Amor em Jogo: Cidade do Pecado, livro 1

Mari Cardoso · Capítulo 13 de 39

Páginas do PDF

Amor em Jogo: Cidade do Pecado, livro 1

11 | Katrina

 

Devon chegou em casa e me encontrou andando de um lado para o outro. Tão rápido quanto um raio, um monte de contas de fofocas fizeram pequenas matérias falando sobre a minha longa amizade com Vanessa e que não havia evidências de um relacionamento, mas não era nada difícil, considerando que eu praticamente vivia com eles desde nova.

Uma mentira! Alguns usuários disseram que eu deveria ser a típica mulher que insistiu até conseguir enlaçar o homem.

— Calma! — Ele ergueu as mãos em rendição. — Deixei a sua mãe em segurança. Eu a convidei para ir sábado conosco, ela aceitou vir almoçar aqui e ficar na piscina, mas prefere descansar nesses dias de folga.

— Não quero falar da minha mãe! Olha esses absurdos!

— Vamos fazer uma declaração simples e não dar confiança, assim eles param. — Se aproximou e me puxou para os seus braços. — Não fique estressada com isso. — Abaixou o rosto, e me preparei para o beijo. Seus lábios suaves tocaram os meus. — Você está tão linda…

— Obrigada, mas, eu preciso saber que declaração dar. — Me afastei um pouco. — Isso é muito complicado. Exposição pode colocar a minha chance de ser uma jornalista investigativa diretamente no ralo. — Coloquei as minhas mãos em seus ombros, ele só abaixou e me beijou de novo. Olhou ao redor, provavelmente procurando a irmã. — Ela foi dormir. Acredito que todo vinho e passar o dia inteiro trabalhando está deixando-a exausta.

— O que você quer fazer?

— Para ser bem sincera, estou cansada, mas ainda sem sono e penso que ficaria bem deitada.

— Vamos deitar.

— Quem disse que vou deitar com você? — Arqueei a sobrancelha, ele desceu as mãos para minha bunda e me colocou no colo. Cruzei minhas pernas em sua cintura, rindo. — Isso seria me forçar?

Me pegando gostoso daquele jeito? Devon era fruta que eu nunca deveria ter experimentado.

— Ainda posso usar aquela algema com você.

Devon me colocou no chão perto da escada porque lembrei de buscar minhas coisas no carro. Se oferecendo para carregar tudo, foi para a garagem e eu subi a escada. Dei uma passada no quarto de Vanessa, ela estava dormindo feito um anjinho. Fechei a porta e atravessei o corredor até o outro lado, entrando no quarto de Devon e ligando o ar.

A funcionária temporária que estava cuidando da casa deixou as janelas abertas e apesar do vento noturno, era um vento quente. Fechei as janelas, cortinas e mandei uma mensagem de boa noite para minha mãe.

Tirei o meu vestido, tomei banho e removi toda maquiagem. Peguei o roupão dele e achei minhas coisas no closet. Ele entrou e saiu sem que ouvisse. Abri minha mala e peguei o pijama vermelho de cetim, era um shortinho com um babadinho preto e uma blusa mais larga. ‘Sexy’ e ao mesmo tempo fofo. Escolhi propositalmente para atentar Devon.

Ele voltou para o quarto sem camisa, bebendo água e tirou o restante da roupa.

— Que delícia… — Estapeei sua bunda.

— Se quiser ver tudo, só vir.

— Ah, vou para a cama com meu computador. — Abracei o notebook e me acomodei em um lado da grande cama.

Devon levou um tempo no banheiro, o cheiro de seu xampu invadiu o quarto e em seguida, do perfume. Vanessa ficava com ódio quando eles dividiam o mesmo quarto e ele passava perfume para dormir, atacando a rinite dela. Aparentemente, não perdeu o costume. Saindo do banheiro de cueca, jogou a toalha no cesto, ela caiu no chão e ele não pegou.

