Amor em Jogo: Cidade do Pecado, livro 1

Mari Cardoso · Capítulo 33 de 39

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Amor em Jogo: Cidade do Pecado, livro 1

31 | Katrina

 

A tecla enter parecia o botão de uma bomba. Estava tremendo tanto que quase errei. Parei, respirei fundo e apertei. Pronto. Matéria enviada! Ergui o olhar para Devon, que estava debruçado na mesa com expectativa e assenti. Vanessa colocou a mão em meu ombro, me abraçando, dando o conforto que precisava no meio de tanta ansiedade.

A matéria estava publicada. Enquanto me acalmava, minha melhor amiga e maior cúmplice estava analisando a entrega da publicação nos e-mails de todos os assinantes do meu blog anônimo, que se transformou em um portal de notícias.

Já era um, só não sabiam que era meu e devido ao acordo com Devon, continuariam sem saber. Depois de muito debate, concluímos que seria mais instigante e até me protegeria, se usasse um novo codinome. Ele investiu em toda segurança para que eu não fosse descoberta. Era bem caro e não discuti sobre. O que me interessava era manter o portal ativo. A empresa limpou todo rastro que levava a mim e por um pagamento mensal, continuariam mantendo a proteção.

Trocamos o layout, deixamos mais claro. Mudamos a caixa de denúncias para o rodapé, o fórum na lateral, e em cima uma arte bonita que Vanessa fez no photoshop com o nome “Independent Vegas News”. Levamos quase dois dias só para escolher a fonte, queria que tudo ficasse perfeito, não desse erro e até aumentamos a assinatura para o site não sair do ar com os acessos.

— Enviado para 96% da lista, logo vai viralizar — Vanessa garantiu e assenti. — Você está sentindo-se bem?

— Acho que sim, estou ansiosa e nervosa. — Mordi o lábio. — E agora? O que eu faço?

— Que tal dormir um pouco? — Devon saiu de seu lugar e esticou a mão.

Estava pronta para protestar, mas lembrei que faltavam uns dias para sair da cobertura da aposta. Ele venceu. Não duvidei que não era capaz de me vencer, afinal de contas, ele era quase imbatível, mas pensei que a ideia de ser meu escravo sexual iria lhe agradar.

O que eu não pensei era, que me vencendo, ele poderia me ter como escrava sexual e ainda fazendo tudo que queria sem reclamar. Às vezes eu era tão inteligente que cometia umas burrices bobas. Por que não pensei nisso? Descobri que não existia uma célula obediente no meu corpo, porque cada vez que ele pedia algo e eu tinha que obedecer, sentia vontade de quebrar alguma coisa nele ou na minha própria cabeça.

— Dormir. Anda. — Apontou para a escada.

Contrariada, fui para o nosso quarto e deitei, mas não estava conseguindo pegar no sono. Toda hora olhava o telefone, vigiando os portais de notícias. Devon entrou no quarto, tirou o aparelho da minha mão, fechou as cortinas e a porta. Deitou-se ao meu lado e me abraçou. Não dormi bem nas últimas noites, passei mal, tive crise de choro, de ansiedade e medo. Deixei tanto Devon quanto Vanessa preocupados e estressados. Ficou uma matéria grande, com relatos, fotografias, mensagens e vídeos.

Devon acabou dormindo, tentei me mover para fugir, mas ele acordou e me segurou no lugar.

— Não consigo dormir — confessei.

— Você precisa descansar, passou mal a semana inteira e eu não quero que tenha uma crise.

— Estou melhor agora, eu juro — prometi e dei um beijinho em seus lábios. — Foi tensão pré-lançamento, já ouvi falar sobre isso e dizem que conforme for me acostumando, não vai acontecer mais.

— Tudo bem, então, fique aqui deitada comigo porque estou com saudade de você. — Abriu um sorrisinho. Cínico. Fiz um beicinho, cruzando os braços, me sentindo uma criança contrariada. Por que ele estava me prendendo no quarto? — Não está com saudade de mim?

— Uma semana e já está maluquinho?

— Eu ganhei uma aposta e só pude usufruir disso por dois dias. — Fez uma careta, como se fosse um absurdo. Ele ia ganhar um chute nas bolas, não ia faltar muito. — Eu quero exercer o meu direito de marido. — Beijou meu pescoço, rolando com cuidado para cima de mim.

