Amor em Jogo: Cidade do Pecado, livro 1
30 | Katrina
A voz melodiosa da Shania Twain tocava ao fundo da festa de noivado da minha mãe. Eu nunca prestei atenção nas letras dela, mas aquela me chamou atenção. Devon e eu já estávamos dançando no cantinho, entre as luzes cor de rosa que Vanessa projetou. A letra dizia sobre amor à primeira vista, que no primeiro toque, sentiu o amor, mas foi o trecho antes do refrão que me fez olhar em seus olhos.
“Veja quão longe chegamos, querido. Podemos ter escolhido o caminho mais longo. Sabíamos que chegaríamos aqui algum dia”. Trocamos um sorriso porque era verdade. Ele sempre seria o único homem que esperava compartilhar todos os meus beijos de boa noite por toda minha vida. Balançando de um lado ao outro, ficamos agarradinhos até a música terminar.
Kevin atravessou o gramado, com os olhos cheios de lágrimas e imediatamente me afastei de Devon. Sua calça estava rasgada e o joelho bem ralado.
— Oi, amigo. Você caiu? — Devon o pegou no colo.
— Tiago me empurrou do balanço. — Kevin fungou. Ele era um menino tão lindo, mas se recusava a chorar na frente das pessoas. Tão orgulhoso, parecia até meu irmão de sangue.
Tiago era o pequeno filhote de satanás da casa ao lado. Kevin reclamava dele o tempo todo e não gostava de brincar junto, mas quando todas as crianças se reuniam, acabava ficando difícil não estar perto. O pai dele era o idiota que estava bêbado na mesa dos fundos, um homem que falava alto, olhava para todas as mulheres e a mãe, uma arrogante de nariz em pé que olhava para minha mãe com desprezo.
— Vamos cuidar disso. — Devon entrou na casa pela cozinha e o segui antes que me jogasse na mesa de uma família para defender a minha. — Não me faça carregar luvas de boxe no carro, Katrina.
Meu marido me conhecia bem. Não gostava de pessoas esnobes.
Com calma e paciência Devon limpou o machucado, fez Kevin parar de fungar e ainda trocou a calça dele por outra. Ele era tão gentil, brincalhão e carinhoso. Meu coração não podia aguentar e logo estava pensando o quão incrível seria com os nossos filhos.
Sendo filha única, eu queria mais de um filho, sempre quis, desde nova. Crescer com Vanessa me fez crer que ter irmãos era bom. Nós brigávamos e fazíamos as pazes, pegávamos a roupa uma da outra, ficávamos irritadas e nos conhecíamos por completo.
— Obrigado, Devon. — Kevin lhe deu um beijo e saiu, pegou um carro do bombeiro e voltou para a festa. Ele foi diretamente para a avó, falando algo e a minha mãe se aproximou, pegando-o no colo.
Minha mãe nunca se permitiu viver porque a sua principal preocupação sempre foi nos manter e me dar o melhor. Ela sacrificou a vida para ser a melhor mãe do mundo inteiro e nada do que fizesse seria o suficiente para agradecer a vida maravilhosa que ela me proporcionou.
Só de pensar em tudo que passamos, todas as lutas, as noites incertas e o quanto trabalhou para que não faltasse roupa, comida, conforto e amor, me dava vontade de chorar.
— Ei, o que é isso? — Devon me abraçou quando meu rosto amassou e as lágrimas escorreram. — O que foi, amor?
— Eu amo minha mãe — falei contra o seu peito e o senti rir. — Para de rir! Estou apenas feliz!
— Desculpa. Você está chorando por que ama a sua mãe? Acho que todos nós sabemos disso. — Beijou a minha testa.
— O que você fez, Devon? — Vanessa entrou com duas taças na mão. Ela deu ao irmão um olhar bravo, pronta para me defender.
— Por que eu fiz algo? Ela começou a chorar do nada. — Deu de ombros, rindo. — Não fiz nada, juro.