— Muito bonito — ironizei.

— Gostoso . — Piscou, pegou o controle e se jogou ao meu lado, ligando a televisão e apagando as luzes principais, deixando apenas as de cima da cama. — Quer assistir alguma coisa em especial?

— Não gosto de filmes de terror.

— Eu sei. — Soltou uma risada. — Lembro da noite que vocês resolveram assistir um monte de filmes de terror, ficaram com medo e dormiram no chão do meu quarto.

— Estava apavorada, não tem graça, tive pesadelos por semanas. — Dei um chute de leve em sua perna.

— Esses filmes são mentirosos e mal feitos.

— Não coloque filme de terror.

— Eu poderia colocar, assim você largaria esse computador e ficaria agarrada em mim, com medo, buscando segurança em meus braços. — Passou os canais direto para os de terror, até que eu murmurei que estava anotando coisas para que ele ganhasse dinheiro.

Quieto, ficou mexendo no telefone, assistindo um filme chamado Colombiana, com uma atriz que eu amava. Ele enfiou a perna debaixo da minha que estava dobrada, aos pouquinhos, foi se aproximando.

— Shannon postou uma foto com o novo marido. — Mostrou a tela do telefone. — Passou de seis meses, está durando.

— Acho que por ser mais velho, ele pode ter mais paciência com os rompantes e o tempo fora. Além do mais, é o primeiro marido que ela não sustenta. Dessa vez, pode dar certo — comentei de volta. Shannon parecia ter colocado ainda mais preenchimento na boca. Estava estranho.

Fiquei concentrada digitando, ocasionalmente parava para prestar atenção no filme e voltava para os meus itens intermináveis. Meu telefone vibrou e era uma marcação no Instagram. Ele fez um boomerang, mostrando minhas mãos no teclado, nossas pernas nuas unidas na cama e a televisão. Ele adicionou ao stories com a legenda: “Enquanto a patroa trabalha, eu tenho folga”.

Devon basicamente confirmou o nosso casamento nas redes sociais. Só depois que vi todos os stories dele foi que percebi o alvoroço, ele postou a foto do restaurante e postou uma foto que Vanessa tirou quando ele me carregou na escada. Estava borrada e engraçada, era possível ver a minha boca aberta com um sorriso enorme segurando nele com medo de cair.

Terminei a minha checklist, enviei para o meu telefone e fechei o notebook, colocando na mesinha ao lado. Mal me acomodei e ele me puxou, ficando próximo. Pensei que seria a oportunidade que ele queria para avançar, mas ao contrário do que esperava, ficou comportado.

Devon estava brincando com as minhas previsões de jogada, ele me lia com muito mais facilidade do que eu a ele. Sempre foi assim.

Peguei o edredom e me embolei nele. O quarto estava no clima perfeito para criar um casulo agradável. Proximidade era algo que ele sempre quis (desde novos) e eu repelia, dessa vez, eu me aproximei. Por uns segundos, Devon ficou tenso como se eu fosse aplicar algum golpe, mas eu só relaxei e tentei dormir.

Parte do meu cérebro me disse para jogar o desafio de lado, deixar o jogo e pular nele, de preferência, sem roupa e com o pau no lugar certo. Parte me disse para aquietar o fogo na pepeca e dormir. Como Devon não fez nada além de me dar beijos suaves que me faziam derreter na cama e no máximo, apertar a minha bunda durante o amasso tão leve que nem adolescentes praticavam, peguei no sono depois de um pouquinho de conversa baixa.

Acordei com o sol no rosto. Não adiantava nada fechar apenas as cortinas e não os blackouts. Uma frestinha miserável na cortina cinza-claro estava bem no meu olho. Suspirei e reparei que ele estava dormindo pesado ainda, com a mão no meu seio. Peguei o telefone e tirei uma selfie com rosto amassado, cabelo despenteado, roupa bagunçada e a mão grande do sr. "Comportado" segurando meu peito enquanto dormia. Era um tarado no sono.