— Não nascemos nos anos cinquenta, você tem o direito de calar a boca — rebati, rindo. — Quero um jantar diferente hoje.

— Vou mandar preparar algo no hotel. — Sentou entre as minhas pernas, tirou a camisa e apoiou os braços nos meus joelhos. Dei umas batidinhas em suas coxas, pensando no que ia falar, mas a seminudez dele me deixou sem fala. Parei um pouco, passando minhas mãos por seu peitoral e suspirei. Meu homem gostoso. Brinquei com os meus dedos na borda de sua calça de moletom e olhei em seus olhos, sorrindo. — Posso tirar a roupa toda?

— Já disse que nunca nego te ver nu. — Balancei as minhas sobrancelhas, mas ele não se moveu. — Ainda está preocupado comigo?

— Um pouco. Quero falar algo, mas não quero que surte completamente. — Suas mãos seguraram minhas coxas, provavelmente já prevendo algum movimento brusco meu. — Acho que está grávida.

— O quê? — Cheguei a sentar e ele segurou minhas pernas para não dar uma joelhada nele. Homem esperto. — Não, Devon. Me deixa sair da cama! — reclamei e ele negou. — Não vou surtar, só quero pegar minha agenda onde anoto as datas da minha menstruação — prometi. Ele, desconfiado, me liberou, o tempo todo me observando. Fui até o closet, peguei a agenda pequena que anotava coisas como gastos pessoais e voltei para o quarto, folheando as páginas. — Eu tive um sangramento com pouco fluxo mês passado, está bem aqui.

— Katrina... — Ele passou a mão na cabeça. — Simplesmente sei que você está grávida. Podemos fazer um teste só para o pensamento sair da minha cabeça?

— Não custa nada fazer um teste, mas eu quero saber porque tem tanta certeza. — Coloquei minhas mãos na cintura, ocultando o tremor que sentia porque algumas coisas começaram a fazer sentido na minha mente e eu, muito ocupada com a matéria e em negação, não me debrucei muito nas ideias.

— A primeira coisa que eu notei foram os seus peitos. Eles estão mais inchados e você está ainda mais sensível, acordou reclamando de dor mais de uma vez e teve o dia que tirou o sutiã no carro porque não aguentava mais. — Seu olhar encontrou o meu e analisei meus peitos. Sim, totalmente sensíveis. — Sua fome pela manhã tem sido assustadora e mais do que nunca, tem comido pretzel com geléia. Você adorava meus ovos com queijo e agora não consegue sentir o cheiro.

— Eu não reclamei disso — murmurei e me joguei na pontinha da cama.

— Não precisou, seu nariz torce e você não come!

— E o que mais?

— Seu enjoo a semana inteira. No começo, eu pensei que fosse ansiedade com os preparativos finais do site, todas aquelas reuniões, mas depois... — Encolheu os ombros. — O que está pensando? Da última vez a possibilidade te deixou muito nervosa...

— Eu sei e me desculpa, mas era tudo muito recente. Além do mais, apesar de não ser uma ideia que me faz soltar fogos gratuitamente, também não me faz chorar. — Engatinhei na cama e me refugiei em seus braços. — Acima de tudo, sei que meu bebê terá um pai incrível, com uma história diferente da nossa. — Beijei seu pescoço. — Vamos fazer um teste...

— Vou pedir para Mac comprar. — Ele se moveu e o segurei.

— Não precisa — falei baixinho e ele parou, esfregando as minhas costas. — Vanessa me deu um, melhor dizendo, me deu alguns semana passada.

— Por que?

— Ela disse que nunca teve a oportunidade de ser uma madrinha de casamento e me dar coisas de chá de panela, fazer brincadeiras, uma despedida de solteira e me deu uma caixa com camisinhas, testes de gravidez, calcinhas, velas aromáticas e vários cartões com jogos safados — comentei e o encarei. — Sabia que existe um baralho de sexo? É como poker, mas o royal flush é a combinação de um monte de posições sexuais. — Sorrimos juntos. — Temos que jogar um dia.

— Com toda certeza iremos jogar. — Beijou a minha testa.

— Não quero que as coisas mudem entre nós. Ainda estamos aprendendo a ser um casal, a viver a dois. Agora seremos pais. Quero me esforçar para permanecermos assim... brincando, competindo, apostando e nos amando. — Ergui o meu rosto e beijei seus lábios. Devon apenas me olhou, ele não precisava me dizer nada, a promessa estava bem ali e o meu coração estava em paz, independente do resultado do teste. — Vou fazer, já volto. — Fui até o banheiro, peguei o teste, fiz xixi no potinho, enfiando o bastão dentro e deixei em cima do balcão.