— Estou emocionada que a minha mãe vai se casar. Posso? — retruquei, irritada. Não podia chorar sem que pegassem no meu pé.
Sempre tive problemas com choro, acreditava que era um sinal de fraqueza, mas tanto Vanessa quanto Devon me ensinaram que chorar me fazia forte, porque eu tinha o direito de expor os meus sentimentos.
Os irmãos Winterfield me encararam e começaram rir. Peguei a taça de espumante e bebi, ignorando os dois, que tinham como missão da vida me fazer de alvo das suas risadas. Já estava acostumada com as brincadeiras.
O noivado foi lindo, nós ficamos para ajudar com a limpeza e eu lavei tanta louça que os meus dedos estavam enrugados. Conseguimos deixar a casa bem arrumada, afinal, eles só teriam um dia de folga.
— Estou tão cansada. — Vanessa bocejou quando chegamos em casa. — Esse sapato acabou com os meus pés.
— Quer água quente para colocar nos pés? — Rosa estava pronta para mimá-la.
— E eu? — Devon se intrometeu.
— Não fique mimando essa chata aí não. — Apontei para Vanessa, que riu e me deu a língua. — Por que Stuart não foi no noivado da minha mãe?
— Eu não sei. Ele não está respondendo minhas mensagens. — Devon franziu o cenho. — Se fosse seguro, apareceria na casa dele, mas pode estar fodendo alguém e isso é algo não quero ver.
Vanessa fez uma careta e saiu da cozinha. Eu joguei uma laranja em Devon, que pegou a tempo e fez a expressão de que não sabia o que estava falando. Ele me irritava. Dei as costas, largando-o para trás e subi a escada com meus filhos peludos. Polo correu para o quarto de Vanessa quando ela chamou e Marco me seguiu. Os dois não ficariam muito tempo separados, por isso não fechei a porta.
Comecei o processo de me preparar para dormir. Tirar toda maquiagem levou uma eternidade, mesmo depois do banho esfregando cada canto de base e tirando os produtos fixadores. Estava tarde para lavar o cabelo, mas ele acordava pior no dia seguinte.
— Droga. Você está menstruada?
Olhei para o chão.
— Eca, Devon! Claro que não! O meu fluxo não fica assim... — Até fazia parecer que o sangue mostrava tanto no piso escuro do box quanto a minha tinta para cabelo.
Ele tirou a roupa, me deu um olhar irônico e foi fazer xixi. Terminei o meu banho, meu cabelo ia perder a tonalidade com as lavadas, ia ficar desbotado e talvez escurecesse de novo. Ficar ruiva ia dar muito trabalho, era só pela experiência.
Devon amou a mudança. Quando pensava que eu não estava observando, ficava me olhando feito um idiota com os olhos brilhando e tocava as mechas com curiosidade. A escolha do tom de vermelho foi da Vanessa, porque eu estava extremamente indecisa.
Sequei o cabelo, Vanessa me deu um sérum para o rosto, que passei, lendo a instrução. Ela comprava esses produtos muito caros para o rosto. Antes, me recusava a deixar que me desse qualquer coisa do tipo, agora, o irmão dela era quem pagava meu cartão de crédito mesmo, então não tinha problema.
Devon era a pessoa que ganhava mais, eu tinha o meu bom salário na empresa e podia fazer coisas por mim mesma. Além do mais, com jeitinho, ele estava mostrando que me dar coisas era porque podia e me amava, não que significava que eu era usurpadora de sua fortuna.
— Hoje tem, então? — Ele saiu do banheiro balançando as sobrancelhas. — Sem sangramento, vai rolar a festa do sexo? — Jogou a toalha no cesto. — Vou ficar pronto em pouco tempo, só ficar olhando. — Apontou para o pênis e se aproximou, agarrando os meus peitos.
O idiota ainda balançou.
— Super excitante, nossa! — ironizei e dei uma cotovelada em sua barriga, saindo do banheiro.
