Amor em Jogo: Cidade do Pecado, livro 1
24 | Katrina
Fazia muito tempo que não ia a uma festa de criança. Eu não tinha muitos parentes por parte de mãe e não falava com ninguém da família do meu pai, então, além das crianças da minha antiga vizinhança, eu não tinha contato com nenhuma. Nós quatro fomos no mesmo carro, Devon até brincou que desde que se tornou um homem casado, ele nunca mais andou sozinho ou nos seus carros esportivos.
Era um tremendo exagero, ele andou algumas vezes sozinho, sim.
Só algumas.
Com os presentes, chegamos a uma lindíssima casa que me deu uma sensação de melancolia. Era linda e apesar de moderna, era o estilo de casa que se via de longe que tinha criança pequena, com brinquedos no quintal da frente, uma casa de família.
O Dr. Michael era bem cuidadoso, apesar de morar sozinho com o filho. Por dentro, os móveis tinham protetores para crianças e a festa foi organizada no quintal. Havia diversas pessoas quando chegamos, ele nos encontrou na cozinha e eu quase derreti contra Devon quando Michael deu um beijo carinhoso na testa da minha mãe.
Na minha opinião, beijo na testa era mais íntimo do que um beijo nos lábios. Era carinhoso, mais doce que um beijo na bochecha. Era respeitoso. Estava disposta a conhecê-lo porque a minha mãe merecia muito ser feliz no amor.
— Estou feliz que vocês vieram! Sejam bem-vindos, eu vou tentar tirar o Kevin do pula-pula para receber os convidados. Sempre que chego perto, ele corre para o outro lado. — Ele sorriu. — Vem, vamos para o quintal.
Michael nos apresentou à mãe, uma senhora muito educada e cheirosa, assim como para o restante da família. Escolhemos uma mesa próxima à piscina. Tinha uma bela visão para a festa e com muito custo, conhecemos o aniversariante.
Kevin era parecido com o pai/tio, grandes olhos castanhos, cabelinho cortado e as bochechas gordinhas, vermelhas. Completando quatro anos, era uma graça de menino. Simpático, cumprimentou todo mundo e agradeceu pelos presentes.
— Ele é tão fofo! — Virei para minha mãe.
— Muito educado também — Vanessa comentou. — Bonito igual ao pai.
— Não me deixem vermelha aqui — Mamãe implorou e nós rimos.
— Não posso perguntar ao Michael quais são as intenções? Já passou do segundo encontro, quero um pedido formal de namoro. — Devon entrou na pilha.
— Calem a boca! — mamãe mandou.
Falando no anfitrião, ele passou na nossa mesa e pegou mamãe para apresentar aos amigos. Andaram lado a lado, bem próximos e quando se aproximou deles, colocou a mão nas costas dela. Ele era bonito o suficiente para arrumar uma garota mais jovem, mas parecia disposto a um relacionamento maduro.
Minha mãe tinha mais de quarenta, mas dava um banho em mim e na Vanessa. Ela tinha uma genética maravilhosa, extremamente conservada, parecia mais jovem que a idade real. Sempre que ela me apresentava como filha, todos ficavam surpresos e pensavam que éramos irmãs. Era muito bonitinho vê-la com um namorado.
Em dado momento da festa, cansei de ficar sentada e fui me intrometer na brincadeira das crianças. Ajudei a servir a comida, brinquei no pula-pula com o aniversariante e tirei um monte de fotos. Meu espírito estava despreocupado, porque não pensei em nada além de me divertir. De quebra, ainda conheci um oncologista e peguei o cartão dele, que se comprometeu em me receber para tirar algumas dúvidas. Foi uma festa muito legal.
— O bolo está uma... ei, Devon! Devolve meu pedaço! — gritei e ele riu, dando uma boa mordida, ficando com o rosto todo sujo de chocolate. — Ficou todo sujo!
Ainda de boca cheia, esfregou o rosto no meu. Tentei me esquivar, mas ele era muito mais rápido e mais forte. Ganhei um beijo barulhento, que fez Kevin sorrir.