Ainda dava para cochilar mais um tempinho e não desperdicei o tempo, voltando a dormir. O maldito do celular despertou mais rápido do que eu estava afim. Devon rolou para cima de mim, mas sem soltar o peso e deu um beijo barulhento no meu pescoço, fazendo com que a minha segunda reação do dia fosse dar uma boa gargalhada. Mesmo com sono, seus olhos estavam brilhando.

— Bom dia, esposa.

— Bom dia, Devon.

— Um dia, não muito distante, você vai me chamar de marido — cochichou, e seu telefone tocou.

Daquela vez, não era o despertador. Ele pegou e suspirou, saindo de cima.

— Oi! Everly. Bom dia! — Parou e ficou ouvindo. Fiz uma careta. Saí da cama, fui ao banheiro e comecei a me preparar para o dia. Ele ainda ficou no quarto falando, parecia um problema jurídico com os direitos de imagens da UFC. Fiquei atenta, principalmente porque era fofoqueira, uma partezinha porque era Everly. — Cacete, nem tomei café da manhã. — Jogou o telefone na cama quando encerrou a chamada.

Meu vestido para o dia era azul. Escovei os cabelos, coloquei um chapéu de camurça e uma bota de cano baixo do mesmo tom. Deixei todas as minhas coisas alinhadas na cama e fui até o quarto de Vanessa, bati e abri. Ela ainda estava no banho.

— Preciso de café — resmungou do banheiro.

— Pegando a sua bolsa! Vou descer para preparar um café caprichado, estou faminta — avisei, e ela enfiou a cabeça para fora do chuveiro. — O que foi?

— Vocês dois! Vai ou não vai?

— Curiosa. Está indo… Você acredita que ele só me abraçou? O máximo que fez foi apertar a minha bunda durante o beijo. Já sei o que irei fazer, eu vou deixá-lo maluco e virar para o lado e dormir. Ele vai se perder, ou eu não me chamo Katrina Summer.

— Na verdade, não se chama. Seu nome mudou e você está quase estourando o prazo de mudar os seus documentos. Apenas avisando, não fique com raiva de mim. — Voltou para o chuveiro com o meu olhar. — Te amo!

Bati a porta do quarto em resposta. Lembrar daquilo me deixava irritada. Arrumei a minha bolsa, Devon ainda estava se vestindo e falando ao telefone. Estava indo para o trabalho de carona com ele e era bem provável que fosse novamente, Vanessa chegava atrasada todos os dias, e eu tinha nervoso de não cumprir o meu horário, exceto se eu tivesse outra coisa para fazer.

Deixei a minha bolsa na sala de TV e entrei na cozinha, sentindo cheiro de café.

— Rosa! Você está de volta!

Ela virou-se do fogão onde fritava ovos.

— Katrina! — Sorriu e parou. — Melhor dizendo, sra. Winterfield. — Piscou, soltei um bufo engraçado com a risada e abracei-a apertado. — Fiquei muito feliz em saber sobre o casamento. Meu menino merecia uma mulher tão linda e honesta como você. Não sabia que algo estava acontecendo… desde aquele dia, eu pensei...

— Não tinha nada acontecendo, Rosa. Nós bebemos e casamos em uma capela. — Cortei e contei a verdade.

— O quê? Eu não acredito que foram tão irresponsáveis, que coisa feia! — Apertou minha bochecha e ri.

— Devon se recusou a me dar o divórcio, então, apostamos se vamos aguentar um ao outro por seis meses. Todo dia é um desafio diferente. Ele é mau. — Fiz um beicinho.

Rosa balançou a cabeça. Ela era uma latina baixa, magra, de longos cabelos lisos.

— Vou dar na orelha desse menino. — Rosa suspirou, exasperada.