— Foi gostosinho dançar agarradinho na festa. — Me agarrou por trás, querendo dançar de novo.
— Eu vou sair do quarto, vou falar com a sua irmã e quando voltar, é melhor que esse quarto tenha um clima romântico ou você vai dormir depois de tocar uma punheta. — avisei severamente.
— Combinado. — Me deu um beijo.
Me enrolei em um roupão e vi que rejeitou uma chamada. O pai dele deveria estar ligando de novo. Sempre que estava na cidade, ficava de palhaçada. Dessa vez, Devon até parecia bem, da última, ele ficou amuado, trabalhando em casa, grudento e irritante.
Quando ele nos contou sobre como descobriu quem era seu pai, fiquei com o coração partido e ainda mais irritada com Shannon. Felizmente, ela não apareceu mais e infelizmente, isso não duraria para sempre. Ela estava prevista para estar na cidade na semana seguinte.
— Estou entrando! — Abri a porta do quarto de Vanessa. Como sempre, estava lendo. — Se arruma, anda!
— Me arrumar? Vamos sair? — Sua confusão era até fofa se não fosse tão lerda.
— Você vai levar a sopa que está na geladeira e visitar Stuart. — Peguei um vestido em seu closet. — Eu vou distrair o seu irmão, não que seja um sacrifício. — Pisquei e ela riu, saindo da cama.
— Isso não seria muito desesperado? E se ele estiver acompanhado? Se achar que estou sendo invasiva? E se ele pensar que sou intrometida? — Mastigou o lábio com força.
— Se estiver, você pede desculpas, volta para casa, nós vamos incendiar algumas fotos e escrever cuzão no pôster dele. Vamos secar a adega, xingar todas as gerações do Stuart e acender velas para o pau dele cair — expliquei e ela me deu um olhar divertido. — Vai se vestir.
Vanessa foi trocar de roupa, relutante, mas foi. Desci a escada rapidamente, preparei a bolsa e usei o telefone residencial para ligar para casa do Stuart.
— Devon, pelo amor de Deus, estou bem! — ele atendeu, estressado.
— Que bom. Está sozinho? — retruquei.
— Katrina?
— Não. A sua mãe. — Revirei os olhos. — Está sozinho?
— Sim... aconteceu alguma coisa?
— Nada. — Encerrei a chamada.
Terminei de arrumar a bolsa, fiquei na dúvida sobre ela chegar com vinho ou não, ele provavelmente teria em casa. Coloquei os pães cortados, a sopa e fechei a bolsa térmica. Ela desceu pronta, com um sorriso nervoso e já com as bochechas vermelhas.
— Não desista, confie em mim. — Segurei seus ombros. Eu não sabia se Stuart reagiria bem, se ele gostaria ou não. Tudo que eu sabia era que Vanessa precisava sair de sua concha e se era ele que estava na mente dela, podendo entrar em seu coração, eu não ia permitir que minha melhor amiga perdesse a chance de um amor.
Esperei que saísse para subir. Devon estava no quarto, tudo escurinho, vinho, duas taças, frutas, os bombons que ele me deu no dia anterior e uma música com batidas sexy tocando ao fundo.
— Você levou uma vida. — Fez um beicinho.
— Está quase dormindo? — brinquei. Seu cansaço era normal. Foi uma semana intensa de trabalho e felizmente, a noite da máquina de lavar ocorreu muito bem. Tentei ficar acordada porque estava preocupada, mas o sono foi maior. Me aproximei da cama, parando bem ao lado dele. — Quer que eu te faça dormir, bebê? — Abri o meu roupão, ele me deu um olhar aquecido antes de me puxar para o seu colo.
— Quero você primeiro! Depois me faça dormir. Romântico o suficiente?
