebi um copo enorme de Coca-Cola, comi todas as minhas batatas fritas e metade das que ele demorou a comer. Para não ficar toda inchada, não comi o hambúrguer, lavei a minha boca e peguei um pequeno rolo de fio dental que deixava na minha bolsa para limpar entre os meus dentes.

Devon não desceria para as lutas preliminares, a principal aconteceria às três da manhã. Cansada, fiquei no sofá, sem sapatos, vendo quase tudo que já tinha saído sobre o evento. As nossas fotos no tapete vermelho estavam em todo lugar. Tinha comentários maldosos o suficiente para me deixar irritada e eu desisti de ler.

— A equipe do Don disse que ele está pronto — Devon avisou, empolgado. — Espero que ele ganhe de maneira estrondosa. Vai ser foda ter a reabertura da Arena com algo assim...

— Ele vai ganhar. — Levantei do meu lugar e me aproximei. — Então é assim? Você aparece lindo e gostoso no tapete vermelho, depois se esconde aqui e controla cada aspecto do evento?

— Obrigado pelo lindo e gostoso, querida esposa. — Ele sorriu. — Só nos primeiros eventos, para ensinar a equipe. Depois, eles lidam com tudo.

— Pensei que você ficasse na curtição e putaria.

— Só apareço quando Vanessa está.

— Para ficar de olho?

— Também. — Deu de ombros. — Talvez para olhar você.

— Está querendo ganhar o quê com essa informação gratuita? — Arqueei a sobrancelha, seu olhar desceu para os meus peitos e balançou as sobrancelhas. — Inacreditável, seu cretino!

— Custava nada tentar. — Riu e me beijou, baguncei um pouco o seu cabelo, ficando empolgada com o beijo. — Quer batizar a sala?

— Trouxe camisinha? — A esperança ficou evidente na minha voz.

— Merda. — Ele suspirou. — Deixei tudo em casa. Eu sou um homem casado, não ando mais com camisinha na carteira, mas eu posso mandar alguém comprar.

— Você está maluco? Claro que não vai mandar ninguém comprar! — Bati em seu ombro. Parei um pouco, absorvendo o que ele falou. — Por que tirou camisinha da carteira? É para não ceder e transar com outra pessoa?

Devon bufou e riu. Ele riu como se eu fosse idiota ou muito inocente, o que me deixou furiosa. Foi como se ele tivesse riscado um fósforo e jogado em uma pilha de madeira cheia de gasolina.

— Se eu quiser foder alguém e estiver sem camisinha, eu mando alguém comprar ou eu vou pessoalmente. Não é falta de camisinha na carteira que vai me impedir de transar. Não tem mais na carteira porque nós usamos e eu não coloquei mais no lugar, só tem no meu quarto e no carro. — Piscou.

Não sabia porque a ideia de que ele poderia transar com qualquer uma me deixou tão irritada ao ponto de que eu não conseguia falar nada. Não queria que fizesse sexo com ninguém além de mim. Nem tive uma réplica irritada, inteligente ou um desafio a propor. O ciúme me pegou de guarda baixa. Eu nunca fui ciumenta com nenhum namorado...

Por que diabos estava com tanto ciúme de Devon?

— Eu vou descer. — Soltei o meu cabelo. — Vou ver se precisam da minha ajuda em algum lugar.

— O que foi, Katrina? Estávamos brincando há dois segundos...

— Não é nada.

— Fodeu. Agora eu sei que é alguma coisa. — Suspirou. — Cresci com a rainha histérica do não é nada . Pode me falar o que está acontecendo, para que possa resolver?

— Não sou um dos seus negócios, que você pode resolver tudo. — Rebati, cruzando os braços.

— Muito maduro da sua parte — falou de forma seca. Meu rosto esquentou, droga, ele tinha razão. Por que ele me fazia parecer uma piralha petulante? — Vai, me fala.

— Se você rir, eu vou te castrar. — Apontei o meu dedo para seu rosto, ele mordeu a ponta. — Fiquei com ciúme — assumi com muita timidez.

Devon olhou ao redor.

— Do seu reflexo? Não tem ninguém aqui!

— Não, idiota. Do fato que você pode fazer sexo com quem quiser.

Para me enervar de uma vez por todas, ele jogou a cabeça para trás e começou a rir bem alto. Infeliz. Acabei rindo só de ouvir a risada dele, que era muito bonita.

— Deixa de ser maluca. Eu disse a verdade. Você também pode fazer sexo com quem quiser, basta querer. O que define fidelidade não é ter camisinha na carteira, o que no momento, é um enorme arrependimento. — Me puxou pela cintura. — Você ficou com ciúme?

— Pedi para não rir.

— Desculpa, foi mais forte que eu. Já ia sair com uma paranoia desnecessária na cabeça, não começa de maluquice não. Tenho controle da minha mente e do meu pau, não quero ficar com mais ninguém, sou casado e estou viciado na bocetinha gostosa da minha esposa... — Me virou e fiquei de frente para o vidro, com as minhas costas coladas em seu peito. Ele estava apoiado na mesa e eu entre as suas pernas. — Até quero ir embora mais cedo só para me enterrar aqui...

Devagar, enfiou a mão dentro do meu short, pelo espaço que sobrava na perna. Ele subiu o tecido e tocou a minha calcinha. Ele acariciou o caminho certo para me fazer pegar fogo, e dessa vez, não seria de raiva. Eu queria incendiar junto com ele ali, mesmo sem camisinha. Sedenta e cheia de tesão, o beijei.

Nosso amasso foi quente o suficiente para me fazer parar em cima da mesa e ele de boca nos meus peitos. Fomos interrompidos pelo telefone tocando.

— Está na hora de descer — reclamou e fez um beicinho. — Até daqui a pouco, melhores amigos. — Deu um beijinho em cada um.

— Você é tão bobo. Eu vou me ajeitar. — Apontei para o banheiro.

— Segredo nosso, vai lá, eu vou te esperar. — Sorriu e corri para o banheiro.

Acendi a luz, me olhei no espelho e não consegui segurar o sorriso. Quando nessa vida muito louca iria imaginar que Devon, o homem que mais me irritava no planeta, seria o motivo daquele sorriso?

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