— Ela mal voltou e você já está colocando contra mim? — Devon entrou na cozinha. — Seja bem-vinda de volta. — Deu-lhe um beijo na testa. — Sentimos a sua falta. Gostou da viagem?

— Eu amei Cancún.

— Imaginei que iria amar.

— Só não imaginava que voltaria e te encontraria casado, garoto. Em uma capela? Bêbado? Eu não te dei educação e responsabilidade?

— Deu sim, tanto que ainda estou casado e me esforçando para ser um bom marido. — Revirei os olhos do meu lugar. Devon tinha uma fala doce do caramba! — Olha a mulher linda com quem me casei, Rosa. — Apontou para mim. — Não posso me divorciar.

Um cretino de boa lábia.

— Olha aqui, garoto. — Rosa agarrou a orelha dele e puxou. — Casamento não é brincadeira. É algo sagrado. Você não vai brincar com isso!

— Ai, Rosa — ele gemeu e segurou a orelha. — Não estou brincando. — Se defendeu, e ri. — Nem para me defender. — Fez um beicinho e me abraçou.

— Ah! vem aqui, apalpador de seio! — Acariciei suas costas, ainda rindo, e a sua orelha estava vermelha. — Quer um pouquinho de gelo na orelhinha, bebezão? — falei com uma vozinha fina, como se fosse um bebê e ele riu, tirou o chapéu da minha cabeça e me beijou.

Nossos lábios ficaram presos mais tempo do que o educado, cada beijo era ainda mais difícil de me afastar rapidamente.

Vanessa entrou na cozinha reclamando de fome e quase teve um ataque, porque Devon não contou que Rosa estava voltando. O café levou mais tempo que o normal, a conversa não parava.

Mandei uma mensagem de bom dia para minha mãe, ela respondeu que acordou, comeu e voltou a dormir porque estava querendo descansar o máximo que podia. Era raro ela pegar folgas em dias seguidos. Me senti mal por não estar em casa com ela, mas além de querer trabalhar no evento, eu tinha os horários na revista para cumprir e nos veríamos no dia seguinte.

— Acho que deveria trabalhar na minha sala hoje — Devon comentou no elevador da empresa. — Assim eu poderia ter um belo incentivo. Você é um colírio para os meus olhos.

Sorri quando as portas abriram.

— Você também é bonito, mas eu prefiro a Vanessa. — Dei o braço à minha melhor amiga, acenamos ao mesmo tempo, andando na direção oposta. Ele piscou e deu a volta, olhei para sua bunda enquanto pude. — Vou acabar transando com ele.

— Ainda duvida? — Vanessa riu. — Sabe quem me ligou? — Ela parou na minha frente. — Tyler Benson.

— Seu primeiro beijo na escola? Isso que eu chamo de ressurgir das cinzas. — Fiz o sinal da cruz para afastar a criatura Chernobyl.

— Acredita que ele começou dizendo que viu o meu Instagram em uma conta de fofoca porque nem lembrava do meu nome? — Colocou as mãos na cintura. — E ainda disse que ficou surpreso que fiquei muito gostosa.

— Ai que idiota. Bloqueia e finge que nem sabe quem é.

— Eu nem respondi. É impressionante o quanto atraio imbecil. Nunca vou ter sorte no amor?

— Claro que vai! Só não será esse babaca.

Nós começamos a trabalhar e fofocamos o dia inteiro. Os meninos não aguentavam o nosso falatório, mas adoravam saber de tudo.

Conseguimos nos reunir com a decoradora, ela basicamente já tinha uma ideia do que queríamos. Os móveis seriam levados dos depósitos dos hotéis e daria para preencher os espaços das salas de espera espalhados. Colocamos bares com um menu de bebidas bem agradável, Devon selecionou alguns garçons e depois do almoço, metade das minhas ideias e do checklist estavam riscados.

Meu telefone vibrou em cima da mesa e era uma das minhas vizinhas mais antigas. Ela costumava tomar conta de mim quando eu era pequena.

