Amor em Jogo: Cidade do Pecado, livro 1

Mari Cardoso · Capítulo 8 de 39

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Amor em Jogo: Cidade do Pecado, livro 1

6 | Devon

 

Parado no chuveiro, deixei a água cair forte nas minhas costas, ajudando em meu relaxamento mental para sair do modo de trabalho. Lavei o cabelo, de olhos fechados, e meus pensamentos imediatamente correram em direção à Kat e às lembranças vívidas da noite mais intensa da minha vida. Kat me desafiou a ser diferente, a sair da minha zona de conforto e ela deveria saber melhor: eu não era um homem de fugir dos meus desafios — sóbrio ou não.

Lembrar dela nua, da noite de prazer, sua pele vermelha, os mamilos arrepiados e a boca proferindo palavrões provocados pelo tesão me deixava duro. Tocar uma punheta pensando em Kat não era uma novidade, não depois que provei o seu sabor. De pequena com um rostinho de boneca, era um furacão que sabia como corresponder à dança quente que protagonizamos juntos.

Terminei o meu banho, me sequei e entrei no closet. Vesti uma calça de moletom, saindo do quarto com o meu telefone. Desci a escada que ficava em um lado reservado da casa e virei para a sala. Kat estava sentada no chão, em cima de uma almofada, usava um pijaminha rosa claro que era bonitinho e ao mesmo tempo tentador. Ela me deu um olhar avaliativo, mordeu o lábio e apareceu um blush natural no topo de suas bochechas.

— Pode apreciar — provoquei e me sentei no sofá bem atrás dela. — Eu certamente irei apreciar esse pijaminha bonitinho. — Me inclinei e beijei sua bochecha bem devagar. — Tão cheirosa... — Desci para o pescoço e beijei.

— Devon... Não invada o meu espaço pessoal — brigou, mas com a voz fraca.

— Não pode nem um pouquinho? — Beijei o ombro, enfiando a mão em seu cabelo, massageando o couro cabeludo. Kat suspirou, sem resistir, relaxando e virou o rosto, olhando nos meus olhos de seu jeito intenso. — Não estou brincando, pare de ficar na defensiva, apenas relaxe...

— Isso é gostoso e inapropriado. — Suspirou e não parei, explorando a pele macia com a boca. Kat gemeu, segurando o meu braço, arranhando um pouco. — Devon...

— Shhh...

Kat precisava relaxar ao meu lado. Ela sempre estava pronta para brigar ou jogar alguma piadinha. No passado, nós tivemos um desentendimento, mas no mesmo segundo em que ela se defendeu com firmeza, me arrependi do que disse e mudei o meu posicionamento. Me senti mal e me desculpei, mas parecia que ela nunca me perdoou de fato.

Desci as minhas mãos, massageando os seus ombros, as costas, os braços e brinquei com os meus dedos na lateral do pijaminha. Seus mamilos ficaram arrepiados, marcados na camisetinha.

— Ai gente, pelo amor de Deus, eu preciso comer antes que vocês dois entrem em lua de mel! — Vanessa entrou na cozinha com uma garrafa de vinho e com três taças presas entre os dedos. Kat se assustou, ficou vermelha e quase tombou para o lado, querendo fugir das minhas mãos.

— Não tem nada de lua de mel. Era apenas uma massagem — murmurou, e sorri.

— Massagem que deixou seus peitinhos arrepiados. — Vanessa rebateu, e nós três rimos.

— Você não deixa passar nada, garota. — Kat balançou a cabeça, ainda rindo.

— Perder a oportunidade de te zoar? Nunca nessa vida. — Vanessa serviu vinho nas taças, me entregou uma e pegou o telefone, abrindo no aplicativo do restaurante tailandês que costumávamos pedir. — Todo mundo com muita fome?

Enquanto as duas ficavam no chão à minha frente, verifiquei o andamento dos cassinos. Os hotéis não me davam tanto trabalho, principalmente porque eu tinha uma empresa especializada em hotelaria cuidando de cada detalhe. Os cassinos e as boates, a minha equipe cuidava e com isso, precisava ficar muito atento. Havia um grupo de empresários de Miami no salão vip e apesar de não precisar estar lá pessoalmente, gostava de ficar de olho.