— O menino vai aprender esse comportamento horrível. — Balancei a cabeça, fingindo estar exasperada, mas eu adorava quando ele exibia o humor bobo comigo.
Tentei ser uma garota madura quando a minha mãe disse que ficaria para ajudar a encerrar a festa, e Michael a levaria em casa mais tarde. Me despedi de todo mundo e dei um aperto de mão complicado no aniversariante, que parecia ter se apaixonado por Devon e as brincadeiras brutas. Ganhei as bolsas de brinde e fui soprando bolhas de sabão até o carro.
— Não vou aguentar vocês duas com tanto açúcar no sangue — Devon comentou no carro, interrompendo a minha cantoria com Vanessa.
— Está aberta oficialmente as comemorações do meu aniversário! — Assoprei uma língua de sogra nele, apertando uma buzina.
— Vamos chegar em casa, ver um filme e dormir. Amanhã o dia será longo — falou como se fosse um pai colocando ordem nas crianças. Coitado. Estava com energia demais para dormir.
— Quero fazer alguma coisa ainda hoje, já que a rainha dos romances eróticos está disposta a largar os livros para comemorar — comentei e olhei para Vanessa. Ela me deu a língua, que estava toda azul por causa do pirulito.
— Romances eróticos ? — Devon olhou para irmã pelo retrovisor. — Katrina está te corrompendo? Minha doce irmãzinha não lê putaria.
— Sua doce irmãzinha é uma mulher linda, gostosa e que precisa explorar a sexualidade... — Comecei a falar e ele me encarou, horrorizado. Abriu a boca e fez “blá, blá, blá” repetidamente, aumentando o tom conforme falava. Vanessa chegou a se engasgar de rir no banco de trás. — Deixe de ser machista!
— Não sou machista, só não quero saber da sexualidade da minha irmã! — praticamente gritou, e ri alto. — É sério. Use camisinha e não vamos falar sobre isso!
— Combinado! — Vanessa bateu continência.
— Não quero vocês duas me pentelhando com esse assunto! — ele falou todo emburradinho ao sair do carro e foi entrando em casa.
Rosa estava na sala, assistindo a um filme com os cachorros e me joguei no sofá ao lado dela, dividindo os meus doces. Meus filhotes subiram em cima de mim, abanando o rabo, com os bafos fortes e as patas pesadas querendo carinho.
— Katrina! Eles vão quebrar os vasos do aparador! — Ele ficava insuportável quando algo atingia o seu humor delicado. Homem sensível.
— Papai é um homem sensível — falei com Polo. — Vai dar um beijinho nele!
Apesar das tentativas de Devon de me levar para o quarto a todo custo, fiquei na sala, querendo assistir a um filme e comer besteira. Ele parecia frustrado e Vanessa divertida demais, então, percebi que havia algo fora do comum. Deixei a minha taça de vinho em cima da mesinha, limpei a minha mão suja de salgadinhos e avisei que iria ao banheiro.
Devon ficou todo alerta, me vigiando com o olhar e comecei a rir ao disparar escada acima. Ele correu atrás de mim, mas não me alcançou a tempo de me impedir de virar a esquina do corredor que dava para o nosso quarto. Soltei um gritinho ao ver os balões dourados decorando uma mensagem de feliz aniversário, as bolas que iam do rosé ao prata, criando um arco lindo e vários buquês de flores amarelas.
A pequena sala antes do quarto estava simplesmente linda.
— Você fode com os meus planejamentos! — Ele riu da minha empolgação. — A ideia era cobrir o seu rosto e fazer a surpresa.
— Foi mais divertido assim! — Pulei no lugar, peguei a garrafa de espumante e o olhei. — Pretendendo ter uma comemoração privada?
— Era a ideia. — Deu de ombros. — A traidora da minha irmã não queria compartilhar você.
— Hum... Nós sempre passamos meu aniversário juntas, dividir é uma novidade. Não seja egoísta. — Abri um sorriso. — Quero brindar o meu aniversário com todo mundo, depois, eu e você em uma comemoração privada. Seja criativo. — Pisquei.