— Olá, sra. Smith!

— Katrina! Sua casa está pegando fogo!

Fiquei em pé na mesma hora, derrubando o teclado do computador no chão. Vanessa se assustou e levantou-se também.

— O quê?

— Pegando fogo! Eu estava nervosa pensando que estavam em casa.

— Onde está a minha mãe? — gritei, perdendo totalmente a cabeça. — Ela avisou que estaria dormindo!

— Eu não sei, não estou vendo, tem muita gente na rua — explicou, nervosa e não falava nada direito.

Simplesmente saí correndo, gritando que a minha casa estava pegando fogo. Vanessa não entendeu nada e me alcançou com a bolsa, suas mãos tremiam e gritava comigo, pedindo explicações. Nós descemos e corremos para o carro dela. Enquanto dirigia em alta velocidade, liguei para minha mãe repetidamente. Em menos tempo que o normal, Vanessa virou no meu bairro, e eu podia ver uma grande fumaça negra no céu.

— Não! Meu Deus! — Ofeguei. Ela freou bruscamente na barricada que os bombeiros fizeram. Pulei do carro, gritando. Um bombeiro me segurou. — É a minha casa! Minha casa! MÃE! — Comecei a olhar ao redor. — MÃE! MELANIE! MELANIE SUMMER!

Meus vizinhos me olhavam com pesar, ninguém respondia onde estava a minha mãe. Andei entre as pessoas, nervosa, gritando. Minha garganta estava doendo e o fogo consumia a minha casa como uma lambida feroz. Minha casinha amarela apaixonante estava queimando diante dos meus olhos, e eu não sabia se minha mãe estava lá dentro, desmaiada.

— Não tem ninguém na casa, senhora. — Um bombeiro ouviu a resposta do rádio. — O fogo será contido agora.

— Kat? — Ouvi a voz da minha mãe. Ela largou as bolsas de papel do mercadinho no chão. — Nossa casa. — Apontou e chorou. Corri para os seus braços.

— Mãe! Eu pensei que você estivesse lá dentro! — Chorei, com o meu coração explodindo no peito.

De repente, minha mãe desmaiou. Foi difícil segurar. Gritei por ajuda, Vanessa me ajudou a ampará-la, e os paramédicos se aproximaram com a maca. Ela estava com a pressão arterial elevada, desmaiada, foi levada para a ambulância. A paramédica me informou que eles a levariam para o hospital imediatamente.

— Srta.? Precisamos falar. — O chefe dos bombeiros me chamou.

— Eu vou com ela. Vai ficar tudo bem. — Vanessa me deu um abraço e a chave do carro. Ela entrou na ambulância, e assisti a minha mãe partir ainda apagada.

— O que foi? — Virei para o bombeiro.

Ele me fez milhares de perguntas, queria saber se a casa tinha seguro, eles acionaram a equipe investigativa, e eu só respondi no automático. Minha casa estava pingando, destruída, o jardim todo amassado pela passagem dos bombeiros. Eu não podia entrar, ela seria lacrada até a investigação da causa do incêndio terminar. Tudo que sentia era uma imensa devastação no meu coração.

— Kat! Eu vim o mais rápido que pude! — Nick chegou de repente e me abraçou. — Desculpa, amor. Sinto muito! Você e a sua mãe vão ficar comigo, eu vou cuidar de vocês! Te amo, querida. Vai ficar tudo bem...

— O quê? — Me afastei. — Me solta, Nick! — Balancei a cabeça, chorando. — Se afaste! — Eu queria cair no chão e continuar chorando para extravasar a dor.

— Katrina? — Virei o rosto e Devon saiu de trás de um grupo de bombeiros. Seu olhar doce me fez sentir que iria ruir. — Alicia me ligou quando vocês saíram, estava dentro da Arena e não tinha sinal. Eu sinto muito. — Me pegou em um abraço confortador. — Sinto muito, não chore, sua mãe vai ficar bem e você está bem.