— Para um dia qualquer, está ótimo — provoquei, só para me fazer de difícil. Eu não podia perder a minha fama. Devon me fazia ser uma boba apaixonada só com um sorriso. — Estou brincando. Qualquer momento ao seu lado é perfeito, eu só não quero que você pense que seu pau é supremo.
Ele sorriu, todo convencido e o beijei antes que afirmasse que o pau era supremo, ele sendo um marido romântico ou não. Terminei de tirar o meu roupão, totalmente nua e ele segurou meus seios, analisando. Sua expressão ficou meio alterada e me encarou.
— Já disse que você é muito gostosa? — Beijou cada um dos meus peitos, em seguida foi distribuindo beijos pelo meu pescoço e colo enquanto segurava o meu cabelo. Aquela segurada específica me irritaria em qualquer momento do dia, mas naquele, era uma das minhas favoritas. — Eu amo cada pedacinho do seu corpo, amo o seu gosto, seu cheiro... amo ouvir esses gemidinhos.
— Então você me ama muito.
— Nunca duvide disso. — Olhou em meus olhos e prometeu com fervor. — Nunca!
— Um dia, eu duvidei. Hoje em dia, seu amor é tão certo quanto o nascer do sol. — Soltei uma risada. — Você me faz sentir uma pessoa brega.
Fazendo cumprir a noite romântica que pedi, ele me amou de muitas maneiras, que ia além do contato físico. Sexo se tornou apenas um reflexo da plenitude dos nossos sentimentos. Essa conexão me fazia perceber o quanto as ligações do pai dele estavam tirando-o do sério.
Se fosse qualquer pessoa, Devon daria um jeito de expulsar da cidade ou deixar um recado bem claro, mas quando se tratava do pai, ele paralisava. Com Shannon, tinha mais atitude. Eu entendia. Não tinha noção do que faria se o meu pai brotasse na minha frente, era bem provável que saísse correndo.
Quando ele dormiu, seu telefone vibrou de novo. Silenciosamente, peguei o aparelho, bloqueei o número, excluí todas as chamadas que ele não viu e coloquei no lugar. Eu nunca mexia no telefone dele, mas para lhe dar paz de espírito, era capaz de fazer qualquer coisa.
Voltei para o meu lugar, puxando o edredom e Vanessa respondeu que estava de volta. Mandou várias carinhas e prometeu que conversaríamos no dia seguinte, assim que conseguisse assimilar tudo que aconteceu. Foi o suficiente para me deixar sem sono.
Tirei cochilos leves, mas estava tão curiosa que assim que o dia nasceu, a fome me deixou inquieta, pulei fora da cama e invadi o quarto dela.
— Você sabe a regra, se vai me acordar, tem que trazer café — reclamou, saindo do embaraço do sono e empurrou o edredom.
— Eu pedi um café da manhã caprichado, enquanto não chega, vai falando. Então, como foi?
— Travei bem na porta, quase voltei, mas ele estava me vendo pela varanda e de repente, gritou se eu ia entrar ou não. — Suas bochechas ficaram vermelhas. — Peguei a bolsa e entrei, tão nervosa. Disse que estávamos preocupados, que estava com sopa, pão e o entreguei. Ele perguntou se iria comer com ele. Foi tudo bem, sabe? A casa dele é linda, muito grande e ele parecia tão solitário lá. Estava tudo escuro, dando um ar de desolação.
— Ele contou o que aconteceu? — Encolhi as minhas pernas e me abracei.
— Não em detalhes, apenas que não conseguiu ver o filho como estava programado e isso o abalou um pouco. — Virou de lado na cama. — Não quis ficar fazendo perguntas. Sou louca para saber quem é a mãe, quantos anos o menino tem e eu tenho vontade de bater na cabeça do Devon por não me contar!
— Tudo bem, mas ele foi gentil? — eu queria gritar como uma garotinha.