Michael devolveu a minha mãe tarde da noite, a tempo de estourar o espumante à meia noite. No ano anterior, Vanessa e eu bebemos a noite toda. Mal consegui aproveitar o dia de tanta ressaca. Naquele ano, eu estava bêbada sim, mas de felicidade. Com tudo que deu errado nos primeiros meses, era maravilhoso estar com as bochechas doloridas de tanto sorrir.
Toda dor do mundo deveria ser essa: da alegria de viver.
Devon me levou para o quarto depois da minha terceira taça. Ele parecia ter seguido um manual de como encantar a namorada na noite de seu aniversário, porque ele preparou um banho relaxante com velas e aromatizantes, um clima delicioso que foi preenchido com beijos e sexo carinhoso.
Nós dormimos pouco, ficamos oscilando entre cochilar, trocar carícias e conversar baixinho. O dia amanheceu e eu estava de bruços, comendo morangos com açúcar, forrei uma toalha para não sujar a cama e ele estava rindo do meu cuidado, porque era só trocar os lençóis.
— Não é só trocar. Se for um acidente, tudo bem, caso contrário, vai atrair bichos que não deveriam existir em um raio de quinhentos quilômetros da nossa cama. — Ofereci a ele um pedaço, que mordeu e comi o restante.
— A casa é dedetizada.
— Não coma na nossa cama e ponto final.
— Para quem se recusava a me chamar de marido, está dizendo nossa cama, nosso quarto...
Muito madura como eu era, dei a língua e saí da cama, espiei a cortina e ofeguei com a visão esplêndida do nascer do sol. O céu estava lindo. Era simplesmente um milagre divino e um privilégio presenciar tamanho espetáculo. Devon me seguiu, parando atrás de mim e me abraçou apertado. Ficamos em silêncio, só absorvendo a beleza e toda paz que algo tão belo poderia nos proporcionar.
— Feliz aniversário, meu amor. — Fiquei toda arrepiada. Me senti derretendo. — Espero, desejo e vou me esforçar para que você seja muito feliz todos os dias da sua vida.
— Ah, Devon! — Virei e o abracei apertado. — Obrigada! Eu quero ser feliz com você!
Nós voltamos para a cama e não foi para dormir. Mais tarde, saímos do quarto juntos. Pelos latidos dos cachorros, a casa já parecia movimentada. Rosa estava na cozinha com a nova cozinheira, que ganhou um extra para vir e ajudar nos preparativos do meu aniversário. As duas me deram abraços e felicitações.
Minha mãe e Vanessa estavam nos aguardando para o café, que foi servido na mesa da varanda. Elas estavam jogando as bolinhas para os cachorros.
— Bom dia, minha filha! — Mamãe me pegou em um abraço apertado e ficamos agarradinhas. — Ainda lembro o quão doce foi o momento que a enfermeira te entregou para mim. Nunca vi nada tão bonito. Você nasceu para iluminar a minha vida, eu te amo tanto!
— Ah, mãe! Não me faça chorar!
— Parabéns, filha. Esse ano eu não te acordei com bolo, mas vai ser uma comemoração melhor. — Me deu um beijo na bochecha.
— Feliz aniversário melhor amiga e agora cunhadinha! — Vanessa pulou em mim e quase caímos na grama. Eu a amava tanto que quase não cabia no peito.
A mesa estava composta com tudo que eu amava comer. Devon pediu que Rosa encomendasse as panquecas de pizza da cafeteria que nos levou há algumas semanas e que a cozinheira fizesse todos os meus pratos favoritos, incluindo ovos mexidos com queijo, bolinhos com presunto e torradas com manteiga temperada.
— Eu não acredito que ano passado bebemos até cair e esse ano você está casada! — Vanessa riu e pegou um embrulho na cadeira. — Hora dos presentes! Os meus primeiro! — Bateu na mão do irmão, que tentou pegar o dele. — Aqui está o que você vai usar no seu aniversário.
Empolgada, abri o pacote e soltei um gritinho.
— Um maiô vermelho igual ao de SOS Baywatch! — Puxei a peça, toda feliz. — Obrigada!
— E o segundo presente é mais para a família. — Pegou a caixa, rasguei o embrulho e era uma câmera fotográfica e um álbum grande de fotografia. — Vocês perderam muitas fotografias no incêndio e ficaram muito chateadas, agora que somos uma família oficialmente, vamos começar a registrar os nossos melhores momentos.