Voltei para o quarto, sentei ao seu lado, ele me tombou na cama e imediatamente sua boca encontrou a minha. Ficamos aos beijos, em um amasso muito gostoso, soltei um gemido me esfregando em sua coxa para ter um pouco de fricção. Rolei para cima dele, ele sentou, me beijando, arranhei suas costas e de repente, se afastou. Seu olhar encontrou o meu antes de partir para o relógio.

— Eu fiz, agora você vai buscar. — Saí de seu colo e ajeitei a minha blusa.

— Se você não estiver grávida, estou doido para fazer um agora — gemeu, ajeitando o pau na cueca e foi para o banheiro. Meu coração estava martelando no peito e a demora em voltar só me deixou ansiosa. Devagar, ele apareceu na porta, parando com o teste na mão. Seus olhos estavam começando a brilhar e as pupilas dilatadas denunciaram o resultado. — Acho que precisamos reformar o quarto mais próximo.

— Positivo? — Engoli seco. Devon atravessou o quarto e ajoelhou na minha frente. — Uau... — Suspirei, segurando o teste. Positivo estava escrito em todas as letras no pequeno quadrado.

— O que foi? — Segurou o meu rosto.

— Hoje estava destinado a ser o dia mais importante da minha vida. — Encostei minha testa na dele. — O dia que publiquei a matéria mais importante até agora e o dia que descobri que me tornei mãe. — Beijei seus lábios. — Nos tornamos pais... — Abracei-o apertado. Devon estava emocionado demais para falar e a sua reação tão sensível e apaixonada me deixou feliz, amando-o ainda mais.

Deitado com a cabeça na minha barriga, parou e encheu de beijos. Ergueu a minha camiseta para sentir a minha pele, olhando para o meu ventre como se tivesse algo diferente do que ele tinha visto antes. Sorrindo, esfregou seu nariz ali e apesar do medo no fundo da minha mente, meu coração transbordava amor. Estava exalando felicidade em todos os meus poros.

— Papai te ama. — Ele beijou abaixo do meu umbigo.

— Nós te amamos. — Sorri, acariciando seu cabelo.

Devon e eu ficamos no quarto, curtindo uma felicidade apenas nossa, como casal e pais. Acabei pegando no sono, tirando um cochilo leve, acordei com o meu telefone vibrando. Era uma mensagem da minha mãe, avisando que ela e Michael iriam jantar conosco. Enquanto dormia, Devon disparou convites, tínhamos muitos motivos para comemorar e ele estava quase incontrolável. Não podia falar muito porque toda minha ansiedade e inquietude desapareceram completamente.

Fiquei deitada na cama o tempo inteiro. Devon foi até a cozinha, preparou um lanche e quando Vanessa entrou no quarto, preocupada comigo, meus olhos encheram-se de lágrimas.

— Ainda nervosa, amiga? O site está bombando, já chegamos em mais de seiscentos comentários e recebi e-mails de quatro emissoras diferentes solicitando o formulário de reprodução. Eu tenho certeza que estará no jornal da noite.

— Sério? — Coloquei a mão no coração. — O que dizem os comentários?

— Muita gente percebendo que faz todo sentido e ao mesmo tempo, muita gente preocupada. A página da empresa está cheia de réplicas pedindo uma resposta. — Sentou-se ao meu lado. — Devon está falando com Mac, verificando toda segurança e até que tudo se acalme, é importante que fique segura. Vamos ficar aqui bem reclusas. — Me deu um abraço apertado. Eu quis contar, mas não queria estragar a surpresa do jantar. Seria divertido que todos soubessem ao mesmo tempo.

Saber de tudo aquilo me fez chorar no meio do nosso abraço. Era importante que a matéria estivesse causando grande alarde na cidade, porque era necessário que a empresa fosse punida e pagasse por tudo que causou na vida de milhares de pessoas. Os pacientes do Instituto de Oncologia mereciam a chance de lutar e eu lhe dei a arma completa, sem que ninguém pudesse silenciar a verdade.