— Foi sim. Nós bebemos vinho, compartilhamos o jantar e conversamos muito. Voltei três horas da manhã, os cachorros quase me deduraram, mas consegui entrar de fininho. Me sinto uma adolescente saindo escondida, mas Devon está tão chato. — Revirou os olhos. — É como se eu fosse uma criança. Entendo que já fiz besteira... não vou tentar me matar de novo.
— Não tão escondido porque os seguranças irão relatar a ele, eu só queria impedir que começasse a falar ontem à noite. Vou deixar para começar quando acordar e olhar as suas mensagens. — Dei de ombros. — Ele tem medo e para falar a verdade, eu também, mas você merece ser feliz. A vida é isso, não é? Decepcionar, se recuperar, seguir em frente, se apaixonar, desapaixonar... até encontrarmos o amor da nossa vida.
— Quando você ficou tão sábia? — ela me provocou. — Basta Devon entender.
— Essa coisa toda de segurança é apenas enquanto Nick estiver foragido. A polícia de Los Angeles recebeu várias denúncias, Devon vai aumentar o valor da recompensa, logo será encontrado e a nossa vida vai normalizar.
— Katrina! Vanessa! — Ouvimos Devon gritar e ele abriu a porta. — Você pediu café para quantas pessoas? Tem três entregadores no portão.
— Estou com fome! — Me defendi.
— Por que você saiu sem falar nada?
— Porque sou adulta e tenho livre arbítrio. — Vanessa rebateu e me senti orgulhosa.
— Sei que foi até a casa do Stuart e ficou lá até às três da manhã. Não sei o que fizeram e não quero saber, mas isso não é uma boa ideia — enfatizou. — É perigoso e estou avisando, se afaste! Pare com isso!
— Por que? — Me estressei. Devon fazia o meu sangue esquentar. — Os dois são adultos.
— Porque eu conheço Stuart e conheço a minha irmã, eles são diferentes e vai ser um desastre! — Seu tom de voz me deixou ainda mais furiosa.
Quem ele pensava que era para decidir sobre a vida da irmã e do melhor amigo? Vanessa nunca se meteu nas nossas brigas e muito menos deu opinião sobre as nossas escolhas. Ela nos apoiou e teve paciência em todas as vezes que discutimos.
— Nós somos diferentes e não somos um desastre. Está dando certo! Além do mais, não dá para saber se vai dar certo ou não, é só uma conversa, uma dança do acasalamento, não tem nada sério... — Fiquei de joelhos na cama. — Custa parar com esse ciúme?
— Não é ciúme. Tenho direito de cuidar da minha irmã. E você poderia parar de incentivar!
— Não vou parar apenas porque você quer.
— Gente, por favor, parem de brigar por isso. — Vanessa se intrometeu, com calma. — Devon, eu entendo o seu medo, mas eu estou bem.
— Apenas parem com isso. — Devon deu as costas e grunhi.
— Não vai parar nada. Se você gosta dele, tem o direito de tentar. Seu irmão que lide com isso. — Bufei, contrariada e muito irritada com a atitude exasperante de Devon em controlar tudo.
— Katrina? — Devon estava lívido.
— O que é? Você não manda em mim e muito menos na sua irmã. Ela não é criança! — Saí da cama. — Realmente... se achar o dono da felicidade alheia é demais até para você.
— Felicidade? — Soltou uma risada incrédula. — É justamente com a felicidade da minha irmã que estou preocupado. Eu quero que ela conheça alguém que possa se doar a ela por completo, que a entenda e a ame em todos os momentos! Stuart não é essa pessoa!
— Meu Deus, Devon! Ele é seu melhor amigo, por que ele não seria essa pessoa?
— Ele não é feliz. Uma pessoa infeliz faz com que outras sejam infelizes! — Explodiu. — Ele é meu melhor amigo sim e desejo o melhor para ele, mas enquanto não conseguir se libertar de todos os seus demônios, não é um bom homem para minha irmã. Agora chega desse assunto! — Saiu do quarto e passou direto para o nosso quarto, batendo a porta.