Vanessa procurou um filme, começou a assistir, e Kat estava concentrada em uma planilha com vários cálculos. Ela esfregou os olhos, parecendo cansada, mesmo assim, anotou uma série de coisas com canetas de diferentes cores em uma agenda. Colocou a mão na nuca, massageando e aproveitei a oportunidade para largar o meu telefone e voltar com as minhas mãos para o seu corpo. Comecei massageando usando apenas os polegares. Satisfeito por ela ter permitido, avancei com as mãos para os ombros.

Quando o interfone tocou, avisando ser a nossa comida, fui atender descalço e sem camisa. Ao voltar com as inúmeras sacolas, espalhamos em cima da mesinha de centro e abrimos as embalagens. Entreguei o Pad Thai de Kat, o arroz frito de Vanessa e fiquei com a minha sopa de camarão.

— Por que você pede assim? — Kat pegou um camarão frito. — Não consigo comer com essas perninhas e a cabeça. Parece que a casquinha vai grudar na minha garganta.

— Se come assim... — Peguei um com a mão, tirei a cabeça, segurei o rabo e puxei a carne para fora. Levei até seus lábios e ela aceitou, pegando meio desconfiada, mas quando mastigou, percebeu que era apenas a carne do camarão temperada. — Suja um pouco mais as mãos, mas, é bem gostoso.

— É bem mais temperado.

— Eu divido a minha porção com você, esposa. — Empurrei o pratinho entre nós.

— Obrigada. Eu nunca nego comida. — Sorriu toda indulgente.

Nós comemos conversando, bebendo vinho, e no final, Vanessa distribuiu sorvete com uma porção de arroz frito doce, leite de coco e pedaços de manga.

— Acho que comi demais. — Vanessa esfregou a barriga. — Estou com a sensação de que irei explodir se beber um gole da água, que eu preciso porque a minha boca está pegando fogo de tanta pimenta.

— Meus lábios estão ardendo.

Olhei para boca de Kat e ela me bateu.

— Não tenha a mente suja. — Me deu um chutinho, e comecei a rir.

— A mente dele é uma poluição — Vanessa murmurou. — Ele quase caiu no estacionamento quando você se inclinou e ficou com a bunda virada.

— Foi uma bela visão — assumi a verdade. — Minha mão coçou para dar um bom tapa.

— Devon! — Kat gritou, rindo.

— É verdade. — Sorri e me aproximei, beijando a sua bochecha. — Sua bunda é maravilhosa — cochichei. Ela ficou toda arrepiada.

— Eita, eita. A irmã ainda está na sala! — Vanessa jogou um pedaço de guardanapo em nós, rindo.

— Eu preciso beber água. — Kat levantou, olhei a sua bunda por todo caminho até o corredor que dava para a cozinha. Comecei a recolher as embalagens vazias e jogar no saco plástico, sorri para minha irmã e saí da sala, com a desculpa de que iria jogar o lixo fora, mas eu só estava querendo ficar sozinho com Kat. — Ai meu Deus, Devon! O que você quer?

— Por que está fugindo de mim?

— Não estou fugindo, eu vim beber água. — Balançou a garrafa de água na mão.

— Você vai dormir comigo? — perguntei diretamente.

— Claro que não. Vou dormir com Vanessa ou no quarto de hóspedes.

— Pessoas casadas dormem juntinhas. — Me aproximei e parei atrás dela, me inclinando em seu ouvido. — De conchinha. Talvez tenha um pouco de ação antes ou depois, tudo depende.

— Você não vai ter ação nenhuma — Kat guinchou.

— É por isso que não quer dormir ao meu lado? Tem medo de não resistir?

— Não é uma questão de resistir ou não. — Se afastou, virando de frente. — Eu posso muito bem dormir ao seu lado sem ceder a nada, não sou uma mulher fácil e sei muito bem que nós dois não precisamos de sexo.

— Perfeito. Te espero na cama. — Roubei um beijo e saí da cozinha.

Ouvi o seu gritinho consternado atrás de mim e sorri. Peguei o meu telefone e dei boa noite para minha irmã. Não costumava dormir tão cedo, mas eu tinha que sair cedo no dia seguinte. Liguei a televisão para assistir ao noticiário noturno, deixei o quarto parcialmente escuro, diminuí a temperatura apenas do meu quarto. Desforrei a cama e deitei, programando o meu despertador.

Fiquei na cama por horas ainda sem sono e ouvi uma batida tímida na porta.