Dei uma olhada na caixa de e-mail e vi que havia um que correspondia ao nome da advogada que o Dr. Everest me passou o contato. Ela estava desesperadamente pedindo um contato para que pudéssemos nos reunir, solicitava acesso a todas as minhas informações. Sua apresentação formal foi muito bem feita, mas estava nítido o quanto escreveu com rapidez.

— Eu pedi para você subir com calma. — Devon voltou para o quarto com meu lanche.

— Calma e Katrina na mesma equação é algo praticamente impossível. — Vanessa sorriu.

— Estou calma, quieta, com fome e só dando uma olhadinha no e-mail do site. — Me defendi, pegando o prato com o sanduíche de queijo e presunto, com mostarda e picles, uma combinação que só Vanessa e eu gostávamos. Devon achava repugnante. Ele comia porco como se fosse pipoca, não podia falar nada sobre escolhas alimentares.

Mesmo contra a vontade de Devon, Vanessa e eu trabalhamos na cama e quando deu o horário do noticiário mais importante da noite, meus olhos se encheram de lágrimas. Eu não queria fama como Katrina e sim como jornalista. Era o meu trabalho, não importava se as pessoas sabiam meu nome ou não. Obviamente, devido à minha investigação, a companhia sabia que eu tinha os dedos envolvidos naquilo. Eles me ameaçaram descaradamente, entraram como suspeitos no incêndio da minha casa, pediram desculpas e não podiam provar que segui adiante.

Publicamente, tudo que podiam fazer era enfiar o rabo entre as pernas.

— Não só será capa de quase todos os jornais como está dominando os noticiários. — Vanessa encostou o ombro no meu. — O que está sentindo?

— Tantas coisas... medo, apreensão, ansiedade e se possível, alívio. Foi tão estressante. — Recostei nos travesseiros.

— É isso que você quer para sua vida? Sei que você ama o jornalismo, mas, a área investigativa pode te dar uns cabelos brancos antes do tempo.

— Eu não sei se vou conseguir não sair por aí investigando o que me deixar curiosa. — Dei de ombros. — É importante ter liberdade para escrever o que bem entendo. Essa é a única vantagem de dominar a minha carreira e nos próximos meses, prometo que não vou causar e enfiar o meu nariz onde não fui chamada. — Abri um sorriso.

— Trabalhando na Winterfield, percebi que estou lá para ocupar o tempo, ainda não sei o que quero fazer. Às vezes, penso em escrever um romance, mas não sei. Simplesmente não sei. — Vanessa se encolheu, meio tímida.

— Acho que vai ser um romance maravilhoso. Escrita é uma questão de prática, talvez devesse treinar, aproveitar a oportunidade para contratar um profissional que possa ler e avaliar. Desistir não é uma opção, baby. — Bati com meu ombro no dela. — Você pode verificar se o seu irmão encomendou o jantar? Confira se ele convidou Stuart, se não convidou, diga a ele para convidar imediatamente.

— Virei a sua secretária agora?

— Não queria deitar e agora estou com preguiça de levantar.

— Ninguém te merece, Katrina. Eu só vou porque preciso tomar banho e me arrumar, caso contrário, iria mandar você ir para um lugarzinho interessante. — Fez cosquinhas nos meus pés e correu da cama. Eu odiava cosquinhas, principalmente onde ela tocou.

Assim que saiu, levantei da cama e fechei a porta. Parei na frente do espelho, ergui a minha camiseta e olhei para minha barriga plana, sem acreditar que tinha um bebê crescendo ali dentro. Eu não podia bancar a surpresa com a gravidez, nós vacilamos na prevenção milhares de vezes. O choque era inexistente. Por algum motivo, engravidar no final do desafio que abandonamos há muito tempo, parecia apenas certo.

Não ia me debruçar em ser cedo demais ou dar vazão a todos os meus medos. Escolhia ficar feliz com o meu bebê, compartilhar a alegria com o pai, o homem que há muito tempo ocupava o meu coração e que se tornou o meu marido em uma noite de bebedeiras. Por mais louco que fosse a nossa vida, um jogo nos trouxe o amor. Como poderia alegar que a minha vida não estava no lugar certo?

Além dos meus peitos e o enjoo, não dava para notar que estava grávida. De lado, seguia tudo do mesmo jeito, mas seria questão de tempo. Esperava que a notícia não vazasse antes do tempo certo, eu não queria lidar com comentários maldosos e a perseguição de McKenna. Muito menos aguentar Shannon, que espalharia a notícia na mídia apenas para manter o sobrenome em alta e a imagem de mãe devotada. Pensando em como o meu relacionamento realmente começou com Devon, tive a ideia de propor a ele mais uma aposta.