Vanessa saiu da cama e parou ao meu lado, só percebi que estava chorando porque senti o meu rosto molhado. Surpresa, me deu um abraço e erroneamente me pediu desculpas por causar uma briga com Devon.
Minha menstruação estava para descer e era o único motivo para toda sensibilidade e fúria. Meus hormônios estavam em choque. Frustrada, mas ainda com fome, descemos para comer. Encomendei muita coisa pensando em um café divertido em família e não apenas nós duas comendo, pensativas.
Tomei o meu café com leite primeiro, depois o café preto e por fim, comi o meu pretzel cheio de geleia de frutas vermelhas com cream cheese.
Devon apareceu na cozinha, ele parecia estressado e o telefone estava quebrado.
— Me empresta o seu? — pediu solene, e tirei do bolso do meu roupão.
— Ele continua ligando? — Segurei o seu braço e acariciei.
— Perdi a paciência e joguei o telefone na parede, vou pedir para Alicia trocar o meu número e me enviar um novo aparelho. — Suspirou e o abracei. — Sinto muito por gritar. Me desculpem vocês duas.
— Me desculpa por gritar também. — Beijei a sua bochecha. — Com calma, precisamos conversar sobre isso — falei mais baixo e ele assentiu. Stuart era amigo dele, precisava entender a raiz de tudo.
— Eu te desculpo apenas se você confiar em mim. — Vanessa segurou a mão dele.
— Confio em você. — Eles trocaram um abraço. — Stuart é um bom homem, ele só está vivendo um inferno que tenho medo que te machuque.
Devon sentou-se conosco, comeu e depois, foi para o seu escritório com o meu telefone. Vanessa disse que tinha algumas coisas para comprar e saiu quando Rosa acordou. Brinquei com os cachorros no quintal, falei com a minha mãe, peguei um pouco de sol e pensei em alternativas de melhorar o humor do meu marido.
Animada, subi as escadas e fui até o armário onde guardávamos todos os jogos. Arrumei a mesinha do nosso quarto com a toalha, separei as cartas, fichas e ainda fiz uns petiscos.
O almoço seria besteira à la carte e com uma boa jogatina, mas eu tinha certeza que o humor dele melhoraria totalmente. Troquei de roupa, coloquei um chapéu cartola de uma fantasia, um body preto e um shortinho de cetim com botas de cano médio.
Desci a escada e parei sensualmente na porta do escritório.
— Sr. Winterfield? — Apoiei minha mão no parapeito.
Ele ergueu o olhar.
— Uau. Estou perdendo alguma coisa? — Abriu um sorrisão.
— Sua mesa de apostas está pronta. — Mordi o lábio, exagerando na cena sensual só para diverti-lo. — Poderia me acompanhar, por favor? — Me inclinei, fazendo um beicinho e segurei meus seios, movendo os ombros. Estava quase rindo, não ia aguentar bancar a sexy por muito tempo.
Animado, saiu de seu lugar e me seguiu. Deu um tapa na minha bunda, me apertou e foi tentando me agarrar até chegarmos no nosso quarto.
— Temos uma jogatina, que maravilha. Só estou um pouco confuso, é domingo, meio da tarde... — Olhou ao redor. — Não é o nosso aniversário de seis meses...
— Não. Ainda faltam uns dias. — Sorri e apontei para a cadeira. — Sente-se. Está pronto para apostar?
— E o que estamos apostando? — Ocupou um lugar e sorriu, todo interessado. Estava brincando com fogo.
— Se você vencer, farei tudo que quiser sem reclamar. Será uma semana de obediência completa, sem brigas, sem discussões e sem estresse — cochichei sensualmente em seu ouvido. — Se eu vencer... — Segurei seu rosto e dei-lhe um beijo provocante. — Prepare-se para ser o meu escravo sexual. Eu vou, literalmente, te algemar em mim para o meu bel prazer.
Devon sorriu e olhou em meus olhos.
— Desafio aceito.
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