— Nossa casa, é tudo que nós temos, nossas lembranças, fotos, nossas coisas... — Solucei. Ele esfregou minhas costas.

— Vamos construir de novo. Quanto às lembranças, vamos tentar recuperar o máximo delas — garantiu e beijou a minha testa, depois os lábios. — Sinto muito mesmo.

— Quem é você? — Nick ainda estava atrás de mim e parecia furioso. Devon o ignorou, olhamos para o capitão de um dos carros dos bombeiros que atendeu o incêndio, se aproximando com uma prancheta.

— Srta. Summer? Precisamos dos seus documentos.

— Meu sobrenome mudou, ainda estou com os meus documentos de solteira… acho que nem trouxe!

— Sou Devon Winterfield. Sou marido da Katrina, meu advogado vai entrar em contato com o corpo de bombeiros e fornecer o que for necessário. Agora vou levá-la para o hospital para ver a mãe e depois, para casa.

— Entre em contato com esse número e devolva esse formulário preenchido. — Ele nos entregou as folhas. Se afastou e olhei para Devon, depois para minha casa e as lágrimas se reuniram em meus olhos de novo, escorrendo pelo rosto.

— Calma, vai ficar tudo bem. — Esfregou os meus braços.

— Quero ver a minha mãe agora — pedi, morrendo de preocupação. — Ela simplesmente desmaiou nos meus braços.

— Foi o susto. Vanessa disse que ela acordou ainda na ambulância.

Devon estava se afastando e me levando junto quando senti uma mão me segurando bruscamente. Nick me puxou ao ponto de quase me fazer cair. Devon reagiu, me firmando e o empurrando. Ele entrou entre nós dois, me protegendo com seu corpo.

— Que porra você está fazendo, seu idiota? — Devon gritou.

— Casada? Você me traiu com esse imbecil? Terminou comigo para se casar com outro? — Nick avançou e uns vizinhos o seguraram no lugar. — Piranha! Vagabunda! Eu te amando e você fodendo com outro nas minhas costas! — ele gritou e todo mundo parou, inclusive os bombeiros.

— Eu não fiz nada! Nicholas, foi depois que terminamos, eu nunca te traí! — gritei, sentindo a necessidade de me explicar de tanta vergonha.

Nick conseguiu se soltar dos seus amigos, mas Devon simplesmente deu um soco nele.

— Lave a sua boca antes de falar da Katrina! Ela não te traiu, babaca — Devon falou baixo, furioso. Nick cuspiu sangue. Estava congelada no lugar. Ele virou e passou o braço nos meus ombros. — Vamos embora, Kat. Vai ficar tudo bem.

Olhei para minha casa mais uma vez e chorei, mas não tive coragem de olhar para Nick. A história do meu casamento era realmente muito confusa e qualquer pessoa poderia chegar à mesma conclusão que ele. A culpa pesou. Eu não era infiel, nunca fui e foi humilhante tudo que gritou na frente de todos.

Seria pauta de fofoca por semanas e não precisava passar por nada daquilo em um momento tão horroroso da minha vida.

Se o incêndio foi criminoso, eu sabia que tinha dedos do homem que se deu ao trabalho de me avisar para ficar longe. A questão era: eu ainda não tinha descoberto nada, por que eles estavam tão preocupados? Talvez a verdade fosse tão óbvia que não enxergava, mas era sério o suficiente para incendiarem a minha casa, onde a minha mãe poderia estar dormindo em seu dia de folga.

Se eles queriam que me afastasse, tudo bem. Meu sonho de escrever uma grande matéria não era maior do que o amor pela minha mãe. Era hora de deixar a bobagem de ser uma grande jornalista e aceitar a vida que levava, porque não tinha condições de perder mais nada.

OceanofPDF.com