— Não precisa pedir permissão para entrar no seu quarto, baby.

— Vá se ferrar. Esse não é o meu quarto e nós não vamos morar juntos. — Se aproximou da cama. — Não abra a sua boca para me desafiar, Devon. Vou perder a minha cabeça.

— Tudo bem, mas não precisa bater na porta, esquentadinha.

— Esquentadinha ? — Tirou as almofadas do seu lado da cama. — Pareço ser a única sensata.

— Sensatez nem sempre é bom. A vida é sobre dosagens, Kat. Saber quando arriscar, quando ser cauteloso, quando se jogar de cabeça... — Puxei o edredom para que deitasse. — Você não precisa segurar o controle para não extravasar o tempo todo, existem momentos que deixar o pote transbordar, vale a pena.

— Foi assim com os negócios? — Se acomodou ao meu lado, mas ainda havia um bom espaço entre nós. — Você cresceu muito rápido.

— Não ignoro que precisei trabalhar muito, mas eu tive uma vida muito privilegiada. Cresci com uma boa educação, acesso às pessoas certas e tive a oportunidade com a herança do meu avô. Foi assim que conquistei o primeiro hotel, o restante foi investimento de risco.

— Parece loucura ser assim. Eu nunca ia imaginar que você faria tal coisa, sempre pareceu ser a pessoa controladora, que tomava conta de tudo.

— Você viu o meu lado irmão mais velho, a pessoa que precisava ser responsável por Vanessa, caso não tenha percebido, não tinha mais ninguém para cuidar dela. — Desviei o olhar para a televisão. Kat pegou a minha mão e segurou.

— Você é um bom irmão, ela te idolatra e te ama incondicionalmente.

— Chega um pouquinho mais perto, vai — pedi, fazendo um pouquinho de charme. — Preciso sentir que tem companhia aqui, seu cheiro bom...

— Se toca, Devon. — Soltou a minha mão.

— Seria mais divertido com a sua participação ativa — provoquei e ela riu, me empurrando. Cheguei mais perto, deitando a minha cabeça em seu colo e joguei as minhas pernas em cima das dela. — Mas se não quiser brincar, dá para ficar de conchinha.

— Devon... — Suspirou e parecendo hesitante, colocou a mão na minha cabeça, fazendo cafuné. — É estranho pensar que a gente foi íntimo. Nós nunca nos tocamos muito e de repente... boom .

— Foi um boom mesmo. Derrubamos muitas coisas — brinquei. — Foi muito bom, Kat. Eu não consigo tirar a noite da minha cabeça. Eu penso em você o tempo todo...

— Não devíamos ter feito nada. — Arranhou o meu couro cabeludo com as unhas de maneira suave, me deixando arrepiado. Porra, eu adorava arranhões e mordidas que me deixassem todo arrepiado.

— Por que não? Somos adultos e livres. Pelo que sei, você estava solteira.

— Não é isso... Você é o Devon e eu sou eu.

— Ninguém tem nada a ver com a nossa vida e decisões, podemos fazer o que bem entendermos. Não estamos cometendo nenhum crime. Na verdade, se você se permitisse relaxar, faríamos coisas realmente boas.

— Sossega. — Deu na minha cabeça, e ri. — Isso não passa de um desafio, o sexo só vai atrapalhar tudo. Pode confundir as linhas e tornar o relacionamento ainda mais complicado.

— Sexo nunca é problema. Normalmente, ele é a solução.

— Em falar nisso, eu sei que nós não faremos nada, mas como sua esposa, eu também não quero que faça com outra pessoa. Serão seis meses de celibato.

Foda-se a minha vida.

— Você realmente se incomodava com a minha vida sexual? — perguntei divertido.

— Na outra casa, você poderia trocar a sua porta por uma roleta. Depois que comprou o flat, o desfile de mulheres diminuiu bastante.

Porra. Vanessa era muito fofoqueira.

— Não sabia que você sabia sobre o flat, mas sim, o propósito dele era para diversão.

— Estou feliz que não fomos para lá, acho que ficaria ainda pior do que fiquei na manhã seguinte. Eu me sentiria como uma mulher descartável.

— Eu nunca te levaria no flat, não quero soar machista, mas pessoas transam, e eu não tenho essa de que mulher não pode ter uma vida sexual livre. — Ergui o meu rosto para olhar em seus olhos. — Nenhuma mulher é descartável. Não sou do tipo que descarta a possibilidade de algo legal e duradouro, mas eu nunca iludi mulher alguma. Sempre foi consensual de ambas as partes.