— Ai que doce, amiga! É por isso que você é perfeita! — Agarrei as suas bochechas.
— Minha vez! — Mamãe pegou a caixa antes que Devon conseguisse. Ele estava muito empolgado, era o nosso primeiro aniversário junto e eu entendia a ansiedade. No aniversário dele, no final do ano, iria fazer uma grande festa. — Resgatei do banco, pertenceu à sua avó. Como Devon gentilmente quitou as nossas dívidas, pude retirar a joia que dei como garantia.
Era um conjunto de joias delicadas, um colar longo com duas pedrinhas verdes nas pontas, um par de brincos em gota, com pérolas e a mesma pedra verde e, por fim, uma pulseira de pérolas.
— Era moda combinar safiras com pérolas. Seu avô deu à sua avó. Ela não teve muitas jóias, mas guardou essas, aí quando você nasceu ela me pediu para te dar quando se casasse. Era costume dar esse tipo de presente... — mamãe estava falando e eu simplesmente me joguei nela. — Que o seu ano seja repleto de felicidade e realizações!
— Finalmente! — Devon pegou sua caixa. — O meu é mais legal e mais importante que os de Vanessa, porque sou o seu marido.
— Para de me disputar com a sua irmã, bobo. — Me inclinei e o beijei. — Obrigada. — Abracei-o apertado. Agradeci antes mesmo de ver, porque sabia que, assim como os outros, era especial. — Calma, eu vou abrir.
Peguei a caixa. Dentro tinha um telefone, porque ele estava implicando com o meu aparelho antigo, um gravador de voz super potente para os meus trabalhos como jornalista, uma câmera fotográfica da Sony pequena que era incrível e um caderno com folhas amarelas que jornalistas antigos usavam. Por último, um estojo com vários lápis de ponta, canetas em gel, adesivos e fitas coloridas.
Era o kit jornalista mais completo e mais bonito que já vi na vida.
— Você comprou isso sozinho? — Olhei em seus olhos, emocionada.
— Sr. Google me deu uma boa ajuda. — Me deu um meio sorriso encantador e as bochechas ficaram levemente avermelhadas. — Gostou?
— Eu amei, amor. — Dei-lhe um beijo. — Obrigada.
Vanessa pediu para decorar o meu aniversário. Não vi problema, principalmente que convidamos apenas uns cinco amigos que tínhamos em comum, alguns colegas do trabalho, como o B1, B2 e Alicia com o marido e filhos. Também convidei meus colegas do salão vip e Pierre, que apareceria rapidamente devido ao seu compromisso com o restaurante.
Ao todo, vinte pessoas, mas isso não impediu a minha melhor amiga de contratar um pula-pula para adultos, uma máquina de jukebox que também era karaokê, encher a piscina de boias divertidas e pegar um dos barmans disponíveis da Winterfield para um extra.
Meu marido, por outro lado, não economizou ao montar o som. O barulho seria bem comedido porque o condomínio tinha rígidas regras, a festa aconteceria de dia e dentro do horário permitido.
Stuart chegou com o carro cheio de bebidas e os dois homens começaram a arrumar nas geladeiras. O sol estava mostrando a sua potência preferida de Vegas, quente o suficiente para fritar ovos no asfalto. Fiquei no quarto me arrumando porque ninguém queria que eu movesse um dedo, alegando que nos dias de seus aniversários, eu quase carregava no colo.
Gostava de mimar todo mundo. Era o meu jeito de mostrar, no dia do nascimento, o quanto aquela pessoa era importante para mim. Com Devon, só dava parabéns, mas eu tinha a desculpa de manter a minha fachada que não me importava nem um pouco com ele. Iria compensar a minha frieza naquele ano.
O maiô era tão cavado quanto o da versão original.
Fiquei dois minutos decidindo se iria usar ou não, até que ouvi Vanessa avisar que o primeiro convidado estava no portão. Peguei a saia jeans para usar junto, vesti e escolhi um par de óculos que parecia uma melancia na armação, com as hastes vermelhas. Devon entrou no quarto tirando a camisa e parou quando me viu.