Tirei a minha roupa e ainda fiquei mais alguns minutos me encarando, analisando meu corpo, mas nada havia mudado. Era engraçado estar ansiosa por uma mudança física. Por dentro, sentia o meu coração martelando com uma explosão de sentimentos diversos. A maternidade era algo que eu pensava hipoteticamente no futuro e não que aconteceria tão rápido, sem um planejamento. Mas do que adiantava planejar tanto a vida? A graça, para pessoas como Devon e eu, era viver na sorte.

Estava terminando de me arrumar, passando creme nos pés quando ele entrou no quarto com um sorriso no rosto. Sua expressão feliz me deixava louca. Eu amava o jeito que ele me olhava. Era sempre intenso, avassalador e único.

— Olá, papai. — Acenei do meu lugar.

Devon parou no meio do caminho, me deu um sorriso incrédulo e passou a mão no rosto.

— Eu não posso acreditar que serei pai. — Puxou o cabelo e me deu um sorriso. — Ainda é completamente surreal, mas é incrível. — Inclinou-se e me deu um beijo suave nos lábios. — Vamos apenas anunciar para nossa família, certo?

— Não vou conseguir guardar esse segredo de Vanessa ou da minha mãe. Vou agendar uma consulta médica o mais rápido possível.

Feliz, assentiu e foi tomar banho. Arrumei a cama e olhei os e-mails do site, havia muitos, a maioria era dos comentários com as réplicas. Filtrei os importantes para responder e enviei os demais para um arquivo, assim poderia olhar com mais calma em outro momento. O segundo noticiário da noite falou sobre o site de notícias anônimo que fez uma denúncia sobre a contaminação da água no lado leste da cidade, relacionando com o aumento dos pacientes com câncer no Valley.

A companhia de saneamento básico da parte principal de Vegas fez um pronunciamento, aumentei o volume da televisão, precisando ouvir melhor.

— Devon! Corre aqui! — gritei histérica.

— O que foi? — Saiu molhado e com sabão, tentando secar o suficiente para não molhar o quarto inteiro. — Caramba!

A Vegas Water, empresa que dominava os bairros principais e de um lado do deserto, confirmou que já sabia da contaminação em um lado da cidade, tanto que havia um processo correndo em segredo de justiça. Eles aproveitaram o momento para expor um esquema de corrupção, supostamente, envolvendo o prefeito e uma bancada de empresários ricos que investiram ações na Pro Valley. Uma empresa bilionária, que deveria ter um seguro alto e advogados bons na folha de pagamento.

A briga, dali em diante, era entre os grandes e a justiça.

— Você tinha razão. — Devon me abraçou. — Tinha muito mais por trás.

— Meu sexto sentido estava certo.

— Você abriu as portas e tudo vai se resolver. — Me deu um beijo na bochecha e voltou para o chuveiro. Abaixei o volume da televisão quando mudou a matéria. Aquilo ainda seria falado por semanas.

Devon se vestiu rapidamente. Antes de sairmos do quarto, beijou a minha barriga e cada um dos meus peitos, para me fazer rir, além dos meus lábios. De mãos dadas, descemos a escada. Marco e Polo correram na nossa direção, pulando, com bolinhas na boca e peguei uma, jogando no quintal. Eles saíram correndo, derrubaram uma cadeira e se trombaram para passar ao mesmo tempo na porta, causando um estrondo na parede de vidro.

Vanessa, Rosa e Devon me deram um olhar.

— Calculei errado... — Encolhi os ombros.

— Não faça jus ao seu nome e não provoque os cachorros para derrubar a casa — Rosa ralhou comigo. — Eles já fazem bagunça demais.

— Tinham que puxar a mãe, é claro — Vanessa brincou.

Devon e eu nos encaramos e rimos. A nossa combinação era explosiva, com toda certeza. Como seria a personalidade desse bebê?

Minha mãe chegou com Kevin nos braços e Michael carregando algumas bolsas com brinquedos. Eles me deram abraços apertados e felicitações pela matéria. Não era exatamente um motivo para comemorar, mas era um passo importante na minha vida profissional e isso sim, era o que nos motivava a celebrar. Era a realização de um sonho e eu estava pronta para realizar ainda mais.

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