— Não vou pedir desculpas por te julgar, mas acho que você representa o que a sociedade acha bonito e aceitável em um homem, porém, se fosse mulher, massacraria.

— Embora a ideia da minha irmãzinha estar com um homem faça os meus ossos doerem, eu nunca fui idiota com Vanessa sobre isso. Sempre pedi que ela não confiasse à sua saúde, que usasse camisinha e se cuidasse, filho não seria um problema, mas uma doença sim. — Voltei a deitar. — Não posso responder pela sociedade, o que posso fazer é ajudar a mudar esse pensamento. Exceto se a pessoa for casada, porque aí eu acho uma tremenda falta de respeito.

— Isso quer dizer que você não me trairia? — brincou, e mudei de posição na cama, puxando-a pela cintura. Ela soltou um gritinho ao ser colocada no meu colo. Acariciei as suas coxas, devagar, enquanto ela subia as mãos pelos meus braços e parou no meu pescoço. — Você pularia a cerca?

— Está tentando me enforcar com essas mãozinhas pequenas e delicadas?

— Não me daria o trabalho. — Deu de ombros. — Faria algo como água quente no ouvido ou fatiar o seu pênis como um sushi.

— Mulherzinha perigosa. — Passei minhas mãos para a bunda, apertando. Ela arquejou, e não esperei que reclamasse. Tomei a sua boca, beijando do jeito que estava morrendo de vontade. Kat correspondeu o beijo com fervor, bagunçando os meus cabelos e se esfregando em mim. — Cacete, que beijo bom. — Distribui beijos por seu pescoço, apertando o seu peito, puxando um pouco o mamilo pela camiseta. Ela gemeu contra os meus lábios.

— Não me faça sair correndo dessa cama. Você joga pesado. — Fez um beicinho.

— Tudo bem, vamos dormir. Eu sou um homem muito paciente, Katrina.

Ela me olhou com diversão, em seguida, abriu um sorriso enorme.

— Acha que vai me convencer?

— Sexo não é uma questão de convencer e sim de desejo. Algo que entre nós tem de sobra...

— Boa noite, Devon. — Sorriu e saiu do meu colo. Ela evitou a questão do desejo pelo simples fato de que não queria dar o braço a torcer. Fazer Kat assumir que sentia qualquer tipo de atração por mim seria muito difícil, mas, eu não tinha pressa. — Fique do seu lado da cama, eu não gosto de dormir de conchinha — murmurou, mexendo em seu telefone.

— Eu vou tentar me comportar. — Dei um tapinha em sua bunda, e ganhei um chute. — Mantenha as suas mãos para si mesmo — ordenou. Kat fazia o meu dia ser tão difícil e ao mesmo tempo, esfregava o seu pezinho delicado no meu.

Desliguei a televisão, o quarto ficou bem escuro, me acomodei na cama e não demorou muito para pegar no sono. Apesar de não estar acostumado a dormir com outra pessoa, Kat era muito tranquila dormindo. O máximo que aconteceu foi que no meio da noite, ela rolou para o meu lado e ficou próximo, quase me tocando.

Voltei a dormir e quando acordei novamente, estávamos abraçados. Ela parecia estar em um sono profundo, relaxada e com o dia amanhecendo de sua maneira esplêndida ao fundo, observei a perfeição de seu rosto, cílios que descansavam nas bochechas, as poucas sardas salpicadas no nariz e os lábios que estavam entreabertos para respirar melhor.

Era perfeita, mesmo babando no meu peito. Eu nunca imaginei que acharia uma mulher tão bonita em seu momento mais vulnerável. Kat dormia na minha casa muitas vezes por semana, ela aparecia descabelada e de pijama várias vezes, nunca me importei. Stuart e os meus outros amigos sempre implicaram que eu não deixava que chegassem nela, porque no fundo, havia algo. Talvez eles tivessem razão.

Pensei que a ponte entre nós dois havia caído definitivamente, no entanto, ela se tornou a minha esposa. Depois de provar o doce sabor dos seus lábios, eu não queria outra coisa além de beijá-la o tempo todo.

Ao amanhecer, eu proporia outro desafio e este, fazia questão de ganhar.

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