— Nós vamos foder brincando de SOS Baywatch. Eu tenho um calção vermelho — falou e soltei uma risada. Sempre um safado. — É sério, baby! Esse maiô cavado! — Parou atrás de mim, desceu a mão para minha virilha, afastou um pouco o tecido e fez uma expressão chocada. — Eu quero brincar agora!
— Não, sossega. — Bati ema sua mão e ajeitei o meu biquíni no lugar.
— Ops! — Ele derrubou a alça, quase expondo o meu peito. — Você está tão gostosa.
— Muito empolgada também, já chegou alguém?
— Só o idiota do Stuart, mas Alicia está a caminho com a família e o namoradinho da sua mãe com o filho. — Foi para o banheiro, tirando o restante da roupa. — Vamos fazer uma dupla no Karaokê?
— Tudo bem, sei que vou precisar segurar as pontas por nós dois com a minha voz incrível. Você pode ser a segunda voz. — Encostei na pia, observando-o tomar banho e ri de sua expressão ultrajada. — Você tem essa voz grossa aí, só pode cantar músicas que combinem. Se afinar, vai ficar horrível.
— O que? Eu posso cantar Seal como ninguém! — Ele pegou o xampu e começou a cantar Kiss from a Rose, da trilha sonora de Batman e provavelmente a única música do cantor que ele conhecia. Quando ele atingiu as notas agudas do refrão, pensei que fosse cair de bunda de tanto rir. Era bonito, fofo, engraçado e muito esquisito. — Uma perfomance exclusiva, gostou? — Balançou as sobrancelhas e continuei rindo. — Vem aqui, baby. Me salva porque preciso me afogar em seus peitos...
— Tenho convidados a receber. — Saí do banheiro com um sorriso no rosto. Intimidade era uma faca de dois gumes em uma realidade diária, mas esse lado da intimidade era simplesmente incrível.
O meu aniversário foi o dia mais divertido da minha vida. Os convidados relaxaram e entraram na brincadeira, fizemos uma competição de músicas e dança. Devon e Stuart dançaram imitando o filme As Branquelas. Eu cantei músicas com ele, com a minha mãe, Vanessa e no fim, sempre saía como a vencedora, pois era o meu aniversário.
Michael cantou e dançou, mostrando um lado animado, diferente da fachada de médico certinho. Kevin foi a estrela do dia, brincou com os cachorros, tomou banho de piscina e ganhou atenção porque era a única criança pequena.
Tirei muitas fotos, registrando o momento. Sabia que os convidados estavam publicando as fotos em suas contas sociais. Eu também estava, sempre que podia, perdi o meu telefone em um dado momento da festa, o novo ainda estava desligado e guardado.
Na hora de cantar parabéns, um lindíssimo bolo foi colocado à mesa. Vanessa encomendou um de três camadas, com recheio de chocolate e confeitos coloridos. Sem querer, incendiei a toalha da mesa, foi uma comoção para apagar, ninguém podia me culpar por estar bêbada, descabelada e com o maiô todo torto no final do dia.
Assoprei as velas, cortei e comi o primeiro pedaço, estava uma delícia. Ofereci para o meu marido que estava descalço, sujo de grama por passar metade do dia jogando futebol com os homens, vermelho do sol e meio bêbado. Caímos sentados em um sofazinho na varanda, ele me abraçou e olhei para o seu rosto.
— Você está pronto para passar por dias assim pelo resto da sua vida?
— Estou pronto. E você? — Me deu um sorriso. — Acho que deveríamos fazer uma festa de casamento.
— Sério? — Meu bolo quase caiu no chão tamanha a minha surpresa. Era a última coisa que pensei que ele gostaria.
— Acho que merecemos a coisa toda, bolo, cerimônia, um vestido, a dança... o que você acha?
— Eu acho maravilhoso. — Me inclinei e beijei seus lábios. — Devon Winterfield, quer casar comigo? — Esfreguei o meu nariz no dele.
— Mil vezes sim!
Como sempre, ele fazia o meu coração explodir no peito.
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